Transcrição – HQ de Bolso #07 Gerações LGBTs

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Transcrição – HQ de Bolso #07 Gerações LGBTs

 

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dann: Olá, ouvinte. Aqui é Dann Carreiro!

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade e esse é o HQ de bolso número 07.

 

Dann: O HQ de Bolso tem a intenção de provocar discussões iniciais sobre temas que abrangem as vivências Queer. A gente quer começar o assunto para que você possa ter um ponto de partida com o qual poderá buscar mais informações. Queremos iniciar conversas importantes que precisam ser debatidas sempre mais a fundo. Lembrando, pessoal, que aqui é só o começo.

 

Sidney: Isso mesmo. E o tema de hoje são as gerações LGBTs. O que mudou pra a galera da sigla depois da internet e de tanta informação à disposição das pessoas? Será que tá mais fácil sair do armário a cada geração?

 

Dann: Não sei. Vamos tentar esboçar alguma coisa sobre isso. Mas, lembrando, isso é um HQ de Bolso, ok? E antes de começarmos o programa, Sidney vai mandar um recadinho para os nossos ouvintes.

 

Sidney: Vamos lá. Um beijinho pra quem comentou lá no Sound Cloud, que foi o Lauro Tozetto e o Maycon Silveira, beijinhos pra eles que deixaram comentários lá. E um beijinho também para a Sofia, que comentou lá no nosso site e deixou uma indicação de podcast que também faz igual o Wanda e o SAD no Ar, que é o podcast Os Filhos da Grávida de Taubaté. Esse podcast é muito interessante, eu comecei a ouvir e é muito legal mesmo. Obrigado, Sofia, pela indicação.

 

Dann: E quais são as participações do HQ da Vida na podosfera?

 

Sidney: A gente tá pulando de galho em galho nessa podosfera de meu deus. Eu vou mencionar aqui os programas, e os links vão estar no post, tá, galera? Pra vocês ouvirem nossas vozes em outros lugares. Em primeiro lugar, eu realizei meu sonho de princesa podcastal e fui gravar lá com o pessoal do SAD no Ar, gravei o episódio 59 com eles, está lá minha participação linda e maravilhosa. Eu fui host do É Pau É Pedra número 27 sobre Saúde Mental. O É Pau É Pedra é um podcast que é produzido pelos patrões do Anticast, que é outro podcast bom que a gente recomenda, inclusive. Eles têm um podcast que é só dos patrões, que eles fazem colaborativamente, e eu fui host desse sobre Saúde Mental, a gente indica pra você, que o assunto é importante. E no mesmo feed do É Pau É Pedra tem vários outros spin-offs, tem o Jah, e esse Jah eu gravei dois. O primeiro foi sobre os 20 anos da saga Harry Potter, tá lá no feed também, tá o link. E também gravamos sobre… Com minha participação, sobre o documentário Laerte-se, da Netflix, sobre a vida da cartunista Laerte. E por fim, também no mesmo feed do É Pau É Pedra, tem o podcast… Um Clube do Livro que eles fazem lá na Cracóvia, e a gente gravou, eu e Danilo… Danilo participou também dessa vez, pra falar do livro A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, um livro muito importante e muito bom de ser lido. Também vai lá e escuta a gente lá, também.Ok?

 

Dann: É isso aí. E seguindo para a pauta, o que vamos começar aí falando, Sidney?

 

Sidney: Então, já que o tema é gerações, Danilo, a gente vai, primeiramente, começar definindo e delimitando as categorias geracionais que foram criadas pela publicidade contemporaneamente. Existem quatro categorias, são palavras que a gente escuta falar muito, mas que a gente não sabe muito bem do que se trata. São as famigeradas gerações de pessoas.

 

Dann: Pensando nessas gerações, vamos estabelecer pelo menos datas pra vocês se encontrarem e saber até de qual geração você é e revelar as características que são inerentes a essas gerações. Primeiramente, nós temos os Baby Boomers, que são de 1945 a 1964. Então, esse é um tempo imediatamente logo após guerra. Temos a geração X, de 1965 a 1979. Temos a geração Y, que é de 1980 a 1994. Eu, por exemplo, sou geração Y, juntamente com o Sidney. Temos a geração Z, que é a atual, a partir de 1995. Esse é o marco que nós temos dessa geração e isso pode variar um pouco de nacionalidade, devido aos avanços tecnológicos, existem certas pequenas variações entre certos grupos. Vamos falar, primeiramente, dos mais novinhos, vamos começar pela geração Z.

 

Sidney: Geração Z é das novinhas, a gente pode… Como você falou, a gente se encaixa na geração Y, que são também os chamados milenials, que a gente vê muito também esse termo, que é relacionado à geração Y, que é o pessoal que tá com 30 anos hoje em dia. Tem a geração X, que são os quarentões, quase cinquentões já. E os Baby Boomers é o pessoal que lá nasceu depois do contexto da primeira guerra mundial {sic}e o nome faz referência a isso, depois do boom de bebês que teve depois da segunda guerra mundial. Mas aí, vamos pela geração Z, menino, hoje em dia, que é essa geração toda ouriçada, não é, Danilo? Tem uma pesquisa aí que aponta para um dado interessante que a gente pode ter esperança na humanidade, por causa da geração Z. Qual é?

 

Dann: Pois é, olha só, jovens que estão na faixa dos 13 aos 20 anos, ou seja, a geração Z, 52% deles afirmam serem bissexuais ou, em algum grau, homossexuais, e também eles são bem animadores no que se diz respeito a questões de orientações sexuais e noções de gênero normativas. Foi uma pesquisa que foi feita pela Thompson Inovation Group. E aí, foi verificado essa percepção na sexualidade desses jovens.

 

Sidney: É engraçado, essa percepção que é… Assim, a chamada é, 50% dos Zs, da geração Z, já não se taxa categoricamente como heterossexual. Que é um dado impressionante da gente ver que metade dessa população já não está preocupada em se taxar de heterossexual ou corresponder às expectativas da famigerada heteronormatividade, que a gente falou no HQ da Vida passado.

 

Dann: Isso, e assim, é um estudo que inclui dados quantitativos e afirmações desses jovens, foi usada aquela famigerada escala Kinsey, vocês já ouviram falar. Existem as críticas sobre a escala Kinsey, mas não iremos discutir aqui sobre isso. Mas também tiveram outras perguntas também relacionado a questão da aceitação do movimento Queer como um todo. Então, percebe-se que, entre esses jovens, isso é muito mais aceito do que entre outras gerações. À medida que a gente vai passando as gerações que a gente vai falar, a gente vai perceber que esses percentuais vão caindo e se diminuindo. Inclusive, por exemplo, Sid, na mesma pesquisa, esses jovens preferem usar mais termos neutros no que diz a língua inglesa, que usam, por exemplo, “they” e o “them” para se referir, ao invés de ficar usando ou “He” ou “She”. E existe essa peculiaridade aí que, inclusive, é da língua inglesa, mas a gente pode trazer pra a nossa realidade, e a gente vê muito a gente brincando aí, sobretudo na linguagem da internet, “menines”. Inclusive, pega esse gancho que a gente vai falar aqui, de termos de linguagens neutras, e dê só uma clareada numa notícia que você compartilhou do Medium de alguém aí, no HQ da Vida, esses dias…

 

Sidney: Ah, foi! Lá na página a gente compartilhou um texto que é ensinando você a neutralizar a linguagem em língua portuguesa, sem usar o X e os @s, que são inacessíveis pra quem usa leitores de tela, como eu, gente. Eu não enxergo, eu uso computador a partir de leitores de tela, e essa linguagem é… Ela exclui porque ela atrapalha a leitura dos leitores de tela, porque não são vogais, entendeu, e atrapalha o fluxo da linguagem. E aí, tem toda uma problemática sobre quão eficaz é esse tipo de neutralização. E a gente vê que os esforços podem ser maiores do que isso, pra você neutralizar o gênero sem excluir as pessoas com deficiência visual da discussão também, que não vão conseguir ler um texto cheio de arrobas no meio. A gente vai linkar o texto aqui nesse HQ também, pra vocês lerem também.

 

Dann: Vale a pena ter citado isso pra a gente poder linkar que é possível neutralizar e também possível criar acessibilidade. Não precisa ter briga, nem treta e nem textões na internet.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: Isso, nessa geração Y, temos que esclarecer que existem diferenças entre homens e mulheres. Então, vamos esclarecer alguns pontos, e vocês talvez tenham percebido isso aí na sua realidade. Nessa pesquisa fala, por exemplo, 25,2% dos homens se declaram homossexuais, ao passo que… Isso eu tô falando de gênero, né, gente. Ao passo que, entre as mulheres, apenas 16,1% são homossexuais. Quando falamos de bissexualidade, 8,6% dos homens se dizem bissexuais, ao passo que, entre as mulheres, esse número já é um pouco maior, por exemplo, a gente tem aqui 11,8% das mulheres se declaram bissexuais. E aí, Sidney, tem uma questão do casamento. Esclareça aí para o nosso ouvinte. O que o casamento faz com esse povo aí, na cabecinha deles.

 

Sidney: Interessante que essa pesquisa aí com os Milenials, a geração Y, a gente percebe que tem um dado interessante que é, os milenials que casaram mais cedo tendem a ter posições mais conservadoras do que os milenials que não se casaram ou que casaram mais tarde. É um dado interessante que aponta para… Inclusive, a gente tá remetendo de novo ao podcast sobre heteronormatividade que a gente fez, a gente vai linkar aí também. Que é, a partir do momento que você entra nessa lógica do privilégio do casamento, inclusive… Que a gente pode encarar como privilégio da heteronormatividade, você acaba deixando de se abrir mais para a tolerância e para o acolhimento à diversidade. Esse dado é um pouco indicativo disso. Além do geracional, da idade, os milenials já toleram menos a diversidade do que os da geração Z. Além de tudo, aqueles que entram mais cedo na lógica heteronormativa tendem a tolerar ainda menos.

 

Dann: E vamos pensar no lado prático da vida. Imagina que tem algum amigo que é friendly do meio LGBT, mas a partir do momento que ele casa, ou sobretudo quando ele tem filho, esse termo “friendly” vai morrendo, e existe um distanciamento, até uma questão de proteção contra a prole. Então, triste, mas é verdade. Essa geração Y é uma geração mais evoluída, mas nem tanto quanto temos na geração Z.

 

Sidney: Pelo menos, é o que aponta a pesquisa. Vale ressaltar isso, que as pesquisas apontam assim, mas a gente pode perceber que, na vivência prática, nos casos individuais, talvez isso a gente não observe individualmente, mas é a sensação geral que se tem a partir das pesquisas que são feitas.

 

Dann: Fazer um disclaimer aqui, no caso, como eu sou estatístico, a gente teria que entrar em aspectos metodológicos, saber amostragem, saber se foi feito certinho esses critérios, mas não falemos sobre isso. Porque isso aqui, lembrando, é um HQ de Bolso.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Sidney: Então, assim, Danilo, pegando essa progressão. Ou, pelo menos, aparente progressão, a gente vai entender duas coisas. Que a geração X, os quarentões, obviamente, são os pais dos milenials às vezes, hoje em dia… Ou um pouco menos. A gente percebe que eles tendem, enquanto geração, enquanto grupo, a gente tá falando de grupos, generalizando. Não estamos falando de casos individuais. Eles tendem a tolerar menos. E os Baby Boomers, lá da década de 50, 60, eles tendem a tolerar um pouco menos, isso na generalização. E se a gente aplicar essa progressão, a gente vai gostar de imaginar que a geração pós geração Z, os filhos dos Zs, hoje em dia, talvez vivam num mundo mais tolerante ou mais aberto para a diferença do que a gente vive hoje. Ou, pelo menos, é isso que se espera. E a gente percebe essa progressão, inclusive, numa matéria que a gente trouxe aqui, são três homens gays de três gerações diferentes da mesma família, que eles contam as suas experiências de vida ao longo… E comparando as diferentes experiências que eles tiveram com o fato de serem LGBTs em épocas diferentes. Né, Danilo?

 

Dann: Isso. Então, nós já falamos da Z, nós já falamos da Y. E agora a gente vai chegar no X, que são as pessoas que são os filhos dos Baby Boomers. Essa é uma reportagem que tem relatos de três gerações, explicando como que era o contexto de cada um. E o porquê que cada um se escondeu dentro do armário. Então, nós vamos ler, por exemplo, o relato do Federico. O Federico é de 1977. Sendo de 1977, ele tinha 17 anos na época, então ele nasceu em 1960. Ele se enquadra como um Baby Boomer, na verdade. Então, ele diz assim…

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: “Minha mãe foi me denunciar à policia, porque havia fugido de casa e porque era viado. O ano era 77 e ele seria enquadrado na lei de desocupantes e meliantes. Quatro décadas depois, essa mesma pessoa, ele se dedica a ajudar os mais velhos”. Ou seja, esses idosos que foram que foram repudiados por suas famílias, eles se veem obrigados a esconder a sua homossexualidade. Até mesmo, esses idosos, se querem entrar em um asilo, eles têm que esconder que são homossexuais. E outros chegam até à velhice sem, de fato, confessá-los. E aí, Federico fala que ele sabe bem muito isso, porque ele passou anos em silêncio. Ele diz que tentou ser padre pra poder esconder, fugir dessa heteronormatividade e desviar um pouco pelo celibato. Pendurou a batina, casou, teve uma filha no casamento, fez terapia. E um dia, sua filha chega e pergunta a ele se ele era gay, e aí ele disse que queimou o armário de fato. E aí, ele fala assim, o que essa lei conseguiu fazer foi que você não precisasse de nenhum policial ao seu lado pra você ter medo, porque isso já tava incorporado. E a própria pessoa já se reprimia pelo medo de existir uma política institucional, estrutural ali, que jogava todos dentro do armário.

 

Sidney: Por esse relato a gente percebe a diferença das experiências dos LGBTS das décadas anteriores para os de agora. Inclusive, os LGBTs de mais idade, hoje em dia, é que estão encontrando coragem e um ambiente propício para, inclusive, saírem desses armários. Então, eles têm, inclusive, vidas inteiras vividas dentro do armário. Imagina você sair do armário com 50 anos de idade. Passar essa vida inteira tendo família, tendo filhos e cumprindo um papel que não lhe é confortável, quão difícil deve ser essa sensação. E hoje em dia a gente vê que a gente tá queimando, como ele falou, os armários cada vez mais cedo. Eu, por exemplo, saí do armário com 20 anos. Eu sou um milenial, e mesmo assim ainda, se a gente for parar pra comparar com o pessoal da geração Z, que já tá neutralizando o gênero na sua linguagem porque acha que isso já tá caído, essa diferenciação, pra eles, a gente saiu do armário tarde. Eu, com 20 anos, muito tarde, entendeu. Hoje em dia, você tem crianças viadas poderosíssimas no Youtube, dançando e dando pinta.

 

Dann: você falando nisso de gerações, é interessante a gente fazer esse recorte mesmo. Eu, por exemplo, vivia no meio artístico desde novinho, passei a adolescência ali naquele meio artístico, eu saí do armário mais cedo, mas porque o armário nem existia mais. Na verdade, todo mundo tava esperando só eu falar mesmo, porque tinham gays ali também que conviviam comigo, e tavam só respeitando meu momento de sair à vontade do armário.

 

Sidney: E é bom você falar isso porque a gente tá falando… De novo, a gente tá falando de generalizações. É claro que o contexto específico de cada vivência vai determinar as particularidades de cada vida. Cada vida LGBT. A gente tá fazendo generalizações pra observar o comportamento, a evolução do comportamento.

 

Dann: Eu sinto, por exemplo, que eu saí do armário muito novinho, mas não saí completo porque, na verdade, eu não tinha saído na escola, por exemplo. Então, saía, mas não era tão claro. Então, essa época é até meio difusa, porque eu sinto que eu era meio livre, mas era porque eu tinha muitos amigos eu vivia o dia inteiro no balé, e era mais tranquilo. Só que eu fico pensando, essas mesmas pessoas que eram todas liberais… Não tô falando todas, amigo, se você tiver ouvindo o podcast, se você for meu amigo dessa época… Mas existem algumas hoje, por exemplo, que não entendem essas questões de identidade de gênero. Olha que legal, assim, em termos de contexto, é… Porque legal não é transfobia. Eu quero dizer o seguinte, essas mesmas pessoas que eram todas friendly… Só que elas eram gay friendly, elas não eram LGBT friendly. Então, hoje eu percebo muitos que me receberam, me abraçaram, ainda não têm o tato com a questão, por exemplo, de identidade de gênero. Então, eu fico pensando assim, evoluiu, mas evoluiu até onde, sabe? Eu acho que existem, talvez, os impasses e a gente vê algumas pessoas de várias gerações costurando vários conceitos e vão acompanhando, entendeu. Essa geração Y tem que tomar cuidado pra não ficar parada também no tempo.

 

Sidney: E não voltar no tempo, que a gente percebe também que é um perigo que se corre. A gente tá falando de progressão aqui, como se a história fosse linear. Mas a história não é linear de jeito nenhum. E se a gente não atentar, e não continuar empurrando pra frente, a gente volta mesmo. Inclusive, essa onda conservadora tá aí pra nos provar isso. Conservadora no sentido de negar existências que já estão sendo aceitas, não é conservadora politicamente, eu não to falando disso. Embora seja isso também, olha a alfinetada (risos). Mas eu tô falando de conservadora no sentido de, assim, existem vivências e vidas que diferem desse padrão e essas vidas já estavam abrindo os caminhos. E tem gente querendo voltar a fechá-los, como se uma volta ao passado fosse necessária. Esse passado de opressão.

 

Dann: Sidney falou aí que a história não é linear, e a gente não pode ver sempre como estamos evoluindo, evoluindo, evoluindo… Inclusive, até a gente tá falando aqui das gerações, a gente tá deixando até entender que uma geração é mais evoluída que a outra, não entendam isso, por favor. E que a história se repete. Eu só vou clarear uma situação, que vocês vão ficar assustados. Quem é geração Y e quem é geração Z abra o Youtube e digita “The hunting season”, com a Rita Moreira, que vocês vão ver um documentário pequenininho, de 20 minutos, no ano de 88, que inclusive é o ano que eu nasci, que falava sobre… Tava tendo uma onda de assassinatos em São Paulo. Inclusive, tinha morrido um teatrólogo, à época. Perguntava às pessoas na rua, “O que você acha de matar gays?” Aí, a pessoa, assim, “Uai, viado, tem que matar”. Numa naturalidade que eu me espanto de ver. E a gente vê que o mundo não mudou tanto assim quanto a gente pensa. Eu acho que quanto mais se libera, mais vem uma onda conservadora.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Sidney: Aí, agora, Danilo, eu queria que a gente pensasse o que é que tá contribuindo pra que a gente possa entender essa maior abertura pra essas novas gerações. Tem uma parte do relato aí dessas três gerações, dessa matéria que vai tá linkada, se quiser ler, que eles falam da representatividade. O que a gente acha que é baboseira de discurso de internet, mas é muito importante. Se você não se vê representado, você não vê apoio para validar aquilo que você é. E se você não tem validação, você tende a se retrair. Então, o que a gente percebe, hoje em dia, é que a internet, os meios de comunicação, elas dão esse espaço de validação e de representatividade muito maior do que os meios de comunicação anteriormente dados. Esse é um dos fatores. É claro que a internet não é só flores. Mas a gente não vai tratar, aqui, do fator ruim. A gente pode fazer outro HQ de Bolso sobre o prejuízo das discussões de internet hoje em dia. Mas a gente tá focando nisso aqui, que é a representatividade que dá aos sujeitos, hoje em dia, o benefício de se verem representados em pessoas que, de outra forma, não estariam sendo representativas midiaticamente.  A internet dá essa oportunidade.

 

Dann: É, e a gente tem que pensar que, por exemplo, o pensamento brasileiro foi moldado sob a luz da ditadura. E assim, os ditadores, quando eles assumiram o poder, foi tudo em nome da moral, dos bons costumes, da família brasileira… São esses valores que eram tão colocados, assim, preciosos à época e, por isso, era uma justificativa de se manter no poder. Existiam muitas cartas que eram enviadas, por exemplo, sobre a censura na televisão, para poder manter a moral da família tradicional brasileira, à época. Então, a gente percebe que, mesmo   a ditadura limitando em grande número e censurando a produção, o aparecimento de gays, de travestis na televisão… Existem até cenas, personagens históricos aí…

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Sidney: E, dito isso, o que a gente tem na internet? A gente tem Youtube, Facebook, a gente tem podcast. Nesses ambientes tem gente de tudo que é jeito fazendo. E as pessoas podem encontrar nelas aspectos com que se identificar. Então, hoje em dia, pra você ver uma Drag Queen, por exemplo, você não tem que ir num lugar muito obscuro da cidade porque elas estavam marginalizadas. Hoje em dia, você pode ir lá no canal da Lorelay Fox e ver uma Drag se montando e ensinando, inclusive, maquiagem. Hoje em dia, tem canais LGBTs e tem pessoas falando das suas vivências LGBTs abertamente, provando que vivências LGBTs felizes são possíveis. E dando para esses outros LGBTs que as escutam esperança, sobretudo. E mostrando pra eles que existir é possível. E isso dá, inclusive… empodera as pessoas mais um pouco, porque elas estão ali vendo pelo exemplo.

 

Dann: Isso a gente pode ver, por exemplo, tem a Drag Queen Pabllo Vittar, que o hit “Todo Dia” foi o Carnaval de 2017. Temos RuPaul, que tem um reality que é famosíssimo e as bichas do Brasil adoram. Tem o rapper que é Rico Dalasan, que ele quebra conceitos e abre espaço para rappers gays no Brasil. Na MPB, temos a maravilhosa da Liniker, que arrepia com suas músicas originais. Tem o Johnny Hooker, que não decepciona quando o assunto é sofrência. E é claro, temos quem? Daniela Mercury, que não deixa o Axé de fora dessa seleção. E é isso, né, Sidney?

 

Sidney: é, a gente vai deixar na postagem uma lista de Youtubers LGBTs que tão abrindo espaço e mudando um pouco esse cenário na internet, e são canais muito acessados. E isso é um indício de que essas gerações novas, que são os Zs, que são os nativos digitais, já encontram lugares seguros na internet para serem quem são, ou mesmo para aprender que ser diferente é normal e é tudo bem. Pra todo mundo conviver bem, em harmonia com a diferença dos outros. Sem negar a diferença dos outros. Não é?

 

Dann: como o Sidney já disse, já deu o recado aí, lembre-se, você, que a geração Z, quando vê outras pessoas de outra geração um pouco a mais que a sua, tenha só uma empatia de pensar como era o contexto que foi gerada. Pensa só no contexto que essa pessoa viveu. Porque a estrutura, ás vezes, poderia ser opressora. Eu, por exemplo, que era geração Y, quando era bem novinho, queria saber o que era gay, se eu era gay e alguma coisa assim do tipo, eu tive que olhar numa enciclopédia. E a enciclopédia não é tão friendly assim, igual à internet, hoje vocês têm. Agora, vá lá pra a geração X, pra a geração Baby Boomer, vai ser bem pior o contexto deles. Mas é isso. E Sidney, como que as pessoas podem entrar em contato conosco?

 

Sidney: Então, gente, a gente falou, falou aqui. Se você é de qualquer uma dessas gerações aqui e quer dar o seu pitaco, e dar sua opinião, inclusive contar sua experiência de vida, até com a causa, você pode entrar em contato conosco, a gente tá aberto a opiniões e a histórias de vida. Você encontra a gente no WWW.hqdavida.com.br; pode comentar lá no site, você pode comentar lá na postagem ou enviar para a gente uma mensagem através do nosso formulário de contato no site. Você também pode nos enviar um email para hqdavida@gmail.com; Segue a gente no Facebook, facebook.com/hqdavida; ou no Twitter, @hqdavida; A gente tem o Medium, que é @hqdavida lá no Medium. Assina o nosso canal no Youtube, você procura lá por “HQ da Vida Podcast”. E por fim, o mais importante, pra ver se a gente faz sucesso nessa geração nova de iTuners, você vai lá no iTunes e dá 5 estrelinhas pra a gente. Pelo amor de deus, gente, não custa nada, é de graça, tá bom? Pra a gente brilhar muito através das gerações podcastais.

 

Dann: É isso aí. Lembrando que todos os links que a gente tá falando aqui estarão, mas eles constarão apenas no site, não consta no feed do seu agregador, apenas por questões para não ficar um textão no seu agregador. Mas pode visitar nosso site, que todos os links estarão na postagem. Ok? Agora é hora de dar tchau!Tchau, tchau, pessoal!

 

Sidney: Xero, gente, até o próximo HQ. Tchau.

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade

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