1 hora e 30 minutos
30 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- Para a Massa:
- 500g de farinha de trigo (aproximadamente 4 xícaras)
- 300ml de água morna (cerca de 1 e 1/4 xícara)
- 50g de fermento biológico fresco (ou 1 pacote de 10g de fermento biológico seco)
- 30g de açúcar (2 colheres de sopa)
- 50g de manteiga (ou 100ml de óleo)
- 10g de sal (1 colher de chá rasa)
- Para o Recheio de Carne (Tradicional):
- 500g de carne moída magra (patinho, por exemplo)
- 1 cebola grande ralada ou bem picada
- 2 tomates médios sem semente picados em cubos pequenos
- Suco de 2 limões (cerca de 60ml)
- Sal a gosto (aproximadamente 1 colher de sopa rasa)
- Pimenta do reino a gosto
- Pimenta síria a gosto (opcional, ou uma pitada de canela, cravo e noz moscada moídos)
- Hortelã fresca picada a gosto (opcional)
- Para Finalizar:
- 1 ovo batido para pincelar
Modo de Preparo
- Preparo do Recheio (se for usar cru): Em uma tigela, misture a carne moída, a cebola ralada, os tomates sem semente picados, o suco de limão, o sal, a pimenta do reino e a pimenta síria (se usar). Misture bem com as mãos. É crucial que o recheio fique úmido, mas sem excesso de líquido; se necessário, escorra um pouco do caldo após misturar. Reserve na geladeira enquanto prepara a massa.
- Preparo da Massa: Em uma tigela grande ou na batedeira com gancho, dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Deixe descansar por 5 a 10 minutos até espumar.
- Adicione o óleo (ou manteiga derretida) e o sal à mistura de fermento.
- Acrescente a farinha de trigo aos poucos, misturando até formar uma massa que comece a desgrudar das laterais da tigela.
- Transfira a massa para uma superfície enfarinhada e sove vigorosamente por cerca de 10 a 15 minutos, até que fique lisa, elástica e não grude nas mãos. Se estiver muito pegajosa, adicione um pouco mais de farinha, mas evite exagerar para não ressecar.
- Forme uma bola com a massa, coloque-a em uma tigela untada com óleo, cubra com um pano úmido ou filme plástico e deixe crescer em local aquecido por cerca de 1 a 2 horas, ou até dobrar de volume.
- Modelagem: Retire o ar da massa sovando-a levemente. Divida a massa em porções pequenas (cerca de 40g cada) e enrole em bolinhas lisas. Deixe as bolinhas descansarem cobertas por mais 10 minutos.
- Abra cada bolinha com os dedos ou um rolo, formando discos uniformes. Faça as bordas mais grossas que o centro, criando uma cavidade para o recheio. Você pode fazer a tradicional aberta (formato de barco/triângulo) ou fechada.
- Distribua uma porção do recheio de carne crua no centro da massa aberta. Para a versão tradicional, molde a massa em formato de triângulo, unindo as três pontas no centro, mas sem fechar completamente, deixando o recheio exposto.
- Coloque as esfirras em uma assadeira untada ou forrada com papel manteiga. Pincele as bordas da massa com o ovo batido para dar cor.
- Asse em forno pré-aquecido a 200°C por cerca de 15 a 20 minutos, ou até que as bordas estejam douradas e o recheio esteja cozido. Sirva quente ou em temperatura ambiente.
Dicas do Chef
- Para um recheio mais suculento, use carne moída com um pouco de gordura ou adicione um fio de azeite/óleo ao misturar os temperos.
- O segredo da massa fofinha é sovar bem e deixar crescer no tempo certo. Se o dia estiver frio, coloque a massa para crescer dentro do forno desligado com a luz acesa.
- Se optar pela esfiha fechada, certifique-se de deixar um pequeno orifício para o vapor sair, garantindo que a massa asse por igual.
- Algumas variações do recheio levam um pouco de coalhada seca ou iogurte natural para dar cremosidade e acidez, mas a tradicional de carne não costuma levar laticínios.
A Fascinante Jornada da Esfirra: Da Tradição Levantina à Mesa Brasileira
A esfirra caseira, conhecida em sua terra natal como sfīḥah (que significa literalmente “coisa achatada”), é muito mais do que um simples salgado; é um embaixador da culinária árabe que atravessou continentes e séculos. Sua origem remonta à antiga região do Levante, que engloba países como Síria, Líbano e Palestina, áreas que foram o coração do Império Otomano. A esfiha nasceu de uma necessidade prática: alimentar trabalhadores e viajantes de forma nutritiva e portátil, utilizando o pão — a base da alimentação da época — como veículo para carnes e temperos.
História e Origem no Levante
Acredita-se que a receita da sfīḥah tenha se consolidado por volta do século XV. Naquela época, as rotas comerciais eram vitais, e o intercâmbio cultural permitia que especiarias raras chegassem ao Oriente Médio. O recheio original era predominantemente feito com carne de cordeiro, abundante na região, temperada com ervas locais e especiarias exóticas trazidas pelas caravanas. Os fornos comunitários, onipresentes nas vilas, facilitavam o cozimento em massa, permitindo que as famílias levassem suas massas e recheios para assar simultaneamente.
A popularidade da esfiha se deu pela sua versatilidade. Ela podia ser servida aberta, como uma pequena pizza, ou fechada, como um pastel, dependendo da região e da preferência familiar. O formato triangular, tão característico no Brasil, é uma das formas mais conhecidas de apresentar a esfiha de carne aberta.
A Chegada ao Brasil e a Adaptação Cultural
A esfiha desembarcou no Brasil, assim como o quibe, trazida pelos grandes fluxos de imigração sírio-libanesa no final do século XIX e início do século XX. Inicialmente, era um produto de nicho, vendido em padarias e estabelecimentos especializados. Com o tempo, a receita foi se adaptando ao paladar local. A carne de cordeiro, menos comum no dia a dia do brasileiro, foi amplamente substituída pela carne moída bovina, que se tornou o recheio mais popular. Além disso, o tempero também sofreu influências, incorporando ingredientes mais acessíveis e aceitos nacionalmente, como o tomate e, em algumas receitas, a pimenta síria sendo substituída por combinações de especiarias mais conhecidas.
No Brasil, a esfiha se desdobrou em inúmeras variações, como a esfiha fechada (totalmente selada) e a aberta, além de recheios que hoje incluem queijo, frango, escarola e até mesmo sabores doces. No entanto, a esfirra caseira de carne crua, que garante um recheio extremamente úmido após assada, é a que mais se aproxima da tradição original.
Curiosidades e Dicas de Expert
- Variações de Nome: A grafia varia muito: esfiha, esfirra, sfirra, sfiha. Todas se referem ao mesmo quitute, mas a escrita “esfirra” se popularizou bastante no Brasil.
- O Segredo do Recheio Cru: O limão no recheio de carne não serve apenas para temperar; sua acidez ajuda a pré-“cozinhar” levemente a carne crua, e o suco evapora durante o cozimento no forno, deixando o sabor mais intenso e a carne suculenta.
- Massa Perfeita: Para uma massa verdadeiramente elástica, a sova é essencial. Ela desenvolve o glúten, o que permite que a massa estique sem rasgar ao ser aberta, mesmo com o recheio úmido.
- A Importância do Descanso: Não apresse o crescimento da massa. O tempo de fermentação é o que confere a leveza característica da massa de pão usada na esfiha.
Dominar a receita de esfirra caseira é trazer um pedaço da rica cultura do Levante para a sua cozinha. É um prato que convida à reunião, ao compartilhamento e, acima de tudo, ao prazer de comer algo feito com as próprias mãos, honrando uma tradição secular.









