30 minutos
4 porções
Fácil
0 kcal
Ingredientes
- 250 g de mel (preferencialmente de boa qualidade)
- 125 g de pan rallado (ou pão duro triturado)
- 150 g de nozes picadas (ou amêndoas)
- Raspas de 1 limão ou laranja (ou algumas gotas de água de flor de laranjeira)
- 4 obleias redondas para turrón
Modo de Preparo
- Aqueça o mel em uma panela em fogo médio até que esteja completamente derretido e líquido.
- Antes que o mel comece a caramelizar, adicione o pan rallado e as nozes (ou amêndoas) picadas. Misture bem.
- Acrescente as raspas de limão ou laranja (ou a água de flor de laranjeira) e continue cozinhando em fogo lento, mexendo constantemente para não queimar, até que a massa fique espessa e uniforme.
- Retire a massa do fogo.
- Coloque uma oblea no prato de servir e espalhe a massa quente sobre ela, cobrindo toda a superfície, mas deixando uma pequena margem nas bordas.
- Cubra a massa com outra oblea.
- Com um objeto plano e liso, pressione levemente a parte superior para que a massa se espalhe uniformemente e atinja as bordas da oblea inferior, tomando cuidado para não quebrar as obleas.
- Deixe o Alajú esfriar completamente para que a massa firme. Depois de frio, corte em porções para servir.
Dicas do Chef
- Se for usar amêndoas, prefira-as torradas para intensificar o sabor, mas algumas receitas tradicionais pedem a amêndoa crua.
- A qualidade do mel é crucial, pois ele é o ingrediente principal. Mel de alecrim (romero) é frequentemente recomendado.
- Se a massa ficar muito firme ao esfriar, você pode servir em pedaços menores ou levemente aquecer antes de pressionar.
- Para um toque extra, algumas receitas adicionam uma pitada de canela à mistura de mel e nozes.
Alajú: Uma Doce Herança da Rota da Seda à Mesa Espanhola
O Alajú é mais do que um simples doce; é um artefato comestível que narra a história das grandes trocas culturais e comerciais ao longo dos séculos. Sua jornada gastronômica é fascinante, começando, segundo algumas fontes, na China do século X. A receita, baseada em mel, nozes e um agente de ligação (originalmente pão duro), viajou através de rotas comerciais, sendo absorvida e adaptada por diferentes culturas.
A chegada do Alajú à Europa está intrinsecamente ligada à presença moura na Península Ibérica. Os árabes, mestres em confeitaria que utilizavam intensamente o mel e as oleaginosas, trouxeram consigo o nome original, que se assemelha ao termo árabe al-hasú, significando “o recheio”. Este nome descreve perfeitamente sua essência: um recheio doce e denso, prensado entre duas obleias finas, que funcionavam como um invólucro prático e comestível.
A Tradição em Castilla-La Mancha
Hoje, o Alajú é emblemático da província de Cuenca, na região de Castilla-La Mancha, Espanha, onde se tornou um doce tradicional, especialmente consumido em épocas festivas como o Natal, rivalizando em importância com os famosos turrones. A receita local manteve a fidelidade aos seus pilares, mas adaptou-se aos ingredientes disponíveis. Antigamente, a utilização do pan rallado (farinha de rosca) era uma tática de aproveitamento, transformando pão velho e duro em um ingrediente valioso que ajudava a dar corpo e textura à mistura de mel e nozes.
A versão de Cuenca costuma ser mais robusta e, muitas vezes, incorpora a ralladura de limão ou laranja, ou até mesmo a agua de azahar (água de flor de laranjeira), para adicionar um contraponto cítrico e aromático à doçura concentrada do mel. O mel da região de Alcarria, famoso por sua qualidade, é frequentemente citado como o ideal para a preparação, garantindo um sabor autêntico e inconfundível.
Curiosidades e Dicas de Expert para o Alajú Perfeito
O Alajú é notável por ser um doce sem forno, o que o torna acessível e rápido de preparar, contrastando com a longa tradição de sua história. Para garantir o sucesso desta receita histórica, algumas nuances são importantes:
- A Oblea: As obleias utilizadas são as mesmas empregadas para envolver turrones. Elas são essenciais, pois evitam que a massa grude e fornecem a textura levemente crocante que contrasta com o recheio macio.
- Ponto do Mel: O segredo está em aquecer o mel apenas o suficiente para que ele se torne fluido e consiga incorporar os secos, mas sem deixá-lo atingir o ponto de caramelo. Um mel muito cozido resultará em um Alajú duro e quebradiço.
- A Prensagem: Após montar o sanduíche de massa e obleias, a leve pressão com um objeto plano é fundamental para assentar o recheio e garantir que as bordas fiquem seladas, permitindo que o doce mantenha sua forma ao esfriar.
Embora seja um doce espanhol, sua essência árabe o conecta a uma vasta tradição de doces à base de mel e nozes que se espalham pelo Mediterrâneo e Oriente Médio. Ao preparar o Alajú, você não está apenas fazendo uma sobremesa; está honrando uma linha de transmissão cultural que atravessou continentes, provando que a simplicidade dos ingredientes, quando combinada com técnica e história, resulta em algo verdadeiramente memorável.









