1 hora e 10 minutos
12 porções
Fácil
250 kcal
Ingredientes
- Para a Massa:
- 1 xícara (240ml) de leite morno ou água morna
- 1 ovo
- 1/4 xícara (60ml) de óleo ou azeite
- 1 colher (sopa) de açúcar
- 1/2 colher (chá) de sal
- 10g (1 sachê) de fermento biológico seco (ou 2 tabletes de fermento fresco)
- 4 xícaras (aproximadamente 500g) de farinha de trigo
- Para Pincelar (opcional):
- 1 gema de ovo
- 1 colher (sopa) de água
- Gergelim a gosto
- Para o Recheio de Carne (Sugestão):
- 300g de carne moída crua
- 1/2 cebola pequena picada finamente
- 1/2 tomate pequeno, sem sementes, picado finamente
- Suco de 1/2 limão
- Salsinha picada a gosto
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Hortelã fresca picada (opcional)
Modo de Preparo
- Prepare a massa: Em uma tigela grande, misture o leite morno (ou água), o ovo, o óleo (ou azeite), o açúcar, o sal e o fermento biológico. Misture bem até dissolver o fermento.
- Adicione a farinha de trigo aos poucos, misturando com uma colher e depois sovando com as mãos até obter uma massa lisa e homogênea que não grude nas mãos. Se tiver máquina de pão, use o ciclo de amassar massas.
- Cubra a tigela com um pano e deixe a massa descansar em local morno por cerca de 30 a 40 minutos, ou até dobrar de volume.
- Enquanto a massa descansa, prepare o recheio de carne: Em outra tigela, misture a carne moída crua, a cebola picada, o tomate picado, o suco de limão, a salsinha, o sal e a pimenta-do-reino. Misture bem com as mãos para que os temperos se incorporem à carne. Se desejar, adicione a hortelã picada para um sabor mais autêntico. Reserve.
- Modele as esfihas: Após a massa crescer, divida-a em pequenas porções (cerca de 30g cada) e faça bolinhas. Em uma superfície levemente enfarinhada, abra cada bolinha com um rolo ou com a ponta dos dedos, formando discos de aproximadamente 8-10 cm de diâmetro.
- Coloque uma porção generosa do recheio de carne no centro de cada disco. Para esfihas abertas, espalhe o recheio deixando uma pequena borda. Para esfihas fechadas, una as bordas da massa no centro, formando um triângulo ou "trouxinha", selando bem para o recheio não vazar.
- Pré-aqueça a airfryer a 180°C por 5 minutos.
- Pincele as esfihas (especialmente as fechadas) com a mistura de gema e água, e se desejar, salpique gergelim por cima. Isso ajuda a dar uma cor dourada bonita.
- Disponha as esfihas na cesta da airfryer, sem sobrepor, assando em levas. O tempo de cozimento pode variar, mas geralmente é de 8 a 12 minutos a 180°C. Fique de olho para que fiquem douradas e o recheio cozido. Para esfihas abertas, o tempo pode ser um pouco menor.
- Retire as esfihas da airfryer e sirva imediatamente. Repita o processo com o restante da massa e recheio.
Dicas do Chef
- Para um recheio de carne mais úmido e saboroso, adicione um pouco de requeijão ou coalhada seca à mistura.
- Experimente outros recheios: queijo (muçarela, ricota com espinafre, queijo branco), frango desfiado com requeijão ou calabresa moída.
- Não sobrecarregue a cesta da airfryer para garantir que as esfihas assem por igual e fiquem crocantes.
- Se a massa começar a ressecar ao modelar, umedeça levemente as mãos com água ou azeite.
- As esfihas podem ser congeladas antes de assar. Congele-as em uma assadeira e depois transfira para um saco próprio para freezer. Asse diretamente da airfryer, aumentando um pouco o tempo.
A esfiha, também conhecida como esfirra em algumas regiões do Brasil, é muito mais do que um simples salgado; é um pedaço da rica tapeçaria cultural do Oriente Médio que conquistou paladares ao redor do mundo. Sua história é tão antiga e fascinante quanto os sabores que a compõem, atravessando séculos e continentes até chegar às nossas mesas, e agora, convenientemente, à nossa airfryer.
Origens e Tradição: Uma Viagem ao Coração do Oriente Médio
Acredita-se que a esfiha tenha suas raízes nas antigas civilizações do Oriente Médio, com registros que apontam para sua origem na região do Levante, que abrange partes da atual Síria, Líbano e Palestina. Alguns historiadores e estudiosos da culinária sugerem que o Iraque também pode ter desempenhado um papel fundamental, com o cultivo de trigo e outros grãos que permitiram a criação do pão redondo, que mais tarde seria coberto com carne e cebola, dando origem à esfiha aberta.
Tradicionalmente, a esfiha era uma pequena torta assada, feita com massa de pão e recheada com carne bovina, carne de carneiro, queijo, coalhada ou verduras temperadas. Era um alimento comum em banquetes e refeições triviais, e seu preparo muitas vezes ocorria em fornos comunitários nos vilarejos, onde as famílias levavam suas massas e recheios para assar grandes quantidades de uma só vez. Essa prática facilitou a disseminação de receitas e o surgimento de variações regionais.
O nome “esfiha” deriva do árabe “sfīḥah” (صفيحة), que significa “massa recheada” ou “pequena torta”. É um prato que reflete a criatividade e a capacidade de adaptação dos povos árabes, utilizando ingredientes locais e temperos aromáticos para criar uma iguaria nutritiva e saborosa.
A Chegada ao Brasil e as Adaptações Locais
A esfiha chegou ao Brasil com as ondas de imigração árabe, principalmente de sírios e libaneses, entre os séculos XIX e XX. Esses imigrantes trouxeram consigo não apenas suas esperanças e sonhos, mas também sua rica cultura e, claro, sua culinária. Em cidades como São Paulo, que se tornou um grande polo de comunidades árabes, a esfiha rapidamente se popularizou, tornando-se um ícone da gastronomia local.
No Brasil, a esfiha passou por diversas adaptações para se adequar aos ingredientes disponíveis e ao paladar local. Uma das maiores inovações brasileiras foi a popularização da esfiha aberta, que difere da tradicional esfiha fechada do Oriente Médio. Além disso, novos recheios surgiram, como frango desfiado com requeijão, calabresa, e até mesmo versões doces, como a esfiha de chocolate. A versatilidade do prato permitiu que ele fosse incorporado tanto em padarias e lanchonetes quanto em restaurantes especializados em culinária árabe.
É interessante notar que, enquanto no Oriente Médio a carne do recheio é frequentemente cozida, no Brasil, a versão de carne moída crua, temperada com limão, cebola e tomate, que cozinha durante o assamento, tornou-se extremamente popular. Essa é uma das características que diferenciam a esfiha brasileira.
Curiosidades e a Evolução para a Airfryer
- Pizza vs. Esfiha: Muitos acreditam que a massa da esfiha e da pizza são semelhantes, mas há teorias que indicam que a pizza italiana, na verdade, pode ter derivado da esfiha. Uma história conta que os fenícios adicionavam coberturas de carne e cebola em pães em forma de disco, que seriam os antecessores da esfiha. Com as Cruzadas, essa prática chegou à Itália, onde a carne foi substituída por queijo e, mais tarde, o tomate foi adicionado, dando origem à pizza.
- Nome e Grafia: No Brasil, é comum encontrar tanto a grafia “esfiha” quanto “esfirra”, ambas sendo amplamente compreendidas e utilizadas regionalmente.
- Variedade de Recheios: A capacidade da esfiha de aceitar uma infinidade de recheios é uma de suas maiores qualidades, permitindo que cada região ou mesmo cada família crie sua própria versão favorita.
- A Revolução da Airfryer: A adaptação da esfiha para a airfryer é um exemplo perfeito de como pratos tradicionais podem se modernizar para atender às necessidades de praticidade e saúde da vida contemporânea. A airfryer permite que a esfiha seja preparada de forma mais rápida, com menos gordura e com um resultado final que combina a crocância externa com a maciez interna, sem a necessidade de um forno convencional. É uma forma de desfrutar dessa iguaria milenar com toda a conveniência que a tecnologia oferece.
A esfiha, em suas múltiplas formas e sabores, continua a ser uma celebração da cultura, da história e da gastronomia árabe, um legado delicioso que atravessou o mundo e se enraizou profundamente no coração e no paladar dos brasileiros, provando que a boa comida transcende fronteiras e gerações.









