Toucinho do Céu Tradicional Português

Toucinho do Céu Tradicional Português
Tempo de Preparo

1 hora e 30 minutos

Rendimento

8 porções

Dificuldade

Médio

Calorias

0 kcal

O Toucinho do Céu é um ícone da doçaria conventual portuguesa, um bolo denso e húmido que contrasta com seu nome, que sugere algo pesado. Sua cor amarela intensa, resultado da grande quantidade de gemas, e o sabor profundo da amêndoa o tornam inesquecível. Este doce, que tem suas raízes nos mosteiros de Portugal, especialmente nas regiões de Guimarães e Murça, nasceu do aproveitamento das gemas de ovos, já que as claras eram usadas para outros fins, como na produção de hóstias. A receita tradicional, que em suas origens levava banha de porco (daí o nome peculiar), evoluiu, mas manteve a essência rica e aveludada. Preparar um autêntico Toucinho do Céu é um ato de carinho e paciência, que recompensa com uma sobremesa celestial, perfeita para acompanhar um café forte. A técnica da calda em ponto de pérola é crucial para a textura final deste clássico lusitano.

Ingredientes

  • 500 g de açúcar
  • 250 ml de água
  • 18 gemas de ovos
  • 2 ovos inteiros
  • 250 g de farinha de amêndoa (ou amêndoas moídas)
  • 60 g de farinha de trigo (ou amido de milho, dependendo da variação)
  • 50 g de manteiga (ou banha, na versão original)
  • Raspas de limão (opcional, para aromatizar a calda)
  • Pau de canela (opcional, para aromatizar a calda)
  • Açúcar em pó para polvilhar

Modo de Preparo

  1. Prepare a calda: Em uma panela, coloque a água e o açúcar. Adicione as raspas de limão e o pau de canela, se estiver usando. Leve ao fogo até atingir o ponto pérola (cerca de 108°C). Retire do fogo e deixe amornar um pouco, removendo os aromatizantes.
  2. Em uma tigela, misture as gemas e os ovos inteiros, batendo levemente. Adicione lentamente a calda morna à mistura de ovos, mexendo sempre e vigorosamente para não cozinhar os ovos.
  3. Volte a mistura para o tacho em lume brando, mexendo sem parar. Acrescente a manteiga (ou banha) e deixe derreter.
  4. Misture a farinha de amêndoa com a farinha de trigo (ou amido) e incorpore-as à mistura do tacho, mexendo até obter uma massa homogênea.
  5. Deixe a massa arrefecer ligeiramente. Unte e enfarinhe uma forma (tradicionalmente uma travessa ou forma de aro removível). Despeje a massa na forma.
  6. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 40 minutos, ou até que esteja firme e com uma cor dourada por cima. O tempo pode variar conforme o forno.
  7. Retire do forno, deixe arrefecer um pouco na forma, desenforme com cuidado e deixe esfriar completamente.
  8. Na hora de servir, polvilhe generosamente com açúcar em pó.

Dicas do Chef

  • Para garantir a textura aveludada, é crucial que a calda de açúcar não esteja muito quente ao ser adicionada às gemas, para evitar que elas coagulem.
  • Se usar amêndoas inteiras, certifique-se de moê-las muito finamente, quase como uma farinha, para não comprometer a maciez do bolo.
  • Algumas receitas mais modernas substituem o doce de gila (ou chila) por mais amêndoa ou coco ralado, mas a versão clássica foca na amêndoa.
  • A paciência é essencial: o Toucinho do Céu só atinge sua textura final ideal após esfriar completamente.

A História Celestial do Toucinho do Céu: Do Convento à Mesa

O Toucinho do Céu não é apenas um doce; é um pedaço da história da doçaria conventual portuguesa, um legado rico em tradição e, curiosamente, em excedentes de ingredientes. Este bolo, de cor dourada vibrante e textura que oscila entre o bolo denso e o pudim macio, é um dos mais celebrados de Portugal, sendo especialmente famoso nas regiões de Guimarães e Murça, onde se acredita que sua receita original tenha nascido. A sua fama está intrinsecamente ligada ao período em que os conventos eram centros de produção de doces sofisticados, aproveitando o grande volume de gemas que sobrava após o uso das claras na produção de hóstias e na goma para os hábitos das religiosas.

Origem Peculiar e o Nome que Enganava

A origem do nome Toucinho do Céu é um dos pontos mais fascinantes de sua história. A versão mais aceita remonta ao facto de a receita original, desenvolvida pelas freiras, levar banha de porco como um dos seus ingredientes gordurosos, em vez da manteiga usada hoje em muitas adaptações. Para os padrões da época, usar banha em um doce tão rico e caro era algo quase impensável, um luxo que só poderia ser chamado de “Toucinho do Céu”, ou seja, algo tão bom que parecia vir do paraíso.

Uma anedota popular conta que as freiras, ao se dedicarem excessivamente à venda de doces – um negócio que prosperou devido à alta demanda – foram repreendidas. Em 1758, o arcebispo de Braga teria tentado impor restrições. Como forma de “burlar” as proibições ou, pelo menos, disfarçar a opulência do quitute, elas teriam mantido o nome extravagante, garantindo que o doce continuasse a ser produzido e apreciado, espalhando-se por todo o país.

Curiosidades e Variações Regionais

O Toucinho do Céu é um excelente exemplo de como a tradição culinária portuguesa se adapta ao longo do tempo e do espaço. Embora a base seja sempre a tríade ovos, açúcar e amêndoas, as variações regionais são notáveis:

  • A Influência da Gila: Muitas receitas tradicionais, como as de Murça, incluem o doce de gila (doce feito a partir da cabaça), que adiciona uma camada extra de doçura e humidade, além de ajudar a dar estrutura ao bolo.
  • A Ausência de Farinha: A versão mais purista é praticamente um pudim de amêndoa e gema, com pouquíssima ou nenhuma farinha de trigo, focando toda a textura no miolo denso proporcionado pelas gemas.
  • Aromatização: Enquanto algumas receitas se contentam com o sabor puro da amêndoa, outras utilizam raspas de limão ou canela em pó (geralmente na calda ou como finalização) para realçar o perfil aromático.

Dicas Adicionais de Expert para um Doce Celestial

Para o chef que busca a perfeição no Toucinho do Céu, alguns detalhes fazem toda a diferença. O ponto da calda de açúcar é o segredo; atingir o ponto pérola (cerca de 108°C) garante a liga correta sem deixar o doce excessivamente açucarado ou seco. O cuidado ao incorporar as gemas é vital: a calda deve estar morna, não fervente, para que as gemas não cozinhem e virem um ovo mexido dentro da massa.

Outro ponto de atenção é o forno. Este doce deve ser assado lentamente, em temperatura moderada, para que cozinhe por igual, desenvolvendo aquela crosta dourada e caramelizada por cima, enquanto o interior permanece cremoso e húmido. Servir o bolo Toucinho do Céu frio ou à temperatura ambiente, generosamente polvilhado com açúcar de confeiteiro, é a maneira mais autêntica de honrar esta iguaria conventual que, apesar do nome rústico, é pura sofisticação lusitana.

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