Transcrição – HQpedia #01 – Rogéria

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Transcrição – HQpedia #01 – Rogéria

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dann: Olá, ouvinte. Aqui é Dann Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade e esse é o HQpedia.

 

Dann: É isso aí, gente. Temos uma novidade pra vocês. Já que temos patrões, temos também que fazer por onde esse serviço valer a pena. Então, temos o HQpedia. O HQpedia é um programa ligeiro sobre filmes, livros, figuras públicas e tudo que envolve o universo LGBTTQIPA na cultura pop. Ou seja, a intenção é trazer pra vocês dicas e curiosidades sobre os mais diversos assuntos, de maneira leve e descontraída.

 

Sidney: Exatamente. E hoje a gente vai falar da vida e obra da grande Rogéria, ícone trans do entretenimento brasileiro, que faleceu recentemente e deixou um legado de conquistas e também de controvérsias para as novas gerações de LGBTs, não é mesmo?

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA: ROGÉRIA CANTA EM FRANCÊS AO VIVO)

 

Dann: Isso aí.

 

Sidney: Então, Rogéria nasceu em 25 de junho de 1943, no estado do Rio de Janeiro, e foi batizada de Astolfo Barroso Pinto. É importante a gente comentar que a gente tá falando o nome de batismo da Rogéria, e a gente entende a problemática do nome civil e do nome de registro das pessoas trans, mas a gente tá trazendo isso porque era um tema, inclusive, debatido pela própria Rogéria. Né, Dann?

 

Dann: Isso aí. A Rogéria dizia que ela amava ser chamada de Astolfo. Ela tinha orgulho do seu nome. E ela fazia questão de que fosse chamada tanto de Astolfo ou Rogéria. E ela também relatava que “Rogéria” é o lado artístico dela. E ela se sentia lisonjeada de ter esse papel na sociedade brasileira, mas que Astolfo, na verdade, ela amava ser Astolfo.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA: ROGÉRIA CANTA EM FRANCÊS AO VIVO)

 

(INÍCIO DE CLIPE DE ÁUDIO: ENTREVISTA COM ROGÉRIA)

 

Mariana Godoy: eu tenho muitos amigos transexuais…

 

Rogéria: Transexuais, eu também.

 

Mariana: Você é transexual?

 

Rogéria: Não. Eu sou Astolfo Barroso Pinto, Dona Rogéria. (risos)

 

Mariana: Pode te chamar de travesti?

 

Rogéria: Pode. Eu sou o travesti da família brasileira. Só que o travesti, quando eu estreei, era uma palavra muito chique. Je suis um travesti. Depois, foi mudando, foi caindo numa coisa horrorosa. Mas eu to querendo… To querendo, não. Estou recuperando. Porque o travesti da família brasileira é porque a família brasileira gosta muito de Rogéria, para Rogéria na rua. Aqui em São Paulo eu não posso andar de cabelo solto, as pessoas me convidam pra jantar, tomar café. Então, eu tô no meio da família, a família brasileira. Por isso não fiquei nem na Europa, nem na América. Porque o Brasil é o meu lugar.

 

(FIM DO CLIPE DE ÁUDIO)

 

(VÍRGULA SONORA: ROGÉRIA SE APRESENTA EM FRANCÊS DURANTE UM SHOW)

 

Dann: Ainda sobre isso, a Rogéria não se identificava como mulher, é uma fala pública dela. Ela falava que ela tinha uma alma de mulher. Mas que essa alma de mulher, segundo ela, seria uma alma que vem de take by take. Ou seja, dependendo do momento, da nuance, ela gostava de estar e ser mulher, ou dependendo do momento, ela gostava de estar e ser como homem. Então, ela tem esse relato e ainda ela dizia ser a travesti da família brasileira. Então, isso aí já gerou controvérsias. Mas, pelo menos no dia que a Rogéria faleceu, eu vi muitas postagens muito bonitas de pessoas dizendo que vai fazer falta, apesar das divergências conceituais com a Rogéria, que ela descansasse em paz.

 

Sidney: É porque, por esse comentário que você tá fazendo, Dann, hoje em dia a gente diria que Rogéria é não-binária. Só que a geração dela, de onde ela veio, o tempo e tal, esse debate ainda não existia. Então, talvez esse conceito não estivesse claro na cabeça dela, ela não desenvolveu a sua personalidade a partir do conceito de não-binarismo, não com esse nome ou esse rótulo. Até porque tudo que fugia da norma da heteronormatividade, na geração dela, era taxado, no caso dela, como travesti. Ou mesmo o termo transformista, que é um termo que, hoje em dia, já caiu em desuso.

 

Dann: É, e com isso já pode até fazer o link com o HQ de Bolso que a gente fala sobre gerações LGBTs. Então, tem tudo a ver com a questão de época, e como as pessoas se portavam perante essas opressões.

 

Sidney: Isso, é o HQ de Bolso número 07, sobre gerações LGBTs. Mas dando continuidade aqui na história de vida da Rogéria, ela era atriz, cantora, maquiadora, e como o Dann falou, a travesti brasileira. Era o título que ela ganhou aí pela sua notoriedade. Ela iniciou-se na carreira artística como maquiadora das celebridades da extinta TV Rio. Morou por 5 anos em Paris, onde apresentou diversos shows e sabia cantar e falar fluentemente Francês. Em 1979, ela recebeu o troféu Mambembe, pelo espetáculo que fez ao lado do Grande Otelo.

 

Dann: Então, Rogéria, como ela dizia, era geminiana com ascendente em leão. E dizia que não levava desaforos por nada nessa vida. E justifica com seu ascendente. Além do mais, ela diz que, durante a sua carreira, as opressões existiam, ela não nega que as opressões existiam, mas ela sempre disse que a forma como ela encarou as coisas da vida que evitava que ela sofria. Que ela dizia que ela era como um trator, tipo Bette Davis, e que encarava essas opressões de forma muito enérgica, e isso evitava com que ela sofresse de fato algumas consequências dessas opressões.

 

Sidney: É importante, Dann, a gente falar um pouco também sobre a infância da Rogéria. Porque pela época dela, a gente é levado a pensar que ela cresceu num ambiente hostil e de opressão. Mas parece que não foi bem o caso.

 

Dann: Justamente. Rogéria é filha de português e a mãe dela trabalhava num laboratório fármaco-químico do exército brasileiro. E ela conta como mais ou menos que funcionava a relação dela, do pai e da mãe em vários programas de palco e também na biografia dela. O pai dela separou da mãe quando ela era mais nova. Ele já o chamava de Tolfinho. E ela conta uma história… Se eu não me engano, essa história ela contou ou para o Jô Soares ou para a Marília Gabriela, em seu programa. Que o pai falou com a mãe que ele ia levar o Tolfinho pra cortar o cabelo e sumiu com ela durante três meses. E ela conta que tinha uma relação muito boa com a mãe dela, que a mãe dela nunca repreendeu ou tinha até mesmo vergonha desse lado dela. Ela dizia que ela era pintosa desde os sete anos. Então, a mãe dela já sabia e já percebia, e também não repreendia, mesmo ela sendo uma mãe que trabalhava no exército. Então, de toda maneira, a Rogéria teve um ambiente familiar favorável. E naquela época seria muito estranho imaginar que teria um ambiente favorável, pensando nas opressões que são comuns da sociedade nessa época.

 

Sidney: Uhum. Rogéria começou sua carreira como maquiadora na TV Rio e, ao conviver com atores grandes e célebres, ela teve o que ela descreveu como o equivalente a uma estadia no Actors Studio, sendo estimulada a interpretar. Sua estreia ocorreu em 29 de maio de 1964, no reduto gay de Copacabana, a famosa Galeria Alaska.

 

Dann: É isso. Coincidentemente, hoje na contemporaneidade, nós temos uma Drag Queen chamada Alaska Thunderfuck. Então, gente, enquanto ela era maquiadora, ela já maquiou várias figuras famosas. E aí, Zélia Hoffmann, quando uma vez elas estava  conversando, ela falou assim, “Oh, menino, vem cá! Você não acha esse nome, Astolfo, muito sério, não? Que tal Rogério?”  Então, na verdade, ela foi batizada pela Zizi Hoffmann. Ela já foi muito amiga da Bibi Ferreira e ela já fez TV com a Bibi Ferreira no Gay Fantasy… Eu fico olhando esse Brasil dessa época pré Ditadura, eu não consigo imaginar que esse Brasil existia, não. Essa liberdade, passabilidade, e essa tradicional família toda meio gay friendly, e depois, boom! Vem a Ditadura e corta tudo. Inclusive, dá pra perceber, por exemplo, um lapso. A Rogéria vai embora, e aí a gente vai falar mais à frente. E depois que ela vai aparecer novamente na televisão brasileira. Inclusive, gente, falar sobre Paris, ela foi pra Paris e ficou 5 anos em Paris e ela foi montar, na verdade, somente aos 29 anos. Isso porque, em uma conversa com Fernanda Montenegro, ela perguntou, antes de estar no palco, como que era estar no palco e  as sensações. E aí, a Fernanda disse assim, “Estar no palco é como viver outra vida, ser outra além de você”. Então, segundo a Rogéria, ela disse que deixou o cabelo crescer e foi ser quem ela sempre quis. Passou um batom vermelho e foi para Paris.

 

Sidney: (risos) Até rimou.

 

Dann: Até rimou (risos).

 

Sidney: Pois é. Você vê, aí, Rogéria cheia dos contatos, só gente pequena, né… Fernanda Montenegro… A Bibi (risos), só os contatinhos da Rogéria.

 

Dann: O Insight dela se vestir de mulher foi numa conversa com Fernanda Montenegro.

 

Sidney: Ah, quem poderia dizer o mesmo, não é mesmo? Pois é.

 

(Vinheta: “Yes, baby! Bam!”)

 

Sidney: Daí dos contatinhos a gente vê que Rogéria era figura frequente no cinema brasileiro. Mas ela também participou como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, indo do Chacrinha a Gilberto Barros e Luciano Huck até, inclusive. Atravessou gerações de programas de auditório, sendo comentarista.

 

Dann: Como o Sidney disse, a Rogéria era cheia dos contatos. Ela já teve também, por exemplo, prêmio de revelação de atriz em O Grande Otelo, com Márcio Caruzo, ela já fez o filme chamado O Sexualista, O Gigante das Américas, a peça Divinas Divas, enfim. Ela tinha um portfólio bem repleto de contatos e de trabalhos executados ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira.

 

Sidney: Uhum, pois é.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Sidney: Mas em 13 de julho de 2017, a atriz foi internada devido a uma infecção generalizada, permanecendo por duas semanas em uma clínica em Laranjeiras, lá no Rio de Janeiro. Em 08 de agosto, Rogéria foi novamente internada, devido a um quadro de infecção urinária. E em 25 de agosto, foi transferida da Unidade de Tratamento Intensivo para o quarto. No entanto, seu quadro clínico se agravou após uma crise convulsiva, seguida de um choque céptico. Morte em 04 de setembro de 2017, aos 74 anos.

 

Dann: E olha só, se você verificar alguns programas onde a Rogéria esteve publicamente, ela relatou que, por exemplo, aos 70 anos, relatou não haver nenhum problema de saúde. Só umas coisinhas normais da idade, mas não tinha problema nenhum de saúde. Inclusive, ela fez fotos maravilhosas aos 70 anos de idade, tem uma que é ícone, que tá na biografia dela, que a gente vai falar logo mais. Que ela tá metade homem e metade mulher. Ela tá meio Drag King e meio Travesti. E ela está linda. Ela também diz que amava números ímpares e que chegar aos 70, o 7 do 70, pra ela, era muito simbólico. E que ser amada e não ter precisado de ter vivido na Europa e ter tido todo esse carinho que ela tem no Brasil, pra ela, foi maravilhoso e fez muito bem pra ela. Inclusive, ela até falava que, aos 70 anos, interesse sexual mantendo. Ela era a única travesti que frequentava uma sauna do amigo dela, ela relata como que era pra caçar os seus bofinhos, como ela dizia. Era uma pessoa que tava aí, firme e forte, numa terceira idade que eu quero ter desse jeito. Cheia de saúde, de vida, de contatinhos… (risos)

 

Sidney: Todas queremos. Mas, olha só, em 2016, foi lançada a biografia de Rogéria. Intitulada “Rogéria: Mulher e mais um pouco”. Escrita pelo Márcio Pascoal, o autor. Daí, a gente pode ler a sinopse do livro rapidinho pra vocês. “Um homem vestido de mulher está a um passo do ridículo, mas para o artista não existe ridículo. Márcio Pascoal mergulha na área de Astolfo e conta como, com talento e superação, ela transformou sua maior criação, Rogéria, num sucesso absoluto. A história de Rogéria mais parece ficção, nascida Astolfo Barroso Pinto, teve que enfrentar grandes (incompreensível) se afirmar homossexual. Ícone do transformismo e, acima de tudo, artista movida por uma enorme paixão pela arte e pela vida, conquistou, ao longo de mais de 50 anos de carreira, seu espaço no teatro, no cinema e na televisão, consagrando-se como uma personagem irresistível, quase mítica. Rogéria, o travesti da família brasileira. Ela costuma dizer que um travesti precisa de inteligência e talento para saber que não é mulher de verdade. Essas são qualidades que não faltam a Rogéria, mulher e mais um pouco.” Essa última frase da Rogéria é bem polêmica, porque hoje em dia a gente tá desconstruindo esse conceito de mulher de verdade. E aí a gente vê muito arraigado no discurso dela essa visão ainda muito heteronormativa, que é resultado do contexto que ela foi criada. A gente precisa reconhecer o valor de tudo que ela passou, mas também reconhecer o problema de um discurso que já está ultrapassado.

 

Dann: Enfim, essa última frase aí, se vocês ouvirem os últimos programas sobre transexualidade e sobre heteronormatividade e sobre gerações LGBT, dá pra fazer uma costura aí sobre esses tópicos.

 

Sidney: E é daí que a gente tira por quê é que Rogéria era tão controversa entre a comunidade trans atual, porque nesse discurso a gente vê ainda, inclusive, por que a Rogéria teve esse lugar de acolhimento, provavelmente. Que ela, de certa forma, só desafiava o status quo até certo ponto. A grande ofensa da transexualidade parecia não ser um tabu nos âmbitos em que a Rogéria circulava porque, aparentemente, ela circulava nessa forma, assim, pacificadora. Alguns diriam, hoje em dia, domesticada. A LGBT que não desafia o status quo e, por isso, ela é bem aceita e tal. E tem toda essa problemática também no discurso dela, que a gente precisa compreender de onde vem, mas a gente não precisa concordar, porque vivemos tempos diferentes, hoje em dia.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: Curiosidade sobre esse livro, ele foi escrito pra comemorar os 50 anos da carreira dela. A Veja fez uma crítica do livro, ela até relatou isso num programa de palco, falando que a Veja disse que parecia muito com o livro da Bruna Surfistinha, que era muito sexo…

 

Sidney: Nossa.

 

Dann: Acho que ela falou para o Jô Soares, e falou em tom jocoso. Dentro do livro dela também tem caracterizações de Drag King, mas ela não relata como se fosse Drag King, o termo, sabe.

 

(INÍCIO DE CLIPE DE ÁUDIO: TRAILER DE “DIVINAS DIVAS”)

 

Leandra Leal: As Divas fazem parte do meu mundo. E eu, do delas. Elas nunca foram estranhas pra mim.

 

Rogéria: Quando não tinha ninguém em casa, eu ficava sozinha, eu botava a peruca e ficava na janela pra que os ônibus e as pessoas pensassem que eu era uma mulher.

 

(FIM DO CLIPE DE ÁUDIO)

 

(VÍRGULA SONORA: ROGÉRIA SE APRESENTA EM FRANCÊS DURANTE UM SHOW)

 

Dann: E aí, depois desse livro, temos também, no ano de 2016, que é recente, o Divinas Divas, que foi dirigido por Leandra Leal, que aí a sinopse dele é da seguinte maneira. “Rogéria, Valéria, Jane di Castro, Camille K, fujica de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios formaram, na década de 70, o grupo que testemunhou o auge de uma Cinelâdia repleta de cinemas e teatros. O documentário acompanha o reencontro das artistas para a montagem de um espetáculo, trazendo para cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época.” A gente vê a importância, apesar da gente também estar deixando bem claro algumas divergências sobre a Rogéria, a gente também tá deixando claro a importância que ela tem para o teatro, a televisão brasileira, enquanto atriz. Certo, Sid?

 

Sidney: Sim, esse documentário mostra essa época desse grupo, das Divinas Divas, e tal. E é interessante a gente ressaltar que todas elas se identificam ou se identificavam como trans, menos a Rogéria. Ela afirma e reafirma que ela não se identifica com o termo trans, ela diz que entende do que se trata o conceito, mas não se identifica. Tanto que ela também nunca fez questão de fazer a famigerada cirurgia de redesignação de gênero, porque ela nunca achou necessário. Tem até uma explicação dela sobre isso, né, Dann?

 

Dann: Na verdade, essas amigas dela eram travestis. Ela conta que tem amigas trans e entende o que é transexualidade, mas que ela, em si, não é trans porque não é como ela se sente. Nessa hora eu fico pensando, a gente também tem que respeitar como as pessoas querem ser. Se ela se diz que não é trans, ok.

 

Sidney: E ela, mesmo não se encaixando no rótulo, ela fez e abriu caminhos para muitas pessoas que se encaixam nesse rótulo. E daí a gente tira que, apesar de a gente brigar muito pelas nossas identidades, a gente não precisa se atrelar aos termos também, porque a gente pode agir no mundo sem precisar estar ligado a qualquer termo.

 

Dann: Justamente. Inclusive, ela conta, por exemplo, que teve outras amigas que eram travestis à época, e hoje não se declaram mais como travestis, declaram como trans, que é, inclusive, por exemplo, Capucine, que  ela já fez até o Carrossel de Paris com ela, lá na França. Essas questões a gente tem que deixar claro pra você, ouvinte.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: E agora, a gente vai para uma sessão que eu vou falar algumas curiosidades sobre a Rogéria, rapidinho, num bate bola pra vocês. Ela já fez o Tucked em pleno palco, na França, ela conta que ela já precisou fazer isso, fez esse tucked na frança.

 

Sidney: Dann, explica o que é o tucked pra quem não conhece o termo.

 

Dann: Ah, é! Quem  não assiste RuPaul’s Drag Race, tucked é basicamente você esconder a neca. Então…

 

Sidney: É aquendar, na gíria brasileira, no pajubá.

 

Dann: Aquendar!

 

Sidney: Aquendar a neca, esconder lá o bicho pra ele não aparecer na roupa.

 

Dann: Eu tô tão influenciado por RuPaul, que eu esqueci da palavra em Português.A Rogéria adorava nadar, nadava até os 70 anos, tem relato dela falando sobre nadar. A Rogéria falava muito bem Francês, e ela diz que as pessoas da época dela foram para o Inglês, mas ela foi para o Francês, até por causa da sua vivência na França. Ela tem um irmão que também foi maquiador da Globo, o nome do irmão dela é Flavio Barroso. Esse irmão dela é fruto de um segundo casamento de sua mãe. E o seu padrasto era negro, logo, seu irmão também é negro. E ela ficava irritada com as pessoas, quando as pessoas tratavam eles como amigos. Quando ela falava que era irmão, era como se as pessoas tratavam como se fosse uma expressão, de amigo, de irmão de outra vida, alguma coisa assim.

 

Sidney: Irmão de criação, o famoso irmão de criação. Não acreditavam por conta da diferença da cor da pele.

 

Dann: Isso, pela diferença da cor. Inclusive, essa questão da Rogéria brincar com homem e com mulher, com os gêneros, ela até fala que, por exemplo, ela é o padrinho de crisma do irmão dela. Ela usa esse termo, ela não usa o termo madrinha. Ela usa que ela é o padrinho, e assim ela se definia. Inclusive, tem um programa que ela vai fazer isso, ela até faz uma voz mais grossa, pra poder reverberar o sentido que ela queria. Rogéria, eu já disse pra vocês, ela dizia que era mona, moníssima, monérrima aos 7 anos de idade. E ela se lembra muito de um cachorro de estimação que chamava Rex. Ela e Clodovil eram grandes amigos e iam nos bailes do Sugar Loaf, no Pão de Açúcar.

 

Sidney: Clodovil que é outra figura LGBT bastante criticada também. Então a gente vê aí também o grupo que ela andava.

 

Dann: Eu acredito que seja questão de ser fruto de uma época mesmo, e aquela questão da gente ter empatia mesmo com essas questões, né, Sidney?

 

Sidney: E talvez a gente faça um HQpedia sobre o Clodovil, quem sabe.

 

Dann: Também. Vale a pena estudar sobre ele. Eu sei o básico, mas quando a gente vai fazer a pauta, a gente tem que estudar. Fica legal estudar sobre o Clodovil. A Rogéria já foi torcedora de futebol muito fanática, fanatiquérrima. Ela torcia para o Barcelona e gostava muito do Neymar também. Recentemente, ela dizia que não via mais jogos, mas gostava de ver os resultados. Rogéria, apesar de não se dizer trans, já fez papel cis-gênero, e ela ficou muito emocionada quando ela foi chamada pra fazer esse papel. Ela disse que lágrimas rolaram e ela disse que nunca chorou tanto por fazer um papel desse. Talvez por N fatores, né. E tem uma fala dela que ela diz o seguinte. “Jesus Cristo, quem disse que o senhor abandonou a gente?” pE uma outra curiosidade que ela era muito católica. E ela fez esse papel aos 70 anos, justamente naquela época que eu falei que ela tirou várias fotos, e tudo o mais. E ela fazia uma mulher cis-gênero que era mãe de uma outra personagem, e era super engraçado. E era muito Rogéria também essa senhora que ela interpretava. Sobre as opressões e as minorias, a Rogéria dizia que o Brasil está com ares de que está piorando. Dizia que a forma como as pessoas estão lidando, sobretudo com religião, está sendo problemático para as minorias no país.

 

Sidney: Não dá pra negar, né…

 

Dann: Não dá pra negar. As pessoas criticam, mas você vê também que ela tem uma percepção do que tá acontecendo.

 

Sidney: É Claro que a gente pode problematizar o que ela diz, mas a gente não pode acusá-la de ser ingênua, jamais. Rogéria sempre foi muito esperta.

 

Dann: Justamente. Ela era fã de Ayrton Senna, não gostava de Schumacher. E diz que chorou por dois anos a morte do Airton Senna. Tinha medo de, ao final da vida, ficar entubada, passar com câncer, precisando de alguém. Outra curiosidade sobre a Rogéria, já fizeram propostas pra ela poder posar nua. Inclusive, já teve uma exposição dela nua, mas sem mostrar suas partes íntimas. E a foto dela ficou num espaço reservado. Foi similar àquela confusão que ocorreu no mês de setembro com a exposição do Santander. Então, tinha várias pessoas famosas, mas o que deu o que falar dessa exposição foi sobre a Rogéria estar nua, mas mesmo não estando mostrando as partes íntimas. E aí, um fotógrafo convidou ela pra posar nua, e ela falou, “Vou, só que eu quero 50 milhões”. E é lógico que o fotógrafo não teria o dinheiro, mas ela falou assim, “Eu que não vou ficar me expondo só pra a curiosidade de outros. Ou se quiser mesmo que eu pose, eu poso, pego os 50 milhões e distribuo esse dinheiro para ONGs e para poder fazer uma caridade”. Essa foi a fala dela para isso. E outra, ela fala que ela tinha vergonha… Você vê um pouco daquele pudor católico também que ela tem, e que ela não iria decepcionar o público dela e que gosta muito dela, que é quem? A família brasileira. Pra finalizar, gente, esse programa foi uma homenagem a Rogéria, e o maior medo da vida dela era estar entubada, ter câncer, ficar prostrada numa cama, sofrendo. E acredito que seja o maior medo de todo mundo. Enfim, foi-se uma grande estrela do cinema, do teatro e da TV brasileira.

 

Sidney: foi-se uma grande estrela do entretenimento brasileiro, apesar das controvérsias, o mérito da Rogéria é imenso, fica aqui a nossa homenagem. E você, se quiser comentar, conversar com a gente sobre Rogéria e sobre tudo que implica essa existência produtiva e intensa dela, fala com a gente. A gente tá lá no hqdavida@gmail.com; você pode mandar um email. Você pode comentar no site WWW.hqdavida.com.br; a gente também está no facebook.com/hqdavida; no Twitter, no @hqdavida; e também no Medium, no @hqdavida; Nós também temos o nosso canal no Youtube, você procura lá por “HQ da Vida Podcast”. Pedindo sempre, gente, dá 5 estrelinhas pra a gente lá no iTunes, deixa sua resenha. Vamos brilhar, quem sabe a gente não chega lá no nível de estrelismo da Rogéria, não é mesmo, nessa podosfera brasileira.

 

Dann: Então, pessoal, a gente agradece aos nossos padrinhos que contribuem para ajudar a manter esse podcast no ar. Nosso imenso e grande beijo, abraço para você que é padrinho do HQ da Vida. E esse foi um programa que foi feito especialmente com carinho pra todos os ouvintes e também porque começamos a ser financiados pelo Patreon e pelo Padrim. Caso você queira nos ajudar, vá lá no WWW.patreon.com/hqdavida e WWW.padrim.com.br/hqdavida

 

Sidney: Isso mesmo, gente. Então, a gora a gente fica por aqui. Um xero para todos e até o próximo HQ.

 

Dann: Um beijo. Tchau, tchau!

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

(BLOOPERS)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade

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