Transcrição – HQ da Vida #17 LGBTTs: A Tempestade Leandrinha Du Art

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Transcrição – HQ da Vida #17 LGBTTs: A Tempestade Leandrinha Du Art

 

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dann: Olá, ouvinte. Aqui é Dann Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade. E esse é o HQ da Vida número 17.

 

Dann: Então, pessoal, o HQ da Vida é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo contar histórias de super LGBTs. Né, Sidney?

 

Sidney: Isso mesmo. Sim, senhor. Já, já a gente vai falar com quem a gente vai conversar hoje. Mas antes, vem vinheta!

 

(Vinheta: Trecho de música, entre o batidão e sons de beijos, Mc Xuxú canta “Um beijo pra quem é DJ, um beijo pra quem é Mc, um beijo pra quem é do bem, um beijo pras travesti!”. A voz de Pabllo Vittar finaliza “Eu não vou perder meu tempo lendo hater”)

 

Dann: Então, pessoal, vamos mandar beijinhos para os nossos queridos patrões. Lá no Patreon nós temos Fernanda Cary, Deivisson Hoffmann, Guilherme Piaça, Carla Gonçalves e Wagner Coutinho. Nossa, olha a ênfase no Wagner Coutinho, gente! (risos)

 

Sidney: Sempre esse nepotismo.

 

Dann: E no Padrim nós temos Julian Vargas, Érika Ribeiro, Ligia Lila, que gravou com a gente o HTreta; e Luciano Loureiro. Né, Sid?

 

Sidney: Menino, vários patrões e patroas novos. Olha, já, já o chicote está cantando aqui nas nossas costas. Além dos nossos padrinhos queridíssimos, também vamos mandar beijinhos pra quem interage com a gente lá nas redes sociais e no site. Em primeiro lugar, eu acho que já vai virar beijo fixo (risos), é pro Rodrigo Cornélio, que tá sempre comentando, os comentários dele são muito carinhosos, ele é do podcast Entre Fraldas, que é um podcast sobre paternidade, gente. Criação de filhos. Vai escutar, que é muito legal o podcast deles lá também. Mandar um beijo pra a Dara. Sabe quem é a Dara? Ela chegou pra a gente e falou que está usando o HQ da Vida como material de pesquisa sobre diversidade. Tu acredita, Dan? Estou aqui como? Todo me tremendo, que tem gente me citando em sala de aula agora (risos).

 

Dann: Agora eu tenho que aprender como é a ABNT para podcasts. Vamos estudar…

 

Sidney: É, vamos aprender pra todo mundo que quiser fazer também.

 

Dann: Pois é.

 

Sidney: E beijinhos especiais, beijíssimos especialíssimos para quem? Pra Ligia Lila, que tá aparecendo aqui várias vezes; Pra o Pablo de Assis e pra o Danilo Cursino, queridíssimo; que participaram do HTreta com você, sobre a cura gay. E um beijo especial pro Thiago Corrêa, que é nosso amigo lá da Cracóvia também, que fez a narração lá do depoimento sobre a cura gay em congregações religiosas, que ficou muito legal também a leitura dele. Um beijo pra todo mundo que ajudou a gente aí nessa pauta importante.

 

Dann: Não faríamos sozinhos aquela pauta, que é bem pesada e precisaria de um debate e de pessoas de várias áreas. Então, muitíssimo obrigado pela ajuda.

 

Sidney: E agora, quem vamos chamar, Danilo?

 

Dann: Então, estamos com uma convidada especialíssima, que aceitou esse convite em 20 segundos. Só falou assim, “Bora marcar!” (risos) E não é aquele eterno “bora marcar”. Bora marcar mesmo, meu Whats App é esse…

 

Sidney: Bora marcar, marcou.

 

Dann: Bora marcar, marcou. Então, vocês vão ficar aí agora com a queridíssima, maravilhosíssima Leandrinha Du Art.

 

Sidney: Oba, vamos escutar a história dela, que é maravilhosa.

 

(EFEITO SONORO: APLAUSOS)

 

Leandrinha: Olá, gente. Olá, todo mundo que está ouvindo lindamente. Meu nome é Leandra Du Art, eu tenho 22 anos, sou fotógrafa, sou blogueira, sou presidenta de uma associação voltada pra as pessoas com necessidades especiais aqui em Minas, em Passos, minha cidadezinha, lindamente. Eu acho que, no só, é isso. NO decorrer da conversa, vocês vão me conhecendo mais.

 

Sidney: uhum. Leandra, só pra quem não te conhece saber, qual é a sua deficiência?

 

Leandrinha: Eu tenho Síndrome de Larsen, é uma deficiência congênita, raríssima. Existem pouquíssimos casos no mundo todo. Sou uma peça fora mesmo, né… (risos)

 

Sidney: E, no caso, essa tua deficiência implica em que tipo de desafio?

 

Leandrinha: As principais características da síndrome são as más formações ósseas. E aí, lógico, isso me impede de andar. Então, durante a minha infância toda, eu passei em hospitais, fazendo cirurgias para correção das minhas pernas e meus pés. Na minha infância, eu não calçava sapato. Até então. Vamos supor, só em cirurgia de pés, foram quatro cirurgias. Então, passei minha infância toda operando pra tratar essas más formações. E até que chegou um ponto, como eu disse no vídeo, eu decidi que ia parar de operar, por conta própria mesmo. Eu sempre fui uma criança que tive voz ativa em todo o meu tratamento. Toda cirurgia, eles perguntavam pra mim, “Você quer? Você não quer?” E aí, eu sabia dos riscos. Eu sabia do pós operatório inteiro, eu era uma pessoa bem participativa. Uma criança muito inteligente, muito astuta. E queria saber tudo que acontecia. Então, eu sempre tive grande participação.

 

Dann: Essa participação começou, mais ou menos, com qual idade? Te inserirem no processo. Ou desde que você já fala, conversa, eles já iam sendo didáticos e te explicando como que funcionava os processos?

 

Leandrinha: Então, eu sempre, antes de fazer tratamento, eu sempre fui uma criança muito curiosa. Eu queria saber de tudo, eu queria entender tudo. Desde cedo, eu comecei a ler muito cedo. E escrever também, muito cedo. Eu sempre procurei saber de tudo que estava ao meu redor. Então, nos hospitais não foi diferente. Eu sabia que eu ia passar por cirurgias que seriam dolorosas, que eu teria riscos de não voltar. Tipo, com 6 anos de idade, foi a minha primeira cirurgia, eu tinha a plena consciência da morte, entende, digamos assim. Eu sabia que eu poderia tá ali dentro dessa cirurgia e, 6 anos, eu sabia que eu poderia ter uma parada respiratória dentro do centro cirúrgico e morrer. Então, eu sempre tive essa visão de vida e de morte, sabe, muito cedo. Tudo eu perguntava pros médicos. A minha tia foi quem deu a cara a tapa e saiu da minha cidade e foi pra São Paulo. Ela é profissional da saúde também. Ela também me ajudou a entender mais sobre a minha síndrome, o meu tratamento. E é isso, eu acho que foi tudo conforme as coisas foi acontecendo, eu fui aprendendo muito mais sobre a minha deficiência.

 

Sidney: Uma barra que eu também passo um pouco, por ser uma pessoa com deficiência também, é a questão do apagamento da nossa sexualidade. E aí, você contando a sua história de que você já desde muito pequena convive com a deficiência, tal. Aí, a pergunta que fica é… Essa pergunta a gente também faz pra todo mundo, que é quando foi que deu o estalo, que você começou a se identificar na sua identidade de gênero, e como foi essa intersecção entre você estar tendo que lidar, tão nova, já com esse tipo de situação, que é a sua deficiência, e também estar se descobrindo na sua identidade, que… Enfim, as pessoas, provavelmente, não esperariam de uma pessoa com deficiência, porque… Enfim, a gente não tem nem sexualidade pra os olhos da população.

 

Leandrinha: Sim. Então, vamo lá. É uma longa história. Existe muito esse lance do PCd não ser… Não fazer sexo, ele ser assexuado. Ele não ser desejado. Pessoas não podem tocar nele. Você não vai conseguir atrair olhares de ninguém. Existe muito, mas com muita força, esse estigma. Eu cito em várias entrevistas que me descobrir foi um processo muito lento. Eu era um menino, eu sentia atração por outros meninos. E só isso já foi muito confuso pra mim, porque eu não tinha referências. Eu não tinha, vamos dizer, outros gays pra olhar e falar, “Opa, eu pertenço a esse grupo”. Eu não tive isso. Aquela pessoa pra eu me espelhar, que eu pudesse me identificar e saber quem eu era. Então, isso tudo eu fui descobrindo sozinha. A minha sexualidade começou muito cedo. Porque eu já era uma pessoa… Eu sabia o que eu queria. Eu não sabia direcionar esse meu desejo. Então, minha sexualidade começou muito cedo, e foi graças à minha primeira relação sexual que deu esse start na minha vida pra trazer a pessoa que eu sou hoje. Isso eu não tenho sombra de dúvidas pra dizer isso. Porque eu era um menino muito fragilizado com a minha imagem. Eu tentei esconder o meu corpo. Eu tentei, de todas as formas, apagar a minha deficiência. E aí, de repente, o menino mais lindo do colégio vira pra mim, me cerca no banheiro e fala pra mim, “Olha, eu deixei tantas bocas pra beijar, pra beijar a sua. E você não me quer…”

 

Sidney: Hum! Olha, chamou na xinxa!

 

Leandrinha: E aí, nisso, me deu um start, porque era o menino mais bonito da escola. E eu me achava um lixo, eu me achava um trapo. Eu não me achava capaz de seduzir ele, por exemplo. Ele, eu jamais tentaria, sabe. E eu falo, meu, o menino mais lindo da escola me deseja. Então, por que eu estou me escondendo de mim mesma? Por que eu não encontro beleza em mim? Por que eu não acho minha boca gostosa? Por que eu não acho meu corpo maravilhoso?

 

Sidney: Qual a série?

 

Leandrinha: Eu tava… Olha, gente, quer saber a minha idade… (risos) eu tava, acho que na sexta série. Eu tinha 15 anos.

 

Sidney: Sim, sim.

 

Leandrinha: 15 anos. E foi maravilhoso. A gente ficou dentro do banheiro dessa escola. E eu tenho um conto que eu escrevo isso, um conto erótico lindo.

 

Sidney: Menina! Depois passa o link pra a gente.

 

Leandrinha: Arrasou. E a gente saiu desse lugar. Porque a gente parou de ficar dentro do banheiro, porque já tinha fechado a escola. E a gente saiu desse lugar, foi pra um clube. E dentro do Box adaptado do banheiro eu tive a minha primeira relação. Foi maravilhoso.

 

Sidney: Gente!

 

Leandrinha: sim, foi maravilhoso. A grande maioria das pessoas contam como é traumático, como foi horrível a primeira vez. E a minha, não. A minha foi maravilhosa, muito maravilhosa. Tipo, eu estava certa do que eu estava fazendo. Eu estava certa que meu corpo era aquele, e eu estava certa. E hoje, somos muito amigos, por incrível que pareça. Eu e esse menino, até hoje. Foi com a benção dele que eu lancei o conto maravilhoso. E é lindo o conto, depois eu vou passar pra vocês.

 

Sidney: Passa mesmo.

 

Dann: Ah, eu quero ler.

 

Sidney: Ai, que ótimo.

 

Dann: Gente, que história linda de primeira vez.

 

Sidney: Sim!

 

Dann: Geralmente, os LGBTs em geral têm sempre uma primeira vez meio estranha, meio ruim.

 

Leandrinha: Traumática.

 

Dann: Não tem essa beleza toda. Eu fiquei desenhando aqui na minha cabeça. Meu sonho, um boy chegar pra mim e falar assim. Meu sonho de princesa! (risos)

 

Leandrinha: E foi um cara que me respeitou demais, foi um cara muito incrível mesmo. Muito carinhoso, muito atencioso. Só que era um cara que eu nunca percebi que tinha olhado pra mim de outro jeito. E aparentemente ele era hétero, ele gostava de menininhas. E aí… ele é hétero, né, até hoje.

 

Sidney: Sim.

 

Leandrinha: E ele só se envolvia com meninas, todas as meninas eram loucas nele. E eu falava, “Mano, eu nunca vou chegar perto desse menino”. E ele estudava junto comigo, a gente era amigo, a gente fazia trabalho junto. Mas eu nunca falei nada pra ele. Então, de repente, quando eu resolvo sair da escola, nas vésperas de eu sair da escola, ele me cerca no banheiro e me fala isso. Eu falei, “Oi, tudo bem?” (risos)

 

Sidney: Leandrinha, e você diria, então, já que foi uma experiência tão positiva… E como a gente, inclusive, é ensinado a rejeitar o próprio corpo, quem tem deficiência, porque os nossos corpos não são desejáveis nem por nós mesmos. É essa a mentalidade que nos impõem. E…

 

Leandrinha: Eu acho…  Deixa eu fazer um adendo nessa fala tua. Eu acho que não é que a gente é ensinado a rejeitar o seu corpo. Eu acho que a gente não é ensinado a entender o nosso corpo.

 

Sidney: Isso, também.

 

Leandrinha: Porque eu acho que não é nem questão da rejeição. Rejeição, eu acho que você tem que conhecer pra rejeitar.

 

Sidney: Ah, sim. Realmente.

 

Leandrinha: E no nosso caso, não. A gente é privado de conhecer o nosso corpo. Então, a gente não sabe como é. Não é rejeição, o meu ponto de vista é esse, entende.

 

Sidney: Uhum, faz sentido, faz sentido. Aí, a partir dessa experiência que você teve com esse garoto, me parece… aí, você me conta depois, o que aconteceu depois, que foi quando você começou a se empoderar da sua própria imagem, e começar a transição. E relacionar ela com a sua condição.

 

Leandrinha: Certo. Também foi um passo grande, muito grande, a ser dado, porque eu tinha o quê? 16 anos… 15, 16 anos, nessa época. E nesse tempo todo eu me envolvi com meninos, eu já ficava com meninos, eu tinha uma… Eu era totalmente confiante em mim, tanto que eu passei o rodo naquela escola inteirinha (risos). Aquela, assim, bem puta mesmo, bem puta, bem safada. A louca… (risos) Tipo, mano, eu tinha certeza que eu era diferente das demais pessoas. Eu já era empoderado. Era um menino empoderado. E chega um ponto da minha vida que não dava mais pra segurar todas essas informações pra mim mesma. E eu resolvo contar pra a minha família sobre a minha sexualidade. Contei pra minha mãe. A minha família muito antiga, muito tradicional, são pessoas que vieram de roça. Meus avós… E pra mim, eu tinha na minha cabeça que eles eram muito conservadores. Que aquilo poderia (incompreensível) o resto da vida. Tipo, imagina, porque eu lia na internet e eu ficava sabendo de casos que a mãe botava pra fora de casa, o pai matava, e blá-blá-blá. E isso me assustava muito. Então, imagina, meu, eu era uma pessoa com deficiência, eu vou ser mandada pra fora de casa. Eu vou morrer na rua. E isso me assustou muito durante anos, Sidney e Danilo. Porque assusta. Eu acho que um dos principais medos das pessoas não se assumirem é esse, assusta. O mundo que a gente vive não é preparado pra a gente, ele não é preparado pra nos amar, ele não é preparado pra nos receber. E com 18 anos, maravilhosamente, eu falo, “Mãe, se prepara, mulher, porque eu sou gay”.

 

Sidney: Sim.

 

Leandrinha: E a desgraçada da minha mãe me fala, “Já sabia”. Minha filha, por que você não me avisou, querida? (risos)

 

Sidney: Ah, poderia ter abreviado, né…

 

Leandrinha: Né? Não me avisou. E eu chorei dois litros de baldes de lágrimas, de água. E eu contei pra minha avó, que eram as pessoas que mais importam na minha vida. As duas mulheres da minha vida. São as pessoas que eu mais importava dizer quem eu era. O resto da família tudo ficou sabendo, e foi tudo ao contrário do que eu pensei. Eu fui muito entendida. A minha família já sabia. Eu fui muito compreendida, eu fui muito aceita. E um mês depois, eu volto no espelho e falo, meu, eu me assumi, mas tá faltando alguma coisa. Eu me assumi, mas tá faltando alguma coisa pra eu poder me sentir completa.

 

Sidney: Não tá encaixando direito.

 

Leandrinha: E aí, tem um dia que eu descubro que era mulher, que eu encontro essa peça que faltava. (incompreensível) e não é porque eu me assumi. Eu achava que eu ia me assumir e tava tudo certo, eu ia me sentir completa. E não. Faltou um pedaço. E eu começo a me transicionar, penosamente, com a minha família do meu lado, me dando força pra seguir em frente. E isso foi maravilhoso. Eu tive muita sorte de ter uma família que me Apoia, que me aceita, que me abraça, e que tem muito orgulho de mim. Que vai em evento meu me aplaudir, gritar meu nome lá. Tipo, eu só tenho a agradecer a minha família, de verdade. Eu acho que eles são a base pra que eu pudesse ser a pessoa que eu sou hoje. A minha vó, principalmente, é uma velha que moveu a vida inteira dela pra mim. Ela saiu da casa dela, do conforto da casa dela, de cuidar dos filhos dela, que já estavam todos crescidos. Mas deixou a casa dela, o marido dela, pra ir comigo pra São Paulo fazer tratamento esses anos todos. Então, eu devo a minha vida inteira a essa véia maravilhosa (risos). Eu amo.

 

Sidney: Que maravilhoso!

 

Leandrinha: Sim, e eu tô quase chorando.

 

Sidney: Ah, gente. É ótimo.  É uma história linda de se contar. E eu fico muito contente quando a gente escuta essas histórias com final feliz. Porque a gente já espera tanto o pior da sociedade e das pessoas. Aí, quando você chega e conta essa… Ai, eu fico muito radiante. Eu sempre digo isso, dá uma esperançazinha de que nem tudo está perdido.

 

Leandrinha: Não, e não tá mesmo. A gente tem casos que são muito lindos. A gente tem histórias que são muito lindas. A gente tem relatos que deram certo. E é isso, a minha família foi o que me deu força. Falando da minha vó, acho que parte da mulher que eu sou hoje eu devo a minha avó. Ela era uma mulher… Era, não. Tá viva, gente (risos). A véia tá viva. Ela é uma mulher foda pra caralho. Uma mulher que sempre batalhou pela vida dela, sempre fez do melhor pra todo mundo. E bem feito. Eu acho que é isso. Me inspirei nessa véia maravilhosa. Beijo, mãe, beijo na pomba! (risos)

 

Dann: Leandrinha, no caso, na página sua, você tem aquela hashtag #ÉCapacitismoQuando.

 

Leandrinha: Sim.

 

Dann: você consegue nos contar algum caso, algum relato de capacitismo, mas relacionado, por exemplo, também com a anulação da sua identidade de gênero ou, na época, quando era mais nova, do que você entendia como a sua sexualidade naquela época?

 

Leandrinha: Mano, eu acho esse termo, Capacitismo, ele é um termo digamos que novo. Porque as pessoas com deficiência não sabem dele. Eu acho. Quando eu falo que não sabem, não sabem mesmo. Elas não têm…

 

Sidney: Nem noção de que sofrem um tipo de opressão específico.

 

Leandrinha: Isso, elas não têm a dimensão que isso acontece com elas e é algo tão natural, entre aspas e mais aspas, e mais aspas. É algo tão natural pra elas, esse capacitismo. E é pesado lidar com isso.  Eu falo, eu fui uma criança que sempre bati o pé pro que eu queria. Eu sempre fui uma pessoa que bati o pé pro que eu queria, eu tinha certeza do que eu queria. E a minha palavra era a última. Eu sou ariana, e ariana, você já viu. (risos)É babado. E aí, (incompreensível) pessoas tentassem subir em cima de mim, eu nunca deixei que elas me botassem pra baixo. Eu acho que, tipo… É igual, uma vez eu respondi numa entrevista, o que me fazia… Não, se os ataques de ódio, se esse lance do preconceito me botava pra baixo, me fazia chorar. Eu falo, meu, eu acho que eu sou uma pessoa tão preparada, eu acho que eu sou uma pessoa tão… Novamente, eu vou repetir, eu sou uma pessoa tão foda. Eu sei lidar com isso. E hoje, mano, eu só choro, por incrível que pareça, eu só choro pra falar da minha história. Porque eu tenho muito orgulho da pessoa que eu sou, eu tenho muito orgulho da pessoa que eu fui antes de ser Leandrinha. Eu tenho muito orgulho do Leandro, que é o meu nome civil. Eu tenho muito orgulho desse menino também. E eu me orgulho da minha história. Eu sei o que eu sou. Então, eu acho que vai precisar muito mais pra me deixar pra baixo. E de verdade, eu não tenho relato pra contar.

 

Sidney: Ai, que ótimo!

 

Leandrinha: Quando me chama pra dar palestra sobre a prostituição, sobre essas meninas que tão na esquina vendendo seus corpos, sendo violentadas, eu falo, “Meu, não é a minha história, eu não tenho o direito de falar por elas”. Porque eu não vivi 1% do que elas viveram. Eu não posso falar por elas, eu posso dar voz a elas, mas eu não posso falar por elas. E eu tive muita sorte. Eu sou uma pessoa que tive muita sorte. Mano, o capacitismo existe pra derrubar as pessoas, ele existe pra deixar elas à margem, ele existe de forma tão velada e tão natural que se a gente não parar pra discutir sobre isso… Eu acho que deixar de existir, nunca vai deixar de existir. Igual… Tem uma outra teoria só falando sobre isso. Me perguntaram o que seria o mundo perfeito pra mim. Mano, o mundo perfeito nunca vai existir. Ele só vai caminhar pra a existência de um mundo perfeito quando as pessoas se respeitarem mais. Quando a minha religião não influencia na sua. Quando a sua sexualidade não influencia na minha. E eu entendo a sua sexualidade, eu entendo a sua religião. Eu entendo os seus conceitos. E eu acho que isso a gente vai começar a caminhar pra um mundo perfeito, quando ambos se respeitarem. Quando ambos, vamos lá, cada um no seu quadrado, e vamo todo mundo caminhando, seguindo a sua (incompreensível). Eu acho que é isso.

 

Sidney: Ai, que excelente. Olha, eu nunca fiquei tão satisfeito em não ter uma história pra contar (risos), como eu fiquei agora. Porque é muito maravilhoso, é muito refrescante isso, sabe, Leandrinha. A gente sempre espera relatos terríveis, infelizmente. E ter essa luz que você fala, nas suas palavras, inclusive, é luminoso. Mas eu queria saber, agora… Porque você é fotógrafa…

 

Leandrinha: Eu sou, a gente tenta, né…

 

Sidney: como foi que você chegou a isso? Como foi que você descobriu, qual foi o caminho pra você fazer fotografia, como foi?

 

Leandrinha: Então, eu acho que com a fotografia… Eu sempre fui uma pessoa que gosto, até hoje, muito de foto. De ser fotografada, então, muito mais. Mas de fotografar também, porque é o espaço que eu tenho pra dar beleza a algo que talvez as pessoas não enxerguem beleza. Eu fotografei minorias, as taxadas minorias… Adoro as minorias…

 

Sidney: Uhum, que não são minorias…

 

Leandrinha: fotografei essas minorias… Não, é ridículo falar que é minoria, gente, pelo amor de deus. E eu fotografei essas taxadas minorias. Eu tive a oportunidade de ir pra lugares fotografar e, tipo, deixar pessoas de boca aberta. Quando eu levei três modelos pra um cemitério pra fazer um editorial…

 

Sidney: Gente!

 

Leandrinha: Eu parei a cidade. E quando saiu as fotos, o povo, mano, “Eu não acredito que é um cemitério”. E eu consegui dar beleza pra um lugar triste, pesado, mórbido, cinza, escuro, preto. E eu consegui dar beleza pra aquilo. Eu acho que é muito poderoso esse lance da fotografia. É poderoso quando você pega uma mulher, e ela não é o padrão Globo de beleza, e você faz dela uma mulher sexy, gostosa, sensual. E ela olha pra aquelas fotos e fala, “Meu, eu não acredito que sou eu”. Isso é muito poderoso. Mano, isso é poderoso demais, fotografar é uma arte muito poderosa. Eu amo, amo fazer isso.

 

Sidney: É o que te motiva, então, dar esses olhares…

 

Leandrinha: Sim, sem dúvida…

 

Sidney: Direcionar esses olhares pra onde ninguém olha, né…

 

Leandrinha: Sim, sem dúvida nenhuma. Eu acho que é o que me motiva, sem dúvida. Eu gosto muito das pessoas, eu gosto muito de rostos das pessoas. Eu gosto muito de seus corpos, deformados ou não. Imperfeitos ou não. Incompletos ou não. Eu gosto muito disso. Eu gosto de… E isso tem que ser visto. Porque há muito tempo atrás, a gente só escondia, só escondia o nosso corpo. Hoje existe? Existe. A gente sabe que existe. É menos? Não sei se é menos. Aparentemente, é menos. Mas existe. Então, fazer com que o mundo olhe pra essas imperfeições, entre aspas, pra mim já é gratificante demais.

 

Sidney: Ai, que maravilhoso. E tem alguma coisa que você gostaria de fotografar, mas ainda não conseguiu, mas quer muito?

 

Leandrinha: Hum… (breve silêncio) Meu deus… Eu acho que tem tanta coisa… Eu falo “meu deus”, até parece, né… (risos) eu tenho… Não sei.

 

Sidney: Difícil a pergunta?

 

Leandrinha: eu tenho vontade de fotografar muita gente. É difícil, porque eu sou uma pessoa muito criativa. Então, sabe, uma coisa arrasta a outra. É difícil. Mas eu tenho que fotografar muito ainda.

 

Sidney: Ai, sim. Excelente… Dann, você tem alguma pergunta?

 

Dann: Eu ia falar da fotografia. As pessoas que tiram fotos têm uma sensibilidade de captar beleza onde as pessoas não veem essa beleza. Eu mesmo não sei posar pra foto nem nada. Esses dias, eu tirei umas fotos antes de um espetáculo, ele capta cada coisa maravilhosa, que eu não sei como que vocês têm essa sensibilidade de ver beleza onde, aparentemente, nós mesmos que estamos sendo fotografados não sabemos enxergar essa beleza na gente. Você começou a falar das fotografias, eu comecei a fuçar um pouco sua página. E tem muito foto própria sua. Que cada uma um tiro maior que a outra (risos). E você é muito antenada em moda também, né?

 

Leandrinha: Sim, muito. Pera aí, deixa… Gente, eu vou ter que falar, gente… viu, eu vou falando, vou falando…

 

Sidney:Fala!

 

Leandrinha: O que o Danilo fala sobre essa sensibilidade… Eu não sou uma pessoa religiosa, tanto que hoje não creio em nada. Mas eu sou uma pessoa que estudei muito religião, muito, muito, muito religião. (incompreensível) Sou uma pessoa bem entendida em religião. Inclusive, várias delas. Mas eu acredito muito em espiritualidade. Eu acredito muito em… Eu acho que têm pessoas que nascem com um dom. Sabe, elas nascem… Até porque eu vejo muitos casos aí que têm máquinas fotográficas poderosérrimas, 30 mil Reais a máquina. E eu falo, vai tomar no teu cu. (risos) Faz alguma coisa que me impressione. Faz alguma coisa que me faz chorar. Faz alguma coisa que me… Sabe? Mano, fotografia é isso, você tem que olhar pra a fotografia e sentir uma coisa que não é você dentro de você. Tá entendendo?

 

Sidney: Uhum. Descobrir um negócio que você não sabia…

 

Leandrinha: É isso. A pessoa olhar pra sua fotografia, ela tem que sentir algo dentro dela, e ela não vai saber explicar o que é. Eu acho que é isso, vai muito além. Você fazer isso, mano, é um dom. Você tem que ter um dom. Essa sensibilidade é um dom. Dado por não sei quem… Mas é um dom. E são poucas pessoas que conseguem fazer isso.

 

Dann: Leandrinha, outra coisa que eu queria te perguntar. A Leandrinha é uma pessoa antenada na moda, fotógrafa, e também sai por aí pelo país dando umas palestras. Você faz parte de algum coletivo feminista ou transfeminista? Existe algum grupo? Ou acaba que isso nasceu de forma espontânea, esses convites, e vocês naturalmente vão se encontrando, por exemplo?

 

Leandrinha: Então, agora senta, que lá vem história (risos). Eu sempre falo, em vários lugares que eu passo, eu mesma, eu sou a própria militância. Eu sou minha própria luta. Lógico, eu faço parte de vários coletivos. Não nasci neles, não nasci em coletivos. Faço parte de vários, e por conta da minha luta, fui sendo convidada por esses coletivos pra fazer parte. Coletivos feministas, coletivo LGBT, coletivo voltado pra a questão racial, movimentos negros. Eu acho que eu já ocupo tantos lugares. Que se eu falar todos os coletivos aqui, eu ficaria até amanhã (risos). Eu acho que é isso, as pessoas olham a minha luta e me chama pra somar, e eu tô lá, somando.

 

Dann: Entendi. Você já participou… Por exemplo, você também é blogueira. NO blog seu… Eu não fiz esse dever de casa, de dar uma olhadinha no blog. Eu venho te acompanhando…

 

Leandrinha: Ah, que delícia… bem feito, Danilo. (risos)

 

Dann: eu venho te acompanhando há um certo tempo, pela página e tudo mais. Mas no blog de você, quais assuntos que você costuma abordar lá no blog?

 

Leandrinha: Então, Danilo e Sidney, no blog… O nome do blog é Leandrinha Du Art por debaixo das águas… Nesse blog eu faço várias reflexões sobre a minha vida, sobre autoestima, aceitação do próprio corpo. A grande maioria dos meus contos eróticos estão lá. E são contos eróticos que não são só putaria, viu, gente. (risos) Tem uma putaria, lógico que não pode faltar, né…

 

Sidney: Claro.

 

Leandrinha: Mas eu procuro imprimir as minhas palavras com algo que faça pensar. Algo que faça com que a pessoa reflita. Então, eu escrevo trechos da minha vida de forma… Alguns, né, alguns de forma bem metafórica. Contados por uma sereia.

 

Sidney: Oh, por isso que “debaixo das águas”…

 

Leandrinha: Sim, exatamente. Olha, pegou…

 

Sidney: Já é a segunda sereia que aparece por aqui, né, Dann?

 

Dann: É mesmo. (risos)

 

Leandrinha: Ah, é? Por quê? Quem foi a primeira?

 

Dann: Você deve conhecer a professora Jaqueline Gomes.

 

Leandrinha: Não…

 

Dann: Ela é do Instituto Federal do Rio de Janeiro. Ela é militante trans e doutora em Psicologia social. E ela tirou uma série de fotos na praia do Rio, de sereia. E apaixonou com essas fotos dela. E eu peguei uma das fotos e fiz a capa do programa. E o nome do programa foi “Super Sirena”.

 

Leandrinha: Que legal, que lindo. Mas eu também tenho uma relação muito forte com essas sereias. Eu acho que são figuras fodas também. E nesse blog eu cito muito isso. Então, as pessoas leem o blog e  a maioria delas sai renovados por lá. Isso, pra mim, é sem palavras.

 

Dann: E você tem interesse de pegar esse blog e, futuramente, fazer igual a Amara Moira, por exemplo, que muitos trechos que estavam dentro do blog dela transformaram naquele livro “E Se Eu Fosse Puta”. Inclusive, a gente já até indicou aqui no programa. Você tem interesse de juntar essas coletâneas de textos e tentar ver com uma editora, e trabalhar isso em formato de livro?

 

Leandrinha: Ah! Olha o spoiler, gente! (risos)

 

Sidney: Eita! Danilo prevendo já…

 

Dann: Olha só…  Já quero esse livro.

 

Leandrinha: Não que eu esteja falando que eu estou querendo montar um livro. A louca, né… (risos) Mas a Amara Moira, aquela puta, eu amo aquela puta demais…

 

Dann: Amanhã de manhã a gente vai gravar com ela.

 

Leandrinha: Ela é maravilhosa, pode falar que eu amo ela, que mandei um beijo na teta esquerda dela (risos). Eu estive com ela, ela é muito minha amiga, a gente conversa bastante. O livro dela é incrível, incomparável. Mano, eu não posso ficar falando muito sobre isso (risos)…

 

Sidney: Ah, mas pelo visto, já tem movimentações aí em relação a isso…

 

Leandrinha: sim, tem movimentações ali…

 

Sidney: Ai, que maravilha. Olha só, quando chegar, vem pra cá e avisa pra nós, pra a gente  divulgar e enaltecer.

 

Dann: Ah, eu adorei essa ideia. Eu fico tão encantado. Eu tenho os livros aqui da Jaqueline Gomes e o da Amara e… Qual mais livro? Até mais dois livros aqui…

 

Leandrinha: E vai ter o meu…

 

Dann: De transfeminismo…

 

Sidney: E vai ter o da Leandrinha.

 

Dann: Com certeza. É porque, na verdade, o seguinte, ao final de cada programa, a gente indica um livro, um filme, um vídeo, algo relacionado com a temática de LGBTs em geral. E aí, eu sempre comecei indicando os livros de próprios LGBTs mesmo, não sobre LGBTs, porque fica melhor, né. A gente enaltecer os nossos. Da nossa sopa de letrinhas. A gente já indicou o livro do João Nery, inclusive depois entrevistamos ele. Indicamos o livro da Jaqueline, depois entrevistamos a Jaqueline. Indicamos o livro da Amara, e agora estamos aí com essa quase entrevista, se a agenda nossa der certinho, tudo der certo. E agora, você só vai ser o contrário. A gente vem com a entrevista, e depois a gente indica o livro.

 

Leandrinha: Arrasou! Vai ser perfeito. Mas eu acho que vai vir no momento certo. Eu acho que vai vir no momento aonde eu estou muito plena. Tipo, muito plena, não no sentido do pajubá, não (risos). Mas é, as pessoas, “Ai, você tá plena!”

 

Sidney: Tô plena. Veste a camisa. Estou plena.

 

Leandrinha: sim. E de verdade, eu estou plena. Eu estou confortável comigo. Eu posso me olhar no espelho sem sentir que tá faltando alguma coisa. Eu sinto, na minha mão, o peso da responsabilidade que eu carrego, com todas essas pessoas me olhando. E elas me olham buscando algo de mim. Elas me olham esperando que eu vá oferecer alguma coisa pra elas. E eu acho que quando eu ofereço isso, possibilidade de mudar a vida dela… falei igual pastor agora, né… (risos) Quando eu ofereço possibilidade dela mudar a vida dela, olhar pra ela mesma de forma diferente, isso é muito forte. É muito pesado você fazer essa mudança na cabeça de alguém.

 

Sidney: É uma responsabilidade e tanto.

 

Leandrinha: Sim, muita responsabilidade. E eu tenho total consciência desse peso. E é um peso leve. É um peso que eu sei o quanto que eu sou boa pra fazer o que eu faço. Pode parecer egocentrismo. Talvez até seja. Mas, meu cu, né. (risos) Mas, de verdade, eu estou muito plena pra fazer o que eu tô fazendo hoje pro mundo.

 

Sidney: Leandrinha, maravilhoso. A gente sabe que você tá com o tempo curto. Vou fazer uma última perguntinha, pra encaminhar já pro final. Que você mencionou aí no começo da conversa um vídeo aí, que parece que bombou na internet. Você quer contar a história desse vide pra a gente?

 

Leandrinha: Esse vídeo é babadeiro, mulher!

 

Sidney: conta, conta tudo!

 

Leandrinha: Esse vídeo, hoje, ele já ultrapassa 3 milhões e 500 mil visualizações…

 

Sidney: Menino! Tudo isso…

 

Leandrinha: Sim, é babado, bem. É babado e confusão. Eu já fazia parte do Youtube. Eu já fazia conteúdo pra a internet há muito tempo. E a gente tava em São Paulo, e eu resolvi… Resolvemos, né, juntos, eu e minha assessoria maravilhosa. Tenho que mandar um beijo pra Karina Queiroz, Adriele Lopes, Cássio Lopes. São pessoas que são fantásticas que estão atrás de mim, dentro do meu oceano babadeiro. E a gente resolveu que a gente poderia voltar pra a internet. E esse vídeo foi gravado em São Paulo, no Centro Cultural,(incompreensível). E foi um vídeo que eu conto a minha trajetória de vida em 8 minutos. Sete minutos. E foi lindo, teve uma repercussão muito massa. Foi um vídeo que me abriu muitas portas. Ele fez muitas mudanças na vida de pessoas, milhares de pessoas, porque eu recebo mensagens falando isso. Eu recebo esse feedback das pessoas. Então, foi um vídeo que bombou…

 

Sidney: Qual é o título do vídeo?

 

Leandrinha: O título do vídeo é “Quer me conhecer melhor?” É um vídeo fantástico. E eu tenho um canal no Youtube. Então, se inscrevam no meu canal, porque eu preciso de inscritos…

 

Sidney: A gente vai linkar na postagem pra todo mundo assinar.

 

Leandrinha: Arrasou.

 

Dann: Leandrinha, olha, eu estou encantado de te conhecer. Eu te chamei numa semana que o vídeo bombou. E eu acho que quando essas coisas bombam, as pessoas não sabem nem como… Chega tanta gente perguntando tanta coisa. E você conseguiu responder todas as perguntas, e ser solícita. Me deu seu número do Whats App. E eu fiquei apaixonado…

 

Leandrinha: Danilo, se você me pedir nudes, eu te mando nudes. (risos)

 

Dann: Eu vou pedir, sim. Pode deixar!

 

Sidney: Danilo é chegado nas nudes.

 

Dann: É.

 

Leandrinha: Eu adoro também, nada contra. (risos)

 

Sidney: Eu só não sou chegado porque não me faz diferença. Quando criarem nudes 3D, aí sim. Vai ficar bom.

 

Leandrinha: Eu faço nudes em Braille pra você.

 

Sidney: Olha só! Ousadia e alegria! Eu gosto assim.

 

(VINHETA: ENTRE EFEITOS SONOROS DE IMPACTO E DE DISTORÇÃO DE ÁUDIO, A VOZ ANUNCIA “MOMENTO SUPER PODERES!”)

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: Leandrinha, quando a gente chega no final do programa, a gente pergunta a todos os convidados o seguinte. Se você tivesse um super poder pra combater toda essa LGBTfobia que a gente vê aí, diariamente, estampada nos jornais, nas notícias, nas Timelines, qual seria o seu super poder?

 

Leandrinha: Nossa…

 

Sidney: Essa é a hora da tensão…

 

Dann: Sempre tem um silencinho.

 

Sidney: O silêncio… (risos)

 

Leandrinha: Nossa, pera aí que vai um tempo. Pera aí… (risos)

 

Sidney: Fica à vontade.

 

Leandrinha: Nossa, é uma belíssima pergunta.

 

Sidney: Que aqui é super LGBTs, num mundo em que só existir a gente já tem que resistir, né.

 

Leandrinha: Acho que eu vou inventar um poder agora.

 

Sidney: Nossa, maravilhoso, melhor ainda.

 

Leandrinha: Eu acho que… Nossa, mas eu acho que, de verdade, vou até escrever sobre isso.

 

Sidney: Oh, olha só!

 

Dann: Ah, que legal!

 

Leandrinha: Sim, de verdade. Nunca parei pra pensar nisso. Nossa, estou arrepiada, de verdade. (risos) Mas é, o mundo que a gente vive, vocês sabem disso, ele não é um mundo confortável. E será que só super poderes basta? Eu acho que se eu tivesse um poder, eu acho que eu teria o poder da conscientização. Tornar as pessoas conscientes de seus atos. Porque eu acho que é o que falta. Eu me recuso a acreditar que as pessoas fazem isso de forma consciente. Eu me recuso a acreditar que as pessoas atacam as outras de forma consciente.

 

Sidney: Se elas entendessem realmente o que tão fazendo, não fariam.

 

Leandrinha: Sim. E elas têm que entender que a gente é o povo, nós mesmos, somos todos iguais. A gente não busca… como que fala? Privilégios. A gente não busca privilégios. A gente quer só viver. E eu acho que um poder de conscientização das pessoas eu acho muito importante. Mas isso me deu portas pra escrever muito agora. De verdade.

 

Sidney: Ai, que ótimo.

 

Leandrinha: Muito obrigado por essa reflexão. Porque eu acho válido. Eu acho muito válido a gente parar pra discutir essas temáticas. Porque tudo bem que a pergunta é fantasiosa, super poderes, mas ela traz uma reflexão muito grande. E é super válido, a gente tem que discutir sobre isso, sim.

 

Sidney: Sempre. Cada vez mais e mais.

 

Dann: Então, gente, infelizmente… Porque eu vou falar que é infelizmente mesmo. Essa entrevista foi maravilhosa, super gostosa de se fazer. Chegamos ao fim.

 

Leandrinha: E eu sou uma delícia, né, Danilo! (risos)

 

Dann: Uma delícia mesmo. Gente, eu adorei conversar contigo porque você conversa no mesmo calibre que eu converso. O Sidney já é mais contido. Eu não, eu sou mais…

 

Sidney: Me chamou de quê? Discreto, fora do meio. Não aguento.

 

Leandrinha: Sidney logo, logo vai se soltar comigo. Assim que eu mandar um nude em Braille pra ele.

 

Sidney: Ai, maravilhoso, estou esperando já.

 

Dann: Vamos relatar essa experiência aqui no HQ da vida.

 

Sidney: Vamos, sim. (risos)

 

Leandrinha: Sim.

 

Dann: Leandrinha, no caso aqui, só para a gente deixar para os nossos ouvintes, você tem um canal no Youtube. Como que as pessoas podem te achar no Youtube?

 

Leandrinha: Leandrinha Du Art, você pode me achar no Youtube, Leandrinha Du no Instagram. Leandrinha Du no Twitter. Vocês podem me acompanhar em todas redes sociais e na minha pagina do Facebook, Leandrinha Du Art também. Tudo Leandrinha Du Art.

 

Dann: Beleza, eu vou linkar todas…

 

Sidney: Du Art daquele jeito, né.

 

Leandrinha: D-U espaço A-R-T.

 

Sidney: Isso, eu achei maravilhoso esse trocadilho.

 

Leandrinha: É lógico, né, querido. Porque se não for pra tombar, a gente nem vem.

 

Sidney: Não vem mesmo. Exatamente.

 

Dann: Oh, gente, cuidado com a bicha Alicinha. Eu entendi agora que aquilo era Duarte…(risos)

 

Sidney: Ai, Danilo, não me faz passar vergonha, viado! Pelo amor de deus.

 

Leandrinha: Pode fazer, pode fazer, sim.(risos)

 

Dann: Gente, eu sou muito Alicinha. Eu entendi agora, Du Art.

 

Sidney: Du Art.

 

Dann: Nossa!

 

Sidney: Exatamente, lacrativo. Eu gostei, achei tendência.

 

Dann: Adorei. Eu vou linkar todas as suas páginas, o seu blog e seu Insta e seu Twitter aqui no episódio, para que as pessoas possam acessar. Então, é isso. Vamos dar um tchau coletivo pra nossos ouvintes?

 

Sidney: Um Tchau pros ouvintes, Leandrinha.

 

Leandrinha: Pera aí, gente. Pera aí, gente. Eu quero agradecer!

 

Sidney: Ai, agradece! (risos)Se despede. Danilo, mal educado, não deixa.

 

Leandrinha: Danilo querendo me mandar embora, gente, que é isso?  (risos)

 

Dann: Eu tô preocupado com seu horário, acabei adiantando. Desculpa.

 

Leandrinha: gente, mas eu só tenho a agradecer a vocês dois pelo carinho, pela forma legal que foi abordado. Eu espero de verdade que essa entrevista seja muito bem recebida por esses ouvintes maravilhosos. Obrigada a todos que estão me ouvindo. Se quiserem ver mais de mim, tão aí as redes sociais. Os meninos podem passar. Eu só tenho a agradecer mesmo toda a equipe, de verdade.

 

Sidney: Ah, o prazer foi nosso.

 

Dann: Ai, que maravilha.

 

Sidney: Manda um beijo pros nossos ouvintes, Leandrinha.

 

Leandrinha: Um beijo enorme pra todos que estão nos ouvindo hoje.

 

(EFEITO SONORO: TRANSIÇÃO)

 

Dann: Menino, que programa fantástico.

 

Sidney: Não é, menino? Muita coisa pra aprender sobre diversidade. Você achando que tá só lá na sigla e tá de boa… Menino, o universo humano é muito mais diverso do que a gente imagina, não é mesmo?

 

Dann: E como. E, Sid, quais são as nossas indicações para hoje?

 

Sidney: Então, vou aproveitar que Leandrinha veio aqui e veio falar com a gente sobre capacitismo, que é uma coisa inclusive que eu mesmo já tinha falado no meu próprio episódio… Já é uma indicação pra quem não escutou, tem um episódio sobre mim, comigo, um HQ da Vida #08, onde eu conto a minha história, e tal. Pra quem não sabe, talvez saiba agora depois desse episódio, ficou sabendo agora que eu também sou uma pessoa com deficiência, eu sou cego. E aproveitando que o tema do programa hoje é também deficiência, por conta da história da Leandrinha, que também toca nesse tema, eu quero indicar a série linda, maravilhosa, fofa, coraçõezinhos nos olhos, que é a série Atipical. Estreou no Netflix acho que no mês passado, eu já assisti tem um tempo. E, nossa, só elogios pra essa série. A série fala… Na verdade, o protagonista é um menino que tem Autismo, ele tá no espectro do Autismo. É um autismo funcional, altamente funcional, como eles chama. Mas ele ainda passa por desafios na vida dele. E o bom dessa série é que, apesar do protagonista ter autismo, não é necessariamente sobre autismo. Porque ele é o protagonista, mas todos os personagens em volta dele têm histórias próprias, as pessoas não giram em torno do personagem com deficiência. É uma série que trata da deficiência com muito cuidado e com… Assim, as discussões que a gente, quando fala sobre deficiência, estão todas lá tocadas, ainda que ligeiramente, porque é uma série… Apesar de serem mencionadas rapidamente, por causa do número limitado de episódios, todos os temas estão lá mencionados. E a série, tudo indica que vai ter segunda temporada. A primeira temporada terminou maravilhosamente. Muito boa, gente. Assistam Atipical, pra vocês, inclusive, descobrirem que diversidade não significa só diversidade sexual, mas também diversidade de corpos e de mentes. Não é mesmo?

 

Dann: É isso aí. Eu não assisti esse seriado ainda. Mas também tá na minha lista de coisas a fazer.

 

Sidney: Nossa, olha, você não vai se arrepender, Dann. É uma série maravilhosa.

 

Dann: Deixem pra assistir e deixem seu comentário aqui, caso vocês gostem. Gostaram desse programa, ou também das nossas indicações, deixe seu comentário, deixe seu textinho pra a gente, pra a gente também mandar beijos, ou até mesmo ler o seu comentário no programa.

 

Sidney: Isso, gente, fala com a gente, a gente é legal, eu juro.

 

Dann: E como fala com a gente, Sidney?

 

Sidney: Então, se você quer dar sua bronca, dar sua sugestão… Inclusive, se você quiser sugerir temas pro HQ de Bolso, ou se você quiser sugerir pessoas pra a agente entrevistar e conhecer a história deles no HQ da Vida, manda pra a gente no hqdavida@gmail.com; ou você pode comentar lá no site, nas postagens também no nosso WWW.hqdavida.com.br; segue a gente lá no Facebook, facebook.com/hqdavida; ou no Twitter no @hqdavida. A gente também tá no Medium, no @hqdavida. E no Youtube, você procura lá por “HQ da Vida Podcast”. Sempre pedindo… viado! Não me faz passar vergonha! Eu to pedindo, vocês tão indo lá dar 5 estrelinhas? Vocês tão com o quê? Com vergonha, é? São o quê? Discretos, fora do meio? Não querem dar pinta, é isso, de tá estrelando a gente? Olha só, tô bravo agora, viu. Quero ver a gente brilhando ali no iTunes, pelo amor de deus, gente.

 

Dann: Ajudem esses viados, gente. Ajudem a gente a espalhar a palavra de Santa Cher. E falando sobre espalhar a palavra de Santa Cher pela Terra, temos o Patreon e o Padrim. Então, caso você queira nos ajudar e colaborar com este projeto, você pode nos ajudar no WWW.patreon.com/hqdavida e/ou www.padrim.com.br/hqdavida; lembrando que esses links estão na nossa postagem e no site.

 

Sidney: Isso mesmo. E agora nós vamos dar um xero e a gente se encontra no próximo HQ da Vida. Até, pessoal.

 

Dann: Até, pessoal. E lembrando que nosso encontro, dessa vez, nesse mês, é mais breve do que antes. Inclusive, vem surpresas por aí. Um beijo.

 

Sidney: Aguardem no seu feed mais próximo. Tchau!

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade

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