22 horas
4 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 500g de grão de soja amarela crua
- 1 pote (100g) de natto comercial pronto (para fermentação)
- 1 colher de chá de açúcar
- Água (para demolho e cozimento)
- Molho de soja (shoyu) a gosto (para servir)
- Mostarda japonesa (karashi) a gosto (para servir)
- Cebolinha japonesa (negi) picada (para servir)
Modo de Preparo
- Lave bem os grãos de soja em água corrente, descartando os grãos enrugados ou manchados.
- Coloque a soja de molho em bastante água (proporção de 3 partes de água para 1 de soja) por 9 a 12 horas, ou durante a noite. A soja irá inchar bastante.
- Escorra a soja e cozinhe-a. Um método tradicional é cozinhar em um saco de pano ou na panela de pressão (cerca de 35 minutos após pegar pressão) até que os grãos estejam muito macios e esmaguem facilmente entre os dedos.
- Escorra a soja cozida e deixe-a esfriar até ficar morna (temperatura corporal). É crucial que não esteja quente demais para não matar as bactérias do fermento.
- Em uma tigela, misture delicadamente o natto comercial (o iniciador) e o açúcar com a soja morna, garantindo que o fermento se espalhe por todos os grãos.
- Distribua a mistura em embalagens plásticas descartáveis com tampa (ou potes de vidro), fazendo furos nas tampas para ventilação. A camada de soja não deve ser muito espessa.
- Inicie a fermentação: coloque as embalagens em um ambiente com temperatura controlada, idealmente em torno de 40°C ou 90°C no forno (se a temperatura mínima for essa) ou em uma caixa/bolsa térmica com garrafas de água quente, mantendo a temperatura estável.
- Deixe fermentar por 22 a 24 horas. Troque a fonte de calor (água quente) a cada 8 ou 12 horas se estiver usando o método da caixa térmica.
- Após a fermentação, o natto estará pronto, caracterizado pela viscosidade e aroma pungente. Deixe esfriar completamente e leve à geladeira por algumas horas antes de consumir.
- Para servir, coloque o natto sobre arroz cozido no vapor e tempere a gosto com molho de soja, mostarda karashi e cebolinha picada. Mexa vigorosamente para desenvolver a viscosidade característica.
Dicas do Chef
- Se o natto fermentar por tempo demais (mais de 30 horas), pode desenvolver um cheiro forte de amônia; nesse caso, descarte o lote.
- A temperatura constante é o fator mais crítico para a fermentação bem-sucedida. Utilize um termômetro se necessário.
- Ao comer, mexer o natto vigorosamente é essencial, pois é esse movimento que cria os famosos fios pegajosos e libera o sabor.
- Para quem está começando, versões como o "natto seco" ou "natto frito" podem ser mais fáceis de introduzir, pois reduzem o odor e a viscosidade.
Natto: A Jornada da Soja Fermentada no Japão
O Natto (納豆) é mais do que apenas um prato; é um testemunho da engenhosidade da culinária de conservação japonesa, um alimento que equilibra o nutritivo com o desafiador. Feito a partir de grãos de soja cozidos e fermentados pelo Bacillus subtilis, suas características mais notórias – o aroma intenso e a textura viscosa e fibrosa – o tornam um divisor de águas no paladar de quem o experimenta pela primeira vez. Apesar de ser um superalimento, sua aceitação varia drasticamente, com pesquisas indicando que, embora a maioria dos japoneses o aprecie, sua introdução a estrangeiros é frequentemente marcada por surpresa.
História e Origem Fascinante
A origem exata do natto é envolta em lendas e períodos históricos, refletindo a importância da soja na dieta asiática. Fontes sugerem que a técnica de fermentação pode ter sido exportada da China, onde grãos de soja fermentados como o douchi já eram conhecidos. No Japão, a soja e o sal eram recursos valiosos, o que pode ter impulsionado a criação de um método de conservação nutritivo e acessível.
Uma das histórias mais populares remonta ao samurai Minamoto no Yoshiie (1039–1106), durante uma campanha militar no nordeste do Japão. A soja era cozida para alimentar os cavalos e, devido a um ataque surpresa, os sacos de palha contendo a soja cozida foram deixados de lado por alguns dias. Ao serem abertos, os grãos haviam fermentado. Os soldados, por necessidade ou curiosidade, consumiram o produto e gostaram, apresentando-o a Yoshiie, que também o aprovou. Este evento teria marcado o início do consumo do Itohiki natto, o tipo mais comum hoje.
O natto se consolidou como um alimento fundamental durante o período Edo (1603-1867), aparecendo em livros de receita e se tornando um item básico para a nutrição da população, especialmente em regiões onde o consumo de carne era menos frequente. Uma mudança tecnológica crucial ocorreu no período Taisho (1912-1926), quando pesquisadores isolaram a cultura pura do Bacillus natto, eliminando a necessidade de usar a palha de arroz como fonte de inoculação. Isso padronizou a produção, garantindo consistência e popularizando ainda mais o prato.
Curiosidades e Tradições Regionais
O natto é um alimento incrivelmente rico em nutrientes, sendo uma das fontes mais concentradas de Vitamina K2 (menaquinona-7), essencial para a saúde óssea e cardiovascular. Sua digestibilidade é alta devido à fermentação que pré-digere as proteínas da soja.
- Variações Regionais: Embora o Itohiki natto (viscoso) seja o padrão, o Japão possui outras versões. O Hama natto (ou Terumame) é um natto salgado que se assemelha ao missô, e o Yukiwari natto é feito misturando o Itohiki natto com arroz koji e sal.
- Temperos e Consumo: A forma mais comum de consumo é o natto gohan (sobre arroz), temperado com shoyu e mostarda karashi. No entanto, em regiões como Hokkaido e Tohoku, é comum adicionar açúcar para suavizar o sabor forte.
- Inovações Modernas: Para agradar a paladares mais sensíveis, foram desenvolvidas versões com odor e viscosidade reduzidos, como o natto seco ou frito, e até mesmo o sorvete de natto, mostrando a adaptabilidade deste ingrediente milenar.
Dicas Adicionais de Expert
Para quem deseja se aventurar no preparo caseiro, a paciência é o ingrediente principal. O cozimento da soja deve ser rigoroso; os grãos precisam estar extremamente macios, quase desmanchando, para que o fermento possa penetrar e agir eficientemente. Ao temperar antes de servir, mexer vigorosamente com hashi é fundamental. Este processo não é apenas ritualístico; ele maximiza a formação das cadeias de poliglutamato, o que resulta na textura pegajosa e na liberação plena dos compostos de sabor. Lembre-se: o cheiro forte é um sinal de fermentação ativa e benéfica, mas o cheiro de amônia excessivo indica que o processo passou do ponto ideal, devendo ser descartado.









