Transcrição HQ de bolso #06 – As Bandeiras LGBTs

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TRANSCRIÇÃO – HQ de Bolso #06 As Bandeiras LGBTs

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

Sidney: Eu sou Sidney Andrade.  E esse é o HQ de Bolso número 06!

Dan: Então, pessoal, o HQ de bolso tem a intenção de provocar discussões iniciais sobre temas que abrangem as vivências Queer. A gente quer começar o assunto para que você possa ter um ponto de partida com o qual poderá buscar mais informações. Queremos iniciar conversas importantes que precisam ser debatidas sempre mais a fundo. Aqui é só o começo.

 

Sidney: E hoje nós vamos falar das Bandeiras LGBTs. Você achou que tinha só a bandeira do orgulho gay, aquela coloridinha? Não, menino. Tem uma bandeira pra cada letrinha da sigla. Acredita?

Dan: (solta um riso) então, pessoal, antes de começar a falar dessas bandeiras, a gente tem que falar, assim, o que é bandeira mesmo. Eu to… Na verdade, eu tô me sentindo um Sheldon Cooper, agora, de The Big Bang Theory, com o programa dele, Flag

 

Sidney: Hoje, nosso Flag Day aqui…

 

Dan: Fun With Flags.

 

(INÍCIO DE CLIPE DE ÁUDIO: TRECHO DA SÉRIE “THE BIG BANG THEORY”)

 

Sheldon: Hello. (risos) I’m Doctor Sheldon Cooper, and welcome to the premiere episode of Sheldon Cooper Presents Fun With Flags. (risos)

 

(FIM DO CLIPE DE ÁUDIO)

 

Dan: Então, bandeiras são pedaços de tecidos ou gráficos imitando tal tecido, utilizado para simbolizar, sinalizar e/ou decorar. Antes de existirem bandeiras de orgulho, já existiam outros símbolos para as comunidades L-G-B-T-Q-I-A-P, e qualquer outra coisa que aparecer, que a gente um dia vai falar aqui também. Parece uma missão impossível gravar um podcast sobre bandeiras, né, Sid? Mas não é, não.

 

Sidney: Ah, é. Falar da sigla… Cada vez que a gente fala da sigla em si, a gente tá arriscando ficar ultrapassado porque surgem cada vez mais e mais denominações.

 

Dan: A sexualidade humana, como vocês já até perceberam pelos outros programas, é algo muito fluido e não existe caixinha tão certinha pra isso. Então, pessoal, antes, nós vamos fazer da seguinte metodologia e dinâmica pra poder apresentar pra vocês esse programa sobre bandeiras. A gente vai descrever as bandeiras, e ao mesmo tempo, a gente vai contar o que tem por trás da história dessa bandeira específica. Então, Sidney vai descrever a bandeira LGBT.

 

Sidney: Vamos lá. Aquela famosa, a clássica que todo mundo conhece, que no dia da parada é a que fica lá, gigantona, na rua, todo mundo embaixo dela. A Bandeira do Orgulho LGBT é a clássica que são seis faixas horizontais coloridas, de cima pra baixo, vem vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. É mais simples, e é essa que aparece em todo canto. Né, Dan, qual é a história dessa bandeira?

 

Dan: Isso. É a bandeira que, antes desse movimento, todo mundo falava mais “bandeira gay”. Mas é uma bandeira LGBT. Ela inclui todos, na verdade. E aí…

 

Sidney: Até porque, a gente tá falando, é a bandeira do orgulho LGBT, mas não tem uma bandeira do Orgulho Gay.

 

Dan: Falam que é a bandeira do orgulho gay, e não é.

 

Sidney: Não é. De todos, todas as coires. Por isso que ela é coloridona.

 

Dan: Então, gente, essa bandeira tem uma história muito interessante. Quem criou essa bandeira chama Gilbert Baker, e ele nasceu em junho de 1951. E, infelizmente, já faleceu, neste ano, em 31 de março de 2017. Ele era um artista estadunidense e ele era ativista dos direitos LGBT e foi o designer dessa bandeira que foi proposta e feita em 1978. De 1970 a 72, ele serviu até nas Forças Armadas americanas. Aí, ele deixou o exército, começou a aprender sozinho a costurar e começou a criar cartazes para marchas de protesto antiguerra e a favor dos direitos LGBT.

 

Sidney: É interessante a gente ver que é uma pessoa militar que deu origem à representação do orgulho LGBT  como a gente conhece hoje.

 

Dan: O ativismo dele era tanto antiguerra quanto a favor também dos LGBTs.

 

Sidney: Uhum, da diversidade.

 

Dan: Então, Baker criou a bandeira originalmente com oito cores e, por questões, assim, de facilidade, ao longo dos anos, ela ficou com seis, como o Sidney acabou de descrever pra vocês. Naquele… Quando ele criou, era 25 de junho, era o dia da liberdade gay nos Estados Unidos. E aí, essas primeiras versões dessa bandeira foram vistas nas ruas e um grupo de pessoas que pintou junto com o Baker. E basicamente, a explicação…

 

Sidney: No caso, as cores foram retiradas porque, antigamente, as bandeiras eram costuradas, não eram pintadas. E os tecidos dessas cores eram mais difíceis de conseguir. Quais eram as cores, Dan?

 

Dan: A cor rosa e a cor azul turquesa.

 

Sidney: Eram cores… Os tecidos eram mais difíceis de conseguir, e aí… Pra fazer a bandeira ficava mais complicado. Aí, pra facilitar… Elas caíram.E depois voltaram nas próximas bandeiras que a gente vai ver.

 

Dan: É porque, justamente, o que você disse, o tecido era mais difícil, porem a primeira versão que tinha oito foi pintada. E assim, o Baker precisou de trinta voluntários pra poder pintar essa bandeira e expor no dia 25 de junho. E tem outra curiosidade… Pode falar.

 

Sidney: É porque é outro contexto também, né, Dan, porque não tinha internet, não tinha computação gráfica, e essas coisas. Hoje em dia, as bandeiras não são as flâmulas em si, os tecidos, mas sim os ícones, os símbolos que elas representam. E a gente vê mais nas telas do que na mão, mesmo, das pessoas. Então, esse problema das cores acabou desaparecendo com a evolução da tecnologia e do design.

 

Dan: Sim. E outra curiosidade sobre a bandeira é que, em 1994, ele produziu a maior bandeira do mundo, em comemoração ao 25º aniversário da rebelião de Stonewall. Ele entrou no recorde. Além de ter sido a pessoa que propôs, ele ainda fez a maior bandeira do mundo, em 1994.

 

Sidney: Menino, bicha lacrativa, né. Já lá… Inclusive, falar em Stonewall, a gente fica até devendo um HQ de Bolso só sobre Stonewall, que merece.

 

Dan: É maravilhoso falar sobre Stonewall. E também deixar claro sobre o apagamento da questão trans, que muita gente fala como se fosse uma rebelião das gay, e não é bem assim.

 

Sidney: A gente vai explicar tudinho.

 

Dan: Sim, isso é pra um próximo HQ…

 

Sidney: Vamos “desapagar”, né.

 

Dan: Sim. Então, vamos agora falar do significado dessas cores que foram propostas pelo Gilbert?

 

Sidney: Vamo, menino, que eu fiquei um pouco confulser, porque tá um pouco… (risos) Um pouco Xuxa demais, esses significados, acho que hoje em dia já não é mais tanto assim.

 

Dan: Eu acho que era uma coisa mais da época, né.

 

Sidney: É, acho que sim.

 

Dan: Vamos lá. Rosa significa…

 

Sidney: Significava.

 

Dan: Significava (risos)… Rosa significava sexualidade. Vermelho, vida. Laranja, cura. Amarelo, a luz do Sol. O verde, a natureza. (Sidney ri)

 

Sidney: Olha aí, Xuxa e os duendes… (risos)

 

Dan: Você tá quase cantando “A de amor, B de baixinho”, né?

 

Sidney: Tô…

 

Dan: Turquesa, mágica e arte. Anil, harmonia e serenidade. E violeta é o espírito humano.

 

Sidney: Olha aí…

 

Dan: Então, pessoal, essa era a proposta da bandeira, na época.

 

Sidney: Inicialmente. Hoje, a gente percebe que não… O que a bandeira significa vai além do que esses significadozinhos de cada cor, né, inicialmente. Hoje, a bandeira já é um ícone único. Você vê as seis corezinhas lá, todas emparelhadas, você já olha e diz “orgulho LGBT”. Não carece mais dessas atribuições.

 

Dan: É. E também, graças ao Gilbert Baker, nós pudemos, no mês de junho de 2017, ter enchido o Facebook de botãozinho de orgulho.

 

Sidney: Sim, o Facebook ficou coloridíssimo.

 

Dan: Eu adorei a iniciativa do Facebook. Inclusive, um monte de gente homofóbica, eu só comentava com… Eu só curtia, só reagia com o orgulho… (risos)

 

Sidney: Reagia com o orgulho… (risos)

 

Dan: Adorei. Então, gente, só pra finalizar sobre essa bandeira, não delongarmos, em 2015, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MOMA, ele adquiriu a bandeira para a sua coleção e a definiu como um poderoso marco histórico do design. Ok?

 

Sidney: Olha aí, marco histórico do design.

 

Dan: E agora vamos para a Bandeira do Movimento Lésbico. Como é composta essa bandeira, Sid?

 

Sidney: A bandeira… como é a Bandeira do Orgulho Lésbico, também chamada de Labrys, é uma bandeira com o fundo roxo, no centro tem um triangulo preto apontado pra baixo, e no meio desse triangulo tem a ilustração de um machado de folha dupla, que é o chamado Labrys, é o nome desse machado, branco. É aquele machado que tem os dois lados com laminas, lamina do lado esquerdo e do lado direito, não é de um lado só. Bem poderoso, né?

 

Dan: É poderosíssimo esse símbolo e tem muito a ver com uma história triste. O triangulo virado de cabeça pra baixo é relativo à época do nazismo. As mulheres lésbicas ou mulheres indesejáveis, ou antissociais, elas eram marcadas com esse triangulo negro invertido. E os homens homossexuais eram marcados com um triangulo rosa. E os comunistas eram marcados de amarelo. E aí, se fosse um combo, comunista/gay, era um amarelo e um rosa, o amarelo ficava pra cima e o rosa ficava pra baixo. Mas enfim, esse combo aí dessa bandeira é um marco de luta, na verdade, de sofrimento…

 

Sidney: E é uma ressignificação, essa tentativa que o movimento LGBT tem, na maioria das vezes, de ressignificar os símbolos, as palavras que eram usadas para nos discriminar. E aí o movimento lésbico pegou o triangulo invertido preto e colocou na bandeira pra tomar pra si, na bandeira… Essa bandeira é muito o que a gente faz, atualmente, no meio LGBT, que é ressignificar esses símbolos, esses ícones que eram usados para nos discriminar. A gente toma pra a gente, pra não deixar que eles sirvam como mecanismos de opressão. Quando a gente toma pra a gente, a gente se empodera deles, e faz deles um instrumento de resistência.

 

Dan: Justamente. E ao passo que o triangulo invertido é um símbolo de opressão, nós temos esse machado de folha dupla que já é ao contrário. Engraçado, talvez é até a simbologia, tem um símbolo de opressão, mas em cima do símbolo de opressão tem um símbolo de poder feminino. Que esse Labrys é associado ao poder matriarcal, ele era utilizado na antiga civilização minoica. E nas lendas gregas, ele era utilizado pelas amazonas. Inclusive…

 

Sidney: Olha aí, será que a gente vai ver a Mulher Maravilha com um desse, hein, nos próximos filmes? Seria maravilhoso.

 

Dan: É isso que eu fiquei pensando. Eu não assisti o filme nem nada, mas depois eu fiquei pensando aqui ainda, será que já tem esse machado e eu nunca fiz essa leitura mentalmente, desse símbolo de poder?

 

Sidney: Eu assisti o filme, mas não sou capaz de dizer se lá em Temiscera, lá no começo, se elas tinham esse machado. Fica aí pra o pessoal prestar atenção lá no fundo da tela, com as amazonas.

 

Dan: Isso mesmo. Então, pessoal, essa é a bandeira do movimento lésbico. E agora a gente vai pra a Bandeira do Orgulho Bissexual. Sidney vai passar pra a gente a descrição da bandeira bissexual.

 

Sidney: A Bandeira do Orgulho Bissexual é mais simples, são três faixas horizontais. A faixa de cima, que é rosa, e a faixa de baixo, que é azul, são mais largas. E uma faixa ao centro, que tem a metade da largura dessas outras duas, é uma faixa roxa. São três corezinhas aí, azul, rosa e roxo.

 

Dan: Isso. Essa bandeira foi criada pelo Michael Page, foi criada em 1998. Ele fazia trabalhos voluntários no grupo Binet, dos Estados Unidos. E aí, isso nasceu a partir dessa inspiração desse trabalho voluntário que ele fazia. A proposta era fazer o seguinte, deixar que a bandeira fosse 40% rosa, 40% azul e 20% roxa. A chave para compreender o simbolismo da bandeira do orgulho bi é saber que a faixa roxa vai criar uma transição suave entre as faixas rosa e azul, porque isso é significativo do mundo real dos bissexuais. Porque eles se misturam suavemente tanto com as comunidades gays e lésbicas, tanto quanto com as comunidades heterossexuais. Então, é uma realidade das pessoas bissexuais.

 

Sidney: E nessa faixa a gente começa a perceber uma tendência da gente utilizar as cores que são construídas socialmente como identificadoras da sexualidade, da identidade de gênero e opção sexual, que a gente tem o rosa que simboliza o feminino, o azul que simboliza o masculino, e a gente tem o roxo que a gente vai ver nas próximas bandeiras, e nessa também, que significa o impulso sexual, o desejo sexual.

 

Dan: Isto. E agora vamos para a Bandeira do Orgulho Trans. Como que é a bandeira do orgulho trans, Sid?

 

Sidney: A Bandeira do Orgulho Trans são cinco faixas horizontais, de cima pra baixo, vem azul, rosa, branco, depois rosa e azul de novo.

 

Dan: E se você virar ela de cabeça pra baixo, você vai ter essa mesma sequência.

 

Sidney: A mesma sequência, exatamente. Isso é um indicador do que ela quer representar.

 

Dan: Uhum. Então, pessoal, se a gente já tem, por um lado, a bandeira LGBT, que vai representar a diversidade de sexualidade na época, e hoje vai representar, pra nós já representa tanto sexualidade quanto gênero, a primeira bandeira que descrevemos. Agora, temos a bandeira trans que está ligada especificamente somente a gênero. Então, essa bandeira foi criada em 1999, por Monica Helms. E ela foi hasteada pela primeira vez numa parada do orgulho LGBT em Phoenix, Arizona, nos anos 2000. As faixas azul claro vão representar… Igual o Sidney falou das representações sociais, que a gente associa o azul aos bebês homens, a faixa rosa claro representa a cor tradicional para bebês mulheres, e as faixas brancas representam aqueles que são intersexuais. Ou seja…

 

Sidney: também representam essa transição que é você sair de um ponto ao outro.

 

Dan: Também eles quiseram deixar claro também pra quem tem gênero neutro ou não tem gênero definido. É basicamente essa que é a proposta da bandeira trans, que é uma proposta bem significativa mesmo. Ela utiliza de símbolos que… De representações sociais que a gente sabe, que o azul é para menino e o rosa para meninas, mas não no sentido opressor…

 

Sidney: De discriminar.

 

Dan: No sentido de discriminar. É no sentido de libertar e de que pode ser qualquer coisa.

 

Sidney: como a gente tá dizendo até agora, e as bandeiras servem pra a gente se apropriar inclusive dessas construções sociais e fazer com que elas funcionem a favor da nossa luta, e não contra as nossas identidades e as nossas sexualidades.

 

Dan: basicamente, essa é a proposta. É o mesmo caso do símbolo, o triangulo invertido, eles ressignificarem esse triangulo que tem uma história tão triste por trás. Então, pessoal, agora vamos para a Bandeira do Orgulho genderqueer e Não-Binário. Apesar de ser bem representado na bandeira trans, existe uma bandeira específica também para os genderqueers ou as pessoas não binárias. Como que é essa bandeira, Sid?

 

Sidney: Orgulho Não-Binário, que a gente também conhece como fluidez de gênero, né. Gender Fluid. Isso se a gente não tiver falando bobagens aí. Quem tiver atento e souber se existe uma diferença entre não-binariedade e fluidez de gênero, genderqueer, conversa com a gente, tá, pra a gente corrigir. Vamos lá para a Bandeira do Orgulho Não-binário, como é que ela é. A Bandeira do Orgulho Não-Binário é composta de três faixas horizontais coloridas, de cima pra baixo, lilás, branco e verde. Três faixas iguaizinhas, de mesma largura, lilás, branco e verde, de cima pra baixo. O que significa, Dan?

 

Dan: Então, essa bandeira já é um pouco mais nova. Na verdade, o design definitivo dela é de 2012. A pessoa que propôs chama Marilyn Roxie. E aí, primeiro, só pra entender o que é o termo genderqueer, ele é utilizado pra representar mais uma identidade do que uma característica biológica, e são pessoas que não se identificam com as expectativas da sociedade quanto ao sexo, expressão de gênero e sexualidade. A pessoa que propôs, que é a Merilyn, ela diz que a lavanda vai representar pessoas andróginas e a androginia. A faixa branca representa a neutralidade de gênero, e tem muito a ver também com a faixa branca lá na bandeira trans que a gente falou. E o verde significa identidades que se definem para além ou sem qualquer referência ao sistema binário de gênero que a gente já falou, homem e mulher.

 

Sidney: Olha aí, Saiu do azul, saiu do rosa, foi pro verde.

 

Dan: Justamente.

 

Sidney: Totalmente diferente.

 

Dan: Agora temos a bandeira que eu acho que é a bandeira que eu acho mais linda, linda, é a bandeira intersex. Como que é a bandeira intersex?

 

Sidney: Vamos lá. A Bandeira do Orgulho Intersexual, ela é bonita mesmo, pelo que eu tô vendo aqui. Fundo todo amarelo, e ao centro tem um anel de delineamento grosso na cor roxa.

 

Dan: Isso. Essa, eu acho que, de todas as bandeiras, pra mim, ela é a que mais, assim, em termos de estética e de beleza, eu achei muito linda e muito simples também. Então, o que significa a história por trás dessa bandeira? A Organização Nacional Intersex na Austrália propôs essa bandeira em julho de 2013. Então, assim como a bandeira genderqueer, ela é uma bandeira também muito nova. Ela é apenas de 2013. E aí, a proposta é que o circulo não tem quebra, nem ornamentos, representando a inteireza e a completude e as potencialidades das pessoas intersexuais. E eles dizem ainda que lutam por autonomia corporal e integridade genital, e isso vai simbolizar o direito de eles serem quem eles são, como eles querem. Então, é basicamente esse o símbolo do circulo que o Sidney acabou de descrever pra vocês. E agora…

 

Sidney: só lembrando que… Calma, jovem. Só lembrando que intersexualidade, pra quem não conhece ainda o termo, porque ele é novo também, a gente falou lá no HQ da Vida… NO HQ de Bolso #03, que foi sobre identidade de gênero e orientação sexual. Intersexualidade se refere à presença de dois aparelhos reprodutores numa mesma pessoa, quando a pessoa nasce com os dois aparelhos reprodutores, o masculino e o feminino, que era antigamente conhecido como hermafroditismo. Esse termo não é mais usado, gente, para com isso. Intersexualidade que é usado.

 

Dan: É, tem um estigma em cima desse termo, e eles ressignificaram para intersexual.

 

Sidney: E aí, fizeram a bandeira mais lacrativa. Adorei.

 

Dan: Eu adorei também. E aí, vamos agora para a bandeira do orgulho pansexual. Como que é essa bandeira do orgulho pan?

 

Sidney: Olha só, pansexualidade que é essa coisa tão mal compreendida. A gente também deve, vai fazer um HQ de Bolso sobre pansexualidade, pra retirar esses preconceitos e essas pré-suposições do que é pansexualidade, que o pessoal costuma não entender direito.

 

Dan: Eu acho que a gente precisa de um HQ de Bolso e a gente precisa de um HQ da Vida. Se você está ouvindo e é uma pessoa pansexual, entre em contato com a gente, por favor.

 

Sidney: Gente, vamos, a gente quer conversar com você. Contar sua história.

 

Dan: Vamos lá, como que é a bandeira?

 

Sidney: Vamos lá, a Bandeira do Orgulho Pansexual é composta também por três faixas horizontais coloridas, de cima pra baixo, rosa, amarelo e azul.

 

Dan: Isso. É uma bandeira simples, bem tranquila. E agora vamos à explicação do porquê que essa bandeira é assim. Primeiro, o Sidney já falou que pansexualidade é atração por pessoas de todas as identidades de gêneros e sexo biológico, sem distinção. Ela foi criada pra que ela se distinguisse da bissexualidade, que é próximo da pansexualidade, mas não tão próximo por essas quês… Pelo que eu acabei de descrever pra vocês. Então, a faixa azul vai representar a atração por homens. A rosa, atração por mulheres. O amarelo representa a atração por pessoas que se identificam como sem gênero, de ambos os gêneros ou de um terceiro gênero. Ou seja, isso é pra poder abarcar e trazer todo mundo, que é a proposta da pansexualidade.

 

Sidney: Que a pansexualidade não faz distinção de genitália, não é verdade?

 

Dan: Justamente. E agora nós chegamos na Bandeira do Orgulho Assexual. Como que é a descrição dessa bandeira?

 

Sidney: A Bandeira do Orgulho Assexual, que a gente inclusive já mencionou brevemente no HQ de bolso #04, que foi sobre a Assexualidade e o espectro da assexualidade. A Bandeira do Orgulho Assexual é composta por quatro faixas coloridas também. De cima pra baixo, a sequencia é preto, cinza, branco e roxo.

 

Dan: Então, pessoal, em 2010, a Asexual Visibility and Education Network, a Rede de Educação e Visibilidade Assexual, fez o convite para que os membros de sua comunidade criassem uma bandeira para as pessoas assexuais, indivíduos que não sentem qualquer tipo de atração sexual. A faixa negra representa a assexualidade, a cinza representa a área entre ser sexual e assexual, a faixa branca representa o desejo sexual e a faixa roxa representa a comunidade. Pessoas assexuais também, às vezes, se identificam por meio do Ás de Espadas, ou do Ás de Copas, porque “Ace” é uma gíria muito carinhosa para uma pessoa assexual. Eu não sei se vocês foram percebendo, mas durante o programa, a gente falou sobre L, G, B, T, Q… O Q porque entra nessa sopinha de letrinha. P… Q, I, P, A. Ok?E aí, pessoal, chegamos ao fim da sopa de letrinhas dos LGBTQIPA, mais e qualquer outra coisa que aparecer, um dia falaremos aqui também. E só por curiosidade…

 

Sidney: Haja letra, né.

 

Dan: É, haja letra. E só por curiosidade, a gente vai falar de duas bandeiras, mas no link da pauta, pelos links que vocês irão verificar, existem muitas bandeiras de várias interseções, pra vocês darem uma apreciada e darem uma olhada. Ok? Então, vamos lá. A primeira bandeira que a gente vai descrever aqui, nós vamos descrever então a bandeira do orgulho Leather.Como que é a bandeira do orgulho leather?

 

Sidney: Orgulho Leather é do pessoal que faz BDSM, esse pessoal do couro, e do fetiche, não é isso mesmo, Dan? Tô certo ou tô errado?

 

Dan: Isto. Isto. Isto, isto, isto.

 

Sidney: Exatamente. Não é uma sexualidade que está na sigla, é uma forma de manifestar a sua sexualidade, na sua relação.

 

Dan: É, é até um fetiche, né.

 

Sidney: Fetiche não é orientação, não é identidade, mas tá também inserido nas discussões sobre sexualidade da galera LGBT  e fora dela também, que héteros também são leather.

 

Dan: Yes.

 

Sidney: A Bandeira do Orgulho Leather, menino, ela é bem complicada. Pera aí, visse. São nove faixas horizontais. Nove, viado. Olha só. NO centro, tem uma faixa branca. Aí, a partir dela, de modo igual, pra cima e pra baixo, seguem, a sequencia de faixas, azul, preta, azul de novo, preta de novo. E aí, na altura das quatro faixas superiores, acima da branca,  tem um coração vermelho, do lado esquerdo, inclinado pra a esquerda. Fazendo uma carinha assim, coraçãozinho.

 

Dan: Isso. Essa bandeira foi criada em 1989, então ela tem 28 anos. Foi criada por Tony Deblase. E aí, eu vou explicar pra vocês o que significa essa bandeira. Segundo a pessoa que criou, não existe nenhum significado. Ele deixa a interpretação (risos) das cores e do símbolo pra quem quiser fazer (risos). Você pode interpretar da maneira que você quiser. Da melhor maneira possível. (risos) É isso, gente.

 

Sidney: Que é o que o BDSM  propõe, né. Seja feliz do jeito que você quiser aí, meu filho (Dan ri). Faça…

 

Dan: Agora nós vamos falar da última bandeira, que é a bandeira dos ursões.

 

Sidney: Dos urso… Menino! Eu não sabia. Fiquei chocado que eu descobri que tem uma bandeira só pros ursos, jovem!

 

Dan: (rindo) A Bandeira Internacional da Irmandade de Ursos. Como que ela é, Sid?

 

Sidney: Irmandade de Ursos… (ele ri) Ursos, pra quem não sabe, é uma tribo, entre aspas, entre os homossexuais homens, gays homens, que são aqueles rapazes grandes, altos, peludos, às vezes mais velhos, às vezes mais novos. Tem várias subdivisões dos ursos. Tem os ursos polares… (Dan ri) Tem os filhotinhos… (Dan ri) Eu sou um cub. (risos) Se eu for lá na… Nessa tribo aí, eu sou um cubzinho. Tem os chasers, que são os caçadores de ursos, pessoal que só gosta de urso. Essas coisas…

 

Dan: É… Inclusive, vale um HQ de bolso, viu (ele ri).

 

Sidney: Isso. Já ia bem dizer. Vale um HQ de Bolso sobre a comunidade ursina, não é mesmo?

 

Dan: A gente tá igual às meninas do Ponto g. Cada programa que elas fazem, elas falam assim, “Isso merece um Ponto G”. Aí, cada programa que fazem gera cinco programas que elas querem fazer também, pra falar sobre…

 

Sidney: Olha, a lista só cresce nesse Brasil. Assim como a sigla, a nossa lista de temas só cresce (risos).

 

Dan: Então, gente…

 

Sidney: Como é a Bandeira da Irmandade de Ursos.

 

Dan: Vamos lá, como que é essa bandeira?

 

Sidney: São sete faixas horizontais, as cores são bem diferentes. De cima pra baixo, marrom, caramelo, mostarda, bege, branco, cinza escuro e preto. E à esquerda, na altura das quatro primeiras faixas, do lado esquerdo da bandeira, tem o desenho de uma pata de urso preta. Olha…

 

Dan: ela fica bem…

 

Sidney: E ela é toda nesse tom amarronzado que é pra denotar, eu acho, que os tons de ursos que tem, né? E os pelos, e tal, que é o que identifica mais a comunidade ursina.

 

Dan: Segundo o Craig Byrnes, ele propôs essa bandeira em 1996, e ele disse que representa as cores de pelo e nacionalidade de ursos de todo o mundo. É basicamente isso.

 

Sidney: Olha só!

 

Dan: E aí, gente, a gente não vai mais delongar aqui, né, Sidney? Existem tantas bandeiras. A gente citou essas de fetiches pra vocês. E a gente tem que deixar um disclaimer que fetiche não é orientação sexual, e nem identidade de gênero. E não podemos misturar pra não fazer confusão.

 

Sidney: Deixar bem separado, que uma coisa é a sua orientação, uma coisa é a sua identidade de gênero, e outra coisa é como você exercita o seu desejo sexual. E aí, é onde entra os fetiches.

 

Dan: Justamente. E aí, os links da postagem da pesquisa que a gente fez…

 

Sidney: Os links que a gente consultou…

 

Dan: Estão todos na postagem. Vocês vão ver La que existem bandeiras dos Direitos BDSM, Bandeira do Movimento de Adoração de Pessoas Obesas. Bandeira do Movimento de Adoração de Roupas Emborrachadas. Bandeira do Movimento de Fetiche por Prosperidade.

 

Sidney: Nossa!

 

Dan: Bandeira do Movimento de Fetiche Rainha e Escravo. E aí, por aí vai. Acabou.

 

Sidney: Por aí vai. Tem bandeira pra tudo que é gente, gente. Se você quiser, tem sua bandeira lá. É só achar.

 

Dan: E agora eu posso terminar esse programa falando, “this was a Fun With Flags”. (Sidney ri)

 

Sidney: Ai, gente, nacredito… Não aguento. Eu vim parar no HQ de bolso pra ouvir referência a big Bang Theory. Não sou obrigada! (Dan ri)

 

Dan: É isso. A gente vai agora deixar o serviço de casa, né, Sidney?

 

Sidney: Isso. (ele ri) Nunca lembra, né, viado?

 

Dan: Não…

 

Sidney: Toda confusa nessa hora.

 

Dan: Então, é isso. Como as pessoas podem nos encontrar nessas redes sociais maravilhosas?

 

Sidney: Vamo lá, gente. Se você conhece uma bandeira que a gente não falou, e quer falar. Se você quer dar uma bronca na gente porque a gente falou bobagem, se você quer complementar o que a gente falou, quer dar a sua opinião, você nos encontra lá no WWW.hqdavida.com.br; lá você pode deixar o seu comentário na nossa postagem do nosso podcast. A gente tá no soundcloud.com/hqdavida também. Nós temos a página no Facebook, nos segue lá, que é facebook.com/hqdavida; No Twitter, você nos encontra no @hqdavida; a gente também publica nossos podcasts e nossas transcrições no Medium, lá você busca por @hqdavida; a gente tem o canal do Youtube também, onde os nossos episódios são publicados, que você vai lá no Youtube e procura por “HQ da Vida Podcast”. Sempre deixamos o pedido, você que tem conta no iTunes, avalia a gente lá no iTunes, na seção de podcasts, dá 5 estrelinhas, se quiser, deixa uma resenha, pra a gente levantar essa bandeira na podosfera nacional, não é mesmo, Dan?

 

Dan: É isso, gente. Então, tchau!

 

Sidney: Xero, gente. Até o próximo HQ. Tchau.

 

Dan: Até. Beijo.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade

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