1 hora e 5 minutos
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 4 bifes de vitela ou porco (cerca de 150g cada), cortados finos
- 150g de *Kajmak* (ou substituto: mistura de cream cheese e creme de leite fresco)
- Sal e pimenta do reino a gosto
- Farinha de trigo para empanar
- 2 ovos grandes batidos
- 150g de farinha de rosca (preferencialmente caseira)
- Óleo vegetal ou banha para fritar
- Molho Tártaro para servir
- Fatias de limão para guarnecer
Modo de Preparo
- Prepare a carne: Coloque cada bife entre duas folhas de filme plástico e bata com um martelo de carne até que fiquem bem finos e macios.
- Tempere os bifes com sal e pimenta do reino dos dois lados.
- Recheie: Espalhe uma porção do *kajmak* (ou substituto) sobre cada bife aberto, deixando uma pequena borda livre.
- Enrole: Enrole cada bife firmemente como um rocambole, garantindo que o recheio fique completamente selado dentro. Prenda as pontas com palitos de dente para ajudar a manter o formato durante o cozimento.
- Empane: Passe cada rolo sucessivamente na farinha de trigo, depois nos ovos batidos e, por último, na farinha de rosca, cobrindo bem todas as superfícies.
- Frite: Aqueça o óleo em uma panela funda (ou frigideira larga) a uma temperatura média/alta. Frite os bifes enrolados por cerca de 4 a 5 minutos de cada lado, até ficarem bem dourados e crocantes.
- Finalize o cozimento: Retire os bifes fritos e coloque-os em uma assadeira. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 10-15 minutos para garantir que a carne cozinhe por completo por dentro sem queimar a crosta.
- Sirva: Retire os palitos de dente com cuidado. Sirva a Karađorđeva Šnicla quente, tradicionalmente fatiada na diagonal para revelar o recheio, acompanhada de molho tártaro e uma fatia de limão.
Dicas do Chef
- Se não encontrar *kajmak*, uma mistura de 3 partes de cream cheese para 1 parte de creme de leite fresco pode simular a cremosidade e o sabor levemente ácido.
- Para uma versão mais leve, após empanar, você pode assar os bifes em vez de fritá-los, embora a fritura garanta a crocância clássica.
- Para facilitar o manuseio, você pode envolver o recheio com uma fatia fina de presunto cozido antes de enrolar a carne, como em um Cordon Bleu, embora a versão original seja apenas carne e *kajmak*.
- O corte diagonal ao servir não é apenas estético; ele permite que o recheio derretido escorra levemente, um detalhe apreciado no prato.
Karađorđeva Šnicla: Uma Criação Moderna com Raízes Históricas
A Karađorđeva Šnicla é, sem dúvida, um dos pratos mais reconhecíveis da culinária sérvia contemporânea. Apesar de sua aparência robusta e seu lugar de destaque nos menus de pratos tradicionais, sua história não remonta a séculos de tradição camponesa, mas sim ao fervor criativo da era iugoslava. Este bife empanado e recheado, cujo nome homenageia Karađorđe, o líder da Revolta Sérvia contra o Império Otomano no início do século XIX, nasceu de uma necessidade e muita improvisação.
História e Origem: O Chef em Apuros
A lenda que permeia a criação da Karađorđeva Šnicla aponta para o talentoso chef Mića Stojanović, que trabalhava no restaurante “Golf” em Košutnjak, um subúrbio de Belgrado. Os relatos convergem para os anos de 1956 ou 1957. Naquela época, Stojanović recebeu um pedido de um prato internacionalmente conhecido: o Chicken Kiev (Frango Kiev). No entanto, ele se viu em uma situação complicada: faltavam os ingredientes essenciais, especificamente o frango e a manteiga necessários para a receita clássica.
Para não decepcionar a cliente, que era uma figura importante – a cunhada do então líder iugoslavo, Josip Broz Tito, Tamara Broz –, Stojanović usou sua criatividade. Em vez de frango, ele utilizou um corte fino de vitela (embora variações com carne de porco sejam comuns hoje). O recheio de manteiga foi substituído pelo kajmak, um produto lácteo cremoso, rico e ligeiramente ácido, muito valorizado na região dos Bálcãs. Ele enrolou a carne recheada, empanou e fritou.
Inicialmente, o chef não estava totalmente satisfeito com a apresentação. Para torná-lo mais atraente, ele finalizou o prato com um toque visual: cobriu-o com molho tártaro e decorou com uma fatia de limão e, em algumas versões, pedaços de tomate. Essa decoração lembrou-o da Estrela da Ordem de Karađorđe, uma das mais altas condecorações sérvias. Foi assim que o prato ganhou seu nome patriótico e memorável: Karađorđeva šnicla.
Curiosidades e Tradições Culinárias
- O Segredo do Kajmak: O *kajmak* é crucial. Durante a fritura, o calor faz com que o laticínio derreta, e o cálcio presente nele penetra na carne, conferindo-lhe uma suculência e um sabor únicos que o diferenciam de um simples recheio de queijo.
- O Apelido Informal: Devido ao seu formato alongado e cilíndrico, a Karađorđeva Šnicla é, de forma bem-humorada, apelidada de “Devojački San”, que se traduz como “Sonho de Donzela” (ou “Sonho da Virgem”), uma anedota que reflete a natureza lúdica da cultura gastronômica.
- A Evolução do Acompanhamento: A versão original de Stojanović era servida com batatas cozidas e vagens. Hoje, é muito mais comum encontrá-la acompanhada de batatas fritas (pomfrit) e, invariavelmente, o molho tártaro, que é essencial para equilibrar a riqueza da carne e do *kajmak*.
- O Chef Polímata: O criador, Mića Stojanović, não parou na Karađorđeva Šnicla. Ele é creditado por ter desenvolvido cerca de 200 receitas, muitas delas batizadas com nomes de figuras ou lugares históricos sérvios, solidificando seu legado na gastronomia nacional.
Dicas Adicionais de Expert
Para replicar a experiência autêntica, a qualidade da carne é fundamental; ela deve ser batida até ficar quase transparente para garantir que cozinhe rapidamente por dentro. Embora a fritura seja o método tradicional, para quem busca um prato mais leve, a técnica de assar após empanar é aceitável, mas recomenda-se um jato de azeite sobre a crosta antes de ir ao forno. Harmonizar com um vinho branco seco e gelado, como sugerido pelo próprio chef, ajuda a cortar a untuosidade do prato, tornando a refeição ainda mais prazerosa. A Karađorđeva Šnicla é mais do que uma receita; é um pedaço da história culinária sérvia contada através de um bife enrolado e criativo.









