Transcrição – HQ da Vida #18 LGBTTs: Gamora Amara Moira

Publicado por

Transcrição – HQ da Vida #18 LGBTTs: Gamora Amara Moira

 

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dann: Olá, pessoal, aqui é Dann Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade. E esse é o HQ da Vida número 18.

 

Dann: Então, o HQ da Vida é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo contar histórias de super LGBTs.

 

Sidney: É isso aí, Danilo. Mas antes da gente dizer com quem a gente vai conversar hoje, nós vamos para os beijinhos.

 

(Vinheta: Trecho de música, entre o batidão e sons de beijos, Mc Xuxú canta “Um beijo pra quem é DJ, um beijo pra quem é Mc, um beijo pra quem é do bem, um beijo pras travesti!”. A voz de Pabllo Vittar finaliza “Eu não vou perder meu tempo lendo hater”)

 

Dann: Os beijinhos de hoje vão para… Hoje, temos um novo padrinho, que é o Jean Carlos, que é lá do Polimorfia Podcast. Inclusive, vale um jabazinho para o podcast dele, que é maravilhoso.

 

Sidney: E o Jean é maravilhoso. Um beijo para o Jean.

 

Dann: Temos o Julian Vargas, tem a Erika que é do Seriadores e do SAD, Ligia Lila, Luciano José Moraes Loureiro, Fernanda Cary, Deivisson Hoffmann, Guilherme Piaça, Carla Gonçalves e… E só, gente.

 

Sidney: E queremos mais.

 

Dann: E queremos muito mais. É porque eu ia emendar, mas sou sonseane mesmo, desculpa, gente.

 

Sidney: Muito obrigado, gente, pelo patrocínio. A gente também vai mandar beijinhos pra quem? Pra o Rodrigo Cornélio, que não poderia faltar, comentou lá, está sempre conosco. Beijo pro Rodrigo Cornélio, ele é do podcast Entre Fraldas. Também vamos mandar um beijinho para a Aline, do podcast Olhares. Segundo consta, ela estava aí conversando com Danilo, falando que o podcast dela é gay friendly também, que é um podcast sobre mulheres e sobre feminismo. Muito bom o podcast delas, inclusive, da Aline.

 

Dann: Inclusive, eu queria recomendar o episódio 15, Visibilidade Lésbica e Bissexual. E o Olhares Podcast já está na nossa lista de podcasts LGBT friendly.

 

Sidney: Exatamente, e falando nessa lista, eu vou mandar um beijinho e pedir desculpas pra… Eu vou mandar pra a Tata Finoto, que é quem a gente tem mais contato lá no Twitter, porque ela é do @podcastprocura; a Tata Finoto é host do De PQ pra PQP. O nome desse podcast é muito legal. Todo episódio eles mandam alguém, alguma coisa pra a PQP. Eu adoro, é muito catártico. E a minha desculpa é porque eu organizei a lista, e o PQPcast foi um dos primeiros a entrar naquela lista, quando a gente pediu as indicações. E por algum motivo, quando a gente publicou, ele não tava lá. Então, eu vou pedir desculpas, a gente já consertou o erro. E vão escutar lá o PQPcast com a Tata finoto, essa linda, que o podcast deles é maravilhoso. Inclusive, tem podcasts sobre LGBTs, um dos mais recentes por aí, que eu ouvi e tava ótimo também. Um beijo pra a Tata e pra toda a equipe lá do PQPcast.

 

Dann: Inclusive, o pessoal comentou lá no Telegram sobre a lista que a gente fez, e também comentaram sobre uma hashtag que tavam falando sobre a acessibilidade do Telegram. Depois nós vamos baixar essa hashtag aí pra poder divulgar, para o Telegram voltar… voltar, não. Ser acessível. Né, Sidney?

 

Sidney: Isso, muito importante. E lembrando também que a lista, a gente quer aumentá-la. O formulário continua aberto. Se vocês quiserem ir lá no nosso site, na postagem da lista de podcasts amigos da diversidade, você vai lá e tem o link do formulário pra você indicar o seu podcast amigo da diversidade também. E por último, Danilo, sabe o que a gente recebeu? Você não acredita… A gente recebeu nosso primeiro email de ouvinte. Tô o quê? Todo me tremendo, todo emocionado. Um email maravilhoso, lindo, fofo, do Felipe. Você quer ler ele pra a gente, Dann?

 

Dann: Sim, Felipe, 17 anos. “Olá. Escutei apenas o primeiro cast por ora, mas já estou dando o play no segundo. Escuto todo tipo de podcasts, e acabei chegando aqui mais especificamente pelo É Pau É Pedra Filosofal…” Que o Sidney é o host e eu dou pitaco lá de vez em quando. Aí, o Felipe continua aqui no email. “Em resumo, tô mandando email só pra dizer obrigado por existir, mesmo, vocês e os convidados. Espero que vocês continuem com esse projeto sempre, ainda mais nesse nosso belo país que pede cada vez mais por esse tipo de iniciativa. Quando eu crescer, eu quero ser ‘igual a vocês’”, entre aspas. “Grato, muito mesmo. Felipe, 17 anos. Bi a se descobrir ainda.”

 

Sidney: Olha que lindo, gente! 17 anos, olha a responsabilidade… eu estou um pouco nervoso agora. 17 anos ouvindo a gente. Felipe, um beijo, muito obrigado pelo carinho, obrigado por ouvir a gente. E vamos todos nos descobrir juntos, não é mesmo?

 

Dann: É isso aí. E agora vamos para a nossa convidada. Maravilhosa, maravilhosésima.

 

Sidney: Eu não sei, eu não tenho nem roupa. Não tenho roupa para… Não tenho estrutura para sediar esse evento que foi essa conversa com a gente. Com quem foi que a gente falou hoje, Danilo?

 

Dann: Então, pessoal, a nossa convidada é uma mulher de peso. Ela é doutoranda na Unicamp. Inclusive, ela estuda James Joyce. Ela também escreveu um livro chamado “E se eu fosse puta”.

 

Sidney: Que a gente já indicou aqui.

 

Dann: Já indicamos aqui no podcast. Inclusive, vamos indicar de novo. Precisamos indicar. E ela também é colunista no Mídia Ninja. Ela é nada menos, nada mais do que a grandiosa Amara Moira.

 

(EFEITO SONORO: TRANSIÇÃO)

 

Amara: Meu nome é Amara Moira, sou travesti, bissexual. Gosto de falar bissexual porque é reivindicar que pessoas trans também têm direito à orientação sexual, porque parece que, na opinião comum, eu fiz minha transição porque gosto de homens. Na verdade, eu já gostava de homens antes, e gostava de mulheres também. Seria meio esquisito se eu não gostasse agora, se eu não continuasse bissexual agora. É incompreensível pra as pessoas que eu faça minha transição pra me relacionar com outra mulher, ainda mais se for outra mulher trans, é mais inacreditável ainda. Na verdade, é isso, a gente também tem de ter nossa orientação sexual validada. Então, travesti bissexual. Tenho 32 anos, tô terminando meu doutorado. É pra terminar até agosto, setembro, se não, eu tô lascada. (risos)

 

Sidney: Sobre o que é seu doutorado, Amara?

 

Amara: Eu herdei o doutorado da pessoa que eu fui, antes de ser Amara. Do falecido. Meu doutorado é sobre James Joyce, sobre Literatura.

 

Sidney: Menina, adorei.

 

Amara: Não, e é terrível, porque eu queria tá fazendo algo um pouco mais militante, ou que tivesse um pouco mais pra quem não é entendido da área. Eu queria que (incompreensível) quando eu dissesse o que tô estudando. Eu tenho a impressão que a maioria das pessoas não vê sentido. E aí, eu começo a me importar com o que as pessoas acham do que eu tô fazendo. Dentro da universidade você aprende a cagar pra o que fora da universidade acham do seu trabalho. Mas quem tem uma perspectiva militante começa a se importar com isso. Se importar em aprender a ser cobrado pela sociedade, aprender a fazer algo que a sociedade julgue relevante.

 

Dann: Ser mais palatável, né?

 

Amara: Algo comprometido com o agora. Não estudar coisas que não fazem nenhum sentido, coisas que vão lá só ficar entupindo a biblioteca. Coisas só pra um grupinho de iniciados.

 

Sidney: No caso, pelo tema, seu doutorado é em Literatura?

 

Amara: Isso.

 

Sidney: Uhum. Eu fico me questionando assim também, claro que essa preocupação é legítima. Até a gente tem aqui no HQ da Vida também, de falar sobre isso pra as pessoas que não ouvem falar sobre isso. Mas às vezes eu fico me perguntando também se tudo que a gente for fazer tem que ser sobre isso. Também tem essa questão. Eu acho que a gente pode abrir caminho pra os próximos falarem do que quiserem, sem ter esse peso de precisar militar porque ainda tem uma luta necessária.

 

Amara: Porque eu tenho a impressão que se a gente não fizer, quem for fazer por nós, quem for falar de nós vai falar merda, sabe.

 

Sidney: Ah, sim, com certeza! Nada por nós sem nós, aquela máxima.

 

Amara: Então, e a gente sendo protagonista dessa produção de conhecimento sobre nós é uma forma de mantê-lo dentro de balizas razoáveis, de forçá-lo a fazer sentido, de o tempo inteiro tá desafiando essa produção a dizer coisas que impactem no agora. A gente não tem 50 anos pra ficar esperando, quando a expectativa de vida de um travesti é tão baixa.

 

Sidney: Sim. E você pretende fazer alguma coisa no pós doutorado, com relação a isso? Já tem ideia, pretensões?

 

Amara: Então, o que aconteceu foi que eu comecei a ser professora, faz um mês e meio…

 

Dann: Eu vi. Eu estou acompanhando essa saga sua.

 

Amara: Ai, tá maravilhoso isso. E na sala de aula de novo, e descobrir que os alunos tão sendo capazes de acreditar que eles podem aprender literatura, (incompreensível) tão felizes por isso, admirar (incompreensível) a obra. Eu tô me encontrando muito ali naquele espaço, e a vontade que eu tenho é de deixar um pouco em off a vida acadêmica, não tô mais tão a fim de ficar dentro de universidade. E as pesquisas que eu quero fazer, eu vou fazer pra preparar aula, sabe. Eu quero fazer uma leitura, uma revisão completa da literatura brasileira, ou da literatura de língua portuguesa, melhor ainda. Então, eu posso fazer isso preparando as aulas. Semanalmente, eu vou lendo as coisas e vou me preparando. E eu tô muito confiante nessa possibilidade.

 

Sidney: Sim. (incompreensível) luta diária, né. No caso…

 

Amara: Eu vou mostrando, meus planos não têm a ver com a academia, tem a ver com meus escritos. Essa é outra coisa que eu sou, doutoranda, professora e escritora também. E faz alguns meses já que eu não atendo, por conta de questões pessoais, mas eu também fui prostituta durante bastante tempo, durante algum tempo. E gostaria de poder voltar, porque ali é um lugar onde eu posso ver coisas que nos demais lugares eu não consigo. Eu gosto do sexo, eu gosto de ver o que os homens veem atrás de nós pra cobrar, gosto de ver como é que eles se comportam entre quatro paredes, eu gosto de escrever sobre isso. Que é uma forma de escancarar ainda a condição trans no mundo. Mostrar como é que eles nos tratam ali na rua, como é que eles nos tratam entre quatro paredes, como é que (incompreensível( antes e depois de gozar, como é que eles nos tratam antes e depois de pagar.

 

Sidney: Ah, que interessante.

 

Amara: O processo da negociação, da barganha, que muitas vezes é acompanhado de uma desumanização, de um tratamento desumano. E também de alguma forma nos animalizar, de nos reduzir a coisas, nos reduzir a bicho. Então, falar sobre isso é muito importante. Eu gosto de falar ali, com a narrativa. Eu sou uma escritora, então eu entro nos espaços já pensando na narrativa. E é essa narrativa que eu quero contar, sabe.

 

Dann: Oh, Amara, falar nessa questão de falar sobre isso, falar como que o homem trata as mulheres que estão se prostituindo, teve um vídeo… Inclusive, eu compartilhei também, e me rechaçaram bastante. Que é aquele vídeo de você e a maravilhosíssima Indianara, e a Monique Prada. Acho que era Putíssima Trindade… Né?

 

Amara: Isso.

 

Dann: Era um vídeo de sete minutos maravilhoso, eu fiquei apaixonado com aquele vídeo. E teve um momento do vídeo que você fala de homens que pedem pra vocês vestirem roupas das filhas, alguma coisa assim do tipo. Mas as pessoas desvirtuaram toda a sua fala, como se você tivesse incentivando pedofilia. E eu falei assim, gente, existem dois movimentos. Existe, por exemplo, o movimento das travestis no feminismo, e existe uma segmentação mais radical do feminismo que pega todas as putas e desvirtua toda a ideia e a luta que vocês estão aí há anos já trabalhando de forma sem retorno financeiro pra isso, na verdade. Só retorno emocional pesado, porque eu acredito que deve ser difícil de lidar com essas desvirtuações da fala. Você fala uma coisa e dizem que falaram outra. Como que você lidou com isso depois desse vídeo, ou já está acostumada?

 

Amara: Então, eu acho assim, no dia eu fiquei bastante abalada, porque foi… Nossa, eu própria… Foi tanto… A distorção foi tão absurda, tão baixa, que eu própria comecei a achar que eu tinha, de alguma forma… Eu comecei a achar que realmente minha fala devia ser complicada. Possivelmente eu teria dito coisas que não são aceitáveis. Só que aí o que aconteceu foi que, alguns dias depois, eu fui ouvir de novo o que tava dito. E, nossa, é inacreditável, sabe. Basear essa interpretação de que eu to fazendo apologia à pedofilia com o que foi dito ali. Às vezes, se você recorta uma frase e você solta ela sozinha, aí fica parecendo que, nossa, realmente, tá fazendo apologia. Mas se você ouve a frase inteira, se você ouve todo aquele trechinho em que eu falei sobre isso, essa interpretação fica insustentável. E quando eu me dei conta disso, eu falei, ah, vai morrer sozinho, isso. Porque é isso, são pessoas que tão determinadas a encontrar uma frase que elas possam distorcer pra acabar com você. É uma lógica de guerra, sabe. Só que eu não tô a fim de entrar nessa lógica de guerra. Eu não to a fim de brigar, de ficar me desgastando, pra ataques mesquinhos, pra ficar lá tentando jogar na lama a reputação de alguém, só porque eu não gosto da militância da pessoa. É engraçado que quando a gente é alvo de ataques nesses vídeos, nesses posts que a gente faz, nos textos que a gente publica na Mídia Ninja, tá lá, lado a lado, os machistas de plantão e as feministas radicais. Tão criticando a mesma coisa, por motivos diferentes, mas é a mesma coisa.

 

Sidney: Isso já é um indício, né…

 

Amara: Muito interessante…

 

Sidney: Se você tá criticando a mesma coisa que um machista, eu acho que tem algum negócio aí que não deve tá ornando bem…

 

Amara: É. Outro dia, por exemplo, uma delas fez um post gigante falando que ela tá apavorada com a ideia dessas discussões de gênero na escola, porque tão colocando travestis pra ir falar na escola. Ou ela quer acabar com a discussão de gênero na escola, ou ela quer só que mulheres cis-gêneras vão falar, sabe.

 

Sidney: Não existe feminismo possível, se não houver discussão de gênero.

 

Amara: Pois é. E aí, quem defende também que acabe a discussão de gênero na escola? É por motivos diferentes? É. Mas é a mesma coisa que tão pedindo. Uma vez eu vi também, fizeram ataques com relação ao PL que desburocratiza o PL João Nery, o PL que desburocratiza o acesso de pessoas trans à retificação de documentos, à hormonização, a cirurgias… começaram a atacar esse PL, a mesma coisa que a bancada evangélica faz. Olha só, a bancada evangélica tá querendo tirar a prostituição do rol de ocupações reconhecidas pelo Estado, oficialmente reconhecidas pelo Estado. Quem mais quer isso? Feministas radicais. Quem mais quer impedir que pessoas trans possam usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero? Os machistas evangélicos, a bancada evangélica, e as Radfems. Ou seja, é complicadíssimo isso. É por motivos diferentes? É. Mas é a mesma coisa que tão querendo. Então, conseguem pensar alianças estratégicas com essa parte, com esse lado, com essa direita asquerosa, mas não conseguem pensar nenhum tipo de aliança com a gente. Parece que tudo que a gente diga é absurdamente execrável. Mas conseguem tá ali do ladinho da bancada evangélica, xingando a gente e tentando acabar com o nosso movimento. Então, é algo que me deixa muito surpresa. Eu esperava algo mais autorreflexivo, autocrítico.

 

Sidney: mais elaborado, né. E voltando um pouquinho no tema do vídeo, eu fiquei impressionado com essa ocasião porque… Impressionado, não. Infelizmente, não foi impressionado, porque nada novo sob o Sol, né. De que o machismo funciona sempre na medida de passar a mão na cabeça do homem, que é o culpado, e culpabilizar quem não tem culpa, no caso, que era você ali trabalhando. O cliente chega pra você com uma demanda, e aí, a culpa é sua porque você cumpriu a demanda de um cliente. A culpa é sua…

 

Amara: Eu só falei do que ele me pediu. E eu falei o quanto eu fiquei apavorada, inclusive. E eu falei, prostitutas têm que lidar com isso, ouvir isso. Têm que lidar com isso. Lamentável ter que realizar esse tipo de fantasia. É ouvir isso e continuar ali, vivendo depois de ouvir isso. E quem ouve isso somos nós, porque a sociedade não quer fazer um debate sobre sexualidade. Prefere jogar pra debaixo do tapete, todos esses desvios e questões complicadíssimas da sexualidade, tabus. Joga pra debaixo do tapete. E quem tá lá embaixo do tapete? Somos nós, prostitutas. Então, a sociedade nos obriga a lidar com isso. Eu tenho pavor. Um monte de vezes clientes vêm propor algum tipo de joguinho… NO BDSM tem nome isso. Etarismo. Etarismo que chama. Que é brincar de variar a idade, de ter uma outra idade que não a sua. Geralmente, isso envolve brincar de ser criança. Então, o cara quer que você troque a fralda dele, que você trate ele igual um bebê. Ou então ele quer que você se comporte igual a uma criança. (incompreensível) Mas ali eu tava falando sobre as coisas que existem, a sexualidade que existe, não a que devia existir. Mas você falar sobre as coisas que existem de fato… Porque a gente só consegue transformar a sociedade  se a gente sabe o que tá ocorrendo. Se a gente não sabe o que tá ocorrendo, como é que a gente vai mudar? Então, eu tava ali escancarando essas merdas que tão por aí, em todos os cantos da vida. Mas ali é isso, você escancara, e você é a culpada.

 

Sidney: É a grande máxima da repressão, o problema não é o fato, o problema é o vexame. Não importa o que tiver acontecendo, contanto que não vire vexame, tá tudo bem, entre aspas.

 

Dann: Amara, e pegando esse gancho aí que a gente tava conversando de coisas que acontecem e que a sociedade, às vezes, nem quer falar sobre, que são até problemáticos; eu vou até puxar para o livro seu, que você escreveu o livro E Se Eu Fosse Puta, que tem as tirinhas da maravilhosa da Laerte. E é um livro que tem vários capítulos e cada capítulo é basicamente uma história, e você vai desenvolvendo a partir de suas memórias. Só pra explicar para o ouvinte, como é que foi esse processo de criação do livro? Porque eu sei que você tem um blog ainda. Esse blog ainda continua ativo, você produz nesse blog ainda?

 

Amara: Ah, faz tempo já que eu não consigo. Mas em algum momento eu vou voltar.

 

Sidney: Ele tá no ar ainda, o blog?

 

Amara: Tá, tá no ar. E tá lá com os textos originais, inclusive. Eu mudei pouca coisa. Queria que as pessoas também vissem o progresso, o processo. Nesses textos eu tinha um contato mínimo com o feminismo, então isso fica nítido ali, isso fica patente no texto. (incompreensível) Porque no texto eu reelaborei e reescrevi todas as histórias, então tá diferente a linguagem, as palavras escolhidas, a forma de narrar os acontecimentos. Então, tudo ganha outra figura.

 

Sidney: Você começou com a escrita do blog logo quando você começou a atuar?

 

Amara: Não, acho que foi antes mesmo de eu conseguir começar a atuar. Porque eu fui uma primeira vez, aí eu não consegui nenhum cliente, sofri pra caralho, passei muito frio, e eu não gostei…

 

Dann: Eu lembro dessa história.

 

Amara: E aí eu escrevo o blog, né, “e se eu fosse puta?” tentando imaginar e se eu fosse. Mas ali eu ainda não era. Ali eu ainda não tinha conseguido começar. Tinha sido só um puta de um sofrimento, minha autoestima lá no chão, me sentindo um lixo. E depois eu fui entendendo que eu não consegui ninguém porque eu tava ali toda insegura. O cliente nota quando você tá insegura. Teve uma vez que eu fui, tava num momento muito depressivo. É engraçado, eu levei um xeque-mate no doutorado, a coordenadora me deu um ultimato pra parar com a militância e focar no doutorado, se não ela ia atrás da minha bolsa, sei lá.

 

Dann: Nossa.

 

Amara: Deu a entender, sabe. E eu fiquei muito mal. Eu já tava com uma raiva da universidade, falei, quer saber, eu vou pra a rua hoje, se eu conseguir 100 Reais ali, eu vou jogar meu doutorado no lixo. Foda-se. Vou virar prostituta de vez e viver completamente da prostituição. Foda-se essa merda de doutorado. Porque eu tava muito abalada. Eu cheguei lá com o olhinho lacrimejando, com aquela aparência triste. E foi o segundo dia que eu não fiz nenhum cliente (risos).

 

Dann: Para o cliente, não seria nada convidativo…Que ele vem ali fugir talvez de outros problemas da vida real dele, né…

 

Amara: sim, ele quer atuação. Ele não quer que eu seja de verdade. Ele quer uma máscara. Toda feliz e cheia de tesão, cheia de vida, sabe. E quando ele percebe que você tá ali pra baixo, ele não quer entrar na sua vibe. Então, ele  nem vai parar. Sabe, os carros nem paravam. E foi terrível. E foi como se eu tivesse vendo um aviso (risos). Um aviso da divindade. De Zeus. Falando assim, não abandone o doutorado, continue nas duas coisas ao mesmo tempo (risos).

 

Sidney: Não precisa largar um pra ficar com o outro.

 

Amara: É o que querem, né. Que eu abandone, que eu largue mão daquilo. E existe algo de simbólico e de importante em eu terminar essa porcaria, conseguir esse titulo. Vai ser a sexta pessoa trans, eu acho. Dos meus cálculos, que eu conheço, eu vou ser a sexta pessoa trans com o título de doutorado no Brasil. Então, é muito pouco ainda. A gente ainda é sujeira estatística. A gente tem que tá criando condições pra que essa realidade vá se transformando.

 

Dann: sim.

 

Amara: Outra coisa também importante de falar, nesse primeiro momento, eu vou pra a rua e é engraçado, porque eu passei a vida… Eu fui pra a universidade fazer Letras porque eu queria ser escritora. Aí, o que aconteceu foi que quando eu chego lá, me apresentam Dante, me apresentam Camões, me apresentam Guimarães Rosa, de forma decente. E eu olho pra esse monte de gente que viveu há milênios… Homero… e eu falo, o que eu tenho pra falar? Tudo já foi dito. É uma coisa que vigora. Não sei se toda geração literária tem esse momento. Todo corte temporal dentro da Literatura tem esse dilema, tudo já foi dito, o que eu posso dizer ainda? Mas eu fiquei ali e eu não conseguia mais escrever. Passei muito tempo sem escrever. Quando eu começo a minha transição, eu começo a sentir vontade, necessidade de escrever. Eu começo a perceber que as pessoas não têm ideia do que vive uma pessoa trans. E a Literatura, a palavra, a experimentação com a linguagem é um lugar por excelência pra tentar transmitir e comunicar essas violências e essas coisas que só o nosso olhar percebe. Então, eu volto a conseguir escrever quando eu começo a minha transição. E eu volto a sentir uma urgência de escrever quando eu começo a me prostituir. Porque ali eu vi as coisas que precisavam ser ditas. Ali eu vi coisas…

 

Sidney: Que não são ditas, né…E que não são ditas. Porque aí você partiu desse pasmo de perceber que, ah meu deus, tudo já foi dito. De repente, você descobriu que tem coisas que as pessoas não querem dizer, né.

 

Amara: Sim, coisas pra caralho. Histórias em baixo do tapete querendo ser contadas, mas não por um olhar exotificante, sabe. Tem prostituta na Literatura? Tem pra caralho. Mas quando é que elas olham pra aquelas personagens e se  veem representadas ali? E veem, “nossa, realmente, isso aqui aconteceu comigo”. Quase nunca, sabe. É sempre umas personagens caricatas, longe completamente da nossa realidade.

 

Sidney: sempre esse olhar de fora…

 

Amara: Ou tratadas com condescendência, com piedade, com nojo. Ou tratada como uma super heroína, uma pessoa super esclarecida e poderosa, e dona do mundo. Ou seja, cadê a verdade? Cadê a escrita que revela o que a gente sente, o que a gente vive, o que a gente vê; e não nos usa só como elemento pra construir narrativas? E aí, eu começo a escrever sobre isso. Eu quero que as pessoas também batam o olho numa pessoa ocupando as esquinas ali à noite e vejam essas narrativas no meio daquele corpo. Eu quero que olhem pra a prostituta à noite, na esquina, e não pensem, “nossa, vida fácil, pessoa sem moral, depravada”. Eu quero que pensem, “nossa, ela tá aguentando esse frio, com aquela pouca quantidade de roupa”. Eu quero que pensem, “nossa, quanto de violência que ela sofre na mão de clientes que vão até ela desmerecer o trabalho dela, que querem fazer de graça, que falam que têm problemas com pagar por sexo”. “Ai, eu tenho problemas com pagar por sexo, sabe. Eu gostaria que fosse de graça, eu gostaria que fosse por amor”. (risos)Sabe, ele quer fazer sexo com uma pessoa que não quer fazer sexo com ele, sabe, não me viu na balada e veio dar em cima de mim. Ele foi ali na esquina, buscou uma prostituta, mas ele tem problema com pagar por sexo. Porque tem putafobia, porque a gente não sabe reconhecer sexo como um saber, como algo que algumas pessoas sabem fazer como ninguém mais sabe. E que, por isso, pode ser remunerado, pode ser valorizado. Tratam sexo ainda como uma coisa que a pessoa aprende sozinha. Então, ela nasce sabendo… Não vale dinheiro isso, não é possível que isso seja valorizado, qualquer um sabe fazer sexo. E é uma puta de uma mentira isso.

 

Dann: E no seu livro, você até fala… Agora que eu lembrei de um trecho. Tem, por exemplo, pessoas que vocês conhecem na pista e começam a falar que vai tirar vocês dessa vida, fazer o homem salvador que vai chegar e… Um papo assim, todo de que eu irei tirar você dessa vida, e tudo mais. Mas, na verdade, ele queria o sexo de graça. O objetivo final.

 

Amara: Sim, pois é. Cada vez que eles nos dizem que nos amam, a gente fica em alerta, porque eles não pagam pra ouvir “não”. Se eles ouvem “não”, “Nossa, quem é você, uma travesti prostituta, pra falar não pro meu amor?” Sabe. Então, eles não têm uma noção muito clara de consentimento, de mutualidade, de sentimento mútuo. Não, pra eles, se eles gostam de você, você é deles. E aí tem a ver com machismo, tem a ver com a putafobia, tem a ver com a transfobia. Então, se ele teve a coragem, se ele se dignou a dizer que ele gosta de você, a reconhecer isso, você tem que se entregar de mão beijada pra ele.

 

Dann: Dando prosseguimento também aqui nessa questão, desse livro seu, Amara, qual caso que você acha que é o mais emblemático, que você relatou e que te marcou profundamente?

 

Amara: Então, eu falo, em alguns momentos do livro, no final do livro, eu falo que o cliente vai lá pra tirar as máscaras que o machismo colocou na cara dele. Quem é quem de verdade, a prostituta é quem vê. A nudez final, a nudez, nudez, essa está reservada só pra a profissional de fato, só pra quem saiba despir. Brincando com essa ideia de que o homem, só ali que ele se mostra. Ali que ele diz o que ele não ousa dizer pra mais ninguém, pra pessoa que ele ama, pra a pessoa com quem ele convive, pros pais, amigos, colegas de trabalho. As coisas que ele deseja, ele vai falar pra nós. E é interessante isso, o machismo cria uma ideia de que homem de verdade faz sexo de uma determinada maneira. E se você não gosta de fazer sexo daquela maneira, você tem que fazer aquele sexo com as pessoas com quem você convive, mas tem que buscar fora pra lidar com o desejo que a própria sociedade criou. Porque não é o indivíduo que cria o seu próprio desejo, existe algo de uma responsabilidade da sociedade nos desejos que são criados. Quando eu penso nesse cidadão aí que vai… Que ele quer que eu vista uma calcinha de criança e fingir que eu sou filha dele, isso foi um desejo criado pela sociedade. A gente tem que aprender a responsabilizar o individuo, ok. Mas a gente tem que aprender também a reconhecer a parcela de culpa da sociedade em fazer, em criar indivíduos que desejem dessa forma. A gente tem que entender também que existe um criar. Os nossos desejos são criados pelo contexto histórico que a gente vive. É fácil jogar uma pessoa na fogueira e não entender que aquela pessoa é sintoma de uma sociedade, ou de uma questão muito mais ampla. É aí que acontece…O cliente vai lá pra se desmascarar, ele vai lá pra tirar essa máscara que o machismo pôs na cara dele, e poder respirar um pouco de ar puro. Mas nós, a gente tem que estar muito, muito mascaradas. Porque vai ser cobrado da gente performance, e se a gente não tiver muito dentro de uma personagem, a gente vai se machucar. Teve uma vez, por exemplo, que eu fiquei com um rapaz, não dava nada por ele, peludo, um jeitinho afeminado, gordo… Sabe, a pessoa que eu não olharia na balada, que eu não daria em cima na balada, não piscaria de volta. E a gente foi pra a cama e, nossa, ele me tratou com tanto carinho, foi tão gostoso. E eu fui me soltando. E fui deixando levar. Foi uma das melhores transas da minha vida. E aí, de repente, quando ele gozou, ele lembra quem eu sou…

 

Dann: Acabou.

 

Amara: Ele lembra que eu sou prostituta, ele lembra que eu sou escória da sociedade, que ele não pode sentir desejo por mim. Ele começa a sentir nojo pelo que ele sentiu por mim, e não conseguia mais tocar em mim, não conseguia mais falar comigo. Ele não conseguia mais me olhar nos olhos. Ele só queria sair dali o mais rápido possível. Então, foi muito violento pra mim viver essa situação. Aquele momento que eu me entreguei, que eu me deixei levar… Falei, nossa, tá super gostoso… Não é que eu queria casar com ele. Eu só não queria que a pessoa que tá me tratando bem cinco minutos atrás, agora, me tratasse como se eu fosse lixo. Eu acho que esse é um caso emblemático do que vive uma travesti.

 

Sidney: Nossa, isso mexe muito com a autoestima, Amara, então…

 

Amara: Então, por isso que você tem que tá muito mascarada. Você tem que tá muito blindada. Pra aprender a lidar com isso e ter lá a sua casca grossa, a sua couraça, a sua armadura, pra te proteger disso, te defender disso. Porque, se não, você sai dali um bagaço, todos os dias.

 

Sidney: Se não, não resiste também…Pra voltar no outro dia.

 

Amara: Enlouquece. O cliente vai lá pra se desmascarar. Mas a gente tem que tá muito mascarada.

 

Sidney: Eu fiquei curioso, Amara, você contou aí das suas primeiras experiências não conseguido clientes. Como foi a tua experiência com teu primeiro cliente?

 

Amara: Então, o primeiro dia foi terrível, aquele primeiro dia em que eu não consegui ninguém. Mas o segundo dia foi muito divertido. Teve um churrasco, a gente bebeu, eu tava super descontraída. Aí, teve um momento que todas as meninas foram pra a rua. Aí eu falei, ah, vou fazer a chuca também e vou. Vou tentar de novo. Eu tava bem tranquila… fui, fiz a chuca, e fui pra a rua. E fui tranquila, o que vier, veio. Eu tinha conversado com uma amiga… Porque, na outra vez, o que aconteceu. Existem os preços da rua tabelados. Então, assim, era 20 o oral, 30 o completo no carro ou atrás do matinho, 50 dentro do quarto, pagando 10 pra a dona da pensão. Eram esses valores, e todas as meninas da rua cobravam isso. A não ser que você fidelizou cliente, você pode cobrar um pouco a mais, porque o cara gosta de você, blá-blá-blá. Ou seja, eu tava ali e eu falei, “30 o completo”, e o que é o completo? É o anal e o oral. E aí ele falou, “Não, eu quero, eu te dou 20”. E eu fiquei ofendida por aquilo. Eu me senti um lixo. Como assim, 20? E eu tava muito insegura também. Porque fazia algum tempo que eu não transava com ninguém, então eu tava com medo de ele me pagar 20 e depois ele ainda chegar e falar que não valeu a pena os 20 que ele me pagou. Eu tava com um monte de inseguranças. E eu não consegui aceitar. E eu acho que eu queria que ele não… Eu falei, “30 ou não tem conversa”. Mas eu não queria que ele falasse, “Eu tenho 30”. Eu queria que ele fosse embora.

 

Sidney: Só queria já pra ele ir embora…

 

Amara: Eu tava muito insegura. O cara não passava segurança, tudo mais. Então, eu voltei pra casa assim, parte porque eu não quis aceitar isso daí. Aí, uma outra amiga veio e me falou assim, “Olha, antigamente você fazia tudo, o banheirão, você fazia o dark room, o chat UOL, você fazia tudo de graça. Você não fazia questão nenhuma de saber quem era o imbecil com quem você ia transar. Você transava com o primeiro que aparecesse na frente.” Eu era assim, a forma de me relacionar sexualmente era banheirão, mas sem olhar se o cara era bonito ou não. Era o cara que queria transar comigo ali no Box. Então, o dark room, a mesma coisa. O cinemão eu nunca fiz, mas acho divertido pensar na ideia. O chat UOL, sabe… E no chat UOL eu falava pra as pessoas, não manda nem foto. Eu gosto de descobrir na hora quem é o cara. Porque pra mim era tranquilo de lidar com o anonimato, de lidar com corpos variados. Beleza, sabe. E aí, qual é a questão? Ela falou, “Você fazia tudo isso de graça, e agora tão te oferecendo dinheiro. Eu, se fosse você, pegava esses 20, porque uma vai acabar fazendo, então esses 20 vai parar na bolsa de alguém.” Então, ou seja, se eu fizer de graça, agora eu to ganhando alguma coisa, divirta-se. E eu comecei a pensar com mais leveza sobre isso. E com a mente mais aberta pra ver quanto que ele estava disposta a pagar e até como uma questão de experiência, ganhar experiência. Fidelizar cliente, aceita fazer por um valor mais baixo, na expectativa de que fidelize e que eu ganhe experiência também, e eu vou descobrindo como é que se faz, como é que se vive ali naquele espaço. Então, eu fui com uma mente muito mais leve pra a segunda tentativa. E foi tudo muito tranquilo. E eu acho que eu já tava transpirando, transparecendo essa leveza. Então, já chegou o primeiro de cara, ele já falou, não teve nem barganha, ele perguntou o preço, eu falei, vamo lá, fizemos. Aí, veio o segundo, eu não consegui esperar nem 10 minutos pra retocar minha maquiagem, já veio o segundo. E o terceiro já tava me ligando no telefone, porque ele tinha pegado meu telefone no dia anterior, e ele queria sair comigo. Então, assim, três em seguida, foi… Eu senti tesão ali como eu nunca sentia antes. Acho que ali era a primeira vez que eu era, de fato, lida como Amara, desejada como Amara. Era a primeira vez que eu me via capaz de ser objeto de desejo, objeto de afeto. Essa é uma coisa, assim… As pessoas falam que eu escolhi a prostituição. Mas é uma questão delicada falar que eu escolhi. (incompreensível) Tem cinco pessoas (incompreensível)… você olha pro lado, você não vê pessoas trans. Se juntar na cafeteria, nós cinco, ainda assim a gente vai ser minoria naquele espaço. A gente tá cercadas de pessoas que são diferentes de nós e não sabem o que é viver transfobia. Então, quando eu ia pra a prostituição, ali eu tava numa rua que só tinha travestis. Só tinha gente que era igual a mim e sabia o que é transfobia, e sabia os dramas que a gente vive. Então, existia uma questão de classe também. Eu vim da classe média, eu pude estudar, o meu Português é diferente. Então, ali eu não era parte completamente também daquele espaço. Ali eu era travesti, mas eu vinha de outro lugar social. Na universidade, eu era da classe média como a maioria daquelas pessoas, mas eu era travesti. É como se não existisse um local onde eu pudesse ser inteira, onde eu estivesse no meio de iguais. Mas eu queria poder ir pra um lugar, viver um lugar onde eu estivesse junto de pessoas que viviam transfobia como eu vivia. Que sabiam como é viver num mundo que não foi feito pra nós. Ali eu podia ser desejada, ali eu podia ser admirada, podia ser elogiada. Ali na prostituição eu não preciso de decreto pra respeitar nome social, de gênero. É o único lugar na sociedade que não precisa de uma legislação específica pra que nosso nome e nosso gênero seja respeitado. Isso desde os anos 80, 90, sabe. Entende, não é pouca coisa. Isso é a sociedade dizer “é lá que você pode ser você mesma”.

 

Dann: É o único lugar, né…

 

Amara: É lá que você pode existir sem precisar ficar negociando a sua identidade.

 

Sidney: Nossa, eu imagino que seja libertador, inclusive.

 

Amara: Então, é muita violência, é muita violência machista, putafóbica, transfóbica. Mas ali é onde a sua identidade não tá sendo colocada em descrédito. Você não vai ter medo de ir no banheiro. Você sabe que vão tá te olhando como travesti, como gênero feminino. E essa questão é muito importante. Ou seja, são várias coisas que tem que considerar.

 

Sidney: Oh, Amara, eu queria… Ainda bem que você levantou esse tema, que eu queria levantar e, talvez, se você não tivesse levantado antes de mim, eu fosse equivocado. Porque eu ia tratar realmente dessa questão da escolha. E de fato, você falando, não me parece realmente uma escolha. Mas eu queria trazer a voz de quem olha de fora e de quem olha com preconceito também, inclusive. De que a prostituição é sempre vista como esse último recurso de quem não tem escolha nenhuma. E você fala no começo da nossa conversa que você, inclusive, pensa em voltar, porque você acha esse um ambiente legitimo de atuação. E que as pessoas não enxergam como isso. E eu queria que tu falasse sobre essa relação entre a prostituição como falta de opção e a prostituição enquanto esse campo de atuação legítimo que deve ser respeitado e que tem, inclusive, suas próprias dinâmicas e que são dinâmicas legítimas.

 

Amara: Claro. Justamente, essa é uma questão muito interessante. Porque, de alguma forma, isso (incompreensível). Eu poderia não ter ido pra lá. Mas, pra você ter uma ideia, quando eu começo a minha transição, eu me matriculei num curso da Embeleze de manicure. Porque eu tinha medo que, mesmo eu fazer o doutorado… Eu não sabia se eu ia poder continuar fazendo o doutorado. E eu não sabia se, mesmo eu fazendo o doutorado, eu poderia ter algum tipo de emprego. Eu não acreditava na hipótese de eu voltar a ser professora. Dez anos atrás, quando existia a possibilidade como homem, mesmo sem um currículo que me ajudasse, ou com experiências anteriores, com outras… Mesmo assim, eu fui atrás de emprego e consegui ser professora… Professor, né, naquele momento, de um grande colégio da minha cidade. E agora, terminando o doutorado, numa das melhores universidades do país, mesmo assim não seria possível eu ser professora. A não ser que eu contasse com a coragem do ambiente de ensino. Olha só, você fazendo doutorado, estudando um dos autores mais difíceis da literatura ocidental, e você vai precisar contar com a coragem do estabelecimento de ensino.

 

Sidney: Seu currículo não fala por si mesmo…

 

Amara: E isso mostra bastante qual que é o lugar que a pessoa trans pode estar e pode ser inteira, e não vai ser deslegitimada. Porque isso é, eu entro na sala de aula pra dar aula de Machado de Assis, e a primeira pergunta é se eu sou homem ou sou mulher. Foca no meu genital, sabe. E começa, “Ah, eu não acredito que eu vou ter aula com um traveco”. Quem vai peitar isso? Quem vai peitar a transfobia dos alunos, dos outros professores e, mais do que isso, dos pais de alunos? Imagina, pais de alunos sabendo que “meu filho e minha filha tão tendo aula com uma travesti”. É inacreditável pra essas pessoas, porque parece que a gente não tem absolutamente nada pra ensinar, e a gente transforma e perverte gente só por tá perto.

 

Sidney: Nossa, deve ser avassalador, inclusive.

 

Amara: Ou seja, é isso, né. E eu acreditava e tinha medo de precisar me prostituir. E eu fui fazer um curso de manicure. E eu descobri que eu tenho um tremor, eu tenho um problema metabólico. Eu sempre tive, mas eu não sabia que isso seria determinante pra que eu não conseguisse ter sucesso ali na manicure. Acabou que eu terminei o curso, mas é muito difícil pra mim fazer as unhas, eu tremo muito, machuco a mão, então não dá. E qual é a questão? Quando eu começo a me aproximar da militância, eu começo a descobrir que as pessoas trans que vieram antes de mim, todas elas ou quase todas elas pagaram o preço da prostituição. Tiveram que pagar esse preço pra existir como são. E que elas pagaram esse preço pra que, hoje, eu pudesse escolher se eu ia pagar ou não ia pagar. Hoje, eu teria essa escolha. Só que quando eu começo a me aproximar dali, começo a descobrir o quão forte é essa relação e o quanto as vidas delas são exemplos pra mim, passam a ser figuras que eu admiro imensamente. E o quanto as narrativas que elas vivem, as histórias que elas vivem são completamente desconhecidas. E ninguém sabe o que uma prostituta vive, especialmente uma prostituta travesti. Então, eu começo a sentir a necessidade de tá ali, de poder contar aquelas histórias, de poder participar daquela luta. E começo a olhar pro sexo com outro olhar. Agora eu olho pro sexo não como o lugar que a gente é obrigadas a estar, mas como o lugar que nos permite continuar existindo, quando todo o restante da sociedade nos fecha as portas. Começo a olhar pra a prostituição… Quando a família te expulsa, quando o mercado de trabalho fecha as portas, quando a escola te tira da sala de aula, onde é que você pode continuar existindo? É na prostituição. Onde você vai poder ser você mesma e tirar a máscara que colocaram no seu rosto quando você nasceu, por conta de genital? Vai ser a prostituição. E a luta passa a ser “vamos lutar pra que a prostituição seja um local que não nos violente, que nos remunere bem e que não nos estigmatize”. Ou seja, eu quero participar dessa luta, eu quero tá ali porque essa luta me diz respeito diretamente. Antes de ser prostituta, eu já era lida como prostituta na rua. As pessoas já me paravam na rua pra perguntar meu preço. Já davam em cima de mim como se eu fosse, imaginando que eu era, por ser travesti.

 

Dann: Entendi.

 

Amara: Então, os estigmas da travesti e da prostituta, muitas vezes, se juntam de tal forma que não dá pra diferenciar. Uma das primeiras coisas que eu ouvi, quando eu começo a minha transição na Unicamp, foi uma menina que virou pra mim e falou, “Ah, eu não acredito. Como assim? Você vai virar prostituta?” Ela me viu com um tênis rosa, uma calça jeans e uma blusa do Bob Esponja e me pergunta se eu vou virar prostituta! Sabe, eu tava ali pra fazer meu doutorado, e a pergunta dela era se eu ia virar prostituta. Por quê? Porque, na sociedade que a gente existe, o único lugar onde faz sentido a travesti existir é a prostituição. É uma coisa que a gente vai lutar pra que esse lugar seja seguro e, ao mesmo tempo, a gente vai lutar pra abrir brechas pra a sociedade como um todo pra que a gente possa ocupar todos os lugares.

 

Dann: Para que possa, de fato, ser uma escolha, né, Amara.

 

Amara: Sim. Uma questão de eu gosto de trabalhar com sexo, aqui eu ganho uma grana boa, e tem condições de trabalho minimamente adequadas. Mas é isso, 90% das travestis tão lá, então essa luta é necessária no ponto de vista da população T. Se 90% de nós tá lá, esse lugar é prioridade pra nós. A gente precisa transformar esse lugar, pra ontem, num lugar seguro, num lugar onde a gente possa continuar existindo. E é isso, eu perdi o medo de ser prostituta, eu perdi o medo de falar que eu sou prostituta, de descrever sobre as realidades que a gente vive ali, sobre os clientes que a gente encontra. E percebi também que ali a gente tem uma perspectiva, um ponto de vista sobre a sociedade que em nenhum outro lugar dá pra ver. Ali a gente vê a masculinidade do jeito que ela foi criada pra ser, a gente vê a masculinidade sem máscaras, desses homens que, na vida real, estão lá agindo de acordo com o código, mas ali com a gente eles vão tentar existir pra além desse código…

 

Sidney: Dando voz aos desejos…

 

Amara: Ali eu tô vendo tudo isso acontecer, eu vejo. E eu poder falar sobre isso, e poder ver isso acontecendo, pra mim, é muito necessário. Poder fazer com que as narrativas das minhas colegas de trabalho passem a ser conhecidas. Agora que elas viram que eu lancei meu livro, elas querem que eu ajude elas a lançar o livro delas. (risos)

 

Dann: Quem sabe, mais à frente, teremos outros livros com outras narrativas maravilhosas também pra a gente poder acompanhar. Oh, Amara, continuando essa linha que você tava desenvolvendo, você foi conhecendo pessoas e entrando na militância e isso culminou pra chegar, por exemplo, nas eleições passadas e você e uma série de pessoas que eu acompanho no Facebook, que é a Indianara que, inclusive, é uma grande amiga sua; A Luiza Copieters; lá no Nordeste tem a Linda Brasil; Samara  Braga foi até candidata a prefeita pelo PSOL, a gente até já entrevistou ela aqui também. Então, esse caminho, esse percurso que você foi galgando aí chegou na questão de tentar ser vereadora do seu município. E o que você pretendia de propostas pra essa população, de tá num poder legislativo e já poder fazer algo, pelo menos em nível municipal já?

 

Amara: Então, dá pra pensar, por exemplo, sendo eleita, eu ia querer compor a minha… colocar assessores ali só pessoas trans. E pela primeira vez, então, ia ter pessoas trans ocupando postos da Câmara Municipal de Campinas. Aquela Câmara, pra vocês terem uma ideia, são 33 vereadores, uma mulher eleita. E na última eleição também teve uma mulher eleita. Então, 3% de mulheres fazem parte disso. Na última eleição, dos 50 nomes mais votados, só tinha uma mulher, essa que se elegeu. Então, não é uma questão de só uma entre os 30 mais, os 33 vereadores eleitos. É uma entre as 50 pessoas mais votadas do município. Ou seja, é um lugar muito machista, um lugar muito conservador. E aí, de repente, colocar uma travesti como vereadora nesse espaço, isso é um barril de pólvora. A gente vai escancarar coisas absurdas que acontecem nessa cidade. É uma cidade que tem fama de LGBT  no Brasil inteiro, mas que tem vergonha dessa fama. E tendo uma vereadora travesti, tendo talvez a futura escritora mais importante da cidade, e sendo travesti, sabe… Porque Campinas não tem nenhum escritor famoso, praticamente (risos). Eu posso ser a pessoa mais famosa dessa cidade…

 

Sidney: Olha ela!

 

Dann: Eu espero que vocês não tenham desistido e, nas próximas eleições, vocês apareçam novamente. Porque, no todo, em geral, eu vi que o número de votos é um número de votos bom. Então, tem potencial de ser eleito e causar essa mudança.

 

Amara: Eu não fiz campanha, praticamente. Só fiz pela internet. Eu tinha medo de pedir pra as pessoas doarem dinheiro, porque eu não sabia lidar com dinheiro, eu não sabia lidar com a prestação de contas no final, eu tinha medo da burocracia, eu tinha medo de cometer algum erro por ser inexperiente, por não ter assessoria, e me tornar inelegível, e cometer algum crime eleitoral por desconhecimento, por amadorismo. Agora eu vou chegar com muito mais tranquilidade nesse espaço. Agora eu já sei como é que as coisas se dão. Agora é muito mais tranquilo tudo isso. Ou seja, não tô com medo mais de tá nessa disputa. Vai ser isso, eu vou tentar de novo ano que vem, mas ainda não to pensando… Primeiro eu quero me livrar do doutorado, depois eu começo a pensar em eleições.(risos)

 

Dann: É, eu acho que é importante esse espaço. E eu fiquei muito feliz com os resultados das eleições. E eu acompanhei também a votação da Indianara,  e a Indianara também teve uma votação bem expressiva. Indianara é de Santos, né?

 

Amara: Não, não. Ela é de Pontal do Paranaguá, no Paraná. Ela morou em Santos, mas ela vive…

 

Dann: Ah, tá. Entendi. Mas enfim, espero que, futuramente, vejamos aí grandes travestis no legislativo…

 

Amara: Ah, pode contar com isso.

 

Dann: Botando esse povo pra poder endoidar a cabeça deles e, enfim, a gente conquistar esse espaço e estar. Porque o espaço é de todos LGBTs. Dizem que não devemos estar lá, mas tem que estar, sim. E tem que tá incomodando, e alguma mudança vai ocorrer. Eu espero.

 

(VINHETA: ENTRE EFEITOS SONOROS DE IMPACTO E DE DISTORÇÃO DE ÁUDIO, A VOZ ANUNCIA “MOMENTO SUPER PODERES!”)

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dann: A gente tem uma pergunta que a gente faz aos nossos convidados, que é uma pergunta de praxe e meio nerd, e geralmente deixamos os convidados pensativos pra poder responder pra a gente. Então, além de todos esses super poderes que você tem na vida real, de ser escritora, levar sua voz através da fala, de ter coragem e dar a cara a tapa e de tentar uma vaga no legislativo, de expor a sua voz para que as pessoas entendam e combatam aí a putafobia e a transfobia em geral; mas se você tivesse um super poder literal, desse mundo nerd…

 

Sidney: De super herói.

 

Dann: De super herói, qual seria o seu super poder pra poder combater esses preconceitos?

 

Amara: Ai, é super delicado, porque ter um super poder te coloca numa situação injusta, porque faz com que você esteja ali, de alguma forma, driblando as regras do jogo ou, sei lá, dando um golpe no jogo… Então…

 

Sidney: Como se fosse desleal, né?

 

Amara: É, quase desleal, imagina, eu posso ler pensamentos? Aí, eu consigo ler o que a pessoa tá pensando, e antecipar as respostas, isso é perigoso, sabe… (risos)

 

Sidney: Mas, se a gente parar pra pensar, tem gente que tem poderes que a gente não tem, né. E é desleal também a gente ter que tá driblando eles. Qual você teria pra driblar essa deslealdade que já é fato, inclusive?

 

Amara: Eu acho que eu gosto do poder da palavra, eu gosto desse poder porque é isso, a palavra leva pessoas também pra um lugar onde elas não imaginavam. Eu gosto de poder escrever de um jeito, ou falar de um jeito que as pessoas vão ficar abaladas, que vai mexer com certezas. É engraçado que eu gosto, sabe, Sócrates, essa figura que vai abalar as certezas, mas Jesus também era, né. Eu tive uma formação católica. Jesus não era essa pessoa que ia te dar regrinhas de como viver, ele ia tá o tempo todo te provocando pra você repensar seus dogmas e suas verdades. Eu gosto muito disso. Eu gosto de ser essa pessoa que não deixa você seguro e tranquilo, que faz você o tempo todo tá sentindo que falta coisa ainda pra entender, pra entender o mundo, pra conseguir existir de uma forma mais digna, menos violenta. Eu gosto de ser essa pessoa que vai abalar as certezas e fazer a pessoa repensar suas condutas e se colocar numa posição de escuta. Acho que o poder da palavra, esse poder socrático (risos).

 

Sidney: E a palavra é poderosa, literalmente. A gente pode considerar que a palavra é um super poder mesmo.

 

Dann: E o legal é que, agora que eu lembrei, o seu livro inicia com a citação de Mateus 21:31 (risos). “As prostitutas vos precederão no reino de Deus”.(risos) Amara, muitíssimo obrigado. Adorei esse programa, foi super divertido. Eu queria conhecer você, conversar com você, a gente acompanha as pessoas pelas redes sociais e a gente acaba até acompanhando a rotina e cria até um certo carinho e empatia com algumas figuras que a gente vai acompanhando por aí. E você é uma delas que eu tenho um carinho especial, venho acompanhando. Quando você lançou seu livro, eu fiquei muito feliz por você. Mesmo você não sabendo quem eu era, mas eu fiquei muito feliz. Porque eu te tenho no Facebook há muito tempo, e eu fui vendo a Amara que é hoje nascendo e se mostrando no Facebook. E cada faceta que eu ia acompanhando, eu ia te admirando cada dia mais. Enfim, fica aqui meu eterno agradecimento por você ter…

 

Sidney: Nossa, eu tô lisonjeado e honrado de tá aqui conversando com a Amara. Amara, pra encerrar, você  tem redes, links? Onde é que a gente pode te encontrar na internet?

 

Dann: E fala sobre seu livro novo com o João e agora o Tarso.

 

Amara: A gente lançou um livro que vai falar sobre minha trajetória, tentando ver um pouco sobre desde cedo como é que eu fui construindo, como é que eu fui me descobrindo, como eu fui me encontrando. Todo esse percurso antes da Amara, tá lá nesse livro, “Vidas Trans”. E tem relatos também do João Nery, da Márcia rocha e do Tarso Brant. Tá muito bonito, to gostando bastante dele. Dá pra me encontrar no Facebook, é a rede que eu mais acesso. Eu sou colunista na Mídia Ninja, tem vários textos meus na Mídia Ninja. Amara Moira no Facebook, é Amara Moira no Twitter e no Instagram também, só que pra me achar nesses lugares vai ter mais de uma Amara Moira, tem poucas no mundo, mas tem algumas.

 

Sidney: A gente vai deixar os links na postagem pra o pessoal clicar e seguir.

 

Amara: Maravilha.

 

Dann: É isso.

 

Sidney: foi ótimo.

 

Dann: Quer deixar uma mensagem final para os ouvintes?

 

Amara: Ah, to bastante feliz, gostei bastante da conversa, é isso. Acho que consegui dizer coisas que eu queria dizer. Espero que você que tá ouvindo a gente, depois dessa uma hora quase, ou talvez uma hora… (risos)

 

Sidney: É, vira íntimo, viu.

 

Amara: Espero que valeu a pena escutar tudo isso.

 

Dann: É um ouvinte diferente. Ele ouve tudo. Pelo menos os que são podcasteiros mesmo.

 

Sidney: Cria intimidade.

 

Dann: A gente ouve lavando vasilha, ouve na academia, ouve em trânsito…

 

Sidney: Leva pra todo canto, sua voz vai tá na casa das pessoas, no cotidiano. Amara, muito obrigado.

 

(EFEITO SONORO: TRANSIÇÃO)

 

Dann: Que programa maravilhoso, né, Sidney?

 

Sidney: Pois é, menino, conversar com a Amara é um VRÁ na sua cara atrás do outro. Adoro. E foi uma conversa muito esclarecedora também.

 

Dann: Sim, sim. Deu pra aprender muito e fica aí a mensagem pra vocês. E hoje, aproveitando esse show de VRÁS, nós temos que falar de uma promoção. Explica pra nosso ouvinte o escopo geral dessa nossa promoção aí, Sid.

 

Sidney: Pois é, menino, a gente está sorteando entre os nossos ouvintes oito livros e eles são todos os oito com a temática LGBT, e a gente vai aproveitar o espaço das dicas agora pra dizer quais são os livros pra você concorrer, e se você não ganhar, você vai lá e tem oito dicas pra ler. Alguns deles, inclusive, a gente já trabalhou aqui no HQ da Vida.

 

Dann: Inclusive, praticamente todos a gente já indicou aqui no HQ da Vida. Primeiro, nós vamos ter um sorteio de cinco livros, que vai ser Viagem Solitária,  que é do João W. Nery, já entrevistamos; Homofobia – Identificar e Prevenir, da Jaqueline Gomes de Jesus, que também já entrevistamos; vamos também sortear o livro Linchamentos – A justiça popular no Brasil, de José de Sousa Martins, que é um sociólogo maravilhoso, que não entrevistamos, mas que poderia também entrar no escopo d nosso rol de entrevistas; temos Meu Amigo Secreto – Feminismo Além das Redes Sociais, que é do Coletivo Não Me Calo, eu sei que tem algumas meninas que são bissexuais, quem sabe aí fica um dia um HQ da Vida; e E Se Eu Fosse Puta, da Amara Moira, que também já indicamos aqui e a entrevista hoje, nada mais, nada menos, foi com a própria Amara Moira. Então, você tem cinco livros. É muito fácil de participar dessa promoção. Entre no nosso site, WWW.hqdavida.com.br e assina o nosso formulário, leia os regulamentos, que é curtir a página do Facebook, Twitter, Sound Cloud e você vai concorrer e poderá levar sozinho os cinco livros.

 

Sidney: Exatamente. Mas aí, como a gente tem todo um carinho pelos nossos patrões, a gente separou três que só eles vão concorrer, não é Isso, Dann?

 

Dann: Justamente. NO dia que a gente atingir as metas da promoção, nós vamos fazer um sorteio de três livros adicionais. Inclusive, todos esses livros já são as indicações do programa de hoje. Que é a Coleção Anti Princesas. E já deixamos anunciado aqui que tem também a coleção Anti Heróis. E dentro dos livros da coleção Anti Princesas que a gente vai sortear, são os três primeiros livros da coleção, que é Frida Kahlo, Clarice Lispector e Violeta Parra. É isso aí.

 

Sidney: Ai gente, olha só, os padrinhos sendo aqui mimados, não é mesmo. Já começou.

 

Dann: Nossa, e a promoção mal começou, mal fizemos o áudio, no primeiro dia, só postamos nas nossas redes sociais e já conseguimos várias curtidas. E tem gente que curtiu e não preencheu o formulário. Então, cuidado, curta as páginas e preencha o formulário porque a gente vai gerar o sorteio a partir do formulário, a gente tá tendo mais curtidas do que preenchimento no formulário. Estou ficando feliz pelas curtidas e as pessoas que estão nos seguindo, mas eu queria também que mais pessoas participassem da promoção.

 

Sidney: É importante lembrar, gente, o sorteio não tem data, ele vai acontecer quando a gente atingir as metas que a gente estipulou lá no regulamento. Você vai curtir as nossas páginas e vai preencher o formulário, tudo no site bonitinho, pra vocês saber, lá tá tudo explicadinho no link do nosso site. Ok? E agora, então, a gente se despede, não é mesmo, Dann? Mas antes, vamos para os nossos links.

 

Dann: Links. Como nos encontrar nessa web?

 

Sidney: então, depois dessa conversa maravilhosa, se você quiser conversar com a gente, dar sua opinião, dar sua sugestão de pauta ou sua sugestão de entrevistado ou entrevistada, você escreve pra a agente no hqdavida@gmail.com; você também nos encontra, segue lá a gente no facebook.com/hqdavida; ou no twitter.com/hqdavida; nós também publicamos lá no Medium, no @hqdavida; e também publicamos lá no Youtube, você procura por “podcast HQ da Vida”. Lembrando sempre de pedir pra vocês darem cinco estrelinhas pra a gente lá no iTunes, pra ver se a gente galga essa escada rumo ao estrelato podcastal brasileiro. Gente, vem com a gente.

 

Dann: E se você gosta dessa ideia, gosta desses viados, acha que a gente tá fazendo um bom serviço de pesquisa, de trazer convidados maravilhosos pra vocês, ajude a gente lá no Padrim, você pode acessar WWW.padrim.com.br/hqdavida ou, se você for uma diva internacional com cartão de crédito internacional, nos patrocine pelo Patreon, que é WWW.patreon.com/hqdavida;

 

Sidney: Exatamente. E agora, a gente se despede e a gente se vê no próximo HQ. Um xero, pessoal.

 

Dann: Beijo. Tchau, tchau.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s