1 hora e 15 minutos
10 porções
Médio
0 kcal
Ingredientes
- 360g de amêndoas sem pele, moídas (farinha de amêndoa)
- 270g de açúcar
- 4 ovos grandes
- Raspas da casca de 1 limão siciliano
- 1 colher de chá de canela em pó
- Açúcar de confeiteiro para polvilhar (para o estêncil)
Modo de Preparo
- Pré-aqueça o forno a 170ºC. Unte uma forma redonda (cerca de 25 cm de diâmetro) com manteiga e polvilhe com um pouco de farinha de amêndoa ou farinha de trigo.
- Em uma tigela grande, bata ligeiramente os ovos com o açúcar até que estejam bem misturados, mas sem incorporar muito ar.
- Adicione as raspas de limão e a canela em pó à mistura de ovos e açúcar, mexendo bem.
- Incorpore gradualmente a farinha de amêndoas à mistura líquida, mexendo delicadamente com uma espátula até obter uma massa homogênea e densa.
- Despeje a massa na forma preparada, nivelando a superfície.
- Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 30 a 35 minutos. O centro deve estar firme ao toque, e as bordas levemente douradas.
- Retire do forno e deixe a torta esfriar completamente dentro da forma antes de desenformar.
- Quando estiver completamente fria, coloque um estêncil com o desenho da Cruz de Santiago sobre a superfície da torta.
- Peneire generosamente o açúcar de confeiteiro sobre o estêncil, cobrindo toda a superfície.
- Remova o estêncil com cuidado para revelar o desenho da Cruz de Santiago. Sirva em temperatura ambiente.
Dicas do Chef
- Para garantir a autenticidade e a textura correta, utilize uma balança para pesar os ingredientes, pois as proporções são cruciais nesta receita.
- A Tarta de Santiago tradicionalmente não leva farinha de trigo, o que a torna naturalmente apta para dietas sem glúten, desde que se atente à contaminação cruzada.
- Se não possuir farinha de amêndoa pronta, triture amêndoas sem pele em um processador potente até obter uma farinha fina, mas cuidado para não processar demais e virar pasta.
- A Cruz de Santiago deve ser aplicada apenas quando a torta estiver fria para que o açúcar de confeiteiro não derreta e se misture à superfície.
A História da Tarta de Santiago: Um Doce de Fé e Tradição
A Tarta de Santiago é mais do que uma simples sobremesa; é um ícone gastronômico da Galícia, Espanha, e um símbolo intimamente ligado à milenar peregrinação do Caminho de Santiago. Sua origem remonta a tempos em que a amêndoa, importada e, portanto, cara, era reservada às mesas mais abastadas, conferindo um toque de distinção social a quem a servia. As primeiras menções documentadas deste doce, ainda sob o nome de “Torta Real” ou “Bizcocho de Almendra”, datam de 1577, durante a visita de Dom Pedro de Portocarrero à Universidade de Santiago de Compostela. Embora a receita exata daquela época não seja idêntica à que conhecemos hoje, a presença da amêndoa e do açúcar já sinalizava a linhagem da sobremesa que viria a se tornar mundialmente famosa.
Evolução da Receita e o Legado de Leybar
A receita mais confiável e próxima da versão atual foi registrada por volta de 1838 nas anotações de Luis Bartolomé de Leybar, quando o doce já era chamado de “Tarta de Amêndoa”. É notável que, desde o século XVI ao XVIII, a alta confeitaria galega se destacava pela profusão desses dois ingredientes nobres. O fato de as amendoeiras não serem abundantes na Galícia reforça a ideia de que o consumo e o comércio da amêndoa eram estabelecidos desde a Baixa Idade Média, trazida por via marítima do Levante espanhol, com usos tanto terapêuticos quanto gastronômicos. A popularidade da Tarta de Santiago cresceu exponencialmente com o aumento do fluxo de peregrinos no Caminho Jacobeu, tornando-se o presente ideal para levar para casa após completar a jornada mística.
A Cruz de Santiago: Um Símbolo Moderno
Um dos elementos mais característicos e visualmente impactantes da Torta de Santiago é a decoração superior: a Cruz de Santiago, geralmente feita com açúcar de confeiteiro peneirado através de um molde. Curiosamente, este adorno não é medieval. A tradição de marcar a torta com a cruz surgiu em 1924, quando a confeitaria “Casa Mora”, em Santiago de Compostela, começou a utilizar este estêncil para diferenciar seu produto e homenagear a Ordem de Santiago. Hoje, a torta possui uma Denominação de Origem Protegida (IGP) desde 2006, exigindo que contenha no mínimo 33% de amêndoa em sua composição, garantindo seu sabor intenso e textura única.
Dicas Adicionais de Expert para a Torta Perfeita
Para replicar a excelência deste clássico, o segredo reside na qualidade da amêndoa e na precisão das medidas. Como especialista, sugiro:
- Textura: Para uma textura mais aveludada, utilize amêndoas já branqueadas (sem pele). Se for moer em casa, faça-o em pulsos curtos para evitar que liberem óleo.
- Sabor Cítrico: Use apenas a parte colorida da casca do limão (zeste), evitando a parte branca (o albedo), que é amarga e pode desequilibrar o sabor delicado da amêndoa.
- Descanso: Embora a receita não utilize massa podre, o descanso da massa do recheio por cerca de 30 minutos na geladeira permite que a farinha de amêndoa hidrate melhor, resultando em um bolo mais uniforme após o cozimento.
- Armazenamento: A Tarta de Santiago conserva-se muito bem em temperatura ambiente por vários dias, graças à ausência de agentes fermentadores como o fermento químico, o que a torna uma ótima opção para preparar com antecedência.
Aproveite esta receita de Tarta de Santiago e conecte-se com a rica herança gastronômica da Galícia, um verdadeiro tesouro do norte da Espanha.









