1 hora
20 porções
Fácil
65 kcal
Ingredientes
- 500g de bacalhau dessalgado, cozido e desfiado (Gadus Morhua de preferência)
- 500g de batatas (tipo Asterix ou outra com menos água), cozidas e espremidas ainda quentes
- 1 cebola média, bem picada ou ralada
- 2 dentes de alho amassados ou picados finamente (opcional)
- 1 ovo grande
- 2 colheres (sopa) de azeite de oliva extra virgem (+ um pouco para untar)
- ½ xícara (chá) de salsinha fresca picada
- Pimenta-do-reino moída na hora a gosto
- Sal a gosto (ajuste após provar a massa)
- 1 colher (sopa) de farinha de trigo (opcional, para dar mais liga)
- Azeite em spray ou pincel para borrifar/pincelar os bolinhos
Modo de Preparo
- Se o bacalhau não estiver dessalgado, siga as instruções de dessalga. Cozinhe o bacalhau em água fervente por cerca de 5-8 minutos, até que as lascas se soltem facilmente. Escorra, deixe amornar e desfie, removendo todas as peles e espinhas. Reserve a água do cozimento do bacalhau.
- Lave, descasque e corte as batatas em pedaços. Cozinhe-as na mesma água do bacalhau (ou em água fresca com uma pitada de sal) até ficarem bem macias. Escorra completamente e amasse as batatas ainda quentes até obter um purê liso. É crucial que as batatas estejam bem secas para a massa não ficar mole demais.
- Em uma tigela grande, junte o bacalhau desfiado e o purê de batatas. Adicione a cebola picada, o alho (se usar), a salsinha picada, o azeite, pimenta-do-reino e, se optar por usar, a farinha de trigo. Misture bem todos os ingredientes com as mãos ou uma colher resistente.
- Incorpore o ovo à massa e misture novamente até ficar homogêneo. Prove a massa e ajuste o sal, se necessário, lembrando que o bacalhau já tem seu próprio sabor.
- Leve a massa à geladeira por pelo menos 30 minutos a 1 hora. Isso ajuda a firmar a massa e facilita a modelagem, evitando que os bolinhos estourem na airfryer.
- Pré-aqueça a airfryer a 180°C por 5 minutos.
- Com a ajuda de duas colheres de sopa, modele os bolinhos no formato tradicional (quenele ou ovalado). Se preferir, unte levemente as mãos com azeite e modele os bolinhos.
- Unte o cesto da airfryer com azeite em spray ou pincel. Arrume os bolinhos no cesto, deixando um pequeno espaço entre eles para que o ar circule e dourem por igual. Não sobrecarregue o cesto; asse em levas, se necessário.
- Borrife ou pincele um pouco de azeite sobre cada bolinho. Isso ajuda a obter uma casquinha mais crocante e dourada.
- Asse na airfryer a 180°C por 15 a 20 minutos, ou até que estejam bem dourados e crocantes. Não é necessário virar os bolinhos na metade do tempo, mas você pode verificar se estão dourando uniformemente.
- Retire os bolinhos da airfryer e sirva imediatamente, acompanhados de limão ou um molho de sua preferência. Bom apetite!
Dicas do Chef
- **A Batata Ideal:** Utilize batatas com menos água, como a Asterix ou a batata inglesa, para garantir uma massa mais firme e evitar que os bolinhos fiquem moles. Cozinhe-as até ficarem macias, mas não moles demais, e escorra muito bem.
- **Resfriamento da Massa:** Levar a massa à geladeira por 30 minutos a 1 hora é fundamental para que ela ganhe firmeza, facilitando a modelagem e evitando que os bolinhos se desfaçam ou estourem durante o cozimento na airfryer.
- **Modelagem Perfeita:** A técnica tradicional usa duas colheres de sopa para modelar os bolinhos, criando um formato ovalado característico. Se a massa estiver um pouco mole, esse método é ideal.
- **Crocância na Airfryer:** Não sobrecarregue o cesto da airfryer. Asse os bolinhos em pequenas quantidades para garantir que o ar quente circule por todos os lados, resultando em uma casquinha super crocante e dourada. Borrifar azeite antes de assar também ajuda muito.
O bolinho de bacalhau, ou pastel de bacalhau como é conhecido em algumas regiões de Portugal, é muito mais do que um simples petisco; é um ícone da gastronomia luso-brasileira, carregado de história e afeto. Sua presença é quase obrigatória em celebrações, bares e restaurantes, unindo gerações em torno de um sabor inconfundível.
A Fascinante Origem Portuguesa
A história do bolinho de bacalhau nos leva diretamente a Portugal, a terra que elevou o bacalhau à categoria de “fiel amigo”. Embora a origem exata dentro do país seja motivo de debate entre historiadores gastronômicos, há um consenso de que a receita tradicional é originária da região do Minho, no norte de Portugal.
Acredita-se que o surgimento do bolinho de bacalhau esteja intimamente ligado à introdução da batata na culinária portuguesa. As batatas, que chegaram a Portugal no século XVI vindas da Galiza, começaram a ser cultivadas em Trás-os-Montes e depois se espalharam pelo Minho e Beiras. Antes disso, as receitas de bacalhau eram diferentes, e a combinação com a batata foi um divisor de águas.
As primeiras menções a receitas que remetem ao bolinho de bacalhau aparecem em livros de culinária do século XIX. Uma das receitas precursoras foi registrada em 1841, no livro “Arte do Cozinheiro e do Copeiro” do Visconde de Vilarinho de S. Romão, embora não correspondesse exatamente à versão atual. Mais tarde, em 1876, João da Mata, em seu “Arte de Cozinha”, apresentou “Pastelinhos fritos de bacalhau à Holandeza” e “Pastelinhos de bacalhau”, que já se aproximavam mais do que conhecemos hoje, embora os primeiros incluíssem queijo e os segundos fossem assados no forno.
A receita que se tornou o padrão para o bolinho de bacalhau moderno foi publicada em 1904, no célebre “Tratado de Cozinha e Copa”, de Carlos Bento da Maia (pseudônimo de Carlos Bandeira de Melo). Ele a nomeou como “Bacalhau em bolos enfolados”, e é a partir daí que a designação “bolinho de bacalhau” possivelmente se popularizou, especialmente no norte de Portugal e no Brasil.
A Chegada ao Brasil e a Popularização
A paixão pelo bolinho de bacalhau atravessou o Atlântico e desembarcou no Brasil por intermédio dos portugueses, especialmente durante a passagem da família real ao Rio de Janeiro no século XIX. Desde então, a iguaria se enraizou profundamente na cultura gastronômica brasileira, tornando-se um dos petiscos mais queridos do país. É um prato que democratizou o consumo do bacalhau, tornando-o acessível em bares, botecos e restaurantes de todos os níveis.
No Brasil, assim como no norte de Portugal, o nome “bolinho de bacalhau” é o mais utilizado, enquanto no centro e sul de Portugal, a iguaria é mais conhecida como “pastel de bacalhau”. Essa dualidade de nomes reflete as nuances culturais e linguísticas entre as regiões, mas o amor pelo prato permanece universal.
Curiosidades e Tradições
- As 7 Maravilhas: A importância cultural do bolinho de bacalhau é tanta que ele foi um dos finalistas no concurso que elegeu as 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, em 2011, mostrando seu valor como patrimônio culinário.
- A Batata Perfeita: O segredo para um bolinho de bacalhau com a textura ideal, que não desmancha e não fica encharcado, reside na escolha da batata. Variedades como a Asterix, que possuem menos água e mais amido, são as mais recomendadas. Elas garantem uma massa mais firme e homogênea.
- Modelagem Tradicional: A forma ovalada e ligeiramente pontiaguda do bolinho de bacalhau é tradicionalmente obtida com o auxílio de duas colheres de sopa, um gesto que exige prática, mas confere ao bolinho seu formato clássico e elegante.
- Versatilidade Culinária: Embora seja um petisco por excelência, o bolinho de bacalhau também pode ser servido como entrada em refeições mais elaboradas ou até mesmo como parte de um prato principal, acompanhado de arroz e salada. No Brasil, é um item indispensável em cardápios de Natal e Páscoa, além de ser um acompanhamento perfeito para uma cerveja gelada em um happy hour.
- Fritura vs. Airfryer: Tradicionalmente frito em óleo, o bolinho de bacalhau ganhou uma versão mais leve e igualmente saborosa com a popularização da airfryer. A fritadeira a ar permite uma casquinha crocante e um interior macio, com significativamente menos gordura, atendendo à demanda por opções mais saudáveis sem abrir mão do sabor autêntico.
- A Fã Real: Até mesmo a Princesa Grace Kelly de Mônaco, conhecida por sua elegância e rigor com a dieta, era uma apreciadora confessa do bolinho de bacalhau, fazendo uma exceção às frituras para saborear a iguaria portuguesa.
O bolinho de bacalhau é, portanto, um elo entre culturas, um prato que transcendeu fronteiras e se adaptou a novos tempos e tecnologias, como a airfryer, sem perder sua alma e seu lugar de destaque na mesa de milhões de pessoas.









