2 horas e 30 minutos
8 porções
Médio
450 kcal
Ingredientes
- 1 kg de queijo tipo Twaróg (ou ricota bem escorrida)
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 6 ovos (gemas e claras separadas)
- 1/2 xícara de manteiga sem sal (em temperatura ambiente)
- 1/2 xícara de creme de leite fresco ou azedo (sour cream)
- 1/2 xícara de farinha de trigo ou fécula de batata
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- Raspas de 1 limão (opcional)
- 1 colher de chá de fermento em pó para bolos
- Passas (opcional, para a versão clássica)
Modo de Preparo
- Pré-aqueça o forno a 170°C – 180°C. Unte e enfarinhe uma forma de fundo removível (cerca de 24cm). Se for usar base, forre o fundo com massa quebrada ou biscoitos triturados misturados com manteiga.
- Em uma tigela, bata a manteiga com o açúcar até formar um creme claro e fofo.
- Adicione as gemas, uma de cada vez, batendo bem após cada adição.
- Incorpore o queijo Twaróg (ou ricota), a baunilha, as raspas de limão e o creme de leite. Misture bem até ficar homogêneo.
- Peneire a farinha de trigo (ou fécula) com o fermento e adicione à mistura de queijo, mexendo delicadamente.
- Em outra tigela limpa, bata as claras em ponto de neve firme.
- Incorpore as claras em neve à massa de queijo em duas ou três adições, misturando suavemente com uma espátula, com movimentos de baixo para cima, para manter o ar e a leveza.
- Se estiver usando, adicione as passas delicadamente à massa.
- Despeje a massa na forma preparada e leve ao forno por cerca de 60 a 75 minutos, ou até que o centro esteja firme e a superfície levemente dourada.
- Para evitar rachaduras, você pode assar em banho-maria (colocando a forma dentro de uma assadeira maior com água quente no forno).
- Retire do forno e deixe esfriar completamente dentro do forno com a porta entreaberta por um tempo, e depois em temperatura ambiente.
- Leve à geladeira por no mínimo 4 horas antes de servir para que a textura fique perfeita.
Dicas do Chef
- O segredo da textura fofa é usar o Twaróg ou garantir que a ricota esteja o mais seca possível, espremendo-a bem antes de usar.
- Não bata demais a massa depois de adicionar as claras em neve, pois isso pode fazer o bolo murchar ou rachar.
- Para uma versão mais sofisticada, cubra o Sernik frio com uma geleia de frutas vermelhas ou uma calda de chocolate amargo.
Sernik: Uma Viagem Histórica Através do Cheesecake Polonês
O Sernik não é apenas um bolo de queijo; é um testemunho vivo da rica tapeçaria culinária da Polônia, com raízes que se estendem por mais de um milênio. A palavra sernik deriva de ser, a palavra polonesa para queijo, enfatizando a simplicidade e a importância do ingrediente central. Embora a versão moderna seja celebrada, sua linhagem remonta às tradições culinárias da Europa Central e Oriental, com influências que se cruzam com as tradições cristãs e judaicas da região.
As Origens Antigas: Da Grécia ao Império Romano
Embora seja inegavelmente polonês em sua forma atual, a ideia de um bolo à base de queijo é uma das mais antigas do mundo. Existem fortes evidências de que os gregos antigos já preparavam uma versão primitiva, chamada Plakountas, feita de queijo macio, mel e massa. Acredita-se que este doce nutritivo era servido até mesmo aos atletas nas primeiras Olimpíadas. Com a expansão do Império Romano, a receita migrou para o oeste, onde os romanos a adaptaram, criando o libum, um bolo de queijo usado em rituais religiosos, e a placenta, uma versão em camadas.
A Consolidação na Polônia Medieval e Nobre
A receita de queijo chegou aos territórios poloneses, onde foi refinada ao longo da Idade Média, principalmente dentro dos mosteiros. Os monges foram cruciais na introdução e experimentação com queijos frescos na culinária local. Foi neste período que o uso de ovos e mel se tornou mais comum na preparação desses bolos. Durante o Renascimento, a receita ganhou sofisticação, impulsionada pela corte real, especialmente com a influência da Rainha Bona Sforza, que introduziu ingredientes italianos refinados, ajudando a aperfeiçoar o que viria a ser o Sernik. No século XVIII e XIX, o Sernik se tornou um símbolo da nobreza polonesa antes de se democratizar e se tornar um item básico em todas as casas.
O Segredo do Twaróg e o Sernik Moderno
O que realmente define o Sernik polonês, distinguindo-o do cheesecake americano, é o queijo utilizado: o Twaróg. Este queijo fresco, com uma textura mais firme e um sabor levemente ácido, é o responsável pela textura incrivelmente fofa e menos densa do Sernik. Nas comunidades polonesas espalhadas pelo mundo, manter a tradição do Twaróg é uma forma de honrar a herança. Em substituição, a ricota bem escorrida é a alternativa mais comum, embora o resultado seja sutilmente diferente.
Curiosidades e Tradições Festivas
- Presença Festiva: O Sernik é um doce essencial nas mesas polonesas durante as celebrações mais importantes, como a Páscoa e o Natal.
- Lenda Real: Diz a lenda que a receita foi trazida ou popularizada após a vitória do Rei Jan III Sobieski na Batalha de Viena em 1683, embora as raízes sejam bem mais antigas.
- Variações Infinitas: Existem inúmeros tipos de Sernik, incluindo o Sernik Królewski (real, com base de massa), o Sernik na zimno (sem cozimento) e variações com frutas, chocolate ou até mesmo purê de batata, uma adição surpreendente para umidade.
A beleza do Sernik reside na sua evolução contínua, mantendo, no entanto, o espírito de um bolo feito com carinho para celebrar os momentos mais doces da vida.









