1 hora
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 250g de pão payés seco ou pão de molde integral em fatias finas
- 1 cebola (ou cebolleta)
- 1/2 cabeça de alho
- 3 tomates maduros
- 1 pimentão verde
- 1 maço de acelgas (ou couve/repolho)
- 1/2 couve-flor
- 1 maço de salsa fresca
- 1 colher de chá de pimentão doce (páprica)
- Azeite de oliva extra virgem
- Água quente
- Sal a gosto
- Opcional: 300g de lombo de porco em cubos pequenos ou butifarró/sobrasada
Modo de Preparo
- Prepare todos os vegetais: corte a cebola e o pimentão em cubos, pique o alho finamente, pique o tomate, e corte as folhas das acelgas/couve em tiras menores. Corte a couve-flor em raminhos pequenos.
- Em uma caçarola de barro (*greixonera*), aqueça uma boa quantidade de azeite de oliva e doure levemente os cubos de carne (se usar), retire e reserve.
- No mesmo azeite, refogue a cebola e o alho em fogo baixo até ficarem macios. Adicione o pimentão verde e refogue mais um pouco.
- Acrescente o tomate picado e refogue até que comece a desmanchar. Adicione a carne reservada, se for o caso.
- Junte as verduras mais duras (couve-flor e acelgas/repolho) e refogue até que a couve solte um pouco de água.
- Polvilhe o pimentão doce e tempere com sal. Mexa bem e adicione água quente suficiente para cobrir os vegetais, mas sem exagerar, pois o objetivo não é um caldo ralo.
- Deixe ferver em fogo brando até que todos os vegetais estejam macios (cerca de 30 minutos).
- Retire os vegetais cozidos da caçarola e reserve-os, deixando o caldo na panela. Pique a salsa.
- Coloque as fatias finas de pão seco no fundo da caçarola, cobrindo-o completamente. Distribua os vegetais cozidos por cima do pão.
- Aqueça o caldo reservado e despeje-o cuidadosamente sobre o pão e os vegetais, garantindo que o pão absorva bem o líquido. O pão deve ficar encharcado, mas o prato final não deve ter excesso de caldo.
- Deixe a caçarola repousar por cerca de 15 minutos antes de servir para que o pão atinja a textura correta. Sirva na própria caçarola de barro.
Dicas do Chef
- O segredo da textura está no pão: ele deve ser cortado muito fino e ser um pão rústico e seco (pão *payés*). Se não encontrar pronto, corte pão integral amanhecido em fatias finíssimas.
- Embora a versão vegetariana seja clássica, as 'sopes de matances' levam carne de porco ou embutidos como *butifarró* ou *sobrasada* para um sabor mais intenso.
- O prato tradicionalmente é cozido e servido em uma *greixonera*, uma caçarola de barro típica de Maiorca, que ajuda a manter a temperatura e a textura.
- A escolha dos vegetais varia com a estação. Col, acelga, couve-flor e feijão verde são comuns, mas a criatividade do cozinheiro local dita a variação.
Sopas Mallorquinas: A História de um Prato que se Come com Garfo
As Sopas Mallorquinas (*Sopes Mallorquines*) são, sem dúvida, um dos pilares da gastronomia da ilha de Maiorca. O que mais intriga o visitante de primeira viagem é a sua aparente contradição: um prato chamado “sopa” que se come com um garfo. Esta característica única define a essência do prato, que é muito mais um testemunho da engenhosidade e da cultura de aproveitamento da cozinha humilde das Ilhas Baleares.
Origem Humilde e Conexão com a Terra
A história das Sopas Mallorquinas remonta a tempos em que a subsistência ditava o cardápio. Este prato nasceu da necessidade de aproveitar o pão, um alimento básico, que endurecia rapidamente. Em vez de desperdiçá-lo, os camponeses mallorquinos encontraram uma maneira de reidratá-lo e enriquecê-lo com o que a horta oferecia na época. O resultado era um prato nutritivo, capaz de sustentar o trabalho árduo do campo, especialmente durante os meses mais frios, quando os vegetais disponíveis eram os de inverno, como couves, acelgas e couve-flor.
O uso de vegetais da estação é um reflexo direto da ligação intrínseca da ilha com o seu meio ambiente. O prato evoluiu, mas a sua base permanece fiel a essa filosofia. Embora a receita tradicional seja predominantemente vegetariana, as variantes mais ricas, como as famosas sopes de matances (sopa das matanças), incorporam pedaços de carne de porco ou embutidos locais como a sobrasada, celebrando os momentos de fartura após o abate anual dos animais.
A Importância do Recipiente e do Pão
Dois elementos são cruciais para a autenticidade das Sopas Mallorquinas: o pão e a caçarola. O pão não pode ser qualquer um; deve ser cortado em fatias extremamente finas, quase transparentes. Muitas vezes, os padeiros locais já vendem o pão especificamente preparado para este fim, conhecido como pão de “sopas”. É este pão fino que permite a absorção ideal do caldo, transformando a sopa em uma massa macia e saborosa que se sustenta no garfo.
O recipiente de eleição é a greixonera, uma caçarola de barro tradicional mallorquina. Cozinhar e servir neste recipiente não é apenas uma questão de tradição, mas também funcional, pois o barro retém o calor, permitindo que o pão termine de absorver o caldo lentamente antes de ser consumido.
Curiosidades e Influências Culinárias
- Um Prato Antigo: Documentos históricos, como referências feitas pelo ilustre mallorquino Ramon Llull no século XIII, já mencionavam sopas de pão molhado, indicando que a tradição de usar pão em preparações líquidas é muito antiga na região.
- Primos Mediterrâneos: As Sopas Mallorquinas pertencem a uma grande família de pratos mediterrâneos que utilizam pão velho como base, como o *Pappa al Pomodoro* italiano ou o *Ajoblanco* espanhol, todos nascidos do princípio do aproveitamento.
- Textura Final: O ponto de cozimento é delicado. O objetivo é que o pão fique bem embebido, mas o prato não deve ser excessivamente líquido. O resultado ideal é uma textura que se mantém firme o suficiente para ser trabalhada com um garfo, assemelhando-se mais a um guisado espesso.
Servir Sopas Mallorquinas é servir um pedaço da história da ilha. É um convite a desacelerar e apreciar a riqueza que se pode extrair da simplicidade dos produtos da terra, um verdadeiro abraço culinário que transcende gerações.









