1 hora e 30 minutos
8 porções
Médio
315 kcal
Ingredientes
- 1 lata de leite condensado
- 1 medida (da lata) de leite integral
- 3 ovos grandes
- Cascas de 2 mexericas (tipo ponkan ou comum) bem lavadas
- 1 colher de sopa de amido de milho
- 1 xícara de açúcar para a calda
- meia xícara de água para a calda
Modo de Preparo
- Comece preparando as cascas: retire o excesso da parte branca interna com uma colher. Em uma panela, cubra as cascas com água e leve ao fogo. Assim que ferver, escorra a água. Repita este processo de fervura pelo menos 4 vezes para eliminar o amargor excessivo.
- Para a calda, derreta o açúcar em uma forma de pudim até dourar. Adicione a água com cuidado e deixe ferver até os torrões dissolverem e a calda engrossar levemente. Reserve.
- No liquidificador, bata as cascas já fervidas com um pouco do leite até que fiquem bem trituradas.
- Adicione o leite condensado, o restante do leite, os ovos e o amido de milho ao liquidificador. Bata por mais 3 minutos até obter uma mistura homogênea.
- Despeje a mistura na forma caramelizada.
- Cubra com papel-alumínio e leve ao forno preaquecido a 180°C em banho-maria por aproximadamente 50 a 60 minutos, ou até que esteja firme.
- Deixe esfriar completamente antes de levar à geladeira por no mínimo 4 horas. Desenforme gelado.
Dicas do Chef
- Para um sabor ainda mais intenso, use cascas de mexerica-do-rio, que são altamente aromáticas.
- Se preferir um pudim sem furinhos, bata menos no liquidificador e peneire a mistura antes de levar à forma.
- Certifique-se de que a água do banho-maria já esteja quente ao colocar o pudim no forno para acelerar o cozimento.
A mexerica, com seu aroma inconfundível que preenche o ambiente ao ser descascada, é uma das frutas mais queridas do Brasil. No entanto, o seu uso na culinária costuma ser limitado aos gomos ou ao suco. O pudim de casca de mexerica surge como uma resposta criativa e deliciosa ao desafio do desperdício zero, aproveitando a riqueza de óleos essenciais presentes no epicarpo (a parte colorida da casca).
A Jornada da Mexerica: Da Ásia para o Coração do Brasil
Originária do sudeste da Ásia, especificamente de regiões que hoje compreendem a China e o Vietnã, a mexerica (Citrus reticulata) viajou o mundo antes de se tornar um símbolo do outono e inverno brasileiro. Chegou ao Brasil pelas mãos dos colonizadores portugueses e encontrou aqui um solo fértil e um clima favorável, espalhando-se por todo o território nacional.
Curiosamente, a fruta é conhecida por uma infinidade de nomes dependendo da região: no Sul, é a famosa bergamota ou vergamota; no Sudeste e Centro-Oeste, predomina o termo mexerica; já em partes do Nordeste, é chamada de laranja-cravo ou simplesmente tangerina. Cada variedade, seja a Ponkan, a Murcott ou a Mexerica-do-rio, oferece uma casca com espessura e concentração de óleos diferentes, o que influencia diretamente na textura e no aroma do nosso pudim.
O Conceito de Aproveitamento Integral
Na gastronomia moderna, o “aproveitamento integral dos alimentos” deixou de ser apenas uma medida de economia para se tornar um pilar de sustentabilidade e nutrição. A casca da mexerica é rica em flavonoides, vitamina C e antioxidantes que muitas vezes superam as concentrações encontradas na própria polpa. Ao utilizá‑la no pudim, estamos resgatando esses nutrientes e reduzindo o volume de resíduos orgânicos.
Por que ferver as cascas?
O maior receio de quem cozinha com cascas cítricas é o sabor amargo. Esse amargor vem de substâncias como a limonina e o excesso de albedo (a parte branca). O segredo de um bom pudim de casca de mexerica é o processo de branqueamento ou fervuras sucessivas. Ao trocar a água da fervura, você remove as impurezas e os taninos amargos, mantendo apenas o perfume cítrico e os óleos voláteis que darão a personalidade ao doce.
Curiosidades Culturais
- O cheiro fuxiqueiro: Em algumas regiões, a mexerica é chamada de fuxiqueira porque seu aroma é tão forte que “denuncia” quem a comeu a metros de distância. No pudim, esse aroma é suavizado pelo cozimento, tornando-se elegante.
- Uso Medicinal: Na medicina tradicional chinesa, a casca seca de tangerina (conhecida como Chen Pi) é usada há séculos para tratar problemas digestivos e respiratórios.
- Símbolo de Sorte: Na cultura chinesa, as mexericas são símbolos de prosperidade e sorte, sendo frequentemente trocadas como presentes durante o Ano Novo Chinês.
Incluir o pudim de casca de mexerica no seu repertório é mais do que aprender uma nova receita; é adotar uma postura de respeito ao alimento e de curiosidade culinária. É transformar o cotidiano em algo extraordinário, provando que, com técnica e carinho, até o que parece ser lixo pode se tornar o prato principal da celebração.









