50 minutos
20 porções
Fácil
90 kcal
Ingredientes
- 500g de bacalhau dessalgado e desfiado (pode ser o que sobrou de outra receita)
- 500g de batatas cozidas e amassadas (purê sem leite)
- 1 cebola pequena ralada ou bem picadinha
- 2 dentes de alho amassados ou triturados
- 2 ovos grandes (ou 1 gema e 1 ovo inteiro para maior leveza)
- 2 colheres de sopa de salsinha fresca picada
- 1 colher de sopa de azeite extra virgem (para a massa e para untar)
- Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
- Farinha de trigo (opcional, para empanar levemente e dar mais crocância)
Modo de Preparo
- Se o bacalhau não estiver dessalgado, siga as instruções para dessalgar (geralmente 24-48h na geladeira, trocando a água várias vezes). Cozinhe o bacalhau dessalgado por cerca de 10-15 minutos, escorra, retire a pele e espinhas, e desfie finamente. Reserve.
- Cozinhe as batatas em água com uma pitada de sal até ficarem macias. Escorra bem e amasse-as até obter um purê liso. Evite cozinhar demais para que não absorvam muita água.
- Em uma tigela grande, combine o bacalhau desfiado e as batatas amassadas. Adicione a cebola ralada, o alho amassado, a salsinha picada, os ovos e uma colher de sopa de azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Misture bem todos os ingredientes até obter uma massa homogênea. Se a massa estiver muito mole, leve à geladeira por 30 minutos para firmar.
- Com a ajuda de duas colheres de sopa (ou com as mãos levemente untadas), modele os bolinhos no formato tradicional ovalado. Se desejar uma casquinha extra crocante, passe os bolinhos levemente na farinha de trigo. (Opcional)
- Pré-aqueça a Airfryer a 180°C por 5 minutos.
- Unte levemente a cesta da Airfryer com um pouco de azeite. Arrume os bolinhos na cesta sem sobrepor, garantindo que haja espaço entre eles para o ar circular.
- Cozinhe os bolinhos na Airfryer a 180°C por 15-20 minutos, virando-os na metade do tempo, até que estejam dourados e crocantes. O tempo pode variar dependendo do tamanho dos bolinhos e do modelo da sua Airfryer.
- Sirva os bolinhos de bacalhau quentes, acompanhados de rodelas de limão ou molho de pimenta, se desejar.
Dicas do Chef
- Para um bacalhau mais saboroso, cozinhe as batatas na mesma água em que cozinhou o bacalhau (depois de escorrê-lo e retirar a pele/espinhas), isso transfere mais sabor para as batatas.
- Se a massa estiver muito úmida, adicione uma colher de sopa de farinha de trigo para ajudar na liga, mas com moderação para não alterar a textura. Levar à geladeira também ajuda a firmar.
- Não sobrecarregue a cesta da Airfryer. Frite os bolinhos em levas para garantir que fiquem uniformemente crocantes.
- Para armazenar, os bolinhos podem ser congelados antes ou depois de irem para a Airfryer. Se congelados crus, unte-os com azeite e leve-os à Airfryer congelados, aumentando o tempo de cozimento em alguns minutos (cerca de 20-25 minutos a 180-200°C).
O bolinho de bacalhau, ou pastel de bacalhau como é conhecido em algumas regiões de Portugal, é uma das joias da gastronomia portuguesa, uma iguaria que transcendeu fronteiras e conquistou paladares ao redor do mundo. Sua história é tão rica e saborosa quanto o próprio quitute, entrelaçada com a cultura e a economia de Portugal e, posteriormente, do Brasil.
A Fascinante Origem Portuguesa
A história do bolinho de bacalhau remonta a Portugal, sendo amplamente atribuída à região do Minho, no norte do país, como o berço da receita tradicional. No entanto, a popularização do bacalhau como ingrediente principal tem raízes ainda mais profundas, ligadas às Grandes Navegações. O bacalhau salgado e seco, importado do Atlântico Norte, tornou-se um alimento essencial para os navegadores e para a população em geral devido à sua longa durabilidade e facilidade de transporte, sendo uma fonte vital de proteína em uma época sem refrigeração.
A introdução da batata em Portugal, que ocorreu no século XVI vinda da Galiza, foi um marco fundamental para o surgimento do bolinho. Inicialmente cultivada em Trás-os-Montes e depois difundida para outras regiões, a batata demorou a ser amplamente documentada, com os primeiros registros comerciais aparecendo apenas no século XVIII. A combinação do bacalhau com a batata, dois ingredientes tão emblemáticos, foi o que deu origem a este prato tão querido.
O Percurso Histórico da Receita
As primeiras menções de receitas que se assemelham ao bolinho de bacalhau moderno surgem em livros de culinária do século XIX. Em 1841, no livro “Arte do Cozinheiro e do Copeiro” do Visconde de Vilarinho de S. Romão, já havia uma receita de bacalhau em formato de “bolinho” ou “pastel”, embora ainda não fosse idêntica à versão atual.
Foi em 1876, no “Arte de Cozinha” de João da Mata, que apareceram duas receitas mais próximas: “Pastelinhos fritos de bacalhau à Holandeza” e “Pastelinhos de bacalhau”. Curiosamente, os primeiros incluíam queijo e os segundos eram assados no forno, não fritos. A fritura em azeite, que hoje é uma das características marcantes do bolinho, só foi padronizada mais tarde. A receita mais próxima da que conhecemos hoje, e que é considerada a “normalizadora”, foi publicada em 1904 por Carlos Bento da Maia em seu “Tratado de Cozinha e de Copa”, sob o nome de “Bacalhau em bolos enfolados”. Esta receita já incluía leite para ligar o bacalhau e as batatas, e instruía bater as claras em castelo, com a fritura sendo feita em azeite.
A Chegada ao Brasil e a Cultura dos Bares
A iguaria atravessou o Atlântico e desembarcou em terras brasileiras por meio de Portugal, especialmente durante a vinda da família real ao Rio de Janeiro no século XIX. Desde então, o bolinho de bacalhau se enraizou profundamente na cultura brasileira, tornando-se um dos petiscos mais populares em bares, botecos e restaurantes. No Brasil, ele é um símbolo de confraternização e celebração, frequentemente servido como entrada ou acompanhado de uma cerveja gelada, especialmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, onde se tornou um ícone da “cultura de bar”.
Curiosidades e Variações Globais
- Nomenclatura Regional: Em Portugal, a distinção entre “bolinho de bacalhau” e “pastel de bacalhau” é regional. No norte, são “bolinhos”, enquanto no centro e sul, incluindo Lisboa, são “pastéis”. No Brasil, ambos os termos são compreendidos, mas “bolinho de bacalhau” é o mais comum.
- Reconhecimento Nacional: Em 2011, o pastel de bacalhau foi um dos finalistas no concurso das “7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa”, destacando sua importância cultural e culinária para o país.
- Adaptações Internacionais: A popularidade do prato levou a diversas adaptações ao redor do mundo. Na França, particularmente nas Antilhas Francesas, é conhecido como “accras de morue” e frequentemente leva um toque picante. Na Catalunha, a variação é frita no azeite. Em Portugal, surgiram versões recheadas, como com queijo da Serra da Estrela.
- A Escolha dos Ingredientes: Para um bolinho perfeito, a escolha da batata é crucial; tipos com menos água são preferíveis para evitar uma massa muito mole. Quanto ao bacalhau, o tipo Gadus Morhua é frequentemente recomendado pela sua qualidade e textura. A proporção entre bacalhau e batata também é um segredo: um bom bolinho deve ter sabor de bacalhau, não apenas de batata.
- Versatilidade: Embora tradicionalmente frito, o bolinho de bacalhau é versátil. A versão assada ou na Airfryer tem ganhado destaque por ser uma alternativa mais leve, mantendo a crocância e o sabor característicos. Ele pode ser servido quente ou em temperatura ambiente, com limão, azeitonas ou molho de pimenta.
O bolinho de bacalhau é mais do que um simples petisco; é um elo cultural, uma receita que carrega consigo séculos de história, adaptação e paixão pela gastronomia. Seja frito ou na Airfryer, ele continua a ser um convite irresistível para celebrar o sabor e a tradição.









