1 hora e 10 minutos
6 porções
Fácil
400 kcal
Ingredientes
- 1 xícara (chá) de quirera de milho (canjiquinha)
- 1 cebola média picada em cubinhos
- 2 dentes de alho amassados ou picados
- 1 litro de caldo de frango, legumes ou água quente (aproximadamente)
- 1 folha de louro
- 1 e 1/2 xícara (chá) de queijos brasileiros ralados grosseiramente (sugestão: Canastra, Meia-Cura, Minas Padrão – misture tipos que derretam bem)
- 1 colher (sopa) de azeite ou óleo vegetal
- 1/2 colher (sopa) de manteiga gelada (opcional, para mais cremosidade)
- Sal a gosto
- Cheiro-verde (salsa e cebolinha) picado a gosto (para finalizar)
Modo de Preparo
- Em um recipiente, coloque a quirera de milho e cubra com água quente. Deixe de molho por cerca de 30 minutos. Após esse tempo, escorra a água e reserve. Este passo ajuda a hidratar os grãos e acelera o cozimento.
- Em uma panela média, aqueça o azeite ou óleo em fogo médio. Adicione a cebola picada e refogue até ficar translúcida. Acrescente o alho amassado e refogue por mais 1 minuto, tomando cuidado para não queimar.
- Junte a quirera de milho já hidratada e refogue por alguns minutos, mexendo bem para incorporar os sabores dos temperos.
- Adicione o caldo (ou água quente) e a folha de louro. Tempere com sal a gosto. Mexa e deixe cozinhar com a panela semitampada por aproximadamente 20 a 25 minutos, ou até que a quirera esteja macia e cremosa, com a consistência de uma polenta mole. Mexa ocasionalmente para não grudar no fundo e, se necessário, adicione mais caldo ou água quente aos poucos.
- Quando a quirera estiver no ponto desejado, desligue o fogo. Retire a folha de louro. Incorpore os queijos ralados e a manteiga gelada (se estiver usando), mexendo vigorosamente até que os queijos derretam e a quirerinha fique bem cremosa e homogênea.
- Finalize com cheiro-verde picado a gosto e sirva imediatamente, preferencialmente em pratos fundos.
Dicas do Chef
- Para um cozimento ainda mais rápido, deixe a quirera de molho em água fria de um dia para o outro (cerca de 12 horas). Escorra e enxágue bem antes de usar.
- Experimente variações: adicione pedacinhos de linguiça calabresa frita, bacon crocante, costelinha de porco desfiada ou frango desfiado para um prato mais substancioso.
- Se desejar um toque picante, sirva com pimenta moída na hora ou um fio de azeite de pimenta.
- Acompanhamentos clássicos incluem couve refogada fininha ou um ovo frito por cima.
A culinária brasileira é um mosaico de sabores e histórias, e a Quirerinha Cremosa é, sem dúvida, uma das peças mais reconfortantes desse quebra-cabeça gastronômico. Conhecida por uma miríade de nomes – canjiquinha em Minas Gerais e São Paulo, quirera ou quirela no Paraná e Santa Catarina, e xerém no Nordeste e Espírito Santo – este prato à base de milho quebrado transcende fronteiras regionais e se estabelece como um verdadeiro clássico da comida afetiva.
A Origem Tropeira e o Milho Quebrado
A história da quirerinha remonta aos tempos do tropeirismo no Brasil. Os tropeiros, que cruzavam o país em longas jornadas, necessitavam de alimentos nutritivos, fáceis de transportar e de preparar. O milho, um cereal abundante e versátil, era a base perfeita. A quirera, ou canjiquinha, é o milho quebrado grosseiramente, um subproduto obtido após a retirada da parte externa e do gérmen do grão. Na época, esse processo era muitas vezes feito em moinhos rústicos ou pilões.
Embora não haja um consenso exato sobre a data de sua origem, documentos históricos relatam a preparação de pratos com milho quebrado por volta de 1749. Acredita-se que o nome “xerém” seja uma variedade de pratos salgados luso-brasileiros baseados em milho cozido. No Paraná, especialmente na cidade da Lapa, a quirera se tornou um prato emblemático, preparado com carne suína defumada, como suã ou costelinha, e era servida tradicionalmente durante as festas da Congada, uma celebração de origem africana ainda preservada.
Do Campo à Mesa: Variações Regionais
A quirerinha, ou canjiquinha, é um prato que se adaptou e ganhou características únicas em diferentes estados. Em Minas Gerais, ela é quase um sinônimo de comida caseira, frequentemente preparada com costelinha de porco, frango desfiado ou linguiça, e servida com couve refogada. A versão mineira é famosa por sua riqueza de sabores e pela capacidade de aquecer a alma nos dias frios.
No Espírito Santo, a iguaria é conhecida por um nome peculiar: “Péla Égua”. A lenda popular sugere que o nome surgiu da flatulência que os tropeiros soltavam após consumir o prato substancioso, enquanto montavam suas éguas. Essa anedota, embora divertida, ressalta a importância do prato como alimento energético para as longas jornadas.
Durante o período colonial, a canjiquinha era um alimento popular nas roças brasileiras, especialmente entre os descendentes de italianos que trabalhavam nas lavouras de café. O milho, cultivado e colhido por eles, garantia uma alimentação barata e nutritiva. Nesses contextos, era comum preparar a quirera apenas com água e temperos, sem a adição de carnes, que eram escassas. Essa simplicidade original demonstra a resiliência e a adaptabilidade do prato.
Quirerinha Cremosa: O Toque de Aconchego
A versão “cremosa” da quirerinha, como a que preparamos com queijos, é uma evolução que adiciona uma camada de indulgência e sabor. A textura aveludada, alcançada pelo cozimento lento do milho e pela incorporação de queijos que derretem, transforma o prato em uma experiência ainda mais rica. Queijos brasileiros como o Canastra, Meia-Cura ou Minas Padrão são escolhas excelentes, pois conferem um sabor autêntico e uma cremosidade inigualável.
É importante não confundir a quirerinha salgada com a canjica doce, que é um doce de milho branco ou amarelo, tipicamente consumido em festas juninas. Embora ambas utilizem o milho como base, suas preparações e perfis de sabor são completamente distintos.
Curiosidades e Tradições
- Versatilidade do Milho: A quirera é um testemunho da versatilidade do milho na culinária brasileira, que vai desde pratos salgados e substanciosos até doces delicados.
- Nome Tupi: A palavra “quirera” tem origem tupi-guarani, de “cuí-r-era”, que significa “farinhas”, referindo-se ao milho quebrado.
- Festa do Divino: Em Mogi das Cruzes, a quirerinha é um prato tradicionalmente servido na Festa do Divino, especialmente aos tropeiros que participam da Entrada dos Palmitos, reforçando sua conexão com a cultura caipira e tropeira.
- Comida de Inverno: Devido à sua natureza quente e substanciosa, a quirerinha é frequentemente associada aos dias frios, proporcionando conforto e energia.
- Acompanhamentos Clássicos: Embora deliciosa por si só, a quirerinha tradicionalmente é servida com acompanhamentos como couve refogada, torresmo, linguiça frita ou um bom molho de pimenta, que complementam perfeitamente seu sabor.
A Quirerinha Cremosa, em suas múltiplas denominações e variações, é mais do que uma receita; é um pedaço da história e da cultura brasileira, um prato que continua a aquecer corações e a reunir pessoas ao redor da mesa, mantendo viva a tradição de uma culinária rica em simplicidade e sabor.









