3 horas
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 500g de habas secas
- 1 pedaço de osso de presunto (jamón)
- 100g de toucinho com carne (panceta)
- 2 chouriços pequenos (ou 160g em rodelas)
- 1 cabeça de alho
- 2 folhas de louro
- 1 pimenta caiena (opcional)
- 1 colher de chá de pimentão doce
- 1 colher de chá de pimentão picante (ajustar ao gosto)
- Sal e pimenta preta moída a gosto
- Água suficiente para cobrir
Modo de Preparo
- Na véspera, coloque as habas secas de molho em água abundante por, no mínimo, 24 horas, sendo ideal 48 horas, trocando a água umas 2 ou 3 vezes durante esse período para hidratá-las e amaciá-las.
- Escorra bem as habas que estiverem de molho.
- Em uma panela grande ou panela de pressão, coloque as habas escorridas, o osso de presunto, as folhas de louro e as pimentas caienas (se usar).
- Cubra com água, deixando cerca de dois dedos acima dos ingredientes, e leve para ferver. Na panela de pressão, cozinhe por cerca de 15 minutos após pegar pressão (ou 15 minutos em fogo médio após começar a ferver na panela normal).
- Abra a panela (se for de pressão) e adicione o restante dos ingredientes: o chouriço cortado em rodelas, o toucinho em pedaços, a cabeça de alho (inteira ou levemente amassada), o pimentão doce, o pimentão picante e pimenta preta moída.
- Ajuste o sal com cautela, lembrando que os embutidos já são salgados. O sal deve ser corrigido apenas no final.
- Cozinhe em fogo brando, com a panela semi-destampada, por mais 10 a 15 minutos, ou até que as habas e os demais ingredientes estejam completamente macios e o caldo tenha engrossado levemente.
- Sirva bem quente, tradicionalmente em caçarolas de barro, acompanhado de pão fresco para molhar no caldo.
Dicas do Chef
- O tempo de recesso das habas é crucial; quanto mais tempo de molho (até 48h), mais macias ficarão e mais rápido cozinharão.
- A sobrasada é um ingrediente opcional que pode ser adicionado junto com os embutidos para dar uma cremosidade e sabor extra ao guiso.
- Algumas variações da receita incluem batatas, mas a versão mais tradicional foca apenas nas habas e carnes curadas.
- Este prato fica ainda mais saboroso no dia seguinte, pois os sabores se apuram durante a noite.
Michirones: A Alma do Guiso Murciano
Os Michirones são mais do que uma simples receita; são um patrimônio gastronômico da Região de Múrcia, no sudeste da Espanha, com forte presença também no Campo de Cartagena e na Vega Baja alicantina. Este guiso robusto, feito à base de habas secas, representa a culinária de subsistência que se transformou em iguaria festiva.
História e Origem: Do Campo à Tapa
A origem dos Michirones remonta aos tempos em que a despensa era limitada, e os ingredientes de longa conservação, como as leguminosas secas e as carnes curadas (presunto e chouriço), eram a base da alimentação, especialmente durante os meses frios de inverno. As habas, um produto abundante na fertilíssima “Horta da Europa” (como é conhecida a região de Múrcia), eram transformadas neste prato reconfortante.
A etimologia do nome é curiosa e gera debate entre os estudiosos. Uma das teorias mais aceitas, defendida pelo lexicógrafo Robert Pocklington, sugere que o termo pode derivar do árabe misrun, significando “pequenos egípcios”, possivelmente em referência a um prato ancestral semelhante, como o ful medames. Outros especialistas apontam para uma origem no catalão menjar (comer) ou mesmo no latim manducare (mastigar), devido à semelhança com a ação de comer o guiso.
Historicamente, os Michirones eram um alimento básico para os trabalhadores do campo. Com o tempo, sua aceitação e sabor inconfundível fizeram com que ele migrasse dos lares para os mesões e, finalmente, para as barras dos bares, onde hoje é servido como uma tapa imperdível, acompanhando vinhos locais.
Curiosidades e Tradições Culinárias
O preparo dos Michirones está intimamente ligado ao ritual do recesso das habas. A tradição exige que as habas secas fiquem de molho por um período prolongado, muitas vezes 24 a 48 horas, com trocas de água regulares. Este passo não é apenas prático para acelerar o cozimento, mas também para eliminar parte dos hidratos de carbono que a leguminosa solta.
- Acompanhamento Clássico: A forma mais autêntica de consumir Michirones é em cazuelitas de barro (caçarolas de barro) individuais, bem quentes, e sempre acompanhados de pão de campo grosso, essencial para absorver o caldo apimentado e saboroso.
- O Toque Picante: O uso de pimentão (doce e picante) e cayena é uma marca registrada. O equilíbrio entre a gordura dos embutidos e a ardência do picante é o que define o sabor característico do prato.
- Variações Regionais: Embora a versão murciana seja a mais famosa, variações existem. Por exemplo, a versão do Campo de Cartagena pode incluir batatas, enquanto outras áreas podem enfatizar mais o presunto ou utilizar sobrasada para dar cremosidade ao caldo.
Dicas Adicionais de Expert
Para elevar seu guiso de habas ao nível de um prato tradicional, siga estas orientações:
- Qualidade da Habas: Procure pela variedade de haba seca grande e carnosa, se possível. A qualidade da leguminosa impacta diretamente na textura final.
- Cozimento Lento: Após a pressão inicial, a cocção lenta e destampada é fundamental para que os sabores do chouriço, do osso de presunto e dos temperos se fundam perfeitamente no caldo.
- Descanso: Como muitos guisados espanhóis, os Michirones são notoriamente melhores no dia seguinte. Planeje prepará-los com antecedência para desfrutar de um sabor ainda mais concentrado e aveludado.
Consumir Michirones é celebrar a riqueza da gastronomia murciana, um prato que aquece o corpo e conta a história de uma região ligada à terra e ao mar.









