TRANSCRIÇÃO – HQ da Vida #14 LGBTTs: Um Milkshaker Chamado Samir

TRANSCRIÇÃO – HQ da Vida #14 LGBTTs: Um Milkshaker Chamado Samir

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade, e esse é o HQ da vida número 14!

 

Dan: É isso aí. Gente, o HQ da Vida é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo contar histórias de super LGBTs. E o convidado de hoje, quem é, Sidney?

 

Sidney: Menino, tô todo me tremendo aqui, porque vocês não acreditam quem vai vir falar com a gente aqui, hoje. A gente tá tentando chegar aonde ele chegou. Pra tentar chegar lá, a gente chamou ele pra ensinar, né. A gente vai conversar hoje com o podcaster lá do Um Milkshake Chamado Wanda, o Samir Duarte!

 

Dan: Agora vocês vão ouvir o Samir se apresentando pra vocês.

 

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

 

Samir: Oi, gente. Oi, pessoal do HQ da Vida. Meu nome é Samir Duarte, Samir Duarte Santos. Eu sou mineiro, moro em São Paulo, nascido em Itaúna. Itaúna, onde eu perdi meu sotaque, num tem mais sotaque (ele fala carregando no sotaque mineiro). Moro em São Paulo, tenho 32 anos. Sou publicitário. E meu trabalho da noite é podcaster (risos).

 

Sidney: De dia, publicitário; de noite, podcaster.

 

Samir: De dia, publicitário; de noite, podcaster. Uma vez por semana, porque se fosse cinco, já não era mais podcaster (risos).

 

Sidney: Não tinha condições, né.

 

Samir: Já tinha largado (risos).

 

Sidney: Aham.

 

Samir: Eu apresento o Um Milkshake Chamado Wanda, junto com o Phelipe Cruz do Papel Pop e a Marina Santa Helena, incrível, musa, maravilhosa.

 

Sidney: Ah! Marina, me chama, Marina!

 

Dan: Maravilhosa.

 

Samir: Rainha, rainha. Eu fico lá gravando, olhando aquela beleza estonteante, eu digo, “Gente, essa menina é tudo”. E é isso. Sou essa pessoinha super feliz. Adoro cultura pop, adoro tudo. Bem viado! Assim, bem viado, sabe. Garota!

 

Sidney: Bem viado!(risos)

 

Samir: Tô aqui pra participar e pra contar tudo da minha vida pra vocês e ajudar. E vamo lá, vamo ver tudo que a gente tem pra falar hoje.

 

Sidney: Será que a gente vai descobrir onde o Samir chegou hoje? (Dan ri)

 

Samir: Gente, isso… Eu não lembro nem mais quem foi a pessoa que inventou isso (risos). Eu fico querendo, pra poder entrar em contato com ela, porque agora eu quero muito saber onde ela acha que eu cheguei. E virou a grande dúvida da humanidade. Onde eu costumava chegar é atrasado 9risos). Ah, já sabemos onde o Samir chegou, ele chegou atrasado. Mas esse ano eu mudei esse quadro e sou a pessoa bem pontual daquele programa.

 

Dan: E deixa eu te falar, Samir, antes da gente começar falando da sua vida lá dos primórdios. Só uma curiosidade da atualidade, você é bichectomizado? (risos)

 

Samir: Menino! Quero muito fazer. Quando eu fui fazer a operação, que eu fiz a cirurgia, gente, a minha cirurgia chama “expansão rápida da maxila”. Que ela tem que, simplesmente, abrir o osso da boca e esticar ele, expandir. E inventaram isso no podcast Wanda, né. Que eu tinha saído do programa umas semanas por causa da minha bichectomia. E as pessoas levaram muito a sério (risos). Porque as pessoas começaram a me mandar no Instagram, DM, “Ah, eu to pensando em fazer, amiga, me conta como é?!” (risos) Ah, eu falei, então…”Mas eu quero muito fazer, eu achei incrível o resultado!” (risos)

 

Sidney: Eu vou fazer a Alice, meio iludida, e cuidado com a burra, porque quando começou essa história de bichectomia, eu achei que era brincadeira porque eu nunca ouvi falar dessa cirurgia, eu pensava que era uma cirurgia pra virar bicha. Entendeu? (risos)

 

Samir: Não, todo mundo! Todo mundo.

 

Sidney: Eu disse, naonde que o Samir precisa dessa cirurgia?!

 

Samir: Querida, naonde! Mas, não tem como, não. Eu já nasci… É genético. Quando é genético, não tem cirurgia plástica pra isso.

 

Sidney: Depois que eu descobri o que era.

 

Samir: E aí, é, eu fui estudar, pesquisar mesmo, sabe. É super barato, tá, gente. Oi, ouvinte, você que está pensando em fazer, vai fundo que é baratinho. E é uma semana só de recuperação (risos). E é por causa da gordura que tem, que chama gordura de Bichat. “Ricardo Boechat”.

 

Sidney: Ah!

 

Dan: Olha só!

 

Samir: É A gordura de Bichat, que fica na bochecha. É, aqui é cultura também, meu filho, não é só um corpinho bonito, não! (risos)

 

Sidney: Olha só! Estamos aprendendo.

 

Samir: E aí, eles tiram a gordura da bochecha, de Bichat, e é por isso que é bichectomia.Bichectomy… Aí, em português ficou Bichectomia.

 

Sidney: Aí, no caso, o efeito fica o rosto afilado porque fica menos bochechudo. Né isso?

 

Samir: É. Ele tira pra poder dar aquele V, assim, aquela angulada no rosto.

 

Sidney: Pra você não precisar mais fazer bico de pato nas selfies.

 

Samir: Na hora da selfie, dá pra tirar foto de frente, não tem que tirar de ladinho, porque meu ângulo é um pouquinho mais de lado, porque o de frente eu fico meio Trakinas (risos).

 

Dan: Somos duas.

 

Samir: De ladinho, assim, oh…É, então, aprendi com Mariah. Mariah me ensinou, é mais de ladinho. Com a bichectomia, não precisa. Com a bichectomia, você pode, assim, oh, olhar no fundo da câmera, de frente (risos).

 

Sidney: De frente para as câmeras.

 

Samir: É.

 

Sidney: Mas, Samir, olha só, pra a gente entender onde você chegou, a gente tem que entender de onde você partiu.

 

Dan: Isso.

 

Samir: Sim, da minha terra.

 

Sidney: Sua terra… Conta prim… A gente geralmente começa perguntando sobre como é que os nossos convidados se descobriram, ou se entenderam LGBTs. NO caso, você é viado, né?

 

Samir: Sim, 100% praticante (risos).

 

Sidney: Praticante, exercendo, né.

 

Samir: Exercendo a função.

 

Sidney: Atualmente exercendo (risos). Então…

 

Samir: “Dono proprietário na empresa Viado” (risos).

 

Sidney: Exato. Desde quando? Como foi que começou? Quando foi que você percebeu? Como foi, assim, os primeiros insights?

 

Dan: Os primeiros sintomas dessa manifestação maravilhosa da humanidade.

 

Samir: é. Então, é muito engraçado, porque eu falo que… Essa coisa que a gente meio que sempre sabe. Desde pequeno, no colégio, assim, você vê os menininhos, você tem esse interesse. Eu adorava, eu amava… Minha mãe trabalha muito, e aí, eu ficava na casa de amigos. É só eu e ela, e eu ficava muito na casa de amigos. Eu dormia na casa das minhas amigas, e a gente virava a noite, quase, brincando de Barbie. Muito assim. E eu tinha uma família que… Na cidade, tem uma gente muito rica, e eu tinha umas amigas muito ricas. Que chegava e tinha uma montanha de roupa da Barbie. Era, assim, oh, o paraíso. E aí, a gente jogava aquele monte de roupa da Barbie no meio, cada um pegava uma boneca. E aí, você tinha direito a ir pegando uma peça. E aí, em sentido horário, cada um pegando uma pecinha da Barbie. Até você montar seu guarda-roupa. E aí, você ficava brincando disso. Botava as roupinha, botava elas pra conversar. Então, tinha essa coisa da criança viada em mim desde sempre.

 

Sidney: Você sempre foi criança viada, então…

 

Samir: Super. Super, super, super, super. Eu sabia todas as coreografias do Axé Bahia 96, 97, 98 (risos).

 

Sidney: Maravilhoso!

 

Samir: Minha mãe…

 

Dan: você dançava É O Tchan também? Pela idade…

 

Samir: Muito! Incrível. Meu  primeiro CD original foi Fat Family, depois foi Axé Bahia 96 (risos). Porque eu queria ficar dançando as coreografias. E minha mãe falava assim, meus amigos… Eu tinha todos os CDs da Britney. Aí, minha mãe falava pras pessoas que vinham em casa, “Ah, o Samir? O Samir gosta de loira. Oh, lá, o tanto de CD da Britney que ele tem” (risos).

 

Sidney: Super!

 

Samir: E eu, “Mãe, então… Não é bem por isso…” Pensando, né, comigo. Aí, mãe, por favor. Mas sempre soube…

 

Sidney: “Eu gosto muito de loira porque eu quero ser uma, mãe!”

 

Samir: (rindo) É, tipo isso. Mas eu sempre soube. Cidade de interior, minha cidade tem 70 mil habitantes. E não tinha internet muito. Eu não tinha contato com outras pessoas. Igual hoje em dia, uma pessoa de 15 anos pode tá ouvindo a gente e falar disso abertamente. Eu não via ninguém, não tinha celebridade, não tinha nada. Então, eu não via ninguém falando abertamente. Então, você processava com você. Você guardava só. Então…

 

Sidney: Mas, no caso, você brincava lá com as bonecas, com as suas amigas ricas, mas não rolava um certo olhar torto, assim, de você tá brincando de boneca, e tal?

 

Samir: Acho que não porque era criança. Talvez tivesse, mas eu nunca percebi. Mas eu acho que a gente não via tanto porque era criança, sabe. Quando é criança… É que hoje em dia tem muito mais maldade, assim. Era muito tranquilo, assim. Era menino, eu ia dormir na casa delas, elas brincavam de boneca, então eu tá lá brincando de boneca era normal.

 

Dan: você costurava também para as suas bonecas?

 

Samir: Não. Queria saber, muito, gente. Queria saber muito fazer roupa, queria saber muito costurar. Mas nunca soube. Mas, então, eu acho que era… Talvez se os adultos olhassem e pensassem, por exemplo, quando eu ia nos churrascos e ficava lá fazendo todas as coreografias do É O Tchan, me achando A mais linda, certeza, né, que tinha alguém que olhava e falava, “Ah, esse menino…” Aquela coisa. Mas eu era uma criança que nunca percebi. Nunca percebi. Então, não imaginei.

 

Sidney: Mas quando que você começou a sentir essa diferença de que, “Opa, pera aí, as pessoas esperam um negócio diferente de mim”?

 

Samir: Ahm…

 

Sidney: “Que eu não correspondo”…

 

Samir: Eu acho que, tipo assim, 7ª, 8ª… Mais tarde… Acho que 6ª… Quando você começa a puberdade. Eu acho que puberdade é o momento disso, porque os meninos começam a pegar todas as meninas. Os héteros começam a ficar na sala de aula, no colégio. E eu não pegava ninguém. Não ficava com ninguém. Eles começam a jogar futebol e fazer coisas de menino. E eu não fazia nada com eles. Eu não jogava futebol. Então, eu acho que por ali, por uns 13, que eu comecei a virar uma chave de falar, “Puts, eu acho que eu tenho…” Mas eu nunca entendia. Só com 18 que eu fui entender mesmo. Até então, eu falava assim, “Tem alguma coisa estranha”. Como eu não tinha referência pra buscar também, eu falava assim, “Tem alguma coisa estranha”, mas eu achava que… Eu tive essa coisa de poder achar que talvez é uma fase, eu tive isso. “Ah, não, vai ver é agora”. Ah, eu lembro que tinha uma menina da minha sala que eu gostava muito dela, muito. E ela era muito minha amiga. E eu achava… Ela era linda. Era uma menina loira, do olho azul, branquinha, assim, muito lindinha. Isso na 6ª série… 7ª série. E a gente andava, não se desgrudava, assim. E eu era louco com ela. E aí, eu começava a achar, gente, será que eu não sou gay? Será que eu sou hétero porque eu gosto muito dela? Eu achava que talvez, por ela, eu pensar muito nela, falava, “Ah, não, então eu não sou gay, se eu penso nela, então ainda tenho solução…” Alguma coisa assim, sabe. De tipo, Ah, não tá perdido.

 

Sidney (rindo): Sim, ainda resta esperança.

 

Samir: Ainda resta esperança! Eu tinha essa coisa. Quando eu era muito criança, agora eu tô lembrando, a gente brincava… Os menininhos tudo assim, em aniversário, a gente brincava de Mês. Vocês já brincaram de Mês?

 

Dan: sim!

 

Sidney: Não conheço…

 

Dan: “Seu mês é esse”, tal, cada um escolhe um mês…

 

Samir: É, cada um escolhe um mês, aí você vai falando o mês, assim, quando acerta tinha a prenda. E aí, sempre tinha a prenda de beijar as meninas. Aí, eu lembro que eu beijava muito as minhas amiguinhas. Eu namorei uma amiguinha minha, que hoje é lésbica, e eu sou gay (risos). Aí, a gente no colégio, no recreio, fazia a sacolinha de presente do nosso casamento. Olha que viado, gente! (risos) Já fazia assim, em vez de pensar na noiva, pensava no evento! (risos) Era cerimonialista do casamento. Aí, eu fazia a sacolinha do nosso casamento. Eu achava… Eu tinha esse carinho com ela, e eu achava que a gente era namoradinho. Então, como eu tive essas pequenas experiências, era muito turvo. Mas eu acho que foi 16, 17, só. Eu falei, “Tá, é isso”. Eu tenho isso aqui, eu devo ser gay também, eu devo ser gay. Minha  primeira vez…

 

Sidney: O que foi que aconteceu?

 

Samir: A primeira vez que eu fiquei com um cara, eu tinha 18. E tava na faculdade já. E a gente tava lá, numa festa de faculdade, e eu pegava muita… Pegava umas meninas da sala, na época.

 

Sidney: Várias mulézinha

 

Samir: Várias mulézinha. Eu falo, eu sempre falo, gente, vocês que moram em cidade que tem um monte de sítios, você quer pegar os héteros, leva pro sítio. Quer pegar pessoas? Leva pro sítio. Porque o sítio é uma coisa que ele te afasta do mundo…

 

Dan: Onde tudo acontece…

 

Sidney: Ah, porque é um lugar isolado, né…

 

Samir: Isolado, você tá ali, fora do seu meio, e as coisas… As pessoas ficam mais soltas. E comigo foi assim. Tipo, eu tava lá, pegando uma menina, e tinha um menino que sempre dava muito em cima de mim na faculdade. Na época que eu fazia faculdade em Divinópolis, como eu falei. E ele ficava dando muito em cima de mim, e eu, “Não, não, não, não, não!” coitado, né, porque não era praticante ainda.

 

Sidney: “Que é isso, bro?”

 

Samir: Ah, um dia eu tava pegando a menina, e eu tava mega bêbado. Ela dormiu. Ele começou a me bulinar. Eu falei, “É hoje”. (risos)

 

Sidney: Ludmila mandou avisar que é hoje!

 

Dan: Avisa que é hoje!

 

Samir: A danada sou eu. Cheguei chegando, bagunçando a porra toda. (risos)

 

Sidney: Olha aí!

 

Samir: E…

 

Sidney: Mas aí foi só o beijo?

 

Samir: Foi no atraque, foi tudo. Tudo. (risos)

 

Sidney: Tudo de uma vez.

 

Dan: O pacote completo.

 

Samir: Já que é pra saber como é que é, vamo saber tudo. Vamo no atraque.

 

Sidney: Só presta assim.

 

Samir: E aí, eu falei, “Ah…” E aí, esse dia, foi assim, oh, foi aquele arco-íris saindo do pote de ouro, falei assim, “Puta merda! É isso que eu quero. E isso aí, galera, que a gente vai  investir!” É nesse ramo que a gente vai tá atuando!

 

Sidney: Jamais passarei fome novamente! (risos)

 

Samir: Exatamente.

 

Dan: Aí, você começou ir em BH, nas festinhas e em boates, por exemplo, ou só dentro de Divinópolis?

 

Samir: Isso, eu morava em Divinópolis ainda. Eu tenho um amigo, que é meu melhor amigo, assim, da vida, que ele também tava passando pela mesma fase. Então, e ele era até um pouquinho mais pra frente do que eu. Ele já tinha ido em boate gay, ele já tinha ficado com outros caras. Então, foi ele que foi sendo meio meu coach, sabe. “Ah, vamo nesse bar aqui”, “Vamo…” não sei quê… E eu super com medo, “Ai, meu deus!” Sei lá se eu deveria ir, sabe, aquela coisa, super encanado. E aí, foi indo, foi indo, a gente foi descobrindo coisas juntos, foi indo pra balada juntos. E aí, já era. Tornei 100% praticante. Depois, quando eu fui pra Belo Horizonte, eu já era mega assumido. Eu já cheguei… Porque eu fiz uma faculdade em Divinópolis, parei, e recomecei ela em Belo Horizonte. Porque eu queria estudar na capital. E quando eu fui pra Belo Horizonte, era outro cenário. Eu já cheguei no primeiro dia de aula, aqui, oh, Sheetara! (risos) Já cheguei no salto, e já tirando a gilete debaixo da língua… “From the boat from Asia. Fresh Tilapia”. Coloquei minha (incompreensível) na carteira, e falei, “Ôi?”

 

Sidney: “Olár.” É engraçado porque, geralmente, o que acontece com os gays do interior é que eles, geralmente, a narrativa mais comum é que eles se soltam depois que chegam na capital, na faculdade, né. Mas, no seu caso, já chegou lá…

 

Samir: é, porque o negócio , talvez, é porque, às vezes, a pessoa sai duma cidade pequena pra capital, pra estudar. Eu tive essa cidade no meio que já foi um… Um negócio assim, você tá fora do seu mundo.

 

Sidney: Sim.

 

Samir: Eu já tava fora do meu mundo. Eu já tava… Não tinha pessoas que me conheciam, não tinha família, não tinha nada. Eu não tinha ninguém ali. Mesmo sendo meia hora da minha casa, né, da minha cidade. Então, eu já tinha uma vida nova ali. Eu já tinha… aí, foi ali que eu fui aprendendo tudo. Então, quando eu cheguei em Belo Horizonte, três anos depois, eu já sabia, já entendia tudo, já sabia o que eu queria, já tava muito bem resolvido. E eu lembro que até os dois primeiros períodos,  realmente, eu não tava muito ainda, em Belo Horizonte. Aí, eu tinha um pouco de medo de assumir pra algumas pessoas da minha sala, na faculdade, nos dois primeiros períodos. Mas depois que eu falei com meus amigos principais… Eu tinha um amigo muito, muito, muito hétero. Muito. Mas super de boa, sempre de boa comigo. Sempre muito de boa. O meu melhor amigo de sala. Eu ficava muito naquela coisa, no dilema, “ai, eu vou contar pra ele, ele não vai mais ser meu amigo”, não sei quê. Lá-la-lá… E aí, eu fiz um drama, mas eu fiz um drama pra contar, aquela coisa, “Ah, eu tenho uma coisa pra te falar, mas sabe que eu sou muito seu amigo…” Fiz aquele drama. E ele já sabia, né. Porque, né, querida, eu já dava um choque…

 

Sidney: Obviamente…

 

Samir: Ele já sabia o que era. “Ai, não sei quê, sou gay!” Ai, ele, “Tá, e aí?” Aí, eu falei, “Não, era só isso”. Ele, “Tá, beleza. E isso aí”. Aí, eu falei, “Então, tá. Então, é assim?” é assim. Beleza. Então, tá. (risos). E aí, depois, a partir desse dia, comecei muito a entender que, assim… Que eu queria ter esse pensamento quando eu era mais jovem. Que é assim, se é uma coisa que eu falo pra todo mundo, porque muitas pessoas têm medo de assumir essas coisas porque falam, “Ai, mas meu amigo, quando souber, não vai ser mais meu amigo”. É o que eu falo, gente, se a pessoa se afastou de você, não gostou que você se assumiu, e fala, “Ai, eu não sei se eu vou poder continuar sendo seu amigo”, ela nunca foi seu amigo. Nunca. É, eu acho que é assim, o amigo que é amigo, ele continua sendo seu amigo, ele não vai, “Ai, não vai dar pra gente ser amigo por causa disso”. Ser um empecilho. Se ela é uma pessoa, sei lá, de alguma religião muito que condena e, “Ai, por causa da minha religião, não vou poder ser seu amigo”, ótimo. Tipo, quem tá perdendo é você. Porque…

 

Sidney: E é o tipo de relação que não faz bem. É até um alerta, assim, um aviso pra a gente abrir os olhos e perceber que, na verdade, não vai ser uma relação muito saudável continuar…

 

Samir: Não vai. Exatamente. Não vai, não vai dar certo. Não vai ser sadio pra nenhuma das partes. Pra quem tá se sentindo oprimido e até pro opressor que vai tá ali incomodado com você o tempo todo. Vai cada um pro seu lado e é isso.

 

Sidney: Vida que segue, né.

 

Samir: Não, mas então, Belo Horizonte eu ainda tive esse restinho, mas eu me encontrei. E quando mudei pra São Paulo, que eu fui trabalhar em São Paulo, não tive nunca nenhum tipo de… Nunca sofri nenhum tipo de preconceito em nenhum ambiente que eu fui, que eu ando. Tem sim, tem, nos trabalhos, pessoas homofóbicas. Eu enxergo elas, eu vejo. Mas, assim…

 

Dan: Elas são contidas, né…

 

Samir: É, elas se sentem intimidadas, porque elas veem ali que é um espaço com tanta gente, com tanta aceitação, que ela se sente incomodada. Então, nunca sofri nada, nunca escondi nada. Lógico que você não chega anunciando, né. Não entra no lugar, fala, “OI, gente. Oi, meu nome é Samir, eu sou gay!” (risos)

 

Sidney: “Inhaí! Vamo ser viado pra sempre!”

 

Samir: É, não. Não chego. Mas, assim, chego e comento com gente do lado, tipo, “Ai, você viu fulano? Que gato!” não sei quê, lá-lá-lá… falo assim, de boa. Nunca… Foda-se quem tá do meu lado. Não importa se a pessoa…

 

Sidney: Essa é a importância de a gente ocupar os espaços, né. Pra perceberem que a gente tá ali também, existe, e que por mais que a sua visão de mundo se oponha à nossa existência, você vai ter que conviver. Porque a vida é assim.

 

Samir: Exatamente.

 

Dan: E antes da gente… vou interromper. Antes da gente seguir pra São Paulo, término de curso… Na escola, por exemplo, como que era sua relação com os coleguinhas? Que a gente sempre faz essa pergunta porque, geralmente, dependendo do nível de “vinhadage”, a gente percebe que a pessoa sofreu alguma coisa no período escolar. Você teve algum…

 

Samir: Eu, nossa, eu sofri bu… (ele tosse) Eu sofri bullying demais, até 18 anos. Até, assim, a época que eu estudei em Itaúna, o tempo que eu estudei em Itaúna, eu sempre sofri bullying. Mas mais velado. Só que eu sou muito observador e muito atento. Então, não falavam direto comigo. Mas, assim, eu via que às vezes falavam… A professora pedia alguma coisa, eu falava, e de canto de olho eu via que tinha coleguinha rindo, sabe. Eu sei que tava rindo porque eu tava sendo viado. Eu tava falando de um jeito que dava uma pinta. Sabe, eu tava desmunhecando, né, que fala aqui, desmunhecar. Eu tava desmunhecando, assim. Então, eu percebia as pessoas percebendo e comentando. E isso me deixava muito contido. Porque você não quer, “Ai, não quero dar pinta porque não quero ser motivo de piada”. Mas uma sorte, um mecanismo que eu usei de defesa é o fato que eu era muito palhaço. Eu sou muito palhaço até hoje, assim, eu faço piada com tudo, eu falo besteira, eu viajo na maionese.  Então, na sala de aula, eu era uma pessoa muito engraçada. Eu era aquela pessoa palhaça da sala. Tipo, o professor falava alguma coisa, aí dava um silêncio, e eu completava lá do fundo e a sala inteira ria. Sabe, então, eu tinha esse mecanismo de defesa, de falar assim, ah… Como eu era engraçado, as pessoas me achavam uma pessoa… E era muito aplicado na escola, tirava notas boas. Então, todo mundo da sala tinha essa sensibilidade de mim, “Ah, porque ele é aquela coisa cool, sabe. Ele é cool, ele é engraçado, sabe, é divertido…” Então, eu chegava nas rodas falando de tudo, as pessoas eram de boa, mas eu via que tinha momentos que eu falava alguma coisa, fazia alguma coisa que tinha gente rindo, que tinha gente sendo maldosa.

 

Sidney: Você falando isso, agora, Samir, teve um episódio que a gente gravou sobre… Até sobre isso, sobre o medo de dar pinta, né. E surgiu o assunto de que, como na mídia a homossexualidade é tratada, na ficção, nas novelas, e tal… São sempre dois estereótipos, um é o do… Quando a homossexualidade é levada a sério, o gay é discreto, não…

 

Dan: Não pode ser pintosa…

 

Sidney: É todo padrãozinho… Olha a palavra aí, desculpa aí, gente.

 

Samir: Lembra aquele casal, Casagrande e… Aquele outro menino bonitinho que usava o brinquinho na orelha, assim, vocês lembram desse na novela? Esse casal?

 

Sidney: Ai, não sei. Tu lembra…?

 

Dan: Não…

 

Samir: Era o Casagrande e o outro cara. Eram os dois, só que eles eram assim, aquela coisa, o token gay friend. Era o chaveiro da novela.

 

Sidney: Exatamente.

 

Samir: Pessoas sérias, padrãozinho, como a gente fala…

 

Sidney: Aham. E quando não é isso, é a bicha pintosa que é a palhaça, né. É o alívio cômico. E é engraçado como isso não é na ficção, a gente tem que partir pra esses mecanismos pra ser aceito, porque as pessoas não nos levam a sério, se a gente der pinta.

 

Samir: Exatamente. Exatamente, você acaba… É isso mesmo. O Félix, as pessoas começavam a aceirar ele porque “olha como o Félix é engraçado”. Então, eu usava esse mecanismo em sala de aula. Eu era a pessoa que, apesar de ser viadinho e todo mundo fazer várias piadas, assim… Eu falo assim, os caras. As meninas, sempre me dei bem… Sempre fui…

 

Dan: Amigo das meninas.

 

Samir: A amiga gay das meninas. (risos) Então, nunca tive problema. Nunca sofri bullying de mulher e tal. Mas os meninos, a galerinha do futebol, eu ouvia as piadinhas, sabe. Então, eu usava… Também o meu mecanismo de defesa era esse. Era o fazer graça. “ah, ele é gay, mas olha como é engraçado!” Era minha forma de viver na escola.

 

Dan: Entendi.

 

Sidney: De lidar, né, e de contornar.

 

Samir: É, exatamente.

 

Sidney: E aí, você cresceu, desabrochou…

 

Samir: Desabrochei…

 

Dan: “Eu cresci, agora sou mulher”…

 

Sidney: Fez a Sandy (risos)… Veio para São Paulo… (risos) conta como foi chegar pra cá.

 

Samir: Ai, gente, foi… eu tava na faculdade, em Belo Horizonte, e eu queria trabalhar em São Paulo, já. Eu sempre bem mercadológicazinha, já olhava e falava, “Eu quero um lugar, onde tá o dinheiro desse país?” O dinheiro desse país, na minha área, tá lá em São Paulo. Eu tenho que dar um jeito de parar nessa cidade. Eu tenho que dar um jeito. E eu tinha um amigo que a mãe tinha uma empresa em São Paulo. E eu pedi um estágio entre dois períodos, entre o 7º e o 8º. Vim, ela me ajudou. Aí, fiz estágio, ela gostou. E falou, “Quando você formar, você vem, que eu vou te contratar”. Aí, fui pra São Paulo depois da faculdade, trabalhar com ela, ganhava bem pouco. Minha mãe me ajudava um pouco a pagar as contas, assim. Ela me trouxe, mas ela pagava um salário de pessoa que acabou de se formar, sabe. A pessoa acabou de se formar, querendo um salário pra morar sozinho em São Paulo, é complicado, né. Tipo, é muito pouco.

 

Dan: Imagino.

 

Samir: Então, minha mãe me ajudava um pouco, assim. E aí, comecei a trabalhar lá em São Paulo, (incompreensível)…

 

Sidney: Falando de sua mãe, ela já sabia de você, nessa época?

 

Dan: Ah, é!

 

Sidney: Como foi se assumir em casa?

 

Samir: Na época de São Paulo, não… Foi bem complicado, demorei bastante. Se eu soubesse que seria tranquilo, talvez eu tivesse feito muito mais cedo. Mas foi tarde por causa disso, porque a cidade era muito pequena e muita gente fala. E aqui, uma coisa que eu não gosto é que, assim, o esporte das pessoas, aqui, é fofoca.

 

Dan: Sim.

 

Samir: As pessoas adoram fofocar. Você entra no Instagram do povo daqui, o Instagram de todo mundo é trancado. Todo mundo. Porque todo mundo sabe que a vida do outro é ficar fofocando e fuçando a vida do outro. Então, todo mundo tranca…

 

Dan: Mas você sabe que isso é um padrão de cidade pequena, né. Talvez hoje, com a internet… Até, assim, não tem muitos acontecimentos e ali todo mundo se conhece… E aí, antes da internet e das redes sociais, para ter assunto na barbearia, na padaria, na fila do pão, é melhor você falar, “Você viu fulano?” Aí, a notícia vai se replicando, e vai contando que aconteceu isso, e que fulano casou, ou que bateu, que traiu… Ou que tá grávida.

 

Samir: O meu… A minha diversão, assim, o passatempo aqui da cidade é eu ligar pras minhas amigas da época do colégio, era ligar e a gente ficar conversando duas horas sobre a cidade. “Ai, fulano ficou com fulana”, “ai, sicrano eu vi em tal lugar”, e não sei quê…

 

Sidney: Vocês acreditam que eu to lendo um livro agora, sobre o Homo Sapiens, e a fofoca foi um mecanismo evolutivo. Por isso que a gente chegou… (ele ri)

 

Samir: Sério? Por quê?

 

Sidney: Porque o Homo Sapiens, ele evoluiu na medida de ser sociável, e pra ele confiar no grupo dele, ele tinha que compartilhar informações sobre o grupo. Porque quanto mais informações ele compartilhava, mais confiáveis eram as pessoas daquele grupo e eles podiam se defender dos outros grupos.

 

Samir: Gente! Passado!

 

Sidney: E aí, foi em cima da fofoca um dos mecanismos que o Homo Sapiens evoluiu e, hoje, só tem essa espécie de Homo, de humanos, né. Só o Sapiens.

 

Samir: É, e chegamos até o Ego, né? Isso evolui, evoluiu, evoluiu, e chegamos ao Ego!

 

Sidney: Chegamos no Ego, exatamente.

 

Samir: Que acabou.

 

Dan: Quem é… Qual é a notícia mais famosa? Fulano estacionou no Leblon?

 

Samir: “Caetano Veloso estaciona no Leblon”. (Dan ri)

 

Sidney: Exatamente. O ápice da evolução do Homo Sapiens.

 

Samir: A minha favorita é “Nana Gouveia corre com chapéu e parece Seu Madruga”.(risos)

 

Sidney: Não vi.

 

Samir: É maravilhoso. Que é ela correndo com aquele chapeuzinho de Seu Madruga e a notícia é isso, que ela correndo tava parecendo Seu Madruga correndo. (risos)Mas voltando…

 

Sidney: Ai, só pérolas…

 

Samir: Mas voltando ao…

 

Sidney: Voltando ao Oscar…

 

Samir: Voltando ao Oscar, a coisa da mãe… Tipo, foi ela que… voltando, de novo, a fofoca. Eu já estava na faculdade em São Paulo… Oh, em Belo Horizonte, e eu frequentava as boates tudo, lá. Vivia, curtia. E aí, começaram a dar notícia pra ela. Que eu tava…

 

Dan: Soltando…

 

Samir: É, que eu tava soltando a franga lá em Belo Horizonte. Que eu tava indo em boate gay, essas coisas. E ela me confrontou, chegou e me perguntou, “Então, eu fiquei sabendo que você tava nessa boate…” Não sei quê… Aí, falei, é agora. Já que ela que deu abertura. Eu já queria…

 

Sidney: Já que perguntou, né…

 

Samir: Já que deu abertura, eu falei, “Sim”. Aí, ela ficou meio tensa, assim, ficou um pouco triste, veio com aquelas coisas de mãe, “Ai, onde que eu errei”, “Que eu te criei alguma coisa errado”, foi umas coisas assim. Porque ela não sabia muito lidar.

 

Sidney: tu já tinha quantos anos?

 

Samir: Isso eu tinha 19. 19, 20 já… E fui dormir. Fui pro quarto. Ela tava triste. Falei, “Não”, fui dormir. Aí, no outro dia, de manhã, ela sentou pra conversar, falou, “Olha, então, é isso mesmo que você quer?” Eu falei, “É, sim”. Ela falou, “Não é fase, né?” falei, “Não, é isso.”. “Minha preocupação… eu te amo de todo jeito, você é meu filho, nunca… Eu vou te amar pra sempre. Só que a minha… Eu fico triste e eu chorei porque eu sei o tanto que o mundo trata… como que o mundo trata gay. E eu sei que você vai passar por isso. Porque eu não queria que você sofresse. Eu não queria que você passasse por o que as pessoas passam, esse sofrimento. Então, cuidado na sua vida. Mas eu te amo”. E tivemos essa conversa de manhã, no outro dia, e nunca mais, nunca mais tive nenhum problema. Passamos a ter uma conversa super franca. Eu falo com ela, ela fala de tudo. A gente conversa de tudo. De sexo, de namoro, de homem. “Ah, esse é gato. Esse não é”. Ela fala… Que eu falo no Wanda que eu gosto dos Sugar Daddy, né.

 

Sidney: (rindo) Sim…

 

Samir: E ela fala, “Ai, mas a fulana de tal tá namorando um cara tão velho…” Eu falo assim, “Mãe, você sabe que eu também gosto de cara coroa, né”. “Ah, você gosta dos cara mais velho?”” então, a gente tem uma conversa super franca.

 

Dan: Nossa, que mãe maravilhosa!

 

Sidney: Aham, é ótima.

 

Dan: Falar nisso, o seu estilo é igual ao meu também. Eu sou casado com uma pessoa de 47 anos.

 

Samir: Ai, gosto!

 

Sidney: Aqui é tudo Sugar DaddySugar Daddy

 

Dan: Sugar Daddy lovers.

 

Sidney: Maria Sugar Daddy.

 

Samir: Eu vejo, eu pego um currículo, assim, eu vejo assim, oh, 15 anos de experiência trabalhando, eu falo, é esse aí. É esse meu homem.

 

Sidney: Valoriza no currículo.

 

Samir: É, exatamente (risos).

 

Sidney: Mas você falando só da sua mãe, você tem irmãos? Seu pai… como é essa história?

 

Samir: Então…

 

Sidney: Porque a gente só ouve você falar da sua mãe também, lá no Wanda.

 

Samir: Verdade. Porque é isso, porque eles separaram antes de eu nascer. Antes de eu nascer, eles já tinham se separado, e eu conheci meu pai aos 8 anos de idade. E eu via ele duas vezes por ano, nas férias, que eu ia passar férias na casa dele, lá, na cidade dele, que é menor ainda, pegava um monte de menina. Primeiro beijo que eu dei em menina foi lá. Então, lá eu tinha uma vida mais hétera ainda.

 

Dan: Até forçava jogar bola…(ele ri)

 

Samir: É, se bobear, se eu buscar aqui na memória, provavelmente eu já fiz isso lá (Dan ri). Mas eu nunca tive relação, né, eu cresci sempre… E minha mãe foi solo, né, mãe solo.

 

Sidney: filho único?

 

Samir: Filho único dela. Por pai eu tenho quatro irmãos. Duas irmãs e dois irmãos. Que eu tenho pouco contato. Então, foi muito na guerrilha, eu e ela, sempre. Então, eu não tenho… então, família, pra mim, assim, eu considero eu e ela. Mas nunca…

 

Sidney: E ele sabe de você?

 

Samir: Não sei. Sabe o que… Olha… Impressionante, é engraçado, porque eu sou super assumido, sou super de boa, mas eu nunca peguei, passei o telefone, liguei pro meu pai e falei, “Então, pai, eu preciso falar um negócio…”

 

Dan: “Sou viado”.

 

Samir: É. Nunca. Porque nunca fiz questão, sabe. Não sei. Eu não sei, até hoje eu não sei como que… Eu acho que ele reagiria bem, eu acho que não teria problema. Ou não sei, também. Mas nunca considerei isso. Aqui na cidade, minha mãe já contou pra todo mundo (risos).

 

Dan: Ela mesmo já espalhou, antes do povo ficar…

 

Samir: Sim, porque quando ela ouve alguém falando um comentário homofóbico, alguma coisa, ela fala assim, “Pópará, pópará, que meu filho é gay, meu filho gosta de homem também”.

 

Sidney: Ah, que maravilhosa! (risos)

 

Dan: Que ótimo.

 

Samir: É. Super, super. Ela é mais assumida que eu.

 

Dan: Oh, Samir, esses padrões…

 

Samir: Então, eu nunca tive essa relação.

 

Dan: Esses padrões de comportamento do que vai acontecer na história de um gay, na verdade, geralmente parece que existem certos padrões. Você falando da sua relação com sua mãe, eu tenho a mesma relação com a minha… tive, né, porque a minha mãe faleceu. Com a minha mãe, como você teve. E com meu pai, como eu tinha uma certa distância, é um amigo, uma pessoa que eu gosto, e eu não sabia se ele ia, como ele ia reagir. O dia que eu contei pra ele, já vai fazer dois anos agora. Vai fazer aniversário. Dia 29 de maio. Ele não conversa mais comigo há dois anos.

 

Samir: Gente.

 

Dan: Não conversa…

 

Samir: Depois que você contou. É, então, não sei…

 

Dan: É porque eu casei. Falei assim, “Oh, pai, o negócio é o seguinte, você gosta de me visitar e tudo mais, agora eu não moro sozinho, agora eu tenho um marido” (ele ri).

 

Samir:gente!

 

Dan: Já foi tudo de uma vez…

 

Samir: Então, pois é. Eu já fico tenso de ter que… Eu já fico tenso, um pouco, de ter que abrir isso tudo assim pro meu… O meu pai e a família do meu pai, eu tive pouquíssimo contato, meus irmãos… então, nunca comentei. Eu acho que as pessoas sabem, né. Vai, ah… tem aqueles clichês, a pessoa tem 32 anos, nunca apareceu com nenhuma namorada, tem uns amigos, e não sei quê… Que é os namorados… eles sacam. Mas…

 

Sidney: Fica indo no show da Beyoncé.

 

Samir: Fica indo no show da Beyoncé. Essas coisas… E tem o Wanda, e o Wanda roda o Brasil, já deve ter chegado lá… Mas o dia que, sei lá, for casar… Eu sempre penso isso também, igual você fez, Danilo, eu acho que a mesma coisa comigo. Eu acho que no dia do meu casamento vai ser aquele dia de… “então, gente, contar um negócio pra vocês…” (Dan ri)

 

Sidney: “Senta aqui…”

 

Samir: Vem no casamento, mas não tem noiva, tá? Tem dois noivos (risos)

 

Dan: Eu espero que dê tudo bem com você, querido. Porque comigo não deu… Mas, enfim.

 

Samir: é… Não, e o meu… comigo, também, o meu, assim, eu falo, meio bizarro, mas se não der certo também, pra mim, não faz diferença. A única validação que eu precisava era da minha mãe.

 

Dan: Sim.

 

Samir: e consegui a dela, então o resto, foda-se.

 

Sidney: Ai, é tão bom, é tão bom ouvir essas histórias, assim, de aceitação na família, eu fico…

 

Samir: Muito…

 

Sidney: Eu fico assim, esperançoso, meus olhos brilham, sabe. Porque são narrativas que a gente precisa ouvir, diante de tanta coisa ruim que a gente escuta, né.

 

Dan: Sim.

 

Samir: sim. Eu tenho muitos amigos que tiveram… Que foram colocados pra fora de casa. Eu tive amigo que a família quis que fosse a psicólogo, pra consertar. Tive muito dessas coisas. Então, eu ficava como… Eu tive amigos que saíram antes de mim do armário, e eles foram tendo experiências ruins, você fica com aquilo que vai ter a sua hora de ter experiência ruim. Porque quando você não tem experiência pra você, você espelha nas coisas que você vê. E se eu tava vendo que com todo mundo tava dando problema, eu falava, a hora que chegar a minha vez, vai dar isso também. Então, eu acho que é muito importante, né, pra essas pessoas que tão aí pensando em falar… Que nem, a gente fala “assumir” aqui, gente, mas é aquela coisa, é o modo de falar, porque a gente sabe que não se “Assume”, que é um termo que não se usa…

 

Sidney: Se “declarar”, né.

 

Samir: É… é, exatamente. Eu tô preocupado com a problematização (Sidney ri). Então, eu acho que pessoas que vão se declarar e que vão ter esse momento, é legal eles ver essa história, tipo a minha que, assim, foi super fácil, foi super tranquilo… No geral, né. Vez e outra, homofobia todo mundo sofre. Todo gay, em algum momento, vai sofrer. Mas no geral…

 

Dan: Sim. E aquela homofobia velada, que é estrutural, o comentariozinho…

 

Samir: Sim…

 

Dan: Que parece ser inocente, às vezes… De colega de serviço, tem muito.Ou então…

 

Samir: Eu lembro que a gente recebeu, uma vez, uma carta no Wanda, que acho que foi uma das que mais me marcou, assim, de leitor, que era um leitor do interior também, e ele falava no email assim, falava, “Olha, eu adoro ouvir o Wanda porque eu adoro vocês contando casos que vocês viajaram pra tal país, e foram em tal show, e foram em tal restaurante com seus amigos, e assistem RuPaul juntos, e foram praquele lugar, e passaram a tarde no parque, não sei quê, e deram pinta, não sei quê, que eu vejo que vocês levam uma vida normal, sendo que vocês são gays. Eu não vejo isso na minha cidade. Sabe, eu vejo que vocês levam uma vida super normal, como a que eu gostaria de ter, e sendo super assumidos. Então, eu não tinha visto. A minha cidade é tão pequena, os gays daqui… eu nunca tinha visto aqui, porque todo mundo sofre tanto preconceito, que eu não achava que era possível uma pessoa ser gay e ter uma vida normal.” E eu falei, gente…

 

Sidney: Essa é a importância da representatividade, né.

 

Samir: É. Eu falei, gente, que coisa louca, né. A gente tá aqui no nosso dia a dia, super de boa, e nem imagina o impacto que a gente ta tendo em outras vidas, com uma coisa tão pequena. Que é você simplesmente viver a sua vida. O fato de eu viver a minha vida tá fazendo outra pessoa ter esperança na dela. Fiquei horrorizado…

 

Dan: De acreditar que é possível, né.

 

Samir: é. Eu fiquei horrorizado. Eu fiquei impressionado.

 

Sidney: É que ainda ser LGBT, só o fato de existir já é um enfrentamento, já é uma resistência, né.só existir já é…

 

Samir: Muito, muito. Ah, o dia que você se declara, você bota a armadura  fala, “Ai, vamo lá, vamo começar esse negócio”. Porque vai ter enfrentamento todo santo dia. Todo santo dia a gente tem.

 

Sidney: E é por isso que a gente não pode forçar ninguém a sair do armário. Porque nem sempre… você tem que tá preparado, inclusive pra lidar com esse tipo de força que vem de encontro a você, na hora que você se declara.

 

Dan: Inclusive, o gay já teve uma cultura da gente da gente querer que as pessoas saiam do armário forçadamente, e achar isso até um direito nosso. E o quanto que isso é feio e depois foi muito problematizado, pelo menos nessa bolha que a gente vive.

 

Samir: Vive…

 

Dan: porque é da bolha só. Sair do armário, obrigar as pessoas a sair do armário é feio e…

 

Samir: É muito complicado, teve um… Tem um ator, eu não sei… Eu não sei se ele saiu do armário. Todo mundo sabe que é gay, mas eu não sei se ele saiu do armário. Vocês vão saber, um ator que se casou recentemente com o marido dele. Não sei se a gente pode falar o nome no programa…

 

Sidney: Acho que pode, pra cá…

 

Samir: Pode?

 

Sidney: Se ele já casou? Pode.

 

Samir: É, casou, o Paulo Gustavo.

 

Sidney: Sim, sim.

 

Dan: Pode.

 

Samir: O Paulo Gustavo casou com o marido dele e tudo, e fez festa, só que teve muita gente caindo em cima dele. O Paulo é um ator, um humorista que sofre muita represaria porque a posição dele é nunca falar de temas LGBT. Ele tem o trabalho dele, ele faz A Minha Mãe É Uma Peça, fazendo a mãe dele. Ele é super viado. Tem lá o Ferdinando, tem aquela coisa. Mas ele nunca, sei lá, tá representando os gays em alguma coisa. Que as pessoas querem, eu não sei o que elas querem…

 

Dan: Como as pessoas querem.

 

Sidney: Ele não milita, né.

 

Samir: É. Ele não milita. Por nada. E as pessoas ficam, “Pô, Paulo Gustavo, você é um dos maiores humoristas do Brasil, e você não milita, você não leva nossa causa”. Eu falo, gente, é muito complicado exigir que a pessoa entre no…  Ao mesmo tempo, eu acho muito importante. Eu não sei, sinceramente, eu não sei julgar se ele tá certo ou se ele tá errado. Eu sei que, se eu tivesse no lugar dele, eu gostaria, porque eu acho muito importante a representatividade. Mas ao mesmo tempo, eu não acho que a pessoa é obrigada a militar.

 

Sidney: E eu acho, inclusive, Samir…

 

Dan: Mas eu acho que ele é reflexivo e ele vai mudando o posicionamento dele a partir dessas críticas. Sutilmente, mas ele muda.

 

Samir: sim…

 

Sidney: E eu também acho que, no final das contas, a militância deve servir pra… Quem milita deve militar, pelo menos, é a minha opinião, e fazer a militância que acha que deve fazer ou agir do modo como acha que é militar… “Militar”, como se fosse exército, né? (risos)

 

Samir: Exatamente… (risos)

 

Dan: Deus me livre!(risos)

 

Sidney: Deus me livre! Pra que as outras pessoas possam viver as suas vidas tranquilamente, sem se preocupar com isso. Tipo assim…

 

Dan: Não cague regra.

 

Sidney: Pra que possa haver homossexuais aí livremente, sem se preocupar com essa história de ficar pensando na sua condição de opressão. Porque eu acho que, no final das contas, a luta tem que terminar nisso, na naturalidade de que ninguém precise mais desse esforço.

 

Samir: É. E eu acho muito legal porque… Igual fala, apesar do Paulo Gustavo não militar, ele não se priva de nada. Ele tá ali com o Magela, eles dão pinta pra caramba, eles se divertem. E o Magela super… super viado… “Ai, vamo ser viado pra sempre!”

 

Dan: Ah, eu amo! Eu amo aquela parte.

 

Samir: Ao contrário, a gente tem outros exemplos dentro do meio midiático, de gente que é gay, que é assumida gay, mas que ele não vive a vida gay. Isso, assim, eu acho uma coisa muito… Um alerta. A gente tem exemplo de gente que é famoso, é gay assumido, mas, assim, só anda com hétero, não tem nenhum amigo gay, não fala de assuntos gays, é super venenoso com outros gays. Eu acho isso muito pesado. Eu falo assim, você não precisa militar, mas pô, sabe…

 

Sidney: também não atrapalha, né. Se não ajuda, também não atrapalha.

 

Samir: É, não atrapalha. Não fica querendo… Não acha que é bonito… Porque acha bonito mostrar uma heteronormatividade.

 

Dan: E reforça preconceitos, né.

 

Samir: É. Você só tá dificultando, sabe.

 

Sidney: E agindo contra si mesmo, no final das contas.

 

Samir: Exatamente.

 

Sidney: Olha só, como a gente tá aqui politizado, menino!  Nunca pensei…

 

Samir: Olha, amiga, #militei! #militei! (risos)

 

Sidney: tombei, lacrei!

 

Samir: Tombei, lacrei. Lacre, grito, berro, tiro!(risos)

 

Sidney: Pisa menos.

 

Dan: Pisa menos! Falar em “pisa menos”…

 

Samir: É meu meme favorito, agora, o “pisa menos”.

 

Dan: Queria saber…

 

Sidney: Mas, Samir…

 

Samir: Ham…

 

Sidney: Vai, pergunta, Dan.

 

Dan: Aposto que você vai perguntar a mesma coisa que eu, talvez. Que é a ligação com o Wanda, como que ocorreu essa fusão aí, no Wanda?

 

Sidney: E há quanto tempo você mora em São Paulo?

 

Samir: Aham. Eu moro em são Paulo há 8 anos, fui pra lá esse… Que igual eu falei, esse contatinho, meus contatinhos me colocaram em São Paulo. E tô lá há 8 anos. A dica que eu dou pra todo mundo, que a pessoa fala, “Como que eu vou pra São Paulo? Como que é o trabalho em São Paulo? Como que eu cresço em São Paulo?” Eu falo, contatos, gente. A minha vida inteira, toda minha carreira lá, o meu trabalho, tudo que eu consegui, seja pro trabalho de dia e o trabalho de noite, é através de contatos. Fazendo contato com pessoas, conhecendo pessoas que conhecem pessoas, que precisam de alguma coisa, lá-lá-lá… Que foi, por exemplo, chegando no Wanda. Que eu queria muito… Eu já ouço podcast há milênios. Há, sei lá, desde a faculdade em Belo Horizonte que eu comecei, em 2005… Então, 12 anos. Tem 12 anos.

 

Sidney: menino! Você é early adopter de podcast mesmo!

 

Samir: Muito!

 

Sidney: Começou nessa época mesmo.

 

Samir: É, eu comecei ouvindo o Nerdcast…

 

Dan: É o tempo que existe…

 

Samir: É bem quanto tempo existe… Eu ouvi o Nerdcast, os primeiros, assim… Eu ouvi dos 100 primeiros Nerdcasts, eu já tava ouvindo. E hoje eles tão, sei lá, no 500. E eu adorava. Era a minha mídia favorita. Porque é imersão, quem tá ouvindo agora sabe disso. É um negócio que você imerge. E é uma coisa que você conhece as pessoas. É muito diferente de uma entrevista de Youtube, de TV, de Rádio, porque é tudo 10 minutinhos o formato, você não tá passando duas horas ouvindo uma pessoa. Então, o podcast você ouve muito, você entende, você conhece…

 

Sidney: Dá uma sensação de intimidade, né.

 

Samir: tanto que eu falo, hoje em dia, eu gosto mais do podcast da RuPaul, do que do próprio RuPaul’s Drag Race. Porque é uma hora dele, da Michelle, dele contando, falando das vidas dele, das experiências deles. E eu sei muito mais dos dois, assim. Então, eu adoro. E eu adorava. E eu falei, gente, um dia eu quero ter um… Já tive blog, eu tinha um blog de música, que era o dontskip.com…

 

Sidney: dontskip.com!

 

Samir: Amava. E eu queria ter um podcast. Eu falava, ai, eu quero ter um podcast. Eu quero ter um podcast. E eu não queria fazer de música, eu queria fazer de coisas gerais que qualquer pessoa pudesse ouvir. Que música ainda é um nicho, né. A pessoa tem que gostar de música. E eu queria falar com todo mundo. E eu tinha essa ideia. Eu tinha essa ideia, eu tinha essa ideia, eu tinha essa ideia. E aí, um amigo meu que conhece o Phelipe falou, “Olha, o Phelipe Cruz do Papel Pop tá querendo montar um podcast pro Papel Pop. Conversa com ele, porque ele queria ter essa coisa a mais no Papel Pop”. Aí, eu sentei e conversei com ele, falei, “Olha, eu quero fazer um podcast, você quer fazer um podcast, vamo fazer um podcast!” A gente conversou, a gente tinha super… Nós dois gostavamos das mesmas coisas, assim…

 

Sidney: Mas vocês já se conheciam?

 

Samir: Não. Eu conhecia muito… eu sou muito amigo do ex marido dele. E aí, aquela coisa, eu via de vez em quando. Eu tava, às vezes, num evento, eu encontrava, esbarrava. Mas a gente nunca tinha ficado horas conversando. E quando a gente começou a conversar sobre o podcast, a gente viu que a gente dava muito certo, e a gente ficava conversando, e a gente adorava ficar falando. A gente… Ele zoa… Ele me odeia no podcast, mas, gente, é só no podcast, calma (Sidney ri).

 

Sidney: Ai, eu adoro!

 

Dan: Inclusive, teve uma treta no último Wanda…

 

Samir: Nossa, nem me fala!

 

Dan: Não, no penúltimo…

 

Samir: É, no penúltimo. Teve uma treta enorme, o negócio virou uma bola de neve que as pessoas…

 

Dan: (rindo) Teve team Phelipe e team Samir…

 

Sidney: gente, teve mesmo?! Eu não vi…

 

Samir: Nossa, amigo…

 

Dan: É porque foi no Pirâmide, no Facebook, e textões…

 

Sidney: Ah, não tô…

 

Dan: Hashtags… (ele ri)

 

Samir: É. E aí, as pessoas acharam que me tiraram muito no programa, fizeram muita piada. Eu falo, não, gente, são meus amigos, é assim mesmo, é de boa, pode ficar do bem…

 

Dan: É um shade, né…

 

Samir: E as pessoas ficaram preocupadas.

 

Dan: Mas é do bem.

 

Samir: É, mas as pessoas ficaram preocupadas.

 

Sidney: Olha, Phelipe Cruz e Samir Duarte vão ser a próxima dupla do Fewd… Da próxima temporada de Fewd, né…

 

Samir: Sim! Fizeram montagem minha e do Thiago…

 

Sidney: (rindo) Ai, que maravilhoso!

 

Samir: Eu de Joan Crawford, assim, e ele de Bette Davis. (Sidney ri)

 

Dan: Ai, eu sou gamado na voz do Thiago.

 

Samir: É, e eu falei, “Não, gente, a gente é amigo. Sisters! Não, a gente é amigo”. Aí, a gente conversava, conversava, conversava. A gente falou, tá, a gente precisa de mais uma pessoa. E aí, a gente decidiu que a gente queria trazer uma menina. Porque a gente queria trazer uma pessoa… A gente queria uma menina hétero porque a gente queria também traz… Não…

 

Sidney: Pra cumprir a cota, né…

 

Samir: “Ai, não pode ser só gay”, não tinha nada a ver disso. É porque a gente queria que pessoas héteros ouvissem, sei lá, assuntos deles, sei lá… Sei lá que esse povo fala! (Dan ri) Não sei.

 

Sidney: Pra não ficar, inclusive, nichado como um podcast LGBT, também, imagino.

 

Samir: É… é, talvez também. Mas a gente queria ter essa outra voz. E que fosse uma menina, pra não ficar… Pra também ter o contraponto, os homens e as mulheres. Porque, por exemplo, quando abordar tema de feminismo, ou de machismo, essas coisas, não teria como a gente, só, falar. A gente queria ter uma mulher lá. A gente queria ter essa representação. Black Eyed Peas, né. A gente queria ter a nossa Fergie.

 

Sidney: Claro, todas merece!

 

Samir: A gente começou a pesquisar, procurar, saber quem que poderia ser. Cogitamos vários nomes, uns nomes muito nada a ver. Muito engraçado (risos). Isso eu não posso contar. Não posso contar. (risos)

 

Sidney: Olha só!

 

Samir: Segredos do Wanda.

 

Dan: Fica no ar!

 

Samir: É, fica no ar. Aí, a Marina era ex esposa… Não, era casada com o chefe de uma agência que eu trabalhei. E ela já tava na Mix TV, ela já fazia TV.

 

Sidney: como tu fala, tudo os contato mesmo, né…

 

Samir: É. É o que eu falo, tudo os contatinho. E aí, me conectaram com o Phelipe. A gente procurando. E aí, eu fui falar com meu chefe, na época já era meu ex chefe…

 

Dan: Ela tinha um blog nessa época?

 

Samir: tinha, tinha ainda o Supremas.

 

Dan: Aham.

 

Samir: E aí, eu falava, “Puts, Ian, eu quero tanto… A gente tá procurando tanto uma menina legal, que fale bem, que entenda de cultura pop, pra participar do podcast meu e do Phelipe, e pra fazer o podcast nós três”. Ele falou, “A marina!” Tipo, a esposa dele. Eu falei, “Nossa! Verdade, não pensei”. Aí, sentamos, saímos pra comer um dia, coloquei o Phelipe e a Marina frente a frente, pra ver se a gente dava certo. E a gente ficou ali horas conversando. Horas, horas, horas, horas. E desde então a gente falou, é isso aí. É essa formação, Destiny’s Child, (incompreensível) forever

 

Sidney: (rindo) Sim… Original…

 

Samir: Vai ser nós. E desde o primeiro episódio, a gente não teve que treinar. A gente não teve que entrosar.

 

Sidney: Ensaiar.

 

Samir: Ensaiar… A gente teve essa conversa, o dia que a gente tava na pizzaria, pra se conhecer. A gente se reuniu outro dia pra finalizar a questão de @ de internet, de nome, de horário, de que dia vai ser publicado, essas coisas técnicas. E o terceiro encontro já foi o primeiro episódio. E já foi microfone ligado, já fomo gravando. E desde então, tá aí o programa.

 

Sidney: Tá aí, né. Chegou aonde você chegou.Chegou agora aí…

 

Samir:Cheguei… nunca tivemos, em nenhum momento, fase de adaptação, nada. O programa em si teve que ir evoluindo. Mas nós três… A química deu muito certo. E eu acho que cada um se completa muito bem. Se o Phelipe… (ele tosse) Ele é mais ácido, conhece tudo de todos os assuntos. Eu sou mais palhaço. Eu trago a vibe boa!

 

Sidney: A vibe boa, sim!

 

Samir: E a Marina também traz a…

 

Sidney: A elegância, a beleza e a inteligência…

 

Samir: A elegância, a inteligência… A hora que ela assim, oh, eu falo, gente, que mulher, né. Que mulher…

 

Sidney: que mulherão da porra!

 

Samir: E é bom que ela equilibra a gente, porque eu sou essa pessoa escandalosa, o Phelipe é escandaloso. E aí, a Marina, ela centra a gente, assim.

 

Sidney: Maravilhosa! Ela é o centro mesmo de vocês. Que quando a Marina não tá, o episódio fica desembestado.(risos)

 

Samir: Fica! Exatamente. Se não tem a Marina, o negócio, agente… (ele ri) A gente solta a franga. É impressionante.

 

Dan: Ai, ai. Eu adoro o Um Milkshake chamado Wanda. Eu comecei a ouvir tem uns seis meses. E realmente, isso que você tá falando, agora faz sentido. Eu estou tentando lembrar de vários episódios, desde as tretas, com treta, sem treta, e a Marina, ela é o amalgama do podcast.

 

Samir: Exatamente. Não, gente… Não… Por favor, não vão problematizar, machismo, falar que tá usando a mulher… (ele pigarreia) Ela é a cola dos homens. Não é isso, gente! Ela equilibra…

 

Dan: pelo contrário. Ela bota ordem naquela casa.

 

Sidney: É a personalidade dela.

 

Samir: Exatamente. Nós três somos… E a gente fala, é 33% cada um o programa, e aquele programa, 33% cada um tem seu papel definido, assim. Não tem duas pessoas mais importantes que uma. Ou uma que é mais importante que as outras duas. É bem definido. Não tem nenhuma Beyoncé…

 

Sidney: Não tem nenhuma Beyoncé… (ele ri) eu queria saber… Uma curiosidade que eu sempre tive, porque o formato do podcast de vocês não é comum na podosfera, nem gringa, nem brasileira. Eu também, eu sou o louco dos podcasts. Eu ouço já vai fazer quase nove anos…

 

Dan: E ouve uns 60 podcasts…

 

Sidney: (rindo) eu ouço vários, é. E assim, fora vocês e o SAD no Ar, que foi outro podcast que a gente já entrevistou uma integrante aqui, só existem esses dois podcasts que fazem esse tipo de programa, que é de aconselhamento. Os ouvintes mandam perguntas e vocês aconselham.

 

Samir: Aham.

 

Sidney: E assim, são dois únicos, e eu não acho em canto nenhum outros assim. E não sei por quê. Porque a podosfera se satura muito. Pelo menos, no Brasil, né. Quando tem um tipo, geralmente enche daquele mesmo gênero…

 

Samir: Isso, exatamente, de programa, né…  Até porque a gente tem um recurso a menos, né, que a gente é só áudio. A gente não tem o visual pra tentar criar…

 

Sidney: mas esse tipo de programa, de podcast de aconselhamento, só tem vocês dois. E de onde saiu a ideia de vocês? Assim, como vocês pensaram nisso. “Ah, vamos fazer um quadro pra que os ouvintes mandem cartas e a gente aconselhe”?

 

Samir: A gente… É muito louco, porque a gente queria que tivesse integração com o ouvinte. A gente queria alguma integração. A gente queria que tivesse alguma ligação, que não fosse só a gente falando. Acho que isso é uma coisa muito do Phelipe,  de querer trazer a audiência. Porque ele tem site há mil anos também. E ele sabe que ele precisa cativar a audiência. Então, eu acho que meio que partiu dele essa coisa assim, “Ai, será que a gente pode fazer uma coisa de integrar a audiência?” E a gente falou, puts, vamo fazer uma coisa meio Penélope, né, a coisa era meio Ponto P mesmo. A ideia, né. Que era… (Dan ri)

 

Dan: Adoro Ponto P…

 

Samir: Amava! As pessoas mandarem as cartinhas, os problemas delas, e a gente ficar comentando. Mas assim, a gente sempre falou, “Olha, tem que ser…” Porque a gente não é especialista de porra nenhuma, né. Ali ninguém… Não tem nenhum psicólogo, não tem ninguém pra poder aconselhar ninguém em nada. A gente fala que é mais um muro das lamentações do que uma ajuda real, assim. A pessoa quer gritar um problema pro mundo, ela manda pra a gente, e a gente zoa ele! Zoa no bom sentido, né. A gente comenta o que a gente faria, o que a gente acha que tem que ser feito. Mas era por isso. Porque a gente achou que ia ficar engraçado. A gente queria essa conexão, e a gente achou que ia ficar engraçado, a gente busca sempre tentar trazer o que vai ser engraçado, e a gente fala, ah,a eu acho que vai dar certo. A gente tinha medo no começo. Falava, “Ai, será que as pessoas vão ter coragem? Vão mandar?” E eu nem lembro como é que foi o nome, que foi parar em “Me Ajuda, Wanda”. Já tinha o nome Wanda, a gente falou, ah, logicamente. Então, “Me Ajuda, Wanda”. E ficou. E é a sessão de maior sucesso do programa.

 

Sidney: Ah, é!

 

Samir: Porque é muito inesperado. Você não sabe o que vai acontecer. (Dan ri)

 

Dan: Eu adoro quando vocês… Eu acho que, assim, dos conselhos, eu acho engraçado, que ás vezes você é mais bonzinho pra dar os conselhos.

 

Samir: Sim, porque eu sou essa pessoa. Eu sou essa pessoa (risos). A Marina, apesar dela ser uma pessoa fofa, ela tem muito menos paciência do que eu. Ela tem muito menos esperança na vida.

 

Dan: “Ah, não, meu querido, desiste da vida”. Ela fala (ele ri)

 

Samir: Ela, “Ah, não. Termina esse namoro”. Eu, “Gente, mas não pode ser assim, vai que eles se amam ainda, gente!” Sabe…

 

Sidney: Dá uma chance…

 

Samir: Dá uma chance pra esse amor. Eu sou essa pessoa.

 

Sidney: E o Phelipe é aquele que corta logo. Corta seco, na carne mesmo.(risos)

 

Samir: Exatamente. A gente… como nossa amiga ouvinte que foi trolada por ele e ficou puta e ainda deu a devolutiva puta. Ele fala mesmo. Quando a pessoa escreve, se prepara, porque pode vir alguma coisa do Phelipe aí, oh. Bem curta e grossa. (Dan ri)

 

Sidney: é, tem que estar emocionalmente estável para ouvir.

 

Samir: É. Mas não é de maldade. É porque ele fala… Ele fala na lata. “ah, eu acho é isso, filha”. E ele não se aguenta quando uma pessoa tá tentando ser meio, sei lá… ela tá mandando o caso, mas ela tá se fazendo de vítima. Acho que é a coisa que ele não aguenta.

 

Dan: Sim!

 

Samir: Ele não aguenta a pessoa se fazendo de vítima. “Ai, será que você é tão maravilhosa assim, queridinha?” (risos)

 

Dan: Eu to impressionado que, no último programa, ele… Uma pessoa falou que tava dez anos com o sugar daddy, e já tinha perdido o desejo. E ele falou, “Gente, depois de um ano a gente não tem mais interesse pela pessoa”. Eu, como assim? Eu tô há oito anos, in Love!(risos)

 

Samir: É. Exatamente. Curta e grossa.

 

Dan: Avisa a ele que é possível. Já cheguei em oito anos.

 

Sidney: Não, mas no episódio seguinte, o dessa semana, já veio outra pessoa no “Me Ajuda, Wanda”… O “Inveja Wanda”, foi dizer pro Phelipe, “Escuta aqui, querida, tô há dez anos e o tesão é o mesmo, tá!” (risos)

 

Dan: Eu lembrei de mim. Não foi eu quem escreveu, mas eu lembrei de mim.

 

Sidney: Não foi, não?

 

Samir: Sei, Danilo… Sei que não foi… (risos)Ah, foi um amigo seu, né? “Ah, foi um amigo meu que escreveu”…

 

Dan: Foi um amigo meu que faz… como é que fala? Até ménage, tá até aberto ao poliamor.

 

Samir: Sim, sim! Maravilhosa, gente. Pois é. Um dia eu espero chegar lá. Vamo ver, né. Não cheguei, Não cheguei nessa parte ainda.

 

Sidney: O bom do “Me Ajuda, Wanda” é que a gente descobre a infinidade de relações que pode existir. As pessoas são muito diversas. Cada pessoa é um universo mesmo, diferente.

 

Samir: sim. E a gente ajuda mesmo.Muito. Além dos casos amorosos desastrosos, tem muito caso de gente que quer se assumir pra família, de gente que quer saber como… Se tá na dúvida se é gay ou não. (risos) Então, tem muito isso. Tem muito… esse lado.

 

Sidney: Fora o “Me Ajuda, Wanda”, o que eu também gosto são dos convidados. Queria deixar aqui o meu confete para a Bárbara  E o Thiago, que eu adoro também. A Bárbara é uma querida. Eu acho ela maravilhosa, libriana como eu! Barbara, olha, me identifico.

 

Samir: eu adoro, gente. As grandes adições. Tem muitos amigos que a gente ganha por causa do podcast, de gente que veio. E a Bárbara e o Thiago são dois exemplos assim. Que eu fiquei meio assim, ai, porque quando vai vir gente nova eu sempre fico meio assim. Quando tem convidado da primeira vez, eu sempre fico tenso. “Ai, meu deus, será que a pessoa vai achar que eu sou muito retardado? Vai achar que eu sou muito louca? Ela vai achar que eu sou uma pessoa muito ridícula?” (risos)

 

Sidney: Aí, acaba acertando, né, Samir?

 

Samir: É. Aí, ela confirma…

 

Sidney: Confirma…

 

Samir: Ela tem a confirmação. Ela tem a confirmação (risos). É isso mesmo. Espero que me aceitem. E a Bárbara e o Thiago são dois amores. Eu adoro. Tanto que eles sempre voltam.

 

Sidney: Apesar do Thiago, que ele se junta com o Phelipe contra você, né…

 

Samir: (ele ri) Ganging on me. Não, gente, mas é de amor! Me xoxa, mas é de amor. (risos)

 

Sidney: Ai, maravilhoso. É muito bom ver essas rusgas amistosas. É muito gostoso de ouvir.

 

Samir: É, gente, faz parte. A gente é assim. The shade… O shade faz parte. A gente ri com ele.

 

Sidney: Shade é vida.

 

Dan: Eu acho que quem estranha mesmo é o público hétero, porque hétero não é acostumado com shade. Shade é gostoso praticar.

 

Sidney: Devia ser “Um Milkshade Chamado Wanda”.

 

Samir: Ai, a gente fala, quando a gente dá shade, a gente dá um milkshade.

 

Sidney: Um milkshade…

 

Samir: Ah, eu tô te dando um milkshade… (risos)

 

Sidney: e aí, Danilo, você quer puxar agora, Danilo?

 

Dan: Vamos lá. Querido, chegamos já no timming que o programa já dá pra gente…

 

Samir: Chegamos na metade do programa… (risos)

 

Dan: vocês fazem isso, né… (risos)No Wanda…

 

Samir: A gente tem a entrevista com o especialista, agora… (risos)

 

Dan: Então, temos uma pergunta do programa, que é uma pergunta que geralmente a pessoa… “Ah, por que você não me falou antes?” Mas a gente nunca faz antes mesmo, não. A gente faz ela em cima da hora.

 

Sidney: Pra pegar de surpresa.

 

Samir: gente, verdade, no Wanda, a gente tá na metade agora. Se a gente tivesse gravando, uma hora e… (risos)

 

Dan: Por isso que vocês comem durante o programa.

 

Samir: Não, mas é porque a gente fala muito mesmo. E é muita gente.

 

(VINHETA: ENTRE EFEITOS SONOROS DE IMPACTO E DE DISTORÇÃO DE ÁUDIO, A VOZ ANUNCIA “MOMENTO SUPER PODERES!”)

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dan: Olha só, se você tivesse um super poder pra poder combater essa LGBTfobia que existe, qual seria o seu super poder?

 

Samir: Ai, meu deus! (risos) Um super poder pra combater LGBTfobia?

 

Dan: Isso.

 

Sidney: Sim.

 

Samir: ah…

 

Sidney: do super herói que é o Samir. Que aqui são histórias de super LGBTs.

 

Samir: Super heróis… Mas pra mim ter esse super poder, e ajudar a combater? Ou, tipo que eu pudesse dar para pessoas e elas, assim, conseguiriam combater… Conseguiriam sofrer menos homofobia?

 

Sidney: Ah, o que você quiser.

 

Dan: O que você quiser, viado! Se você quiser dar…

 

Sidney: Pra diminuir a LGBTfobia no mundo, aí, o que você quiser ter a gente vai lhe dar agora. Tudo que você quiser, o cara lá de cima vai lhe dar! (Dan ri)

 

Samir: O cara vai me dar? Olha, gente, é triste, mas assim… Pensando sobre pressão agora (Dan ri). É uma tristeza, mas eu queria que todo gay tivesse senso aranha. Sabe o sensor aranha, do Homem Aranha?

 

Dan: Sim, sei!

 

Samir: Quando ele detecta um perigo? Porque uma coisa que mais me machuca são principalmente as trans, essas trans assassinadas brutalmente.

 

Dan: Verdade.

 

Samir: eu fico horrorizado. Então, eu queria que todo gay tivesse esse sensor aranha…

 

Dan: Pressentir o perigo…

 

Samir: Quando tivesse um homofóbico chegando perto, querida, aqui, oh, já ia começar a apitar e a pessoa ia ter tempo de escapar da situação. A gente não teria lampadada na cara, não teria travesti morta e carregada no carrinho de pedreiro. Sabe, que as pessoas… Porque muitas delas são mortas numa situação que elas não tinham nem como reagir. São pegas completamente de surpresa. E eu gostaria que a gente tivesse essa capacidade de poder fugir dessas adversidades, desses perigos fatais que chegam até a gente e a gente não tem nem tempo de reagir.

 

Sidney: Ai,… Ótimo!

 

Dan: Ótimo! Ótimo super poder.

 

Samir: Gostaram do super poder?

 

Sidney: Olha, eu acho que se a gente for juntando os super poderes que cada um já botou aqui, a gente faz um super LGBT, assim, maravilhoso. Porque cada u traz um diferente.

 

Samir: Capitão LGBT. Imagina! (risos)

 

Dan: Terra!

 

Samir: Terra! Fogo!

 

Dan: Ar! Coração!

 

Sidney: Vai ser ótimo.

 

Dan: Enfim, fica o meu muitíssimo obrigado. Adorei o programa. Eu poderia ficar aqui horas gravando, mas…

 

Samir: ah, me diverti! Gostei! Adoro gravar podcast.

 

Sidney: Maravilhoso. Foi maravilhoso.

 

Samir: Vou fazer um…

 

Sidney: Vai o quê?

 

Samir: vou fazer um podcast, um dia. Adorei gravar. (risos)

 

Sidney: Ah, sim! Eu recomendo, viu. Eu acho que vai dar certo. Eu acho que tem potencial, Samir.

 

Samir: Tem potencial, né?

 

Sidney: Tem. Eu acho…

 

Samir: vou começar a acionar meus contatos, meus contatinhos…

 

Dan: A minha história com podcast é assim, eu comecei a ouvir tem um ano só, também. Eu ouvi três meses, falei, nossa, que coisa legal! Quero um! Quero pra mim, vou fazer um.

 

Samir: É. Eu acho que lá fora já tá bem disseminado, mais que aqui. Eu acho que aqui, um dia, ainda chega.

 

Sidney: Esperamos.

 

Samir: Ainda fica bem popular como é lá fora.

 

Dan: Sim, sim. Então, querido, fica meu tchau pra você. Dá um tchau pro ouvinte, faz um jabá…

 

Sidney: Você quer dar um serviço aí, Samir? Se alguém não conhece, onde é que te encontra…

 

Samir: claro! Você acha que eu vim aqui pra isso? Você acha que eu vim aqui pra ficar falando de viado? Eu vim é pra me divulgar, me enaltecer e ficar cada vez mais rica e poderosa. (risos)

 

Sidney: Exatamente. Pra chegar cada vez mais longe.

 

Samir: Não, gente… É… Não, imagina, brincando. Você ouvinte que tá aí, ouçam a gente, Um Milkshake Chamado Wanda, outro podcast pra você aumentar o seu rol de podcasts e ter mais coisa pra ouvir. Toda quinta-feira à 1h17, nopapelpop.com/podcast; tá lá, eu, Phelipe Cruz e Marina santa Helena discutindo coisas da vida, discutindo Ariana Grande, grande talento ou vagabunda não sei o quê?

 

Sidney: (rindo) Ai, que absurdo!

 

Samir: É piada, tá? Gente, amo Ariana Grande.

 

Sidney: Grande Ariana!

 

Samir: É porque tavam chamando ela de vagabunda por alguma coisa, na época. E a gente falou, “Ariana Grande, grande talento ou vagabunda…”?” então, ouçam a gente, toda quinta-feira, à 1h17, nesse link. E muito obrigado. Adorei. Minhas redes, samsworld em qualquer rede social. Tô lá dando pinta. E tiver dúvidas sobre LGBT, pode falar, “Samir, como eu faço para…” sei lá o quê? A gente ajuda (risos). A gente dá um jeito.

 

Sidney: Samir ajuda.

 

Samir: E adorei participar. Tô super feliz.

 

Sidney: Ah, foi uma honra.

 

Dan: Manda um beijo para o Phelipe e pra Marina, porque a gente fica ouvindo podcast, a gente se sente a íntima das pessoas.

 

Sidney: Sim, exatamente.

 

Samir: Muito! Lembra aquele meme?  Aquele meme que alguém fez e acho que umas cem pessoas me mandaram, tipo, “como eu me sinto ouvindo podcast”. (risos) Que é uma menininha sentada, assim, do lado do banner, rindo que umas pessoas tão rindo…

 

Sidney: Sim!! Eu vi! Eu vi esse meme! Ai, é maravilhoso, que é na foto, né, assim, ela conversando… (risos)

 

Samir: Uma foto das pessoas rindo e ela do lado, tipo, “ahahahahah”…

 

Sidney: Ai, é ótimo

 

Samir: Se sentindo da turma. Exatamente. É isso, a melhor definição de podcast.

 

Sidney: É mesmo. Eu concordo. Então, vamos todos dar tchau?

 

Dan: Vamos lá. Um, dois, três e…

 

Samir: Parei meu episódio de RuPaul no meio, vou terminar agora.(Dan ri)Olha lá, gente!

 

Sidney: Vamos lá. Tchau, tchau, pessoal!

 

Dan: Tchau, tchau!

 

Samir: Beijo, gente! (ele faz som de beijo)

 

Dan: Beijo.

 

Samir: Beijo, tchau!

 

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

 

Dan: Menino, que programa maravilhoso de gravar. E engraçado, né. Como o Samir também.

 

Sidney: Engraçado. Samir é gente boa, leonino, né. Como bom leonino, chama a atenção. E foi ótimo, engraçado, divertido, e também tem o tom informativo. E vão ouvir lá o Milkshake, quem não escuta ainda, né. Que eu acho que são poucos que escutam a gente que não devem escutar o Um Milkshake Chamado Wanda. Encontra ele lá, que é um podcast ótimo de cultura pop. Cultura pop viada.

 

Dan: Bem viada! Gente, vamos às indicações. Hoje…

 

Sidney: Pera aí, Dan! Espera! Espera! Eu tô sabendo que quem vai indicar hoje é você. (risos) Porque eu tô cansada, exausta de ficar indicando e você não faz nada! Não indica nada.

 

Dan: Ah! (ele ri) Olha o shade!

 

Sidney: Mentira, ele passou quinze programas indicando. (risos) Eu indiquei as duas últimas vezes, e tô aqui falando.

 

Dan: Então, pessoal. O livro que eu vou indicar hoje, ele é do David Levithan, ele é um autor americano, e ele escreve vários livros mais de literatura infanto-juvenil mesmo. E é um livro super fofinho, teen mesmo, sabe. Mas eu li e super me diverti porque eu fiquei imaginando aqueles cenários que quando…

 

Sidney: Qual é o nome do livro, Dan?

 

Dan: O livro chama “Garoto encontra garoto”.

 

Sidney: Sim.

 

Dan: E aí, eu fico imaginando aqueles cenários que quando a gente sempre vê aquelas histórias padrões americanas, do jogador de futebol americano que é famoso na escola…

 

Sidney: Aqueles filmes de Sessão da Tarde…

 

Dan: Isso! A cara da Sessão da Tarde. Só que até fazendo um link com nosso último programa, que foi o HQ de Bolso #05 sobre Heteronormatividade, é tudo heteronormativo. Agora, imaginemos que tem essa mesma história que todo mundo já conhece, nesse mesmo formato, só que, por exemplo, o jog…

 

Sidney: Quarterback.

 

Dan: O Quarterback, ele, na verdade, no início, o autor apresenta como sendo uma Drag Queen. E só uma única crítica que eu faço ao livro seria essa, que ao final fica parecendo… Ele coloca ela como sendo transexual. E tem o personagem principal, que é o Paul, que é gay, e que a família aceita.

 

Sidney: E a questão do livro não é ser LGBT. A questão do livro são as relações entre esses adolescentes na escola, só que num ambiente que não é LGBTfóbico.

 

Dan: Não é LGBTfóbico. Tem Drag, tem trans, tem lésbica, tem bissexuais. Tem de tudo e tudo convivendo ali naturalmente. E assim, aprece que o preconceito que seria combatido, se houvesse preconceito naquele ambiente.

 

Sidney: E é bom porque ele trata de maneira leve, e é bom pras ouvintes, pras gays novinhas se descobrir e tratar com naturalidade também, que é como deve ser.

 

Dan: Sim. E às vezes, quem tem, por exemplo, um sobrinho que é novinho e quer ler, que passe uma mensagem pra ele, uma literatura tranquila, leve, fala sobre as descobertas da sexualidade, mas de uma forma apropriada pra a idade.

 

Sidney: E não é só pra pré-adolescentes e adolescentes LGBT. É pra todo mundo. Pra quem tá se descobrindo na vida… Na vida, né. De modo geral. Pra descobrir que existem formas de afetividade diferentes e pra aprender a conviver com a diferença e a convivência.

 

Dan: É isso. Então, temos a indicação que é “Garoto encontra garoto”, do David Levithan. Então, vamos para as redes sociais. E aí, Sid, como que as pessoas podem nos achar nesse mundo?

 

Sidney: Tá cada vez mais fácil. Agora a gente tem o site, né, como a gente falou na edição anterior, o site está lá. Você encontra a gente no WWW.hqdavida.com.br; o nosso Sound Cloud continua, soundcloud.com/hqdavida; nós temos a nossa página no Facebook, que é “HQ da Vida” lá. NO Twitter, a gente tá no @hqdavida; a gente tem o Youtube também, nosso canal, os nossos podcasts são publicados lá também, você procura no Youtube por “HQ da Vida Podcast”. A gente também tá no Medium, onde a gente publica as transcrições, que também são publicadas no site, lá no Medium você nos encontra no @hqdavida; sempre lembrando, muito importante, pedir pra você que tem conta no iTunes avaliar a gente lá no iTunes pra a gente ganhar muitos milkshakes nessa podosfera de meu deus. Estrela a gente lá, gente. Nunca te pedi nada! Né isso, Dan?

 

Dan: Então, é isso, gente! Tchau, tchau!

 

Sidney: Xero, pessoal, até o próximo HQ!

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s