Transcrição – #04 LGBTTs: Suicide Girl

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TRANSCRIÇÃO – HQ DA VIDA #04 LGBTTs: Suicide Girl

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan: Olá, pessoal, aqui é Dan Carreiro, o seu host fanho predileto. Brincadeira, pessoal. Hoje, ao gravar o programa, infelizmente, eu estou fanho. Então, foi um programa difícil de gravar, eu tive certa dificuldade porque estava tossindo muito e estou muito resfriado. Vocês vão ver que quanto mais doente a gente fica, mais mineirês a gente fala. Espero que vocês não se importem com isso. Enfim, vamos para o programa. Como alguns já sabem, esse é o quarto HQ da Vida. Esse é um podcast que tem como objetivo contar histórias. Nessa primeira temporada, iremos mostrar pra vocês histórias de super LGBTs. Espero que vocês curtam, compartilhem, nos deem críticas sobre o programa. O seu feedback é muito importante pra nós. Vocês poderão entrar em contato pela página do Facebook, que é @hqdavida; ou Facebook.com/hqdavida; poderão enviar e-mail para hqdavida@gmail.com; e poderão curtir nosso canal no Youtube, se inscrever, na verdade, né, que é “HQ da vida Podcast”, e no Sound Cloud, onde ficam nossos áudios, é soundcloud.com/hqdavida; Um lembrete, pessoal, nos últimos episódios, eu tenho recebido alguns feedbacks de pessoas que ouviram o programa. Eu queria, na verdade, que quem tem vontade de mandar um feedback, mandasse pelos canais mais apropriados, pra gente não esquecer, e deixar tudo guardado certinho. Porque, às vezes, mandando no meu perfil no Facebook pessoal, eu não consigo gerenciar isso bem. São comentários super relevantes que criticam os programas anteriores, e é legal, eu gosto de ser criticado, é bom ser criticado, sobretudo por pessoas inteligentes. Foram pessoas, assim, que fizeram comentários muito, muito, muito valiosos. E que ficaram perdidos nos meus chats de Facebook, de Whats App, por aí. Então, eu fico esse comentário de vocês. Beleza? Então, agora vamos falar sobre a nossa convidada do dia, ou melhor, a nossa super heroína do dia. Ela é uma… SUPER HEROÍNA (entre risos), mãe e bissexual. Vamos ouvir, aí, a apresentação da nossa super heroína do dia.

(EFEITO SONORO DE APLAUSOS)

Aninha: Sou conhecida como Aninha de Paula, tenho 30 anos, sou casada, mãe, bissexual, formada em Artes – Teatro, trabalho como gerente comercial.

Dan: Então, pessoal, como vocês viram na apresentação da Aninha, e também na minha apresentação, estamos a falar, hoje, sobre bissexualidade. Só pra vocês saberem, hoje é o dia da visibilidade bissexual, 23 de setembro. Pra quem tiver ouvindo hoje (entre risos) ou pra quem tiver ouvindo depois, mas, enfim. 23 de setembro é o dia da visibilidade bissexual. Por que temos que falar da bissexualidade e vivências bissexuais? Principalmente por causa de VISIBILIDADE mesmo, de fato. O que acontece, algumas pessoas nem acreditam que existe bissexualidade, pra começar por isso. As pessoas bissexuais costumam sofrer preconceito tanto por pessoas do meio LGBT, quanto do meio dos héteros. Então, o que acontece, essa dualidade de sofrimento de preconceitos é muito ruim. Cada pessoa tem uma experiência, uma vivência, e sofre preconceito em níveis bem distintos. Tem pessoas que sofrem preconceitos, mulheres, por exemplo, desde o estupro corretivo, segundo a cabeça do agressor, né, pra ela deixar de gostar de mulher, eventualmente, né, parar de fazer isso; Ou, pasmem, eu vi esses dias um texto e eu fiquei sem o que falar, sem argumentar. Ainda bem que não foi na minha timeline, mas de algumas amigas minhas bissexuais, do meu Facebook, comentando que viram textos falando que as mulheres bissexuais são vetores de doenças para as mulheres lésbicas. Basicamente, era essa a chamada. Então, os bissexuais têm muito, assim, todo mundo acha que é uma pessoa disponível, ou é sinônimo de promiscuidade, ou confusão, porque não sabem o que querem, ou, como eu havia falado, são responsáveis por espalhar doenças sexualmente transmissíveis, enfim. São tantos mitos que envolvem essa bissexualidade, que nosso programa tem o objetivo de bater um papo com pessoas, de mostrar suas vivências e desvelar essas lorotas, asneiras que as pessoas pensam e, também, nem tiram um tempo pra estudar, ou ler sobre determinado assunto. Eu estou aqui com a página aberta, que é um texto do Estadão, saiu hoje, da Nana Soares, é o blog “Reflexões sobre gênero, violência e Sociedade”. Ela começa a falar de algumas questões que os bissexuais sofrem como preconceito. E aí, ela começa o texto, basicamente, falando que as pessoas da letrinha, né, da sigla LGBT, os Gs são os que mais têm visibilidade. E acaba que todos os demais membros dessa sigla sofrem em alguma medida, em algum grau. Sobretudo as mulheres lésbicas, as pessoas bissexuais e principalmente as pessoas transexuais, no nosso país, que é o país que mais mata transexuais. Mas, voltando e falando sobre bissexuais… Ah, só pra esclarecer, existe a possibilidade, também, de termos pessoas transexuais e bissexuais, porque identidade de gênero não tem nada a ver com sexualidade. Ok? Só pra desmistificar, se alguém tiver pensando isso ainda, em pleno século 21, ou em pleno 2016, ano em que redes sociais andam propagando isso à torta e à direita. Inclusive, tem uma convidada, que eu desejo que ela venha, um dia, conversar conosco, e ela é bissexual e trans. E candidata a vereadora de Campinas. Na verdade, ela é travesti. Mas, enfim, voltando e falando sobre os bissexuais. Os bissexuais não são meio uma coisa e meio outra, só pra vocês entenderem. Eles não são héteros que resolveram experimentar ter experiências gays, ou lésbicas, né. Uma mulher que namora um homem não virou hétero, se ela for bissexual, ela continua sendo bissexual. Se ela namora uma mulher, ela continua sendo, e não uma lésbica. Não significa que ela é uma mulher promíscua, e nem que ela tem obrigação de fazer ménage ou qualquer outra coisa do tipo. Bissexualidade não impede ninguém, na verdade, de ser monogâmico. Sobre a homo e a bissexualidade feminina, elas são extremamente fetichezadas, e isso é diferente de dizer que são pessoas respeitadas. Então, nenhuma mulher tem que exercer sua sexualidade pensando no quanto vai agradar ao olhar masculino. E bissexuais não necessariamente se atraem por homens e mulheres na mesma proporção. Ok? Temos que falar sobre isso, e vamos começar, aqui, a entrevista com a Aninha.

Dan: Eu gostaria de começar o programa, e a primeira pergunta que eu gostaria de te dizer, te fazer, na verdade, era sobre quando você percebeu que você era bissexual? Quando você primeiro fez essa… Antes de falarmos sobre infância, quando você se posicionou como bissexual? Quando você teve essa percepção dessa sua orientação?

Aninha: Tá, eu… Me posicionar, é diferente. A gente sente isso durante a vida, mas você encarar e aceitar a posição, acho que requer alguns… Requer aceitação, também, até pessoal. Então, isso foi depois que a Vicky nasceu.

Dan: Só pra os ouvintes saberem, né, você tem uma filha de quantos anos?

Aninha: 11 anos.

Dan: Isso aí já foi aos seus, mais ou menos, que idade?

Aninha: 19, 20, mais ou menos.

Dan: 19, 20. Só para esclarecer para os ouvintes, a Aninha é uma grande amiga de infância, de infância, praticamente. Eu fui descobrir que ela era bissexual (ele fala entre risos) antes de gravar o programa.

Aninha: ABSURDO!

Dan: Não que ela escondia (ainda entre risos). Eu que não sabia. Aí, eu procurei uma amiga dela, e me indicaram ela. Eu falei, como assim? Ela é bi? Eu não tava sabendo disso, não. Tipo assim, como eu deveria saber, também, né? Mas, enfim, eu não deveria saber de nada, mas eu não sabia dessa bissexualidade de uma amiga. Você falou que a gente sabe, desde sempre, da vida, e se posicionar é diferente de saber. Realmente, isso funciona também, igual aconteceu comigo em relação à minha homossexualidade. Porém, no meu caso, né, como homossexual, eu tive alguns insights, sobre a minha homossexualidade. Insights da infância, um crush leve em alguns coleguinhas, sabe? Algumas coisinhas, assim, que a gente não sabe identificar o que é, a gente tá gostando daquele coleguinha, mas será que ele é só amigo? Como que funciona isso? E, no caso, você já teve alguns pequenos crushes, assim, algumas coisinhas de infância que seriam… que é normal socializar a menina com o menino, né, o menino com a menina. Mas, aí, quando quebra esse padrão, como funcionou pra você?

Aninha: Ah, eu vou um pouco contra aquela ideia de que… não que a criança seja ingênua, ou seja super inocente, não entende nada… Há um instinto, e começa dali, da infância mesmo. Eu descobri muito cedo, eu devia ter uns 5, 6 anos, quando eu me interessava pelas minhas amiguinhas, entendeu? Então, pra mim, era uma coisa normal, até certo ponto em que minha vó presenciou algum fato, entendeu, alguma coisa, assim, alguma brincadeira que ela não achou interessante.

Dan: Achou, tipo, que aquelas brincadeiras de criança, que são comuns, mas acho que já foi repreendida, no caso…

Aninha: Exatamente. Aí, eu fui repreendida e deixei isso de lado, por muitos anos da minha vida. Mas eu gostava daquilo, eu sentia que aquilo ali era legal. E era sempre com meninas, com amigas. Os amiguinhos não me chamavam atenção, até então. Mas, acho que pela proximidade, também.

Dan: E sua primeira experiência, assim, com uma mulher mesmo, de fato, foi quando?

Aninha: Ah, eu devia ter uns 18.

Dan: E falar nisso, você, no caso, acabou que você, como não teve uma socialização ou uma vivência de adolescente lésbica, na escola, você não teve aquelas vivências de preconceito, de fetichezação que os meninos têm com meninas lésbicas, em escola, né? Isso passou batido, de certa forma. O que é bom, né, no caso. Só no sentido de preconceito…

Aninha: Eu convivi muito com preconceito, exatamente. Ver amigas sofrendo preconceito por isso. Mas eu não me via naquela situação. Era como se eu fosse contra o preconceito, mas como se ele não me atingisse, porque eu não sabia exatamente o que eu tava sentindo ali. Eu namorava uma pessoa, eu gostava de ficar com a menina, mas eu não me considerava bissexual. Era um pouco confuso, pra mim, na época.

Dan: Essa questão da bissexualidade, eu não sei como funciona, na verdade, para as mulheres, a diferenciação muito clara entre mulheres e homens. Parece que, pra sociedade, as mulheres bissexuais são consideradas, em algum momento, como confusas. Porque ficou com mulher, mas pode voltar a ser heterossexual, conforme o que as pessoas entendem, né, eles não visualizam a bissexualidade.

Aninha: É, não. Na cabeça das pessoas, assim, por exemplo, eu sou casada, então eu sou hétero. Não. Eu tenho as minhas necessidades. Eu digo que é quase fisiológico, isso. Mas eu sinto atração, então eu não consigo me ver vivendo, a vida inteira, só me relacionando com homem, entendeu?

Dan: Entendi.

Aninha: Mas eu entendo que as pessoas me vejam como confusa por essa questão, aí, que eu sou casada com um homem, então eu sou confusa.

Dan: Você tá casada há quanto tempo?

Aninha: Hum, oficialmente, 2 anos.

Dan: E você e João estão juntos há quanto tempo, na verdade?

Aninha: 5 anos.

Dan: E durante esse período de conhecer o João, e você tinha saído de outro relacionamento heterossexual, no caso, né?

Aninha: Uhum. Já.

Dan: O que você acha que foi esse início de namoro, em relação a como ele te via, e funcionava?

Aninha: (ela solta um riso) sempre em relação a isso foi muito tranquilo, porque ele me conheceu já sabendo disso. Então ele encarou junto comigo. E foi o que me fez desencantar, um pouco, com outras pessoas do meu passado, que não entendiam essa minha posição. Então, é o que acabou dando certo na nossa relação.

Dan: É o que, na verdade, a gente tinha conversado antes de começar a gravação, que a questão de muito homem, né, ver a mulher bissexual mais como uma questão de fetiche, não de uma questão, como uma orientação sexual mesmo, na verdade, da pessoa.

Aninha: Sim. É muito fácil encontrar homem que queira se relacionar com a mulher bi pra conseguir outras mulheres, entendeu. Mas você encarar um relacionamento sério, onde a pessoa se assume bissexual e vê outras pessoas ou parentes ou familiares falando sobre aquilo, é diferente. Você tem que entrar naquilo ali de cabeça.

Dan: É muito comum, no caso, os homens quererem relacionar-se com mulheres bissexuais apenas pela questão da fetichezação. Mais no sentido da maioria dos homens. Porém, o ménage é uma prática que é interessante, seria legal. Só que isso tem que ser com uma questão de consentimento de ambas as partes, existe toda uma história que tem que ser bom para os dois, não só pra uma pessoa, no caso. Vocês já tiveram esses tipos de experiências, como que foi? Se não, já pensaram? (Aninha ri) Responda se quiser (ele ri).

Aninha: (entre risos) (incompreensível) outra questão, então, na entrevista (ela ri mais). Tá, vamos lá. A gente vive essa experiência (solta outro risinho) constantemente, com frequência, porque é uma necessidade minha, entendeu. Então, eu não deixo ele de fora das minhas necessidades. Ele participa comigo.

Dan: Eu conheço alguns casais que fazem ménage. E eu acho, assim, eu não tenho essa experiência em relacionamento. Então, eu não posso nem falar muito sobre, pois eu acredito que é uma coisa, assim, só deve funcionar quando é bom para as duas pessoas. Eu acho que, se não for bom para as duas, eu acho que é meio complicado…

Aninha: Não, tudo muito conversado. Tudo é diálogo. Você não entra nessa se você não confia em quem tá com você. É muito de parceria mesmo.

Dan: Eu não sei se você já leu algumas coisas, ou já vivenciou isso, o mito da eterna pessoa incompleta. Por exemplo, você está atualmente num relacionamento heterossexual. E aí, essa pessoa que você está não se sente completa, entendeu? Na verdade, não é a pessoa. A pessoa sempre acha que você  não se sente completa e que sempre vai querer buscar novas experiências, mas de uma forma, às vezes, não honesta. Que é o que as pessoas muito pregam. E quando elas estão num relacionamento, por exemplo… vocês tão num relacionamento mulher com mulher, no caso, a outra parceira, caso seja apenas lésbica, existe também um sentimento de cobrança, de ciúmes, em alguns tipos de relacionamentos que extrapolam não só a sexualidade das pessoas, mas também a forma como as pessoas se relacionam. Você já ouviu, já viveu, já teve alguma experiência com isso? Não acredito que seja com o João, mas em outras situações.

Aninha: Não que eu me lembre, Dan. A gente procura pessoas que tenham a mesma relação que a gente, pra não ter esse tipo de problema. Ou seja, eu busco sempre mulheres bissexuais que entendam a minha situação, e que compartilhem o que eu vivo, e que compartilhem toda minha vivência, também, de ser casada com um homem, de querer sair com outra mulher, entendeu. Ou ter essa necessidade, essa atração. Então, a gente procura evitar qualquer tipo de problema, por sermos casados.

Dan: Você tem uma filha de 11 anos. É  uma idade que começa a perguntar muitas coisas, né? Ela já te perguntou alguma coisa relacionada a isso? Ela já teve acesso a alguma coisa relacionada a isso? Como que funciona na cabecinha dela?

Aninha: Ela é muito espertinha pra idade dela, então tudo que ela me pergunta eu tenho que ser o mais clara possível com ela. Já apareceu em algum contexto, assim, que ela estava assistindo, o termo bissexual, ou homossexual, seja o que for, ela sempre pergunta, eu sempre respondo. Eu não costumo titubear com ela, não. A conversa aqui é bem franca. Mas, sobre mim, ela nunca questionou nada. Ao contrário. Ultimamente, ela tem feito umas perguntas sobre nudes, essas coisas (ambos soltam risos nervosos), então ela tá bem por dentro das coisas que acontecem (ela ri mais).

Dan: Eu acho que vem naturalmente, essas perguntas, e realmente, a atitude sua é igual à que eu tinha em relação à minha irmã. É porque ela me perguntou, com 11 anos, como que funciona a minha vida mesmo, se eu sou gay (Aninha ri), e se meu namorado era fulano de tal… Não, na época, o meu marido, se era o Wagner… E como que funcionava. E eu senti que eu tinha que ser direto, não tinha como correr de nada. Porque, no fundo, quando eles perguntam, eles já sabem muito bem o que eles querem ouvir de resposta. Então, por isso que eu…

Aninha: Se você responde, eles sentem que podem confiar na gente, entendeu. Tem essa questão de confiança.

Dan: E na relação familiar, essa questão da bissexualidade gerou algum problema? Como que funciona entre irmão e pais? Como que é visto isso, ou é um tabu que nem é discutido?

Aninha: Não, nunca foi discutido. A  minha família é bem tradicional. Você conhece, sabe como é (ela ri).

Dan: (entre risos) Muito.

Aninha: É religiosa, fervorosa. Então, assim, eles sabem, mas ninguém comenta, ninguém entra em discussão  sobre isso, porque, pra eles, na cabeça deles, não é correto. Eu respeito o espaço deles. E eles respeitam o meu, não entrando no assunto. Eu não aceito nenhum tipo de preconceito, mas a gente tenta não discutir sobre isso pra não dar o que falar. Entre irmão, não. Meus irmãos sempre souberam, nunca escondi isso de ninguém, mas também não é uma coisa que a gente conversa entre a gente, não.

Dan: é apenas um detalhe, né? Tem hora que essa naturalidade, também, como que é posta algumas situações, é bacana. O não discutir, quando a pessoa evita, é que pode ser problemático, né. Mas é natural também, talvez seja muito…

Aninha: A convivência é muito boa. Muito boa. Eu nunca tive nenhum problema quanto a isso. Mas, no caso, minha mãe e meu pai não entram no assunto, não conseguem, né. Acho que não têm nem argumento e nem o que falar sobre isso. Não entendem, na verdade. É como se fosse um mundo à parte.

Dan: Talvez, a forma que eles utilizam, de não entrar muito no assunto é também de mostrar, talvez… A forma deles lidarem é essa e pronto. Não precisa…

Aninha: Eles não entendem, mas eles aceitam… Eles respeitam meu espaço, como uma mulher adulta que sabe o que tá fazendo.

Dan: eu vou te perguntar várias coisas que, como a gente se acompanha pelo Facebook, então é bacana de te perguntar algumas coisas polêmicas. Uma delas que eu vou perguntar, são as fotos. Inclusive, depois  você vai falar um pouco, pra nós, sobre “Suicide Girls”. Por exemplo, eu vejo que você prega uma liberdade da mulher ser quem ela quer ser, e postar o que ela quiser postar. Que poste peito, que poste bunda, que poste o que for. Que poste o corpo e, eu não sei, eu acho que até suas fotos pessoais como até uma forma de arte. Porque o tipo de foto, são fotos muito bonitas. Eu queria saber um pouco o que você pensa sobre essas fotos, e como que você acha que isso impacta, pensando em vários cenários  que você tem na sua timeline. Desde nós, daqui dessa cidadezinha bem, como é que fala? PROVINCIANA. Desde você, aí, na capital, com outro grupo de pessoas, no meio profissional, no meio de amigos. Como que você imagina que isso chega nas pessoas? E como que as pessoas veem essa situação. E como que você não importa com o que as pessoas pensam, isso já é óbvio, né. Mas como que você acha que isso é encarado, e o que é que você acha disso?

Aninha: Mas é por eu não me importar que eu acabo fazendo, porque meu foco não é o que as pessoas vão pensar, meu foco é tentar mostrar que as mulheres não precisam se preocupar com tudo que é dito sobre elas, o que elas devem ou não fazer. Isso sempre me incomodou muito, a mulher taxada como puta, como sem valor, porque rebola na internet, porque mostra alguma parte do corpo. Eu não aceito isso. Eu acho que todo mundo faz o que quer, entendeu. Isso é a liberdade. Lógico, ninguém é obrigado a nada. Ninguém é obrigado a ver o que eu posto. Por isso tem a opção lá, seguir, curtir, ou não. Ou deixar de fazer isso.

Dan: Bloquear (ele ri).

Aninha: bloquear, que seja. Eu perdi muitos amigos nessa aí, oh. Mas eu quero mostrar pra as outras mulheres, que acham que o marido tem que aprovar ou não a atitude delas, que elas não precisam disso, que elas têm que fazer o que elas sentem vontade. Eu faço, simplesmente, o que eu tenho vontade de fazer. E, às vezes, o próprio João Paulo me fala, comenta em alguma foto minha, perguntando “nossa, você postou essa foto!” Ou então, faz algum comentário, porque ele não espera que eu poste. Mas ele não estranha, porque ele tá acostumado como esse meu jeito de… eu posso fazer, eu vou fazer, eu faço quando eu quiser, entendeu. E isso é legal porque você acaba tomando a frente da sua vida, das suas vontades.

Dan: E eu acredito até que, pra algumas pessoas, alguém, em algum lugar, isso vira até um modelo. Você acredita nisso também?

Aninha: Sim. Houve alguns debates sobre isso, com algumas meninas do meu Facebook, que viram as fotos e que começaram a postar fotos parecidas, e vieram me agradecer pela iniciativa, que elas tiveram coragem, que elas ainda não conseguem conversar com a família sobre isso, mas que as fotos é um ponto de partida. E eu fico realmente muito feliz por isso. Porque é como se eu tivesse incentivando a coragem, aguçando aquilo ali dentro delas, falando que elas precisam se libertar daquilo ali.

Dan: Outra coisa que era pra você falar pra mim, a questão do Suicide Girls, que você tem um perfil lá. E como que funciona esse site? Explicar para os ouvintes esse ensaio que você fez. Como que funciona e como que saiu esse convite e como que você foi parar lá? (entre risos) Explique pra nós, fazendo o favor…

Aninha: Eu fiz o ensaio… o primeiro eu fiz com o Neto Macedo, né, aí de Montes Claros mesmo, que foi pro Libertine. E daí, surgiu a vontade de ampliar o caminho, procurar outras coisas. E foi quando eu conheci a Caixa Suicide. Fui recrutada pro site, fiz o ensaio aqui em BH mesmo. O Suicide busca modelos alternativas que fogem dos padrões estipulados pela mídia, mulheres que querem se libertar daquele padrão certinho, a mulher gostosona, a bonitona. Simplesmente, querem se mostrar, o que elas são mesmo. Então, o site é muito bacana, se encontra vários estilos de mulheres ali. De todos os tipos mesmo, de todo canto do mundo. Com ou sem tatuagem, de todo tipo de corpo. E isso me atraiu no site. E agora tá lá, o ensaio sai em dezembro (ela ri).

Dan: Já tem o perfil, né.

Aninha: Já tem o perfil. Segue lá. “Aninha de Paula” (ela ri)..

Dan: E como que funciona? Assim, eu vi que tem o perfil no site. É como se fosse uma rede somente de pessoas específicas, ou o perfil é como se fosse um álbum específico da pessoa? Eu ainda não entendi um pouco essa…

Aninha: O site é pra assinantes, na verdade. Vai sair o ensaio fotográfico, os assinantes têm acesso ao site, aos ensaios, todos os ensaios. E a pessoa curte ou não. E aí o Suicide aceita ou não comprar o ensaio. O ensaio fica no ar, independente dele ser bancado ou não. Fica sempre no ar, pra visualizações.

Dan: No caso, pelo que eu entendi, então, à medida que o ensaio for tendo, então, o maior número de views, de curtidas, isso gera algum tipo de indicador, então?

Aninha: Sim, com certeza. E financeiramente também, um retorno.

Dan: Eu dei uma rodada pelo site, e eu falei assim, é realmente, as modelos são todas alternativas, mas eu não tinha entendido que essa era a proposta mesmo, real, de mulheres que fogem do padrão. Eu só não vi se tinha gordinhas, alguma coisa assim…

Aninha: Tem também.

Dan: Ai, que legal. Eu não… É porque, também, o site é muito grande, pelo que eu percebi, e tem muitos perfis, né, de ensaios…

Aninha: Muitos perfis. E tá vindo mais gente de Montes Claros, aí. Só aguardar (ela ri).

Dan: Ai, que bacana (eles riem). Montes Claros mostrando outras coisas, que não essa mente nossa, provinciana (Aninha faz uma réplica, mas é incompreensível). Falar sobre mente provinciana é uma coisa muito importante, porque eu acredito que, tirando as capitais, todas as cidades têm um pensamento muito de interior. E BH, também, é uma grande roça, né. Minhas tias moram aí, e eu vejo que continua naquele mesmo… Tem nichos que são legais, tem nichos que não. Mas parece ainda uma grande roça.  Então, é meio complicado…

Aninha: (incompreensível a mesma coisa, sabe. A diferença é que aqui as pessoas tentam fingir que não se importam. Mas não, é muito parecido.

Dan: Falar sobre essa questão de pessoas que fingem que não se importam. No seu meio de trabalho já houve comentários, assim, maldosos, ou alguma coisa assim, do tipo, em relação tanto à sua postura no Facebook, ou também a questão da sua bissexualidade?

Aninha: Sim, com certeza. Tem gente ali que é bloqueado totalmente da minha vida (ela solta um riso). Porque acha que eu sou uma pessoa sem valor, entendeu? E no meu trabalho, pessoas com quem eu convivo diariamente. É bem difícil pra mim essa situação.

Dan: Geralmente, as pessoas… O meio de trabalho, geralmente, é o mais difícil de conviver. Sobre preconceito, acho que a gente vê em nichos, né. Primeiro família, depois alguns amigos, e depois o meio de trabalho. É difícil de lidar com isso.

Aninha: (incompreensível) piadinhas, do tipo, “ah, a menininha ali ficou com outra menininha”. E aí, no meio de trabalho, você não pode entrar em discussão. Você tem que ficar calado. E você vê aquele preconceito rolando porque as meninas são bi, ou são lésbicas, e tem que engolir. Então, é complicado.

Dan: Mas, então, voltando. Você falando do meio de trabalho, é difícil de se posicionar politicamente no meio de trabalho. Existe alguma maneira que você já tentou, assim, lidar com essa situação mais direta, ou você preferiu evitar ficar discutindo esse tipo de situação?

Aninha: Discutir, eu tento não discutir, porque eu entendo que o meio de trabalho não cabe isso. Mas eu sempre tento dar uma cutucadinha, a ponto de mostrar que a pessoa não tá certa, que ela tá sendo preconceituosa, e que talvez pode ter alguém ali muito perto dela que viva a situação que ela tá julgando. Então, a partir dessas cutucadas que a gente dá, a gente percebe que as pessoas começam a mudar, porque elas entendem que aquilo ali acontece com você, e que você vivencia aquilo. E eu convivo com muito homem machista, muito. Então, os comentários maldosos, é muito frequente. E o João também, que é meu marido, ele também convive com gente machista, que não concorda com o posicionamento dele diante do relacionamento, ou do jeito que a mulher dele se comporta.

Dan: Em relação, também, ao meio LGBT, você já sofreu algum preconceito vindo de um próprio gay, ou de uma lésbica, que não consegue ver a bissexualidade como uma coisa que, de fato, exista?

Aninha: Uma única vez, Dan, que eu fui numa festinha e… um pouco alterada, né (eles riem)…

Dan: é. Festa, né.

Aninha: Acabei beijando uma menininha, e outra menininha, que era lésbica, falou que eu tava ocupando espaço ali, que eu tava roubando espaço, como se eu, bi, não contasse, eu estivesse ali só pra atrapalhar alguma coisa, porque ela era a lésbica e ela tinha prioridades. Mas eu entendi que, como pessoas embriagadas, eu deveria sair fora da discussão. Então, não rendi assunto e ficou por isso mesmo. Mas foi a única vez que eu realmente sofri isso assim, que ouvi algum comentário do meio LGBT que não me agradou.

Dan: É porque, na verdade, a gente espera empatia mais dos LGBTs, do que…

Aninha: Exatamente.

Dan: … dos héteros, né.

Aninha: E eu me senti A CONCORRENTE ali, sabe. Não foi legal.

Dan: Ai, ai. Mas, enfim. E já conversamos aqui sobre as questões do trabalho, relações familiares, questões de infância, tem um lapso aí, de infância até adolescência, né? Os 18 anos, de começar a viver a sua bissexualidade de forma plena. Aí, agora, eu queria te perguntar mais essa questão do seu casamento, só pra gente finalizar, que a gente ficou de conversar um pouco com o João. Ele tá aí de olho ainda, né?

Aninha: (entre risos) Tá aqui, do ladinho.

Dan: Então, eu queria conversar com o João, que era o seguinte. Como que ele encara isso, sendo ele um homem hétero, tendo toda aquela socialização machista, como que ele conseguiu desconstruir isso e como que foi essa trajetória dele? Ou se foi uma trajetória a partir de Aninha, ou se foi uma trajetória um pouquinho antes de conhecer a Aninha?

João: É pra eu responder, ou pra ela? (Aninha ri alto)

Dan: (rindo) Na verdade, João, eu comecei a fazer a pergunta, mas é porque eu ainda tô acelerado. Mas vamos fazer o seguinte, apresente-se pro nosso ouvinte, né. Na verdade, eu sabia que você estava aí, mas eu não o apresentei para os ouvintes.

João: Então, eu sou João Paulo, o marido da Ana. Tenho 31 anos, acho que não tem mais o que falar não. Acho que agora, o que interessa pro assunto, agora, é que eu sou o marido da Ana. Acho que é basicamente isso (todos riem).

Dan: (entre risos) Basicamente isso, né. Então, João, como que funciona essa questão de como você vê a bissexualidade, como você foi desconstruindo isso ao longo do tempo, e se isso foi… É um combo de perguntas. E se isso foi pré Aninha ou pós Aninha, como que funcionou essa desconstrução sua em relação a isso.

João: Então, fazendo aquele apanhado desde sempre, como você tinha falado “quando”. Eu não via com naturalidade na adolescência. A verdade é essa, assim. Inclusive, esse termo, desconstrução, pra mim, é muito novo, sabe. Coisa de, acho que não mais de um ano, assim. Eu vinha fazendo isso, mas sem saber do termo em si. Era o cara que apontava o dedo, fazia gracinha, sabe. E que achava que tava só fazendo gracinha, na verdade. Mas, com o tempo, eu fui percebendo que, talvez, não fosse só gracinha, entendeu. Talvez não fosse. Eu me escondi, muito tempo, atrás do discurso de “nossa, o mundo tá muito chato, tá tudo muito chato”, entendeu. Como se fosse uma maneira de falar assim, “não, me deixa e vai viver sua vida, eu vou viver a minha”. Mas, vivendo a minha vida do jeito que eu vivia, eu acabava apontando o dedo pra outras pessoas, entendeu. Não julgando outras pessoas, mas que acabava machucando, de certa forma, entendeu, quem tivesse próximo, alguma coisa assim. Porque, na minha inocência, entre aspas isso, não era pra chatear ninguém. Era pra ser divertido, vamos dizer assim. Mas aí eu fui vendo que não era bem engraçado, entendeu. Principalmente pra quem escutava, eu acho, assim. E aí, isso foi acontecendo naturalmente. Conhecendo a Aninha, e tal, eu fui aprendendo a ver que não era exatamente assim como eu imaginava que fosse. E esse termo, desconstrução, apesar de ser muito novo, eu já vinha fazendo isso, de certa forma. E com ela, com certeza, deu uma aflorada, realmente, a abertura foi maior, porque, de certa forma, não tinha como dar certo  nosso relacionamento, se eu não estivesse aberto a entender, né, como é que funciona as coisas, assim. Então, mas foi muito natural, sabe, não foi nada forçado. Essa questão que eu falei, de preconceito, tal, tal, foi há muito tempo, assim, na minha adolescência, mesmo, que eu me lembro de apontar o dedo, assim,  tudo mais. Mas até por causa do ambiente que eu vivia, que era extremamente machista, etc. com os meus amigos, colegas, e tal…

Dan: Você era daqui de Montes Claros, ou você vinha a Montes Claros naquela época? Eu tenho essa confusão…

João: Eu sou de Montes Claros, nascido e criado em Montes Claros.

Dan: Ah, então faz sentido o que você pensava (Dan ri). Oh, João, muito obrigado. Eu queria só inserir essa fala sua no programa, porque eu acho que é importante também, né, falar sobre a questão de que bissexuais podem se casar, não importa com quem. Na verdade, a gente pode fazer o que a gente quiser da nossa vida, né.

João: Aham. Não só pode, inclusive eu indico (Dan ri).

Dan: Isso é bacana. Essa relação de vocês. Eu acho isso muito importante, algumas pessoas visualizarem isso porque, provavelmente, tem gente que… Não sei que dia… Que alguém pode ouvir isso e falar, “ah, eu posso ter uma vida parecida com essa!” Então, é interessante a gente deixar essas… mensagens…

João: Eu acho que a chave… O cerne da questão, na verdade, é o respeito. Tem que respeitar a outra pessoa. Ninguém tá aqui pra completar ninguém. A gente tá aqui pra somar uma coisa com a outra, entendeu. Vamos supor, ela posta uma coisa, o pessoal fala “nossa, como o João Paulo é bacana, ele aceita. Como o João Paulo é bacana!” (Dan ri) Não. Não sou eu que sou bacana. Bacana é ela que tem coragem de fazer isso tudo. O fato de eu estar com ela é justamente por eu gostar disso nela, entendeu. É um traço da personalidade dela que eu admiro bastante, entendeu. De se impor, independente do que os outros vão pensar. Então, eu acho que é só respeitar mesmo, e tentar tirar o que tem de melhor da situação. Eu acho que pra tudo na vida, né.

Dan: Na verdade, ela não seria diferente de impor e mostrar o que ela é e quem ela é, nunca suprimiria. Porque eu conheço Ana, nem sei tem quantos anos. Mas ela sempre foi assim (Dan e Ana riem).

João: Eu até brinquei com ela, que o pessoal falou assim, “nossa”… Algum comentário na rede social dela que, “nossa, ele é bacana, ele aceita!” Aí eu brinquei, disse “eu não aceito nada, se eu não aceitar eu  não tô com você, então…” (Dan ri alto).

Dan: Eu acho que é bacana, é respeitar…

João: (incompreensível) … e que era o jeito dela, então, assim, eu tenho que me adaptar de alguma forma, entendeu. E como não me incomodava, de forma alguma, pelo contrário, é um traço forte da personalidade dela que me agrada muito, entendeu. É a questão de felina, assim, ela se impõe e se você gostar, bem, se você não gostar, quem tem a perder é você. Então, mais ou menos isso.

Dan: Bacana.

(VINHETA: efeitos sonoros de distorção do áudio, uma voz anuncia “Momento Super heroína do dia!”)

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Ana, pra finalizar nosso programa, eu gostaria de te perguntar o seguinte. Se você tivesse um super poder, qual seria esse super poder seu?

Aninha: (solta um risinho) Não posso falar o que o João falou aqui, agora, não (Dan ri alto). Meu super poder… Eu sou influenciadora (eles riem).

Dan: Alguma coisa mental, né.

Aninha: E, só pra constar, a gente se conhece há 21 anos, tá.

Dan: É mesmo?! (ele ri)

Aninha: Muito tempo! (ela ri)

Dan: é! 21 anos mesmo!

Aninha: Caramba.

Dan: Olha, gente, só pra vocês saberem, a gente veio de um lugar que (Aninha ri) é muito provinciano. Era um bairro, assim, aquele bairro tão, tão distante, até parece um conto de fadas, só que era horrível. Enfim, não falemos sobre isso. Falemos somente sobre bissexualidade, né, Ana? Mas, enfim, Ana, muito obrigado pelos seus depoimentos. Eu achei bacana ouvir essas histórias suas e como que funciona. Eu só queria te fazer uma pergunta, que eu esqueci de fazer durante o programa, se você chegou a ter algum relacionamento… Namoro, curto ou longo, com alguma mulher, durante algum tempo?

Aninha: Namoro, não. Eu fiquei com uma pessoa por algumas vezes seguidas, mas não, não deu certo (ela ri).

Dan: Entendi. Enfim, eu fiquei pensando aqui, depois algum ouvinte poderia questionar sobre isso, porque a gente focou tanto no casamento e como lidar com a família e com filhos, e esquecemos um pouco do passado. Mas, enfim, muito obrigado. Muito obrigado, João, também, pela participação. Foi maravilhoso gravar com vocês. Espero que os ouvintes…

Aninha: gostem também!

Dan: Gostem! E não… Minha voz tá muito horrível, mas a obrigação de gravar e cumprir a agenda, eu tive que fazer. Mas enfim, muito obrigado. Você quer deixar alguma mensagem final, indicar alguma coisa, indicar seu perfil do Facebook, pra poder te acompanhar, enfim, o que você quiser, Twitter, o que você achar melhor…

Aninha: NO Instagram é “aninhadpaula”, sem o “E”. ANINHA D PAULA. E no Facebook também, segue lá. Eu não faço nada que eu não faça na minha vida, eu mostro tudo que eu faço, do jeito que eu sou, do jeito que eu quero. E, gente, é isso, não tenham medo. O mundo tá aí, a vida é só essa, acaba muito rápido, passa muito rápido. Vivam!

Dan: Ana, muito obrigado.

Aninha: De nada, Dan!

Dan: Um beijo!

Aninha: Beijo! Tchau.

Dan: Então, pessoal, é isso. Eu sempre quis fazer uma pergunta pra mim mesmo, uma vez que eu não tenho colegas como host. Então, temos uma HQ sem quadrinhos? Essa é uma cópia do Mamilos, viu, pessoal? Sim, sim, sim. Enfim, finalizamos, aqui, mais um programa. Aninha, novamente, muito, muito, muito obrigado. Desculpe estar fanho, eu tive que cortar o áudio várias vezes, pra não te atrapalhar com a tosse. E pra finalizar, né, temos que fazer aquela indicação que, todo programa, a gente faz. Só que, antes de fazer essa indicação, eu queria falar um pouco sobre invisibilidade bissexual, como que é tão grande. Existe uma série de artistas famosos, conhecidíssimos, e às vezes, as pessoas acham que é uma pessoa que era hétero, ou lésbica, ou gay, e nunca colocaria como bissexual. Primeiramente, tem a minha querida Frida Kahlo, que eu amo pra caramba; Tem o Billie Joe, do Green Day; Drew Barrymore; Fergie; a Preta Gil, inclusive eu não sabia que a Preta Gil era bissexual; Angelina Jolie; Megan Fox; Alanis; Ana Carolina; Amy; Marlon Brando também era; Lady Gaga; nosso querido e grande Cazuza; meu grande, grande Freddie Mercury; e também o meu queridíssimo David Bowie; e Renato Russo; Miley Cyrus também é. A lista é enorme, de atores que eram ou são bissexuais, e a gente não sabia. E a minha indicação do livro é um livro que eu li há muitos, muitos, muitos, muitos, muitos anos mesmo. Provavelmente, eu li há 15 anos. Foi o livro da mãe do Cazuza, que se chama “Cazuza – Só as mães são felizes”, da Lucinha Araújo, que é o depoimento a Regina. Então, só pra vocês entenderem, tem uma parte no livro, que ele fala assim pra mãe dele; a mãe dele pergunta se ele é homossexual, e aí ele fala com a mãe dele. “Olha, mãe, eu não sou nem uma coisa, nem outra. Porque ainda nada é definitivo na vida. Você pode dizer que eu seja bissexual, porque não fiz minha escolha ainda. Um dia posso gostar de um homem, como no outro, gostar de uma mulher, então não fique preocupada com isso.” Apesar de ser uma frase meio estranha, parecendo que o bissexual é uma pessoa indecisa, existem várias partes do livro que ela aborda essa questão da bissexualidade do Cazuza. Só quis mostrar um trecho pra vocês. Mas eu lembro que é um livro bacana, a história do Cazuza é uma história interessante, né. Enfim, fica aí pra vocês essa indicação do livro, que é da Lucinha Araújo. Ok? Por fim, pessoal, não se esqueçam de curtir nossa página no Facebook, “HQ da Vida”. Nosso canal no Youtube, se inscreva lá também, o nome é “HQ da Vida Podcast”, não esqueça de colocar “Podcast”. E por falar em Youtube, eu já falei no episódio anterior, estamos precisando de uma galera pra nos ajudar a transcrever os episódios. O interessante seria termos a iniciativa de várias pessoas, para transcrevermos pequenos trechos, e não sobrecarregar ninguém. Essa ideia visa criar acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva. Se souberem de alguém, ou tiverem interesse, compartilhem nossa ideia e entrem em contato conosco. Nosso e-mail é hqdavida@gmail.com; a página é “HQ da Vida”, e o canal do Youtube é “HQ da Vida Podcast”, como eu havia falado. Se você quiser contar uma história, mandar uma cartinha, fazer reclamações, dicas e críticas sobre o nosso programa, pode entrar em contato conosco. O seu feedback é muito, muito, muito importante. Enfim, muito obrigado. E um recadinho final, infelizmente, até a gravação desse episódio, né, nosso feed está fodido. Então, estamos lá no Sound Cloud, mas não estamos no iTunes e nem nos apps de Android. Então, vamos embora ver se essa cena dessa saga chamada “feed fodido” seja resolvida no próximo capítulo. Ok? Enfim, não deixem de curtir nossa page, nem de se inscrever no nosso canal. “HQ da Vida” e “HQ da vida Podcast”. Um beijo e até a próxima!

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

FIM

 

(Transcrito por Sidney Andrade)

 

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