1 hora e 10 minutos
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 500g de bonito fresco (ou atum) limpo, sem pele e sem espinhas, cortado em cubos
- 1 kg de batatas médias
- 2 cebolas médias
- 2 pimentões verdes
- 1 pimentão vermelho (opcional, ou usar a polpa de pimiento choricero)
- 2 tomates maduros (ou tomate triturado)
- 2 a 3 dentes de alho
- Polpa de 1 pimiento choricero (opcional, para cor e sabor)
- 150 ml de vinho branco seco (opcional)
- Caldo de peixe ou água (o suficiente para cobrir)
- Azeite de oliva virgem extra
- Sal e pimenta a gosto
- Louro (1 ou 2 folhas)
- Salsa fresca picada (para finalizar)
Modo de Preparo
- Prepare um caldo base: cozinhe as peles e espinhas do bonito em uma panela com água, uma cenoura, meia cebola e um dente de alho. Cozinhe por cerca de 20-30 minutos, coe e reserve o fumet (caldo de peixe).
- Em uma panela funda (marmita), aqueça um bom fio de azeite. Refogue a cebola picada, os pimentões verdes (e vermelho, se usar) cortados em cubos e o alho laminado ou picado até ficarem macios (cerca de 8 minutos).
- Adicione o tomate triturado (ou tomate fresco picado) e a polpa do pimiento choricero (se usar). Deixe refogar até que o tomate reduza um pouco.
- Adicione as batatas, descascadas e cortadas em pedaços médios, preferencialmente "chascadas" (quebradas em vez de cortadas com faca, para soltar mais amido). Refogue por alguns minutos.
- Regue com o vinho branco, deixando o álcool evaporar. Adicione as folhas de louro e cubra generosamente com o caldo de peixe reservado (ou água). Tempere com sal e pimenta.
- Cozinhe em fogo médio por cerca de 25 a 30 minutos, ou até que as batatas estejam macias. Mexa ocasionalmente para ajudar a batata a soltar amido e engrossar o caldo.
- Quando as batatas estiverem quase no ponto, adicione os cubos de bonito por cima do guisado. Não mexa vigorosamente para não desmanchar o peixe.
- Tampe a panela e deixe cozinhar por apenas 3 a 4 minutos, apenas o suficiente para o peixe cozinhar no vapor e no calor do caldo, mantendo-se suculento.
- Desligue o fogo, retire as folhas de louro, deixe repousar tampado por 5 minutos e sirva quente, finalizado com um toque de salsa fresca picada.
Dicas do Chef
- Para um caldo mais encorpado, amasse algumas batatas cozidas contra a lateral da panela antes de adicionar o peixe.
- O segredo do peixe é adicioná-lo por último e cozinhá-lo brevemente. O bonito fresco cozinha muito rápido; se cozinhar demais, ficará seco.
- A técnica de "chascadas" (quebrar a batata em vez de cortar reto) é tradicional para liberar mais amido e dar corpo ao guisado.
- Embora o Bonito do Norte seja o ideal, se não for temporada, atum de boa qualidade pode ser usado, mas o sabor será ligeiramente diferente.
Marmitako: A História de um Guisado que Navegou pelo Cantábrico
O Marmitako é mais do que um simples guisado; é um testemunho vivo da cultura marítima do norte da Espanha, especialmente das regiões do País Basco e Cantábria. Seu nome, derivado do termo basco marmita, que significa panela ou caçarola de metal com tampa, aponta diretamente para seu berço: a bordo dos barcos de pesca. Este prato nasceu da mais pura necessidade e praticidade, sendo a refeição reconfortante preparada pelos arrantzales (pescadores) após longas jornadas no mar, muitas vezes em águas frias do Golfo da Biscaia.
Origem Humilde e a Evolução dos Ingredientes
Na sua forma mais primitiva, possivelmente remontando aos séculos XVII e XVIII, o Marmitako era uma refeição frugal. Os pescadores levavam consigo poucos utensílios, sendo a marmita o principal deles para cozinhar. Os ingredientes eram aqueles que resistiam bem às longas viagens sem refrigeração e que estavam disponíveis. Inicialmente, o guisado era composto por tubérculos locais, como nabos ou castanhas, cozidos com o peixe que conseguissem capturar. A chegada da batata, trazida das Américas e cuja introdução na dieta europeia se generalizou no século XIX, transformou a receita, conferindo-lhe maior substância e o corpo característico que conhecemos hoje.
O peixe estrela é, inegavelmente, o Bonito do Norte (Thunnus alalunga), um atum de carne magra e sabor marcante, abundante na costa durante o verão. A combinação de atum fresco, batatas, cebola, pimentões e tomate (este último incorporado posteriormente) criou uma sinergia nutricional perfeita para manter a tripulação alimentada e energizada.
Curiosidades e Tradições Culinárias
Apesar de ser um prato emblemático do País Basco, o Marmitako possui variantes e nomes regionais em toda a costa norte. Em Cantábria, é conhecido como sorropotún ou marmite, e em Astúrias, também existem preparações similares. Essa diversidade sublinha sua importância como patrimônio gastronômico compartilhado.
Um aspecto fascinante é que, embora seja um prato de cozimento lento e reconfortante, o Marmitako é tradicionalmente consumido no verão, coincidindo com a temporada de pesca do bonito. Isso reflete a tradição de aproveitar o produto fresco no seu auge. Hoje, ele é estrela em festas gastronômicas e concursos, onde cada cozinheiro se orgulha de apresentar a sua versão “autêntica”.
Dicas Adicionais de Expert para um Marmitako Perfeito
Para elevar seu Marmitako ao nível dos mestres bascos, considere os seguintes pontos:
- O Segredo do Caldo: Nunca subestime o caldo. Usar o fumet feito com as espinhas e cabeças do próprio peixe adiciona uma profundidade de sabor incomparável.
- A Batata Estratégica: O método de cortar as batatas em pedaços irregulares ou “chascadas” é crucial. Essa quebra da superfície libera mais amido durante o cozimento, o que naturalmente engrossa o caldo sem a necessidade de farinhas ou cremes.
- O Pescado no Final: O bonito deve ser adicionado apenas nos minutos finais. O cozimento rápido garante que a carne permaneça suculenta e rosada, em contraste com o caldo rico e espesso.
- Toque de Cor e Sabor: A inclusão da polpa de pimiento choricero (pimentão seco) é um toque de mestre que confere uma cor avermelhada vibrante e um sabor defumado sutil, característico de muitas receitas tradicionais.
Servir o Marmitako diretamente na marmita ou em caçarolas de barro, bem quente, acompanhado de um bom pão rústico para absorver cada gota do molho, é a forma mais autêntica de saborear esta joia da cozinha de mar.









