Transcrição – #12 LGBTTs: O Corvo

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TRANSCRIÇÃO – HQ da Vida #12 LGBTTs: O Corvo

 

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

 

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

 

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

 

Sidney: Eu sou Sidney Andrade e este é o HQ da Vida número 12!

 

Dan: Esse é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo de contar histórias de super LGBTs.

 

Sidney: É, menino! Olha, Dan, e agora, nesse, eu tô preocupado. Será que vão acusar a gente de trair o movimento?

 

Dan: Estou preocupadíssimo! (ele ri)

 

Sidney: Porque, olha só, a gente trouxe um homem cis hétero! (ele suspira de espanto)

 

Dan: Chocada!

 

Sidney: Pã-pã-pã!

 

Dan: E por quê, Sidney?

 

Sidney: Porque o Tiago de Lima Castro, além de ser um querido, é assexual. Então, vamos agora ouvir a experiência de vida do Tiago, que é assexual.

 

Dan: Pode se apresentar, Tiago, para nós, por favor.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Tiago: Meu nome é Tiago de Lima Castro. Profissionalmente, eu sou músico, sou filósofo. E tenho 32 anos. 32 anos, né, sou assexual. podcaster aposentado, e por aí vai…

 

Sidney: tu mora onde, Tiago?

 

Tiago: Ah, é. Eu moro em São Caetano do Sul, na região do grande ABC do Estado de São Paulo.

 

Sidney: Aham, sim. E aí… (Dan fala em uníssono com Sidney) E sobre o podcaster aposentado?

 

Tiago: é, então, eu participava do Randomcast, que é um podcast que acabou, né.

 

Sidney: Que legal, mas era sobre o quê teu podcast?

 

Tiago: Ah, era sobre… Bem aleatório mesmo, dependia do tema do dia…

 

Sidney: Sim! (risos)

 

Dan: Da treta, né… (risos)

 

Tiago: é… às vezes falava de filme, ás vezes falava de História. Gravamos sobre hospital psiquiátrico também.

 

Dan: Olha só!

 

Sidney: Eu acho que eu cheguei a ver você compartilhando um link, então. Lembrei, agora, sobre…

 

Tiago: É, teve… Eu cheguei a participar de um Anticast também, sobre estética musical.

 

Sidney: Olha! Não… faz tempo?

 

Dan: você quer deixar a indicação desse… você lembra o nome do episódio do Anticast? Ou o numero?

 

Tiago: É “Estética Musical”, é 156, alguma coisa assim. Mas o título é “Estética Musical”, agora eu não lembro o número.

 

Sidney: Ah, foi antes de eu começar a ouvir o podcast, então.

 

Tiago: Também acabei participando de um que chama Euterpe Despedaçada, mas também tá em pausa.

 

Sidney: Menino! Esse eu achava tão maravilhoso! Eu lembro desse podcast, você fazia parte desse também?

 

Tiago: Assim, participei de um dos últimos que teve, que foi o sobre Funk.

 

Sidney: Ah, não. Os últimos eu não cheguei a ouvir, eu ouvi lá no comecinho, mas pela temática eu não fui tanto a fundo. Mas era um podcast maravil… E esse nome é maravilhoso também (ele e Tiago riem).

 

Dan: é… Hoje nós vamos falar com o Tiago, né, sobre a assexualidade. Só para os ouvintes entenderem, como que se manifesta a assexualidade, Tiago? Pra as pessoas entenderem e distinguirem também a assexualidade, e juntar também, se você é hétero, bi, gay…

 

Sidney: Porque pra muita gente esse termo vai ser totalmente desconhecido, né.

 

Tiago: Sim, sim.

 

Dan: E alguns acham que as pessoas assexuais, elas não têm afetividade, tanto hétero quanto gay, ou bissexual. Então, acaba que eles podem ainda confundir todo esse espectro de conceitos, né, que existem.

 

Tiago: Sim, sim. Então, eu acho que a gente pode começar assim, né. A primeira coisa, né, o assexual não é um eunuco, ninguém tirou nada do corpo dele. E digamos que o corpo não tem defeitos, assim. Tudo funciona normalmente. A questão… (Dan ri) É, quando você fala o termo, muita gente pensa, “Pô, quer dizer que nada funciona?” Não, não é isso, né.

 

Sidney: Não é nada fisiológico, então, no caso.

 

Tiago: Não, não, não é. O que acontece…

 

Dan: É inclusive… Desculpa te interromper. Inclusive, eu até li uma definição, e parece que não tem nada a ver com libido, essa questão já é, por exemplo, são problemas médicos específicos e que as pessoas confundem uma coisa com a outra também.

 

Tiago: Sim, sim. Porque o que acontece, tem gente que tem problemas de libido, quer dizer, deixa de ter desejo sexual por outras pessoas, tem pessoas que têm problema com a própria sexualidade, apesar que eu acho que dificilmente alguém… Algum ser humano não passa por dificuldades sobre isso, né. Inclusive pela quantidade de tabus que tem. Mas o assexual, ele não tem nenhum problema com a própria sexualidade. O que acontece, ele não sente atração sexual. É simplesmente isso. Uma comparação muito simples, só pra… Né. Tem Muitas pessoas que conhecem futebol, né. Pessoas que assistem jogo de futebol. Mas nem todo mundo gosta de jogar futebol.

 

Dan: Sim.

 

Sidney: Sim, ou de assistir também.

 

Tiago: Ou de assistir também.

 

Sidney: É uma questão de impulso e desejo, então, né, no caso.

 

Tiago: Isso, exatamente. O que não impede de você ter uma… De você querer ter uma relação afetiva com outra pessoa. A questão é que você não tem vontade de ter relação sexual. Só isso.

 

Sidney: então é mais simples do que a gente imagina, né.

 

Tiago: É.

 

Sidney: Fica criando mil e uma minhocas na cabeça, quando, na verdade, é só isso mesmo. Assim, é claro que, talvez por causa dos tabus que você falou, existam mil e uma cobranças que pesam sobre a mente da pessoa que é assexual, porque pode-se enxergar enquanto uma diferença diferente das outras. De tantas outras diferenças. Aí, assim, a gente geralmente começa perguntando, Tiago, aqui, como é que aconteceu a descoberta. Porque a gente tem falado com gays, lésbicas, bissexuais, e tal. E eu não sei se a pergunta se aplica igual a você. Como é que aconteceu essa descoberta da sua assexualidade. Como é que você se reconheceu assim? Em relação a quê? Se teve algum fato icônico que tenha te alertado ou te feito entender essa tua orientação.

 

Tiago: Certo. No meu caso, o que acontecia, assim, como todo mundo, né, você entra na puberdade, lá pelos 11, 13 anos, né, tudo. E o que aconteceu, eu olhava assim, eu era uma pessoa introspectiva, eu era mais quieto no meu canto, tudo. Mas, assim, eu olhava os colegas tudo atrás de querer beijar as meninas, né. Outros inventando que tavam tendo relação sexual (risos), aquelas histórias mirabolantes.

 

Sidney: Ai, não vou mentir que fui desses também… Na minha época de escola, tive que inventar pra esconder certas coisas… (risos)

 

Tiago: Não, é. Pessoal pegava filme da Cicciolina e copiava a história pra falar que aconteceu com eles (todos riem). Esse tipo de coisa, assim. Aí, eu olhava assim, falei, pô, tipo… eu olhava, assim, que estranho, eu acho que… Mas pra mim, não… Isso não fazia sentido. Não é  uma coisa que eu falava assim, pô, esse pessoal tá fazendo besteira, não. Era simplesmente um negócio… É o exemplo do futebol, o pessoal queria jogar bola e eu, não. Entende, nessa comparação. Só que isso foi indo um tempo. Num primeiro momento, você… eu estranhava por que? A gente tem uma ideia de que, assim, o homem tem que ser o cara que é pegador, tudo. Então, gerava um certo sofrimento. Caramba, eu não tenho vontade disso. Não é questão de achar errado, certo, nada disso. Simplesmente eu não tenho vontade. Então, isso dava uma confusão, tipo, eu sou homem? O que eu sou, né?

 

Sidney: E isso chegou a criar conflito em ti? No sentido de tu questionar a tua masculinidade, ou a tua identidade de gênero?

 

Tiago: sim, porque… chegou a esse ponto. Porque, assim, o que acontece, você vê todos os seus amigos atrás das meninas, né… como eu nasci em 84, na época, os meninos ainda não assumiam muito entre si quando tavam interessado em meninos, né, nem entre meninas também, né. Hoje, talvez, a molecada tenha mais facilidade com isso. Você via as meninas…

 

Dan: É, e vale… Deixa eu te perguntar, você é heterossexual, no caso, né?

 

Tiago: é, no meu caso, sou heterossexual.

 

Dan: Uhum.

 

Tiago: Aí, eu olhava assim, pô, meus amigos tão indo atrás, as meninas tão indo atrás, você… Aquela coisa de parente comentando, “É, já tá querendo pegar”, não sei o quê… E fala, caramba, eu não tenho essa vontade. E como socialmente ser homem é ser  alguém sexual, né, eu tive então esse conflito que durou bastante tempo. Por um tempo, na adolescência, eu meio que pensei, ah, no Português bem claro, foda-se. Eu sou eu, se o resto… Se eu sou diferente dos outros, não tô nem aí. Mas quando eu tava com 26, 27, eu procurei ajuda de uma psicóloga. Porque, é a mesma coisa, né, uma certa cobrança social. Eu olhava, caramba. Nessa época, já não tinha muito sofrimento, isso foi um pouco antes, mais na adolescência, que tinha um certo sofrimento em relação a isso. Mas eu olhava, pô, meu irmão tá… Na época, meu irmão tinha acabado de casar. Falei, caramba, meu irmão até casou, eu nunca tive interesse em ninguém. Não foi uma coisa, assim, de não… Isso também, às vezes, as pessoas imaginam que o assexual é assim porque, ah, porque ele nunca teve oportunidade. Não. Não sou nenhum homem bonito, assim, sei lá… Não sou um Michael Fassbender, sei lá (risos). Mas teve situação…

 

Sidney: Mas teve oportunidades de você ter relacionamentos, só que não aconteceu.

 

Tiago: Sim, teve mulheres que se aproximaram. Teve homens também que se aproximaram. Em momentos diferentes. E, no meu caso, isso não é padrão. Que beijo também não é uma coisa que me interessa, assim, nunca despertou muita vontade.

 

Sidney: Ah, deixa eu perguntar, então, já que tu mencionou o beijo…

 

Tiago: Pode.

 

Sidney: Tem… Faz diferença… é, você tá dizendo que não tem também o interesse pelo beijo, então quer dizer que o fato de uma pessoa ser assexual não significa que ela também não beija, não abraça, essas coisas?

 

Tiago: Não, não significa. Eu já ouvi histórico de assexuais que, inclusive, gostam bastante do beijo, mas não gostam da relação sexual.

 

Dan: Uma reportagem de um assexual britânico, ele inclusive conta do primeiro beijo do casal. São dois assexuais que se relacionam. E eles gostam de se beijar. Então, devem ter várias características, né…

 

Tiago: Várias manifestações, vários tipos…

 

Dan: É, eu até vi uns aqui, que depois eu quero te perguntar sobre a… Que são tipo os espectros da assexualidade.

 

Tiago: É, isso mais pra frente a gente comenta um pouquinho. Então, esse processo… Porque eu também comecei a pensar o seguinte, bom, eu sou uma pessoa introspectiva… Quem é extrovertido talvez seja mais fácil de entender a sexualidade, de tirar a dúvida, porque se você é mais introspectivo, você fica mais na sua, você fica na dúvida. Bom, será que é um problema de timidez que eu não superei, por exemplo? Será que eu tenho algum problema com a minha sexualidade e é por isso que eu não tenho desejo? Então, eu procurei uma ajuda psicológica. A psicóloga não trabalhava com a ideia de assexualidade. Mas com o decorrer do tempo, fala, “Olha, você vive muito bem…” Que ela falou pra mim, né. “Você vive muito bem sem manter relação sexual com ninguém. Você canalizou sua energia sexual de uma outra maneira”, né, usando uma teoria freudiana, tal. Falou, “A questão, assim, se você vive bem… Se você quiser mudar, a gente pode trabalhar nisso. Mas se você se sente bem…” Aí, eu falei, é, me sinto bem. Depois que eu fui descobrir a questão do termo “assexual”, né.

 

Sidney: foi muito depois disso? Que tu descobriu esse… Porque eu acho que, quando a gente descobre o termo que nos encaixa, eu acho que a gente consegue se posicionar melhor, né. Talvez essa… grande parte dessas questões tenham se acertado na sua cabeça. Então, como é que foi a descoberta do termo?

 

Tiago: Quando eu descobri, foi muito interessante, porque durante a própria terapia, a gente trabalhou com várias possibilidades. Eu percebi que efetivamente eu era heterossexual, né. Porque, assim, o assexual, você às vezes tem devaneio, isso é normal. Consegue se excitar fisicamente com a imagem de uma mulher ou de um homem, depende da atração da pessoa, né. Durante a terapia, a gente teve que testar. Não, realmente, quando eu sinto alguma forma de excitação, no máximo é por uma figura feminina. Como também eu tinha alguns gostos diferentes na infância, tinha certa dificuldade de lidar com o conceito de ser homem ou não ser homem. Eu cheguei a pensar que talvez fosse transexual, cheguei a pensar nessa possibilidade também. Mas depois eu coloquei, não, eu não tenho problema com a sexualidade, eu tenho problema com o conceito de homem que a sociedade coloca.

 

Sidney: Na verdade, o problema tá fora de você…

 

Tiago: O problema tá fora. Nunca teve dentro. Então, quando eu descobri o termo, quando essas coisas todas se encaixaram, eu, “Ah, tá”. Aí, foi quando as coisas ficaram mais tranquilas.

 

Dan: Oh, Tiago,…

 

Sidney: Foi muito tarde?

 

Tiago: 28 anos.

 

Dan: Só pra interromper o que… É, foi um puta sofrimento até descobrir, né. E algumas vezes, na sua vida, você passou por situações, por exemplo, que já te ofenderam? Por exemplo, querendo chamar você de gay, de viadinho, porque como você foge daquele padrão de homem hétero, provavelmente deve ter passado por algumas saias justas com alguns homens héteros, ou talvez até com mulheres, não sei…

 

Tiago: Olha, essa realmente foi uma das partes mais difíceis porque, assim, como eu falei, pro homem hétero, ser homem é ser alguém sexual. É só ver, por exemplo, no campo religioso. Eu não sou católico, mas quem é católico, as pessoas falam, “Ah, padre também é homem, pô”. Porque o padre não tem relação sexual, ele deixa de ser homem.

 

Sidney: Aham, tem essa associação de que sexualidade e masculinidade têm que andar sempre juntas.

 

Tiago: Exatamente. Então, você tem… Já teve situações, assim, isso, olha… Em relação a homens, a mulheres. Homossexuais também, porque às vezes você conversa com amigos que são homossexuais, aí eles também te acham esquisito. Bissexuais também te acham esquisitos. Transexuais também te acham esquisito, sabe.

 

Sidney: Eita, é foda isso. Porque a gente vive uma cultura que é muito centrada na relação sexual, né. É como se todo ser humano se determinasse, dentre das várias coisas, também a relação sexual, o ato de fazer sexo. E uma pessoa que foge disso realmente vai ser vista como bizarro até. Eu acho que já li relatos de gente que também minimiza, rola um apagamento. Não sei se aconteceu com você também, de tipo assim, todo mundo dizer, “Ah, mas não, mas isso é uma fase”. Ou também rola aquele argumento de dizer que “Não, é porque você não achou a pessoa certa ainda que vai fazer você gostar”.

 

Tiago: Isso.

 

Sidney: Deve ter muito disso, muito dessa cobrança contigo.

 

Tiago: Isso. Tem muito, você escuta muito. A coisa que mais me chocou mesmo foi uma vez que eu viajei, né. Viagem com amigo, assim, eu era mais novo, tinha vinte e poucos anos, né. Aí, fui dormir mais cedo, porque nunca curti bebida alcoólica, assim, né. Não porque eu ache errado, porque eu não gosto, sabe. Como eu digo, eu já sou meio bêbado naturalmente, não preciso (risos)…

 

Dan: E engraçado, não sei se vocês viram, até o último programa do Mamilos, que falou sobre álcool e, inclusive, essa obrigação social também até do próprio homem de ter que beber. É bem complexo.

 

Tiago: Não, é verdade. Aí, eu fui dormir um pouco mais cedo lá na casa da praia, e eu às vezes demoro pra dormir, assim. Tava deitado, tava perto da janela, o povo tava conversando também, aí que você demora pra dormir mesmo. Com aquele sono, mas… Aí, o pessoal tava lá, tal. Aí, tinha uma menina que fez um comentário, assim, que isso foi uma das coisas que mais me chocou. Porque ela falou assim, “Mas esse amigo de vocês, pelo que vocês falam, ele não fode ninguém?” O termo que ela usou, né. “Ninguém fode ele, que coisa que ele é?”

 

Sidney: Ai, que horror.

 

Dan: Nossa.

 

Tiago: Aquilo foi chocante, porque quando falou, cara, que coisa que eu sou, tipo, não é nem “o quê” ele é, é “que coisa”, né. Não sou nem um ser humano, então? Isso foi uma das coisas mais pesadas.

 

Sidney: É como se essa mentalidade… Não aceitar isso como normal…

 

Tiago: Exatamente.

 

Sidney: Você cai no grupo dos anormais, né.

 

Tiago: É, foi bem… e assim…

 

Sidney: Mas nessa época você já sabia que era assexual? Sabia, que eu digo, assim, já tinha essa autoconsciência.

 

Tiago: Eu já tinha essa consciência. A minha autoconsciência. Em relação ao termo, eu não tinha ainda passado pela terapia, mas já tinha essa autoconsciência de que eu não fazia… Porque, assim, eu nunca fui uma pessoa que agi muito porque… Devido a coisas sociais, sabe. Eu sempre fui assim. Se pra ser, se pra conversar com tais pessoas, eu tenho que fingir tal coisa, então eu não converso, eu fico sozinho na escola. Quando eu era criança, eu era muito assim.

 

Sidney: Sua personalidade.

 

Tiago: Eu não vou fingir ser quem eu não sou, e não preciso me justificar pra ninguém. Então, eu já tinha essa autoconsciência, mas é claro, quando você escuta esse tipo de coisa, claro que você sofre, né. É complicado. NO caso da sexualidade, o que acontece, as próprias teorias psicológicas… Aí, você vai ler, sei lá, Freud e tudo, tudo parece que te joga pra fora, assim. Não é querendo comparar sofrimento, né. Por exemplo, você conseguia, há um tempo atrás, achar linhas, escritos, por exemplo, que falavam que homossexualidade é natural. Você conseguia achar isso. Agora, assexualidade, ela aparece a primeira vez no século 20, quando aquele psicólogo Kinsey sai pelos Estados Unidos entrevistando, vivenciando com as pessoas diferentes formas da sexualidade, e tudo, e ele aí detectou que tinha pessoas que realmente não tinham desejo sexual, né. Mas ele detectou, mas não aprofundou naquilo, porque foi muita pouca gente, ele tava fazendo pesquisa sobre tudo ao mesmo tempo também, né. Cara que abre caminho é assim mesmo. Então, você nunca vê linhas que tratam isso como uma normalidade. Sempre ou alguém que tem alguma doença psíquica, ou alguém que tá se sacrificando por uma religião, sabe. Então, gera, né…

 

Sidney: E parece que a ideia de que você é assim porque sim e não por algum motivo externo também parece não cair bem,né, na maioria das pessoas, quando a mentalidade geral de que você é assim simplesmente porque sim.

 

Tiago: É. (ele ri) tudo tem que ter motivo, né.

 

Sidney: é, motivo. Ficam caçando razoes, explicações. É a minha barra também com sobre descobrir a origem genética da homossexualidade, por exemplo, que é o meu caso, né. Minha barra é essa, pra quê ficar procurando isso, os motivos e razoes, quando as pessoas são o que elas são, e serão, entendeu? Independente do que for as causas. A gente fica sempre sobre esse crivo de haver causas pra a gente estar fora daquilo que é convencionado, ou que foi encarado como natural por muito tempo.

 

Tiago: Sim.

 

Dan: Uma coisa que eu queria te perguntar, Tiago, é o seguinte. Em relacionamentos, você já teve quantos relacionamentos? Ou está em um relacionamento agora?

 

Tiago: Olha, no meu caso, eu nunca tive relacionamento.

 

Sidney: Namoro. Relacionamento que a gente tá chamando é namoro.

 

Dan: Isso, namoro.

 

Tiago: Isso.

 

Dan: Já chegou a engajar alguns e por causa da assexualidade a pessoa não foi compreensiva e não conseguiu… Ou você nunca nem quis tentar?

 

Tiago: Teve uma vez que eu fiquei apaixonado. Foi uma única vez mesmo. Foi meio tarde, até. Isso demorou pra acontecer. Porque, assim, tem assexuais que… Tem até um espectro da sexualidade que é a questão do romântico e do arromântico, que também se aplica à assexualidade. Então, por exemplo, tem pessoas que não se apaixonam mesmo. E tem pessoas que se apaixonam.

 

Sidney: Ai, mas olha só! Olha como as coisas são, quando a gente tem desconhecimento. Você acabou de dizer que também se aplica a pessoas… O oposto de assexual é?

 

Tiago: É sexual, né.

 

Sidney: Sexual, né. Então, o romantismo e o arromantismo também se aplica a pessoas sexuais, que têm atração sexual, no caso. E isso, acabei de ter um pasmo, assim. Porque é muito óbvio, mas a gente nunca pensou nisso. (Dan ri) É, porque tem gente que não vai se apaixonar e ter relacionamento romântico, mas tem a necessidade da relação sexual. Olha só que…

 

Tiago: É.

 

(EFEITO SONORO DE FITA K7 SENDO REBOBINADA)

 

Dan (narração): Pausa para uma edição marota. Olha só, pessoal, quando a gente gravou o programa com o Tiago, não tínhamos gravado o programa HQ de bolso. Mas agora vocês podem conferir lá, ok?

 

(EFEITO SONORO DE TILINTAR ALUSIVO À PASSE DE MÁGICA)

 

Sidney: Sim, continua… No caso, você é arromântico?

 

Tiago: então, eu achava que eu era arromântico porque eu nunca tinha me apaixonado por ninguém. Aí, chegou o momento que isso aconteceu. Aí, eu tive uma nova crise, né. Porque você fica a vida inteira sem sentir isso, e vai se apaixonar por alguém aos 30 anos, é um negócio meio… Caramba.

 

Dan: É um sentimento novo, e deve ser difícil de lidar com coisas novas, né.

 

Tiago: É, como tudo na vida, né. Tudo que é novo a gente…

 

Dan: Assusta.

 

Tiago: Mas a coisa não andou, tanto porque… sei lá, a coisa não andou, né. Não tem motivo essas coisas. Mas no meu caso, depois eu só vi isso também… Não que eu me feche a essa possibilidade, eu não acho que a gente tem que se fechar a nada, né. A vida tá aí, né. Sabe-se lá o que pode acontecer amanhã. Mas, no meu caso, eu não passei por isso. Eu já conheci pessoas que, por exemplo, chegaram a se casar, por exemplo, ter filho e tudo, e nunca contaram, por exemplo, que são assexuais pras esposas ou maridos.

 

Dan: Olha só!

 

Sidney: Mas aí acabam tendo as relações sexuais por…

 

Tiago: Pelo outro.

 

Sidney: Porque você falou… É, por causa do outro,  da outra pessoa.

 

Tiago: Isso.

 

Dan: Não é algo tão prazeroso, né.

 

Sidney: Eu acho que não deve ser nada prazeroso, né.

 

Dan: Oh, Tiago, eu ia te perguntar uma coisa que veio um insight aqui agora. Uma coisa é ter desejo sexual por uma pessoa. Mas aí, depois, eu agora tive um insight. E a questão da masturbação, por exemplo, como que funciona… Eu acredito que deve ter um espectro. Assim, deve… Existem assexuais que nem se masturbam, ou se masturbam. Porque também às vezes é fruto de um desejo. E como que funciona isso? Mas também pode ser um autodesejo, o toque, eu não sei.

 

Tiago: Uhum. Olha, isso é muito pessoal. E me parece que tem uma diferença entre o assexual que nasceu homem e o assexual que nasceu mulher. Porque tem transgenêro assexual também, por exemplo.

 

Dan: entendi.

 

Tiago: Tem uma gama grande. Pro caso das que nasceram mulheres, eu não sei dizer. No caso dos homens, que também é minha própria experiência, existe uma necessidade de masturbação pelo seguinte, a própria próstata… você sente um pouco de dor no testículo, se você fica algum tempo sem se masturbar, ou sem ter relação sexual, né.

 

Dan: Eu não sei disso porque eu sou punheteiro de carteirinha.(risos)

 

Sidney: Mas é… Eu já senti essas dores, já, Tiago, é fato.

 

Tiago: Então…

 

Dan: Eu nunca nem cheguei nesse ponto.

 

Sidney: Danilo se revelando aqui, ta vendo.

 

Dan: Vai lá, Tiago.

 

Tiago: (terminando o riso) Ai, então, isso é normal. Então, todo homem, ele tem essa necessidade. Tem alguns que… No meu caso mesmo, é uma coisa muito mais pra evitar problemas posteriores do que… A masturbação, assim, normalmente ela não tem muita graça.

 

Dan: É uma coisa biológica, né, de certa forma.

 

Tiago: É, assim, tipo, se eu não fizer, eu vou começar a ter dor no testículo ou outras coisas que acontecem quando você não… Porque fica acumulando, aí você começa a ter… Tem um termo pra isso, que é ejaculação espontânea. Tipo, do nada, você tá andando, relaxou um pouquinho, foi lá e ejaculou, sabe.

 

Dan: entendi. Não sabia disso.

 

Tiago: Por causa do excesso, porque inclusive se fica muito sêmem, muita coisa acumulada na próstata, é um dos elementos inclusive que podem causar câncer de próstata, tal.

 

Sidney: Nossa. No caso, então, pode-se dizer que a masturbação, pra você, é um processo de manutenção (entre riso).

 

Tiago: é. Não vou dizer que sempre. Se eu falar também, sempre… Quando era mais novo, eu até que era mais interessante. Mas vez ou outra assim é legal por ela mesma, né. Mas na maioria das vezes, é muito mais uma questão pra evitar esses desconfortos. Mas assim, como eu falei, não é necessariamente um padrão.

 

Dan: Entendi.

 

Sidney: Entendi. Então, no caso, Tiago, você até hoje não teve relacionamento, namoro, nem nada. E a cobrança sobre ti? Porque você é um homem de 32 anos, não sei se a família cobrava isso, como é que é a relação com teus familiares, como é que essa ausência de relacionamentos repercute no teu ambiente familiar?

 

Tiago: Olha, no ambiente familiar… É que como eu sou uma pessoa mais introspectiva, também, eu não dou muita abertura pras pessoas ficarem dando muito palpite na minha vida, sabe. Talvez até por causa disso. Porque, na adolescência, era uma coisa mais intensa. “Não, você tem que pegar”, não sei o quê… eu sempre fugia desse assunto. Então, eu acho que virou um costume de que eu não converso, eu não to a fim de falar sobre a minha vida nesse aspecto. Mas assim, mas meus pais são tranquilos. Meus pais sempre foram pessoas com a cabeça mais aberta. Nunca… eu e meu irmão, a gente não… Por exemplo, em casa, ninguém apanhava. Agora, se a gente destratasse alguém… Se, por exemplo, deixasse de cumprimentar alguém porque era porteiro, aí a coisa ficava brava. Se falasse mal de alguém por causa de cor de… Sabe, assim? Se tivesse preconceito, aí o caldo engrossava em casa. Então, a gente, desde pequeno, tinha que respeitar homossexuais… Meus pais sempre ensinaram a nunca… a nunca…

 

Sidney: Discriminar.

 

Tiago: discriminar ninguém, por ser mulher, por ser homem, por ser travesti, transexual, por ser homossexual, por nada. Então, isso não existia. Então, também eles não têm… A grande questão, a preocupação porque… O que eles tinham de preocupação, assim… Hoje, meu pai é falecido, mas o que eles tinham de preocupação era mais em relação à timidez. A introspecção. Eles tinham receio que isso era fruto da timidez, sabe. Que a timidez era a origem, né. Mas…

 

Sidney: você chegou a conversar com eles sobre isso, com esses termos, inclusive? “Oh, pai, mãe, eu sou isso, eu sou assexual”, explicou o que é isso? Ou não chegou a tanto?

 

Tiago: Com meu pai eu não tive oportunidade de conversar isso, ele faleceu algum tempo atrás. Mas assim, o termo, eu preferi não entrar nessa questão de termo. Mas a situação, assim. Eu falei, olha, uma vez até perguntaram. Eu falei, “Não, eu não tô com vontade de ter alguém, eu não tenho vontade, eu não tenho essa necessidade, se não, corria atrás, como vocês sabem que eu faço com outras coisas que eu quero”. Então, sempre ficou uma coisa assim meio tranquila. Mas o termo realmente eu nunca falei em família isso.

 

Dan: entendi.

 

Sidney: Então, eles levam de boa…

 

Dan: Eu acho que também nem precisa do conceito, de certa forma, porque eles te entendem, sabendo como que você se comporta também diante dessas situações, talvez.

 

Tiago: Sim.

 

Dan: Você ia perguntar alguma coisa, Sid, você falou?

 

Sidney: E eu fico curioso também sobre… Porque tu falou da adolescência, e tal, mas hoje em dia, com o teu círculo de amizade também… eu tô notando que eu tô muito preocupado com teu entorno, né. Porque a gente fica preocupado, fica querendo saber e descobrir quais são as pressões que são exercidas sobre. E como eu não conheço o tema, né, tanto quanto seria necessário…

 

Tiago: Entendi, entendi.

 

Sidney: Se existe essa cobrança também dos seus amigos. Ou eu acho, que creio, inclusive, que você deva se cercar de pessoas que não façam…

 

Dan: Não exijam, né.

 

Tiago: Então, uma parte dos amigos eu já usei o termo assexual. Uma parte, não. Mas eles… Uma vez, eu estava sentado, a gente tava conversando sobre relacionamento, tal. Sabe quando o cara acaba de brigar com a pessoa, aquela fase “nunca mais quero encontrar ninguém”, sabe. Tá desabafando com os amigos, ali no bar, né. Sabe…

 

Dan: Sei…

 

Sidney: Quando tá machucado, aí diz, “Não vou mais, não quero mais ninguém, vou ficar sozinho!”

 

Tiago: “Nunca mais!”

 

Sidney: Já fui desses também, sim (risos).

 

Tiago: Não, normal. Normal, tudo. Até falou, “Olhe, a única pessoa que eu conheço que tem esse perfil, que realmente vive bem sozinho, é você”. Então, tipo, o pessoal entende isso, né. Só que pra algumas pessoas eu prefiro não entrar na questão do termo, assim, que aí eu prefiro… Porque eu também… Eu acho, às vezes, que os termos nos ajudam a nos encontrar, eu gostaria de um mundo em que ninguém precisasse falar “sou isso” ou “sou aquilo” pra ser respeitado, sabe. Simplesmente você é do seu jeito e acabou.

 

Sidney: Com certeza.

 

Tiago: Não porque eu ache os termos errados, nada disso. Mas é porque seria muito mais fácil, né. O que você é? Tipo, meu nome É Tiago, é o Danilo, é o Sidney, e acabou.

 

Sidney: é. Os termos existem, mas é uma pena que eles sejam necessários. Eles são necessários, mas é uma pena que sejam.

 

Tiago: Sim. Agora, uma pressão um pouco mais complicada é em relação a trabalho, por incrível que pareça.

 

Dan: Olha só, ambiente de trabalho, eu nunca pensaria nisso.

 

Tiago: Sabe por quê? Eu sou professor.

 

Dan: Hum, somos. Somos.

 

Tiago: Somos, né. Professor solteiro…

 

Sidney: Tem sempre essa… Eita, é mesmo. Olha só.

 

Tiago: Professor solteiro, muitas vezes homem solteiro, é visto como provável pedófilo.

 

Dan: Ah, nossa!

 

Sidney: Eu tava pensando outra coisa, Tiago.

 

Dan: Eu achei que os alunos iam fazer gracinha que você era… tipo assim, “Ah, professor deve ser viado, tudo mais, não fala com, fica trabalhando”…

 

Sidney: Não, e eu penso também que, assim, a gente que é ouriçado, né., Danilo, eu e tu, a gente lembra dos professores que a gente teve na vida, que se apaixonou. E a figura do professor é sempre muito apaixonante, né. Aí, eu pensei que você ia falar no sentido de ser assediado também pelos alunos, ainda mais porque você sendo solteiro, sendo professor, né. Mas essa história dessa imagem que você falou eu não…

 

Tiago: Não, é porque assim, isso acontece mesmo. Aluno ou aluna que se apaixona por professor é a coisa mais comum. É uma coisa que quem trabalha como professor tem que aprender a lidar.

 

Sidney: É até um clichê, né.

 

Tiago: É um clichê, todo mundo se apaixonou, acho que os três aqui já se apaixonaram por algum professor, né, na infância, assim, professora, sei lá. Ou várias vezes, né, também, sei lá.

 

Dan: Eu já. Muitas vezes.

 

Tiago: É, isso eu tinha esquecido, quando eu era criança, teve uma vez que eu fiquei apaixonado por uma professora.

 

Dan: Olha só.

 

Sidney: Ai, que bonitinho. É porque a imagem da consciência, e como é admirável aquela pessoa que conhece tanto as coisas, realmente é apaixonante.

 

Tiago: Isso.

 

Sidney: Mas e essa história de pedofilia, conta…

 

Tiago: O que acontece, o professor de música, o músico, ele é visto como alguém muito sexual.

 

Dan: Sim, eu tenho amigos que gostavam de aprender tocar violão pra poder… Não sei, ser mais atrativo pra as meninas, por exemplo. A fase de ficar tocando violão lá…

 

Tiago: é, então, essa… É quase um clichê, assim, isso, né.

 

Sidney: São dois clichês, o professor e o músico.

 

Tiago: é.

 

Dan: é a fusão.

 

Tiago: Aí, o professor de música, tipo, é um clichê elevado ao… (risos) (incompreensível) ao professor, ou vice-versa. Já chegou tendo… eu já tive caso de aluna que começou a ter aula de violão pra atrair maridos. Mas o que acontece, as mães têm uma preocupação muito grande com os filhos, né. Até porque pais, mães, eles têm que se preocupar mesmo com criança. Tem que ter uma certa desconfiança com aquele que tá com a criança.

 

Sidney: O mundo, hoje, não tá pra brincadeira, né.

 

Tiago: Exatamente. Qual que é o problema da aula de música, você fica sozinho com o aluno.

 

Sidney: Ah!

 

Tiago: Aí, aparece um homem que nunca tá de aliança. E tem pai e mãe que perguntam se o professor é casado ou não pra a diretora. Já ouvi essa história. “Não, tipo, ele é solteiro, será que ele quer dar em cima da…” “Será que ele gosta de criança…” Então, “Será que ele quer dar em cima das adolescentes…” Porque se tivesse com anel de namoro ou anel de casamento, ah, uma pessoa séria. Como se isso evitasse (risos). Então, assim, em ambiente… E eu trabalhei com informática também, e as pessoas também perguntam se você se relaciona com alguém ou não. Então, em ambientes de trabalhos… Porque amigos, você escolhe com quem convive, amigos, né. Se aqueles amigos começam a te fazer mal, você se afasta. Agora, no ambiente de trabalho, é difícil. Então, o assexual acaba levando, recebendo todos os preconceitos. Então, assim, ele recebe aquele receio da pessoa ser pedófila, que é um receio… Aí, já não é preconceito, é outra coisa, né. Aí, tem gente que acha que, “Bom, não vejo ele nunca saindo com ninguém”, vão falar, “então deve ser homossexual”. Então, você acaba, por tabela, recebendo socialmente o preconceito que os homossexuais têm. E por aí vai…

 

Dan: É um combo, né.

 

Sidney: Leva todas as famas e não deita na cama de ninguém.

 

Tiago: Exatamente.

 

Dan: Eu tava lendo uma reportagem, mais cedo, pra poder conversar contigo, dentre todos os espectros da sexualidade do ser humano, os assexuais são os que são mais mal vistos, de certa forma, pela sociedade. Porque ninguém entende, ninguém compreende. Inclusive, a sigla toda, LGBTTQPIQIPA…

 

Sidney: Nunca aparece o A.

 

Dan: É, e o A não aparece, inclusive, na verdade, né.

 

Tiago: Não. Porque é bem isso, você… eu já… foi uma coisa que eu achei, caramba, o cara… com pessoas que eram homossexuais masculinhos, femininos, você conta o caso, tem uns que falam, “Ah, porque você não testou ainda. É porque você acha que tem que ser hétero”. Não (ele ri)

 

Sidney: Ai, a irritação que isso deve te dar, sempre que tu ouve isso, né.

 

Tiago:  Não…

 

Sidney: Que é um apagamento da sua orientação sexual, né, da sua sexualidade. Da sua assexualidade, no caso. Mas como se você não fosse levado a sério, como se o fato de você não ter impulso ou desejo sexual por ninguém não fosse digno de crédito.

 

Tiago: Exatamente.

 

Sidney: Nem de nota.

 

Tiago: Te chama de santo. “Ah, então você quer ser santo, então?” (risos) Tem nada a ver com isso. Então, né…

 

Sidney: É engraçado, quando não tem um motivo, a gente arranja um motivo pra ter preconceito, o preconceito brota assim sempre.

 

Dan: Oh, Tiago, eu queria até te perguntar. E você é religioso, de tabela? Só pra poder já complementar quem é o Tiago. Eu sei que pode não ter uma coisa nada a ver com a outra, mas é porque surge esse tema do ser santo. Porque também as pessoas confundem assexualidade com celibato. E são coisas diferentes. O celibato é uma escolha e é uma opção mesmo. A pessoa está escolhendo o celibato, diferente do assexual, no caso.

 

Tiago: Isso mesmo. O que acontece, no meu caso, a minha família é espírita. Atualmente, eu me digo como espírita. Eu passei por fases de outras religiões, fui estudar filosofia, gosto de ler céticos também. Eu sou espírita, até tenho algumas atividades nesse meio, mas não sou alguém que vai tentar convencer ninguém, sabe, na religião…

 

Dan: Entendi.

 

Sidney: E a tua orientação sexual… Assim, a religião repercute, de alguma forma, no teu modo de encarar a tua orientação sexual? Pergunta difícil, né…

 

Tiago: Não. Não, que eu acho que eu nunca parei pra pensar nisso. Mas assim, sim e não.

 

Sidney: Eu pergunto isso, Tiago, porque, assim, vamos ver se eu ajudo a ficar menos difícil de responder. É uma pergunta muito ampla mesmo. Quando eu me encontrei na minha sexualidade, aí o que aconteceu comigo foi uma recusa da religião. Por quê? Todo o aparato, todo o discurso religioso que eu tinha recebido, até então, ele seguia no sentido contrário do que eu era naturalmente. Do que a minha pessoalidade é. Por isso, eu acabei me afastando da religião. Aí, eu fui ler outras, e sempre achava um motivo pra me afastar, porque sempre existia essa história. E não sei, na religião espírita eu não me aprofundei tanto, e ela tem várias explicações para os diversos tipos de experiências na vida na Terra, né. Mas eu nunca parei pra pensar nesse espectro da assexualidade, porque… bom, existem as explicações que eu li sobre a homossexualidade, ou perversões sexuais, e essas coisas, né. Mas eu não sei se você chegou a buscar isso na religião. “Onde é que eu encontro a assexualidade nos conceitos religiosos?”

 

Tiago: Ah, entendi. Olha, em relação a isso, eu digo sim e não porque o Espiritismo, ele… Se você pegar uma linha mais tradicional dele, ele é muito aberto em relação à sexualidade, por quê? Porque o espírito de um homem e de uma mulher é o mesmo. Então, vez ou outra você vai vir como homem, vez ou outra você vai vir como mulher. E em algumas encarnações, você vai ter mais lembranças de um ou de outro, e um espírito evoluído é homem e mulher em pleno equilíbrio. Digamos assim, o ideal de evolução é uma coisa que você transcende a questão de ser homem ou mulher, inclusive. E é claro que pra aprender nesse processo, a homossexualidade, a bissexualidade, são partes do aprendizado do espírito como um todo, ao longo de várias vidas. Então, nesse sentido, não. Eu fiquei em dúvida se isso poderia… Eu fiquei em dúvida se talvez a religião pudesse ter me influenciado, porque algumas figuras famosas do Espiritismo são meio assexuais. Não se casaram, nunca tiveram filhos. Aí, pensa, pô, será que talvez por valorizar essas figuras, eu não tô querendo me espelhar nelas nesse aspecto?

 

Sidney: Que interessante. E parece que é sempre espontâneo, ao contrário de… Assim, não tô comparando pra dizer se é melhor ou pior, mas como no caso da religião católica, que os padres têm que fazer um voto, ou seja, eles têm que se privar por escolha, e a escolha nem sempre é espontânea.

 

Dan: E às vezes nem na prática também, né (ele ri).

 

Sidney: Nem na prática. E no caso do… Eu lembrei do Chico Xavier, realmente não passa pela figura dele a questão da sexualidade.

 

Tiago: Sim.

 

Sidney: E parece que é natural, né, não é uma questão de imposição da religião.

 

Tiago: Não. Era uma posição dele. É claro que ele coloca, as pessoas que são pais são das maiores possibilidades de evolução. Assim, mas não tem uma coisa estritamente negativo. O próprio Chico Xavier, ele dizia que era a primeira encarnação como homem. Assim, as pessoas, muita gente que ouvir vai ficar brava, mas basicamente o que ele tava dizendo é que ele era transexual.

 

Sidney: (rindo) Que maravilhoso que seria!

 

Tiago: Ué, se é um espírito feminino tendo uma experiência num corpo masculino…

 

Sidney: Aham, sim.

 

Tiago: Inclusive, tem um vídeo dele nos anos 60… 70… Imagina o que foi isso, em 74, ele na… Não, acho que em 69. Bom, no final da Rede Tupi, que era tipo a Globo, né, ele falando, “Olha, homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade, pansexualidade, transexualidade, assexualidade, são somente expressões do espírito, que precisam todas ser respeitadas, não estão certas ou erradas. Isso não cria problema, isso não é necessariamente algo imoral”. Imagina o cara falando isso na televisão, nos anos 70.

 

Dan: Nossa!

 

Sidney: Que maravilhoso. Eu já gostava do Chico Xavier, agora eu tô gostando mais (ele ri).

 

Dan: Muito legal.

 

 

(INÍCIO DE CLIPE DE ÁUDIO: ENTREVISTA DE CHICO XAVIER À TV TUPI)

 

Entrevistador: Pergunta. Como se explica o homossexualismo e a pertubação no comportamento sexual  à luz da doutrina espírita?

 

Chico Xavier: Temos tido alguns entendimentos com espíritos amigos, notadamente com Emmanuel, a esse respeito, o homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade, ou bissexualismo, tanto como assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito. Acreditamos que o comportamento sexual na humanidade sofrerá, de futuro, revisões muito grandes porque nós vamos catalogar, do ponto de vista de ciência, todos aqueles que podem operar na criação e todos aqueles que estão numa condição de esterilidade. A criatura humana não é só chamada à fecundidade física, mas também à fecundidade espiritual. Quando veremos filhos, através da sexualidade dita normal, somos chamados também à fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espírito de que sejamos portadores. Não nos referimos aqui aos problemas do desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação das relações humanas. Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada, vamos dizer, muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição de alma em prova Ou à sua condição de criatura em tarefa específica. De modo que o assunto merecerá muito estudo e poderemos voltar a ele em qualquer tempo que formos convidados. (O entrevistador interrompe, mas é incompreensível) Vamos dizer, com licença, porque nós temos um problema, em matéria de sexo, na humanidade, que precisaríamos considerar com bastante segurança e respeito recíproco. Vamos dizer, se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, vamos dizer, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactilidade com que as mãos executam trabalhos manuais, nos pés; se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento do bem, isto é, potências consagradas ao bem e à luz, em nome de deus, seria o sexo, em suas várias manifestações, sentenciado às trevas?

 

(FIM DO CLIPE DE ÁUDIO)

 

Tiago: Tem um lado espírita mais conservador em relação a isso tudo. Sempre…

 

Sidney: Sim, imagino. Até porque, eu vou te falar, já que a gente tá nessa pegada de espírita, uma coisa que me afastou do Espiritismo, talvez eu tenha lido as coisas, né… Eu podia ter lido coisas diferentes. Que era a explicação para esses “desvios sexuais”, entre aspas, era sempre que a gente tá pagando por algum erro do passado. Como se, assim, você ser gay é como se fosse uma penitência pra você aprender e não cometer os mesmos erros de vidas passadas. Isso aí me incomodou, entendeu. Assim, o viés punitivista ainda de enxergar isso como castigo. Ainda que seja para sua evolução. Assim, pra mim, não pegou bem. E é isso que me incomoda na religião, às vezes elas… E eu tô falando das religiões, na verdade, eu tô falando das pessoas que fazem a religião, na verdade, porque, né, tem essa diferença. Que, às vezes, vem um verniz muito inclusivo e tolerante, mas na verdade tá encapado por outra camada de preconceito que, às vezes, é imperceptível.

 

Tiago: Exatamente. Tem sempre alguns desvios. Essa é uma questão polêmica, tudo. Mas você vê que pro Chico Xavier isso é tranquilo, né.

 

Sidney: Isso já nos anos 70. Que maravilhoso.

 

Dan: É, eu não sabia disso. Eu imaginava que o viés do Espiritismo era similar ao do católico, por exemplo, nesses quesitos. Alguma coisa errado teríamos, gays, lésbicas, trans, bissexuais.

 

Tiago: É, infelizmente, essa interpretação é mais dominante no meio espírita. Mas é por isso que eu tô falando, pessoal, só que se você pegar uma coisa, por incrível que pareça, o lado mais fundamentalista, nesse caso, é mais aberto.

 

Dan: Entendi.

 

Sidney: Que triste.

 

Dan: É igual os cristãos, né, Jesus falou “amai-vos uns aos outros”, e a gente vê o que tá dando aí… (ele ri)

 

Sidney: Pois é.

 

Dan: A interpretação seria básica, né. Amai-vos uns aos outros. Então… Deu treta (risos).

 

Tiago: É assim mesmo.

 

Dan: enfim, mas eu acho até legal a gente discutir essa questão de religião também, e fazer esse cruzamento com a assexualidade, até mesmo pra também deixar claro pro ouvinte, na verdade, que celibato é diferente de assexualidade.

 

Tiago: Sim, sim.

 

Dan: O celibato é uma escolha que tem cunho, no caso, espiritual, e que a pessoa tá ali, por livre e espontânea vontade, ou por outros motivos, mas que não vêm ao caso, com a assexualidade.

 

Sidney: Quais outros estereótipos caem sobre as pessoas assexuais, que tu consegue lembrar aqui? Porque tu começou falando que você… Já pra esclarecer que você tá com o órgão aí intacto. Não foi cortado nem nada.

 

Dan: Não é um eunuco.

 

Sidney: Não é um eunuco. Existem outros estereótipos, assim, cruéis ou até cômicos que, às vezes, recaem sobre a assexualidade?

 

Tiago: O pessoal acha que você é meio tonto. Meio bobo. Porque o que acontece, quando você não tem interesse em ter relação sexual com outras pessoas, e tal, tem certas regras do jogo social que você não entende, né. Então, por exemplo, você sai com os amigos, amigas, cada um procurando aquilo que interessa, tal, e você lá querendo bater papo e ouvir música, sei lá, sabe. Então, o pessoal acha que você… Vai criando um certo estereótipo por isso, porque você não tem esse interesse por outra pessoa. Tem, afetividade com outras pessoas é possível. NO meu caso, essa não é, digamos, uma coisa muito intensa, né, uma afetividade de namoro. De amizade, sim. Mas de namoro, tal, não. Então, como você não tá atrás de ninguém, você não entende o jogo. Você passa por umas situações engraçadas porque, tipo, pra que eu vou aprender a xavecar, por exemplo?

 

Sidney: (rindo) Ah, sim…

 

Dan: Não é seu foco, né.

 

Tiago: Não é meu foco, pra que eu vou xavecar? Agora, se eu tiver… como eu não sei o que é xavecar, quem disse que, sem querer, eu não tô fazendo algo que pode ser interpretado como xaveco, e eu simplesmente ali na boa…

 

Sidney: Ah, mas sabe o que é? Porque a coisa mais sensual do mundo é a pessoa ser espontânea e natural. Não forçar nada. E o xaveco, ele é justamente o contrário. Você tá forçando um negócio pra criar um efeito na pessoa. E eu acho que justamente é isso que deve acontecer com o Tiago, que como ele não tem interesse nenhum, ele não demonstra esse, entre aspas, teatro que a gente faz pra seduzir, entendeu. E acaba sendo sedutor, por causa disso (risos). Porque ele é espontâneo e natural.

 

Dan: Vira um charme (risos).

 

Sidney: Exatamente. Deve ser.

 

Tiago: é… Ou é porque eu sou libriano, sei lá… (ele ri)

 

Sidney: Ah, libriano! Finalmente encontrei alguém libriano como eu.

 

Tiago: Você vê…

 

Dan: E olha só, tecnicamente, o pessoal fala que os librianos são tudo puta (ele ri).

 

Tiago: é, tá vendo.

 

Sidney: (entre risos) Que absurdo! Mas aí, vão dizer, ah, qual é o seu ascendente, a sua lua. Deve ser a lua (risos). A sua Vênus deve tá desregulada, Tiago. Já viu a sua Vênus?

 

Tiago: Olha só, é… (risos) Não, e esse tipo de coisa acontece. Uma vez, tinha uma situação, eu tava conversando com o sujeito, tal, no caso ele é homossexual, né. O cara achou que eu tava, sei lá, xavecando…

 

Sidney: dando em cima dele…

 

Tiago: Sei lá, dando abertura… Aí o cara veio com uma… Meu, eu tô batendo um… Eu tô conversando aqui (ele ri)

 

Dan: “Não vai passar disso, pode ficar tranquilo” (ele ri).

 

Tiago: Eu tô trocando ideia só. Não sei quê, “Não, mas você deu sinal”. Dei sinal? Já ouvi isso de homem, de mulher. Uma chegou a falar que separou do marido porque achava que eu tava apaixonado por ela. Eu falei, “O quê?!”

 

Sidney: Mas gente!

 

Dan: Nossa!

 

Sidney: Criam as melhores desculpas, né, pra fazer o que querem fazer, mas não têm coragem.

 

Tiago: Exatamente, né. Então…

 

Sidney: Já devia tá querendo separar.

 

Tiago: Ah, com certeza. Tipo, pior que falou pra mim assim, “Ah, mas eu coloquei umas músicas no Facebook e você curtiu”. Eu falei, “Porque eu gosto da banda”. (risos) Qualquer pessoa que colocasse… (risos)

 

Dan: É tenso.

 

Sidney: Isso aí é um bom senso, né. Tá faltando bom senso. Engraçado que, além de tudo, você ainda acaba levando a culpa, né.

 

Tiago: É! A culpa. Fica no imaginário que você é a pessoa mais sexual do planeta, assim, né.

 

Sidney: Sim, o garanhão. Sedutor. Don Juan. Ainda mais sendo músico. Qual é o instrumento que tu ensina, Tiago?

 

Tiago: violão.

 

Sidney: Violão. Ainda por cima, tá vendo. Lá vem o Don Juan com seu violão…

 

Dan: É, violão é o estereótipo sexual.

 

Tiago: Esse estereótipo, uma das coisas que também me deixou meio… Que foi chocante pra mim foi aquele filme O Virgem de 40 Anos. Porque o que eles fizeram, assim, pra quem é assexual, aquele filme é uma tortura, assim. Porque eles pegaram todas…

 

Dan: Caraca!

 

Tiago: todas as características e colocaram no personagem.

 

Sidney: Ah…Olha aí, acaba sendo um tipo de reforço, né, de preconceitos, né isso?

 

Dan: Nossa, você falando isso, Tiago, eu assisti esse filme 11 anos atrás. Que vai fazer 11 anos que minha mãe faleceu, é, foi logo depois do enterro, alguma coisa assim, a gente juntou e eu tô lembrando que a gente ria muito. E tudo de estereótipo…

 

Tiago: tudo. E tem frases que o assexual escuta de verdade ali no filme. É um negócio, assim, pra quem é, chega a ser tenebroso, assim.

 

Sidney: Ofensivo.

 

Tiago: Todos os estereótipos ali. É o cara saindo de casa, os vizinhos, “Pô, esse cara é tão gente boa, precisava comer alguém”.

 

Dan: Eu vou assistir de novo com outros olhos, agora. Não vai ter nem mais graça. Acabou a comédia. E é legal isso, quando a gente aprende uma coisa e vai assistir uma coisa que antes você achava engraçado e depois você fala, que bosta.

 

Tiago: E ainda assim, só pra explicar, porque esse filme, né… Porque assim, todo o filme coloca que pelo fato do personagem não fazer sexo, ele é um perdedor na vida. Ele tem amigos péssimos, tem um emprego ruim. Tipo, a grande libertação do filme, quando começa a cantar Aquarius, é quando ele tem relação sexual com uma mulher.

 

Sidney: A busca da redenção dele é a relação sexual, que acaba reproduzindo esse estereótipo nocivo de que pessoas que não fazem sexo são losers.

 

Tiago: Exato. Aí, ele consegue ganhar dinheiro, aí a vida dele se transforma, tipo. E é um chavão de estereótipo pra quem vivencia isso, que é um negócio que, assim, E foi chocante quando eu assisti, eu falei, Caramba, só eu tô incomodado? Aí, você vê, tipo, um monte de gente rindo de um personagem que, de certa forma, é você. E foi muito chocante.

 

Sidney: Ai, que horror. Eu confesso que eu ri desse filme também.

 

Dan: Eu também. Eu tô assim, eu tô perplexo agora. E vou assistir de novo, só pra poder…

 

Sidney: A gente não para pra pensar, né.

 

Dan: É.

 

Tiago: É porque se fala muito pouco da assexualidade. Então, é…

 

Dan: Sim.

 

Sidney: Até porque, pra a maioria das pessoas, isso nem existe, né. Como é que pode alguém não querer fazer sexo?

 

Tiago: e é uma coisa interessante, é só você começar a perguntar histórias de famílias, sempre vai ter algum parente… todo mundo mais velho fala, “Poxa, sei lá, já tive uma namorada, um namorado que não gostava de sexo”. Que não era muito bom naquilo. Ou mulheres que falavam, “ah, não, queria ser mãe, né”. Mas, tipo, talvez seja muito mais comum do que as pessoas achem, né, sei lá.

 

Dan: Estima-se que 1% das pessoas são assexuais. 1% da população. E uma coisa que a gente tinha que comentar, que a gente também tá até chegando mais para o fim do programa, é esses espectros de assexualidade, que eu achei, assim, interessante. Eu não sabia que demissexuais era um espectro da assexualidade. Tá dentro, são pessoas que, na verdade, até conseguem fazer sexo e querem fazer sexo, mas precisam, parece, que de um vínculo emocional…

 

Tiago: Porque o que acontece…

 

Dan: Pode falar.

 

Tiago: você tem o assexual clássico. O que é o assexual clássico? Ele não tem desejo por ninguém.

 

Sidney: Ponto.

 

Tiago: Ponto. Ele pode até vir se apaixonar, se ele for romântico.

 

Dan: Que já é outra divisão, né, romântico e arromântico.Aham.

 

Tiago: Isso. Porque o assexual, ele pode ser hétero, pode ser homo ou pode ser bi.

 

Dan: Sim.

 

Tiago: Isso é tranquilo. Transexuais também podem ser assexuais, seja homo, bi, hétero, por aí vai. Tem aqueles que se apaixonam, e tem aqueles que não. Da mesma forma, quantas vezes, provavelmente, vocês já conheceram pessoas que nunca se apaixonaram exatamente na vida, a questão é sempre física. E não tá errado. É o jeito que a pessoa não se apaixona.

 

Dan: Tá não. Tá certíssimo.

 

Tiago: Tem mais é que… Tem impulso Sexual? Tem mais é que vivenciar mesmo. Não é? Acabou. Então, o assexual clássico nunca se apaixona. O demissexual, ele é uma variedade pelo seguinte, quando ele cria um vínculo emocional com alguém, um vínculo emocional muito forte, aí ele passa a ter desejo sexual por aquela pessoa.

 

Sidney: É posterior, né, no caso.

 

Dan: Uhum, olha só.

 

Tiago: Posterior. Então, às vezes até tenho dúvida se eu não me classifico um pouco na questão do demissexual, por aquela situação que eu falei que eu fiquei apaixonado, e naquele momento que eu fiquei apaixonado, eu lembro de ter sentido impulso sexual, que foi até algo que meio que me deixou meio maluco da cabeça. Mas sei lá.

 

Dan: Pode ser uma variação que, ao experimentar, vai ter certeza, na verdade.

 

Sidney: Não, e no caso, por se tratar de um espectro, né… No espectro, você nunca tá, nunca é uma delimitação fechadinha, né.

 

Tiago: Exatamente.

 

Sidney: Você pode tá numa área cinza aí, entre uma coisa e outra.

 

Tiago: Exatamente. Então, você tem o clássico, você tem o demissexual, e você tem o chamado, que a Associação Americana de Assexuais chama de graysexual, né. Que é a área cinza. Porque são pessoas…

 

Sidney: ah! Eu falei cinza sem querer, mas o termo é esse mesmo.

 

Tiago: É, o termo é esse mesmo. Que, assim, são pessoas que tem alguns momentos que elas são sexuais, aí de repente passa. Fica, sei lá, meses, anos, a coisa varia, não é constante.

 

Sidney: Não tem nada a ver com Os 50 Tons de Cinza, né, que fique bem claro (risos).

 

Tiago: Espero que não.

 

Dan: Eu não assisti também, e nem li. Mas provavelmente não.

 

Sidney: Eu acho que aquele filme não tem nada a ver com nada, aliás, no mundo sexual. Nenhum.

 

Tiago: É, na verdade, tem a ver com quem tem problemas com a própria sexualidade, né, porque…

 

Sidney: É, talvez seja isso. Talvez seja essa a grande crítica do filme, e a gente não esteja entendendo (risos).

 

Tiago: Porque, pelo amor de deus, querer ser manipulado por outra pessoa, não no sentido sexual, das brincadeiras, dos objetos, mas psicologicamente. É um negócio que precisa de tratamento. Não de… Mas ok. Então, nesse caso, as pessoas na área cinzenta, a coisa varia muito. Então, ela tem fases que elas são assexuais ao extremo, tem fases que elas se apaixonam por várias pessoas, e durante a paixão ela tem… Porque tem demissexuais que se apaixonam por várias pessoas ao mesmo tempo. Como tem homossexuais que se apaixonam por várias pessoas ao mesmo tempo, como tem heterossexuais, bissexuais, e por aí vai, né. Coisa de poliamor…

 

Dan: Eu vi que tem demissexuais que são adeptos do poliamor, no caso.

 

Tiago: Tem. Porque o demissexual, ele tem uma facilidade, em alguns casos, de lidar com o poliamor pelo seguinte… alguns assexuais também, pelo seguinte, eu não tenho tanto desejo sexual, mas a outra pessoa tem. Eu não tenho problema que ela busque com outro, a minha questão, se a minha questão é mais o afeto…

 

Sidney: Acaba até desvinculando um pouco da possessividade, do sentido de pertencer, da outra pessoa ser sua posse.

 

Tiago: Isso. Então, você tem basicamente essas ideias. Tem algumas classificações a mais que o pessoal quer fazer, tipo assexual hétero-não-sei-quê, não sei o quê. Aí eu acho que você começa a criar muito… Sabe, é muita tabela. (risos)

 

Sidney: É, pra se identificar, tem que consultar uma tabela, eu acho que também já é um pouco…

 

(EFEITO SONORO: VINIL ARRANHANDO AO PARAR, TRANSIÇÃO DE TILINTARES AGUDOS)

 

Dan (narração): Então, pessoal, Sid e eu não tínhamos gravado o HQ de Bolso 03. E aí, é lógico que, hoje, se nos perguntar, a gente fala, consulte a sua listinha aí. Inclusive, ouça o HQ de bolso número 03, ok.

 

(EFEITO SONORO DE TILINTAR ALUSIVO A MÁGICA)

 

Tiago: Então, o que acontece, basicamente, é isso. Então, você tem o assexual que realmente não tem interesse sexual. Ele se apaixona, mas o que se apaixona, quando está apaixonado, também não tem interesse sexual na outra pessoa, é só o afetivo, é só a coisa de tá junto, e tal. Tem o demissexual que, quando se apaixona, o impulso sexual surge. Provavelmente daí essas ideias de romantismo, do herói romântico, talvez tenha muita relação com isso. E tem essa questão, na verdade, a área cinza… Porque, assim, quando você pensa na assexualidade, ela começa assim, tem o sexual e o assexual, daí vai ter os ramos, né. Área cinza é uma pessoa que transita por isso. É uma pessoa que transita mesmo, e tal.

 

Sidney: que não tá nem numa ponta nem na outra.

 

Tiago: É fases… É momentos da vida. Naquele momento ela ta mais a fim… Mas tem gente que propõe outras classificações também, até porque a discussão da sexualidade é muito recente.

 

Dan: Sim, é uma pauta que precisa ainda ser…

 

Sidney: Difundida.

 

Dan: Difundida, na verdade. Eu acho que algumas pessoas precisam até ter essa angústia, nem sabem o que são mesmo e precisam se encontrar, né.

 

Tiago: Exatamente. E nesse ponto, assim, eu acho que o que vale muito… Porque tem realmente gente que tem problemas com a sua sexualidade. Não a exerce porque sofreu um trauma, porque… Por N coisas. Mas, assim, qual que é a diferença do assexual pra uma pessoa que realmente tem problemas com a sexualidade, que não a exerce por causa de problemas? Sofrimento. O assexual, ele não tem sofrimento por não ter relações sexuais, ele tem sofrimento pelo julgamento externo, pela coisa externa. Mas interiormente, ele tá de boa com a situação.

 

Sidney: Aham, sim.

 

Tiago: Agora, se a pessoa Não exerce a sexualidade, não se atrai por ninguém e ela tem um sofrimento muito forte com isso, aí é um indício de que ela precisa de uma ajuda pra entender o que tá acontecendo com ela. Mas se você não tem desejo por ninguém, tá de boa, acabou.

 

Sidney: Tá tudo bem.

 

Tiago: Tudo bem.

 

Dan: é tranquilo, a partir do momento que a pessoa também se entende, se posiciona e não gera mais angústia também, né.

 

Tiago: Exatamente.

 

(VINHETA: ENTRE EFEITOS SONOROS DE IMPACTO E DE DISTORÇÃO DE ÁUDIO, A VOZ ANUNCIA “MOMENTO SUPER PODERES!”)

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dan: Tiago, se você tivesse um super poder para combater o preconceito em relação à LGBTTQIPAfobia em geral, qual seria o seu super poder?

 

Tiago: Cara, O Corvo. O corvo, aquela HQ. Tem aquele filme de 94, mas ele era de quadrinho antes de virar…

 

Sidney: com o Mark Dacascos?

 

Tiago: Antes da série do Mark Dacascos, teve um filme com o Brandon Lee, que o cara morreu, tal.

 

Sidney: Aham, sim, lembro.

 

Tiago: E ele era um personagem de quadrinhos, na verdade. E assim, ele tem um poder específico dele que eu acho que seria fantástico pra combater o preconceito, seria o mais efetivo. Que ele pode pegar as sensações de um… Assim, quando ele toca em alguém, fica marcado nele memórias, sofrimentos, né. Então, como que o Corvo se vingava? Hora ou outra ele matava a pessoa, sim. Mas assim, como ele se vingava da pessoa? Fazia ela sentir o que ela fez o outro sentir.

 

Sidney: Nossa, excelente. Pelo toque.

 

Dan: É o literalmente se colocar no lugar do outro forçadamente.

 

Tiago: Forçadamente  (risos). Meu fio, você aprontou, agora vamos lá. Vê só o que você causou.

 

Dan: Olha só! Gostei desse poder.

 

Sidney: Excelente, esse poder é excelente.

 

Dan: The Crow!

 

Tiago: Eu acho que, assim, ele tem outros poderes lá. Tipo, voltar da morte já é um super poder. Legal até (risos).

 

Sidney: É verdade.

 

Tiago: Tem o fator de cura, né. Como ele tá morto, ele não morre de novo. Várias, tem umas habilidades lá. Mas esse daí, pra combater preconceito, eu acho que é perfeito. Você (ele ri) pega o Bolsonaro e faz ele…

 

Sidney: Sentir na pele.

 

Tiago: Ele sentir na pele todo…

 

Dan: Menina! Tinha um bolsonaro sentindo um poderzinho desse? Eu gostaria. Eu gostei.

 

Sidney: Ele ia ter um AVC, eu acho, na hora que O Corvo tocasse nele… Enfim, foi maravilhoso, Tiago. Que poder maravilhoso. Eu não conhecia esse poder do Corvo. Só conhecia a má fama do Mark Dacascos. (risos) Ainda bem que você chegou pra me esclarecer. E foi excelente, adorei a conversa.

 

Dan: Sim, eu também adorei. Foi muito legal.

 

Sidney: Muito obrigado, Tiago. Foi um prazer.

 

Dan: Ah, Tiago, você quiser deixar aí, fazer um jabá, deixar um… Se você tiver algum trabalho, ou algum link dos podcasts que você já gravou, pra a gente poder também divulgar seu trabalho, é bacana. Não sei se você tem alguma coisa também sobre a música, é interessante…

 

Sidney: Pra divulgar…fica o espaço aí. Faça o seu jabá.

 

Tiago: É, então, tudo que eu faço… Eu vou começar a participar de um projeto que chama Música e Sociedade, que é um site que já existe, né. Publicar textos lá. Pelo meu Twitter, @tianix (ele soletra em seguida), tudo que eu faço, eu boto lá. Então, vez ou outra eu participo de algum podcast, eu apareço lá. O pessoal do Euterpe Despedaçada, a gente tá meio parado, mas tá tudo no ar ainda. É só procurar esse site. É blogspot.com, eu acho.

 

Sidney: Digita no Google e acha fácil, não deve ter muitos podcasts com esse nome, né…

 

Tiago: É, eu acho difícil (risos) Eu participei uma época também do Nerdópole, que é um outro podcast, que o pessoal tem um outro podcast pequeno que é o Esquadrão Aleatório, também. Tamo aí, né.

 

Sidney: Tá transitando pela podosfera.

 

Tiago: Tô transitando. Até do Anticast eu participei de um, mas eu acho que o pessoal não gosta muito de falar de música lá, não é (risos).

 

Sidney: Ah, parece que não, né (risos).

 

Dan: Flopou (risos). Meu muito obrigado. Valeu pelos ensinamentos, apesar de ter lido, ouvir é bem melhor e ver a experiência da pessoa.

 

Sidney: Ouvir histórias é sempre mais importante, né.

 

Tiago: eu que agradeço.

 

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

 

Dan: E aí, Sid, temos uma HQ sem quadrinhos?

 

Sidney: Temos essa HQ, assim, super musical, super elegante. Que o Tiago é um… Olha, é até fofinho de conversar com ele. Foi uma delícia.

 

Dan: ele é calmo, a voz suave. Eu acho que pra ouvir no podcast vai ficar maravilhoso.

 

Sidney: Sim! Ah, ele fica… Assim, como ele é músico, eu imagino ele tocando harpa, assim, acalmando todo mundo (risos). Um abração, um beijão, Tiago. Obrigado aí por tudo.

 

Dan: Obrigado. E, pessoal, nós chegamos agora na seção que é a seção de indicações. Sidney, o que temos para indicar hoje?

 

Sidney: Hoje temos… continuamos na saga Netflix sem patrocínio. Mas, assim, as séries que eu vou indicar hoje são importantes porque têm a ver conosco, né. Enfim, a primeira série que eu vou indicar é a Dear White People, que estreou recentemente na Netflix. Em Português ficou Cara Gente Branca…

 

Dan: Cara Gente Branca.

 

Sidney: É isso mesmo, né? Ela é um remake, uma adaptação de um filme de mesmo nome, que foi lançado, é um filme independente e tal, e trata sobre a questão do racismo em uma universidade dos Estados Unidos de muito prestígio, na narrativa do filme. E o que é interessante nessa série é que ela aborda vários personagens negros e ela desmistifica aquilo que é péssimo pra a representatividade, pra qualquer representatividade, que é o papel único. Na série, a gente encontra vários personagens negros e a gente entende que ser negro e sofrer o racismo… Não é porque você é negro que você vai sofrer o racismo ou encarar a questão do racismo igual todo e qualquer negro. Então, são indivíduos e porque são indivíduos também têm suas individualidades dentro da própria luta e da própria questão da raça. Eu tô falando porque eu me encantei com a série, é uma crítica à branquitude e ao modo pernicioso como a gente encara a luta contra o racismo, hoje em dia. E eu acho que… Eu, falando de branco pra branco, aqui, pessoal, indico especialmente pra os colegas brancos, que assistam pra repensar o seu privilégio branco.

 

Dan: E sabendo que não é sobre você (Dan ri).

 

Sidney: Exatamente. Não é sobre você, é sobre eles. Apesar de ser Cara gente Branca, né.

 

Dan: Isso! É a maior ironia…

 

Sidney: É um chamado.

 

Dan: Eu adorei esse título.

 

Dan: E a segunda indicação é uma série ma-ra-vi-lho-sa, chama Sense8. A segunda temporada lançou agora no mês de maio. Ficamos dois anos sem Sense8 (ele trava ao tentar pronunciar). Olha que dificuldade de falar.

 

Sidney: Foi um longo e tenebroso inverno.

 

Dan: Foi. Enquanto isso, a gente assistiu the winter is comming. (risos). Mas voltando à série, o que acontece, é uma série que tem um arco com vários tipos de personagens e com várias representações. Até pela questão de países, mas também de sexualidades. E a mistura dessas sexualidades, até dessa fluidez, quando eles fazem algumas coisinhas na série.

 

Sidney: Sim, FÁRIAS coisinhas!

 

Dan: Várias, maravilhosas.

 

Sidney: é Bom pra a gente indicar aqui porque é uma série de ficção científica, né, são 8 pessoas que se conectam empaticamente ao redor do mundo, eles sentem as sensações…

 

Dan: Oito pessoas ao redor do mundo que nasceram no mesmo horário. Em diversos…

 

Sidney: No mesmo dia.

 

Dan: No mesmo dia, no mesmo horário, em diversas regiões do mundo. É uma coreana, um africano, uma irlandesa, se não me engano, um americano, um mexicano, e…

 

Sidney: E a menina da Índia.

 

Dan: E uma indiana. Deu seis… O Wolfgang, que é um alemão. Sete.

 

Sidney: Alemão. E tem a… o… Ih! São muitas pessoas…

 

Dan: Ah, é porque tem a Nomi e o Will…

 

Sidney: São dois americanos.

 

Dan: São dois americanos, é. Isso mesmo. Fecham oito.

 

Sidney: E ela é boa porque ela fala sobre muitas coisas que a gente fala aqui no HQ da vida. Sobre diversidade, representatividade, empatia, e sobre a crítica a esse movimento que é globalizante de você tá interconectado com o mundo inteiro e mesmo assim ainda existirem essas barreiras dos preconceitos. Ela é boa pra a gente entender isso, através de uma ficção que… bom, pra alguns é lenta. Pra mim, eu gostei desde o primeiro episódio. Então, experimenta, gente.

 

Dan: Sem dar spoiler pra quem não assistiu, uma coisa interessante é que, pelo fato deles estarem conectados empaticamente, alguns poderiam até serem preconceituosos, na série não deixa muito claro, mas se era ou não, a partir do momento que eles começam a ver a vida do outro pelos olhos do outro, não existe preconceito. Na verdade, não existe barreira nenhuma, né.

 

Sidney: A barreira não existe porque… Inclusive, é um fato dado que o preconceito não é vencido com leitura, não é vencido com títulos acadêmicos, o preconceito só é vencido com o contato com a diferença, né. Só a partir da convivência.

 

Dan: Inclusive, a gente conhece muita gente na web, em qualquer lugar, na vida real, que é inteligente, é acadêmico, mas o preconceito está lá presente.

 

Sidney: Exatamente. Não tem nada a ver com inteligência, tem a ver com contato, com experiência.

 

Dan: É isso aí, então temos um HQ. Ok?

 

Sidney: Ok, agora vamos dar o nosso serviço.

 

Dan: Isso, servicinho de casa.

 

Sidney: Ai, meu deus, vamos lá. Se você quer mandar a sua cartinha pra nós, né, Me Ajuda HQ… (Dan ri)

 

Dan: Piada interna, gente, tem a ver com os próximos programas…

 

Sidney: É, exatamente. Olha o teaser. Você quer mandar sua crítica, sua sugestão, sua bronca, manda pra gente, seu feedback é importante, para hqdavida@gmail.com; a gente também está no Facebook, no facebook.com/hqdavida; temos o nosso Twitter que é @hqdavida; você também nos encontra no Youtube, nossos episódios são publicados lá também, você vai lá no Youtube e procura por “HQ da Vida Podcast”. O nosso podcast é hospedado no soundcloud.com/hqdavida; a gente também tá no Medium, lembrando sempre, muito importante, as transcrições dos episódios, todo episódio é transcrito e essa transcrição é publicada lá no nosso perfil do Medium, você vai lá no Medium e procura por nós no @hqdavida. Sempre lembrando, se você tem conta no iTunes, procura lá a gente e dá 5 estrelinhas pra a gente brilhar e tocar os ouvidos dessa podosfera brasileira.

 

Dan: É isso aí. Tchau, tchau, pessoal!

 

Sidney: Xero, tchau. Até o próximo.

 

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

 

FIM

 

Transcrito por Sidney Andrade.

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