1 hora e 15 minutos
4 porções
Médio
550 kcal
Ingredientes
- 1 kg de coração de frango, limpos e picados ao meio
- 1 cebola grande picada
- 3 dentes de alho picadinhos ou triturados
- 1 xícara (chá) de vinho tinto seco (opcional, para marinar)
- 1 lata de creme de leite (200g)
- 1 ½ xícara (chá) de molho de tomate ou 5 tomates grandes picados
- 1 colher (sopa) de mostarda
- 4 colheres (sopa) de catchup (opcional)
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Tomilho e cheiro-verde picado a gosto
- Azeite ou manteiga para refogar
- 1 xícara (chá) de água (se usar molho de tomate concentrado)
- 1 noz-moscada ralada na hora (opcional)
Modo de Preparo
- Lave e limpe os corações de frango, removendo o excesso de gordura. Pique-os ao meio.
- Em uma tigela, tempere os corações com a cebola picada, o alho, sal, pimenta-do-reino, tomilho e o vinho tinto (se usar). Deixe marinar por pelo menos 30 minutos a 1 hora na geladeira. (Se não usar vinho, tempere e siga para o próximo passo).
- Aqueça uma panela grande com um fio de azeite ou manteiga em fogo médio-alto. Adicione os corações de frango (sem o líquido da marinada, se houver) e frite-os até dourarem bem e a água que soltarem evaporar completamente. Reserve os corações.
- Na mesma panela, se necessário, adicione um pouco mais de azeite e refogue a cebola (se não tiver usado na marinada) e o alho até ficarem translúcidos e perfumados.
- Acrescente o molho de tomate (ou os tomates picados) e deixe refogar por cerca de 5 minutos. Se estiver usando molho de tomate concentrado, adicione 1 xícara de água e deixe ferver suavemente para encorpar.
- Junte o catchup (se usar) e a mostarda ao molho. Misture bem e deixe cozinhar por mais 3 minutos para que os sabores se incorporem.
- Retorne os corações de frango reservados à panela com o molho. Misture bem e deixe cozinhar por mais 6 minutos com a panela tampada, para que os corações absorvam o sabor do molho.
- Desligue o fogo e adicione o creme de leite e a noz-moscada ralada (se usar). Mexa delicadamente até o creme de leite estar completamente incorporado e o molho ficar homogêneo e cremoso. Não deixe ferver após adicionar o creme de leite para evitar que talhe.
- Prove e ajuste o sal e a pimenta, se necessário.
- Finalize com cheiro-verde picado na hora de servir. Sirva imediatamente acompanhado de arroz branco e batata palha.
Dicas do Chef
- Para corações mais macios, você pode cozinhá-los na panela de pressão com um pouco de água e temperos por cerca de 10-15 minutos antes de refogar e adicionar ao molho.
- Se preferir um sabor mais intenso, flambe os corações de frango com um pouco de conhaque após dourá-los, antes de adicionar os outros ingredientes do molho.
- Para um molho mais encorpado, você pode dissolver 1 colher de chá de amido de milho em um pouco de água fria e adicionar ao molho enquanto ele ferve, mexendo sempre até engrossar.
- Experimente adicionar champignon fatiado junto com o molho de tomate para uma versão ainda mais clássica do estrogonofe.
O estrogonofe, um prato cujo nome evoca imagens de cremosidade e sabor, tem uma história rica e fascinante que remonta à Rússia imperial do século XIX. Embora a versão com coração de frango seja uma adaptação particularmente popular no Brasil, a essência do estrogonofe original permanece, um testemunho da sua versatilidade e apelo global.
A Origem Nobre do Estrogonofe Russo
A teoria mais aceita sobre a criação do estrogonofe o liga à família Stroganov, uma das mais ricas e influentes da Rússia. Embora existam algumas controvérsias sobre o membro exato da família ou o chef responsável, a narrativa predominante sugere que o prato foi desenvolvido por um cozinheiro francês que trabalhava para um dos condes Stroganov. Uma das histórias mais difundidas, embora com algumas inconsistências cronológicas, conta que o chef Charles Briere teria criado o prato para uma competição culinária em São Petersburgo em 1891, ou adaptado uma receita para o Conde Grigory Stroganov, que tinha problemas dentários e precisava de uma carne mais macia e fácil de mastigar. Para isso, a carne era cortada em pequenas tiras, uma inovação em relação a outros pratos da época.
A receita original, datada de 1871 em um livro russo chamado “Um Presente para Jovens Donas de Casa”, era bem diferente da que conhecemos hoje. Ela levava carne passada levemente na farinha, mostarda Dijon, caldo de carne e o smetana, um creme azedo russo. Não havia molho de tomate, ketchup ou cogumelos, ingredientes que seriam adicionados mais tarde à medida que o prato viajava pelo mundo.
A Jornada do Estrogonofe pelo Mundo e a Chegada ao Brasil
Após a Revolução Russa de 1917, com a fuga da nobreza, o estrogonofe começou a se espalhar por outros países da Europa, chegando à França, onde ganhou a adição de champignon. Durante a Segunda Guerra Mundial, o prato se popularizou ainda mais, com soldados russos levando carne em tiras e preparando-a com cebola e smetana. Nos Estados Unidos, a receita sofreu novas adaptações, incorporando creme de leite e ketchup, o que o tornou ainda mais próximo da versão que conhecemos no Brasil.
O estrogonofe aportou no Brasil na década de 1960 e rapidamente conquistou seu lugar na gastronomia popular. Aqui, a receita foi remodelada ao gosto local, tornando-se um verdadeiro clássico de festas e celebrações. Acompanhado tradicionalmente de arroz branco soltinho e batata palha crocante, o estrogonofe brasileiro se tornou um prato de “conforto”, com um sabor que remete a casa e afeto.
Curiosidades e Variações Brasileiras
- A Versatilidade da Carne: Enquanto a receita original russa utilizava filé mignon, no Brasil, a criatividade na cozinha levou ao surgimento de diversas variações, como o estrogonofe de frango, camarão e, claro, o de coração de frango. O coração de frango, um ingrediente valorizado na culinária local, oferece uma textura e um sabor únicos que se harmonizam perfeitamente com o molho cremoso.
- Ingredientes “Brasileiros”: A adição de ketchup e molho de tomate se tornou um marco do estrogonofe no Brasil, conferindo-lhe um sabor agridoce característico. A batata palha, por sua vez, é um acompanhamento tipicamente brasileiro, diferentemente da Rússia, onde o prato é servido com purê de batata, salada de repolho ou picles.
- Popularidade e Afeto: O estrogonofe se tornou um prato tão querido que é frequentemente associado a momentos especiais e à culinária caseira. É um prato que “abraça” e traz uma sensação de lar.
- Além do Prato Principal: O coração de frango, por si só, já é um petisco popular em churrascos e aperitivos, o que facilitou sua integração em pratos como o estrogonofe, mostrando a capacidade da culinária brasileira de inovar e aproveitar ingredientes de forma plena.
- Uma Curiosidade Inusitada: Em 2016, um caso curioso ganhou as manchetes quando um estrogonofe de coração recheado com maconha foi descoberto em uma penitenciária, evidenciando a popularidade e a versatilidade (ainda que de forma ilegal) do prato no Brasil.
Em suma, o Estrogonofe de Coração de Frango é mais do que uma simples receita; é um reflexo da rica tapeçaria cultural e gastronômica do Brasil, que soube abraçar um clássico internacional e transformá-lo em uma iguaria com identidade própria, repleta de sabor e história.









