Transcrição – HQ de Bolso #04 Assexualidade e seu espectro

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Transcrição – HQ de Bolso #04 Assexualidade e seu espectro

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade. E esse é o HQ de Bolso número 04!

 

Dan: Olha só. Então, pessoal, o HQ de Bolso, ele tem a intenção de provocar discussões iniciais sobre temas que abrangem as vivências Queer. A gente quer começar o assunto para que você possa ter um ponto de partida com o qual poderá buscar mais informações. Não pretendemos esgotar os assuntos, muito pelo contrário. Queremos iniciar conversas importantes que precisam ser debatidas sempre mais a fundo. E aqui é só o começo.

 

Sidney: Isso mesmo, Dan. E hoje o tema é Assexualidade e seu espectro, que é uma manifestação da orientação sexual humana que é tão cheia de estigmas dento e fora do meio LGBT. E a assexualidade vem para nos mostrar o quanto as nossas experiências sexuais não devem se limitar a termos reducionistas e a binarismos, e essas coisas limitantes.

 

Dan: Isso mesmo. Inclusive, esse HQ de Bolso é uma continuidade de tópicos que a gente já vem falando. Nós temos o HQ de Bolso #03, que a gente dá vários conceitos para serem trabalhados e abordados. E também o nosso último HQ, que foi o HQ #12, a pessoa entrevistada foi o Tiago de Lima Castro, que é uma pessoa assexual. E hoje nós vamos abranger…

 

Sidney: Dar os conceitos…

 

Dan: Abranger esses conceitos do que se trata essa assexualidade e seus espectros, especificamente.

 

Sidney: Ampliar um pouco mais.

 

Dan: Sim.

 

Sidney: é, aqui a gente vai dar a teoria. Se você quiser ver na prática, você vai lá no HQ da Vida #12 com o Tiago, pra escutar a experiência de vida dele enquanto pessoa assexual. Mas, aí, o que é assexualidade, né? Assexualidade. Como a gente viu lá no HQ de Bolso #03, lembra, Dan?

 

Dan: Sim.

 

Sidney: Que a gente viu que a assexualidade está na esfera da orientação sexual e diz respeito à presença ou à ausência do desejo sexual. Então, nesse campo, a gente divide binariamente as pessoas entre assexuais e alossexuais. Alossexuais são as pessoas que apresentam desejo sexual. E assexuais são as pessoas que não apresentam desejo sexual. Esses dois extremos.

 

Dan: E assim, vocês vão perceber, durante o programa, que a gente tá falando que existe os alossexuais e os assexuais, como se fosse bem dicotômico esse termo. Ou igual ao Sidney acabou de falar, binário. Na verdade, existe como se fosse uma escala e existem algumas coisinhas que estão permeando ali aquele meio, aquelas extremidades…

 

Sidney: O meio…

 

Dan: Então, assim, nada, na verdade, do que se trata de sexualidade humana é tão engessado…

 

Sidney: E taxativo e definitivo.

 

Dan: E taxativo e definitivo. Talvez esse programa, daqui dez anos, não seja um programa atualizado. E ele precisa ser revisado e, daqui dez anos, podemos falar de outros espectros de sexualidade humana.

 

Sidney: É, e que bom que o entendimento vai mudando, que é pra ir desfazendo essas posturas que encaixam muito certinho as pessoas e que acabam funcionando como um tipo de autoritarismo diante das sexualidades das pessoas.

 

Dan: E regula comportamento.

 

Sidney: Uhum, exatamente. Mas, então, a gente vai explicar o termo agora, e o espectro, e como é que funciona a assexualidade, pra você que não entende. E a gente vai começar dizendo o que é um erro muito comum, que a gente ouve sempre (Dan ri).

 

Dan: Verdade, tem que falar o que não é assexualidade, né.

 

Sidney: Primeiro, gente, não fala “assexuado”, viado! Para com isso! Para de ser doida! NÃO FALA ASSEXUADO! As pessoas não são assexuadas, as pessoas são ASSEXUAIS. Assim como as pessoas não são HOMOSSEXUADAS, as pessoas são HOMOSSEXUAIS. Por que existe essa diferença, gente? “Assexuado” é o termo da Biologia que se usa em oposição a “sexuado”, que são dois tipos de reprodução. Todo ser humano se reproduz SEXUADAMENTE, ou seja, tem troca de material genético. Lembra na aula de biologia? Então, quando você tá dizendo que uma pessoa é assexuada, você tá errando, porque você tá querendo dizer que ela gera clones de si mesma, porque não se reproduz sexuadamente e, sim, assexuadamente. As bactérias são assexuadas, elas não se reproduzem sexualmente, não há troca de material genético, elas criam clones de si mesmas. Isso é que é ser assexuado. Seres humanos não são assexuados, seres humanos são…

 

Dan: Seres humanos são assexuais.

 

Sidney: Assexuais. Olha, encaixou? Essa é a primeira coisa que você tem que aprender, não fala “assexuado”, viado!

 

Dan: Pra começar, eu acho que tem que falar dessa questão do assexuado porque é o mais comum… É o senso comum mesmo. Você vê pessoas falando sobre assexualidade como assexuado, e você vê pessoas que têm interesse em saber sobre assexualidade, mas o primeiro erro que ela vai topar é falar que são seres assexuados. E aí, eu posso já dar a definição do que é, de fato, uma pessoa assexual, a definição literal, na verdade.

 

Sidney: Por favor.

 

Dan: Então, a assexualidade, ou a pessoa assexual é a pessoa que não tem interesse na prática sexual com outra pessoa. Mas isso é uma definição bem genérica também, porque ela pode existir, aí, umas nuances que viremos explicar mais à frente. Não é isso?

 

Sidney: é. E é importante a gente frisar bem que é a falta de interesse de interação sexual com outra pessoa, porque ser assexual não significa que você não experimente o prazer sexual consigo mesmo.

 

Dan: Sim.

 

Sidney: Porque se você fala que  assexual é a pessoa que não tem desejo sexual de nada, você tá, por exemplo, excluindo assexuais que se masturbam. Que encontram prazer sozinho. Então, assexual se refere… como tá na esfera do desejo e da orientação sexual, ele também se refere à relação com o outro.

 

Dan: E outra coisa, a gente pode também sempre fazer um gancho com o relato… Porque um relato é muito mais forte do que, de fato, definições de temas. Por mais que Sidney e eu estudemos algo sobre o assunto, sobre a pauta, nós não somos assexuais, nós somos alossexuais. Então, não temos essa vivência. Mas, por exemplo, o Tiago, ele falou sobre a masturbação, que alguns não gostam da masturbação. Porém, alguns homens, mesmo não gostando da masturbação, eles sentem a necessidade, de tempos em tempos, apenas como um sistema de… Uma necessidade biológica. E ele falou isso como uma necessidade da pessoa assexual, que no caso…

 

Sidney: De manter a saúde…

 

Dan: Que tem um genital masculino, na verdade. Isso.

 

Sidney: Pessoas assexuais com pênis, no caso.

 

Dan: É, nem é genital masculino. É com pênis.

 

Sidney: Exatamente. Com pênis.

 

Dan: Volte em todos os HQ e você verá que “genital masculino” não é uma frase correta.

 

Sidney: Exatamente, a gente vai aprendendo aos pouquinhos, né.

 

Dan: Isso, e ainda esbarra e apanha. Mas vamos lá (risos).

 

Sidney: é, então, a gente sabendo agora que assexual é a pessoa que não tem prazer sexual com outra pessoa ou não apresenta, isso é o termo genérico, como Danilo falou, e é o termo que define o extremo oposto ao alossexual. É claro que existe uma matiz. Só que antes da gente passar para os graus e os tons de cinza, inclusive, né (risos); a gente tem que esclarecer também que, durante muito tempo, a assexualidade foi patologizada. Ela foi descrita como um transtorno da sexualidade. Por quê? Qual é o problema da assexualidade para uma sociedade que é focada na relação sexual? A gente vive uma cultura que valoriza, supervaloriza a relação sexual. Então, obviamente, uma pessoa que não apresenta desejo sexual seria taxada de doente, né. Ou, pelo menos, que tivesse um transtorno. Durante muito tempo, elas foram incluídas… A assexualidade foi incluída enquanto transtorno mental e incluída no rol do transtorno do desejo hipoativo, né, que é o nome dado a quem tem problemas com a sexualidade, ou a pouca sexualidade. E aí, a gente lembra da fala do Tiago também, lá no programa, que existe sim pessoas que têm problemas com a falta do sexo, mas que as pessoas assexuais são assexuais justamente porque não têm problema em não querer ou não apresentar esse desejo. Não têm um problema com isso internamente, de si para si. Pra elas, é como elas são. O problema das pessoas assexuais é externo a elas, ou seja, é a cobrança que a sociedade impõe sobre elas de ter relações sexuais.

 

Dan: Uma coisa que eu achei interessante, Sidney, nas leituras da pauta, que é o seguinte. Que a assexualidade, uma pessoa que vai tratar um paciente que tem esses relatos sobre… Parece que é uma pessoa assexual, mas ainda não tem certeza, eles fazem uns testes e algumas investigações pra descobrir se, de fato, a pessoa é assexual, ou se ela tem algum transtorno voltado pra sua sexualidade que isso faz com que ela pareça ser assexual. E quando eu li isso, eu lembrei, por exemplo, do relato do Tiago que, quando ele foi na terapeuta, eles fizeram várias tentativas pra poder tentar descobrir ali, dentro daquele espectro de sexualidades, se existia mesmo algum desejo sexual. Até, por exemplo, levantaram a hipótese de ser ou não um homossexual. Aí, depois chegaram á conclusão que não. De ser ou não homorromântico, também chegaram à conclusão que não. Então, ele descobriu-se heterorromântico, e aí, foram fazendo todas as tentativas para, de fato, se descobrir. E eu achei, assim, um processo da terapeuta, de fato, que não patologizasse ele de cara, e fosse descobrindo qual é realmente essa assexualidade dele, ou…

 

Sidney: É um tipo de investigação que… bom, foi necessária pra esse caso. Mas, assim, o que eu penso é, poxa vida, a gente cobra das pessoas que elas sejam, por padrão, alossexuais, e quem foge disso tem que investigar pra saber o que é, porque ela não pode, de pronto, não aceite, existe esse conflito dela não ser uma pessoa alossexual, né.

 

Dan: É um estigma, né.

 

Sidney: Uhum. E aí, a pessoa tem que achar qual é o problema. Como se fosse…  Porque a sociedade enxerga como um problema ver o que é… Porque, como é que pode uma pessoa não querer transar? Isso é impossível! Aí, a gente lembra do filme que ele deu o exemplo, lá, pavoroso, que todo mundo riu, do Virgem de 40 Anos, que…

 

Dan: Ah, é!

 

Sidney: Que a história que uma pessoa não pode ter… Não pode ser bem sucedida na vida, plenamente, se ela não tiver relações sexuais. Como se a relação sexual fosse meio que um centro da satisfação do prazer humano. Quando, na verdade, não é. Tem pessoas que não têm essa necessidade. Ou não têm tanta necessidade.

 

Dan: Outra coisa que eu fico pensando é, a assexualidade, de todo o espectro da sexualidade humana, de fato, está estigmatizada, no sentido de que nem gays, que são já estigmatizados, nem lésbicas, nem bissexuais… Nem todos, não podemos generalizar. Mas nem todo mundo entende esse espectro da assexualidade, e nem respeitam esse espectro.

 

Sidney: Hum. Não. Minimizam, acham que não é verdade, tem todos aqueles clichês que a gente já ouviu de dizer que “Ah, é porque você não achou a pessoa certa”, “Ah, é porque você não provou de verdade”, “Ah, é porque você não achou quem fizesse direito”…

 

Dan: Traumatizou…

 

Sidney: Ou “Porque você tá traumatizado”. Enfim, e a gente vê, inclusive, casos de pessoas que se submetem a relações sexuais pra satisfazer os parceiros românticos, sem ter vontade, por conta de uma pressão, de uma pressão que é social.

 

Dan: Segundo o HQ de Bolso #03, que já falamos, a gente tem que dividir sexualidade de romantismo. E também de identidade de gênero, que são três coisas totalmente distintas. Então, por exemplo, uma pessoa pode ser assexual e pode ainda ser romântica, ter seu espectro de romantismo aí, entre homorromântico, heterorromântico, bi, pan. E assim por diante.

 

Sidney: É. O fato de ser assexual não significa que a pessoa não tenha desejo romântico e que não possa manter uma relação romântica, um relacionamento com outra pessoa, seja ela alossexual ou seja ela assexual também. Porque aí a gente aprende que existem acordos para além da monogamia padrão que é imposta também, né.

 

Dan: Sim. E falando sobre a assexualidade, a gente pode começar, antes de derivar termos, só uma curiosidade, porque eu achei um site muito legal. Que é a bandeira da assexualidade. O site descreve, de fato, como que ela funciona. Ela é composta de cinco faixas horizontais de igual tamanho, sendo a primeira e a última roxa. A segunda e a quarta, cinza. E a terceira, branca. Então, ela vem num espectro, do roxo, cinza, branco, cinza e roxo novamente. E ela foi proposta em 2013, uma bandeira novinha, né. Bebê de bandeira.

 

Sidney: Recente.

 

Dan: Tem quatro anos, apenas. Mas ela tem essa composição.

 

Sidney: Ilustra bem que é um espectro mesmo, né, que tem várias matizes.

 

Dan: Sim. Ela lembra a bandeira trans também.

 

Sidney: É? Como é a bandeira trans? Eu não conheço.

 

Dan: A bandeira trans, na verdade, é azul, rosa, branco, rosa e azul novamente. E assim, você encontra algumas bandeiras com esse azul em tons de Royal e em tons de turquesa, também. E o rosa em tons mais bebê, ou em tom mais um rosa choque. Essa… e é um espectro também da bandeira trans.

 

Sidney: Que legal. Fica aí a ideia pra a gente fazer um HQ de Bolso só sobre os ícones da sigla, né.

 

Dan: E por quê, né.

 

Sidney: Cada letra tem uma bandeira, e o porquê dessas bandeiras. Fica aí um…

 

Dan: (rindo) Isso me lembra sabe o quê? Um programa, tipo, The Bigh Bang Theory, sobre o Sheldon Cooper, ele tem um programa no Youtube que é só sobre bandeiras. Flag Day.

 

Sidney: Ah, é? (risos) Ai, não sabia.

 

Dan: Esse é o espectro das bandeiras, né. E agora vamos falar sobre as variações?

 

Sidney: Sobre as variações. Que, gente, olha só, como é um espectro, são muitas. E a depender do site que você ler, a pessoa que escreve, vai variar. De vários tipos de assexualidade. Porque ela se manifesta de várias formas mesmo. Mas, então, pelo que a gente pesquisou, a gente viu que existem três grandes grupos maiores, né, dentro desse espectro. O primeiro é o dos assexuais estritos, que são aquelas pessoas que não apresentam desejo sexual de jeito nenhum, em nenhuma ocasião e por nenhum gênero. Eu creio que como esse é o escopo mais extremo do outro lado, ele talvez seja mais difícil de você achar uma pessoa assim que relate esse tipo de comportamento consistente ao longo da vida.

 

Dan: Temos o demissexual, que é uma pessoa que não sente atração sexual. Porém, ao desenvolver um vínculo afetivo com outra pessoa, a atração sexual pode surgir. O grau de afetividade varia de pessoa pra pessoa.

 

Sidney: Uhum. Tudo é muito pessoal, mas o importante da demissexualidade é entender que o desejo sexual é posterior ao contato e ao estabelecimento do vínculo. Então, para as pessoas alossexuais, por exemplo, como eu e Danilo, que apresentam desejo sexual a priori, né, você já vê a pessoa e já sente o desejo. Os demissexuais necessitam de estabelecer um vínculo para aí, só então, depois desse vínculo estabelecido, pode ou não surgir o desejo sexual.

 

Dan: Os grayssexuais, que podem ser chamados de Gray-A, ou Gray-ace, pessoa que sente atração sexual raramente, apenas em circunstâncias específicas, independente se tem vínculo emocional ou não. Dizem que é um termo guarda-chuva para orientações do espectro assexual. É como se tivesse ali dentro daquele… No início do programa, quando a gente falou que existe uma ponta, alossexuais, e na outra ponta, assexuais, e que a gente não pode dicotomizar e deixar bem binário alo e assexual, temos essa área cinzenta. Inclusive, quando a gente vai pensar na bandeira, né, Sidney, agora faz sentido. Tem essa gradação do roxo, cinza e branco, cinza, roxo. Faz até sentido ali, pra a representatividade, que existe uma área que transita essa sexualidade.

 

Sidney: E pelo que eu entendi, graysexual, né, que é um termo de origem do Inglês, né, os grayssexuais oscilam. Assim, e quando a gente diz “oscila”, não é denotando nenhuma fraqueza psicológica, nenhuma falha de caráter, nem nada. É que o desejo é flutuante. Então, são pessoas que têm esse desejo flutuante, e assim, de acordo com a ocasião, ele aparece ou não, e tudo bem. As pessoas têm o direito de sentir o… Porque a gente briga muito por ter o direito de sentir o desejo que a gente sente. Mas a gente também tem que brigar pelo direito de não sentir desejo nenhum. Porque também, né, também é uma opção válida.

 

Dan: Ninguém é obrigada a nada!

 

Sidney: A NADA! NADA! (risos)

 

Dan: Agora, temos algumas particularidades dessa… No que se diz em relação às orientações assexuais, que são algumas pessoas que possuem uma assexualidade distinta. Por exemplo, existem vários termos, alguns a gente já falou no HQ de bolso. O primeiro, que a gente já falou no HQ de Bolso, que eu lembro, que foi o litossexual, que é uma pessoa que ela sente atração sexual, porém ela não deseja que isso seja recíproco. Quando isso acontece, ou seja, há essa reciprocidade, esse desejo sexual já é cessado. Existem as pessoas, por exemplo, Frayssexual, que é Frayssexual, pra nós, mais aportuguesando. É uma pessoa que ela sente atração sexual tão somente quando não há vínculo afetivo, quando este vínculo afetivo é formado, a atração sexual se dissipa, ou seja, ela desaparece. E tem outras variações, só pra não ficar moroso… Então, pessoal, existem outros termos que a gente pode falar, que existem uma gama de termos, na verdade, que podem ser trabalhados. Mas, por exemplo, temos o assexual fluido, que é uma pessoa que sente sua posição sobre as alterações do espectro assexual fluir, porque sua atração sexual e o desejo sexual flutuam. Em outras palavras, é uma pessoa que, em determinado tempo, pode sentir como um demissexual, tempos depois, ela se sente como um Gray, e em outro período, ela se sente como um assexual estrito, dentre outras orientações ou subcategorias assexuais. Esse tipo de assexualidade é como se fosse, não fluxo, ele é chamado de Aceflux. É uma assexualidade fluida. Temos também, por exemplo, um Reciprossexual, que é uma pessoa que só sente atração sexual somente se a outra sentir atração sexual a elas em primeiro lugar. Se não houver ninguém por perto pra sentir essa atração pra elas, em grande parte, os Reciprossexuais podem simplesmente se definirem como assexuais. É como se quase fosse um oposto do litossexual, na verdade. Ele sente essa necessidade dessa reciprocidade pra poder acontecer. Se não, tá de boa na lagoa, lá, como um assexual.

 

Sidney: O interessante é a gente entender que a assexualidade é tão particular para cada individuo, quanto a alossexualidade é particular para cada individuo alossexual. A minha alossexualidade não se manifesta igual à do Danilo, apesar de ambos nós sermos alossexuais. E isso se aplica aos assexuais também, gente. Nenhum assexual é igual ao outro porque ninguém é igual a ninguém. Que isso fique bem claro.

 

Dan: Sim. E uma coisa que também a gente falou que, por exemplo, tem um site que tá aqui no link da postagem, eu só vou falar pra vocês que existem inúmeros termos desse espectro da assexualidade, que trabalha também desde, por exemplo, pessoas neurodivergentes ou não, mas não que isso seja patologizado, simplesmente existem pessoas assexuais mesmo, e existem pessoas que estão dentro de espectro assexual por N motivos. E cada um tem seu motivo próprio pra poder trabalhar. Só pra citar aqui, rapidão. Então, vou falar pra vocês, existe o Quoissexual, Aegossexual, os Cupiossexual, assexual fluido, o Acossexual, Reciprossexual, eu já falei pra vocês; Requiessexual, Adfectussexual, apotisexual

 

Sidney: vai ter que botar aquela vozinha de esquilo (risos).

 

Dan: (com voz de esquilo) o Burstissexual e o Caedossexual. (fim da voz de esquilo) Enfim, esses são alguns dos espectros que existem dentro das orientações assexuais.

 

Sidney: Não se preocupem, que o link de onde a gente tirou toda essa lista tá na nossa postagem. Se você quiser conferir cada definição de cada um desses, você pode ir lá no nosso  Sound Cloud e acessar os links que a gente usou pra pesquisar. Estão todos aqui. Pra concluir, Dan, eu queria que você mencionasse, elencasse… São seis questionamentos que a assexualidade nos propõe. Que pensar sobre assexualidade nos faz refletir.

 

Dan: Primeiro ponto, orientação sexual é preto e branco?

 

Sidney: Não, a gente já entendeu que não é, né.

 

Dan: Sim, não é binário.

 

Sidney: Nada é binário, nem quem acha que é binário, inclusive (risos).E aí, a gente falando sobre assexualidade, a gente é levado a pensar, a refletir sobre isso, que a sexualidade não é binária, não é preta e branca.

 

Dan: Sim, e a atração sexual é a única forma de atração que importa?

 

Sidney: Não. A gente vê que existem pessoas que não têm atração sexual e são felizes assim. E poderiam ser mais felizes, se você não ficasse enchendo a porra do saco.

 

Dan: Se eu conheço uma pessoa e eu quero ter uma intimidade, sexo é uma forma obrigatória de intimidade com ela?

 

Sidney: Não. As pessoas podem ter vários tipos de intimidade, de terem relacionamentos saudáveis, amorosos ou fraternos, independente do sexo.

 

Dan: Mas vamos para o quarto ponto, e se alguém chegar e falar assim, “Mas atração sexual é parte da natureza humana”?

 

Sidney: Aí, eu digo, “Foda-se a natureza humana!” (eles riem). Porque se não fosse da natureza humana ser assexual, simplesmente não existiria, né. Então, tudo é natural porque tudo acontece. Só não é natural o que não acontece, né, miga.

 

Dan: Quinta ideia deturpada, a assexualidade é indicador de que algo está errado com aquela pessoa.

 

Sidney: Não, gente. A gente já aprendeu que assexualidade é uma manifestação tão legítima quanto a alossexualidade, que não tem nada de errado nisso.

 

Dan: E, inclusive, não devemos nem patologizar, né.

 

Sidney: E nem achar estranho, nem achar esquisito, nem achar que todo mundo tem que ser igual a você, com fogo na bacorinha (Dan ri).

 

Dan: E o sexto… ele pode até voltar no HQ de bolso #03, o sexo determina o meu valor numa relação romântica?

 

Sidney: Olha só, isso aí é o que a gente Poe mais em cheque. Quando a gente vai procurar um relacionamento, a gente fica sempre pensando como é que a gente vai responder ou corresponder às expectativas sexuais do nosso parceiro, como se o sexo tivesse que ser sempre essa nota de corte para um relacionamento ser bom ou ruim, né. E aí, a gente, com a assexualidade, a gente percebe que o sexo pode ter só a importância que a gente quiser dar a ele. Pode ser importante pra você, tudo bem. Mas tem gente que não dá importância, e tudo bem também.

 

Dan: Não, e podemos ainda até agregar mais uma coisa em relação a esse último item. Por exemplo, existem as pessoas que são alossexuais, mas elas são arromânticas. Elas não querem saber de romance.

 

Sidney: Exatamente. Deixa elas em paz.

 

Dan: Como que ela vai determinar o valor do parceiro numa relação romântica, se ela nem quer saber de…

 

Sidney: Nem quer, exatamente. Inclusive, a gente fica devendo, também, um HQ de Bolso sobre romantismo e arromantismo, né, pra a gente inclusive determinar que bicho é esse que é o amor romântico, hoje em dia.

 

Dan: É isso. Temos um HQ de bolso.

 

Sidney: Espero que tenhamos. Olha só, gente, como a gente sempre diz, aqui é só o começo. A gente tá dando conceitos iniciais. A gente tá aceitando feedbacks e complementos às nossas informações.

 

Dan: Puxa a orelha.

 

Sidney: Puxa a orelha. Se você é assexual e tá ouvindo a gente, a gente falou alguma bobagem, por favor, entra em contato, a gente dá o feedback aqui no próximo HQ de Bolso. Você pode entrar em contato com a gente como? Nós temos o nosso email, que é hqdavida@gmail.com; nós estamos no Facebook, lá na página facebook.com/hqdavida; a gente está no Twitter, no @hqdavida; o nosso podcast é hospedado no soundcloud.com/hqdavida; Também a gente publica lá no Youtube, você vai lá no Youtube e procura por “HQ da Vida Podcast”. Também lembrando que os nossos episódios todos têm transcrição, e você pode lê-las lá no nosso Medium, você entra lá e procura por @hqdavida também. Se você tem conta no iTunes, vai lá no iTunes e estrela a gente, pra a gente brilhar muito nesse espectro da podosfera brasileira, por favor, gente.

 

Dan: É isso aí. Então, temos um HQ de Bolso. Tchau, tchau, pessoal.

 

Sidney: Xero, pessoal. Até o próximo.

 

Dan: Até!

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade.

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