Filhoses de Abóbora Sequinhas Tradicionais

Filhoses de Abóbora Sequinhas Tradicionais
Tempo de Preparo

2 horas

Rendimento

20 porções

Dificuldade

Médio

Calorias

350 kcal

As filhoses de abóbora são um clássico incontornável da doçaria portuguesa, especialmente durante a época natalícia. Esta receita, com a sua textura crocante por fora e interior macio, é uma verdadeira viagem aos sabores de antigamente. A chave para obter filhoses “sequinhas” e leves está em escorrer muito bem a abóbora após o cozimento, garantindo que a massa não retenha excesso de umidade. Com o aroma da laranja e da aguardente, este doce frito transforma qualquer mesa de Natal numa celebração de tradições e memórias afetivas.

Ingredientes

  • 500g de abóbora menina (já cozida e escorrida)
  • 300g de farinha de trigo (tipo 55, sem fermento)
  • 2 ovos grandes
  • 1 colher de sopa de fermento de padeiro (fresco ou 10g de seco)
  • 100g de açúcar
  • Raspa de 1 laranja
  • 1 cálice de aguardente (cerca de 50ml)
  • 1 pitada de sal
  • Óleo para fritar (q.b.)
  • Açúcar e canela em pó para polvilhar (q.b.)

Modo de Preparo

  1. Comece por preparar a abóbora: descasque-a, retire as sementes e coza os pedaços em água temperada com uma pitada de sal. Escorra a abóbora e, de preferência, deixe-a num coador por algumas horas (ou de um dia para o outro) para eliminar o excesso de água. Esmague a abóbora cozida até obter um puré homogéneo.
  2. Numa taça grande, misture o puré de abóbora morno com os ovos, o açúcar, a raspa de laranja e a aguardente. Dissolva o fermento de padeiro num pouco de água morna ou sumo de laranja e adicione à mistura.
  3. Acrescente a farinha de trigo aos poucos, misturando com uma colher de pau ou com as mãos. Amasse bem até obter uma massa elástica e homogénea, que deve ser macia, mas não demasiado pegajosa. Se necessário, adicione um pouco mais de farinha ou líquido para ajustar a consistência.
  4. Cubra a taça com um pano de cozinha e deixe a massa levedar em local quente por cerca de 1 a 2 horas, ou até duplicar de volume. Este passo é crucial para a leveza das filhoses.
  5. Aqueça o óleo numa frigideira funda. Com a ajuda de duas colheres de sopa (uma para retirar a massa e outra para empurrar para o óleo), frite pequenas porções de massa. Mantenha o fogo brando para que as filhoses cozinhem por dentro sem queimar por fora.
  6. Vire as filhoses para que dourem uniformemente. Retire-as do óleo com uma escumadeira e coloque-as sobre papel absorvente para escorrer o excesso de gordura.
  7. Num prato, misture açúcar e canela em pó. Passe as filhoses ainda quentes por esta mistura e sirva de imediato.

Dicas do Chef

  • A qualidade da abóbora é essencial. A abóbora menina (ou jerimum) é a mais recomendada pela sua doçura e textura. Certifique-se de escorrer a abóbora o máximo possível para evitar que a massa fique pesada e absorva muito óleo.
  • A aguardente na receita não só confere um aroma especial, como também ajuda a reduzir a absorção de gordura durante a fritura, resultando em filhoses mais "sequinhas".
  • Para obter filhoses mais crocantes, estique a massa com os dedos molhados em água fria antes de fritar. Para filhoses mais fofas, frite-as em formato de bolinhas.

Filhoses de Abóbora: A Doçura Crocante da Tradição Natalícia Portuguesa

As filhoses de abóbora não são apenas um doce; são um símbolo da união familiar e do espírito natalício em Portugal. A sua presença na mesa da consoada, ao lado dos sonhos e das rabanadas, é quase obrigatória, especialmente nas regiões do interior do país. Estas delícias fritas, com a sua textura crocante por fora e interior macio, representam a culinária de subsistência e a capacidade de transformar ingredientes simples em iguarias festivas.

A História e a Origem da Filhó

A história das filhoses remonta a tempos antigos, com raízes que se perdem na Idade Média. Acredita-se que este tipo de frito doce tenha sido introduzido na Península Ibérica durante a ocupação árabe. Os árabes eram mestres na confeção de doces fritos à base de farinha, mel e especiarias, e esta influência permaneceu na doçaria portuguesa. O nome “filhó” ou “filhós” deriva do latim “folia”, que significa folha, uma possível referência à forma como a massa era esticada para ficar fina como uma folha antes de fritar.

A incorporação da abóbora na receita é um reflexo da sazonalidade e da sabedoria popular. A abóbora-menina, colhida no outono, era um ingrediente abundante e de fácil conservação, tornando-se uma base ideal para os doces de inverno. A sua doçura natural permitia reduzir a quantidade de açúcar, que era um luxo na época. A abóbora, que era cultivada nos quintais das casas, era cozida e escorrida para ser transformada em puré, que servia de base para a massa.

Variações Regionais e a Tradição da Beira Baixa

Em Portugal, as filhoses variam muito de região para região, e até de família para família. A receita de filhoses de abóbora é particularmente popular na Beira Baixa e em Trás-os-Montes. Na Beira Baixa, a tradição dita que as filhoses devem ser feitas com abóbora-menina e, por vezes, levam aguardente e raspa de laranja, conferindo-lhes um aroma inconfundível. A característica mais marcante da receita da Beira Baixa é a sua leveza e a forma como a massa é esticada, resultando em filhoses mais finas e crocantes.

Já em Trás-os-Montes, as filhoses são muitas vezes preparadas com abóbora-jerimum e podem ser mais densas, lembrando um pouco os sonhos. A diferença entre as filhoses “sequinhas” e as mais fofas reside principalmente na quantidade de farinha e na forma como a massa é frita. As filhoses mais sequinhas, como as da Beira Baixa, são esticadas com as mãos molhadas em água fria antes de fritar, para que fiquem finas e crocantes, enquanto as mais fofas são fritas em colheradas.

Dicas de Expert para Filhoses Sequinhas e Perfeitas

Para obter as filhoses sequinhas e crocantes, o segredo está no preparo da abóbora. A abóbora deve ser cozida e escorrida por um longo período, idealmente de um dia para o outro. Este passo é fundamental para remover o excesso de umidade, que é o principal inimigo da crocância. A adição de aguardente à massa é outro truque de mestre, pois ajuda a evitar que a massa absorva muito óleo durante a fritura, resultando num frito mais leve e menos gorduroso. Além disso, a temperatura do óleo deve ser controlada, mantendo-o a uma temperatura média-baixa para que as filhoses cozinhem por dentro antes de dourarem por fora.

A Tradição do Natal e o Convívio Familiar

Preparar filhoses é um ritual que transcende a culinária. Antigamente, a tarefa de fazer filhoses era um evento social. As famílias juntavam-se na véspera de Natal, com a lareira acesa, para amassar a massa em grandes alguidar, enquanto contavam histórias e partilhavam memórias. A massa era deixada a levedar ao calor da lareira, e a fritura era feita em tachos de ferro, com a ajuda de colheres de pau. O aroma das filhoses quentes, polvilhadas com açúcar e canela, anunciava a chegada da consoada e a celebração do Natal. A tradição de oferecer filhoses aos vizinhos e amigos era um gesto de partilha e solidariedade, reforçando os laços comunitários.

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