Paparajotes: O Doce Típico de Múrcia com Folha de Limoeiro

Paparajotes: O Doce Típico de Múrcia com Folha de Limoeiro
Tempo de Preparo

45 minutos

Rendimento

4 porções

Dificuldade

Fácil

Calorias

42 kcal

Os Paparajotes são uma sobremesa singular e deliciosa, um verdadeiro ícone da gastronomia da Região de Múrcia, na Espanha. O que os torna verdadeiramente especiais é o seu ingrediente secreto e aromático: folhas frescas de limoeiro, que são mergulhadas em uma massa leve, frita até dourar e, por fim, generosamente polvilhadas com uma mistura de açúcar e canela. Embora a folha de limoeiro seja essencial para conferir um toque cítrico e fresco à massa, ela não deve ser consumida, servindo apenas como um molde comestível. Esta receita combina a simplicidade dos ingredientes básicos, como farinha, ovos e leite, com um método de preparo que resulta em uma textura crocante por fora e macia por dentro. Perfeitos para acompanhar um café ou vinho doce, os Paparajotes são uma experiência sensorial que remete diretamente à tradição e aos pomares murcianos. Prepare esta iguaria e surpreenda-se com seu sabor autêntico e sua história curiosa.

Ingredientes

  • 2 ovos
  • 250 g de farinha de trigo
  • 250 ml de leite
  • 1 colher de chá de fermento em pó (ou levadura química)
  • 100 g de açúcar (para a massa, opcional)
  • Raspas da casca de 1 limão
  • 1 pitada de sal
  • Folhas frescas de limoeiro (cerca de 12, bem limpas)
  • Azeite de oliva suave para fritar (quantidade abundante)
  • Açúcar e canela em pó para polvilhar (cerca de 100g de açúcar e 1 colher de chá de canela)

Modo de Preparo

  1. Lave muito bem as folhas de limoeiro e seque-as completamente. Reserve.
  2. Em uma tigela, bata os ovos com o açúcar (se for usar na massa) e a pitada de sal.
  3. Adicione as raspas de limão e o leite, misturando bem.
  4. Peneire a farinha e o fermento sobre a mistura líquida, incorporando aos poucos com um batedor de arame (fouet) até obter uma massa lisa e homogênea, que não seja muito espessa, mas que consiga aderir bem à folha.
  5. Deixe a massa descansar por cerca de 15 a 30 minutos.
  6. Aqueça uma quantidade generosa de azeite em uma frigideira funda a uma temperatura média (idealmente entre 170°C e 180°C).
  7. Segurando a folha de limoeiro pelo talo, mergulhe-a completamente na massa, garantindo que fique bem coberta dos dois lados.
  8. Com cuidado, coloque a folha coberta de massa no azeite quente. Frite por alguns minutos de cada lado, até que fiquem douradas. Tome cuidado para não deixar o óleo queimar ou as folhas queimarem.
  9. Retire os Paparajotes do óleo e coloque-os sobre papel absorvente para remover o excesso de gordura.
  10. Misture o açúcar e a canela para polvilhar.
  11. Enquanto os Paparajotes ainda estiverem quentes, passe-os imediatamente na mistura de açúcar e canela, cobrindo ambos os lados.
  12. Sirva quente. Lembre-se: a folha de limoeiro é apenas para dar sabor e forma, não deve ser consumida!

Dicas do Chef

  • Para intensificar o aroma, algumas receitas sugerem ferver o leite com as raspas de limão antes de usá-lo na massa e deixar em infusão.
  • A densidade da massa pode ser ajustada com um pouco mais de leite (para mais maciez) ou farinha (para mais crocância), dependendo da sua preferência.
  • É crucial que as folhas de limoeiro estejam frescas e sem tratamento químico. Escolha folhas de tamanho médio e em bom estado.
  • Se não for consumir imediatamente, reaqueça os Paparajotes no forno a 180ºC por cerca de 5 minutos antes de polvilhar com açúcar e canela para restaurar a crocância.

Paparajotes: A Doce Tradição da Huerta Murciana

Os Paparajotes são mais do que apenas uma sobremesa; eles são um símbolo da identidade gastronômica da Região de Múrcia, no sudeste da Espanha. Este doce, que encanta pela sua simplicidade e aroma inconfundível, tem raízes humildes, diretamente ligadas à vida rural e à engenhosidade da huerta (horta) murciana. Acredita-se que sua origem remonta a tempos em que a necessidade de aproveitar todos os recursos disponíveis ditava a culinária camponesa. As folhas de limoeiro, abundantes nos pomares da região, eram o elemento central, servindo como um molde natural para uma massa básica feita com ingredientes que sempre estiveram presentes nas despensas familiares: farinha, ovos e leite.

História e o Mistério do Nome

A história dos Paparajotes é envolta em um certo mistério, especialmente no que tange à origem do seu nome. Embora a técnica de fritar massas com folhas aromáticas não seja exclusiva da Espanha, a combinação exata com a folha de limoeiro é um marco da culinária de Múrcia. Inicialmente, este doce era preparado de forma caseira e consumido após as refeições, muitas vezes acompanhado pelo tradicional café de puchero ou café de olla. A transmissão da receita ocorria de geração em geração, mantendo viva essa conexão com a terra e seus frutos.

Hoje, o Paparajote é o prato estrela das festividades primaveris de Múrcia, como o Bando de la Huerta, e também marca presença na Feria de Septiembre. É comum encontrar barracas especializadas que os preparam na hora, exalando o cheiro de limão e canela pelos ares festivos.

Curiosidades e a Arte de Não Comer a Folha

A maior curiosidade sobre os Paparajotes reside no seu consumo. A folha de limoeiro, embora essencial para impregnar a massa com seu perfume cítrico e levemente amargo, não deve ser ingerida. A tradição dita que o comensal deve raspar a massa frita e açucarada com os dentes, deixando a folha intacta para ser descartada ao final. Este ato se tornou um pequeno ritual que diferencia o Paparajote de outras frituras doces, como os buñuelos.

  • A Escolha da Folha: Para um resultado autêntico, as folhas ideais são as jovens, de cor verde clara, nem muito duras nem muito moles, e sempre frescas, colhidas no dia do preparo, se possível.
  • Aromatização: O limão não está apenas nas raspas da massa, mas seu aroma é transferido diretamente da folha durante o processo de fritura em óleo quente.
  • Acompanhamentos Clássicos: Embora sejam deliciosos sozinhos, os Paparajotes são tradicionalmente servidos com vinhos doces, licores de ervas (como a mistela) ou, em versões mais modernas, com uma bola de sorvete de baunilha.

Dicas Adicionais de Expert para um Paparajote Perfeito

Para replicar a experiência murciana em casa, o segredo está no equilíbrio da massa e no controle da temperatura do óleo. A massa deve ser cremosa o suficiente para envolver a folha de maneira uniforme, criando uma camada que fique crocante e dourada após a fritura, sem ficar encharcada de óleo. Um truque é garantir que a mistura de açúcar e canela esteja pronta e acessível, pois o polvilhamento deve ser feito imediatamente após a fritura, enquanto o doce ainda está quente, para que o açúcar adira perfeitamente. Dominar a arte de fritar sem queimar as folhas é o toque final que eleva este humilde doce a uma verdadeira iguaria regional.

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