1 hora e 30 minutos
6 porções
Médio
450 kcal
Ingredientes
- Para a Massa:
- 500g de farinha de trigo
- 1 ovo grande
- 250ml de água morna (ou leite)
- 1 colher de chá de sal
- 1 colher de sopa de óleo vegetal ou azeite
- Para o Recheio Ruskie (Batata e Queijo):
- 500g de batata Asterix (ou outra farinhenta)
- 250g de queijo cottage (ou ricota fresca)
- 1 cebola grande picada finamente
- 2 colheres de sopa de manteiga
- Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
- Para Servir:
- 100g de bacon picado (opcional)
- 1 cebola média em fatias finas
- Manteiga para fritar
- Creme azedo ou nata fresca
Modo de Preparo
- Prepare a Massa: Em uma tigela grande, misture a farinha e o sal. Adicione o ovo e o óleo. Acrescente a água morna (ou leite) aos poucos, misturando com as mãos até formar uma massa homogênea. Transfira para uma superfície enfarinhada e sove por 5 a 10 minutos, até que a massa fique lisa e elástica. Cubra com um pano úmido ou filme plástico e deixe descansar por 30 minutos em temperatura ambiente.
- Prepare o Recheio: Cozinhe as batatas com casca até ficarem macias. Descasque e amasse-as ainda quentes, como se fosse fazer um purê. Em uma frigideira, derreta a manteiga e refogue a cebola picada até ficar macia e translúcida. Misture a batata amassada, o queijo cottage (ou ricota), a cebola refogada, sal e pimenta. Amasse bem para que todos os ingredientes se incorporem e reserve.
- Abra e Modele os Pierogi: Divida a massa em duas ou três partes. Abra cada parte em uma superfície enfarinhada com um rolo, até que fique com cerca de 2 a 3 mm de espessura. Com um cortador redondo (ou a boca de um copo), corte a massa em círculos de aproximadamente 6-8 cm de diâmetro.
- Recheie e Feche: Coloque uma colher de chá do recheio no centro de cada círculo. Dobre a massa ao meio, formando um semicírculo. Pressione as bordas firmemente com os dedos para selar. Para um acabamento mais seguro e decorativo, use um garfo para prensar as bordas, criando um padrão de “babado”.
- Cozinhe: Ferva uma panela grande de água com sal. Coloque os pierogi na água fervente, em pequenas quantidades por vez (para não grudar e não esfriar a água). Cozinhe por cerca de 3 a 4 minutos após subirem à superfície. Retire com uma escumadeira.
- Prepare o Molho e Sirva: Em uma frigideira, derreta um pouco de manteiga com o bacon picado e a cebola fatiada. Frite até o bacon ficar crocante e a cebola caramelizada. Adicione os pierogi cozidos à frigideira e frite-os rapidamente até dourarem levemente dos dois lados. Sirva quente, regado com o molho de bacon e cebola e uma colherada de creme azedo ou nata fresca.
Dicas do Chef
- Para a Massa Perfeita: A água morna ajuda a ativar o glúten da farinha, tornando a massa mais elástica e fácil de trabalhar. Não sove demais para não endurecer.
- Recheio Seco: Certifique-se de que o recheio de batata esteja frio e com pouca umidade. Se estiver muito mole, adicione um pouco de farinha de rosca ou queijo ralado para firmar.
- Congelamento: Para congelar, coloque os pierogi crus em uma assadeira polvilhada com farinha, garantindo que não se toquem. Leve ao freezer. Após congelados, transfira para sacos plásticos. Para cozinhar, coloque-os diretamente na água fervente, sem descongelar.
A História do Pierogi: Mais Que um Pastel, Um Símbolo de Identidade
O pierogi é, sem dúvida, o prato mais emblemático da Polônia, uma iguaria que transcende a culinária para se tornar um verdadeiro símbolo cultural. No entanto, sua história é um fascinante emaranhado de lendas e influências que se estendem por toda a Europa Central e Oriental.
A origem exata do pierogi é um tema de debate acalorado entre historiadores da gastronomia. Uma das teorias mais aceitas sugere que o prato, ou pelo menos a ideia de um pastel recheado cozido, chegou à Polônia no século XIII, possivelmente vindo do Extremo Oriente. Acredita-se que o monge dominicano Jacek Odrowąż (Jacinto da Polônia) tenha trazido a receita de suas viagens, possivelmente de Kiev (na atual Ucrânia), onde a iguaria era conhecida como varenyky. Outra lenda popular conta que, durante uma invasão tártara em 1241, São Jacinto alimentou a população faminta com pierogi feitos de safras recém-colhidas, consolidando o prato como um alimento de conforto e provisão em tempos difíceis.
Pierogi Ruskie: Um Nome com História (e Mal-Entendidos)
A versão mais popular e a que apresentamos aqui é o Pierogi Ruskie, recheado com batata e queijo. O nome pode levar muitos a pensar que a receita tem origem russa, mas essa é uma interpretação equivocada. A palavra polonesa ruskie é um adjetivo que significa “ruteno” e se refere à Rutênia Vermelha (Ruś Czerwona), uma região histórica da Galícia que hoje abrange partes do sudeste da Polônia e do oeste da Ucrânia. O recheio de batata e queijo cottage (twaróg) é um testemunho da herança culinária compartilhada dessa região. Curiosamente, na Ucrânia, o prato é conhecido como varenyky, e os ucranianos chamavam os pierogi poloneses de “pierogi poloneses” antes da Segunda Guerra Mundial.
Tradições e Variações: Do Doce ao Salgado de Natal
A versatilidade do pierogi é uma de suas maiores virtudes. Enquanto o Pierogi Ruskie é um favorito cotidiano, a culinária polonesa tradicionalmente associa diferentes recheios a ocasiões específicas:
- Pierogi z Kapustą i Grzybami: Este recheio de chucrute (repolho fermentado) e cogumelos selvagens é um dos pratos obrigatórios na ceia de Natal polonesa (Wigilia), que é tradicionalmente uma refeição sem carne.
- Pierogi z Mięsem: Pierogi recheados com carne moída (geralmente porco ou carne bovina) são populares fora do período de jejum.
- Pierogi Doce: Durante o verão, é comum encontrar pierogi recheados com frutas da estação, como morangos ou mirtilos (bilberries), servidos com açúcar e creme azedo.
A tradição de preparar pierogi é um ritual social. Em muitas famílias, a preparação é um evento comunitário, onde várias gerações se reúnem para sovar a massa, rechear e selar os pastéis, simbolizando a união e a transmissão de heranças culturais.
Dicas do Chef para um Pierogi Perfeito
Para quem se aventura a fazer pierogi em casa, algumas dicas de expert podem fazer toda a diferença. O segredo de um bom pierogi está na massa: ela deve ser macia e elástica, mas não pegajosa. O uso de água quente ou morna no preparo ajuda a desenvolver a elasticidade do glúten, facilitando o manuseio e o fechamento dos pastéis. Ao cozinhar, a regra de ouro é não superlotar a panela, para que os pierogi cozinhem de forma uniforme e não grudem.
O acompanhamento clássico para os pierogi salgados é a cebola frita na manteiga com bacon crocante (skwarki) e uma generosa colherada de creme azedo (sour cream ou nata). Essa combinação de sabores e texturas—a acidez do creme, o salgado do bacon e a doçura da cebola—realça o recheio de batata e queijo, transformando o prato em uma refeição inesquecível.









