1 hora e 35 minutos
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 1 kg de frango (coxa e sobrecoxa ou pedaços variados)
- 200g de presunto (jamón) picado (opcional, mas tradicional)
- 2 pimentões vermelhos
- 1 pimentão verde
- 2 a 3 dentes de alho
- 1 cebola grande
- 1 kg de tomates maduros ou 200g de tomate triturado/pelado
- 100 ml de vinho branco seco
- Azeite de oliva virgem extra
- Sal a gosto
- Pimenta preta moída a gosto
- Folhas de louro (opcional)
- Salsa picada para finalizar (opcional)
Modo de Preparo
- Tempere os pedaços de frango com sal e pimenta. Em uma caçarola grande, aqueça um bom fio de azeite em fogo médio-alto e doure o frango por todos os lados. Retire o frango e reserve.
- Na mesma caçarola, se estiver usando, adicione o presunto picado e refogue por cerca de um minuto. Retire e reserve junto ao frango.
- Reduza o fogo para médio. No azeite restante, adicione o alho picado e a cebola picada. Refogue por cerca de 10 minutos, mexendo ocasionalmente, até a cebola ficar translúcida (pochada).
- Lave os pimentões, retire as sementes e os talos, e corte-os em tiras ou cubos. Adicione os pimentões ao refogado, tempere com um pouco de sal e pimenta, e cozinhe por mais 5 a 10 minutos.
- Acrescente os tomates (picados ou triturados) e, se desejar, as folhas de louro. Cozinhe por mais 5 minutos, permitindo que os tomates soltem suco.
- Aumente o fogo e adicione o vinho branco. Deixe ferver por alguns minutos para que o álcool evapore.
- Retorne o frango e o presunto reservados para a caçarola. Misture bem, tampe e deixe cozinhar em fogo médio-baixo por cerca de 40 minutos, ou até que o frango esteja bem macio.
- Verifique o ponto do frango. Se o molho estiver muito líquido, destampe e deixe reduzir por mais 10 a 15 minutos. Se estiver muito espesso, adicione um pouco de água ou caldo de frango.
- Prove e ajuste o sal e a pimenta. Retire as folhas de louro antes de servir. Finalize com um pouco de salsa picada, se desejar, e sirva quente, idealmente com pão para molhar no molho.
Dicas do Chef
- A qualidade do pimentão vermelho é crucial; pimentões do piquillo ou pimentão choricero (polpa) são variações que intensificam o sabor tradicional.
- Se não quiser usar presunto, o prato continua delicioso, mas o presunto adiciona uma profundidade salgada e defumada.
- O tempo de cozimento do frango pode variar; cozinhe até que a carne esteja se soltando do osso para garantir a maciez máxima.
- Este prato é ainda melhor no dia seguinte, pois os sabores se aprofundam após o descanso.
Pollo al Chilindrón: História e Tradição de um Clássico Espanhol
O Pollo al Chilindrón é mais do que uma simples receita; é um emblema da culinária do nordeste da Espanha, um prato que encapsula a riqueza da horta e a tradição da criação de aves. Sua origem está firmemente plantada nas comunidades que margeiam o Vale do Ebro, com forte ligação com as regiões de Aragão, Navarra e, em menor grau, o País Basco. O termo chilindrón, que dá nome ao guisado, refere-se à preparação em forma de molho, caracterizada pela presença dominante do pimentão vermelho, que confere à salsa sua cor característica e sabor adocicado.
As Raízes Geográficas e o Dilema do Tomate
Em sua essência mais pura, o chilindrón é uma salsa feita com pimentões assados e pelados, alho e azeite. A inclusão de tomate e cebola, embora hoje seja a norma na maioria das receitas, gera debates regionais. Por exemplo, os puristas de Navarra historicamente preferiam uma versão mais próxima do cordero en fritada, onde o tomate era menos proeminente ou ausente, focando mais na intensidade do pimentão. Já a versão aragonesa, particularmente a associada a Zaragoza, abraçou a tríade clássica: pimentão, cebola e tomate, criando um molho mais encorpado e avermelhado. A popularização do tomate, um ingrediente importado das Américas que levou séculos para se integrar plenamente na cozinha popular espanhola, é o que define as versões modernas deste prato.
Apesar de o prato não ser tão antigo quanto a presença romana na região, a combinação de seus ingredientes essenciais floresceu com a chegada das hortaliças americanas. O sucesso do chilindrón reside na sua capacidade de transformar ingredientes humildes da horta (os vegetais) e do corral (o frango) em algo sublime. É um prato autárquico, que utiliza o que a terra local oferece de melhor.
Curiosidades e o Nome Enigmático
O aspecto mais curioso do Pollo al Chilindrón é a origem incerta de seu nome. Uma teoria popular e divertida aponta para um jogo de cartas, também chamado chilindrón, que era praticado na região séculos atrás. Acredita-se que o ganhador da partida, aquele que conseguia reunir certas cartas específicas (como sota, cavalo e rei de um mesmo naipe), tinha o privilégio de escolher o prato que seria pago pelos perdedores — ou seja, ele era o chilindrón da rodada. Assim, o nome do jogo migrou para o guisado mais festivo ou celebrado da época.
Outra anedota interessante é a versatilidade da preparação. Embora o Pollo al Chilindrón seja o mais conhecido internacionalmente, a base chilindrón é tradicionalmente aplicada a outras carnes, sendo o Cordero al Chilindrón (Cordeiro ao Chilindrón) igualmente reverenciado, especialmente em Navarra. Essa flexibilidade demonstra que o verdadeiro coração do prato é a salsa rica e aromática.
Dicas Adicionais de Expert para um Chilindrón Perfeito
- Intensidade do Pimentão: Para um sabor autêntico, tente usar metade de pimentão fresco e metade de pimiento choricero (pimenta seca/pulpa) na sua receita. O choricero adiciona uma profundidade defumada incomparável.
- O Segredo do Presunto: Se optar por adicionar o jamón (presunto curado), retire-o da panela após dourar, como sugerido em algumas receitas. Isso evita que ele fique excessivamente cozido ou duro, mantendo sua textura no momento de servir.
- Acompanhamento Clássico: O prato clama por pão. Sirva-o com uma boa baguete rústica para garantir que nenhuma gota daquele molho espetacular seja desperdiçada. Batatas fritas em cubos ou arroz branco também são companhias tradicionais.
Dominar o Pollo al Chilindrón é abrir a porta para a cozinha regional espanhola, um convite à celebração dos sabores da terra, onde o tempo lento do cozimento transforma ingredientes simples em uma refeição memorável.









