Transcrição – HQ de Bolso #03 Identidade de Gênero e Orientação Sexual

TRANSCRIÇÃO – HQ de Bolso #03 Identidade de Gênero e Orientação Sexual

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

 

Sidney: E eu sou Sidney Andrade. E nós estamos começando agora o nosso terceiro HQ de Bolso.

 

Dan: Então, pessoal, o HQ de bolso tem a intenção de provocar discussões iniciais sobre temas que abrangem as vivências Queer. A gente quer começar o assunto para que você possa ter um ponto de partida com o qual poderá buscar mais informações. Lembrando que a intenção não é esgotar os assuntos. Muito pelo contrário, queremos iniciar conversas importantes que precisam ser debatidas sempre mais a fundo. Aqui é só o começo.

 

Sidney: Isso mesmo. E o tema de hoje é pra você, Alicinha, que tá confusa e não sabe muito bem diferenciar, não é mesmo… Que são muitos nomes e a gente vai tentar dar os conceitos iniciais sobre identidade de gênero e orientação sexual, e mostrar como as sexualidades humanas são muito mais diversas do que a gente pode imaginar. A gente vai soltar vários nomezinhos aqui, que às vezes a gente se confunde, mas que a gente vai tentar conceituar pra você entender. Desenhar pra ver se entra na cachola.

 

Dan: Isso, e desenhar e… Lembrando que os textos bases que a gente usou a gente vai colocar na postagem. Mas dentre os textos base que a gente utilizou, né, Sidney, um é super importante, assim, a forma como foi feita, bem didática. E o final desse texto, eles falam bem assim, “Isso aqui é só o começo também”. Parece até um HQ de Bolso. Porque, na verdade, essas coisas podem mudar o entendimento sobre, ao longo de um determinado tempo, sobretudo quando se trata de gênero e orientação sexual.

 

Sidney: Exatamente. É um vocabulário, o texto que a gente vai tá linkado, é como se fosse um vocabulário que dá as definições. A gente vai tentar, aqui, sucintamente, elencá-las, pra você entender como é que funciona essa dinâmica entre identidade de gênero e orientação sexual. O importante, então, vamos começando aqui, é entender que a sexualidade humana, de acordo como é entendido atualmente, ela está dividida, ou pelo menos se entende que ela está… ela pode ser entendida a partir de quatro esferas.

 

Dan: Sim.

 

Sidney: São quatro esferas divididas em duas partes. Que é a parte da identidade de gênero e a parte da orientação sexual. Então, vamos começar pela identidade de gênero. O que é que forma a identidade de gênero de uma pessoa. Primeiro lugar, a gente tem a esfera do sexo.

 

Dan: Isso.

 

Sidney: Olha o termo.

 

Dan: A esfera do sexo, então, é uma esfera biológica, médica e divide entre machos e fêmeas, a partir da genitália; e pode também haver pessoas intersexuais. Lembrando que pessoas intersexuais já foram, no passado, e ainda continuam, por algumas pessoas que ainda não talvez aprenderam esse termo, elas eram as chamadas hermafroditas.

 

Sidney: É um termo pejorativo, hoje em dia.

 

Dan: E aí, a partir dessa divisão, macho, fêmea e os intersexuais… Que aí, geralmente, existe até um estigma muito grande das pessoas intersexuais, que é a escolha do gênero da pessoa, ali quando criança ainda. E é imposto isso…

 

Sidney: Imposto porque quem… Como é a esfera biológica e a esfera médica, por assim dizer, nesses casos, quem determina ali é o… Quem determina o sexo, não é o gênero, e aí você vai entender, é o médico. Quando ele vê lá, o médico vai lá e discrimina se, de acordo com a genitália, se a pessoa é do sexo masculino ou do sexo feminino. Se é macho ou fêmea, a partir da genitália. E aí, é uma esfera. Então, você vai ter essa primeira esfera, que é a do sexo, e não é só do sexo natural, mas sim do sexo atribuído. Entendeu? O sexo que medicamente lhe atribuem.

 

Dan: Sim. E existem vários casos, Sidney, inclusive a gente não tem texto aqui na pauta sobre isso; mas existem vários casos de relatos de pessoas intersexuais que são impostas, por exemplo, um gênero feminino e a pessoa não se identifica com o gênero feminino, e aí, a pessoa é toda… Até a palavra que usam é que ela foi mutilada, pra se adequar ao gênero feminino, e na verdade, ela se sente mais como o gênero masculino. Então, os intersexuais são os mais, como é que se fala? Quando a gente ta falando ainda nessa parte da esfera do sexo, são os que mais sofrem estigma aí, da sociedade, no caso.

 

Sidney: É. E se a gente for entrar na esfera, assim, nessa alçada de como a sociedade lida mal com a intersexualidade, aí é até violento também, porque é mutilador. Enfim, aí a gente passa para a segunda esfera que compõe a identidade de gênero, que são os papéis de gênero.

 

Dan: Sim.

 

Sidney: A identidade de gênero é formada a partir disso, você associa o sexo atribuído aos papéis de gênero que a sociedade tem. Porque… Lembra da… Eu lembrei, quando eu tava pesquisando, eu lembrei lá da redação que caiu uma questão sobre a Simone De Beauvoir, no livro no qual ela afirma que não se nasce mulher, torna-se mulher. E isso é verdade pra mulher, e pra o homem, e pra qualquer gênero. Porque, apesar de o sexo ser biológico, os papéis de gênero não são biológicos. São culturais. Então, o que é esperado de uma pessoa que nasce com o sexo masculino é diferente do que é esperado de uma pessoa do sexo feminino. Então, a cultura, as culturas criam e desenvolvem expectativas, papéis que as pessoas deverão cumprir, de acordo com o sexo que lhes foram atribuídos. Então, é a diferença entre sexo, macho e fêmea; e gênero, masculino e feminino.

 

Dan: E outra coisa, a partir do que Sidney falou aí, a gente pode até elucidar e desenhar bem mesmo, até acredito que não faça muito… Pode ser um ouvinte eventual. Mas o ouvinte que é…

 

Sidney: Assíduo.

 

Dan: Assíduo do HQ da Vida, ele tem noção disso, mas é necessário explicar que existe, então, pessoas cis-gêneras, que são as pessoas que, quando nasceram, foram designadas, por exemplo, homem ou mulher, e se identificam como homem e mulher de fato. Então, eles…

 

Sidney: Então, elas… A identidade delas está… Perdão. O papel de gênero que elas cumprem na sociedade, ou que elas se sentem à vontade pra cumprir, né, as expectativas estão condizentes com o sexo atribuído. Isso é a cis-generidade. Essa primeira esfera determina se a pessoa… Essa relação entre sexo e identidade de gênero determina se a pessoa vai ser cis-gênero ou trans-gênero. No caso, o trans-gênero é a pessoa que lhe foi atribuída um sexo ao nascer, mas que ela não se identifica com os papeis de gênero correspondentes a esse sexo.

 

Dan: E quem não é cis-gênero é trans-gênero.

 

Sidney: Trans-gênero.

 

Dan: Ou trans também, que é muito utilizado. E também, além de cis-gênero e trans, existem as pessoas não binárias.

 

Sidney: Não binárias.

 

Dan: São as pessoas que não se identificam nem com um gênero nem com o outro. Elas, talvez, elas flutuam entre gêneros. Elas…

 

Sidney: A não-binariedade, ou a fluidez de gênero… A gente pode até estar errando, inclusive, fica aí o pedido de feedback, se são a mesma coisa. Porque a gente, inclusive… Merece até um HQ de bolso só pra isso, pra não-binariedade e fluidez de gênero. Mas é quando a pessoa transita entre os dois gêneros, e isso a gente assumindo que são só dois, né. Mas aí a não-binariedade vem pra nos dizer que não existem só dois gêneros, existe todo um espectro e você pode transitar de um ponto a outro, existem várias gradações nesse espectro.

 

Dan: Se eu não me engano, a Liniker se identifica como não-binária.

 

(fade in e fade out de música: “Zero” – Liniker e os Caramelows)

 

Sidney: Eu não sei dizer.

 

Dan: eu acredito que sim. Eu lembro, acho que era duma série na GNT, ela falando que “acho que não sei se sou homem e mulher, trans, não-binário”. Acho… É alguma coisa assim do tipo. Maravilhosa.

 

Sidney: Então… Ai, Liniker é maravilhosa. É, então, recapitulando essa primeira metade, né. Que já só a metade já deu um nó na cabeça, né. A gente tem a esfera do sexo, que é basicamente dividido… As pessoas são atribuídas entre machos, fêmeas, mas existe também a possibilidade da intersexualidade. E existe a identidade de gênero que é a relação que você tem com esse sexo que lhe é atribuído. Se você cumpre com o papel de gênero do sexo que lhe foi atribuído, você é cis-gênero. E se você não cumpre com a expectativa do papel de gênero que lhe foi atribuído, você é trans-gênero. E você pode transitar entre essas duas identidades, sendo não-binário. Aí, eu pergunto a você, Dan. Nessa primeira esfera aí, onde é que você tá?

 

Dan: Eu sou uma pessoa cis-gênera, no caso.

 

Sidney: Cis-gênero…

 

Dan: Um macho cis-gênero.

 

Sidney: Um homem cis-gênero, né, no caso.

 

Dan: Um homem cis-gênero.

 

Sidney: É, no caso, eu e você somos a mesma coisa aqui, neste momento. Nós somos dois homens cis-gênero. E isso não tem nada a ver com orientação sexual. É separado.

 

Dan: Ah, e deixar bem claro, isso também não tem nada a ver com escolha. Eu, hoje, sou um gay e não quer dizer que amanhã vou querer acordar e eu escolhi. Olha só…

 

Sidney: Não, nada aqui tem a ver com escolha.

 

Dan: Nada aqui tem a ver com escolha. Às vezes, temos que entender que algumas pessoas trans podem, em algum momento da sua vida, sentir mais confortável de, por exemplo, uma mulher trans, em algum momento, se declarar como um homem gay, pelo fato de ainda não se sentir à vontade de se declarar como uma mulher trans. Até porque, historicamente, até os próprios gays estigmatizavam as mulheres trans e as travestis aqui no país. Então…

 

Sidney: É, existe toda uma questão de opressões e violências.

 

Dan: Sim, e até uma hierarquia. Até, por exemplo, a sociedade já tem essas opressões. Mas até mesmo dentro do nosso meio LGBT, historicamente existem essas opressões de homens trans que, em algum momento, se identificaram como lésbicas porque era mais confortável. Assim como mulheres trans se identificavam como gays afeminados, por exemplo, porque era mais confortável. Porque a partir do momento que ele era gay afeminado, todo mundo aceitava. Mas a partir do momento que se declarava trans ou travesti, começava a fazer uma hormonização ou uma coisa do tipo, até os próprios gays, que são amigos, já existem relatos, né, de pessoas trans na internet, acho que você pode ver que depois existe essa exclusão. Existe esse processo, existe esse estigma dentro da própria esfera LGBT. Infelizmente, existe. Acredito que é um campo dessa esfera que mais pode ser desconstruído rápido esse tipo de preconceito em relação ao meio hétero, por exemplo, normativo.

 

Sidney: Uhum. Bom, dito isto, a gora a gente vai passar para a segunda metade do programa, que é sobre orientação sexual. Reparem, gente, que a gente tá separando porque é separado mesmo. Pra não confundir. Uma coisa não vai influenciar na outra. A sua identidade de gênero não vai… Como é a palavra? Ela não vai determinar a sua orientação sexual. São coisas autônomas. Então, vamos agora para… como é que a gente entende a nossa orientação sexual. Temos também duas esferas. Primeira delas é a esfera do desejo. A esfera de se existe ou não existe desejo sexual. Então, nesse sentido, as pessoas podem ser alossexuais, que são pessoas que têm desejo sexual, apresentam desejo sexual; e existem pessoas assexuais, que são pessoas que não têm desejo sexual. E repare que a gente não tá falando direcionado a nada, só a existência ou ausência.

 

Dan: Só se tem ou não tem.

 

Sidney: Se tem ou não tem. E tem todo um espectro nesse meio de ter ou não ter desejo sexual, existe um espectro também de níveis de desejo.

 

Dan: E sobre esse espectro, eu gostaria até de deixar aqui dois anúncios. Por exemplo, um, eu não sabia da palavra “alossexual”. Descobri hoje pra  estudar a pauta, e eu fiquei, assim, chocada.

 

Sidney: Que é a palavra que surge, Dan, pra ficar em oposição à palavra “assexual”. Que são os prefixos opostos.

 

Dan: Hum! Olha só!

 

Sidney: que é A-ssexual, ausência de sexual; e alo-ssexual, presença de sexual. São os sufixos opostos.

 

Dan: E falando sobre a sexualidade, Sidney, a gente também pode deixar aqui um pré spoiler que teremos HQs da Vida que já foram gravados, mais pra frente, que tem entrevista com pessoas assexuais. Então, é um programa até legal, e vai ser completo, e fala, por exemplo, os espectros da assexualidade e que vale a pena ficar de olho aí…

 

Sidney: Que não é tão preto no branco, né, tem várias áreas cinzas aí.

 

Dan: Pode ser Gray também…

 

Sidney: E aí, também tem uma outra peculiaridade, nessa terceira esfera, do desejo, que você pode ser romântico ou arromântico. Você pode ter desejo romântico, ou seja, de relacionamento; ou você pode não ter desejo romântico, pode ser arromântico, não ter intenções românticas com sua orientação sexual. Então, do mesmo jeito que existem pessoas assexuais românticas, ou seja, pessoas que não têm desejo sexual, mas têm desejo de relacionamento; também existem pessoas alossexuais, ou seja, que têm desejo sexual, mas que são arromânticas, ou seja, não têm intenções de relacionamento.

 

Dan: Ah, e uma confusão. Um disclaimer aqui. Existem pessoas que acham, assim, que pessoas arromânticas, isso tem um pouco a ver com psicopatia. Que é uma pessoa que não tem empatia…

 

Sidney: É um preconceito, né.

 

Dan: que é uma pessoa que, de certa forma, não gosta de você. É diferente. Talvez, essa pessoa não quer trabalhar nesse espectro do romantismo, que é toda uma construção social.

 

Sidney: O que as culturas determinam como sendo o romantismo ou o relacionamento romântico vai variar também, e existem pessoas que não se submetem a isso, por não serem obrigadas. Porque, afinal de contas, ninguém é obrigado a nada!

 

Dan: A nada!

 

Sidney: Nem a querer fazer sexo, inclusive. As pessoas têm o direito de não quererem nada. E isso é normal, gente. Tá bom? Então, aí a gente passa dessa terceira esfera para a quarta esfera, que é a esfera propriamente dita da orientação sexual. Ou seja, em que direção o seu desejo sexual está voltado. Pra que direção. Aí, nesse caso, a gente vai ter a direção para o seu desejo sexual é para o sexo oposto ao seu, ao que você se identifica. E aí, é nesse caso que a identidade…

 

Dan: Ao gênero oposto, né, até a palavra mais correta, no caso.

 

Sidney: Isso. Ao gênero oposto, exatamente. Se você tem atração sexual ou atração romântica pelo gênero oposto ao que você se identifica, você é heterossexual. Independente de você ser, por exemplo, trans ou não. Porque é uma coisa que as pessoas confundem muito. A mulher trans que se relaciona com um homem seja ele cis ou trans ela é heterossexual, porque ela tem interesse sexual e romântico pela pessoa do gênero oposto ao seu. Porque é isso que significa “hetero”. Presta atenção nos sufixos, gente. Hetero, diferente. Se eu me identifico como mulher, mesmo sendo trans, e me relaciono com homens, o gênero que é diferente do meu, então eu sou hétero. A trans-generidade não tem a ver com a minha orientação sexual.

 

Dan: E é uma coisa assim que parece óbvio pra alguns, mas não é. Inclusive, um dos maiores preconceitos que as mulheres trans sofrem e existem textos que eu posso até buscar, eu só não posso esquecer de tá falando isso, mas eu posso até buscar e colocar aqui, que é a solidão da mulher trans, por exemplo. Eu acho que eu vou puxar da memória, mas quem escreveu esse texto, eu acho que ainda fez um recorte maior, que é da mulher negra, foi a Maria clara, que é estudante de Pedagogia da UFPE, é uma recifense, uma pernambucana. Ela escreveu esse texto falando justamente, além do recorte de classe e cor, ela colocou esse recorte da trans-generidade. Que os homens héteros cis, quando obviamente sentem atração tanto sexual e romântica por essas mulheres trans, eles querem, mas não querem  apresentar pra sociedade, né.

 

Sidney: Sim, porque acham que se relacionando com uma mulher trans, eles automaticamente se transformam em gays. Na verdade, se eles tão tendo atração por uma mulher, o gênero oposto, eles continuam sendo héteros, mesmo se relacionando com uma mulher trans. Mas essa é uma desconstrução que tem que ser feita na cabeça das pessoas ainda. E aí…

 

Dan: Uma coisa que eu acho que quando a gente chega num certo nível de desconstrução, eu acho que tá na hora de algumas pessoas pararem e entenderem que vai existir mulher de pinto e homem de pepeca, gente.

 

Sidney: É, tá de boa na lagoa, tá. Sem sustos.

 

Dan: É mais ou menos isso.

 

Sidney: E ninguém tem obrigação com você, de suprir as suas expectativas. As pessoas têm as suas próprias identidades, seus próprios interesses, e não tem que tá correspondendo às expectativas de ninguém.

 

Dan: Oh, Sid, antes até da gente continuar, é interessante também da gente deixar bem ressaltado é que, por exemplo, as pessoas acham que as pessoas trans, necessariamente, por exemplo, o homem trans quer fazer a cirurgia, o processo de… como que é? A cirurgia de (efeito sonoro: aceleração das vozes, enquanto eles tentam pronunciar a palavra “Redesignação”)… Redesignação… Eu não falei corretamente. Sexual. E não é bem assim…

 

Sidney: Ah, é.

 

Dan: Existem pessoas trans que estão muito bem confortáveis com a sua genitália. Bola pra frente.

 

Sidney: É, mas não mistura, tá, Dan. A gente tá falando de orientação sexual, não estamos falando de trans, de identidade…

 

Dan: Sim, é só que como a gente falou de genitália, eu queria fazer esse disclaimer aqui, porque as pessoas também associam que naturalmente as pessoas trans querem fazer cirurgia. E não é bem assim.

 

Sidney: Não é bem assim. Já, já, a gente vai voltar, pra associar tudo junto.

 

Dan: Ok.

 

Sidney: Então, no caso da orientação sexual, pra onde o seu desejo tá voltado, você pode ser homossexual, heterossexual, você pode ser bissexual, atração por ambos os gêneros; você pode ser… E aí, a infinidade aumenta, de acordo com as relações das identidades. Você pode ser pansexual, que é a pessoa que não se importa com a genitália. Porque quando a gente fala de homossexualidade e de heterossexualidade, a gente ainda está centrando na genitália. E quando você é pansexual, você se desloca… Desloca seu interesse sexual da genitália, e passa a ser pela pessoa. E aí, não interessa se ela é trans ou cis, o que interessa é o seu desejo pela pessoa. Esse escopo é bem grande. Então, pra recapitular essa segunda metade, da orientação sexual, as pessoas podem ser alossexuais, ou seja, que apresentam desejo sexual; ou assexuais, que não apresentam desejo sexual; podem ser românticas ou arromânticas. E aí, podem ser… Esse desejo ou a falta dele, ou o romantismo pode estar voltado pro sexo oposto, pro gênero… Pro gênero oposto, pro mesmo gênero, para ambos os gêneros, para todos os gêneros, que não são só dois. Né isso? Será que ficou confuso, Dan?

 

Dan: Não… (eles riem)

 

Sidney: Vamos nos colocar aqui nesse espectro, agora? Na terceira esfera, você é o quê? É arromântico, romântico, alossexual, ou assexual? Como é?

 

Dan: No caso, eu sou uma pessoa alossexual, e uma pessoa romântica.

 

Sidney: romântica…

 

Dan: Lembrando que a minha esfera do romance… Então, eu sou uma pessoa que sou homorromântico. Inclusive, a gente não falou isso.

 

Sidney: É porque a gente vai falar agora.

 

Dan: Ah, tá.

 

Sidney: Agora. Aí, eu também sou alossexual, homorromântico. Porque, na minha orientação sexual, eu sou homossexual. Eu tenho atração pelo mesmo gênero com o qual eu me identifico, que é o gênero masculino. Então, eu e você, aparentemente, ambos aqui… somos…

 

Dan: Aparentemente…

 

Sidney: Né? Somos ambos alossexuais homorromânticos. Ou seja, a gente tem desejo sexual por pessoas do mesmo gênero.

 

Dan: E você falando “aparentemente”, eu posso falar o que eu te falei antes da gente começar a gravar?

 

Sidney:  (rindo) Pode falar. Se ixxxpõe aí, miga. Se ixxpõe na internet…

 

Dan: vou me expor, vou me jogar no ventilador, na internet! Olha só, eu tava lendo isso aqui, eu falei assim, nossa, estou chocada. O que eu acho? Que, na verdade, algumas pessoas confundem, chama de safadeza, eu falei assim, “Nossa, eu acredito que eu seja homorromântico”. Ou seja, a atração romântica minha é pelo mesmo gênero. Mas se pensar em sexualidade mesmo, no fundo, no fundo, no fundo, eu seria no mínimo bi. “No mínimo bi” é um termo, uma brincadeira de outro podcast que a gente ouve, e já tem até convidados…

 

Sidney: Né do podcast do SAD no Ar, que a gente ouviu lá a Amanda, que a gente entrevistou, que foi o último HQ.

 

Dan: Isso mesmo! Olha só. E aí…

 

Sidney: No mínimo bi…

 

Dan: Essa brincadeira do no mínimo bi. Porque se pensar em sexualidade e romantismo são coisas diferentes… Então, vamos lá, continuando.

 

Sidney: continuando. Agora, a gente vai fazer um apanhado geral. Então, vamos lá. A sexualidade humana se diferencia na sua formação da sua identidade de gênero, ou seja, o modo como você se compreende individualmente sexualmente. E a sua orientação sexual, ou seja, a direção para a qual o seu desejo sexual está apontado. E aí, a gente, na esfera da identidade de gênero, nós temos homens e mulheres trans e cis. Ou não binários. E na esfera da orientação sexual, a gente tem pessoas…

 

Dan: Homossexual…

 

Sidney: Homossexual, bissexual…

 

Dan: Pansexual…

 

Sidney: Pansexual. Vários… bom, existe todo um…

 

Dan: Os alossexuais são os que já sentem atração.

 

Sidney: Uhum. Que você pode ter ou não desejo sexual, e você pode ter ou não interesse romântico.E aí, o espectro…

 

Dan: E lembrando que tem os assexuais, e tem os litossexuais.

 

Sidney: Menino, não complica mais! Ai, meu deus! Tou confulser!

 

Dan: Deixa eu só falar. Que o litossexual é uma pessoa que ela sente atração sexual, mas ela não tem vontade de ser correspondida.

 

Sidney: Ah, é muita, muita… Olha, a esfera da sexualidade humana é tão diversa, que a gente falando isso aqui, já tá datado. Entendeu? Então, aqui são só os conceitos iniciais, pra você entender como é que essas diversidades vão se formando e vão se estruturando.

 

Dan: E aí, você pode fazer um combo. Isso até você pode brincar, por exemplo, sente com uns amigos numa roda, e vamos discutir quem é você, você é cis ou trans, você é assexual…

 

Sidney: Vai marcando na tabelinha, né…

 

Dan: Homossexual… ou, aí depois vocês vão para a questão romântica, que você é heterorromântico, homorromântico, birromântico, panromântico. Ah, e tem a demissexualidade, que são as pessoas que têm atração sexual por pessoas que já têm um vínculo psicológico, emocional…

 

Sidney: sim, todas essas sexualidades meio não discutidas, a gente promete que vai fazer um HQ de Bolso pra cada uma delas, pra elas não ficarem incompreendidas.

 

Dan: Vai ficar muito lindinho. Mas enfim, dá pra fazer um combo, e temos um texto, né, Sidney, pra poder dar um norte pras pessoas, né?

 

Sidney: Foi o texto que você mencionou no começo, né, que é o da… Como é o nome da autora?

 

Dan: Laura Pires.

 

Sidney: Da Laura Pires, ela dá um vocabulário e no final ela faz essa brincadeirinha de você marcar a tabelinha e ver onde é que você tá no espectro da sexualidade humana. Que aí, pra recapitular, eu vou fazer o meu, você faz o seu aí, Dan.

 

Dan: Viu.

 

Sidney: Então, eu sou… eu nasci, me foi atribuído o sexo masculino ao nascer, né, o sexo masculino. Eu me identifico com esse sexo, portanto eu sou um homem cis. Não é? Eu sou alossexual, porque eu tenho desejo sexual. Eu sou romântico, porque eu também tenho intenções de relacionamento romântico. Eu sou homorromântico, homossexual, porque eu sinto atração pelo mesmo gênero com o qual eu me identifico, que é o gênero masculino. Então, eu sou homem cis, alossexual, homorromântico, homossexual (risos).

 

Dan: Eu sou homem cis, alossexual, homossexual, cis-gênero, homorromântico, ih… Ah, não…

 

Sidney: Provavelmente birromântico…

 

Dan: Ah, não. Na verdade, eu sou bissexual e birrom… como é que é? Homorromantico.

 

Sidney: Ah, você é homorromântico, mas bissexual.

 

Dan: E no mínimo bi… (risos)

 

Sidney: Ah, entendi agora. Porque romanticamente você se interessa por homens. Mas sexualmente você também se interessa por mulheres. Não é isso?

 

Dan: Isso, mais ou menos assim.

 

Sidney: Olha aí, tá vendo como vareia! Como diz…

 

Dan: Vareia!

 

Sidney: Olha só, gente, dúvidas, questionamentos, a tabela completa (ele ri), tá lá no… Os links que a gente consultou estão na postagem do nosso Sound Cloud, não é, Dan?

 

Dan: Aham.

 

Sidney: E ficam aqui o nosso apelo para os feedbacks nas nossas redes sociais.

 

Dan: Ah, por favor!

 

Sidney: Mandem. E se a gente falou bobagem, se você aí tá num dos campos que a gente provavelmente não abordou, e tal, e quiser falar, a gente lê no próximo HQ de bolso.

 

Dan: Oh, Sidney, e antes de você falar as nossas redes sociais, se você também é uma pessoa padrãozinha, e tá incomodada com isso, mande! Eu quero um hater pra chamar de meu. Por favor.

 

Sidney: Que abs… Olha, viado, toma cuidado com o que tu pede, viado!

 

Dan: Se você é um bolsomineon e acha que a gente tá falando muita bobeira, mande. Mande seu comentário. A gente vai ler. E se você quiser que a gente resguarde a sua identidade… De gênero e sexual (ele ri)…

 

Sidney: Se você é um homem cis-gênero heterossexual…

 

Dan: Padrãozinho! Pode mandar o seu hater, a gente também está disposto…

 

Sidney: Não, mas olha, tem héteros legais, vamos…

 

Dan: Sim, eles existem.

 

Sidney: Vamos cultivar essa raça em extinção. Não é verdade? Não vamos espantá-la.

 

Dan: Inclusive, temos amigos héteros legais, né, Sid.

 

Sidney: Tenho até amigos que são, né, miga! (ele ri)

 

Dan: Temos um grupo com eles.

 

Sidney: Deixa eu dar o serviço, se não…

 

Dan: Vai lá.

 

Sidney: Vamos lá. Você pode entrar em contato conosco através do nosso email, que é hqdavida@gmail.com; você pode curtir a nossa página e nos mandar mensagens lá na nossa página do Facebook, que é facebook.com/hqdavida; pode interagir com a gente pelo Twitter, no @hqdavida; nossos episódios também são publicados no Youtube, no nosso canal, você vai lá no Youtube e procura por “HQ da Vida Podcast”. Sempre lembrando, muito importante, os nossos episódios sempre são transcritos, e as transcrições são publicadas no nosso Medium, que você vai lá no Medium e procura por @hqdavida e acha tudo lá também. Estrela a gente no iTunes, dá 5 estrelinhas, se quiser, escreve uma resenha, para a gente brilhar muito nesse oceano de diversidade. É isso, Dan?

 

Dan: É isso. Então, temos um HQ da vida. Ou! Um HQ de bolso!

 

Sidney: De bolso. E a gente se encontra no nosso próximo episódio. Um xero, pessoal!

 

Dan: Um beijo, tchau, tchau!

 

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

 

Fim

 

Transcrito por Sidney Andrade.

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