Esfirra de Carne Aberta Tradicional: Receita Árabe Autêntica

Esfirra de Carne Aberta Tradicional: Receita Árabe Autêntica
Tempo de Preparo

2 horas

Rendimento

20 porções

Dificuldade

Médio

Calorias

180 kcal

A esfirra de carne é um dos salgados mais amados no Brasil, onipresente em padarias e lanchonetes. No entanto, a versão que conhecemos hoje é uma adaptação da tradicional sfiha, uma iguaria ancestral do Oriente Médio. O segredo da esfirra autêntica está na massa macia e no recheio suculento, que é preparado com carne crua e temperos frescos, cozinhando diretamente no forno. Esta receita resgata o sabor original, oferecendo uma experiência culinária que vai muito além do fast-food, com o equilíbrio perfeito entre a acidez do limão e a riqueza das especiarias.

Ingredientes

  • 500g de farinha de trigo (aproximadamente)
  • 10g de fermento biológico seco (ou 30g de fermento fresco)
  • 1 xícara de leite morno (240ml)
  • 1/2 xícara de óleo vegetal
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 ovo (opcional, para enriquecer a massa)
  • 500g de carne moída de boa qualidade (patinho ou acém)
  • 1 cebola grande picada finamente
  • 1 tomate grande picado em cubos pequenos (sem sementes)
  • 1/2 maço de salsinha picada
  • Suco de 1 limão grande
  • 1 colher de chá de pimenta síria
  • Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de Preparo

  1. Em uma tigela grande, dissolva o fermento biológico e o açúcar no leite morno. Deixe descansar por 10 minutos até espumar.
  2. Adicione o óleo, o ovo (se usar) e o sal à mistura de fermento. Misture bem.
  3. Acrescente a farinha de trigo aos poucos, misturando com as mãos até obter uma massa que desgrude das laterais da tigela. Transfira para uma superfície enfarinhada.
  4. Sove a massa por cerca de 10 a 15 minutos, até que fique lisa e elástica. Forme uma bola, coloque em uma tigela untada, cubra com um pano úmido e deixe crescer em local aquecido por 1 hora ou até dobrar de volume.
  5. Enquanto a massa cresce, prepare o recheio. Em uma tigela, misture a carne moída crua com a cebola, o tomate e a salsinha. Tempere com o suco de limão, a pimenta síria, sal e pimenta do reino.
  6. Misture bem os temperos com a carne, amassando com as mãos. O limão vai "cozinhar" levemente a carne. Deixe o recheio descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos.
  7. Após a massa crescer, divida-a em pequenas bolinhas de aproximadamente 40g (cerca de 20 a 25 bolinhas).
  8. Abra cada bolinha com as pontas dos dedos ou um rolo, formando discos de massa com as bordas levemente mais altas (para a esfirra aberta).
  9. Coloque uma porção generosa do recheio de carne no centro de cada disco. Não exagere na quantidade de recheio para não transbordar durante o cozimento.
  10. Disponha as esfirras em uma assadeira untada e leve ao forno pré-aquecido a 200°C por cerca de 15 a 20 minutos, ou até que a massa esteja dourada e o recheio cozido.
  11. Sirva imediatamente, preferencialmente com um pouco de limão extra para realçar o sabor.

Dicas do Chef

  • Para a massa ficar mais fofinha, use leite ao invés de água e adicione um ovo. A gordura extra ajuda na textura.
  • Não sove demais a massa; o ponto ideal é quando ela fica lisa e elástica, mas ainda macia ao toque.
  • Se preferir a esfirra fechada, dobre as laterais da massa sobre o recheio, formando um triângulo, e pincele com gema de ovo antes de assar para um acabamento brilhante.
  • O recheio de carne deve ser preparado com a carne crua e temperado com limão. O cozimento acontece no forno, garantindo a suculência característica da esfirra árabe.

A Esfirra: Uma História de Imigração e Sabor no Brasil

A esfirra, ou *sfiha* em árabe, é muito mais do que um simples salgado de padaria. Ela é um símbolo da culinária levantina, uma região histórica que abrange países como Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. A história da esfirra remonta a séculos, a um tempo em que os pães achatados eram a base da alimentação. A ideia de cobrir esses pães com recheios de carne temperada, queijo ou vegetais surgiu como uma forma prática de preparar refeições completas, especialmente em fornos comunitários.

A palavra *sfiha* significa literalmente “pequena folha” ou “placa fina”, uma referência à massa fina e crocante que serve de base para o recheio. Originalmente, a sfiha era feita com carne de cordeiro, abundante na região, temperada com especiarias locais, cebola e pinoli. Com o tempo, a receita se espalhou por todo o Império Otomano, ganhando variações regionais.

Do Levante para as Mesas Brasileiras

A chegada da esfirra ao Brasil está intrinsecamente ligada à imigração sírio-libanesa, que ocorreu em grande escala entre o final do século XIX e o início do século XX. Milhares de imigrantes, fugindo de conflitos e buscando novas oportunidades, trouxeram consigo suas tradições culinárias. A esfirra, o quibe, o homus e o tabule eram pratos familiares que ajudavam a manter a identidade cultural em um novo país.

Em São Paulo, onde a maior parte dos imigrantes se estabeleceu, a esfirra rapidamente se popularizou. Ela se adaptou aos ingredientes locais, trocando a carne de cordeiro pela carne bovina e incorporando temperos brasileiros. A esfirra, que antes era uma refeição caseira, transformou-se em um item de comércio, vendido por mascates e, posteriormente, em padarias e lanchonetes.

A Adaptação Brasileira: Aberta vs. Fechada

Uma das grandes curiosidades da esfirra no Brasil é a popularidade da versão fechada. No Oriente Médio, a sfiha tradicional é quase sempre aberta, com o recheio exposto. A versão fechada, em formato triangular, é uma adaptação brasileira que se popularizou por ser mais fácil de comer (especialmente como lanche de rua) e por permitir uma maior variedade de recheios, como queijo, frango com requeijão e até mesmo versões doces.

A esfirra de carne aberta, no entanto, é a que mais se aproxima da tradição original. O recheio, preparado com carne crua e temperos frescos, cozinha no calor do forno, resultando em uma textura suculenta e um sabor intenso. O limão, ingrediente fundamental no tempero, não apenas tempera, mas também ajuda a “curtir” a carne, garantindo que ela cozinhe de forma homogênea e mantenha a umidade.

Dicas de Expert para a Esfirra Perfeita

  • A Massa Fofinha: O segredo da massa macia está na sova e no tempo de descanso. A sova desenvolve o glúten, o que dá elasticidade à massa, enquanto o descanso permite que o fermento aja, deixando-a leve e fofinha.
  • O Recheio Suculento: Para evitar que o recheio resseque no forno, use carne moída com um pouco de gordura (patinho ou acém) e não esprema o recheio antes de colocar na massa. O suco do limão e dos vegetais é essencial para manter a umidade.
  • Variações Criativas: Embora a receita de carne seja a clássica, experimente recheios de queijo com zaatar, coalhada seca com hortelã, ou frango com requeijão. A versatilidade da esfirra permite inúmeras combinações.

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