2 horas e 35 minutos
12 porções
Médio
148 kcal
Ingredientes
- Pasta de Feijão Vermelho (Anko): 300g de feijão azuki seco (ou 650g de pasta pronta)
- Açúcar (para a pasta): 300g de açúcar (ajustar a gosto)
- Água (para a pasta): Suficiente para cozinhar os feijões
- Farinha de Trigo (para a massa): 300g de farinha de trigo para pães ou farinha de trigo comum
- Açúcar (para a massa): 20g de açúcar
- Fermento Biológico Seco Instantâneo: 5g
- Leite (ou água morna): 100ml de leite morno (ou água)
- Óleo vegetal ou Manteiga: 1 1/2 colher de sopa de óleo ou manteiga derretida
- Papel manteiga: Para forrar o vaporizador
Modo de Preparo
- Preparo da Pasta de Feijão (se for fazer do zero): Lave os feijões azuki e deixe-os de molho em água fria por pelo menos 8 horas ou durante a noite. Escorra a água do molho.
- Cozinhe os feijões escorridos em água nova até ficarem bem macios, adicionando mais água se necessário para mantê-los submersos (pode levar de 1 a 1,5 hora).
- Escorra os feijões cozidos e retorne-os à panela. Adicione o açúcar e cozinhe em fogo baixo, mexendo constantemente até a mistura engrossar o suficiente para formar uma pasta firme. Amasse com um espremedor ou espátula. Deixe esfriar e, em seguida, divida em porções (cerca de 30-35g cada).
- Preparo da Massa: Em uma tigela, misture o leite morno com o fermento e uma pitada do açúcar. Deixe descansar por cerca de 10 minutos até espumar (ativar o fermento).
- Em outra tigela, peneire a farinha, o açúcar restante e o sal. Faça um buraco no centro e adicione a mistura de fermento e o óleo/manteiga.
- Misture até formar uma massa e transfira para uma superfície enfarinhada. Sove por cerca de 8 a 10 minutos, até obter uma massa lisa e elástica. Se estiver muito pegajosa, adicione um pouco mais de farinha.
- Coloque a massa em uma tigela levemente untada, cubra com um pano úmido ou filme plástico e deixe crescer em local aquecido por cerca de 1 hora, ou até dobrar de volume.
- Montagem: Retire o ar da massa sovando-a levemente. Divida a massa em porções iguais (cerca de 30g cada, totalizando 12 porções).
- Achate cada porção de massa, formando um círculo com as bordas mais finas que o centro. Coloque uma porção da pasta de feijão no centro.
- Feche a massa ao redor do recheio, unindo as bordas e selando bem. Torça levemente para formar uma bolinha e coloque-a com a costura para baixo sobre um pequeno quadrado de papel manteiga.
- Finalização e Cozimento: Coloque os pãezinhos no vaporizador (bamboo steamer), garantindo espaço entre eles. Cubra e deixe descansar por mais 15 a 30 minutos para uma segunda fermentação.
- Aqueça a água na panela de vapor até ferver. Cozinhe os pães no vapor por 10 a 12 minutos em fogo médio-alto. Desligue o fogo e deixe-os descansar dentro do vapor por mais 5 minutos antes de retirar. Sirva quente.
Dicas do Chef
- Para pães perfeitamente redondos e lisos, manuseie a massa com delicadeza após o crescimento e certifique-se de selar bem o recheio, colocando a emenda para baixo antes do descanso final.
- Se não encontrar farinha própria para *steamed buns* (bao flour), a farinha de trigo comum funciona, mas o resultado pode ser um pouco menos fofo.
- O descanso final dentro do vaporizador desligado é crucial; isso ajuda a evitar que os pães murchem ao serem expostos ao ar frio imediatamente após o cozimento.
A História Doce e Milenar dos Red Bean Buns (Dòushā Bāo)
Os Red Bean Buns, ou Dòushā Bāo (豆沙包) em mandarim, são muito mais do que um simples pão cozido no vapor; eles são um pedaço da história culinária da Ásia Oriental, carregando consigo séculos de tradição e adaptação cultural. A estrela desta iguaria é, sem dúvida, a pasta de feijão vermelho, feita a partir do feijão azuki (ou adzuki).
Origem Fascinante do Feijão Azuki
A jornada do ingrediente principal começa na China, onde os feijões azuki foram domesticados há milhares de anos, possivelmente já em 3000 AEC. Inicialmente, o azuki era valorizado não apenas como alimento, mas também como um tipo de medicina tradicional. Devido à sua cor vermelha intensa, acreditava-se que o feijão possuía energia yang, capaz de expulsar o mal e as doenças infecciosas, sendo até mesmo um presente popular para estudantes para lhes dar força.
O primeiro registro conhecido de uma receita doce com azuki aparece na China, por volta de 1200, no livro de receitas Wushi Zhongguilu (O Livro de Receitas da Senhora Wu). Uma receita para um bolinho consumido durante o Festival do Barco-Dragão (ou Festival do Quinto Dia do Quinto Mês) já utilizava um recheio rico em azuki. Naquela época, o recheio era frequentemente salgado ou menos doce do que conhecemos hoje.
A Viagem e a Doçura Japonesa
O feijão azuki viajou para o Japão por volta do século VII, durante o Período Asuka. Inicialmente, os monges budistas, buscando alternativas à carne, começaram a usar a pasta de feijão, que tinha uma aparência que lembrava vagamente o unko (fezes), e era ligeiramente salgada. A grande transformação para a versão doce que conhecemos ocorreu mais tarde, durante os períodos Muromachi e Azuchi-Momoyama, impulsionada pela popularização da Cerimônia do Chá entre a nobreza e os samurais.
Neste contexto cultural, a confeitaria japonesa (wagashi) floresceu. A pasta de feijão, agora adoçada com açúcar, tornou-se um ingrediente de luxo, recheando os Manjū (饅頭), o ancestral direto dos pães cozidos no vapor. O Manjū recheado com pasta de feijão doce é considerado uma iguaria tradicional japonesa.
O Pão Cozido no Vapor: Um Ícone do Dim Sum
Na China, a evolução levou ao Dòushā Bāo, um pão cozido no vapor (bao) que se tornou um pilar do Dim Sum, a tradição chinesa de pequenas porções servidas com chá. O cozimento a vapor garante a textura única: um exterior branco, macio, fofo e quase elástico, que contrasta perfeitamente com o recheio denso e adocicado.
Curiosidades e Variações Culturais
- Coreia: O equivalente coreano é o Jjinppang (찐빵), que significa literalmente “pão cozido no vapor”. Assim como na China, é um alimento de conforto popular.
- Textura da Pasta: A pasta de feijão pode ser Tsubuan (pasta grossa com pedaços de feijão) ou Koshian (pasta lisa e fina), dependendo da preferência regional ou do chef.
- Versões Assadas: Embora a versão clássica seja cozida no vapor, em algumas padarias, especialmente na Coreia (como o Danpatbbang), você pode encontrar a versão assada, com uma casca dourada e levemente amanteigada.
Dicas Adicionais de Expert para o Sucesso
Para garantir que seus Red Bean Buns fiquem com aquela aparência de nuvem, o segredo está na massa e no cozimento. Use uma farinha com baixo teor de glúten, se possível, para maximizar a fofura. Durante a sova, é vital desenvolver o glúten o suficiente para que a massa fique elástica, mas não pesada. Nunca abra o vaporizador durante os primeiros 10 minutos de cozimento; a mudança brusca de temperatura fará com que os pães murchem. Ao final do cozimento, desligue o fogo e deixe-os descansar no vapor quente por mais 5 minutos antes de servir. Este processo gradual de resfriamento garante que a estrutura da massa se firme sem colapsar. Desfrute desta iguaria que une China, Japão e Coreia em uma mordida perfeitamente doce e macia.









