40 minutos
4 porções
Fácil
250 kcal
Ingredientes
- 500g de peito de frango cortado em cubos ou tiras
- 1 colher (sopa) de azeite ou manteiga
- 1 cebola pequena picada
- 2 dentes de alho picados
- 1 xícara (chá) de champignon fatiado (opcional)
- 3 colheres (sopa) de ketchup
- 2 colheres (sopa) de mostarda (amarela ou Dijon)
- 1 colher (sopa) de molho inglês (opcional)
- 1/2 xícara (chá) de conhaque ou vinho branco seco (opcional, para flambar)
- 1 lata ou caixinha de creme de leite (200g)
- Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
- Salsinha ou cebolinha picada para finalizar (opcional)
Modo de Preparo
- Tempere o frango: Em um recipiente, tempere os cubos ou tiras de frango com sal e pimenta-do-reino a gosto. Se for usar conhaque, pode adicionar uma pitada de páprica doce também para um toque extra de sabor.
- Doure o frango: Em uma panela grande ou frigideira funda, aqueça o azeite ou a manteiga em fogo médio-alto. Adicione o frango e doure-o por todos os lados, em etapas se necessário, para não soltar muita água e cozinhar em vez de fritar. Retire o frango dourado e reserve.
- Refogue os aromáticos: Na mesma panela, se necessário, adicione um pouco mais de azeite. Refogue a cebola picada até ficar translúcida. Adicione o alho picado e refogue por mais 1 minuto, até perfumar, sem deixar dourar demais.
- Flambe (opcional): Se for flambar, adicione o conhaque à panela (com cuidado, afastando-se do fogo) e incline a panela levemente para que as chamas se acendam. Deixe o álcool evaporar completamente. Caso não use conhaque, pule esta etapa.
- Adicione os molhos e cogumelos: Junte o ketchup, a mostarda e o molho inglês (se estiver usando). Misture bem e adicione os champignons fatiados. Cozinhe por 2 a 3 minutos, mexendo ocasionalmente, para que os sabores se incorporem.
- Finalize com o creme de leite: Reduza o fogo para o mínimo. Retorne o frango dourado à panela. Adicione o creme de leite e misture delicadamente até o molho ficar homogêneo e aquecido. Não deixe ferver após adicionar o creme de leite para evitar que talhe.
- Ajuste o tempero e sirva: Prove e ajuste o sal e a pimenta, se necessário. Se desejar, finalize com salsinha ou cebolinha picada. Sirva imediatamente, preferencialmente acompanhado de arroz branco e batata palha.
Dicas do Chef
- Para um frango mais suculento, corte-o em cubos ou tiras de tamanho uniforme e doure-o em pequenas porções para que não solte muita água e cozinhe por igual.
- Evite que o creme de leite talhe: Adicione-o sempre em fogo baixo ou com o fogo já desligado, apenas para aquecer e incorporar ao molho, sem deixar ferver.
- Experimente adicionar uma pitada de páprica doce ou defumada junto com o sal e a pimenta para temperar o frango, isso realça o sabor e a cor do prato.
- Se não tiver champignon fresco, pode usar champignon em conserva, escorrido, adicionando-o no mesmo passo. Cogumelos Paris frescos fatiados são uma ótima opção.
O Strogonoff, ou Estrogonofe como carinhosamente o chamamos no Brasil, é um prato que transcendeu fronteiras e se tornou um verdadeiro ícone gastronômico em diversas culturas. Sua história é tão rica e cheia de reviravoltas quanto o seu molho cremoso, remontando à aristocracia russa do século XIX.
A Nobre Origem Russa
Acredita-se que o Strogonoff tenha surgido nas opulentas cozinhas da Rússia Imperial, sendo batizado em homenagem à influente família Stroganov. Existem algumas teorias sobre sua criação. Uma das mais aceitas sugere que o prato foi elaborado por um chef francês, possivelmente Charles Brière, que trabalhava para o Conde Pavel Alexandrovich Stroganov (ou Grigory Stroganov, dependendo da fonte), em São Petersburgo. A intenção era criar uma iguaria que combinasse a culinária francesa, muito apreciada pela nobreza russa da época, com elementos locais. Outra hipótese, mais simples, relaciona o nome à palavra russa “strogat”, que significa “cortar em pedaços”, referindo-se ao modo como a carne era preparada.
A primeira receita documentada do Strogonoff apareceu em 1871, no livro “Um Presente para Jovens Donas de Casa” (A Gift to Young Housewives) de Elena Molokhovets, sob o nome de “Govjadina po-strogonovski, s gorchitseju” (Estrogonofe de carne com mostarda). Essa versão original era bem diferente da que conhecemos hoje: consistia em cubos de carne empanados, servidos com um molho de mostarda e caldo, finalizado com “smetana” (um tipo de creme azedo russo), sem a presença de cebolas ou cogumelos. A carne era muitas vezes preparada na véspera para que ficasse tão macia que pudesse ser desfeita com um garfo.
A Jornada Pelo Mundo
Com a Revolução Russa de 1917, muitos membros da aristocracia e cozinheiros emigraram, levando a receita do Strogonoff para outras partes do mundo. Foi na China que o prato começou a ganhar novas características, como a introdução do arroz como acompanhamento. A partir dos anos 1950, com a influência de imigrantes russos e chineses, e de servidores estadunidenses que trabalhavam na China pré-comunista, o Strogonoff se popularizou nos Estados Unidos e, consequentemente, em outros países ocidentais. Na França, o prato foi refinado, incorporando os cogumelos e, por vezes, sendo flambado com conhaque, elevando seu status a uma iguaria sofisticada em restaurantes como o Maxim’s.
O Strogonoff no Paladar Brasileiro
No Brasil, o Strogonoff encontrou um terreno fértil para se reinventar e se tornar uma paixão nacional. Acredita-se que o “boom” do prato em terras brasileiras tenha ocorrido na década de 1960. Aqui, a receita original russa e as adaptações europeias foram abraçadas e transformadas para se adequar ao gosto local, resultando na versão cremosa e saborosa que conhecemos.
As principais inovações brasileiras incluem a adição de ingredientes como o ketchup e o molho de tomate, que conferem ao molho uma cor e um sabor mais adocicados e umami, distanciando-o do perfil mais ácido da “smetana” russa. Além disso, o creme de leite de caixinha ou lata substituiu o creme azedo, tornando a receita mais acessível e prática. A versatilidade também é uma marca registrada do Strogonoff brasileiro: além da carne bovina, as versões de frango e camarão se tornaram extremamente populares, e até mesmo opções vegetarianas com cogumelos ou palmito ganharam destaque.
Mas talvez a contribuição mais icônica do Brasil para o Strogonoff seja a dupla de acompanhamentos: o arroz branco soltinho e a batata palha crocante. Enquanto a receita original russa era servida com purê de batatas ou batatas fritas mais rústicas, a combinação brasileira de cremosidade do molho, maciez do frango e crocância da batata palha criou uma experiência multissensorial inigualável, elevando o prato a um patamar de “comfort food” amado por todas as gerações.
Curiosidades e Variações
- O Nome: A grafia “Estrogonofe” é a adaptação fonética para o português do nome russo “Stroganov”, facilitando a pronúncia para os brasileiros.
- O Creme Azedo Original: A “smetana” russa, um tipo de creme azedo fermentado, é a base do molho original, conferindo um sabor mais ácido e complexo. No Brasil, o creme de leite comum, mais doce e neutro, se popularizou.
- A Flambagem: A técnica de flambar a carne com conhaque, que adiciona profundidade de sabor e um toque de sofisticação, é uma influência francesa que se mantém em muitas receitas brasileiras mais elaboradas.
- A Versatilidade Brasileira: Poucos pratos têm a capacidade de se adaptar a tantos ingredientes quanto o Strogonoff no Brasil. De frango a camarão, passando por cogumelos e até mesmo versões veganas, o conceito do molho cremoso é incrivelmente maleável.
- Presença Cultural: O Strogonoff é um prato tão enraizado na cultura brasileira que está presente em cardápios de restaurantes sofisticados, lanchonetes simples e, claro, nas mesas de domingo em família, sendo sinônimo de celebração e carinho.
Em suma, o Strogonoff de Frango é mais do que uma simples receita; é uma narrativa culinária que atravessa séculos e continentes, demonstrando a capacidade da gastronomia de se adaptar e encantar diferentes culturas, mantendo-se sempre como um prato delicioso e memorável.









