1 hora e 10 minutos
35 porções
Médio
60 kcal
Ingredientes
- 2 xícaras (chá) de polvilho azedo (aproximadamente 350g)
- 1/2 xícara (chá) de leite (aproximadamente 120ml)
- 1/2 xícara (chá) de água (aproximadamente 120ml)
- 1/4 xícara (chá) de óleo vegetal (aproximadamente 60ml)
- 1 colher (chá) de sal
- 1 colher (chá) de açúcar (opcional, ajuda a não estourar)
- 2 ovos grandes
- Óleo vegetal para fritar (quantidade suficiente para cobrir os biscoitos)
Modo de Preparo
- Em uma tigela grande, coloque o polvilho azedo.
- Em uma panela, adicione o leite, a água, o óleo e o sal (e o açúcar, se estiver usando). Leve ao fogo médio e aqueça até começar a ferver.
- Despeje a mistura quente sobre o polvilho na tigela. Com uma colher ou espátula, misture bem para escaldar o polvilho, formando uma farofa úmida.
- Deixe a massa amornar por alguns minutos. É importante que não esteja muito quente ao adicionar os ovos.
- Adicione os ovos, um a um, misturando bem após cada adição. Amasse com as mãos até obter uma massa lisa e homogênea, que seja fácil de modelar. Se necessário, adicione um pouco mais de polvilho ou um fio de água para ajustar o ponto.
- Com as mãos levemente untadas com óleo, modele os biscoitos no formato desejado (rolinhos, anéis ou trançados).
- Em uma panela funda, coloque uma quantidade generosa de óleo vegetal para fritar. O segredo para os biscoitos não estourarem é colocá-los no óleo ainda frio.
- Ligue o fogo em temperatura média-baixa. À medida que o óleo esquenta, os biscoitos irão subir à superfície e começar a dourar. Frite-os virando ocasionalmente até que fiquem dourados e crocantes.
- Retire os biscoitos com uma escumadeira e coloque-os sobre papel toalha para escorrer o excesso de óleo.
- Sirva os biscoitos de polvilho fritos ainda quentes e crocantes.
Dicas do Chef
- Para evitar que os biscoitos estourem, comece a fritura com o óleo frio. Isso permite que a massa cozinhe por dentro antes de dourar por fora.
- Se preferir, adicione 50g de queijo parmesão ralado à massa junto com os ovos para um sabor extra.
- Modele os biscoitos em tamanhos menores para garantir que cozinhem por igual e fiquem mais crocantes. Eles crescem bastante ao fritar.
- Não sobrecarregue a panela ao fritar; faça em levas para manter a temperatura do óleo e garantir uma fritura uniforme.
- Para um biscoito de polvilho doce, substitua o polvilho azedo por polvilho doce e adicione um pouco mais de açúcar à massa.
O “biscoito de polvilho frito crocante” é mais do que uma simples receita; é um pedaço da história e da alma da culinária brasileira. Sua presença em mesas de café da manhã e lanches da tarde, especialmente em Minas Gerais, remonta a séculos de tradição e a uma herança cultural rica e diversa.
Origens e Raízes Profundas
As exatas origens do biscoito de polvilho são envoltas em certo mistério, mas é amplamente aceito que essa delícia tem suas raízes nas fazendas de Minas Gerais, no século XVIII. Naquela época, as cozinheiras das fazendas, muitas delas escravizadas, já preparavam biscoitos de polvilho para os senhores, utilizando ingredientes simples e acessíveis. O polvilho, ingrediente principal, é o amido extraído da mandioca, uma raiz nativa do Brasil e um legado culinário dos povos indígenas. A palavra “polvilho” deriva do latim “pulvis” e do espanhol “polvillo”, significando “pó muito fino”, o que descreve perfeitamente a textura do amido.
Existem dois tipos principais de polvilho: o doce, que é simplesmente o amido seco, e o azedo, que passa por um processo de fermentação, conferindo-lhe um sabor mais acentuado e uma capacidade de expansão maior ao ser escaldado e assado/frito. Ambos são utilizados na preparação de biscoitos, pães de queijo e outras “quitandas”, um termo mineiro que abrange tudo o que é servido com café e preparado com farinha, leite e ovos.
A Magia do Preparo e Seus Nomes
A técnica de preparo do biscoito de polvilho é fascinante. O processo de escaldar o polvilho com líquidos quentes (água, leite e óleo) é crucial. Essa primeira “cocção” permite que o amido se hidrate e comece a se expandir. Ao ser frito, especialmente quando colocado em óleo frio, o biscoito ganha sua textura característica: uma casquinha crocante por fora e um interior aerado e leve, que literalmente “derrete na boca”. É essa leveza que lhe rendeu apelidos carinhosos como “biscoito voador” ou “biscoito de vento”.
A palavra “biscoito” em si tem uma etimologia interessante, vindo do latim “bis coctus”, que significa “cozido duas vezes”. Embora o biscoito de polvilho frito passe por um processo de escaldamento e depois fritura, a essência de um preparo em duas etapas permanece, seja na tradição de assar ou fritar.
Popularidade e Curiosidades Culturais
O biscoito de polvilho não é apenas um quitute; ele é um símbolo da hospitalidade e da “culinária afetiva” brasileira. Sua popularidade se estende por diversas regiões, sendo um petisco indispensável em festas juninas na Bahia e um acompanhamento tradicional no café da manhã e lanche em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro, uma marca em particular se tornou sinônimo de biscoito de polvilho: o Biscoito Globo. Fundada em São Paulo em 1953 pelos irmãos Ponce, a marca ganhou notoriedade no Rio após um evento religioso em 1955, consolidando sua produção na cidade e tornando-se um ícone das praias cariocas. A imagem dos ambulantes vendendo o Biscoito Globo nas praias é tão marcante que, em 2012, a atividade de vendedor ambulante de mate, limonada e biscoito de polvilho foi declarada “Patrimônio Cultural Carioca”.
Curiosamente, em 2016, durante as Olimpíadas no Rio, um jornalista do The New York Times gerou polêmica ao criticar o biscoito, afirmando que ele não tinha sabor. Essa crítica, no entanto, apenas reforçou a paixão dos brasileiros pelo seu biscoito de polvilho, mostrando como ele está enraizado na identidade nacional.
Hoje, além das versões tradicionais, é possível encontrar variações que incluem queijo, como o “biscoito de queijo curado frito”, ou até mesmo sabores inusitados como curry, ervas e açafrão, demonstrando a versatilidade e a capacidade de adaptação dessa receita clássica. Seja qual for a versão, o biscoito de polvilho frito continua a ser uma delícia que agrada a todos, conectando gerações e celebrando a riqueza da nossa gastronomia.









