Frango Caipira com Quiabo e Angu: O Sabor da Roça

Frango Caipira com Quiabo e Angu: O Sabor da Roça
Tempo de Preparo

1 hora e 30 minutos

Rendimento

6 porções

Dificuldade

Médio

Calorias

450 kcal

O Frango Caipira com Quiabo e Angu é mais do que uma refeição; é uma viagem ao coração da culinária rural brasileira. Com sua carne firme e saborosa, o frango caipira, criado solto no terreiro, se transforma em um guisado rico e aromático, que ganha a companhia perfeita do quiabo refogado e do cremoso angu de fubá. Esta receita, tradicionalmente servida em Minas Gerais, Goiás e interior de São Paulo, é um verdadeiro abraço de afeto e tradição. O segredo está no cozimento lento, que amacia a carne e apura o molho, garantindo um sabor inigualável que remete aos almoços de domingo na casa da vovó. Prepare-se para resgatar o sabor autêntico da roça.

Ingredientes

  • 1 frango caipira inteiro (cerca de 1,8 kg) cortado em pedaços
  • Suco de 1 limão
  • 2 colheres (sopa) de banha de porco ou azeite
  • 1 cebola grande picada
  • 4 dentes de alho amassados
  • 2 tomates maduros picados
  • 1 pimentão verde picado
  • 1 colher (sopa) de colorau (ou açafrão-da-terra)
  • 1 maço de cheiro-verde (salsinha e cebolinha) picado
  • Sal e pimenta do reino a gosto
  • Água quente o suficiente para cobrir
  • 500g de quiabo (opcional)
  • 1 xícara (chá) de fubá
  • 3 xícaras (chá) de água
  • 1 colher (sopa) de manteiga ou banha (para o angu)

Modo de Preparo

  1. Lave os pedaços de frango caipira e esfregue o suco de limão para retirar o excesso de gordura e o cheiro forte. Tempere com sal e pimenta do reino e reserve por pelo menos 30 minutos.
  2. Em uma panela de ferro grande (preferencialmente), aqueça a banha de porco em fogo alto. Doure os pedaços de frango em etapas, para que fiquem bem fritos e não cozinhem no próprio suco. Retire o frango e reserve.
  3. Na mesma panela, adicione a cebola, o alho, o pimentão e os tomates picados. Refogue até que os temperos fiquem macios e perfumados.
  4. Retorne os pedaços de frango para a panela. Adicione o colorau e misture bem para que todos os pedaços peguem cor.
  5. Cubra o frango com água quente e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 1 hora, ou até que a carne esteja macia e soltando do osso. Adicione mais água se necessário durante o cozimento.
  6. Enquanto o frango cozinha, prepare o quiabo (se for usar): lave, seque bem e corte as pontas. Frite-o em uma frigideira separada com um fio de azeite até que perca a baba e doure levemente. Adicione o quiabo ao frango nos últimos 15 minutos de cozimento.
  7. Prepare o angu: Dissolva o fubá na água fria. Leve ao fogo médio em uma panela, mexendo sempre para não empelotar. Cozinhe por cerca de 10 minutos ou até engrossar. Adicione a manteiga ou banha e sal a gosto, misturando bem.
  8. Finalize o frango caipira com o cheiro-verde picado. Sirva imediatamente, acompanhado do angu cremoso e, opcionalmente, de arroz branco e feijão tropeiro.

Dicas do Chef

  • O segredo do frango caipira macio é o cozimento lento. Se preferir, use panela de pressão para reduzir o tempo para cerca de 25-30 minutos após pegar pressão, mas o cozimento tradicional na panela de ferro apura mais o sabor.
  • Para evitar a baba do quiabo, frite-o em uma frigideira separada ou adicione um pouco de vinagre durante o cozimento.
  • O frango caipira tem a carne mais firme e menos gordurosa que o frango de granja, por isso o uso da banha de porco e o cozimento lento são essenciais para garantir a maciez e o sabor característico.

A História do Frango Caipira: Da Roça à Mesa do Brasileiro

O Frango Caipira não é apenas um prato; é um pilar da identidade culinária brasileira. Sua história se entrelaça com a própria formação do país, remontando aos tempos coloniais, quando as aves domésticas foram introduzidas pelos portugueses. Diferente das raças de corte modernas, o frango caipira (ou galinha caipira) se desenvolveu a partir de cruzamentos de raças rústicas que se adaptaram ao clima e ao modo de vida rural do Brasil.

O termo “caipira” era usado para descrever o morador do campo, aquele que vivia na roça, e tudo o que era produzido por ele. Assim, a galinha criada solta no quintal, que se alimentava de milho, insetos e restos de comida, era a “galinha caipira”. Essa criação, em sistema extensivo, contrastava com a criação industrial que surgiria muito tempo depois.

O prato se popularizou como a “comida de domingo” por excelência. Nos sítios e fazendas, o abate de uma galinha caipira era um evento especial, reservado para celebrar a chegada de visitas ou o almoço em família. Era uma forma de honrar a tradição e o trabalho da terra, servindo o que havia de mais fresco e saboroso no quintal.

Curiosidades e Tradições Culinárias

A principal característica do frango caipira é a firmeza da carne e o sabor mais intenso, resultado de uma vida mais longa e ativa. Enquanto um frango de granja é abatido em 30 a 40 dias, o caipira leva 80 a 90 dias para atingir o ponto de abate. Essa diferença no manejo e na dieta (que inclui pastagem e insetos) confere à carne uma textura única e um sabor que os apreciadores consideram incomparável.

A receita mais icônica do frango caipira é a mineira, que o combina com quiabo e angu. Essa tríade representa a culinária de subsistência, onde os ingredientes eram cultivados na própria horta. O quiabo, de origem africana, e o milho (base do angu), de origem indígena, são elementos que se fundiram à culinária portuguesa, criando um prato que é um verdadeiro resumo da miscigenação cultural brasileira.

Em outras regiões do Brasil, o frango caipira ganha nomes e acompanhamentos diferentes. No Nordeste, é a “galinha de capoeira”, muitas vezes servida com cuscuz ou pirão. No Sul, é a “galinha crioula”. Em todas as variações, a essência é a mesma: o resgate de um sabor autêntico e a valorização do alimento que vem diretamente da terra.

Dicas de Expert para um Frango Caipira Perfeito

Para quem deseja preparar o autêntico Frango Caipira, algumas dicas de expert fazem toda a diferença:

  • A escolha da ave: O verdadeiro frango caipira tem a pele mais amarelada e a carne mais escura e fibrosa. Evite os frangos de granja rotulados como “caipira” que não possuam certificação de origem, pois a textura e o sabor não serão os mesmos.
  • O cozimento lento: A paciência é a chave. O cozimento lento na panela de ferro permite que as fibras da carne se quebrem gradualmente, resultando em um frango macio e suculento. Se usar panela de pressão, não cozinhe por tempo demais, pois a carne pode desmanchar.
  • O tempero: Use temperos frescos e naturais. O colorau ou açafrão-da-terra dão a cor vibrante e o sabor característico, enquanto o alho, cebola e cheiro-verde garantem a base aromática.
  • Acompanhamentos: Para uma experiência completa, sirva com angu cremoso (feito com fubá e água ou caldo do cozimento), arroz branco e feijão tropeiro. O caldo do frango deve ser farto para ser misturado ao angu e ao arroz.

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