2 horas e 40 minutos
8 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 500 g de Judiones de La Granja (ou feijão branco grande)
- 1 folha de louro
- 1/2 orelha de porco (ou 1 pé de porco)
- 1 pedaço de morcillo de porco (ou lacón)
- 2 chouriços de guisar
- 1/2 cebola média
- 3 dentes de alho
- 1 colher de chá de páprica doce (pimentón dulce)
- Azeite de oliva virgem extra
- Sal a gosto
- Opcional: 1 osso de presunto (jamón serrano) ou toucinho defumado
Modo de Preparo
- Na noite anterior, coloque os Judiones de La Granja de molho em água fria abundante por, no mínimo, 8 horas.
- No dia seguinte, escorra os judiones e coloque-os em uma panela grande, cobrindo-os com água fria. Adicione a folha de louro e leve ao fogo.
- Quando a água ferver, adicione a orelha, o morcillo (ou lacón) e os chouriços inteiros. Retire a espuma que se formar na superfície.
- Abaixe o fogo para o mínimo, tampe a panela e cozinhe lentamente por cerca de 2 horas, ou até que os judiones estejam macios, mas sem desmanchar.
- Enquanto isso, prepare o sofrito: pique finamente a cebola e refogue em um pouco de azeite em uma frigideira, sem deixar que doure.
- Pique ou amasse os dentes de alho com um pouco de sal e salsinha (se usar) e adicione à cebola refogada. Retire a frigideira do fogo e acrescente a páprica, mexendo rapidamente para não queimar.
- Retire a frigideira do fogo, adicione uma concha do caldo do cozido ao sofrito, misture bem e incorpore o sofrito batido ou não (a gosto) ao cozido principal.
- Deixe cozinhar por mais 30 minutos para que os sabores se integrem. Prove e ajuste o sal, se necessário.
- Retire as carnes da panela, corte o chouriço, a orelha e o morcillo em pedaços regulares. Incorpore-os novamente ao guisado ou sirva-os separadamente.
- Sirva os Judiones de la Granja bem quentes.
Dicas do Chef
- Para um caldo mais fino e sem pedaços, bata o sofrito com um mixer antes de adicioná-lo ao cozido.
- Se os judiones demorarem muito para amaciar, verifique se o osso de presunto não está rançoso; se estiver, branqueie-o antes de adicioná-lo ao cozido.
- Algumas receitas sugerem esmagar levemente alguns grãos de judión cozidos no final do preparo para ajudar a engrossar naturalmente o caldo.
Judiones de la Granja: Uma História de Realeza e Campos Segovianos
O prato Judiones de la Granja carrega em seu nome a origem de sua estrela: os Judiones de La Granja de San Ildefonso, uma variedade espetacular de feijão branco cultivada na província de Segóvia, Espanha. Este não é um prato qualquer; é um testemunho da história da região, intimamente ligado ao majestoso Palacio Real de La Granja, a antiga residência de verão dos Bourbons, especialmente do Rei Felipe V. A história da leguminosa remonta ao início do século XVIII, quando se acredita que essas sementes, trazidas das Américas, foram introduzidas no clima da Serra de Guadarrama por jardineiros franceses ligados à corte real.
Origem no Palácio e Evolução Culinária
Inicialmente, o propósito do cultivo não era o consumo humano. As fontes históricas apontam que os judiones foram plantados com o objetivo de servir de alimento para o gado, especialmente os faisões e pavões que habitavam os luxuosos jardins do palácio. Com o tempo, o cultivo se expandiu para os campos circundantes, sendo inicialmente usados como forragem para os cavalos dos trabalhadores envolvidos na construção do palácio. A seleção das plantas ao longo dos anos levou à mudança de cor, de um roxo intenso inicial para o branco puro que hoje é sua marca registrada.
A transição para o consumo humano é fascinante. Embora os servos do palácio cultivassem a terra como compensação por seus aluguéis, demorou um pouco até que o judión fosse considerado alimento nobre. Diz a tradição que foi o cozinheiro segoviano Tomás Urrialde, por volta de 1955, quem introduziu o prato com chacinas (carnes suínas curadas e defumadas) na restauração local, transformando-o no prato emblemático de La Granja e, posteriormente, de toda a província de Segóvia.
Curiosidades e Tradições Gastronômicas
O Judión de La Granja é hoje reconhecido por sua textura extraordinariamente suave e amanteigada após o cozimento, mantendo sua forma graças ao seu tamanho e espessura únicos. Para celebrar esta iguaria, a região realiza a Judiada, uma festa dedicada ao feijão, que atrai muitos apreciadores.
Na tradição gastronômica de Segóvia, é comum pedir os Judiones como entrada (primeiro prato) em restaurantes típicos, sendo tradicionalmente seguidos pelo cochinillo asado (leitão assado) e finalizados com o ponche segoviano.
Dicas Adicionais de Expert
Para garantir o sabor autêntico, a qualidade das chacinas é crucial. A receita clássica pede uma combinação de chouriço, morcilla (chouriço de sangue) e partes como orelha ou lacón (paleta de porco curada). A lentidão é a chave: o cozimento lento, por vezes ultrapassando as 3 horas totais (incluindo o molho), é o que confere a cremosidade desejada sem que os grãos se desfaçam. Um truque de chef é adicionar um pouco de farinha ao sofrito ou bater parte do cozido no liquidificador para intensificar a espessura do caldo, resultando em um guisado fino e aveludado.









