Transcrição – #03 LGBTTs: Super Koroglouyan

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TRANSCRIÇÃO – HQ DA VIDA #03 LGBTTs: Super Koroglouyan

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan: Olá, pessoal, aqui é Dan Carreiro. Estamos com nosso terceiro HQ DA VIDA. Esse é um podcast que, como alguns já sabem, tem como objetivo contar histórias. Nessa primeira temporada, iremos mostrar pra vocês histórias de super LGBTs. Espero que vocês curtam, compartilhem e nos deem críticas sobre o programa. O seu feedback é muito importante para nós. Então, vocês poderão entrar em contato conosco pela página do Facebook, que é @hqdavida, ou Facebook.com/hqdavida; Também poderão enviar e-mail para o hqdavida@gmail.com; pode também se inscrever no nosso canal no Youtube, que é “HQ da Vida Podcast”, e no Sound Cloud, que é soundcloud.com/hqdavida; esses links todos que eu citei estarão aqui no final da postagem. Ok? Então, como dito, também, nos episódios anteriores, nós temos um site, em construção, nós não sabemos que dia que vamos colocar essa bagaça no ar, mas, pra lembrá-los, é sempre http://www.hqdavida.com.br; isso é porque a gente tá juntando material pra poder lançar o site com mais conteúdo. Ok? Então, vamos agora falar sobre a nossa convidada do dia, ou melhor, a nossa super heroína do dia. Ela é uma super heroína de nome muito incomum, de poderes incomuns, ou até quase impronunciável este nome. Só pra vocês perceberem, vou colocar um áudio comigo tentando dizer o nome dessa super heroína. E depois vocês ouvirão a apresentação da própria. Ok?

(INSERÇÃO DE ÁUDIO EM QUE DAN TENTA, VÁRIAS VEZES, PRONUNCIAR “KOROGLOUYAN”)

Dan: Dizem que quando você cita Koroglouyan sete vezes, uma grande deusa mística aparece pra você… (ele solta uma risada larga) Desculpa, Aline, eu não consegui não fazer isso.

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Parte 1. Eu conversei com a Aline sobre, um pouco, da sua infância, como foi sua descoberta, enfim, como que ela foi tendo essas descobertas, experiências e primeiros namoros, e vocês vão entender um pouco da história dela. Curtam aí.

Aline (por cima de ES de aplausos e gritos de plateia): Olá, pessoas, meu nome é Aline, eu tenho 39 anos. Eu sou servidora pública, trabalho no judiciário. Já estudei, não estudo mais. Sou formada em Direito, sou formada em História, e pós-graduada em Direito, também.

Dan: Pessoal, só um adendo, aqui. Como eu estou conversando com a Aline por vídeo, ela tem uma carinha de anjinho, eu achei que ela tinha vinte e poucos anos, viu? (sobre ES de coro angelical, Aline ri muito).

Aline: Não, já sou velha (ambos riem alto).

Dan: Esse negócio de velha é engraçado, eu te falei antes, né, que eu voltei a fazer balé. Eu tenho 28 anos e eu faço balé com as meninas de 15, 14, e os meninos de 21, 20 anos. E eu tava contando a minha história, e tudo mais, que eu já sou professor. E aí, “mas qual é a idade sua?” Eu falei, 28. “Nossa, como você é velho!” (ES de vinil arranhando ao parar bruscamente). Eu falei, opa, como assim?

Aline: Nossa, imagina eu! Então, o que eu sou, gente? Não posso ir aí nesse lugar onde você tá (entre risos de ambos).

Dan: Não ande com crianças de 15 anos, eles vão achar que depois de 25 é velho. Realmente, depois de 25 a gente não sabe usar o Snapchat, né. Então…

Aline: Exatamente, eu tenho dificuldades enormes com o Snapchat, então, é uma rede social à qual eu não faço parte (ela ri).

Dan: É, eu não me integrei bem nessa mídia social. Aline, então, hoje estamos aqui pra falar sobre lesbofobia, né, e sobre vivências lésbicas. Aí eu gostaria de conversar com você, e como o nosso ouvinte já sabe, a gente começa perguntando sobre a parte da infância aos convidados. E eu gostaria que você nos dissesse um pouco, assim, algumas histórias, algumas vivências, como que foi sua infância e esse despertar pra entender essa afetividade sua.

Aline: É, vamos lá. A gente sempre sabe, né, acho que a gente sabe desde (ela solta um riso) que a gente se entende por gente. Então, assim, eu já me identifiquei diferente desde muito nova, acho que lá pelos oito, nove anos, né. Eu já me sentia diferente das outras crianças, ou daquilo que eu sempre via, né, daquele meio que a gente tá acostumado, está inserido. Então, eu já me vi uma criança diferente, isso já me trazia um sofrimento gigantesco porque, dentro daquilo que eu via, eu ficava me questionando por que eu havia nascido menina. Mas hoje a gente entende que não é por que eu não me reconhecia no meu gênero, mas sim porque eu não me sentia enquadrada dentro das coisas. Mas eu fui tentando não sofrer muito com isso, não sei, né, acho que a gente vai criando as nossas pequenas válvulas de escape. Mas, desde criança, eu já fui me identificando assim, já preferia, né, os brinquedinhos do meu irmão, porque eu tenho um irmão mais velho, né. Então, já não ligava tanto praquelas coisas de boneca, casinha, aquelas coisas todas… Que aquela época se distinguia, né, como esse lance do binário entre meninos e meninas, né. Então, a minha infância foi um pouco assim, já sofrida porque eu não queria ser aquilo que que eu era, né, eu queria um dia acordar e nascer menino, pra poder ficar numa posição melhor dentro daquilo que eu gostaria de fazer, e tal. Então, eu já tive um pouquinho de sofrimento, já, nessa primeira fase da infância.

Dan: Quando estamos na fase da infância, geralmente, hoje, se fala muito em representatividade, você conseguia ver algo em qualquer mídia que a gente tinha acesso, naquela época, que representava, que seria próximo do que você sentia que você era?

Aline: Não, e eu acho que é justamente por causa disso que eu sofri demais, né. Porque eu não me reconhecia em nada. Contos de fada da Disney, histórias de quadrinhos, desenhos, nada daquilo me representava. Então, era como se eu não tivesse uma caixinha pra eu entrar. Então, isso que nos dá aflição, é por isso que hoje eu penso a sociedade reinventando contos de fada, onde a gente vê a Disney, já, fazendo desenhos como a Valente, né, como Frozen, que  sai dentro daquela concepção da, né…

Dan: Princesinha branca…

Aline: … casal feliz, exatamente. É. O casal feliz, a necessidade de um homem, de um príncipe encantado. Por isso que eu acho que isso é tão importante, hoje, porque a criança se identifica, sim, com tudo que tá ao seu redor, né. E a minha época é uma época muito dura. Como eu falei, eu tenho 39 anos de idade, o gay, a lésbica, eram um negócio totalmente errado, era completamente cerceado, calado, mal se falava disso. Então, eu acho que a minha geração sofre dessa falta de representatividade, dessa falta de identidade, que nos leva pra caminhos muito obscuros, a uma depressão, a tantas síndromes de isolamento, né. Eu, por sorte, não tive isso. Mas, com certeza, aí a gente vai encontrar milhares que sim. Que sofreram demais por isso.

Dan: Você falando sobre essa questão de não ter representatividade, recentemente discutimos muito, aí, nas mídias sociais, nós, os famosos fiscais de Facebook, né, falamos muito sobre ideologia de gênero, isso dentro dos planos de educação e tem aquela galera mais conservadora, que bate o pé, que fala que nós queremos que todas as crianças transformem-se em gays, trans, sei lá, e perdemos a noção que tudo perderá o sentido. Talvez, se isso fosse discutido, uma linguagem mais acessível, na escola, você veria que existe uma possibilidade disso ser menos “sofrível”, vou usar essa palavra, para alguma criança que seja lésbica, que seja gay, que seja trans, ou que seja até bi, não sei…

Aline: Ah, eu tenho certeza absoluta disso. Eu sou muito a favor do diálogo, da discussão, de que as coisas sejam transparentes, que se fale de tudo, porque aquilo que a gente desconhece nos gera medo e nos gera ignorância. Então, só  a educação nos tira da sombra, só o diálogo nos leva a reflexões que a gente possa se desconstruir, que a gente possa ver as outras pessoas sendo diferentes e não ter nenhum problema nisso. Uma forma de anular o ódio é a educação. Falar sobre gênero é urgente, é como falar de qualquer coisa, porque esse sistema que tá aí não me fez hétero, por mais que eles quisessem que o fizesse. Não me fez. Então, isso é uma grande bobagem, isso é uma grande ignorância, ao meu ponto de vista, de não falar disso, porque a gente vai influenciar as crianças… Não! A gente tá tirando as crianças de tentativas de suicídio, de isolamento, de falta de representatividade, isso influencia a criança. Eu poderia ter sido uma pessoa completamente diferente, se a minha infância, lá atrás, tivesse me dado identidades, tivesse dado representatividade. Então, eu acho que é urgente que se fale disso. Isso não é ser conservador, ou não, isso é questão de educação. E educação tem que ser dada desde sempre. Óbvio que a gente tem pedagogos, a gente tem psicopedagogos pra isso, pra que a gente consiga uma linha pra quando a gente tem que começar a falar sobre quais signos e termos a gente tem que falar, isso é óbvio. Mas o que se tem que discutir é isso, precisamos falar de gênero urgentemente nas escolas.

Dan: Falar em escola, como que foi a sua época de escola? Então, assim, pegando ali aquela parte de ensino fundamental. Porque, na verdade, as crianças reproduzem todos os tipos de preconceito. Preconceito contra o gordo, contra a pessoa negra, contra o menino afeminado, a menina mais machona, a criança trans que, talvez, ainda nessa época nem se entenda trans, enfim, todos esses estereótipos, sobretudo quem tá no corpo do estereótipo é o que mais sofre na pele. Você chegou a sofrer na época escolar, ou você tinha uma passabilidade heterossexual ainda na infância?

Aline: Não, na verdade, eu me escondi, né, eu vesti máscaras, eu menti, eu fui outra pessoa. Então, eu fingia que eu gostava do menininho, né, eu fingia que eu achava aquela brincadeira legal, eu tentava me portar de um jeito que as meninas se portavam, né, pra que aquilo não viesse pra cima de mim. Porque eu sabia que o chumbo ia ser grosso. Então, eu comecei, ali, a aprender que eu tinha que disfarçar. Que a minha vida, ali, eu tinha que ser outra pessoa, porque eu não queria sofrer. E a minha forma de me blindar do bullying e de todas essas atrocidades que a gente tá… e que eu também presenciei, né, do gordinho, do menino mais afeminado, de tudo. Então, eu fui, ali, tentando meio que me camuflar. “Meio que”, não, me camuflei, né. Mentira, na verdade eu achava minha coleguinha bonitinha, não achava o menino que todo mundo gostava, né. Mas essa foi a minha forma de fuga. Não ser eu.

Dan: Então quer dizer que você já teve aquele crushezinho que todo mundo tem com sete, oito anos, e achar que aquele coleguinha seu poderia… No caso, a sua coleguinha (ele ri)…

Aline: com certeza! (ela ri) Com certeza. Com certeza. Eu já tinha A crushezinha, né, da sala…

Dan: E esse esconderijo, né, que você arrumou, né, nesse caso, assim, quando que você conseguiu sair dele pela primeira vez e dar o primeiro beijo… Como que foi esses primeiros relacionamentos que você teve? O teu primeiro relacionamento foi hétero?

Aline: O primeiro relacionamento foi hétero, né. O meu primeiro beijo foi com um menino, um menino da rua, tal. Mas, pra mim, já foi super esquisito, né. Você já é aquela identificação, você faz “ECA!” (Dan ri, ela continua entre risos). “Não era pra ser uma coisa legal?” Na TV a gente vê as pessoas se beijando e é super legal, e eu não me senti nem um pouco à vontade. Porque não existia, né, não era… o que eu tinha na minha cabeça, poxa, isso não é igual a o que eu gostaria de sentir se fosse com a menina lá da escola que eu achava linda, e bonitinha, e queria dar a mão e dar um beijo. Não era nada disso. Então, eu acho que meu primeiro beijo foi aos 11, com esse menino, e a minha primeira experiência com mulher foi aos 15 anos.

Dan: Hum, entendi. Então…

Aline: Né, então, eu tive um grande lapso temporal, aí, e todo esse lapso temporal eu me senti um grande ET (eles soltam risos).

Dan: E você chegou a namorar um menino um tempo? Como que foi essa…

Aline: Eu cheguei a namorar um menino depois, já um pouco mais velha, porque ainda naquela tentativa de falar “meu, não, isso aqui não vai dar certo, isso não é certo, eu preciso tentar me encaixar” e foi uma tentativa extremamente frustrada. Mas como, assim, a vida é muito legal e o destino é maravilhoso, a minha tentativa de namoro foi com um menino gay (ES de “what?”) (ambos riem).

Dan: Eu já fui apaixonado por uma lésbica. Mas eu realmente fui apaixonado.

Aline: que também era a tentativa de fuga dele, entendeu?

Dan: Sim (solta risinhos).

Aline: Então, a gente meio que se encontrou assim. Então, mas aquilo não durou nada, né. Eóbvio que a gente se descobriu e a gente conversou e foi muito legal, porque ele virou meu melhor amigo. E ele virou o meu namorado. E eu virei a namorada dele. Então, como a gente vivia grudado, pra baixo e pra cima, era festa de família, era aquela festinha, sabe, da escola, aquela festa da faculdade já, né, porque durou muito tempo. Nós somos amigos até hoje. Mas esse grude durou muitos anos, e a gente se salvou, né, a vida um do outro.

Dan: Um escudo, né?

Aline: Foi um escudo. Um escudo que salvou as nossas vidas.

Dan: Você pode elucidar, por exemplo, algumas histórias que vocês usavam esse namoro pra se proteger? Por exemplo, algum caso, alguma coisa que vocês conseguiam se desvencilhar da família. Sobretudo, da família, né.

Aline: Sobretudo, da família. O pai dele é separado da mãe, mas extremamente rígido com ele. Então, óbvio que eu acho que o pai já tinha a antena meio ligada em cima dele, né. Então, quando ele apareceu comigo, o pai dele ficou mega, extremamente, blaster feliz (Dan ri). Daí, teve uma festa de uma das irmãs dele, que nós fomos juntos. Cara, o pai dele agarrava a gente. “Eu quero ver vocês casados! Porque eu sempre achei que o Eduardo não gostava de mulher!” (entre risos) Daí, a gente, não, a gente vai se casar. O Eduardo é meu amor (ao fundo, soa a marcha nupcial). E como a gente tinha um sentimento muito forte, porque, né, nós nos amávamos mesmo, né, então aquilo não parecia uma farsa. Porque o nosso amor é ali…

Dan: Sim, era uma farsa só no sentido…  na parte…

Aline: Exatamente. Na parte sexual. Então, a gente enganava todo mundo. Ele ia já me buscar no trabalho, almoçar comigo. Então, as pessoas sempre ficavam “ah, olha lá, o namoradinho dela” , tal (entre risos). Então, a gente se blindou disso por muito tempo. Hoje, eu sei que foi mais tempo do que deveria ter sido. Mas são épocas diferentes, né. Não dá pra gente comparar o mundo de hoje com o daquele quando eu tinha 20 anos de idade, 18 anos de idade. Então, isso acabou nos dando uma folga, um alívio, sabe. Foi uma coisa maravilhosa que acabou nos dando aquele “uhhh”.

Dan: Você falando, isso que eu tava pensando aqui… Quando você falava assim, que “nós nos blindávamos”, aí eu comecei a pensar até que idade eles foram se blindando, né? É lógico que a minha vivência… Eu, com 14 anos, saí do armário, depois voltei, saí… Então, assim, pra mim era mais tranquilo transitar nesse universo. Mas, assim, falando da blindagem, vocês ficaram aí até uns 22 anos, provavelmente, 23 anos, ainda namorando, né? (ele solta um riso).

Aline: Por aí. Por aí. Foi aí que…

Dan: Que a casa caiu… (ele ri).

Aline: É. Aí a casa caiu (ES de pedras desmoronando). Porque, daí, a gente também foi se libertando, né. Porque, querendo ou não, com 18, 19, 20 anos, nós somos adultos muito jovens (ao fundo, soa a música “Nós somos jovens”). A gente não tem a maturidade. A gente tá ganhando  a nossa concepção de vida, né. Eu tava saindo da faculdade, começando a minha vida profissional, tal. Então, é aí que  parece que a gente vai ganhando força, né. A gente vai falando “pô, meu, pera aí, eu não posso viver a minha vida assim, pra sempre”, né. A gente não pode. A gente tem que ter liberdade. A gente tem que se impor como tal e saber que somos muito além do que a nossa sexualidade nos diz. Apesar da sociedade nos pautar pela nossa sexualidade, mas nós estamos muito além disso, né. A Aline é muitas outras coisas, do que ser lésbica, né. Aline é legal, Aline é engraçada, Aline conta piada, Aline gosta de podcast, Aline é vidrada em série. Então, existe um milhão de coisas atrás da nossa sexualidade, né, atrás do gay, da lésbica, dos trans, e tal. Mas a gente demora, é um caminho que a gente tem que percorrer, e não adianta a gente tentar apressá-lo, né. Não adianta, a gente tem que viver o nosso tempo, e foi assim que aconteceu comigo.

Dan: Quando que vocês decidiram retirar essa blindagem? Foi abrupto ou foi tirando devagarzinho? Quem é que foi saindo primeiro dessa couraça?

Aline: Não, na verdade, foi uma coisa muito natural, sabe. A gente foi se soltando juntos. Sem a gente conversar, sem colocar um ponto no I. Ele teve um namorado, eu tive uma namorada, que acabou nos levando pra caminhos diferentes. Então, a gente se soltou dessa forma. Tipo, foi uma coisa bem natural, bem tranquila, bem… Tipo, “uhhh, let it go!” (Dan ri, ao fundo soa a música “Let it go”) (ambos riem).

Dan: Entre vocês, tudo bem. E como que isso foi visto dentro de casa?

Aline: Então, dentro de casa, pra minha mãe, quando acabou, né, quando aquilo não era mais nada daquilo, aí foi tenso. Aí foi muito tenso. Minha mãe ficou muito chocada, né. Essa minha saída do armário, dentro de casa, não foi fácil. Pra minha mãe foi bem duro, foi bem sofrido, sabe. Uma coisa que a gente nunca tinha feito, que era brigar, porque minha mãe é uma mãe, assim, maravilhosa. Sempre presente, muito amorosa. Mas ela não desceu com aquilo de uma forma de boa. Muito ao contrário do meu pai, que já foi (ela ri) “ah, tá, você tá feliz?” Meu pai olhou pra minha cara e falou. Sou, pai, eu sou feliz assim. “Então, tá bom!” (ES cômico de surpresa) E continuou vendo o jornal (ela ri mais), sabe.

Dan: Como se fosse uma notícia…

Aline: Como se fosse uma notícia tranquila…

Dan: “Vou comprar pão.” (ele ri).

Aline: Exatamente. Pro meu pai foi bem assim. Agora, pra minha mãe, não. Pra minha mãe já foi aquilo, “onde eu errei?”, daí já veio todo aquele ódio à tona, dela, né. E aí foram muitas brigas. E aí que eu acho que eu sofri o pior preconceito que a gente pode sofrer, que é dentro de casa, que é o mais doído. Porque, na rua, a gente deixa pra lá…

Dan: Espera, já, né…

Aline: A gente já espera. É algo que a gente espera. E dentro de casa foi bem sofrido. Mas eu tive meu irmão, que é uma pessoa maravilhosa, que esteve ao meu lado desde sempre, também. Meu irmão soube, desde muito cedo, desde que eu tinha 16, 17 anos. Então, ele era o cara que me segurava, também, né, que passava pano, pra que aquilo não batesse tão rápido, né, na minha mãe…

Dan: Ah, que ele já sabia desde antes, também, né…

Aline: Desde antes. Desde antes. Meu irmão… um cara maravilhoso, que me ajudou muito a passar por tudo isso, também. E ele também foi super ok, igual o meu pai (ela solta um riso). “Você é minha irmã, isso não muda nada.” Agora, com a minha mãe, foi muito doído, muito sofrido, mas passou.

Dan: E como que vocês foram resolvendo isso? Porque demora um tempinho, né, assim, pra lidar. Assim, como que foram as primeiras aberturas e essa relação, essa poeira foi baixando, e a relação foi retomando os moldes que eram antigamente, novamente?

Aline: Foi o tempo, né. Foi o tempo e algumas conversas. Eu acho que meu irmão também teve uma grande influência nisso, porque ele também conversou com ela. E justamente essas coisas… que eu também falava, mas eu acho que ela já tava com a cabeça tão alucinada, que ela não me ouvia, né. Então, a figura do meu irmão foi importante pra que desse a ela um pouco de lucidez. Exatamente isso, que a Aline continuava sendo a Aline, continuava sendo a filha dela. E daí a gente passou a ter mais conversas, e ela também abriu o coração dela de todo medo que ela tinha, porque as notícias são sempre de muita agressão, de muitos maus tratos. Então, daí ela passou a ser uma mãe que tinha uma dupla preocupação quando eu saía, né. Da violência urbana e da violência pela lesbofobia, né. Então, daí eu fui conversando com ela, falei, não, mãe, você tem que se acalmar, as coisas não são assim, infelizmente a gente tem que viver acuado, (incompreensível) suas manifestações, e tal. Não sei o quê, mas eu me cuido, né, nunca ninguém me desrespeitou no trabalho, eu sou reconhecida no trabalho, eu nunca faltei com você. Foi quando eu perguntei a ela, eu falei, mãe, eu sou uma péssima filha? O que eu fiz pra você, em toda essa minha vida, que te decepcionou? Falei, qual foi a sua decepção comigo? Ela, tipo, parou pra pensar e ela falou “nenhuma”. Nada. Ela falou “muito pelo contrário”. Então, foi aí que ela se colocou a pensar que eu continuava sendo a mesma pessoa, a mesma filha, tendo as mesmas condutas, nunca dando, sabe, nenhum tipo de dor de cabeça. E aí as coisas foram abaixando, ela foi também se abrindo pra entender, ela foi tirando algumas coisas da frente, inclusive a religiosidade, né. Porque somos uma família de evangélicos, tal. Minha família. E ela foi tirando essas coisas da frente, e voltou a me ver como eu era antes.

Dan: Entendi. E, no caso, eu acho que essa dificuldade com os familiares é muito peculiar. Cada história é uma história. Você falou que seu irmão foi um grande intermediário, teve alguma tia? Você tem alguma tia que também… Ou, eu não sei como que é o modelo familiar seu, se isso é extrapolado pra tia, avó… como que foi reverberando isso nos outros entes?

Aline: Então, por sorte, minha família é minúscula (ambos riem).

Dan: É porque eu sou de família enorme.

Aline: Então, minha mãe é filha única, e as minhas tias não moram no Brasil, por parte do meu pai. A gente tem primos, assim, um pouco mais distantes, tal, mas não foi uma coisa que se alastrou, entendeu. Tipo, ficou presa entre nós, porque, por sorte, minha família é pequena (ela ri).

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Parte 2. Agora, pessoal, nós temos uma outra Aline. Uma outra vida, e vocês vão ouvir essa história, como que foi essa questão de se apresentar pra família, e suas experiências e, enfim, existe uma outra parte que é mais interessante, no sentido de não promover um sofrimento maior. Curtam aí.

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Voltando só naquela parte, ainda. Você tem o seu namoro, lá, hétero, né, e que virou uma grande amizade, na verdade. Então, namoro amigo hétero (ambos soltam risos).

Aline: Namoro fake.

Dan: Namoro fak… é que, eu até não queria usar a palavra “fake”, porque pelo que você falou, o carinho era tão gostoso, né, era um carinho verdadeiro. É um namoro que não tinha a parte do sexo, mas que tinha todo o companheirismo e tudo que a gente precisa numa relação. Quando você conseguiu levar uma primeira namorada pra casa? Pra apresentar pra família, igual todos héteros têm esse momento, né?  De levar, de conhecer, “essa é a minha nora” (ele ri).

Aline: É (ela ri). Então, essa namorada que eu levei pra minha família conhecer, tal, não sei o quê, ainda tava naquela fase de muita fúria da minha mãe. Então, essa coitada sofreu muito (ES cômico de espanto) (ela ri).

Dan: Foi um enfrentamento seu, por  sua parte, de mostrar pra sua mãe alguma coisa, ou não?

Aline: Não, eu acho que não foi um enfrentamento. Eu acho que foi mais um posicionamento. Eu acho que foi um ato meu de falar “é assim”, né. Eu falei, ou a gente continua assim, ou teremos um natural afastamento da família. Porque nós somos uma família pequena, mas somos uma família extremamente unida. Então, a gente faz tudo junto, sabe. Vamos comer juntos, vamos fazer isso junto, vamos viajar junto. “Ai, hoje é dia de fazer isso, hoje é dia de fazer aquilo.” Somos uma família muito comilona (ao fundo soa a música “Comer, Comer”), a gente adora cozinhar. Então, nossos eventos são sempre, né…

Dan: Baseado em comida…

Aline: baseado em comida, mas a gente se diverte, a gente dança, a gente ri, e tal. Então, eu queria mostrar pra ela como a Aline não iria estar mais ali, se não houvesse essa aceitação, assim como meu  irmão tinha, à época, a ex-noiva dele lá, a Aline também teria a namorada dela que deveria estar ali.

Dan: Entendi.

Aline: Mas a moça sofreu (Dan ri), à época, porque ela pegou essa fase de (ela ri) fúria total. Hoje é muito mais tranquilo, minha mãe adora minha namorada, elas se dão super bem, e bagunçam juntas, conversam, e têm um carinho enorme. E tá sendo muito legal.

Dan: E quando é que foi aquela primeira namorada, assim, que você viu que sua mãe tinha guardado… se desarmando, né, tinha se desarmado? Sempre tem esse namorado que chega, aí, tipo um match point da vida, assim, agora as coisas vão andar mesmo, conforme eu acho que… Você teve essa namorada, que você percebeu essa mudança, essa abertura de sua mãe?

Aline: Então, na verdade, eu estou tendo. Eu estou tendo. Eu acho que essa minha namorada, agora, ela… Não sei. Não sei se é ela, entendeu, que é uma pessoa muito iluminada, também. Mas, assim, as grandes quebras de todos os paradigmas. Eu fui casada, até pouco tempo, né. Então, minha mãe tinha uma convivência com a minha ex-esposa, mas não é nada parecido como eu tenho agora, nesse último ano, com a namorada atual.

Dan: Entendi. Ah, e você acabou de falar que você foi casada, né? Podemos conversar um pouco sobre esse casamento? Como que foi, assim, em termos até legais, que recentemente, né, três anos é muito pouco, também. E como você é da área do Direito, acho que você pode até dar uma explanação, aí, para os ouvintes que são mais leigos na área do direito, pra poder… Primeiramente, vocês se casaram mesmo, legalmente, ou foram morar juntas?

Aline: Nós viemos morar juntas e lavramos uma união estável. Escritura de união estável.

Dan: Entendi. Antes da gente falar um pouco sobre casamento, você poderia falar um pouco para os ouvintes sobre essas questões de casamento, união estável, como que funciona? Porque, às vezes, tem alguém que tá ouvindo e, às vezes, é LGBT  e  nem sabe dos seus próprios direitos e pode até ser uma dica, aí, pra alguém.

Aline: Ah, claro, com certeza. Depois da decisão do STF que legalizou a união civil homoafetiva, todos os cartórios, hoje, são obrigados a lavrar tanto a escritura de união estável, que dá o status de casamento, mas não se equipara, né, porque o casamento tem outros direitos e obrigações, como a comunhão de bens e etc. né, que regulamenta tudo isso. Então, você pode ir a qualquer cartório, chegar lá no cartório e falar, “olha, eu quero lavrar uma escritura de união estável homoafetiva”, então ele vai colher seus dados, vai perguntar desde quando vocês estão junto, ela tem esse efeito retroativo, também. Ou você pode efetuar o casamento civil, lavrando os proclamas, né, recolhendo todas as taxas, se casando civilmente, tendo a sua certidão de casamento, equiparados aos héteros.

Dan: Ok. É só pra gente poder… como é que fala? Entender. Porque, não sei se você sabe disso, existem muitas pessoas que não… Eu conheço alguns LGBTs que não entendem muito bem esses direitos, como funciona a união estável, como funciona casamento. Alguns achavam que era só união estável, e o casamento, não. Tinha uma certa confusão em relação a isso, talvez até mais por causa das brigas e tretas políticas em nível nacional, que a gente conhece. Talvez as pessoas leem uma coisa e acabam confundindo essas informações, e se perdem. Você falando sobre casamento, eu vejo que tem muitos gays e lésbicas com vontade de casar. Você acha que, até simbolicamente, ser uma situação bacana e ali representar o amor e o companheirismo, você acha que isso também tem um pouco a ver da gente querer apresentar-se pra sociedade com um grau de certa normalidade? Não que a gente… Você entendeu o que eu quero dizer. Pra que ELES NOS LEIAM como pessoas normais, nós também casamos, nós também pagamos água, luz, dividimos as contas, temos os mesmos problemas conjugais que vocês têm. E aí, a gente se colocar de igual pra igual, na sociedade. Porque alguns gays não faziam questão de casar, e hoje fazem tanta questão. Será que isso tem a ver com essa posição de normalidade pra sociedade?

Aline: Eu acho que é multifatorial isso. Eu acho que tem muito daquele estigma que a gente sempre trouxe, que relações gays não duram porque são eivadas de promiscuidade, de falta de comprometimento. Então, isso, eu acho que foi tão embutido na sociedade, e eu acho que isso foi tão reverberado para nós, que o ato da união do casamento é pra que a gente, como um ato político, dizer não. Ser a nossa união homoafetiva não… Ela existe, ela é feita de amor, ela é feita de longevidade, ela é feita de comprometimento, e não disso que vocês sempre falavam que nós éramos. Eu acho que também tem um pouco da igualdade, sim, né, porque a gente também quer ter essa equivalência da heteronormatividade. Então, eu acho que o casamento também vem a isso, pra nos elevarmos pra equalidade. À igualdade, perdão. Então, eu acho que é um pouco de tudo, sabe, eu acho que ele é um pouco multifatorial. E um pouco daquilo, também, da gente que sempre cresceu pensando que nós nunca teríamos aquilo. Nós nunca teríamos uma festa, nós nunca teríamos convidados, nós nunca poderíamos casar. E a gente vê isso, meu, desde que a gente se entende por gente, né. Novelas, jornais, tabloides, filmes. Então, acho que também isso fica um pouco embutido dentro da gente. E hoje é um ato de liberdade. Hoje, onde nós nos encontramos? Nós podemos casar, nós podemos não casar, mas a gente pode se juntar, a gente pode…

Dan: Se divorciar… (ele ri).

Aline: (rindo) A gente pode divorciar. A gente pode tudo, né. Exatamente como os héteros. Então, eu acho que tem um pouco de tudo disso. Tem muita gente que fala, “ai, não, o casamento é aquela coisa de padrão, né, de sociedade, fechada”, tal. Mas eu acho que isso é uma coisa de cada um. As pessoas têm que entender… que é o que eu sempre falo, as pessoas têm que ter o direito de fazer o que elas bem entendem. E a função do Estado é dar o direito, é amparar a diversidade, é dar legalidade. É pagar uma pensão, você colocar o seu companheiro dentro de um plano de saúde. Essa é a função do Estado, ele tem que te tutelar. Tutelar toda essa mutação da sociedade. Agora, o que nós queremos fazer, aí fica a cargo de cada um.

Dan: E a gente falando de casamento, como que você vê, por exemplo, a sua percepção pessoal… Você tem vontade de ter filhos? Se você tem, como que você vê isso? E se você os tivesse, quais seriam as dificuldades que você imagina que nós, LGBTs, teríamos pra criar filhos?

Aline: então, eu passei um pouco dessa experiência, porque eu tive um enteado. Minha ex-esposa tinha um… tinha, não, tem, né. Tem um filho. A gente começou a se relacionar quando ele tinha 6, e passamos a morar junto quando ele tinha uns 8, mais ou menos. Então, ele também foi um pouco meu filho, né (ela solta um riso).

Dan: Com certeza.

Aline: Em todo esse processo de criação, tal. Eu gostaria. Eu gostaria de ter filhos, mas eu tenho um problema com o Brasil (ela ri). Com o nosso sistema, etc. Eu gostaria de ter filhos fora daqui. Mais por concepções minhas, né. Mas gostaria. Enfim, é difícil educar. É muito difícil educar, porque a gente tem uma sociedade muito conservadora, o diferente sempre é difícil. Mas eu acho que isso cabe muito à nós, também. sabe, eu acho que o preconceito também tá dentro da gente, de nós, né, gays, do que na cabeça da criança propriamente dita. Meu enteado é uma prova viva dessa, onde eu tive experiências, tipo, maravilhosas, de ele olhar pra mim e falar que ele era o menino mais feliz, porque agora ele tinha uma família, e aquilo era muito legal, porque a gente almoçava juntos, a gente jantava juntos, nós íamos ao shopping juntos, e ele via a mãe dele muito feliz.

Dan: Nossa, que lindo!

Aline: então, sabe, uma coisa de levar às lagrimas, mesmo. Então, você vê como o que é, né. Ela era uma mãe solteira, ele tinha um pai ausente, quer dizer… O que é o certo? O que é o correto? O que é o saudável pra criança? Saudável pra criança é você ter um lar saudável, que era o nosso e que isso refletia nele, que ele era um menino super feliz, super de boa com tudo isso. A gente sofreu, sabe, milhares de coisas. Eu (incompreensível) porque eu já tinha medo que o menino ia levar uma sova na escola por causa disso, sabe (ela solta um riso).

Dan: É isso que eu tô pensando, aqui, quais seriam as angústias, né?

Aline: É. Aquelas coisas malucas, tal. Não, vai ter vergonha disso, como é que é conviver com isso nas costas, né. E no fim, eu pirei tudo à toa (ambos riem). Sofri. A gente sofreu tudo isso à toa, porque nada disso aconteceu. Foi uma experiência muito legal, ter vivido esses anos com ele. Aprendi muito.

Dan: Vocês não tiveram histórias tristes, assim, de escola, não, né? Nada…

Aline: Não tivemos. Agora, assim, talvez o fato de ele ainda ter a figura do pai, entendeu? Porque ele não era o nosso filho. Ele tinha a figura do pai dele. Eu acredito que isso amenizava muito. Porque ele não ia pra escolinha e falava que tinha duas mães, né, porque ele tinha o pai dele. Então, acho que isso é um fator que minimiza tudo, né.

Dan: Ele chamava você de Aline ou Tia Aline? (ambos soltam risos).

Aline: Ele me chamava de Tia.

Dan: É, Tia. Eu chamava o meu padrasto de Tio, também. Por isso que eu tô lembrando aqui. Ah, mas que legal! Eu penso nessa situação de como ter filhos, inclusive eu gostaria até de, um dia, conversar com pais que tiveram essa experiência, porque na minha cabeça, eu só vejo coisa ruim. Medo. Medo tá, assim, estampado, sabe? Mas vontade também tá tão grande quanto medo, sabe? Medo, vontade, medo, vontade…

Aline: Eu te entendo. Eu te entendo, viu. Eu entendo que o medo nos assola muito. Muito mesmo. Mas é aí que entra isso que eu estava te falando, sobre as questões ideológicas. Eu acho que aqui é uma coisa muito forte, entendeu? Hoje, o Pedro tá na Inglaterra, né, a minha ex-esposa mora em Londres. E eu passei um tempinho lá e a gente já vê como a concepção é completamente diferente, sabe.

Dan: Já é outro universo.

Aline: As pessoas, lá… É completamente outro universo. É outro mundo. Então, é óbvio que eu não vou falar “ai, não existe preconceito!” Não. Existe, tal. Mas as pessoas encaram a vida das pessoas como a vida das pessoas, sabe?

Dan: Entendi.

Aline: Ponto. Não tem essa influência toda. Então, eu acho que aqui o diverso sofre muito. Diferente de alguns outros lugares onde isso já é falado, onde isso não pode ser motivo de bullying, onde as escolas levam isso muito a sério. Então, já tem um degrauzinho a mais pra lá, né.

Dan: E você falando sobre essa experiência do casamento e tudo o mais, podemos até concluir, né, que casamentos LGBTs, casamentos gays, né, são tão normais quanto casamentos héteros, que existem separações também, né.

Aline: Sim, eles acabam, é normal.

Dan: Como qualquer outro (entre risos).

Aline: Como qualquer outro. Exatamente.

Dan: E você falando que agora você tem uma namorada que tem todo um carinho com a sua mãe, falando que a forma com que ela aborda sua mãe talvez fez com que a sua mãe até se tornasse mais aberta. Hoje você sente uma normalidade nisso, assim, de olhar que é tão normal quanto a nora que seria, por exemplo, noiva ou namorada ou esposa do seu irmão? Você se vê como normal (ele solta um riso), assim? Que, por muito tempo, a gente se sente um monstro, né? Assim, nunca vou levar meu namorado. Nunca vou levar, no seu caso, minha namorada…

Aline: Ah, sim. Hoje eu me sinto numa normalidade que eu até me assusto. Vou ser bem sincera (entre risos). Até me assusto. Eu às vezes fico… sabe quando você tá sentadinho num canto, observando, ali? Eu falo, nossa, eu jamais imaginei que a minha vida chegaria a esse patamar. Nesse último Dia das Mães, a gente deu duas Hortênsias a minha mãe, né, bem enormes, assim. E daí, tinha uma plaquinha “Para a melhor mãe do mundo. Para a melhor sogra do mundo”. (ela ri)

Dan: Ai, que lindo!

Aline: É. E demos os quatro, o presente pra ela, né. Eu, meu irmão, minha cunhada e minha namorada.

Dan: Que perfeito, né (ele ri).

Aline: é (ela ri). E foi super lindo, porque ela ficou toda emocionada, adorou, tal. Então, esse fato em si me trouxe essa reflexão da normalidade, né. Falou, oh, aqui estamos todos equiparados, como uma família feliz, comemorando o Dia das Mães, e ela sendo a sogra pra as duas, entendeu.

Dan: É disso que a gente precisa, né, de tornar-se tão igual quanto qualquer um. Eu acho que a sociedade está precisando disso. E falar de normalidade, temos que falar de lesbofobia dentro do movimento LGBT. Que, infelizmente, essa lesbofobia vem dos meus queridos, e alguns odiados, amigos gays. Geralmente, homens gays. Geralmente, homens gays, cis, né. São os que podem vir a cometer casos de lesbofobia. Você chegou a sentir isso ou presenciar, por uma amiga, a lesbofobia, vindo de um gay?

Aline: Assim, eu acho que aqueles comentários meio pejorativos eu encaro como lesbofobia, né.

Dan: Sim, é preconceito estrutural, né.

Aline: Estrutural. Então, sim, já sofri esse… “Ah, caminhoneira!” “Ah, fanchona!” “Ai, sai daqui!” né. Já. Já presenciei, sim, infelizmente, de alguns gays. Não amigos, óbvio (ela solta um riso). Porque daí a gente já corta (Dan ri).

Dan: Como é que é? “Eu não  sou lesbofóbico, tenho até amiga lésbica…” (ele ri).

Aline: “Não sou homofóbico, eu tenho até um amigo gay…” (ela ri, Dan ri mais em seguida). Mas, infelizmente, sim.

Dan: Esse tipo de preconceito estrutural são os que mais passam batido, porque até quem sofre não sabe que… assim, causa uma angústia, um desconforto, mas até a pessoa acha que é normal, né, tipo assim, todo mundo fala isso, então, por que eles não, né?

Aline: Exatamente!

Dan: Aceita, né…

Aline: É. Não pode aceitar. Não podemos aceitar. Acho que pra todos os lados, isso, não só pra as lésbicas, mas como os gays, as trans. É o que a gente fala dessa agressão que é velada, mas, na verdade, ela não é velada, ela também é uma agressão. A gente fala muito de xingamento, de agressão física, né, por vias de fato. Mas essas pequenas coisas também causam dor, causam sofrimento, e a gente tem que, toda hora, voltar, sabe, refletir. Tirar essas coisas que estão estruturadas dentro da gente. E eu me incluo nisso. Porque tá tão estruturado na gente, que até a gente que tá dentro comete deslizes. Então a gente tem que rever os nossos vocabulários, os nossos xingamentos, essas nossas pequenas agressões. A gente tem que tá em constante revisão, porque a gente não pode mais aceitar isso. Porque são esses pequenos caminhos que acabam abrindo os caminhos maiores.

Dan: E você falando… a gente falando aqui de lesbofobia, eu tava lembrando o seguinte, na entrevista passada, com a Alex, a gente… Tem um vídeo da DJ Leda com dez coisas que toda mulher trans está cansada de ouvir. E eu pensando aqui, eu acho que existe muitas perguntas, assim, totalmente indiscretas. Eu nem tô te perguntando, é só pra te falar. Que eu acho que são as mais indiscretas.  Eu já vi muito gay falar assim, “ai, como é que duas lésbicas fazem sexo?” Tipo assim, oh, querido (ele ri). Primeiro que eles não deveriam nem saber, né, por ser gay. E segundo, gente, as pessoas se resolvem. Mas eu acho que essa é uma pergunta muito recorrente, eu acredito, de como que elas fazem sexo, assim, como se fosse um oráculo, né, e sobretudo os gays que adoram o deus pênis, né. Então, tem essa…

Aline: O deus falo, né? (ela ri)

Dan: O deus falo, que sem ele nada existe…

Aline: é. Nada existe, a sexualidade, realmente, está restringida…

Dan: Ao falo, né…

Aline: A um pau, porque não existe mais nada no mundo, no planeta. Ai, infelizmente, nossa, eu já ouvi… Aff, tanta besteira. Assim eu sou uma pessoa muito bem humorada (ela ri). Então, exatamente o que nós acabamos de falar, por muito tempo eu ouvi muita abobrinha, sabe. Muitas coisas que são agressões, na verdade, né. Esse tipo de pergunta. Aquelas observações, “ah, mas é porque você ainda não me conheceu, você ainda não foi pra cama comigo”.

Dan: Ah, é. Tem isso também, né. O estupro corretivo, né.

Aline: O estupro corretivo, que felizmente eu não conheço ninguém no meu círculo, mas já ouvi, já li relatos horríveis, né. Acho que pelo fato de eu estar numa metrópole, isso acaba nos ajudando, mas o que acontece nesse interior desse meu deus do Brasil, são relatos horríveis, doídos. Mas eu ouvi muito disso, “ah, então me prova que vocês são lésbicas”. Querido, eu tenho que te provar o quê? (Dan ri) você vai me provar que você é héteros? Sabe, meu, eu já ouvi de tantas coisas. Mas também já passei por situações engraçadas (entre risos). O moço me via com a minha namorada, né, com a pessoa que eu estava, “nossa, vocês são tão bonitas! Nossa, meu, você tem que me ensinar como é que chupa!” (ES cômico de espanto) (Dan ri alto) (ES de “what?”).

Dan (rindo): Tutorial, né?

Aline (entre risos): Tutorial. Vai, não, é rapidinho, eu faço assim, assim, assim… Falei, sério que você tá me perguntando isso? Cara, vai procurar sua turma, meu! (ambos riem muito).

Dan: Gente! Essa eu não sabia.

Aline: Juro. Isso não me aconteceu só uma vez. Já me aconteceu mais de uma vez.

Dan: Ou seja, é recorrente, também, né?

Aline: É recorrente isso…

Dan: Professora… “Como achar o clitóris, módulo 1”.

Aline: Exatamente. Eu falo, cara, se você tá até hoje sem saber o que fazer, meu, você precisa rever os seus conceitos (ES de bateria após piada) (ambos riem alto).

Dan: Gente…

Aline: Precisa muito rever os seus conceitos. E também tem esse distanciamento, né, Porque a lésbica existe no mundo imaginário do masculino, né. Quando ela se materializa, é a masculinidade, é a misoginia, né. “Porque você não transou comigo. É porque você não conheceu meu pau”. “É porque você é um homem frustrado.” Isso eu também já ouvi. Tipo, “ah, você nunca vai ser homem.” Alô! Não quero ser homem! (ela ri).

Dan: Estamos falando de identidade de gênero? (ele ri).

Aline: é. Quem disse que eu quero ser? Eu gosto de ser mulher. Eu sou mulher que gosta de outra mulher. Pegou? (eles riem) Deu pra entender? Eu não quero ser homem. O fato de eu não andar muito de salto alto, ou não estar sempre maquiada, isso sou eu. Não é porque eu quero ter a identidade do gênero masculino. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Dan: Outra coisa é a erotização, né, da lésbica. Por exemplo, um pai de família conservador, talvez, fica incomodado com a bicha afeminada e tudo o mais, mas duas lésbicas se beijando, pode.

Aline: Pode. Exatamente por causa disso que eu acabei de falar.

Dan: Da misoginia, né…

Aline: Da misoginia e da erotização. Aliás, a bicha afeminada também não pode, porque é o feminino. E o feminino tem que ser subalterno. Você pode até ser gay, desde que não seja afeminado.

Dan: Seja homem! (ele ri).

Aline: Seja homem, exatamente.

Dan: E, dentro do meio gay, eu tava conversando com o Igor, né… Eu nem sei se na edição foi essa conversa. Mas a gente falando assim, que nos aplicativos, os homens passivos colocam assim, “não aceito passivos”.

Aline: Oi?

Dan (entre risos): Ele não coloca assim, “eu sou passivo e quero um ativo”. Eles colocam assim, “eu não aceito passivos” Até o falar, o assumir-se passivo, o gay tem dificuldade disso, assim, porque o passivo, pra eles, está no papel feminino. E tem toda uma estrutura que não é o melhor tipo de gay que existe. Então, ele fala “não aceito passivos”. Não explica por quê, mas (ele ri), o Igor falou assim, “mas é óbvio que é outra passivona falando, não quero outra passivona”.

Aline: Exatamente. Mas eu acho que isso é muito do lance da misoginia, que tá dentro do próprio gay, também.

Dan: Sim. Eu  mesmo me libertando, e sendo muito ciente de quem eu sou, o meu local, o meu posicionamento político enquanto gay, eu tinha dificuldade com essa relação da passividade, de falar isso. Eu tinha vergonha. Eu preferia falar assim, “no máximo sou flex, mas mais ativo”. Mentira! (ele ri).

Aline: MENTIRA! PASSIVONA! (Dan ri alto, Aline ri em seguida).

Dan: Mas é o medo, né, assim…

Aline: é o medo. Mas e justamente esse medo que te coloca numa posição de mulher, e que acaba te colocando numa posição inferior, porque a mulher, né, na nossa sociedade, ela é e tem que estar sob essa situação de inferioridade o tempo todo. Então, são esses links que a gente faz o tempo todo, às vezes sem perceber. Por isso que  eu falei, é um exercício nosso, a gente tem que tá sempre…

Dan: Diário, de reflexão, né…

Aline: De reflexão, exatamente. E saber, e de ter algum conhecimento, e de ler.  Porque só assim a gente sai do obscuro e daquilo que a gente foi construído.

Dan: Eu ia te perguntar uma coisa… Ah, tá! A gente tem que falar, também, sobre privilégios. Assim, a gente entende que, por exemplo, você pode vir a sofrer misoginia, a lesbofobia, mas temos que deixar bem claro, também, para os ouvintes, né, que a gente tem outros lugares de privilégio. Igual você falou assim, “oh, eu moro numa metrópole”, isso facilita em relação a, por exemplo, ao estupro corretivo que, no interior, é algo que faz parte até da cultura de alguns lugares, né. Então, assim, dentro dessa esfera de opressões e dessas esferas de privilégios, em qual momento os seus privilégios, você acha, que minimiza essas opressões que você pode vir a sofrer, tanto de misoginia quanto de lesbofobia?

Aline: Eu acho que, ponto 1, estar em São Paulo. Não que isso anule, né, mas eu acho que isso diminui muito. Estar numa metrópole, transitar pela Avenida Paulista, que é um lugar, né, que a gente encontra todos os cantos do mundo,  eu acho que isso acaba me dando alguns privilégios. Ter cursado as faculdades, faculdades particulares, eu acho que isso também é um privilégio meu. O privilégio de ser classe média, nossa…

Dan: Você é concursada, né?

Aline: Eu sou concursada. O fato de eu ser concursada é um mega, ultra privilégio. Porque eu acho que isso diminuiu muito as minhas… as minhas chances, né? (ela ri) As minhas chances de ter uma retaliação, de não ser reconhecida pela minha competência.

Dan: Pela chefia imediata, né? Sofrer perseguição.

Aline: Pela chefia imediata. Sofrer perseguição. Então, eu acho que isso também me deu um privilégio abrupto, assim. Não que eu não tenha escondido por muitos anos, por onde eu passei. Hoje, não. Hoje, eu estou numa situação muito melhor. Mas, assim que eu entrei, em estágio probatório, tal, então, você fica, né, naquela, “será que eu vou ser julgada por isso”, não ser? Mas eu, particularmente, tive muitos privilégios. Muitos mesmo. Eu tenho histórias, eu ouço histórias, eu tenho amigas, meu, sofrem o tempo todo, por todos esses motivos, por estarem em posições menos privilegiadas.

Dan: É. E a gente tem que deixar isso claro para os ouvintes, que o seu local de fala pega, ali, um espectro do que vem uma pessoa a sofrer lesbofobia, né, que tem várias outras vertentes, tem a lésbica periférica, tem a lésbica do interior, a lésbica negra, a lésbica trans, que também existe. Então, um número infinito de possibilidades, e a gente não pode… só deixar pra o ouvinte, né, é claro que a gente não tá fechando nisso. Que é só isso, e que tem muita coisa que poderia ser discutida aqui também, né.

Aline: Nossa, uma infinidade de coisas, uma infinidade de falas. Justamente por isso eu tô sempre buscando ler depoimentos, fazer parte de comunidades dentro de Facebook, falar com o maior número de pessoas, pra que a gente tenha identidade daquilo que realmente acontece. A minha fala é daqui, de uma fala muito privilegiada. Sofri várias coisas? Sim, sofri. Mas, meu, tem uma infinidade de pessoas que sofreram muito mais que eu. E ainda sofrem. E ainda estão nas suas lutas eternas, né, dentro das suas idades, tal. Então, não, não acaba aqui. Nossa, é um leque enorme, tem muita gente com muita história pra contar. O que a gente tem que fazer é buscar sempre, né, essas  falas, pra ~gente não ficar fechado nas nossas.

Dan: Sim, e coletando histórias, né. E, à medida que a gente for conversando com várias pessoas, a gente pode criar um rol de N particularidades que existe no país. E eu acho muito importante falar sobre lesbofobia, porque eu acho que lésbica, bissexual e transexual, na sigla, né (ele solta um riso), só tinha na verdade o G. E estamos tentando quebrar esse comportamento, né, desse grupo que era político, e luta por um direito, mas que o foco bem só numa letra. Então, Aline, antes de te  perguntar qual é o seu super poder, eu quero que você me ensine (ele fala entre risos) a soletrar o seu nome (Aline ri), pronunciar o seu nome.

Aline: Vamos lá. “Koroglouyan” (Dan repete o sobrenome, tal qual Aline pronunciou). Isso (Dan repete mais algumas vezes o sobrenome, entre risos). Isso (Aline ri).

Dan: Aline Koroglouyan (ele pronuncia vagarosamente). Eu nunca vou conseguir falar seu nome rápido (Aline ri).

(VINHETA: efeitos sonoros de distorção do áudio, uma voz anuncia “Momento Super heroína do dia!”)

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Então, Aline Koroglouyan, qual seria o seu super poder LGBT?

Aline: O meu super poder LGBT é a minha mente (Dan ri). É o que tá aqui dentro.

Dan: Super Mind? (ri mais).

Aline: Super Mind. E daquilo que eu posso verbalizar. Hoje, o que eu estou fazendo aqui é um super poder. É poder contar um pouco da minha história. É poder falar um pouco de mim, falar um pouco da minha identidade lésbica. Sei lá quantas pessoas vão estar ouvindo isso, né.

Dan: Pode ser 30, minha atual audiência, no primeiro episódio… Neste momento, são 50 pessoas (ele ri).

Aline: Então, cara, é muita gente.

Dan: é. Uma semana de programa, né.

Aline: Não, é muita gente. É uma ferramenta poderosa. A internet é uma ferramenta poderosa. Então, eu acho que, de tudo aquilo que eu aprendi, de tudo aquilo eu estudei, de tudo aquilo que eu venho estudando, a chance de eu ter tudo isso na minha cabeça e poder verbalizar é o meu super poder, pra que a gente busque um mundo diferente, um  mundo com mais tolerância, um mundo com mais amor e com mais entendimento ao ser humano.

Dan: Ai, Aline, eu gostaria de te agradecer imensamente. Bater um papo contigo, eu já sabia que ia ser gostoso, porque eu te ouço no Trans-missão. Então, eu gostaria de agradecer muito e gostaria que você explicasse para o pessoal o que é o Trans-missão, onde ele se encontra, e por que ele se encontra lá. Faremos uma propaganda, aí, para o titio Mizanzuk, né (ambos riem). Mas explica para os nossos ouvintes onde está o seu canal de podcast e por que ele está inserido lá.

Aline: JABÁ! UHUUUU!(eles riem)

Dan: Jabazão.

Aline: eu que agradeço, adorei o convite. Foi muito gostoso estar aqui com você. Com vocês, né. Adorei. Brigada. Então, o Trans-missão é o nosso podcast LGBT, ele está no nosso feed, dentro do É Pau, É Pedra, que é um spin-off do Anticast. Quem não conhece, pode nos conhecer por lá. Tá sendo muito legal, a gente acabou de começar, também somos novinhos, somos babies. E lá, a gente vai trazendo as pautas LGBT, encontramos o nosso elemento trans, há pouco tempo. Uhuuu! Então, toda semana cada um traz uma pauta, e a gente vai discutindo em cima delas, as nossas aflições, as nossas angústias, nossos ideais. É um bate-papo bem gostoso, então eu super indico pra que nos ouçam.

Dan: É Pau, É Pedra; viu, pessoal. Trans-missão. Acho que vocês já têm cinco ou seis episódios, né?

Aline: Isso, a gente tá indo pro sexto episódio.

Dan: Então, pessoal, finalizamos aqui mais um programa. Aline KO-RO-GLOU-YAN. Agora eu consegui falar o nome. Novamente, muito obrigado. Enfim, pessoal, a indicação do livro de hoje não é um livro que diretamente está relacionado à temática LGBT, mas é de suma importância para nós. O livro chama “Por que gritamos Golpe? – Para entender o Impeachment e a crise política no Brasil”. Essa semana… O programa, no caso, vai ao ar na sexta-feira, né, e está sendo votado lá, né o processo de Impeachment, ou golpe, né, como podemos também dizer. E por que eu quero indicar esse livro? E por que eu acho isso importante? Primeiramente, que nós temos que entender que a concepção desse Impeachment é formada por um grupo de pessoas muito fundamentalistas, e que existem 25 casas, se isso fosse um jogo, né, que a gente vai voltar, com essa agenda do golpe. Inclusive, eu até tô abrindo o livro aqui, pra ler pra vocês. Eu gostaria dessa frase só pra resumir um pouco do livro. Mas eu gosto dessa frase que está na página 133, que é o texto o Renan Quinalha. Tá assim, “’Em nome de deus e da família’ é o lema que indica o tamanho do buraco em que estamos entrando, sobretudo mulheres, negros, e LGBTS.” Então, é por isso que eu estou indicando este livro, porque, com certeza, tempos conservadores virão. O livro possui vários autores. E ele custa, agora não mais 15 Dilmas, agora 15 Golpinhos, né. Então, você tem aí um livro com uma “Parte 1” que são os antecedentes do golpe. Fala muito, assim, fala bem e fala mal do PT. E fala os erros cruciais que o PT também cometeu para que esse golpe implementasse. A “Parte 2” é “O golpe ponta a ponta”, que é a parte, na verdade, que eu me encontro ainda. E temos a “parte 3”, que eu não li, mas estou doido pra ler, que é “O futuro do golpe”. Esse livro é fantástico. As pessoas que escreveram esse livro, se eu não me engano, não receberam para escrever esse livro, porque eles quiseram apenas fazer uma colaboração. Então, nós temos aí, como organizadores, a Ivana Jinkings, o Kim Doria e o Murilo Cleto. Dentro de vários escritores que temos aqui, temos a Marilena Chaui; nós temos as charges da Laerte, né, Laerte Coutinho; temos a Djamila ribeiro, que, se eu não me engano, é da Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo; temos o roberto Requião, que é do partido golpista, né, do PMDB; temos o Guilherme boulos, que é do movimento MTST; tem a Jandira Feghali, que é do PT, se eu não me engano. Ai, tem muita gente, é um livro muito composto, e muito grande. Se eu não me engano, tem um texto de Boaventura de Sousa. Onde é que eu li que tinha? É que eu não terminei de ler o livro ainda. Mas, enfim, é um livro muito interessante. Nessa parte dos antecedentes do golpe, o primeiro texto é super fantástico, que é da própria Marilena Chaui. Ah, tem textos do Ciro Gomes que, particularmente, eu não gosto muito dele, em alguns pontos dos posicionamentos dele, mas também tem aqui. Enfim, fica a minha indicação. É um livro muito barato, o frete que eu paguei, como eu moro no interior, foi mais caro do que o próprio livro. Então, apenas 15 Golpinhos pra vocês, “Por que gritamos golpe? – Para entender o Impeachment e a crise política no Brasil”. Ok? E, por fim, então, não se esqueçam de curtir nossa página http://www.facebook.com/hqdavida; ou @hqdavida; estamos já com uma novidade, que vocês já devem saber desde o último episódio, né, que nós temos um canal no Youtube, então você pode ir lá inscrever-se no nosso canal, chama-se “HQ da Vida Podcast”. E, por falar em Youtube, como eu falei no episódio passado, estamos precisando de uma galera, um grupão mesmo, para nos ajudar a transcrever os episódios. Então, seria legal termos um grupo de várias pessoas, pra transcrever esses episódios, esses trechos, né. Dividir em partes, que não sobrecarrega ninguém. Isso é pra que a gente possa criar acessibilidade pra pessoas com deficiência auditiva, e a gente lançaria isso dentro do Youtube, e as pessoas teriam, no caso, a legenda, pra poder assistir ao episódio. Então, é isso. E ainda você pode entrar em contato conosco no hqdavida@gmail.com; a nossa página, que é “HQ da Vida”, como eu disse, @hqdavida; ou você pode também digitar http://www.facebook.com/hqdavida; Nosso canal no Youtube, que eu falei pra vocês, é o “HQ da Vida Podcast”, e você também, né, pode utilizar o Sound Cloud pra também ouvir e entrar em contato conosco. Então é http://www.soundcloud.com/hqdavida; Inclusive, lá é o único lugar que eu tenho ainda de divulgar o meu podcast porque, infelizmente, eu tenho um feed fodido. Eu sou um noob, eu não estou sabendo lidar com isso. Então, eu não tô sabendo como upar isso no iTunes, toda vez que eu tento, dá erro. Eu não tô sabendo agregar no Android. Me desculpem. Tem umas pessoas que querem ouvir pelo iTunes, que é mais prático, já têm costume, e acompanham todos os podcast por lá. Inclusive, lá seria até uma maneira de bombar o podcast. Mas, enfim. Nessa parte, eu ainda estou limitadérrimo tecnologicamente. Mas prometo que tentarei resolver ou contratar um grande amigo pra fazer uma consultoria nessa área. Enfim, não deixem de curtir nossa página, se inscrevam lá no nosso canal, que é “HQ da Vida” e “HQ da Vida Podcast”. Enfim, é isso. Um beijo e até a próxima.

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA)

FIM

 

(Transcrito por Sidney Andrade)

 

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