Bolo de Aipim com Coco e Queijo (Mané Pelado)

Bolo de Aipim com Coco e Queijo (Mané Pelado)
Tempo de Preparo

1 hora e 30 minutos

Rendimento

12 porções

Dificuldade

Fácil

Calorias

350 kcal

O Bolo de Aipim com Coco e Queijo é uma das receitas mais queridas e representativas da culinária brasileira, especialmente nas festas juninas e nos cafés da tarde em família. Conhecido em algumas regiões como “Mané Pelado” ou “Bolo de Mandioca Cremoso”, este bolo se destaca por sua textura única: denso e úmido na base, com uma camada superior mais firme e dourada. Diferente de bolos fofos tradicionais, ele não leva farinha de trigo, sendo uma excelente opção para quem busca receitas sem glúten. A combinação do sabor rústico do aipim (mandioca), a doçura do coco ralado e o toque salgado do queijo cria um equilíbrio perfeito, que remete à tradição e ao aconchego da comida caseira brasileira. Esta receita é relativamente simples de preparar e o resultado é uma iguaria que agrada a todos, resgatando as raízes culinárias do país.

Ingredientes

  • 1 kg de aipim (mandioca) ralado
  • 4 ovos grandes
  • 2 xícaras de açúcar (cerca de 400g)
  • 100g de manteiga derretida
  • 200ml de leite de coco (1 garrafinha)
  • 1 xícara de leite integral
  • 100g de coco ralado (de preferência fresco)
  • 100g de queijo parmesão ralado (ou queijo coalho/meia cura)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal

Modo de Preparo

  1. Prepare os ingredientes: Descasque o aipim e rale-o no ralo grosso. Se for usar aipim congelado, descongele e esprema para retirar o excesso de líquido. Separe as claras das gemas dos ovos.
  2. Massa base: Em uma tigela grande, misture o aipim ralado, o açúcar, as gemas, a manteiga derretida, o leite de coco e o leite integral. Mexa bem até incorporar todos os ingredientes.
  3. Adicione os sólidos: Acrescente o coco ralado, o queijo ralado e a pitada de sal à mistura. Misture novamente.
  4. Claras em neve: Bata as claras em neve até ficarem firmes. Incorpore-as delicadamente à massa com uma espátula, fazendo movimentos suaves de baixo para cima.
  5. Fermento: Por último, adicione o fermento em pó e misture levemente, apenas o suficiente para incorporá-lo à massa.
  6. Asse: Despeje a massa em uma forma untada e enfarinhada (ou forrada com papel manteiga). Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 60 a 90 minutos, ou até que a superfície esteja dourada e, ao espetar um palito, ele saia limpo. O tempo pode variar de acordo com a potência do forno e a espessura da massa.
  7. Sirva: Deixe o bolo esfriar um pouco antes de cortar. Sirva em fatias, idealmente acompanhado de um café fresquinho.

Dicas do Chef

  • Para um bolo mais cremoso, use aipim fresco e rale-o na parte mais fina do ralador. Se preferir uma textura mais rústica, use o ralo grosso.
  • A escolha do queijo é crucial: o queijo parmesão ralado dá um sabor mais acentuado, enquanto o queijo coalho ou meia cura proporciona uma textura mais macia e derretida. O queijo minas padrão também funciona bem.
  • Para um bolo ainda mais úmido, adicione 1/2 xícara de leite condensado à massa antes de assar.
  • Não se preocupe se a massa parecer líquida demais; o amido do aipim se solidifica durante o cozimento, criando a textura cremosa característica deste bolo.

A História do Bolo de Aipim: Da Lenda Indígena à Mesa Brasileira

O bolo de aipim com coco e queijo não é apenas uma sobremesa; é um pedaço da história do Brasil em forma de iguaria. Sua origem está profundamente ligada à mandioca, a raiz que é a base da alimentação brasileira desde os tempos pré-colombianos. A mandioca, também conhecida como aipim (no Sudeste) ou macaxeira (no Nordeste), é um dos pilares da culinária nacional, com raízes que remontam aos povos indígenas que habitavam o território antes da chegada dos colonizadores portugueses.

A Lenda de Mani e a Origem da Mandioca

A importância da mandioca para os povos originários é tão grande que ela está presente em seu folclore. A lenda mais famosa conta a história de Mani, uma linda menina indígena de pele branca que vivia na Amazônia. Mani era querida por todos na tribo, mas adoeceu repentinamente e morreu. Seus pais, tomados pela tristeza, a enterraram no centro da oca, e regaram a terra com lágrimas e água. Para a surpresa de todos, no local onde Mani foi sepultada, nasceu uma planta desconhecida. Ao desenterrar a raiz, encontraram um tubérculo com casca escura, mas com polpa branca como a pele da menina. Em homenagem a ela, a planta foi batizada de “Mani-oca” (casa de Mani), dando origem ao nome que conhecemos hoje. Essa lenda ilustra a relação sagrada e vital que os indígenas tinham com a mandioca, que se tornou a base de sua dieta e cultura.

O Bolo de Aipim na Culinária Colonial e Afro-brasileira

Com a chegada dos portugueses, a mandioca se tornou um alimento essencial para a sobrevivência na nova terra, pois era mais adaptável e nutritiva que o trigo europeu. Ela se popularizou rapidamente, sendo um ingrediente fundamental na dieta dos escravizados africanos. O aipim (mandioca mansa) era cultivado com facilidade e se tornou um alimento vital, sendo a base de diversos pratos salgados e doces, como o bolo de aipim, que se desenvolveu com a adição de ingredientes trazidos pelos colonizadores, como o coco (trazido da Ásia) e o queijo (herança da pecuária portuguesa).

Mané Pelado: Um Nome Inusitado para uma Receita Clássica

O bolo de aipim com coco e queijo ganhou um nome peculiar em algumas regiões do Brasil, especialmente em Goiás e Minas Gerais: “Mané Pelado”. Existem diversas histórias sobre a origem desse nome curioso. Uma das versões mais populares conta que um vendedor ambulante chamado Manuel (Mané) vendia esse bolo pelas ruas da cidade. Como o bolo era feito apenas com aipim ralado e não levava farinha de trigo, sua massa era “pelada” (sem farinha), e o vendedor acabou sendo associado ao bolo. Outra lenda diz que o nome surgiu porque o aipim, ao ser ralado, ficava “pelado” (sem casca) antes de ser transformado na massa do bolo. Independentemente da origem do nome, o Mané Pelado se consolidou como um símbolo da culinária caipira, representando a união de ingredientes simples e a riqueza de sabores do interior do Brasil.

Dicas de Expert para um Bolo Perfeito

Para obter a textura ideal do bolo de aipim, que deve ser úmida e cremosa, mas ao mesmo tempo firme, o segredo está no aipim fresco e na forma de ralar. Se possível, use aipim fresco e rale-o na hora. O queijo é outro ingrediente essencial. Embora o queijo parmesão ralado seja o mais comum, o queijo minas meia cura ou o queijo coalho dão um toque salgado e cremoso ainda mais autêntico. Para quem busca um bolo mais leve, a adição de claras em neve é fundamental, pois o aipim não tem glúten e a massa tende a ser densa. Por fim, para realçar o sabor, sirva o bolo morno, acompanhado de um café coado na hora.

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