45 minutos
15 porções
Fácil
250 kcal
Ingredientes
- Para a Massa:
- 1 xícara (240ml) de leite morno (ou água)
- 1 ovo
- 1/3 de xícara (80ml) de água morna
- 1/4 de xícara (60ml) de óleo ou azeite
- 1 e 3/4 colher de chá de sal
- 2 colheres de sopa de açúcar
- 2 e 1/2 colheres de chá de fermento biológico seco (ou 2 tabletes de fermento fresco)
- 4 xícaras (aproximadamente 500g) de farinha de trigo (e mais para enfarinhar)
- Para o Recheio de Carne (Sugestão):
- 400g de carne moída crua (patinho ou acém)
- Suco de 1 limão
- 1/2 tomate sem sementes, picado finamente
- 1/2 cebola picada finamente
- 1 dente de alho amassado (opcional)
- Salsinha picada a gosto
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Para o Recheio de Queijo (Sugestão):
- 300g de queijo branco, ricota ou queijo meia-cura ralado
- 1 xícara de requeijão cremoso
- Salsinha picada a gosto
- Para Pincelar:
- 1 gema de ovo batida (opcional)
Modo de Preparo
- Prepare a Massa: Em uma tigela grande, misture o leite morno (ou água), a água morna, o ovo, o óleo (ou azeite), o sal, o açúcar e o fermento biológico. Adicione a farinha de trigo gradualmente, sovando a massa até que fique lisa e homogênea. Se tiver máquina de pão, coloque todos os ingredientes e use o ciclo "Massa".
- Deixe a Massa Descansar: Cubra a tigela com um pano limpo e deixe a massa descansar em local aquecido por cerca de 10 minutos, enquanto prepara o recheio.
- Prepare o Recheio: Em outra tigela, misture todos os ingredientes do recheio escolhido (carne ou queijo). Para o recheio de carne, misture bem até que todos os temperos estejam incorporados. Se desejar, bata no multiprocessador para uma textura mais homogênea.
- Modele as Esfihas: Em uma superfície levemente enfarinhada (pode usar uma mistura de farinha de trigo e fubá), divida a massa em aproximadamente 15 a 20 porções iguais e faça bolinhas. Abra cada bolinha em discos de cerca de 10 cm de diâmetro.
- Recheie e Feche (ou Abra): Coloque uma porção generosa do recheio no centro de cada disco de massa. Para esfihas fechadas, junte as bordas da massa no centro, formando um triângulo ou "trouxinha". Para esfihas abertas, apenas acomode o recheio, deixando as bordas da massa visíveis.
- Pré-aqueça a Airfryer: Pré-aqueça sua airfryer a 180-200°C por 5 minutos.
- Asse na Airfryer: Pincele as esfihas com a gema batida (opcional, para dourar) e coloque de 3 a 4 esfihas por vez na cesta da airfryer, sem amontoar. Asse por 5 a 8 minutos a 180-200°C, ou até que estejam douradas e cozidas. O tempo pode variar conforme a potência da sua airfryer e o tamanho das esfihas. Verifique após 5 minutos e ajuste se necessário.
- Sirva: Retire as esfihas da airfryer e sirva imediatamente. Repita o processo com as esfihas restantes.
Dicas do Chef
- Para um recheio de carne ainda mais suculento, adicione um pouco de coalhada seca ou iogurte natural ao tempero.
- Experimente adicionar hortelã fresca picada ao recheio de carne para um toque de frescor autêntico.
- Não sobrecarregue a cesta da airfryer; asse as esfihas em levas para garantir que dourem por igual.
- Você pode congelar as esfihas já modeladas e recheadas. Para assar, coloque-as congeladas na airfryer pré-aquecida, aumentando o tempo de cozimento em alguns minutos.
- Varie os recheios! Frango desfiado com requeijão, calabresa com cebola, escarola refogada ou até versões doces com chocolate ou goiabada são ótimas opções.
A esfiha, essa pequena torta assada que conquistou paladares ao redor do mundo, possui uma história rica e fascinante que remonta às profundezas do Oriente Médio. Sua jornada é um testemunho da capacidade da culinária de viajar através do tempo e das culturas, adaptando-se e florescendo em novos lares. Embora a versão “suculenta na airfryer” seja uma inovação moderna, a essência do prato carrega séculos de tradição e sabor.
Origens Milenares e a Disseminação pelo Oriente Médio
Acredita-se que a esfiha tenha suas raízes no antigo Oriente Médio, com os primeiros registros indicando o Iraque como um dos berços dessa iguaria. Naquela região, o cultivo de cereais como trigo e cevada, juntamente com nozes, pistaches e frutas, levou à criação do pão chato e redondo. Foi no Líbano e na Síria que surgiu o hábito de cobrir esse pão com carne moída e cebola, dando origem à esfiha aberta, como a conhecemos em sua forma mais tradicional.
A palavra “esfiha” (ou “sfīḥah”, em árabe) significa “pão recheado”, uma descrição simples para um prato tão complexo em sua história e variações. A popularidade da esfiha se espalhou rapidamente por diversos países da região, incluindo Jordânia, Palestina, Israel e Egito. Cada cultura e localidade adicionou seu toque particular, resultando em uma miríade de sabores e formatos, desde a versão aberta até a fechada, com recheios que variam de carne de cordeiro a queijos, coalhada e vegetais temperados.
A Chegada da Esfiha ao Brasil e Suas Adaptações
A esfiha chegou ao Brasil entre o final do século XIX e meados do século XX, trazida pelos imigrantes árabes, principalmente sírios e libaneses, que buscavam novas oportunidades em terras brasileiras. Esses imigrantes trouxeram consigo suas tradições culinárias, e a esfiha rapidamente encontrou um terreno fértil para se desenvolver e conquistar o paladar dos brasileiros.
Em cidades como São Paulo, a esfiha se tornou um ícone da gastronomia, especialmente em bairros com forte presença de comunidades árabes, como o Brás e a Mooca. A aceitação foi tão grande que o prato passou por adaptações significativas. Enquanto no Oriente Médio a versão fechada é predominante, no Brasil, a esfiha aberta, muitas vezes chamada de “barquinha”, ganhou enorme popularidade. Essa versão facilitou o consumo e permitiu a valorização de recheios mais elaborados e variados.
A culinária brasileira, conhecida por sua criatividade e fusão de sabores, incorporou novos ingredientes e recheios à esfiha. Surgiram versões com frango com catupiry, calabresa, escarola e até mesmo opções doces, como chocolate ou goiabada, que são muito apreciadas pelos “tupiniquins”. Essa versatilidade e a capacidade de se adaptar aos gostos locais foram cruciais para o sucesso estrondoso da esfiha no Brasil, transformando-a de uma iguaria étnica em um prato popular, presente em padarias, lanchonetes e restaurantes de todo o país.
Curiosidades e o Legado Cultural da Esfiha
- Parentesco com a Pizza? Alguns historiadores e amantes da gastronomia sugerem que a esfiha pode ser considerada uma “ancestral” da pizza italiana. Há relatos de que os fenícios, séculos antes de Cristo, já cobriam pães em forma de disco com carne e cebola. Essa prática teria chegado à Itália através das Cruzadas, onde os italianos a adaptaram, substituindo a carne por queijo e, posteriormente, adicionando o tomate, dando origem à pizza.
- Nome e Grafia: No Brasil, é comum encontrar a grafia “esfiha” e “esfirra”, ambas amplamente aceitas e utilizadas regionalmente.
- Praticidade e Economia Doméstica: A esfiha é valorizada por ser um alimento prático, que dispensa talheres e pode ser apreciado com as mãos. Além disso, sua facilidade de preparo e o baixo desperdício a tornaram um prato ideal para a produção familiar e para atender à alta demanda em pontos de venda.
- Variedade Global: A esfiha é um alimento extremamente versátil e pode ser encontrada em diversas variações não apenas no Oriente Médio e no Brasil, mas também em outros países como a Argentina, para onde também foi levada por imigrantes sírios e libaneses.
- Inovação e Culinária Moderna: A adaptação da esfiha para o preparo em airfryer é um exemplo de como pratos tradicionais podem ser reinventados para se adequar ao estilo de vida contemporâneo, oferecendo uma opção mais rápida e saudável sem perder o sabor característico. As esfihas na airfryer ficam crocantes por fora e macias por dentro, com um cozimento uniforme e eficiente.
A esfiha é muito mais do que um simples salgado; é uma celebração da cultura, da história e da gastronomia árabe, que se tornou parte integrante da identidade culinária brasileira. Sua trajetória de um pão recheado do Oriente Médio a um quitute amado em todo o Brasil, com suas inúmeras adaptações e a conveniência de preparos como na airfryer, demonstra a riqueza e a capacidade de evolução da culinária. Saborear uma esfiha é, de certa forma, conectar-se a uma herança milenar de sabores e tradições.









