2 horas e 30 minutos
8 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 500g de farinha de trigo
- 220ml de leite integral morno
- 60g de manteiga derretida
- 50g de açúcar
- 7g de fermento biológico seco
- 1 ovo grande + 1 gema
- Pitada de sal
- Manteiga extra para pincelar
- Açúcar granulado para enrolar (pode-se misturar com canela)
Modo de Preparo
- Em uma tigela pequena, dissolva o fermento no leite morno (cerca de 35-40°C) com um pouco do açúcar e deixe descansar por 10 minutos até espumar.
- Em uma tigela maior, misture a farinha, o restante do açúcar e o sal. Adicione a mistura de fermento, a manteiga derretida, o ovo e a gema. Misture bem até formar uma massa homogênea.
- Sove a massa em uma superfície enfarinhada por cerca de 10 minutos até que fique lisa e elástica.
- Coloque a massa em uma tigela untada, cubra e deixe crescer em local aquecido por 1 a 2 horas, ou até dobrar de volume.
- Enquanto a massa cresce, prepare os espetos: enrole papel alumínio em formato de cone truncado (ou use moldes próprios para bolo/pão de ló) e unte levemente com óleo.
- Retire o ar da massa crescida e abra-a em uma superfície enfarinhada até atingir cerca de 0,5 cm de espessura.
- Corte a massa em tiras de 1,5 a 2 cm de largura.
- Enrole as tiras em espiral e de forma sobreposta ao redor dos moldes cônicos, garantindo que a massa se conecte levemente.
- Pincele toda a superfície do bolo com manteiga derretida e role-o firmemente no açúcar granulado (ou na mistura de açúcar e canela).
- Asse em forno pré-aquecido a 180°C (350°F) por 15 a 20 minutos, ou até que a superfície esteja uniformemente dourada e caramelizada. Se possível, gire o espeto durante o cozimento para assar por igual.
- Retire do forno, deixe esfriar por alguns minutos e desenrole cuidadosamente o Kürtőskalács do molde. Sirva imediatamente.
Dicas do Chef
- Para uma crosta mais brilhante e crocante, após assar e pincelar com manteiga novamente, você pode rolar o bolo em uma mistura de açúcar e nozes trituradas ou canela em pó.
- O segredo da textura macia é a fermentação adequada e o cozimento em fogo médio/baixo para que o interior cozinhe antes que o açúcar queime.
- Se não tiver moldes, é possível usar um pedaço de papelão grosso enrolado em papel alumínio, garantindo que o cone seja resistente ao calor.
Kürtőskalács: Uma Viagem à História da Transilvânia
O Kürtőskalács, cujo nome significa literalmente “bolo de chaminé” em húngaro, é uma joia da panificação da Europa Central, profundamente enraizada na cultura da Transilvânia, uma região histórica hoje majoritariamente pertencente à Romênia, mas com forte herança húngara (conhecida como Székely Land).
História e Origem Lendária
A história exata do Kürtőskalács é envolta em um mistério delicioso, misturando fatos documentados com lendas fascinantes. O primeiro registro escrito conhecido da receita data de 1781, encontrado em um livro de receitas manuscrito de uma condessa húngara. No entanto, a tradição oral, conforme registrada pelo escritor húngaro Balázs Orbán em 1868, aponta para uma origem muito mais antiga e dramática, remontando ao século XIII.
A lenda mais célebre conta que o bolo foi inventado pelas mulheres da aldeia de Máréfalva durante o cerco Mongol em 1241. Com a população refugiada em cavernas e sob fome, as mulheres usaram os últimos restos de farinha, misturando-os com água e até mesmo com cinzas da fogueira para criar um volume maior. Elas enrolaram essa massa em um mastro de madeira e a assaram sobre as brasas. Ao mostrarem este pão, que parecia grande, mas era oco, aos mongóis famintos, os invasores foram iludidos, pensando que os sitiados ainda tinham fartura, e desistiram do cerco. Seja esta história um fato ou um belo mito, ela solidifica o Kürtőskalács como um símbolo de engenhosidade e sobrevivência.
A Família dos Bolos de Espeto e Curiosidades
O Kürtőskalács pertence a uma vasta família de bolos assados em espeto que se espalha por toda a Europa, sugerindo uma possível origem comum que pode datar da Antiguidade Grega, onde massas fermentadas eram assadas em varas para festas dionisíacas. Essa família inclui o Trdelník tcheco/eslovaco, o Baumkuchen alemão (bolo de árvore) e o Spettekaka sueco.
A popularidade do Kürtőskalács floresceu entre a nobreza húngara no século XVIII, tornando-se um deleite festivo essencial em casamentos e celebrações. O nome “bolo de chaminé” deriva da sua forma tubular e oca, que se assemelha a uma chaminé quente quando recém-saído do fogo. A técnica tradicional exige que a massa seja girada sobre brasas ou uma chama aberta, permitindo que o açúcar caramelize e forme aquela casquinha brilhante e estaladiça, enquanto o interior permanece macio e aerado.
Dicas de Expert e Evolução Moderna
Embora o método original seja sobre o cozimento em fogo aberto, em casa, adaptar o preparo para um forno convencional é a chave para replicar a experiência. O segredo para o sucesso, além da massa levedada bem trabalhada, está na caramelização. O açúcar deve ser aplicado generosamente após a primeira pincelada de manteiga, garantindo que ele derreta e forme uma crosta uniforme. Hoje, o Kürtőskalács transcendeu sua função de doce de rua e festivo; ele é frequentemente servido em sua forma oca, permitindo recheios criativos como sorvete, Nutella ou chantilly, transformando-o em uma sobremesa completa e moderna. No Brasil, onde é conhecido como Trololo, ele continua a ser um sucesso, mantendo viva a tradição de um doce que já salvou uma cidade sob cerco, segundo as lendas.









