Transcrição – #01 LGBTTs: Super Bee em ação

TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

TRANSCRIÇÃO — HQ DA VIDA #01 LGBTTs: Super Bee em ação

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan Carreiro: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro e estamos com o nosso primeiro HQ DA VIDA. Esse é um podcast que tem como objetivo contar histórias. Nessa primeira temporada, iremos falar sobre LGBTs. Para os demais programas, a gente ainda não sabe qual formato que iremos utilizar, qual a temática. À medida que forem aparecendo as demandas e o feedback que a gente tiver dos nossos ouvintes, nós iremos pensar e construir a pauta para a próxima temporada. Então, é isso, galera. Espero que vocês curtam o programa, e nos deem feedback. Não se esqueça de curtir nossa página no Facebook, “HQ da Vida”. Caso vocês queiram entrar em contato por email, nosso email é hqdavida@gmail.com; O nosso site está em confecção, mas já compramos o domínio, que é www.hqdavida.com.br; então, é isso. Sobre o nosso convidado de hoje, que é o nosso super-herói do dia, eu gostaria de relatar pra vocês que, infelizmente, por não saber ainda lidar com esse universo de podcast, a gente estava gravando inicialmente, aí o Igor se apresentou, mas não tinha gravado, então eu só pedi pra ele colocar uma apresentação aí pra vocês, quem ele é, qual a idade, o que ele faz, e aí ele mandou por Whats App e eu vou colocar pra vocês ouvirem. Ok? Então, ouçam aí nosso super-herói ou o super-viado do dia…

Igor: Então, meu nome é Igor Meira, eu faço Psicologia na PUC, tenho 23 anos e sou viado… O mais viado do planeta Terra, mon amour! (termina erguendo a voz).

(Efeito sonoro de aplausos)

Dan (entre risos): Gente, neste momento eu to editando aqui e já rachando de rir (efeito sonoro de risada ao fundo), relembrando essa entrevista. Foi um clima muito gostoso, muito divertido, falamos também sobre coisas sérias, que não podem ser banalizadas, mais à frente vocês vão entender por quê (efeito sonoro de “uhum”). Mas, enfim, no balanço geral, eu me diverti muito com o Igor.

(Fade in e fade out de trilha sonora)

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Parte 1. No início dessa entrevista, fui indagar ao Igor como ele entendeu a homossexualidade dele, uma vez que nós vivemos numa sociedade heteronormativa, os heterossexuais não têm esse insight de que dia eles acordaram heterossexuais. Ao contrário da gente, que existe algum momento em que vai acontecer essa percepção.

Igor; Eu sei que eu tinha menos de dez anos, acho que eu tinha menos que oito anos… Eu devia ter uns seis, sete anos, nessa época, a gente, na escola, na hora do recreio, tinha aquelas brincadeiras tosquinhas de “VAMOS PULAR EM CIMA DO OUTRO”! (efeito sonoro de vozerio de crianças comemorando). Aí pularam em cima de mim, né (efeito sonoro de exclamação de espanto) (eles riem). Aí, eu falei, não, eu to sentindo uma coisa diferente. Tipo assim, esse menino é bonitinho. Eu lembro até o nome dele, e tal (efeito sonoro de “uhum”). Foi mais ou menos nessa época que eu tive minha primeira paixão, meu primeiro crush (efeito sonoro de harpa apaixonada)…

Dan: Primeiro crush… Nem sabia… nem tinha nome de crush ainda, né?

Igor: Seis aninhos já tinha um crush. Libra, né, perdoem Libra com ascendente… com Vênus em Escorpião. Apenas…

Dan: A partir desse momento, então, que foi a primeira sensação, qual foi também, agora, uma evolução de entender… porque nós temos uma cultura cristã, e em algum momento da vida a gente vai entender que isso é errado (efeito sonoro de “uhum”), e aí vem aquela culpa interna. Então, quando começou a nascer essa culpa interna em ser gay?

Igor: Quando eu entendi a palavra gay. Quando o Aurélio veio na minha cabeça (Dan ri). “Errado” (efeito sonoro “uau!”). Então, eu lembro claramente de eu, com mais ou menos uns oito, nove, dez anos, indo todos os dias pra igreja, porque minha família é aquela família tradicional brasileira. Minha família é aquela família branca, cristã, heteronormativa, e eles batem no peito, com orgulho de serem racistas, homofóbicos e machistas. Então, eu ia pra igreja todo domingo, e algumas vezes durante a semana, e eu lembro de… foram mais ou menos uns dois anos… eu ajoelhando, e eu pedindo a deus pra tirar esse demônio do meu corpo (efeito sonoro de disco de vinil arranhando). E foi assim que o gay foi apresentado pra mim, como uma pessoa que tava sendo possuída pelo capeta. E hoje, querida, eu sou realmente possuída pelo capeta (Dan ri) (efeito sonoro de risada maligna). Naquela época eu não tinha essa compreensão, então eu comecei a pedir mesmo, era uma coisa que eu sofria. Um sofrimento muito grande e foi quando eu comecei a ter os meus primeiros pensamentos suicidas. Que, inclusive, um deles quase aconteceu. Só não aconteceu porque minha tia chegou na hora, uma tia minha que, inclusive, já morreu, ela chegou, colocou a mão na faca, falou “não, você não vai fazer isso”. Aí, ela perguntou por quê que era, eu não consegui, comecei a chorar. Nessa época, eu tinha nove anos e eu não consegui mais lidar. Mas depois disso, eu morava numa casa que tinha uma laje, um terraço, e eu, todos os dias, ia pro parapeito, olhar pra baixo. Então, tipo assim, hoje, como eu faço Psicologia, eu entendo que isso é um comportamento suicida e que, gente, pasmem, crianças tentam suicídio, tá. Então, vamos prestar atenção nisso, porque é complicado…

Dan: E, na verdade, talvez seja… ela não entende, né? E não tem o ambiente, talvez, que compreenda e possa dar esse suporte. Só que e essa percepção que você tem, ninguém chegou pra falar que você estava errado, mas todo mundo falava que isso era errado, ou falava que você era errado? Entendeu?

Igor: Não, ninguém falava diretamente pra mim que eu era errado.

Dan: Mas pregava um discurso que era errado…

Igor: Porque era claro que eu era gay. Sempre fui.

Dan: Eu fui criança-viada, eu sei como é isso.

Igor: é… (solta um riso). É tanto que o que eu mais ouvia dos meus primos é “anda que nem macho” (efeito sonoro “oh, yeah…”). Por isso que eu falo, gente, se novela influenciasse alguma coisa (entre risos)…

Dan: A gente viraria hetero…

Igor: É… Eu andava que nem macho. Porque, olha, o tanto que eu ouvi isso na minha cabeça, quanto mais eu ouvi pra andar como macho (efeito sonoro de mensagem de texto enviado), mais eu desmunhecava (efeito sonoro de mensagem de texto recebida). Porque eu sempre fui contra todo mundo.

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Agora estamos com a Parte 2. Essa é uma parte em que, de fato, o Igor se assumiu publicamente e ele vai contar como ocorreu esse processo de entendimento dele e, também, da relação dele com a mãe dele. Além do mais, ele também vai explicar a época escolar que, não sei se todos meus ouvintes sabem, mas, para LGBTs, é uma época muito delicada, que influencia até o futuro da pessoa, no rendimento escolar… E aí, ouçam também essa parte.

Igor: Eu assumi com 17 anos. Não gosto dessa palavra “assumir”, porque parece que a gente tá assumindo um crime. Então, eu saí do armário…

Dan: É, assumir… a palavra “assumir” é bem…

Igor: Bem problemática…

Dan: Problemática, né?

Igor: Demais. Então, eu saí do armário (efeito sonoro de porta se abrindo), saí de Nárnia (eles riem) aos 17 anos. E dos meus 17… hoje eu to com quase 24, né… a gente não fala 24, quase 24 (efeito sonoro de “uhum”). Durante três anos, até os meus 20, eu tive discussões ferrenhas com minha mãe. Tudo o que eu falasse com ela. Porque eu tenho um jeito bem peculiar, eu sou uma pessoa com personalidade muito forte. Então, qualquer coisa dava um atrito (efeito sonoro de soco). E eu fiquei durante três anos, então, tudo que eu fosse falar com minha mãe, minha mãe jogava, falava isso pra mim, “ah, você tá falando isso porque tudo pra você é por causa da sua sexualidade”. E eu falava, sim, é. A senhora não me aceita. A senhora não aceita nada em mim. Por que não vai ser? De fingir que as coisas não estão acontecendo.

Dan: Ah, eu achava que, na verdade, os dois evoluíram no processo…

Igor: Ela não aceita até hoje…

Dan: E os posicionamentos…

Igor: Vamos fazer as contas. 18, 19, 20, 21, 22, 23… Sete anos…

Dan: E ainda…

Igor: Ainda não. Ela tá sem conversar comigo porque ouviu umas coisas que eu conversei com uns amigos meus e não gostou. E tá sem olhar na minha cara, porque ela acha que eu posso até ser viado, mas eu tenho que ser assexuado.

Dan: Saindo de infância pra adolescência. Escola (efeito sonoro de sinal escolar). Escola, pra mim era um inferno. Eu odiava escola. Apesar de ser um ótimo aluno, não era um ambiente legal pra mim. Era um ambiente assim, que eu usava o estudo como uma maneira de sobreviver (efeito sonoro de “uhum”). Mas escola, pra mim, eu tinha medo de apanhar (efeito sonoro de soco). Mas, enfim, conte-me sobre escola, eu quero saber um pouco sobre escola…

Igor: Quando eu tinha, mais ou menos, uns doze anos, a gente saiu de Montes Claros e a gente mudou pra Janaúba, uma cidade no interior…

Dan: Eu sempre achei que você era de Janaúba…

Igor: Não, na real eu nem sou de Montes Claros…

Dan: Da onde?

Igor: Eu sou do Ceará. Aí com meus 12, 13 anos eu mudei pra Janaúba, porque minha mãe passou no concurso da Caixa. Então, essa fase da descoberta da minha sexualidade, na prática, o primeiro beijo (efeito sonoro de beijo), o primeiro sexo, todas as práticas em Janaúba. Então, assim Montes Claros tem o quê? 400 mil habitantes?

Dan: É mais ou menos isso.

Igor: Janaúba tem 70 mil habitantes. Olha, pra você ver a diferença…

Dan: Até hoje…

Igor: É, não cresce… Lá é uma cidade muito pequena. Só que, o que acontece? Por uma providência divina da deusa, o meu núcleo de amizade… não na minha escola. Mas meu núcleo de amizade, éramos todos LGBT. Todos. Éramos, mais ou menos, dez, nenhum sabia do outro. Mais todo mundo sabia de todo mundo (efeito sonoro de “uau!”).

Dan: Como assim? Explique mais…

Igor: Ninguém tinha saído do armário ainda, só que a gente se uniu por alguma coisa que a gente se identificava.

Dan: Esse sentimento, a gente sabe que o colega é, é não é… Quais são os sinais que você via?

Igor (com tom de quem afirma o óbvio): Gente… é uma Britney Spears (Dan ri), é uma Madonna…

Dan: isso… .Mas, então, as referências unem as pessoas. As divas, né…

Igor: Na época, a minha diva máster, e ainda hoje um pouco, mas só que menos, porque, né…

Dan: É… a gente vai desconstruindo elas, né…

Igor: Mas era a Fergie, do Black Eyed Peas.

Dan: Hum, eu lembro dela…

Igor: Então, tipo assim, olha como é que as coisas aconteceram. Eu mudei pra uma casa, que ao lado tinha (ele pausa)… outra casa (efeito sonoro de bateria ao fim de uma piada ruim).

Dan: Lógico (solta um riso)…

Igor: Claramente, né. E eu colocava Black Eyed Peas muito alto. Ai o que acontecia. A minha vizinha, que tinha, mais ou menos, a mesma idade que a minha, ela ouvia aquilo e falava assim, “olha, ele tá ouvindo Black Eyed Peas, é viado” (solta um riso). É um pouco gay, né? Vamos conversar aqui. Aí, um dia, hoje eu sei, ela jogou uma coisa pelo muro e foi tocar o interfone, aí a gente começou a conversar e, a partir dela, eu fui conhecendo outras pessoas. Só que um grupinho aqui. O outro grupinho, que depois eu descobri que era o mesmo grupo, eu conheci, gente, pasmem, na igreja (efeito sonoro de vozes sussurrando “amém”).

Dan: Amém.

Igor: Foi a primeira comunhão… não, como é? Eucaristia?

Dan: Eucaristia.

Igor: Eucaristia. Fazendo Eucaristia, eu conheci outros quatro, que dos quatro, dois continuam meus amigos até hoje. Isso eu tinha o quê? 13 anos. Aí, já tem uns dez anos de amizade. Aí, a gente descobriu que era o mesmo grupo. Então, tipo assim, ninguém sabia que… Tipo assim, eu sabia da minha vizinha porque ela era extremamente… sabia assim, né… hoje eu não conseguiria dizer, mas naquela época, com a compreensão pequena, ela era masculinizada, eu falava “sapatão”. Então, naquela época, eu achava. Comecei a conversar muito com ela, então ela era minha melhor amiga. E com isso, eu fui descobrir que o grupo dela… ela namorava uma menina desse grupo da Eucaristia e acabou que juntamos todos. E foi um percurso muito positivo, porque, entrando na escola, eu claramente era o viado da escola. E eu era conhecido na escola como o barraqueiro, porque eu reivindicava sempre os direitos dos outros. Os meus, mesmo, eu não reivindicava nenhum (ele diz com ar de riso). Aí, eu era o viadinho da escola, e tal. O percurso da minha escola, o que diferenciou a minha estada em uma cidade pequena, sendo viado, creio eu, da diferença de outras, é por causa desse grupo que eu formei. Os meus dramas de adolescente eram dramas, e agora eu to usando muitas aspas, eram de um adolescente normal, de um menino hetero que tem os amiguinhos dele, que gosta da menininha, mas, não. Porque eu tenho a impressão que o drama de um adolescente LGBT em uma cidade pequena é “eu sou gay, mas eu não quero ser gay, então eu tenho que fingir”. Eu nunca tive isso, eu nunca fingi. Eu escondia da minha mãe.

Dan: É diferente.

Igor: é diferente. É outro contexto. Agora, nunca fingi, porque o meu grupo de amizade me dava uma liberdade muito maior. Então, eu acho que hoje a minha militância é forte, hoje minha compreensão do diferente é alta por causa desse grupo. Apesar de eu não conversar com 70% deles (Dan ri alto), porque tem essas questões também, né.

Dan: Ai, gente, saiba que dentro do movimento LGBT, a gente também tem as nossas…

Igor: Até porque ser gay é ser normalzinho, né, gente. Então, tipo, tem gente chata, aí tem uns viados chatos… não presta… mas, anyway… Aí, por causa desse grupo, a minha experiência na escola sempre foi uma experiência muito tranquila. Eu era o menino viado? Eu falava, “ok”, até que… Vou contar, agora, o caso que, pra mim, foi o primeiro caso, assim, estampado… Não, porque eu já passei por todo esse processo de, “ah, olha lá, o viadinho”, “olha lá, a menina barbada”, sempre tive muita barba, desde pequeno eu tinha pelo no rosto, então, eu sempre passei por esse processo de os meninos me chamarem… Mas isso me incomodava porque os outros ao redor ouviam. Porque não era uma coisa que me afetava, tipo assim, dentro de mim. Era uma coisa, tipo assim, ai, aquela pessoa tá ouvindo. Mas… Eu amava… Tipo assim, “ah, o viadinho”… (ele solta um gritinho agudo) Andava, e tal (com voz de desdém)… Até que… Aconteceu a primeira coisa dita, realmente, preconceituosa, que foi quando eu estava no meu terceiro ano, eu tinha 17 anos. Nessa época, eu já tinha falado pra minha mãe que eu era viado. E, como eu já disse pra vocês, eu era uma pessoa que reivindicava o direito dos outros. Tinha dois colegas meus dançando funk na sala (ao fundo, um batidão de funk toca), horário de aula (eles riem), super certo, e a professora que estava na sala era professora substituta. E a gente sabe que professora substituta não é respeitada (ele fala rindo) At all. Aí, os meninos estavam dançando funk, eu tava quieto, no meu canto, fazendo atividade, juro, tá. Aí, essa professora chamou a coordenadora, que era substituta também, e ela veio. E a abordagem dela com a gente foi uma abordagem meio agressiva. Com a gente, que eu falo, com a turma como um todo. E eu sempre fui o porta-voz da sala. Então, lá, eu peguei e e comecei a falar as coisas, tipo assim, tipo meio que bater de frente. “Mas por que você tá fazendo isso?” “Por que você tá falando isso?” Até que ela saiu da porta, eu estava do outro lado da sala, ela veio na minha cara e disse “eu não estou gostando desse seu jeito viadinho de falar comigo.” (efeito sonoro de “oh, my god!”). Chocadíssima. Na hora, como eu já disse aqui, o meu problema não era comigo, era os outros, ao redor, ouvirem. Porque era uma coisa que eu nunca tinha falado alto pra ninguém. Tipo, com 17 anos, eu nunca tinha falado pra ninguém “eu sou gay”. Porque não existia essa necessidade, com meu grupo de amigos.

Dan: Entendi. Apesar de que todos sabiam.

Igor: É.

Dan: E se pegavam também…

Igor: Sim! Beijava meninos… Mas eu nunca tinha falado com eles. É tanto que, nessa época, eu lembro de eu falar, mais ou menos, uma coisa do tipo, “nossa…” (ele se interrompe). Eu beijava! Beijava! Desde os meus 13 anos…

Dan: Assim como os heteros também beijam…

Igor: Uhum! Olha! Oh, hummmmmm…. E eu virar e falar assim, “nossa, nunca vi dois homens se beijando”. E eu sempre já tinha beijado…

Dan: Ver é diferente de sentir.

Igor: Sentir! (eles falam em uníssono). Entendeu? Então, tipo assim, quando a coordenadora virou e falou isso, ficou tudo preto. Eu lembro direitinho da cena, eu me sentindo extremamente humilhada, e eu, tipo assim, a primeira coisa que me veio foi…

(Efeito sonoro de áudio sendo rebobinado)

Dan: Pessoal, olha só, vou dar uma pausa aqui. Eu não vou falar o que aconteceu, por opção minha de edição, preferi não contar. Eu acho que foi sério, não da parte dele, mas da parte do que fizeram com ele, de pressão psicológica, de ter uma escola que não é preparada pra receber LGBTs, uma escola que pega uma situação que poderia desencadear coisas enormes… Com o Igor…

(Efeito sonoro de áudio sendo rebobinado)

Igor: Aí, criou-se um circo, né. Aí, o que acontece? Fui levado pra diretoria, claramente. Gente, vamos ressaltar que eu tinha 17 aninhos. Qual foi o posicionamento da diretoria em relação a isso? Chamar a Polícia (efeito sonoro de “oh, my god!”).

Dan: Nossa, que louco.

Igor: E antes de chamar a Polícia, eles fizeram muito terrorismo psicológico na minha cabeça, do tipo, “você é louco”. E isso, eu comecei a criar uma coisa… eu não conseguia parar de chorar. E, pra piorar, veio a Polícia, e a Polícia faltava colocar a mão na minha cara. Pra não dizer as coisas que eles diziam pra mim, né. Foi a primeira vez que, tipo assim, realmente teve uma agressão extremamente forte, psicológica, dentro de mim. Nessa época, como eu já tinha falado com a minha mãe, falei, “fodeu, né”. Se ela já não estava me aceitando antes, agora ela não vai aceitar mesmo. E minha mãe veio, minha mãe me defendeu, e tal. Foi uma boa mãe, foi uma leoa (efeito sonoro de rugido). Só que ela não tocou nesse assunto, tipo assim, porque a escola induziu a minha mãe a pegar minha transferência, só que eu tinha amigos advogados, eu tinha um professor, que me dava aula no cursinho, que fazia direito. Ele dava aula de história e ele fazia direito, liguei pra ele. Se a escola quisesse pegar … Isso ele me falou. Se eles quiserem me induzir a pegar a transferência, pegue, mas jogue um processo no Estado, e você ganha fácil. Foi a recomendação que ele deu pra minha mãe. Minha mãe pegou, voltou, falou isso. Aí, o que aconteceu. A supervisora… a coordenadora trocou de turno, ela passou pra noite, e eu estudava de manhã. E, como eu era menor de idade, naquela época, não poderia acontecer nada muito grave comigo.

Dan: mas, enfim, então, foi a primeira cena trash que você viu e vivenciou?

Igor: Sim.

Dan: E de colegas de escola?

Igor: Tem aquelas que eu te falei… Ah, já me empurraram, já ficaram três na porta da escola me esperando…

Dan: Eu odiava “te pego na saída”.

Igor: Mas, tipo, nunca teve nada forte. Só quando eu era bem pequeno, que eu já era toda linda… (Dan ri). Eu ofuscava o brilho das garotas na minha escola (efeito sonoro de câmeras fotografando), e elas foram lá e me humilharam (som de rugido felino) (Dan ri muito). Mas, fora isso, não…

Dan: Será que o crush era o mesmo?

Igor: era (ele ri muito alto). Pior que era.

Dan: Então, a gente sai da escola e a gente acha que o mundo é um inferno, né. A escola não é muito receptiva…

Igor: Eu ainda acho que o mundo é um inferno…

Dan (rindo): A escola, pra mim, foi um inferno…

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Nessa parte, que é a continuação, ainda, da Parte 2, nós temos a entrada do Igor na Faculdade. Ouçam o relato do que ocorreu de um caso, aí, que ele vai contar pra vocês.

Dan: Faculdade. Comecemos, agora, por Psicologia, né. Não fale da sua disciplina de Bioestatística, porque eu fui seu professor (ele ri, seguido de efeito sonoro de risada).

Igor: Zoando. Passei com 98, tá (efeito sonoro de mágica). Beijos.

Dan: Mas, faculdade. Estamos no Curso de Psicologia. Curso, a priori, desconstruidão, que a gente sabe que não é, mas… Parece ser. Deveria ser. E temos dois primeiros contatos, que a gente tem que ter cuidado, professores e colegas. Professores, inicialmente, teve alguma treta, alguma coisa assim do tipo?

Igor: Voltamos ao professor substituto… (Dan ri). Uma sina. E esse caso…

Dan: Só pra reforçar, não foi o de Bioestatística, viu, gente? (ele ri)

Igor: No names. Isso eu já to na PUC, foi no segundo semestre de 2015. Eu tenho uma disciplina e vocês têm que saber que a disciplina falava de coisas existenciais (fala com riso nervoso). E o professor era substituto. Era tipo a II. Essa matéria tinha a I e a II. Eu já tinha feito a I, com uma professora maravilhosa, e ela dava a II, só que deu um problema na perna dela, e ela indicou essa pessoa. E ele foi dar a aula pra gente.

Dan: Macho. Homem.

Igor: Macho. Claro, né (efeito sonoro de “oh, yeah”). Branco. Mas presta atenção no estereótipo. Era um cara de 2 metros de altura, ele tinha cara daquelas pessoas que nunca tinham feito sexo na vida, um oclão assim, cheio de espinha, e ele tinha uns 30 anos. E ele era todo nerdzão. Tipo assim, ele já tinha um estereótipo que punha medo em quem não era ele. Em quem poderia ser oprimido por ele. E ele já começou a aula falando que ele respeitava três pessoas… que tinha três pessoas no mundo que ele falava que eram pessoas que tinham um posicionamento, assim, muito coerente. Depois ele explica que coerente não é, necessariamente, certo. Mas, anyway, né. Que eram um padre, que era alguma coisa lá da PUC, que eu não sei quem é; a professora que tinha indicado ele; e, pasmem, Silas Malafaia (efeito sonoro de “what?” seguido de voz infantil dizendo “morri”) (Dan ri). Ele fala, na sala de aula, que achava que Silas Malafaia era coerente.

Dan: Nossa.

Igor: Aí já começa a tretinha dentro de mim, não é mesmo? Gente, isso, presta atenção, eu já to com 23 anos, eu já tenho um empoderamento…

Dan: Cinco vezes mais…

Igor: Nossa, já to 80% empoderado em relação a tudo na minha vida, já to na militância há uns 3, 4 anos.

Dan: A gente leva muita paulada até aprender, né?

Igor: É. Eu falei, ok, vou ficar calado, nem vou assistir essa aula direito, mesmo. Na aula seguinte, ele começa a usar Maslow…

Dan: Eu odeio Maslow, by the way, porque Maslow é, na Administração, é muito… enfim, eu não vou ficar…

Igor: Então, Maslow também é da Psicologia. Porque ele é um teórico da Psicologia. Ele é um humanista, e ele trata muito de questões biológicas.

Dan: Uhum, pode ir falando aí, acaba com ele (efeito sonoro do golpe “Shoryuken”).

Igor: (depois de soltar uma risada) E ele trata de questões muito biológicas. Então, gente, a gente não pode ser… como é que é quando a gente usa o passado… tipo, é anacrônico? Eu não sei…

Dan: Tem Acrônico e Anacrônico, eu sempre me confundo. Eu acho que acrônico não tem relação temporal, e anacrônico, acho que…

Igor: A gente tem que fazer uma análise do tempo que a pessoa construiu a abordagem dele. Maslow viveu numa época em que as coisas não eram do jeito que deveriam ser. Então, a gente tem que ler Maslow com esses olhos. O professor faz isso? Não. O professor, já formado há vinte anos pela PUC? Não faz isso (efeito sonoro de “what?”). Ele usa Maslow pra justificar a transfobia dele, falando que a pessoa poderia tirar o pênis (efeito sonoro cômico de deslize), criar uma vagina, mas ele nunca seria uma mulher, que ia ser uma mulher falsa (efeito sonoro de pane do Windows).

Dan: Nossa.

Igor: Vocês acham que terminou por aí? Não terminou por aí. Ele vira e fala que achava errado o conselho federal de psicologia proibir o tratamento de pessoas homoafetivas (efeito sonoro cômico de engano). Porque ele acha que essa pessoa tem que ser tratada e o psicólogo tem que tratar. Aí eu não consegui…

Dan: Eu não entendi essa parte que você falou do conselho federal…

Igor: O conselho Federal de Psicologia, hoje, veta, ele proíbe profissionais…

Dan: Ah, a cura gay!

Igor: Proíbe a cura gay.

Dan: Uhum, que bom, né.

Igor: Graças a deus…

Dan: Ou a Sher…

Igor: Ou à deusa, ou a Sher… Ou à própria pessoa que fez essa lei, né (Dan ri). Então, tipo assim, não pode. Ele querendo se posicionar como pessoa, ele pode falar o que ele quiser. Agora, eu to aqui, em profissão, em psicólogo, eu tenho que tomar cuidado, e, querendo ou não, ali dentro, creio eu, eu interpreto assim, ele é um professor de Psicologia, né. Enfim, ele vira e fala isso, que achava errado.

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Tivemos um pequenininho problema técnico aqui, mas consegui resgatar uma parte da história pra vocês, ok?

Dan: Eu lembro dessa postagem sua. Agora que eu retro… retrospecto (ele hesita muito ao tentar pronunciar a palavra, seguido do efeito sonoro com voz do Silvio Santos perguntando “não consegue, né?”). Porque eu lembro da abordagem de outras professoras te acalmando, conversando, eu não sei explicar, mas eu lembro dessa postagem. E, no caso, eu acho muito estranho um professor transfóbico de Psicologia, no século 21, e se posicionar ainda em sala de aula assim, sobre isso, eu acho até perigoso.

Igor: Nossa, eu acho tão ruim. Dentro da Psicologia? Acho comum. É perigoso. Mas é comum. É tanto que, hoje, tem todo um processo, dentro do conselho, da despatologização da transexualidade. O cara do conselho que tá à frente disso dá aula até lá na UFMG…

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Então, pessoal, chegamos ao final. Agora o Igor vai falar das relações, como que o preconceito estrutural influenciou na sua vida.

Dan: Como você acha que sua afetividade foi construída, e como você acha que até o preconceito estrutural influenciou nessa afetividade sua, e como você lida com o outro e com o seu amor?

Igor: Então, influenciou pra caralho! Esse preconceito estrutural nas formas que eu construo e construí minhas relações afetivas e sexuais. Eu não consigo… Isso em Belo Horizonte, eu tenho uma liberdade maior, mas mesmo assim, eu não consigo beijar na rua.

Dan: Tem medo, né.

Igor: Medo. Eu não consigo tocar nas pessoas com quem eu to ficando, direito. Só se eu estiver num lugar que eu sei que tem um cunho LGBT ali. Aí eu fico tranquilo. Agora, se não tem esse cunho, eu… Uma coisa, gente, olha, teve todo esse lance… eu não sei quem pode estar ouvindo, pode ser o Brasil inteiro. Mas morreu um menino, na minha cidade, faz pouco tempo e, por mais que uns digam que não, foi por motivos de LGBTfobia, foi um crime de ódio…

Dan: Sim, me impactou muito aquilo…

Igor: A forma como ele morreu foi uma forma odiosa de se matar outra pessoa. Qualquer forma de matar é odioso. Mas o dele foi com toques de requinte de crueldade, né.

Dan: Aquilo ali diz muito, né… E quando você teve essa consciência, mesmo com medo, você não ficou com vontade de subverter esse sistema opressor?

Igor: Nossa, eu tenho todos os dias.

Dan: Só tem medo, né?

Igor: Só tenho medo. Que eu acho que as pessoas… quem é cis-hetero não vai conseguir compreender esse medo. Mas é um medo que te domina. Mas eu, como militante, tenho vontade de subverter, o tempo inteiro. Eu sou uma pessoa subvertida, já.

Dan: Já quebra os padrões…

Igor: Já quebro os padrões (ele enrola a língua para pronunciar, segue o efeito sonoro da voz do Faustão dizendo “Errou!”). Eu quebro os padrões (efeito sonoro de vidro sendo quebrado) em alguns aspectos. Eu sou um gay afeminado, gordo, baixinho…

Dan: gordo lindo (efeito sonoro de “oh, yeah”).

Igor: Que não tá nos padrões ditos… eu rebolo, coloco meus nudes no Instagram, eu quebro todos os padrões…

Dan: By the way, qual é o seu Instagram? (pergunta rindo muito)

Igor: “Biigorito”, com dois I, tá? Segue lá.

Dan: Faz o seu jabá, aí (eles riem, segue efeito sonoro de risada ao fundo).

Igor: Mas, pelo menos é o que eu penso, eu já subverto isso, mas isso aqui, gente… É tanto que, lá em Belo Horizonte, eu andava com um menino, ele é bissexual, ele passou a namorar com um menino… Gente, ele continua bissexual, tá. Só com um boyzinho, mas bissexual…

Dan: A bifobia é muito grande ainda…

Igor: É. E ele beijava o menino… eles nem namoravam, na época, eles estavam se conhecendo, NA PORTA DE CASA. E isso me chocava. Não porque eu achava errado, mas porque eu não tinha coragem, que eles tinham.

(Efeito sonoro, um tom de campainha curto)

Dan: Só um adendo, aqui, por causa dos recortes, eu perguntei ao Igor sobre aplicativos e como que funciona essa relação e, até mesmo, porque existe uma tretinha interna dentro do meio LGBT. Beleza? Ouça, aí.

Igor: Só que quando entra o fator corpo… Então, tipo assim, geralmente eu coloco o meu rosto, existem algumas procuras no meu rosto. Só que não existem procuras do meu corpo. E não tem como eu mandar só o rosto pra pessoa beijar, né? (Dan ri, efeito sonoro de “oh, yeah”) Então, não tem como. E eu nunca tive essa vontade, nem pretendo, saca? Porque, tipo assim, eu tenho muita certeza que existem muitos LGBTs, muitos gays dentro desses aplicativos…

Dan: gente, dentro do meio LGBT, o pior é o G, só pra esclarecer aqui.

Igor: Tem muito tempo que eu parei de me chamar de gay. Eu só me chamo de LGBT.

Dan: A gente se sente uma pessoa melhor, eu acho…

Igor: Tem muitos gays que são afeminados, eu tenho certeza, que colocam “não curto afeminado”. Gente, por incrível que pareça, eles têm vergonha de falar que são passivos. Eles falam assim, “não curto passivos”, preferem falar “não curto passivos” a falar “sou passivo”.

Dan: Ah, eu nunca tinha feito essa análise de discurso, né. Não sou ativo, não curto passivo.

Igor: Na nossa sociedade, ser ativo, dentro de uma relação homoafetiva, é ser o homem, né. E ser passivo é ser a mulher. E eu fico assim…

Dan: Tem umas pessoas que eu já fiquei na vida, e eles nem se consideram gays porque eles foram ativos, né…

(Transição: efeito sonoro de distorção do áudio, uma voz anuncia “Momento Super Poderes)

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

Dan: E, pra finalizar mesmo, se você de fato, tiver um super poder, qual é o grande super poder, e qual seria o seu nome de… Super Viado? (ele termina rindo)

Igor: Ahm… meu poder seria meu corpo, meu corpo como um todo.

Dan: E como que esse poder poderia trabalhar com algum preconceito, nessa estrutura preconceituosa?

Igor: Oh, Dan, eu não sei, cara. Tipo…

Dan: Não morrendo, pelo menos, né…

Igor: é… Então, resistindo, sabe. Poder da resistência. Aquelas, né, louca. Poder da resistência. Tipo assim, eu sou um gay não magro, passivo, afeminado, eu acho que é muita coisa ruim numa pessoa só, e olhe que eu ainda sou branco e homem, né isso?

Dan: Ajuda só nessa parte…

Igor: Ajuda só nessa parte, o que já é muita coisa, também,né, ser branco e homem nessa sociedade é muita coisa. Mas, tipo assim, eu acho que o meu trabalho, hoje… o meu poder, hoje, seria mais com LGBTs do que com o mundo. Eu to, tipo, foda-se o mundo. Sério mesmo (Dan ri). Eu quero trabalhar os LGBTs. Então, tipo assim, minhas questões, hoje, é abrir os olhos e abrir a cabeça de pessoas que são LGBTs, vulgo gays. Abrir a cabeça dessas pessoas, porque eu tenho o poder de fala pra pessoas brancas e homens, porque é uma coisa que a gente tem que entender, eu não tomo partido da fala de uma mulher se ela tá aqui do meu lado. Ela fala por ela.

Dan: É aquele termo né, que eu esqueci… é manxplaining (ele hesita), é…

Igor: O homem explica. Traduzindo, o homem explica. Que é quando o homem silencia a mulher pra explicar por ela…

Dan: Como se ela não tivesse condições de falar…

Igor: Eu não falo quando tem alguma minoria perto de mim. Eu não falo por ela. Eu fico calado, Agora, se não tem uma minoria perto de mim e tem uma pessoa que se assemelha comigo, por exemplo, eu to na frente de outro gay branco, ou um cis-hetero, ou anyway, se for uma pessoa branca que precisa de algum esclarecimento, eu esclareço, se eu tenho essa … É, o meu poder seria o poder militante. Seria… Power Ass

Dan: Ai, ai… Igor, foi um prazer conversar com você e obter esses relatos, que são muito importantes pra qualquer LGBT. Eu, criando esse programa, não sei pra onde vai, não sei quem vai ouvir, se vai ouvir, se vai ficar lá 5 anos no Sound Cloud (solta um riso) guardado e, algum dia, alguém tira ele de lá e fala alguma coisa desse bate-papo nosso. Mas eu acho que isso é um papel de militância, também, de dar voz a nós, na verdade. Engraçado, o seu relato foi tirando muitas coisas de mim e, assim, “não é sobre você. Não é sobre você, não é sobre você, fique calado” (eles riem).

Igor: Mas acaba que é, né.

Dan: É sobre nós, né, na verdade.

Igor: É sobre nós.

Dan: Muito obrigado. Se você quiser que as pessoas te sigam nas redes sociais, você pode deixar seu nome…

Igor: Não, não quero (eles riem). Só anônimo.

Dan: Prazer, Anônimo (riem mais). Mas, na verdade, seguir o seu Facebook é muito bom, no sentido de… tem muita mensagem importante ali. Também tem outras coisas, de boteco, né, de BH. BH é muito botequeiro.

Igor: Aquelas, né, que nem sai… Tem Netflix… (riem)

Dan: Mas, enfim, muito obrigado e, assim, você não sabe o quão importante isso é, pra mim.

Igor: Só falar mais uma coisa. Tipo, agradecer o convite, que é muito importante a gente ocupar, como LGBT, todas essas mídias que existem. Eu até falei com Dan. Eu não quero fazer esse trem por Skype, eu não vou dar conta. Eu sou uma pessoa old… Quero pessoalmente (eles riem). Mas, eu acho que é importante a gente ocupar todos os espaços, sendo LGBT. Qualquer espaço que dê voz pra gente é importante. E, segundo, pedir desculpas, se eu ofendi alguém, né, porque, às vezes, a gente não tem dimensão das coisas que a gente…

Dan: Exceto os heteros…

Igor: Não, esse daí pode morrer… (Dan ri). Os cis-heteros, né. Os (as vozes dos dois se sobrepõem). Mas pedir desculpas, a gente fala algumas coisas, a gente não têm ciência, tanto que, assim, não me julguem, por favor, eu tenho a autoestima baixa (Dan ri). Então, desculpa, real, aí, se eu ofendi alguém.

Dan: Então, tá. Gente, ficamos por aqui (efeito sonoro de aplausos ao fundo). Aguardemos os próximos heróis a virem… e heroínas… Eu já tenho uma super heroína pra conversar, no próximo programa…

Dan: Então, pessoal,é isso, eu to finalizando aqui o programa, a edição. Só pra finalizar, entrem em contato, então, conosco, pelo email, que é hqdavida@gmail.com; lembre, também, de entrar na nossa página que é “HQ da Vida”, por favor, curtam e compartilhem esse primeiro programa. Gostaria também de dizer que eu estou em mãos, aqui, e todo podcast, geralmente, passa algum livro, alguma coisa… eu to com um livro em mãos, que eu to lendo, que é maravilhoso, que é da Jaqueline Gomes de Jesus, o livro chama “Homofobia: Identificar e Prevenir”. Os trechos que eu já li, eu achei muito interessante. Eu gostaria de agradecer, então, às pessoas que me ajudaram a chegar aqui com esse podcast, beijo pro pessoal lá da Cracóvia, que deu muitas ideias. O pessoal do B9, lá eu me inspirei muito, sobretudo na pessoa do Ivan Mizanzuk, inclusive, eu fiz até um curso de storytelling com ele, pra me ajudar a estruturar esse podcast. Agradecer, também, ao editor de áudio, André Lacerda. Agradecer, também, ao meu marido e, enfim, espero que vocês curtam esse episódio. Um abraço.

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

FIM.

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