2 horas e 30 minutos
6 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 2 discos de massa folhada (pronta ou caseira)
- 670 ml de leite integral
- 12 gemas de ovos (ou 6 ovos inteiros, dependendo da receita)
- 150g de açúcar (dividido)
- 100g de farinha de trigo
- 30g de amido de milho
- 1 colher de chá de sal
- 2 colheres de chá de extrato de baunilha ou 1 fava de baunilha
- 12 claras de ovos (ou 6 claras, dependendo da receita)
- 70g de chantilly (creme de leite fresco batido com um pouco de açúcar)
- Açúcar de confeiteiro para polvilhar
Modo de Preparo
- Pré-aqueça o forno a 200°C. Abra os dois discos de massa folhada no tamanho da assadeira que será utilizada. Faça furos em toda a superfície de ambas as massas com um garfo para evitar que inflem demais e asse até dourar (cerca de 10 a 15 minutos). Reserve e deixe esfriar.
- Para o creme de gemas (Mistura 1): Separe as gemas e bata-as com metade do açúcar (cerca de 100g), a farinha de trigo e o amido de milho até obter um creme homogêneo.
- Em uma panela, aqueça a maior parte do leite (cerca de 500ml) e adicione a mistura de gemas, mexendo sempre em fogo médio até engrossar, atingindo a consistência de um pudim firme. Retire do fogo, adicione a baunilha e deixe esfriar um pouco.
- Para o merengue (Mistura 2): Em uma tigela limpa, bata as claras em neve com o sal. Quando estiverem firmes, adicione gradualmente o restante do açúcar (cerca de 50g) e bata até formar picos firmes.
- Incorpore delicadamente o merengue ao creme de gemas morno, misturando com movimentos leves de baixo para cima para manter a aeração. Adicione o chantilly batido e misture suavemente até obter um creme único e leve.
- Em uma forma forrada com uma das bases de massa folhada assada, despeje todo o creme. Cubra com a segunda folha de massa folhada.
- Pressione levemente a camada superior e leve à geladeira por pelo menos 3 a 4 horas, ou até que o creme esteja completamente firme.
- Antes de servir, polvilhe generosamente com açúcar de confeiteiro e corte em quadrados.
Dicas do Chef
- A chave para a leveza da Kremšnita é incorporar as claras em neve ao creme de gemas (ainda levemente morno) com muita delicadeza, como se estivesse dobrando o ar na mistura.
- Se a massa folhada não for assada até ficar bem crocante, ela pode ficar mole com a umidade do recheio. Asse até que esteja bem dourada.
- Algumas receitas utilizam um pouco de rum na mistura do creme para um toque aromático sutil.
- Para um corte perfeito, utilize uma faca bem afiada e limpa, aquecida levemente em água quente e seca, e corte após o resfriamento completo.
Kremšnita: A História Aveludada da Torta de Bled
A Kremšnita é mais do que apenas uma sobremesa; é um ícone cultural, um símbolo de hospitalidade e um orgulho nacional, especialmente na Eslovênia. A palavra em si é um reflexo de suas raízes europeias, derivando do termo alemão Cremeschnitte, que significa literalmente “fatia de creme”, um parente próximo do famoso mille-feuille francês.
Origem Fascinante na Eslovênia
Embora a base da receita remonte à antiga Monarquia Austro-Húngara, a versão que hoje conhecemos e amamos, intimamente ligada à cidade eslovena de Bled, tem uma história de origem bem documentada. A lenda aponta para o confeiteiro Ištvan Lukačević, um nativo da Vojvodina (região que hoje abrange partes da Sérvia, Croácia e Romênia), que levou a receita para Bled em 1953. Lukačević trabalhava na confeitaria do famoso Park Hotel Café, em Bled, um destino turístico alpino de tirar o fôlego.
Na época, o cardápio incluía uma sobremesa chamada šamšnita. Lukačević, baseado nas receitas que aprendeu com o filho de um padeiro que viajou pela Áustria e Alemanha, decidiu aprimorar o doce existente. Ele substituiu a base por uma massa folhada mais crocante e, crucialmente, desenvolveu um creme de baunilha mais leve, incorporando claras em neve ao tradicional creme de gemas. Este novo doce, a Blejska kremšnita (Kremšnita de Bled), foi um sucesso instantâneo e se tornou a estrela do hotel e, posteriormente, da cidade.
Curiosidades e Tradições Regionais
A popularidade da Kremšnita em Bled é tamanha que, em outubro de 2009, o Park Hotel Café celebrou a produção de 10 milhões de fatias desde a sua invenção! Este marco demonstra a profunda conexão da sobremesa com a identidade local.
- Variações e Nomes: A receita se espalhou por toda a região dos Bálcãs, assumindo diferentes nomes e pequenas adaptações. Na Croácia, é conhecida como Samoborska Kremšnita (da cidade de Samobor) ou Zagrebačka kremšnita. Na Sérvia e Bósnia, é chamada de Krempita, e na Eslovênia, além de Kremšnita, é frequentemente chamada de Kremna Rezina (fatia de creme).
- Patrimônio Imaterial: Devido à sua importância cultural, a Samoborska Kremšnita, por exemplo, foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial da Croácia, sublinhando o valor que estas tradições doces carregam.
- A Escolha da Massa: Embora a receita original de Lukačević utilizasse massa folhada, algumas versões mais antigas ou regionais usavam bases mais compactadas. A crocância da massa folhada é o que define o contraste essencial da versão de Bled.
Dicas Adicionais de Expert
Para replicar a textura leve e aveludada que tornou a Kremšnita famosa, a temperatura dos ingredientes é fundamental. O creme de gemas deve ser cozido até atingir a espessura de um pudim denso, mas não deve estar fervendo quando as claras em neve forem incorporadas. O choque térmico pode fazer com que as claras murchem.
Após montar a torta com as camadas de massa e creme, o tempo de refrigeração é crucial. A sobremesa precisa de tempo suficiente para que o creme se firme completamente e para que a base inferior da massa absorva um pouco da umidade sem desmanchar, garantindo a estrutura necessária para o corte. Sirva sempre levemente gelada, polvilhada generosamente com açúcar de confeiteiro, idealmente pouco antes de servir, para manter a beleza e a leveza do topo.









