1 hora e 30 minutos
6 porções
Médio
450 kcal
Ingredientes
- 500g de chucrute (sauerkraut), escorrido e picado
- 500g de repolho branco fresco, picado finamente
- 500g de pernil de porco em cubos
- 250g de linguiça defumada (tipo calabresa ou kielbasa), em rodelas
- 150g de bacon defumado, picado
- 1 cebola grande, picada
- 2 dentes de alho, picados
- 1 xícara de cogumelos frescos (cremini ou paris), fatiados
- 1/2 xícara de ameixas secas sem caroço
- 2 colheres de sopa de extrato de tomate
- 1 colher de chá de manjerona seca
- 2 folhas de louro
- 1/2 xícara de vinho branco seco (opcional)
- Água ou caldo de carne o suficiente para cobrir
- Sal e pimenta do reino a gosto
Modo de Preparo
- Em uma panela grande ou caçarola de fundo grosso, frite o bacon até dourar e soltar a gordura. Retire o bacon com uma escumadeira e reserve, deixando a gordura na panela.
- Na mesma panela, doure os cubos de pernil de porco em fogo alto. Tempere com sal e pimenta. Retire a carne e reserve.
- Na gordura restante, adicione a cebola picada e refogue até ficar translúcida. Acrescente o alho e cozinhe por mais um minuto.
- Adicione as rodelas de linguiça defumada e frite por alguns minutos até que fiquem levemente douradas.
- Junte o repolho fresco picado e o chucrute escorrido. Misture bem e cozinhe por cerca de 10 minutos, mexendo ocasionalmente, até o repolho murchar.
- Adicione a carne de porco e o bacon reservados de volta à panela. Acrescente os cogumelos, as ameixas secas, o extrato de tomate, a manjerona e as folhas de louro.
- Regue com o vinho branco (se estiver usando) e deixe evaporar por 2 minutos. Cubra com água ou caldo de carne o suficiente para submergir todos os ingredientes.
- Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por pelo menos 60 minutos (o ideal é de 90 a 120 minutos), mexendo de vez em quando para evitar que grude no fundo. O Bigos estará pronto quando o repolho estiver macio e os sabores estiverem bem harmonizados.
- Sirva quente, de preferência no dia seguinte, acompanhado de pão de centeio ou batatas cozidas.
Dicas do Chef
- Para reduzir a acidez do chucrute, enxágue-o brevemente em água fria antes de usar. Se preferir um sabor mais intenso, use-o diretamente.
- O Bigos tradicionalmente melhora de sabor no dia seguinte. Prepare-o com antecedência e reaqueça para servir. É comum reaquecer o guisado por vários dias, adicionando novos ingredientes a cada reaquecimento.
- Para um sabor mais profundo, adicione cogumelos secos (como funghi) reidratados na água do cozimento. A água de reidratação pode ser usada como parte do líquido de cozimento.
- Sirva o Bigos com pão de centeio rústico e, para uma experiência autêntica, uma dose de vodka gelada para acompanhar.
A História Fascinante do Bigos: O Guisado do Caçador Polonês
O Bigos é mais do que apenas um ensopado; é um símbolo da identidade culinária polonesa, um prato que evoca a imagem de florestas frias, fogueiras e a rica tradição de caça da Europa Oriental. Conhecido como o “Guisado do Caçador”, sua história se confunde com a própria história da Polônia, remontando a séculos de tradição e adaptabilidade.
Acredita-se que o Bigos tenha suas raízes na Idade Média, possivelmente no século XIV. A teoria mais popular associa sua origem aos caçadores poloneses. Naquela época, caçar era uma atividade essencial para a subsistência e também um esporte de prestígio. Os caçadores levavam consigo ingredientes de fácil conservação, como o chucrute (repolho fermentado) e carnes defumadas. Quando a caça era bem-sucedida, a carne fresca (veado, lebre, javali) era adicionada à panela, criando um guisado substancial e nutritivo, ideal para repor as energias após um longo dia na floresta.
A etimologia da palavra “Bigos” é debatida. Alguns linguistas sugerem uma conexão com o termo alemão “Beigossen”, que significa “derramar sobre”, referindo-se à forma como os ingredientes são combinados. Outra interpretação, mais poética e popular na Polônia, é que a palavra “Bigos” pode ser traduzida metaforicamente como “confusão” ou “bagunça”, uma descrição divertida da mistura de ingredientes que compõem o prato. Independentemente da origem do nome, o prato evoluiu de uma refeição rústica de caça para um prato nacional, adaptando-se com o tempo para incluir carnes domésticas como porco e linguiça, que se tornaram mais acessíveis.
A Evolução e as Curiosidades do Bigos
A receita do Bigos não é estática; ela varia significativamente de região para região e até de família para família. A base de chucrute e repolho fresco é quase universal, mas a seleção de carnes, temperos e adições opcionais define o caráter de cada versão. Enquanto algumas receitas priorizam o sabor defumado da linguiça kielbasa e do bacon, outras incorporam carne bovina ou até mesmo aves. Curiosamente, a inclusão de ameixas secas e extrato de tomate é uma variação mais moderna que adiciona um toque agridoce e equilibra a acidez do chucrute. Antigamente, maçãs ou peras secas eram usadas para o mesmo fim.
Uma das características mais notáveis do Bigos é a tradição de que ele deve ser reaquecido várias vezes. Na Polônia, é um ditado popular que “o Bigos de ontem é sempre melhor”. Isso se deve ao processo de cozimento lento e à forma como os sabores se aprofundam e se fundem ao longo do tempo. O prato é frequentemente preparado em grandes quantidades para durar vários dias, e algumas famílias polonesas têm o costume de adicionar novos ingredientes a cada reaquecimento, criando um guisado que evolui constantemente.
O Bigos é um prato de celebração, com forte presença nas mesas festivas polonesas. É um item obrigatório nas ceias de Natal e Páscoa, e é frequentemente servido em casamentos e outras grandes reuniões. A sua fama é tamanha que ele aparece até na literatura polonesa, sendo imortalizado no poema épico “Pan Tadeusz” de Adam Mickiewicz, onde é descrito com grande afeto e detalhe.
Dicas de Expert para um Bigos Perfeito
Para preparar um Bigos autêntico, a chave está na paciência e na qualidade dos ingredientes. Aqui estão algumas dicas de chef para aprimorar sua experiência:
- A Matéria-Prima: A escolha do chucrute é crucial. Opte por um chucrute de boa qualidade, preferencialmente fermentado naturalmente (kapusta kiszona), em vez de uma versão pasteurizada ou em conserva com vinagre. Se o chucrute estiver muito ácido, enxágue-o brevemente antes de cozinhar.
- A Mistura de Carnes: A complexidade do Bigos vem da combinação de carnes. Use pelo menos três tipos diferentes: uma carne fresca (pernil de porco), uma carne defumada (bacon) e uma linguiça defumada. A gordura do bacon é essencial para refogar os outros ingredientes e construir a base de sabor.
- O Cozimento Lento: Não apresse o processo. O Bigos deve cozinhar lentamente em fogo baixo por no mínimo uma hora, mas duas ou três horas farão toda a diferença. O cozimento prolongado amacia o repolho e permite que os sabores do chucrute e das carnes se harmonizem completamente.
- Acompanhamentos Tradicionais: Sirva o Bigos com pão de centeio fresco, que é perfeito para absorver o molho rico. Batatas cozidas ou purê de batatas também são acompanhamentos clássicos. Em celebrações, o Bigos é tradicionalmente harmonizado com vodka gelada, que realça os sabores defumados do prato.









