Bacalhau à Portuguesa: A Clássica Bacalhoada no Forno

Bacalhau à Portuguesa: A Clássica Bacalhoada no Forno
Tempo de Preparo

2 horas

Rendimento

6 porções

Dificuldade

Médio

Calorias

550 kcal

O Bacalhau à Portuguesa é mais do que uma receita; é um ícone da gastronomia lusitana, um “fiel amigo” que transcendeu fronteiras e se tornou um prato celebrado em diversas culturas, especialmente no Brasil. Este prato, muitas vezes chamado de bacalhoada, é a estrela de mesas festivas, como Páscoa e Natal, mas sua versatilidade permite que seja apreciado em qualquer ocasião especial. A preparação envolve o nobre peixe, geralmente o Gadus morhua, combinado com batatas, cebolas, pimentões coloridos, alho, azeitonas e, claro, muito azeite de oliva extra virgem. O cozimento lento no forno permite que os sabores se entrelacem harmoniosamente, resultando em lascas suculentas de bacalhau e legumes macios e saborosos. Mergulhe nesta experiência culinária e traga um pedaço da tradição portuguesa para a sua mesa, com um prato rico em história, sabor e afeto. A arte de dessalgar o bacalhau e o cuidado no preparo são os segredos para um resultado impecável, que encanta a todos.

Ingredientes

  • 1 kg de lombo de bacalhau dessalgado (Gadus morhua preferencialmente)
  • 1 kg de batatas (bolinha ou comum, cortadas em rodelas grossas)
  • 3 cebolas grandes, cortadas em rodelas grossas ou pétalas
  • 2 pimentões (1 vermelho e 1 amarelo), cortados em rodelas ou tiras
  • 6-8 dentes de alho, laminados ou inteiros
  • 300-500 ml de azeite de oliva extra virgem
  • 150 g de azeitonas pretas (portuguesas, se possível)
  • 4 ovos cozidos, cortados em rodelas (para decorar)
  • Salsinha picada a gosto (para finalizar)
  • Pimenta do reino a gosto
  • Folhas de louro (opcional)
  • Sal (apenas se necessário, após provar)

Modo de Preparo

  1. Comece a dessalgar o bacalhau com 48 horas de antecedência para postas grandes ou 24 horas para postas menores/lascas, mantendo-o na geladeira e trocando a água 3 vezes ao dia.
  2. Em uma panela grande, coloque o bacalhau dessalgado e cubra com água fria (e algumas folhas de louro, se usar). Leve ao fogo e, assim que a água começar a ferver, cozinhe por cerca de 5 a 10 minutos, dependendo da espessura das postas. Retire o bacalhau com cuidado e reserve a água do cozimento.
  3. Com o bacalhau morno, retire a pele (se desejar) e as espinhas, separando-o em lascas grandes ou mantendo as postas. Reserve.
  4. Na mesma água do cozimento do bacalhau (ou em água limpa com sal, se preferir), cozinhe as batatas cortadas em rodelas até ficarem al dente. Escorra e reserve.
  5. Em uma frigideira separada, aqueça um pouco de azeite e refogue as cebolas e os pimentões até murcharem levemente. Adicione o alho laminado e refogue por mais um minuto.
  6. Em uma assadeira grande e untada com azeite, faça camadas. Comece com uma camada de batatas, seguida por parte dos pimentões, cebolas e alho refogados. Disponha as lascas ou postas de bacalhau por cima. Tempere com pimenta do reino.
  7. Repita as camadas, finalizando com batatas e legumes. Regue generosamente com o restante do azeite.
  8. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 25 a 35 minutos. Para evitar que o bacalhau resseque, você pode cobrir a assadeira com papel alumínio nos primeiros 20 minutos e retirar nos últimos 5-10 minutos para dourar levemente.
  9. Retire do forno, decore com as azeitonas pretas e os ovos cozidos em rodelas. Salpique salsinha picada a gosto e sirva imediatamente.

Dicas do Chef

  • A dessalga é crucial: A etapa de dessalgar o bacalhau é a mais importante para garantir o sabor ideal. Nunca acelere esse processo e sempre mantenha o bacalhau na geladeira durante a demolha, trocando a água regularmente.
  • Escolha o bacalhau certo: O Gadus morhua, conhecido como bacalhau do Porto, é a espécie mais valorizada por suas postas altas e carne que se desfaz em lascas tenras. Para receitas desfiadas, opções como o Saithe podem ser mais econômicas e igualmente saborosas.
  • Não cozinhe demais: O bacalhau não precisa de longos cozimentos. O ideal é pré-cozinhá-lo apenas para soltar as lascas e finalizar no forno com os legumes, garantindo que permaneça suculento e macio.
  • Azeite sem moderação: O azeite de oliva extra virgem é um ingrediente fundamental que confere sabor e umidade ao bacalhau. Não hesite em usá-lo generosamente, pois ele é essencial para o prato.
  • Aproveite os temperos: Utilize a água do cozimento do bacalhau para cozinhar as batatas e outros legumes, absorvendo ainda mais sabor e profundidade para o prato.

O bacalhau, mais do que um simples peixe, é um verdadeiro tesouro gastronômico, com uma história rica e multifacetada que se entrelaça com a evolução de diversas culturas, especialmente a portuguesa. Sua jornada desde as gélidas águas do Atlântico Norte até as mesas mais festivas do mundo é fascinante e repleta de curiosidades.

Origem e a Epopeia dos Mares

A história do bacalhau remonta a tempos milenares. Os primeiros a desbravar as possibilidades deste peixe foram os Vikings, por volta do século IX. Eles pescavam o Gadus morhua, abundante nos mares que navegavam, e o secavam ao ar livre até que ficasse duro como uma tábua, sem o uso de sal. Era uma forma engenhosa de conservar o alimento para suas longas viagens marítimas, consumindo-o em pedaços.

No entanto, a revolução do bacalhau como o conhecemos hoje – seco e salgado – é atribuída aos Bascos. Por volta do ano 1000, este povo, habitante das vertentes dos Pirineus Ocidentais (entre Espanha e França), já conhecia o sal e começou a comercializar o bacalhau curado, salgando-o e depois secando-o nas rochas. Este método de salga e secagem garantia não apenas a conservação por longos períodos, mas também realçava o sabor e mantinha os nutrientes, tornando-o um alimento revolucionário em uma época sem refrigeração.

A verdadeira consagração do bacalhau na gastronomia ocorreu no século XV, com os portugueses. Durante as Grandes Navegações, a necessidade de alimentos não perecíveis que pudessem suportar longas travessias marítimas fez do bacalhau a escolha ideal. Portugal, que já se destacava na seca de peixe desde o Império Romano, adotou e aprimorou a técnica de salga e cura, transformando o bacalhau em um produto global e um pilar de sua identidade culinária.

O “Fiel Amigo” Português e Sua Chegada ao Brasil

Em Portugal, o bacalhau é carinhosamente chamado de “Fiel Amigo”. Essa alcunha reflete sua presença constante na mesa dos portugueses, sendo um símbolo de sua cultura e história. É um alimento tão intrínseco à culinária lusitana que se diz que existem 1001 maneiras de prepará-lo, uma para cada dia do ano.

A paixão pelo bacalhau foi herdada pela culinária brasileira muito antes da vinda da família real portuguesa ao Brasil, embora tenha se popularizado ainda mais com a corte de D. João VI no século XIX. No Brasil, o bacalhau é especialmente consumido em datas festivas como a Páscoa, o Natal e durante a Semana Santa, tornando-se sinônimo de celebração e tradição familiar.

Variedades e Curiosidades

É importante ressaltar que “bacalhau” é, na verdade, uma designação genérica para diversos peixes submetidos ao processo de salga e cura. O mais famoso e valorizado é o Gadus morhua, também conhecido como bacalhau do Porto ou Cod. Ele se destaca por suas postas altas, carne clara e a capacidade de se desfazer em lascas tenras após o cozimento. Outras espécies como o Saithe, Ling e Zarbo também são comercializadas como bacalhau, cada uma com suas características de sabor, textura e preço, sendo o Saithe uma ótima opção para pratos desfiados.

A cidade de Ílhavo, em Portugal, é considerada a “capital do bacalhau”, abrigando até um museu dedicado à epopeia da pesca deste nobre peixe, com um famoso aquário de bacalhaus.

Uma curiosidade interessante é que do bacalhau, praticamente tudo se aproveita. As vísceras e espinhas são utilizadas na indústria cosmética e biomedicina (ômega 3, óleo, colágeno), as ovas são consum...

Uma curiosidade interessante é que do bacalhau, praticamente tudo se aproveita. As vísceras e espinhas são utilizadas na indústria cosmética e biomedicina (ômega 3, óleo, colágeno), as ovas são consumidas salgadas (caviar) ou curadas (bottarga), e a pele pode ser transformada em couro. Até a língua do bacalhau é uma iguaria em algumas regiões, sendo tradicionalmente retirada por adolescentes na Noruega, que vendem a iguaria para poupar dinheiro.

O bacalhau é mais do que um alimento; é um elo cultural, um símbolo de resistência e adaptação, e um convite a explorar a riqueza da gastronomia que une povos e celebrações. Sua versatilidade e sabor inconfundível garantem que ele continue sendo um “fiel amigo” nas mesas de todo o mundo.

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