Transcrição – #05 LGBTTs: Super Dan

TRANSCRIÇÃO – HQ DA VIDA #05 LGBTTs: Super Dan

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan: Olá, pessoal, aqui é Dan Carreiro. Estamos com o nosso quinto HQ da Vida. Esse é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo contar histórias. Nessa primeira temporada, iremos mostrar pra vocês histórias de super LGBTs. Espero que vocês curtam, compartilhem e nos deem críticas sobre o programa. O seu feedback é muito importante para nós. Vocês poderão entrar em contato conosco pela página do Facebook, que é “HQ da Vida”, ou poderão também enviar e-mail para hqdavida@gmail.com; além do mais, vocês poderão se inscrever no nosso canal do Youtube, que é “HQ da Vida podcast”, e no Sound Cloud, que é soundcloud.com/hqdavida; Como dito nos episódios anteriores, nosso site está em construção, não sei que dia vamos colocar essa bagaça no ar, mas estamos juntando mais material para lançá-lo. O que eu acho que é mentira, porque agora já temos material. Mas enfim, nosso endereço é www.hqdavida.com.br; Então, pessoal, o episódio passado bombou muito, muito, muito. Foi super bacana o retorno que tivemos. Tivemos muitos ouvintes e feedbacks positivos, né. E alguns negativos. Porém, ninguém formalizou via e-mail, ficou uma coisa mais no Inbox. Então eu acabei não lendo aqui pra vocês esses comentários. Mas a Aninha, que foi nossa convidada, nos contou histórias lindas de pessoas de vários ambientes em que ela convive, e que até vieram pedir desculpas a ela, sobre outras coisas passadas. Mas enfim, esse foi o nosso primeiro episódio que fizemos o upgrade na nossa conta, lá do Sound Cloud, e aí a gente pôde perceber as estatísticas e acompanhá-las. Eu quero mandar um beijo, hoje, especial, para as pessoas de vários lugares que nos ouviram. Então, um beijo para essas pessoas do Sul, ao Norte e Nordeste, porque realmente tivemos essa audiência. Pessoas de Mountain, Califórnia, São Francisco, Austin, uma cidade que eu não vou saber pronunciar o nome no estado de Massachusetts, na Noruega, na Irlanda, na Austrália e mais quatro outros países que as estatísticas do Sound Cloud não pôde nos mostrar. Pessoal, muito obrigado. Eu estou, assim, emocionadíssimo com a repercussão do que tá acontecendo, mas enfim. Fica meu beijo pra todos, espero que curtam bastante o programa e, se precisar, pode puxar a nossa orelha. Ok? E continuando a nossa série bissexualidade, vamos chamar hoje, o nosso convidado do dia, ou melhor, nosso super herói do dia.

(EFEITOS SONOROS DE APLAUSOS)

Daniel: Então, meu nome é Daniel Diogo, eu tenho 21 anos, eu faço jornalismo. Sou de Juiz de Fora, Minas Gerais. Eu participo de dois programas, dois podcasts. O “Lado (B)Lack”, que é um podcast que a gente discute diversos assuntos da atualidade sob uma ótica do jovem negro. E faço parte do “Trans-missão”, que é um podcast LGBT que tem como objetivo abarcar todas as letras da sigla LGBT e discutir temas relativos a elas.

Dan: Daniel, no programa nosso, a gente costuma perguntar às pessoas, construir uma história a partir desde o início da infância, e como que funciona essas percepções. Então, eu gostaria de perguntar pra você, no caso, como que foi essa primeira percepção sua, provavelmente na infância, não sei. Você, talvez, por ser criança, não teria essa noção da bissexualidade. Mas você já teve, assim, esses insights na infância, em relação a essa questão dessa bissexualidade sua?

Daniel: Então, minha infância foi um pouco complicada, porque eu nasci num lar evangélico, num lar religioso. Então, essa coisa da sexualidade sempre foi um tabu, né. Eu cresci sempre achando que só existia a heterossexualidade. Que só existia a heterossexualidade e a homossexualidade, que a homossexualidade era errado e que eu não devia nem pensar, né, nesse caminho. Mas, quando eu era criança, e eu lembro muito bem disso, eu não fazia um juízo de valor com relação a isso, eu sempre brincava com meus amigos ou amigas, sempre era muito (incompreensível), e dar beijo e abraçar, e tal, independente do gênero da pessoa. São uma das primeiras lembranças que eu tenho de, talvez, uma inclinação pra bissexualidade. Então, conforme eu fui crescendo e fui fazendo esse juízo de valor, com relação à homossexualidade, por exemplo, os valores religiosos foram, realmente, solidificando, né. E, bom, como sou bissexual, vez ou outra eu sentia atração por um homem. Só que eu não falava sobre isso com ninguém, não discutia isso, só tentava o máximo reprimir, achando que era, não sei, uma ação demoníaca na minha vida (ES de risada diabólica), que tinha muito essa coisa. E eu sempre reprimi, sempre achava errado, sempre achava sujo, justamente por causa dessa criação evangélica.

Dan: Você falando do lar evangélico, a Aline também veio de um lar evangélico, eu tava lembrando disso quando você tava falando. Essa socialização de um lar evangélico tem um peso forte sobre a sexualidade da pessoa, no sentido do que foge da heteronormatividade. Mas, seguindo essa linha, na infância, você não era aquele menino que, no caso, tinha aquele estereótipo talvez da bicha, do menino mais… Igual eu, eu era uma criança-viada (ele ri). Você não tinha esse padrão de comportamento. Tinha?

Daniel: por mais que eu não fizesse um juízo de valor tão grande, eu tentava reprimir e sempre criticava as outras crianças-viadas que eu via por aí. Mas se eu tivesse tido outra criação, com certeza eu seria uma criança bem viada (ES cômico de escorregão) (Dan ri).

Dan: Te daria mais liberdade, né, pra poder expressar esse lado seu. Mas quando que foi mesmo esse match point da vida que você teve, você foi lá e realmente, por exemplo, teve uma relação com um homem? Qual idade, mais ou menos?

Daniel: Então, eu fui ter essa percepção bem tardiamente, só. Só com 19 anos que eu consegui, de fato, me entender como uma pessoa bissexual. Eu já não tinha nenhuma associação com igreja, e tal., mas eu tinha uma homofobia internalizada que é uma prisão muito grande, na verdade, né. Então, conforme eu fui desconstruindo isso, e fui resgatando em mim essas coisas da adolescência e da infância, eu fui me permitindo pra essa possibilidade, né. E, com 19 anos, eu entrei num relacionamento, nesse caso, um relacionamento hétero. Mas a minha namorada, na época, estudava muito sobre questões de gênero, na faculdade. Gênero e sexualidade na faculdade. Então, eu comecei a entrar em contato muito grande com estudos desse tipo, com pessoas LGBT também.

Dan: Entendi.

Daniel: E eu comecei a me identificar em várias situações, ali. E comecei a me ver como uma pessoa bissexual, até que, um dia, eu realmente tive essa realização.

Dan: E no dia que você realmente… Como é que é? O primeiro contato que você teve, por exemplo, com um homem, a primeira reação após essa situação foi de espanto, medo? Como que isso ficou? Essa sensação impressa depois.

Daniel: Olha, eu vou falar sobre essa reação e depois eu vou dar uma problematizada nessas perguntas, se não tiver problema.

Dan: Não, tem não, pode problematizar, sim. Até mesmo porque, eu te falei, eu preciso aprender algumas coisas (eles riem).

Daniel: Bom, então, na primeira vez que eu tive algum tipo de relação com um homem, eu me senti, na verdade, liberto. Eu achava, na minha mente, que eu só poderia confirmar essa possibilidade, se eu tivesse alguma relação com um homem, que só assim eu poderia me entender como bissexual, de fato. Quando eu tive essa relação, e gostei, e foi muito bom, e tal, eu passei a me entender plenamente como bissexual. E eu fiquei muito feliz, muito realizado, me senti muito liberto.

Dan: quando você tava falando da culpa cristã… Talvez a lógica da pergunta, e depois você fala da sua problematizada… é porque eu, por exemplo, na minha primeira experiência, ao invés de  me sentir bem, eu me senti mal, devido à culpa cristã, entendeu? Será que eu vou pro inferno? Meu deus, será que o demônio vai entrar na minha vida? Então, isso foi muito problemático. Mas enfim, se você quiser já falar sobre a sua problematização da pergunta, eu acho interessante.

Daniel: Não, a problematização da pergunta é a seguinte. Porque existe essa… não sei se eu chamo de inconsciente coletivo, de que uma pessoa bissexual só se entende plenamente bissexual a partir de um relacionamento com alguém do mesmo sexo. Eu tinha essa questão dentro de mim, eu achava que era assim, mas quando eu parei pra pensar e conversando com outras pessoas bissexuais, outros ativistas, eu pensei não na coisa da relação, mas em como a pessoa se sente. Porque uma pessoa pode viver a vida inteira num relacionamento hétero, e mesmo assim ser bissexual. A identidade sexual não é condicionada a um…

Dan: Relacionamento, no caso…

Daniel: Um relacionamento. Porque existe muito essa coisa do bissexual precisar provar a sexualidade dele. Provar que é bissexual. Muita gente, inclusive muito no meio LGBT, fala “ah, tem certeza que você é bissexual? Você nunca ficou com um homem, você só fica com mulher, como é que você é bissexual?” (Dan ri) “Você nunca teve um relacionamento com um homem, como é que você se diz bissexual?” existe muito essa coisa, né. Porque se eu for pensar numa criança heterossexual, ninguém chega pra ela e pergunta “mas você já ficou com alguma mulher? Tem certeza?”

Dan: “Você tem certeza?” (ele ri).

Daniel: “Porque você nunca ficou com uma mulher, como é que você tem certeza da sua heterossexualidade?” Então, sabe… Ou até mesmo com homossexuais, “tá, você gosta do seu amigo de escola, mas você já ficou com algum homem, pra ter certeza de que você é gay?  Então, existe muito essa coisa de provar a sua sexualidade (ele fala entre risos). Eu acho muito errado.

Dan: Eu acho que parece que o problema que as pessoas bissexuais vivem, que é a deslegitimação mais forte, é justamente essa questão de… pelo relacionamento. Na última entrevista, que eu te falei que eu fiz, com a minha amiga de infância, ela nunca namorou uma mulher. Ela casou-se com um homem e ela tem experiências com mulheres eventualmente. Mas é porque ela quer. Mas se ela também não tivesse essas experiências, as pessoas talvez falariam que ela não teve um momento bissexual da vida dela. As pessoas acham que veem como se fosse uma coisa fluida, né, que é ou não é, depende do momento. E aí que vem o problema, que sofre tanto preconceito do lado LGBT quanto do lado hétero. , Agora, pra esclarecer algumas perguntas aqui, quando você começou a se posicionar como bissexual? NO caso, você já não foi com uma experiência mais novo. Geralmente, quando homossexuais se posicionam, por exemplo, às vezes, na adolescência, tem aquele conflito com os pais. Quer dizer, essa geração tem na adolescência, né, aí já é outra conversa. Mas quando você, com 19 anos, se posicionou como bissexual, como que isso funcionou dentro de casa, assim, no meio familiar, só pra eu entender um pouco essa dinâmica.

Daniel: Minha família ainda não sabe (ES de “what?”) (ele solta um riso).

Dan: (rindo) Não?

Daniel: Não.

Dan: E você é um host do podcast… (ainda rindo) Do maior representante…

Daniel: Não. Até hoje ainda não sabem.

Dan: E falar em podcast. De podcasts sobre LGBTs, que eu saiba, euzinho apenas, desse mundinho que eu conheço, que é muito pouco, eu conheço o Trans-missão, o Lado Bi e eu. Você sabe de algum outro podcast que fala de nós, LGBTs?

Daniel: Em Português, não.

Dan: É, eu também nunca vi.

Daniel: Em Português, eu não conheço nenhum outro.

Dan: é, pois é. Então, estamos começando a mexer na podosfera. Ainda mais que a podosfera, historicamente, era um lugar bem complicadinho, né, assim…

Daniel: Não, a podosfera é um lugar bem de homem branco, heterossexual, rico, né. Infelizmente. O podcast, apesar de ser bem fácil de você ter um podcast, o acesso a isso sempre foi bem restrito por um corte de classe, né.

Dan: Tipo pelo iPhone, né (ele ri).

Daniel: Uhum, exatamente.

Dan: Já dava pra perceber…

Daniel: Já começa por aí.

Dan: … quem era usuário do podcast, né, saber que quem ouvia tinha um iPhone, então, realmente faz sentido essa questão. Mas, então, quer dizer que dentro de casa isso não ocorreu? Mas aí tem um grupo social de amigos. Como que veio essa situação, como que você vivenciou? Houveram amigos que se afastaram?  Porque isso é normal, quando a gente… As pessoas se preocupam muito com a sexualidade da gente, ou a identidade de gênero da gente, então, isso afasta algumas pessoas que não vai mudar nada na vida dela, mas vamos lá, né…

Daniel: Pra muitos amigos, pra maioria deles… Eu não guardei muitos amigos da minha época de igreja, né. Então, a maioria dos meus amigos já têm uma mente mais aberta, um pouco mais desconstruída pra esse tipo de coisa. Então, pros amigos, foi bem tranquilo de me declarar bissexual.

Dan: Entendi. Não houve aquele conflito de afastar, ou sei lá…

Daniel: Não. Só apoio. Ainda bem.

Dan: talvez, essas construções desses relacionamentos, dessas amizades, já pode ter sido, também, uma forma de estar no meio que você se sente mais confortável, a ponto de você não se importar mais de esconder, né, essa bissexualidade. Atualmente você está solteiro, né?

Daniel: Uhum.

Dan: Então, uma coisa que a gente também já conversou sobre, o bissexual sofre tanto o preconceito no lado LGBT quanto no lado heterossexual. E aí, você também tem uma outra situação, que você também, além de ser host no Trans-missão, que é um podcast que fala sobre LGBTs, você é um host no Lado (B)Lack. Certo?

Daniel: Uhum.

Dan: Sobre essa questão de você ter duas cargas de opressão, digamos, né, podemos usar esse termo, acho, duas cargas de opressão. Que é ser bissexual e ser negro. E, por exemplo, a pessoa bissexual é muito fetichizada, né, e o negro também, o homem negro e a mulher negra são fetichizados. Já houveram situações que você ficou, assim, meio encabulado? Por exemplo, você tava num grupo de negros, mas você sentiu a questão da sua sexualidade ser colocada em xeque, ou  ter algum comentário muito ruim em relação à sua bissexualidade? Ou você estar no meio LGBT, e estar ali num grupo de pessoas e começam as piadas ou algum tipo de situação muito desagradável?

Daniel: Então, antes eu queria voltar numa coisa que você falou, sobre sofrer preconceito no meio LGBT e na sociedade em geral, né, no meio hétero. Pro meio hétero, você não existe. Simplesmente não existe. Não existe bissexualidade. Só existe o homossexual e o heterossexual. Não existe nada além disso.

Dan: É como se você fosse, por exemplo, um gay que pega mulher? Só pra eu tentar entender, assim, como que as pessoas devem ler…

Daniel: Então, o homem normalmente é lido como um homem gay, um homem que vai querer outros homens. E a mulher é lida como uma mulher hétero que, de vez em quando, pega umas mulheres. Ou seja, a sociedade sempre te leva pro lado falocêntrico. Porque tudo mundo vai querer o homem branco, né. Todo mundo tem que querer o homem branco, que tá no topo da cadeia de poder, por enquanto.

Dan: Entendi.

Daniel: E no meio LGBT, você até existe, mas você não sofre bifobia. Você não sofre o preconceito. Então, você é até privilegiado porque você pode ser lido como uma pessoa hétero. Que é um grande mito, né. Que é o mito de você ser lido como uma pessoa ´hétera, né. Porque mesmo você estando num relacionamento hétero, a sua identidade bissexual não morre, ela não acaba. Então, não existe isso de você ser lido como uma pessoa hétero, porque até dentro do relacionamento hétero você pode sofrer bifobia. (Dan tenta falar) Pode falar…

Dan: Não, pode continuar a sua linha de raciocínio.

Daniel: Não, eu já ia entrar na questão de raça, mas se você tiver alguma pergunta, pode fazer.

Dan: Vamos guardar a pergunta de raça e vamos só … Só pra eu tentar entender uma coisa. Já que por exemplo… então, é só pra pensar no meio da sociedade em geral, mulheres que, por exemplo, ainda não têm essa desconstrução em relação à sexualidade em si, às vezes podem até ser um pouco homofóbicas, talvez ela até seja homofóbica e nem acredita que seja bifóbica, essas mulheres dificilmente estarão abertas, por exemplo, para ter um relacionamento com um homem bi. É mais ou menos isso, né?

Daniel: Então, nesse caso, é um pouco difícil de você imaginar porque, por exemplo, você pode ter um homem bi se relacionando com uma mulher hétero, sem ela saber que ele é um homem bi.

Dan: Entendi.

Daniel: Já começa uma problemática de invizibilização aí. E no caso de uma mulher bi que… uma mulher hétero, no caso, que se relaciona com um homem bi, sabendo que ele é bi, vai sempre ter uma coisa que é bem bifóbica, da mulher achar que a qualquer momento o homem vai trocar ela por outro homem, ou que vai trair ela de algum modo, porque ele não se sente plenamente satisfeito com o relacionamento hétero e precisa de um relacionamento homo também pra se satisfazer.

Dan: Você falando dessa questão da traição, parece que sempre a pessoa bissexual tem que colocar em xeque a lealdade dela com as pessoas num relacionamento. É como se nunca, nunca fosse uma pessoa confiável, que a qualquer momento ela vai trair. Como se traição não existisse em qualquer outro tipo de relacionamento, né.

Daniel: Pois é (Dan ri).

Dan: O que é problemático. Parece que, assim, a pessoa bissexual já, de cara, vai ser uma pessoa, assim, que todo mundo espera que vai trair dentro do relacionamento. Ao contrário dos outros tipos de relacionamentos, que ainda têm uma certa chance de não ocorrer isso. É complicado, tanto para o meio hétero…

Daniel: é aquela coisa das pessoas acharem que a pessoa bi só vai estar satisfeita quando estiver com um homem e com uma mulher. A pessoa bi tem que namorar um homem e uma mulher ao mesmo tempo, né. E por isso que muita gente acha que todo bissexual é não monogâmico, por exemplo.

Dan: O que também não é…

Daniel: Não é verdade.

Dan: Não é verdade. É complicado. É lógico que existem, também, pessoas, tanto bi quanto homo, como também hétero, que são não monogâmicos, né, na verdade. Não é também uma característica…

Daniel:  É. Isso não tá condicionado à sexualidade.

Dan: São coisas distintas, e as pessoas acabam pontuando apenas na sexualidade do bi ou do pan, né?

Daniel: Uhum, principalmente do pan.

Dan: é, que aí o pan já sofre mais preconceito ainda, porque acha que ele gosta de qualquer coisa, né, inclusive bichos (ele ri)…

Daniel: Árvores…

Dan: É, árvores! Acho que eu vi no programa seu, que eu acho que vocês entrevistaram a Jéssica, não foi?

Daniel: foi a Jeniffer.

Dan: Jeniffer! Falando sobre pansexualidade. Eu gostei daquele programa. Mas então, Dan, agora voltando àquela pergunta que eu fiz, um combo de perguntas, na verdade (ele ri), eu tenho que aprender ainda a direcionar as perguntas no podcast.

Daniel: ^Não, tudo bem.

Dan: Mas falando sobre a questão racial, você pode voltar e explanar isso pra gente, por favor?

Daniel: Claro. Claro. A militância dentro do movimento LGBT e dentro do movimento negro é uma coisa muito complicada. Muito complicada, porque o movimento negro tem um histórico de misoginia e de homofobia muito grande. Tem uma marca de misoginia e de homofobia muito grande dentro dele, ainda. Infelizmente, a maioria das pessoas do movimento negro é machista e homofóbica. Então, isso dificulta muito uma intersecção de militâncias, né. E dentro do movimento LGBT tem muita gente racista, infelizmente. Então, de vez em quando, eu tô numa roda de pessoas negras e alguém solta uma piada homofóbica, como se nada tivesse acontecendo, sabe. Às vezes, sem saber que tem um bissexual ali. Ou sabendo e achando que não tem problema, sabe. E no caso do movimento LGBT, o racismo, como o racismo no brasil, é bem velado, sabe. As pessoas negras sendo preteridas, muitas coisas assim. E por mais que a opressão racista e a opressão homofóbica venham de uma mesma raiz, eu vejo uma dificuldade muito grande das pessoas interseccionalizarem essas opressões, e racionalizarem essas opressões como vindo de um mesmo lugar, pra juntar forças justamente pra lutar contra essas superestruturas.

Dan: Eu percebo que, por exemplo, sobretudo os gays, os homens gays, têm uma hipersexualização muito grande do homem grande (sic). E assim, aquela questão de todo homem negro é, como é que fala, é o negão da piroca, sabe. E isso ser tratado como uma coisa normal e, além disso ser tratado como normal, existir, por exemplo, até uma sessão específica dentro de filmes pornôs, como se isso fosse um fetiche. Então, eu acho que isso que é uma problematização maior da situação, né?

Daniel: Sim, no meio LGBT isso é bem complicado. Pra um homem bi negro, isso é muito complicado. Eu costumo dizer que não existe amor romântico pra um homem bi negro. Por mais que eu seja uma pessoa que não acredita no amor romântico, se você for pensar em todas as bases que estruturam ele, de fidelidade, a questão da monogamia é muito forte nessa ideia da construção do amor romântico, e o homem bi, dentro do meio LGBT, é o homem que vai trair, que não consegue ficar com uma pessoa só. Além da coisa do homem negro de que ele tem que sempre ser um homem forte, um homem grande, rola enorme, enfim…

Dan: Viril, né.

Daniel: viril. E o homem negro não pode ser afeminado, de jeito nenhum.

Dan: Gordo…

Daniel: Não pode ser, de jeito nenhum. Ele sempre tem que estar atendendo um padrão estético específico, e um padrão comportamental específico. Ele não tem essa liberdade e, por causa disso, é extremamente fetichizado e só serve pra sexo, não serve pra relacionamento. Então, pro homem bi negro não existe amor romântico. Não existe essa ideia… Que ele só quer sexo, ele sempre vai te trair.

Dan: Essa questão da afetividade… Uma coisa que eu já vi também, as pessoas erroneamente falando, é que tentam colocar o bissexual numa régua. Não sei se você já viu isso, em que tem duas direções. Por exemplo, querer mensurar o bissexual mais homossexual, ou o bissexual mais heterossexual, ao invés de falar que é apenas bissexual. Não sei se você já ouviu falar dessa mensuração (ele ri), dentro dessa régua.

Daniel: Então, essa mensuração existe, mas é o seguinte, nenhum bissexual gosta 50%  de homem e 50% de mulher. Existe um grau de bissexualidade. Tem um bissexual que vai gostar 70% das vezes de homem, 30% das vezes de mulher. E o contrário também existe. Mas o importante a se dizer é que todos eles são bissexuais. Não importando o grau de bissexualidade. Isso quer dizer que um cara que gosta 90% de homem e 10% de mulher vai ser bissexual também.

Dan: Porque existe os 10% né.

Daniel: existe os 10%. Por mais que ele se atraia 90% das vezes por homens,  ele vai continuar sendo bissexual.

Dan: Entendi. A gente tinha conversado anteriormente, você falou que teve um relacionamento com uma mulher e não teve um relacionamento com um homem. Aí, eu fiquei confuso agora, eu não sei se você ia explicar o porquê que isso aconteceu até hoje, ou se seria aquela questão da problematização da pergunta que você ia falar comigo.

Daniel: Não, então, existe um problema estrutural, como eu acabei de falar que não existe amor romântico pro homem bi, negro, então existe esse problema estrutural mesmo. Que, em primeiro lugar, pra pessoas negras em geral, o afeto é negado historicamente. Não é uma ideia que você pense e vocalize geralmente, mas existe uma ideia que as pessoas negras não são capazes de sentir afeto e não são dignas de receber afeto. Então, elas sempre são excluídas dessa possibilidade de afeto, e são meramente corpos pra atividade sexual mesmo.

Dan: Historicamente, como que é? Desde a casa grande, né. Que a negra frequentava a casa grande, já era objeto sexual do senhor…

Daniel: Sim, a negra que frequentava a casa grande era objeto sexual do senhor, o homem negro viril que satisfazia a senhora branca… Então, por uma ótica normativa, o corpo negro é somente um objeto sexual. Juntando tudo isso com a problemática do homem bi, no meio LGBT existem muitos gays que não namoram bissexuais. Justamente por essa problemática da confiança. Pra um homem bissexual conseguir um relacionamento, ele geralmente vai namorar outro homem bissexual. E como a taxa de bissexualidade entre homens não é muito alta, a gente acaba ficando muito sem opção.

Dan: Eu confesso que, talvez há uns quatro ou cinco anos, e até recentemente, entender a bissexualidade pra mim era uma coisa muito confusa, e eu acho que a maior definição que eu tinha de bissexualidade era que eram pessoas confusas. Sabe um preconceito mesmo? Assim como eu já fui transfóbico, com pessoas, assim, no passado, e aprendi. Me arrependo. Mas é complicado essa situação, no meio gay, eu acho, assim, que quase 80, 90% dos gays veem os bissexuais como confusos. Talvez seja isso. Sobretudo homens, né.

Daniel: Uhum. Existe muito essa ideia de que tá numa fase, que tá só experimentando, não vai durar pra sempre. Então, ele não é digno de um relacionamento, né, digno de afeto.

Dan: Por uma noite, talvez, eles…

Daniel: Por uma noite. Uhum.

Dan: Existe também uma questão, o seguinte… As pessoas que começam a entender, e desconstruir, entendem que essa questão da afetividade é muito direcionada pelos padrões. Então, tecnicamente, quem não conseguir desvelar esses padrões e como que o afeto nosso pode ser direcionado por imposição estrutural, vai perceber que a pessoa começa a direcionar as afetividades e gostar mais, talvez, de pessoas brancas, magras, enfim, o padrão que existe. E aí, dentro do meio negro existe, né, o termo “palmiteiro”. Eu não sei se você… a gente não conversou sobre isso antes, mas… se você já teve alguma situação parecida e como que funciona e se faz sentido isso, ou não?  Não que a gente queira cagar regra, né, pra a afetividade das pessoas. As pessoas podem se relacionar com quem elas quiserem. Apesar de que muitas coisas que a gente faz tem um sentido por trás social, do porquê a gente tá fazendo aquilo, mesmo que a gente não saiba.

Daniel: Não, claro. Não é cagar regra sobre relacionamento. Mas é denunciar um problema estrutural, né. Principalmente… eu, pessoalmente, nunca passei por uma situação assim, mas eu conheço vários casos. Diversos casos. E é um problema estrutural que pega um recorte de classe e pega o recorte econômico também. O termo “palmiteiro” é muito usado pra designar homens que só namoram com mulheres brancas. Mas por que eles fazem isso, né? O negro, principalmente nos anos 90, anos 80, 90, teve uma ascensão econômica muito grande. Então, o negro passo a habitar alguns espaços de convivência que, antigamente, eram só brancos, simplesmente por causa da condição econômica. Mas condição econômica não significa aceitação social automática, né. Então, muitos homens negros, até por habitarem esses espaços de convivência  diferentes, onde o que se predomina são pessoas brancas, eles vão buscar um relacionamento com uma pessoa branca simplesmente por… Simplesmente, não, seria desmerecer muito o relacionamento das pessoas. Mas inconscientemente, por uma ascensão social também. Ele tá nesses espaços…

Dan: Embranquecer o relacionamento, a vida social…

Daniel: é, embranquecer o relacionamento dele e ter alguma validação social, né, por estar namorando uma pessoa branca. Se ele está nesses espaços de convivência, onde ele economicamente não poderia estar poucos anos antes, se ele aparece nesses espaços com uma pessoa negra também, duas pessoas sofrendo racismo, dois negros no mesmo lugar, não pode, não. Num espaço predominantemente branco, não pode. Um já tá bom (Dan ri). Então, ele vai procurar essa pessoa branca, pra ele ter essa validação, essa ascensão social e pra ele poder habitar esses espaços com menos culpa, entre aspas, é.

Dan: falando sobre isso, agora eu até pensei em outra conclusão, que aí já não é objeto de conversa pra nós dois, mas um dia até vale a pena, bastante, chamar uma preta pra bater um papo aqui comigo. Que, automaticamente, quando o homem prefere uma branca isso cria também a solidão da mulher negra, no caso, né. Sem querer, de um problema, falamos de outro também, que também talvez seria interessante conversar sobre. E eu acho que é bacana.

Daniel: Sim, é bacana. E você vê como essas opressões se intercalam, né. Uma opressão de classe, uma opressão do capitalismo, influenciando numa opressão de raça e gera a solidão da mulher negra, né. Muito interessante a gente ver como essas coisas se intercalam e como isso é uma superestrutura só, que oprime todo mundo.

Dan: Eu acho que isso que é o mais feio, né, de ter um LGBT que oprime negros. De ter gay que oprime trans; trans que também podem falar alguma coisa em relação à sapatão. É uma guerra que só enfraquece a nós mesmos, que somos minorias políticas, na verdade. De todo modo, somos minorias políticas. Então, é bem complicado. Eu vejo que tem movimentos interseccionais que são legais, mas ainda eu acho que a caminhada é muito grande. É muito, assim, vai demorar bastante um pouquinho ainda pra acontecerem grandes mudanças. E falando sobre a questão racial, nós comentamos também anteriormente, sobre situações que você também já viveu, como homem negro, né. Você tava falando, por exemplo, de um evento que você tava… Você falou no Facebook. Você tava e alguém começou a te falar sobre o seu cabelo. Eu só fiquei sem entender se era alguém gay ou alguém, sei lá, de uma sexualidade qualquer. Eu não lembro muito da postagem na época, mas como eu acompanho, eu lembro que ocorreu esse episódio contigo.

Daniel: Nesse caso, foi uma opressão puramente por raça, né. Foi um episódio que eu relatei, mas é uma coisa que acontece muito. Foi um episódio específico que eu decidi relatar, mas é uma coisa que acontece muito, né. Bom, eu sou um negro de classe média alta, então eu normalmente tô nesses espaços onde os negros não estão. Então, não é normal pra pessoas brancas verem pessoas negras nesses espaços. E, normalmente, como as pessoas negras estão nesses espaços e buscam desesperadamente se adequar, elas entram em certos padrões, pra poder transitar por esses espaços sem muitas dificuldades, né. Por exemplo, o cabelo crespo negro incomoda. Porque ele é o cabelo ruim, é cabelo sujo, é feio. Então, ele incomoda. Então, o que a maioria dos negros faz? Raspam o cabelo, esperando uma aceitação maior. Eu não.

Dan: O que também não ocorre, né…

Daniel: O que também não ocorre. Eu não. Eu deixo o meu cabelo grande, deixo o meu black power. Se incomodar alguém, incomodou. É pra incomodar mesmo. O meu cabelo é um ato político, também. Então, nesses espaços, a pessoa não me conhece, acontece muito da pessoa chegar pegando no meu cabelo, falando “nossa, que diferente, como é que você faz?” “que exótico esse cabelo, né, como é que você cuida dele?”

Dan: Ninguém pega num cabelo liso e… (ele solta um riso nervoso).

Daniel: Ninguém fica pegando no cabelo liso, perguntando que xampu usa (Dan ri). Se penteia o cabelo. Lógico que eu penteio o meu cabelo.

Dan: Você falando que é negro de classe média alta, em escola, praticamente, então, você era um dos poucos alunos negros…

Daniel: Passei anos sendo o único aluno negro de escolas. Eu estudava numa escola no Rio, era relativamente cara, até, né. Nossa, não tinha outros negros. Só tinha gente branca, de vez em quando tinha um asiático, mas não tinha negro. Só tinha eu, negro. Tanto que eu comecei a alisar o meu cabelo com 9 anos de idade.

Dan: Sério?!

Daniel: é. Que é uma violência enorme com a criança, né.

Dan: é, 9 anos, né. Pra quê isso? Eu acho que depois de adulto, escolhe. Aí, não precisa cagar regra se deve ou não usar o crespo. Mas 9 anos, é criança, né.

Daniel: Uhum. Você vê como a influência é forte e violenta na criança. Violenta psicologicamente, porque criança não aceita os seus próprios traços. E fisicamente, porque dói pra caramba alisar o cabelo (Dan ri). Então, é problemático pra caramba.

Dan: Ai, ai. Oh, Dan, eu gostaria que você falasse um pouco, também, para os nossos ouvintes, como que funciona… Como que é a experiência sua… Primeiramente, você falar um pouco sobre o Lado (B)Lack e do Trans-missão, e qual foi, assim… O que você aprendeu com isso, o que você vem aprendendo. Na experiência de fazer podcast. Porque acaba que a gente tem pauta que a gente não entende, a gente tem assunto que a gente… vira um aprendizado, cada programa, eu acho, tem alguma coisa interessante pra poder aprender.

Daniel: Não, com certeza. Começando pelo Lado (B)Lack, né. O Lado (B)Lack começou, assim, bem repentinamente, né. Juntou um grupo de pretinho e começou a gravar. A gente mal se conhecia, e tal. Então, primeiramente, um dos maiores desafios era sincronia, com sincronia nos programas, mais de horário, gravação, estrutura. Esse é o primeiro desafio. E depois, a gente começa a falar sobre alguns temas, e cada um sugere um tema, e tal, aquela coisa dinâmica. Mas vão ter temas que um não vai saber tanto, o outro vai saber mais. Ou só um sabe e a maioria não sabe. Então, a gente acaba tendo que estudar muita coisa. Toda semana a gente tá estudando um negócio novo. Isso é muito bom, isso é muito interessante. Eu acho que a melhor parte disso é o retorno que a gente acaba recebendo, né. Porque o podcast, a gente não sabe quem a gente atinge, exatamente. Exatamente quem tá ouvindo, né. A gente só vai saber quando a pessoa vier falar com a gente. Quando a gente recebe e-mails falando “nossa, eu gostei muito do podcast de vocês. Vocês falam coisas que eu já pensava há muito tempo, mas não tinha com quem conversar, não tinha… não vocalizava essas coisas  e não tinha como organizar os meus pensamentos. E vocês me contemplaram”, e tal. A gente acaba fazendo um diálogo e eu acho que isso é que nos ajuda a crescer como comunidade, né. Como indivíduos. Esse diálogo. Que a melhor coisa de fazer podcast , agora falando tanto pro Lado (B)Lack como pro  Trans-missão, é esse diálogo que a gente acaba tendo com outras pessoas, com pessoas diferentes. Gente pedindo algum tema específico e você acaba tendo que estudar alguma coisa que você nunca estudaria em outras condições.

Dan: Sim!

Daniel: E pessoas se sentindo muito contem… Agora falando do Trans-missão, de pessoas se sentindo representadas pelo que você fala. Por alguma coisa que você fala no cast, específica, de alguma situação que você viveu, que alguma pessoa se identifica e vem falar com você. E acaba tendo uma troca de experiências muito gostosa, muito interessante. Eu acho que a melhor coisa de se fazer podcast é o feedback, é o contato com os ouvintes.

Dan: Sim! E vocês já tiveram haters?

Daniel: Haters, não sei… Graças a d… Graças a Bafomet, náo (Dan ri).

Dan: é, “graças a deus” é socialização, não tem jeito (eles riem).

Daniel: É verdade.

Dan: Eu falo “santa Sher”, ou… como é que fala? Jaspion. (Daniel ri) Aqui em casa, a gente uma amiga minha fala Jaspion, aí a gente acabou falando “por Jaspion”. Mas enfim, a experiência  de gravar podcast é realmente gostosa,  é bacana. E eu adoro podcast, os dois podcast seus. Eu ouvia muito o Lado (B)Lack. E aí, quando eu comecei a ouvir o Trans-missão, eu falei assim, “ué, mas esse menino aqui é o mesmo do Lado (B)Lack!” (eles riem). É quando a gente ainda não conhece as pessoas, só conhece as vozes, e a gente ainda não associa a pessoa à voz. A Cracóvia, né, que fazemos parte…

Daniel: Nossa, essa coisa da voz é muito interessante porque você começa a ouvir um podcast, você cria uma imagem mental da pessoa, e você já se identifica com aquela pessoa, de ficar ouvindo a voz dela várias vezes, e tal (Dan ri) E, pra você, você já é amigo daquela pessoa, de anos. É muito legal isso.

Dan: Eu não sei se você já viu uma postagem da Juliana Wallauer, Ju Wallauer, lá do Mamilos. Você ouve o Mamilos?

Daniel: Uhum. Sim. Adoro.

Dan: Ela postou alguma coisa, e aí ela postou uma foto com o Merigo. E, pra mim, o Merigo era tipo um tampinha, sabe (Daniel ri). 1,65m… 1,60m…

Daniel: Não, ele é alto pra caramba, eu já conheci ele pessoalmente. Ele é alto pra caramba.

Dan: E ela tá assim, “como assim você acha que o Merigo é pequeno?” Eu falei assim, “não sei, a voz dele é de uma pessoa pequena!” (ambos riem). E eu criei essa imagem dele na minha cabeça.

Daniel: Eu também, eu também tinha essa imagem. Eu conheci ele pessoalmente, eu tive que olhar pra cima pra falar com ele (Dan ri).

Dan: ele é muito alto. Você também é alto… Nossa, eu sei por que eu tenho essa imagem do Merigo. Depois eu fiquei pensando numa resposta melhor. Eu acho que o Merigo tem uma voz muito doce, muito suave, e a gente fica imaginando uma pessoa pequenininha, bem suave, bem meiga, sabe.

Daniel: Aham. Ah, sim.

Dan: Deve ter sido isso que eu criei o meu Meriguinho, sabe (Daniel ri)…

Daniel: A imagem carinhosa (Dan ri).

Dan: é, uma imagem carinhosa do Merigo.

(VINHETA: ENTRE EFEITOS SONOROS DE IMPACTO E DE DISTORÇÃO DE ÁUDIO, A VOZ ANUNCIA “MOMENTO SUPER PODERES!”)

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Dan, ao final do programa, eu pergunto todos os meus convidados o seguinte. Se você tivesse um super poder, qual seria o seu super poder?

Daniel: Nossa, que pergunta!

Dan: Ah, eu sempre erro a pergunta, viu. Deixa eu só reformular (Daniel ri). Se você tivesse um super poder para que ajudasse os LGBTs, qual seria o seu super poder?

Daniel: Nossa, dificultou mais ainda. Ah, eu vou ter que pensar um pouco.

Dan: Pode pensar, depois a gente edita (eles riem).

Daniel: Meu deus… (ES de tic-tac enquanto Daniel hesita por alguns segundos). Nossa, a gente tem umas predefinições de poder… (ele ri nervosamente, enquanto o ES do tic-tac fica mais acelerado). Acho que eu gostaria de um raio desproblematizador, assim (ES de pistola de raio). Para as pessoas pararem de serem babacas (Dan ri).

Dan: gostei! (ele ri mais) Agora eu tô pensando, como esse raio funcionará (continua rindo). Mas é um poder bacana. Enfim, oh, muito obrigado pelo seu tempo, eu sei que a agenda de quem grava dois programas… Tem uma vida pessoal, que não pode deixar de tê-la, tem faculdade. Não sei se você faz estágio. É tanta coisa que vai acumulando, uma sobre a outra. Que realmente fica complicado de gravar, a agenda. Domingo, mesmo, é um dia que dá uma preguicinha de fazer alguma coisa à tarde. Eu gostaria de te agradecer. Acho que esse programa, assim, ele é primordial. Apesar de ir ao ar mais à frente, vai em outubro, eu gostaria de deixar registrado aqui o áudio, né, que hoje é domingo e sexta-feira foi 23. Foi o dia da visibilidade bissexual. É uma data internacional, pelo que eu li, né.

Daniel: é uma data internacional.

Dan: E pessoas heterossexuais, e pessoas L, G, ts… pensem mais Ts não, porque não envolve identidade de gênero. Mas, L e Gs pensem um pouquinho sobre as pessoas bissexuais, com carinho, e cortem seus preconceitos. Né, Dan?

Daniel: Por favor, né, gente. Nós existimos, nós sofremos preconceito, e nós resistimos, principalmente.

Dan: é isso aí! Valeu!

Daniel: Obrigado pela oportunidade, pelo espaço. É sempre muito bom falar sobre esses assuntos que merecem tanta, mas tanta visibilidade ainda. Muito obrigado pelo espaço.

Dan: Nós vamos ficar com duas sequências de podcast bissexuais, que aí… em comemoração ao dia da visibilidade bissexual (após uma curta pausa, ele ri). Obrigado, e é isso aí. Temos um programa, né? Esses dias eu copiei as meninas do Mamilos, eu falei “temos um HQ!”(eles riem). Enfim, eu acho que eu vou começar a colar isso e usar “temos um HQ? Temos um HQ!”

Daniel: é bom. É muito bom…

Dan: Um beijão. Então, até mais!

Dan: Então, pessoal, finalizamos aqui mais um programa. Dan, novamente, muito obrigado. Então, pessoal, a indicação de hoje é quentíssima. Eu pedi o livro da Amara Moira há tempos, e tive um problema com a livraria em que fiz o pedido. Mas finalmente o livro chegou. Não terminei de ler ainda. Mas já estou amando a história dela. Um dia, eu quero trazer ela aqui nesse podcast. Já tentamos, mas ainda não conseguimos datas compatíveis. Sobretudo agora que ela está bem ocupada. Mas enfim, segue a dica, o livro chama “E se eu fosse puta”. Ela conta, né, a trajetória dela nas ruas, vale a pena conferir essa dica. Ok? O livro dela também tá com um preço muito bacana e muito acessível. Enfim, e por fim, não se esqueçam de curtir nossa página no Facebook, que é “HQ da Vida”, e inscrever no nosso canal do Youtube, que é “HQ da Vida Podcast”. E por falar em Youtube, estamos precisando de uma galera, como eu falei, de um grupão mesmo, para nos ajudar a transcrever os episódios. Mas olha só que notícia boa, conseguimos agora dois amigos que se predispuseram  a nos ajudar. Mas gente, tenho que lhes falar que é bom um grupo cada vez maior, pois faremos a mesma estratégia do Podcast Mamilos, que é dividir o episódio em várias partes, para diminuir o serviço. Portanto, ficamos esperando mais gente para nos ajudar. Beleza? Lembrando que essa ideia visa criar acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva. Se souberem de alguém, ou tiverem interesse, compartilhem nossa ideia e entrem em contato conosco. O nosso e-mail é hqdavida@gmail.com; também pode acessar a página, que é “HQ da Vida” e o canal do Youtube, que é “HQ da Vida Podcast”. E se você quer contar uma história ou mandar uma cartinha, reclamações, dicas e críticas ao programa, pode entrar em contato conosco. O seu feedback é muito importante. Ok? Outra notícia boa é que estamos no iTunes, finalmente! Agora, sim, vocês terão mais chances de nos ouvir. Não esqueça de assinar lá. Ok, pessoal? Ah, e esqueci de falar, os coleguinhas que se predispuseram a nos ajudar é o Sidney Andrade, que é até um amigo da Cracóvia, que é um grupo secreto no Facebook para pessoas que são patrões do Anticast; e também tem a Cecília Tupinambá, que é daqui da minha cidade. Então, enfim, só gostaria de deixar o meu muito, muito, muito  obrigado por essa iniciativa de me ajudar, e a gente tentar transcrever esses episódios. Então, pessoal, muito obrigado. E um beijo. E até a próxima.

((FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

FIM

(Transcrito por Sidney Andrade)

 

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