1 hora e 5 minutos
20 porções
Fácil
0 kcal
Ingredientes
- 200g de farinha de trigo sem fermento
- 100g de manteiga (ou margarina)
- 2 colheres de sopa de açúcar refinado (para a massa)
- 1 colher de sopa de água (opcional, para dar ponto)
- 3 colheres de sopa de achocolatado (para a cobertura)
- 2 colheres de sopa de açúcar refinado (para a calda)
- 2 colheres de sopa de água (para a calda)
- Açúcar cristal (para finalizar)
Modo de Preparo
- Para a massa: Em uma tigela, misture a farinha de trigo, a manteiga em pedaços e as 2 colheres de sopa de açúcar. Trabalhe com as pontas dos dedos até obter uma farofa, e depois amasse até formar uma massa homogênea que não grude nas mãos. Se necessário, adicione uma colher de sopa de água.
- Modele a massa: Pegue pequenas porções de massa (cerca de 15g, se quiser padronizar), faça um rolinho alongado e achate-o levemente no formato de uma folha ou canoa.
- Resfrie: Coloque os biscoitos modelados em uma forma (pode ser forrada com papel manteiga) e leve à geladeira por, no mínimo, 12 a 30 minutos.
- Asse: Pré-aqueça o forno a 170°C ou 180°C (forno baixo). Asse os biscoitos por cerca de 20 a 25 minutos, ou até que fiquem levemente dourados nas pontas. Eles permanecerão claros. Retire do forno e deixe esfriar completamente na forma, pois estarão muito frágeis ao sair do forno.
- Prepare a calda: Em uma panela pequena, misture o achocolatado, as 2 colheres de sopa de açúcar e as 2 colheres de sopa de água. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até ferver e obter uma calda lisa. Reserve para amornar.
- Finalize: Com os biscoitos completamente frios, mergulhe metade de cada um na calda de chocolate morna.
- Empane: Imediatamente após mergulhar no chocolate, passe a parte coberta no açúcar cristal, cobrindo-o bem. Deixe secar em temperatura ambiente até a cobertura firmar.
Dicas do Chef
- A massa é muito delicada; não mexa nela excessivamente e espere esfriar completamente antes de manusear para cobrir, ou ela pode esfarelar.
- Para um toque extra paraense, algumas variações incluem a adição de castanha-do-pará triturada na massa.
- Se a calda de chocolate ficar muito grossa ao esfriar, aqueça-a levemente novamente, mas tome cuidado para não cozinhar demais.
- O tempo de forno é crucial; o biscoito não deve ficar muito escuro, mantendo a cor clara característica da massa.
Monteiro Lopes: A História de um Doce que Une Sabores e Lendas do Pará
O Biscoito Monteiro Lopes é muito mais do que uma simples guloseima; é um ícone cultural da gastronomia paraense, especialmente de Belém. Sua aparência inconfundível, com metade da massa amanteigada branca e a outra metade coberta por uma calda escura de chocolate e açúcar, carrega consigo uma das histórias mais românticas e controversas da culinária regional. Este doce, que derrete na boca, tem sua popularidade amplificada pelo mistério que envolve seu nome e sua origem, que remonta ao final do século XIX ou início do século XX.
A Lenda da Rivalidade e do Amor Proibido
A versão mais difundida e saborosa sobre a criação do Monteiro Lopes envolve uma rivalidade de padeiros em Belém, próximos ao famoso Mercado do Ver-o-Peso. Diz a lenda que existiam dois estabelecimentos concorrentes, um pertencente a Manoel Monteiro e outro a Antônio Lopes. A disputa era acirrada, e cada um possuía sua especialidade: um fazia um biscoito branco e delicado, e o outro, um biscoito com chocolate.
O destino, no entanto, uniu as famílias de forma inesperada. Os filhos dos padeiros rivais se apaixonaram, em um verdadeiro drama “Romeu e Julieta” amazônico. Para selar a união e, simbolicamente, acabar com a rixa entre as famílias, eles teriam combinado as duas receitas e os dois sobrenomes, dando origem ao nome Monteiro Lopes. O biscoito bicolor representaria a união do branco e do preto, do doce de um e do doce do outro.
Outras Versões e Influências Culturais
Embora a história do romance entre os filhos dos padeiros seja a mais popular, existe uma outra narrativa que também ganhou força, envolvendo o desembargador Agnano Moura Monteiro Lopes, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA). Nesta versão, o doce teria sido criado em homenagem ao casal Agnano e Laura, cujo amor, sendo ele negro e ela branca, enfrentou o preconceito da época. Uma amiga doceira da mãe do desembargador teria criado o biscoito com as duas cores para simbolizar a união racial, batizando-o com o sobrenome que o casal viria a compartilhar após o casamento. Esta história, que envolve figuras públicas e um forte tema social, foi até mesmo adaptada para um curta-metragem.
Independentemente da veracidade exata, o fato é que o Monteiro Lopes se estabeleceu como um clássico. Sua presença é constante em aniversários, confraternizações e padarias do Pará. A historiadora da alimentação aponta que o doce, por ser amanteigado, possui fortes influências das tradições doces portuguesas, adaptadas ao paladar local.
Dicas Adicionais de Expert para um Monteiro Lopes Perfeito
Para replicar a excelência deste quitute, alguns detalhes fazem toda a diferença. A massa deve ser trabalhada minimamente, apenas até incorporar a manteiga, para garantir a textura amanteigada e que derrete na boca. O segredo da crocância está em assar em forno mais brando (170°C a 180°C) e, principalmente, em não tocar nos biscoitos enquanto estiverem quentes. Eles saem do forno moles e só ganham firmeza após esfriarem completamente.
- A Calda Ideal: A calda de chocolate deve ser rala o suficiente para cobrir apenas metade do biscoito e, ao ser banhada no açúcar cristal, deve criar uma crosta fina e brilhante, sem encharcar a massa.
- Variações Regionais: Não hesite em adicionar um toque local, como a castanha-do-pará triturada na massa, que intensifica a identidade amazônica do doce.
- Harmonização: O acompanhamento clássico para o Monteiro Lopes é um bom cafezinho, que equilibra o dulçor da cobertura e realça o sabor da manteiga na massa.
O Biscoito Monteiro Lopes é, portanto, um delicioso elo entre o passado e o presente do Pará, uma prova de que as melhores histórias muitas vezes são contadas através da culinária.









