1 hora e 15 minutos
8 porções
Médio
350 kcal
Ingredientes
- 500g de polvilho azedo
- 200ml de água
- 200ml de óleo vegetal (girassol ou azeite de oliva)
- 250ml de leite integral (ou sem lactose)
- 1 ovo grande
- 10g de sal (aproximadamente 1 colher de sopa rasa)
- 20g de açúcar (aproximadamente 1 colher de sopa cheia)
- Temperos a gosto para finalizar (ex: sal grosso, queijo parmesão ralado, orégano, pimenta calabresa, ervas finas, lemon pepper)
Modo de Preparo
- Em uma tigela grande, coloque o polvilho azedo, o sal e o açúcar. Misture bem para incorporar os ingredientes secos.
- Em uma panela, aqueça a água e o óleo vegetal em fogo médio até que comece a formar pequenas bolhas nas bordas, mas sem deixar ferver intensamente. O líquido deve estar bem quente para escaldar o polvilho.
- Despeje a mistura quente de água e óleo sobre o polvilho na tigela. Com uma colher de pau ou espátula, misture vigorosamente até que todo o polvilho seja hidratado e se forme uma farofa úmida e homogênea. Deixe amornar um pouco.
- Em outra tigela, bata o ovo com o leite. Adicione essa mistura à farofa de polvilho e misture bem com as mãos ou com um batedor raquete (se usar batedeira) até obter uma massa lisa e homogênea, com consistência cremosa e fluida. Se a massa estiver muito firme, adicione um pouco mais de leite, colher por colher, até atingir a consistência desejada para espalhar.
- Cubra a tigela com filme plástico e leve à geladeira para descansar por, no mínimo, 30 minutos. O ideal é deixar por 12 horas para um melhor resultado e crocância, mas não é estritamente obrigatório.
- Pré-aqueça o forno a 165°C. Forre assadeiras com papel manteiga ou utilize tapetes de silicone (silpat).
- Com uma espátula ou o fundo de uma colher, espalhe uma camada bem fina da massa sobre as assadeiras preparadas. Quanto mais fina a camada, mais crocantes as lascas ficarão.
- Polvilhe os temperos de sua preferência sobre a massa (sal grosso, queijo parmesão, orégano, etc.).
- Leve ao forno pré-aquecido e asse por aproximadamente 30 a 40 minutos, ou até que as lascas estejam levemente douradas, bem secas e crocantes. O tempo pode variar de acordo com a espessura da massa e o forno.
- Retire do forno, deixe esfriar completamente na assadeira. Uma vez frias, quebre as placas em pedaços irregulares para formar as lascas. Sirva e guarde em recipiente hermético.
Dicas do Chef
- Para lascas ainda mais crocantes, espalhe a massa o mais fino possível na assadeira.
- Varie os temperos! Experimente com queijo ralado, gergelim, pimenta do reino, páprica defumada, alecrim ou até mesmo um toque adocicado com canela e açúcar para uma versão diferente.
- Se não tiver silpat ou papel manteiga, unte a assadeira levemente com azeite, mas o papel manteiga ou silpat facilitam muito na hora de soltar as lascas.
- O descanso da massa na geladeira por 12 horas, embora não obrigatório, contribui para uma melhor textura e crocância final das lascas.
As Lascas de Polvilho, com sua crocância viciante e sabor sutil, transcenderam o papel de mero acompanhamento para se tornarem um petisco sofisticado e muito apreciado na culinária contemporânea brasileira. Embora a receita em si tenha ganhado destaque mais recentemente, especialmente através da influência de chefs renomados, sua essência remonta a um dos pilares da alimentação no Brasil: o polvilho, um derivado da mandioca, ou aipim, como é conhecido em algumas regiões.
A Mandioca: Raiz da Identidade Brasileira
Para compreender as Lascas de Polvilho, é fundamental mergulhar na história da mandioca. Esta raiz tuberosa é, sem dúvida, um dos alimentos mais genuínos do Brasil, cultivada por povos indígenas muito antes da chegada dos colonizadores portugueses em 1500. A mandioca era a base da alimentação de diversas etnias, que já dominavam técnicas de processamento para transformá-la em farinhas, beijus e outros produtos, garantindo a subsistência e a diversidade alimentar. Sua adaptabilidade a diferentes solos e climas, além de sua resistência, a tornaram um cultivo essencial para a segurança alimentar do país ao longo dos séculos.
O polvilho, tanto o doce quanto o azedo, é um subproduto direto da mandioca. Ele é obtido através da extração do amido da raiz, que passa por um processo de decantação e secagem. A diferença entre o polvilho doce e o azedo reside no processo de fermentação. O polvilho azedo, utilizado nas lascas, passa por uma etapa de fermentação antes da secagem, o que lhe confere um sabor levemente ácido e, mais importante para esta receita, a capacidade de expandir e proporcionar uma textura mais leve e crocante durante o cozimento. Essa característica é crucial para o sucesso das Lascas de Polvilho, que dependem dessa expansão para criar as bolhas e a leveza desejadas.
A Ascensão das Lascas na Gastronomia
Enquanto o biscoito de polvilho tradicional, muitas vezes frito e em formato de anel, é um clássico popular em feiras e lanchonetes, as Lascas de Polvilho como as conhecemos hoje, finas e assadas, ganharam notoriedade através da alta gastronomia. A chef Helena Rizzo, do renomado restaurante Maní, é frequentemente creditada por popularizar essa versão mais refinada do petisco. Sua abordagem transformou um ingrediente humilde em uma iguaria elegante, servida como amuse-bouche ou acompanhamento, elevando o status do polvilho no cenário gastronômico brasileiro e internacional.
A popularização das lascas de polvilho reflete uma tendência na culinária de valorizar ingredientes regionais e técnicas tradicionais, adaptando-os a apresentações e contextos mais modernos. A simplicidade dos ingredientes – polvilho, água, óleo, leite, ovo e sal – contrasta com a sofisticação do resultado final, um testemunho da genialidade da culinária brasileira que consegue extrair sabores e texturas surpreendentes de elementos básicos.
Curiosidades e Variações
- Polvilho Azedo vs. Doce: A escolha do polvilho azedo é fundamental para as lascas. Sua fermentação natural confere ao produto final uma crocância e leveza que o polvilho doce não consegue replicar da mesma forma.
- Versatilidade de Sabores: Uma das maiores belezas das Lascas de Polvilho é sua capacidade de ser uma “tela em branco” para a criatividade. Elas podem ser saborizadas com uma infinidade de temperos, desde os mais tradicionais como queijo parmesão ralado, orégano e sal grosso, até opções mais exóticas como za’atar, pimenta calabresa, lemon pepper e ervas finas. Essa versatilidade permite que o petisco se adapte a diferentes gostos e ocasiões.
- Origem Geográfica do Polvilho: A cidade de Conceição dos Ouros, em Minas Gerais, é conhecida como a “terra do polvilho” e se destaca como uma das maiores produtoras mundiais do ingrediente. A história da indústria polvilheira na região remonta à primeira metade do século XX, com o polvilho azedo sendo um de seus produtos mais importantes.
- Petisco sem Glúten: O polvilho é naturalmente sem glúten, o que torna as Lascas de Polvilho uma excelente opção para pessoas com restrições alimentares ou que buscam alternativas sem essa proteína. Essa característica contribui para sua crescente popularidade em um mercado cada vez mais atento à saúde e bem-estar.
- O Segredo da Crocância: A espessura da massa é crucial. Quanto mais fina a camada de massa espalhada na assadeira, mais crocantes e delicadas serão as lascas. O cozimento em duas etapas, com temperaturas diferentes, como sugerido em algumas receitas, também pode otimizar a crocância e a formação das bolhas características.
As Lascas de Polvilho são mais do que um simples petisco; elas representam uma fusão entre a tradição da culinária brasileira e a inovação da gastronomia moderna. Elas nos lembram da riqueza dos ingredientes nativos e da capacidade de reinventar pratos, mantendo a essência cultural enquanto se adapta aos paladares contemporâneos. Seja em um encontro casual ou em um evento sofisticado, essas lascas continuam a encantar, provando que a simplicidade, quando bem executada, pode ser extraordinariamente deliciosa.









