1 hora e 15 minutos
20 porções
Médio
150 kcal
Ingredientes
- 500g de bacalhau dessalgado, cozido e desfiado
- 500g de batatas cozidas e amassadas (preferencialmente tipo Asterix)
- 1 cebola média ralada ou bem picadinha
- 2 dentes de alho amassados ou triturados
- 1 ovo grande
- 2 colheres de sopa de salsinha fresca picada
- 2 colheres de sopa de azeite extra virgem (+ um pouco para untar)
- 1 colher de sopa de farinha de trigo (opcional, para dar mais liga)
- Pimenta-do-reino moída na hora a gosto
- Sal a gosto (cuidado, o bacalhau já é salgado)
Modo de Preparo
- Dessalgue o bacalhau conforme as instruções da embalagem (geralmente por 24 a 48 horas na geladeira, trocando a água várias vezes). Cozinhe o bacalhau dessalgado em água fervente por cerca de 10-15 minutos. Escorra, retire peles e espinhas e desfie finamente. Reserve.
- Lave e cozinhe as batatas com casca até ficarem bem macias. Descasque-as ainda quentes e amasse-as até obter um purê liso. Reserve.
- Em uma tigela grande, combine o bacalhau desfiado e as batatas amassadas. Misture bem.
- Adicione a cebola ralada, o alho amassado, o ovo, a salsinha picada, as 2 colheres de sopa de azeite, a pimenta-do-reino e, se for usar, a farinha de trigo. Misture todos os ingredientes vigorosamente até obter uma massa homogênea e bem ligada. Prove e ajuste o sal, se necessário, lembrando que o bacalhau já possui sal.
- Cubra a tigela com plástico filme e leve a massa à geladeira por pelo menos 30 minutos a 1 hora. Isso ajuda a massa a firmar e facilita a modelagem dos bolinhos.
- Com as mãos levemente untadas com azeite ou com a ajuda de duas colheres, modele os bolinhos no formato desejado (geralmente ovalados ou redondos).
- Pré-aqueça a Airfryer a 190°C por 5 minutos.
- Arrume os bolinhos na cesta da Airfryer, sem sobrepô-los, deixando um pequeno espaço entre eles para que o ar circule. Pincele ou borrife um pouco de azeite sobre cada bolinho para garantir uma crosta dourada e crocante.
- Cozinhe na Airfryer a 190°C por 15 a 20 minutos, virando os bolinhos na metade do tempo, ou até que estejam bem dourados e crocantes por fora. O tempo pode variar dependendo do tamanho dos bolinhos e do modelo da sua Airfryer.
- Sirva os bolinhos de bacalhau na Airfryer imediatamente, acompanhados de um bom azeite e, se desejar, rodelas de limão ou um molho de sua preferência.
Dicas do Chef
- Para um bacalhau mais saboroso, cozinhe-o na mesma água em que as batatas foram cozidas, após retirar as batatas. Isso infunde mais sabor na massa.
- Se for congelar, modele os bolinhos e distribua-os em uma assadeira untada com azeite. Leve ao freezer por cerca de 4 horas ou até congelar. Depois, transfira para sacos próprios para congelamento. Para preparar, leve diretamente do freezer para a Airfryer, aumentando o tempo de cozimento em alguns minutos.
- Utilize batatas com menos água, como a Asterix, para garantir que a massa não fique muito mole. Escorra bem as batatas após o cozimento.
- Para bolinhos mais aerados e leves, você pode separar as claras do ovo, batê-las em castelo e incorporá-las delicadamente à massa no final.
O Bolinho de Bacalhau, ou Pastel de Bacalhau como é conhecido em algumas regiões de Portugal, é muito mais do que um simples petisco; é um ícone da gastronomia portuguesa, um elo entre o passado e o presente, e um símbolo da identidade cultural lusitana. Sua popularidade transcende fronteiras, sendo uma iguaria apreciada em Angola, no Brasil e em outras nações com forte influência portuguesa.
A Fascinante Origem Portuguesa
A história do bolinho de bacalhau está intrinsecamente ligada à colonização e à capacidade de conservação do bacalhau salgado, um alimento essencial nas longas viagens marítimas. Embora o consumo de bacalhau em Portugal remonte ao século XIV, a receita do bolinho, tal como a conhecemos hoje, é mais recente e está diretamente relacionada à introdução da batata na culinária portuguesa.
A batata, originária das Américas, chegou a Portugal no século XVI, primeiramente cultivada em Trás-os-Montes e, posteriormente, difundindo-se para o Minho e Beiras. É justamente na região do Minho, no norte de Portugal, que a maioria dos historiadores gastronômicos aponta como o berço do bolinho de bacalhau.
Os primeiros registros de receitas que se assemelham ao bolinho de bacalhau surgem no século XIX. A primeira menção conhecida data de 1841, no livro “Arte do Cozinheiro e do Copeiro”, do Visconde de Vilarinho de S. Romão. No entanto, essa receita inicial ainda não era exatamente como a versão moderna. Foi em 1876, no “Arte de Cozinha” de João da Mata, que apareceram duas receitas mais próximas, “Pastelinhos fritos de bacalhau à Holandeza” e “Pastelinhos de bacalhau”, embora uma delas fosse assada e a outra incluísse queijo.
A receita que se tornou o padrão, intitulada “Bacalhau em bolos enfolados”, foi publicada em 1904 no famoso “Tratado de Cozinha e Copa” por Carlos Bento da Maia (pseudônimo de Carlos Bandeira de Melo). Essa versão já descrevia a mistura de bacalhau, batatas, ovos (com claras em castelo para leveza), leite e temperos, com fritura em azeite, consolidando o formato e a técnica que perduram até hoje.
A Chegada ao Brasil e Sua Popularidade
A iguaria atravessou o Atlântico com os portugueses e se enraizou profundamente na cultura brasileira. Sua popularidade no Brasil floresceu especialmente a partir do século XIX, com a vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, que trouxe consigo diversos hábitos e tradições culinárias. Desde então, o bolinho de bacalhau se tornou um dos petiscos mais queridos em bares, botecos e restaurantes sofisticados por todo o país.
Em terras brasileiras, o bolinho de bacalhau se adaptou e ganhou nuances locais, mas manteve sua essência. É um prato versátil, servido em celebrações familiares, festas de fim de ano ou como um delicioso acompanhamento para uma cerveja gelada. Sua presença é tão marcante que se tornou um símbolo de aconchego e tradição, evocando memórias afetivas e momentos de confraternização.
Curiosidades e Variações do Bolinho
- Nome Regional: Em Portugal, a distinção entre “bolinho” e “pastel” de bacalhau é geográfica. No Norte, são “bolinhos”, enquanto no Centro e Sul, incluindo Lisboa, são “pastéis”. No Brasil, a designação “bolinho de bacalhau” é a mais comum.
- Ingredientes Chave: A qualidade do bacalhau (preferencialmente Gadus Morhua) e o tipo de batata são cruciais. Batatas com menos teor de água, como a Asterix, são as ideais para garantir a consistência perfeita da massa, evitando que fique aguada.
- Técnica de Modelagem: Tradicionalmente, os bolinhos são moldados com a ajuda de duas colheres, criando um formato ovalado característico, conhecido como “quenelle”.
- Variações Criativas: Embora a receita clássica seja intocável para muitos, chefs e cozinheiros caseiros exploram variações. Há quem adicione queijo (como o famoso queijo da Serra da Estrela em Portugal) ou até mesmo utilize outros tubérculos, como aipim, embora estas não sejam as versões tradicionais.
- Saúde e Modernidade: A adaptação para a Airfryer é uma tendência moderna que reflete a busca por opções mais saudáveis. Ao invés da fritura por imersão, a Airfryer permite obter uma crosta crocante com uma fração do óleo, mantendo o interior macio e saboroso. Isso democratiza ainda mais o consumo do bolinho, tornando-o acessível a quem busca uma alimentação equilibrada.
- Reconhecimento: O bolinho de bacalhau foi um dos finalistas no concurso das “7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa” em 2011, solidificando seu status como um dos pratos mais emblemáticos de Portugal.
O bolinho de bacalhau é, portanto, uma celebração da culinária, da história e da cultura. Cada mordida é um convite a uma viagem sensorial que remete às tradições portuguesas e à alegria dos encontros, seja em um bar movimentado ou na tranquilidade do lar. Com a Airfryer, essa experiência se torna ainda mais acessível e consciente, provando que a tradição pode, sim, andar de mãos dadas com a inovação.









