3 horas
10 porções
Médio
400 kcal
Ingredientes
- 1 kg de feijão-preto
- 500 g de carne-seca (dessalgada)
- 300 g de costela de porco salgada (dessalgada)
- 300 g de lombo de porco salgado (dessalgado)
- 200 g de paio
- 200 g de linguiça calabresa defumada
- 100 g de bacon em cubos
- 2 cebolas grandes picadas
- 6 dentes de alho picados
- 2 folhas de louro
- Azeite de oliva ou óleo vegetal
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Cheiro-verde picado para finalizar
Modo de Preparo
- No dia anterior: Lave bem as carnes salgadas (carne-seca, costela e lombo) e corte-as em pedaços médios. Coloque-as em uma tigela grande, cubra com água e deixe de molho na geladeira por pelo menos 12 horas, trocando a água a cada 3 horas para dessalgar.
- Demolha do feijão: Lave o feijão-preto e coloque-o de molho em outra tigela com água por cerca de 8 a 12 horas. Isso acelera o cozimento e melhora a digestão.
- Cozimento inicial das carnes: Escorra as carnes salgadas dessalgadas. Em uma panela de pressão, coloque as carnes (carne-seca, costela e lombo) com água limpa e cozinhe por cerca de 30 a 40 minutos após pegar pressão. Descarte a água do cozimento para retirar o excesso de gordura e reserve as carnes.
- Cozimento do feijão: Em uma panela grande (idealmente de ferro), coloque o feijão-preto escorrido, as folhas de louro e a água limpa. Cozinhe em fogo médio por cerca de 40 minutos, ou até que os grãos comecem a ficar macios.
- Preparo do refogado: Em uma frigideira separada, frite o bacon em cubos até soltar a gordura. Adicione a linguiça calabresa e o paio fatiados e frite até dourarem. Retire as carnes da frigideira e reserve. Na mesma gordura, refogue a cebola e o alho picados até ficarem transparentes e aromáticos.
- Finalização da feijoada: Junte o refogado de alho, cebola e bacon à panela do feijão. Adicione as carnes salgadas pré-cozidas e as linguiças (paio e calabresa) à panela. Misture delicadamente.
- Apuração do sabor: Cozinhe em fogo baixo por mais 40 a 60 minutos, mexendo ocasionalmente. O caldo deve engrossar e as carnes devem estar muito macias. Se necessário, adicione mais água quente para atingir a consistência desejada. Acerte o sal e a pimenta-do-reino a gosto.
- Servir: Sirva a feijoada quente, polvilhada com cheiro-verde picado. É tradicionalmente acompanhada de arroz branco, couve refogada, farofa e fatias de laranja.
Dicas do Chef
- Dessalga eficiente: O processo de dessalga das carnes é crucial. Trocar a água várias vezes evita que a feijoada fique excessivamente salgada.
- O segredo do caldo: Para engrossar o caldo, retire uma concha de feijão cozido, amasse-o e devolva à panela. O amido liberado engrossará naturalmente.
- Descanso de sabor: A feijoada fica ainda mais saborosa no dia seguinte. Prepare-a com antecedência e reaqueça para servir.
- Acompanhamentos essenciais: Não se esqueça da laranja. A acidez da fruta cítrica ajuda a quebrar a gordura e facilita a digestão, além de equilibrar o paladar.
A Feijoada: Mais que um Prato, um Símbolo Nacional
A feijoada é o prato que, mais do que qualquer outro, representa a alma culinária do Brasil. Com seu caldo escuro e denso, repleto de carnes suculentas e servido com uma profusão de acompanhamentos, ela transcende a simples refeição para se tornar um ritual social. É o prato oficial do almoço de sábado, sinônimo de reunião familiar, de samba e de um certo orgulho nacional. No entanto, a história por trás desse ícone gastronômico é muito mais complexa e fascinante do que a lenda popular costuma contar.
A Desmistificação da Origem na Senzala
Por muito tempo, a história mais aceita sobre a origem da feijoada brasileira era a de que ela havia nascido nas senzalas, criada pelos escravizados africanos. Segundo essa narrativa, os senhores de engenho descartavam as partes “menos nobres” do porco (orelha, rabo, pé) e os escravizados as cozinhavam com feijão-preto, criando a feijoada como um prato de sobrevivência. Embora romântica e com forte apelo emocional, essa história tem sido amplamente desmentida por historiadores da alimentação, como Câmara Cascudo e Carlos Alberto Dória.
A verdade histórica aponta para uma origem europeia, mais especificamente portuguesa. A feijoada brasileira é, na verdade, uma variação de pratos europeus semelhantes, como o “cozido” português ou o “cassoulet” francês, que combinavam feijão com carnes variadas. A diferença crucial é que no Brasil, o feijão-preto (originário da América do Sul) substituiu o feijão-branco europeu e a farinha de mandioca se tornou o acompanhamento principal. A primeira menção documentada de um prato chamado “feijoada à brasileira” data de 1827, no Recife, mas a popularização como prato nacional ocorreu no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do século XX, com a expansão da cultura do “feijão gordo” nos restaurantes da cidade.
A Evolução e as Curiosidades Regionais
A feijoada que conhecemos hoje é o resultado de uma evolução secular, adaptada aos ingredientes e costumes locais. A inclusão de carnes salgadas e defumadas reflete as técnicas de conservação de alimentos da época colonial. O feijão-preto, por sua vez, era um alimento básico na dieta dos indígenas e se popularizou rapidamente entre os colonos e africanos.
A feijoada completa, com costela, lombo, carne-seca, paio e calabresa, é a versão mais celebrada, mas o prato possui variações regionais. No Nordeste, por exemplo, é comum encontrar feijoadas com feijão-fradinho ou de cordeiro. Em Minas Gerais, a feijoada “mineira” pode ter um toque mais rural e menos carnes salgadas, priorizando o sabor do feijão com couve e torresmo.
Dicas de Expert e Harmonização
Para o cozinheiro caseiro, o segredo da feijoada perfeita está na paciência e no cuidado com os detalhes. O processo de dessalga das carnes é inegociável para garantir o equilíbrio do sabor. Outra dica de expert é cozinhar o feijão e as carnes separadamente no início e juntá-los apenas para o cozimento final. Isso permite que o feijão cozinhe no ponto certo sem desmanchar, enquanto as carnes liberam seus sabores gradualmente.
A harmonização da feijoada é tão importante quanto o seu preparo. A tradição manda servir com arroz branco soltinho, couve refogada no alho e bacon (para um contraste de sabores e texturas), e farofa de mandioca (para absorver o caldo). A laranja fatiada não é apenas um acompanhamento; sua acidez cítrica é fundamental para quebrar a gordura do prato e auxiliar na digestão. Para beber, uma caipirinha gelada ou uma cerveja pilsen leve são as escolhas clássicas que complementam perfeitamente a intensidade da feijoada.









