4 horas e 30 minutos
10 porções
Elaborado
0 kcal
Ingredientes
- Para a Esponja (Fermento): 50g de farinha de trigo
- 25g de fermento de padeiro fresco (ou 11g de seco)
- 50ml de leite morno
- 1 colher de sopa de açúcar
- Para a Massa: 350g de farinha de trigo Tipo 65 (aproximadamente)
- 75g de manteiga amolecida
- 75g de açúcar
- 3 ovos pequenos (cerca de 150g)
- 1 pitada de sal
- Raspas de 1 limão
- Raspas de 1 laranja
- 1 cálice de Vinho do Porto (cerca de 50ml)
- Para a Mistura de Frutas: 100g de frutas cristalizadas em cubos
- 50g de uvas-passas
- 50g de frutos secos picados (nozes, amêndoas)
- Para Decorar: 1 gema batida
- Frutas cristalizadas e secas variadas (cerejas, figos, abóbora)
- Açúcar cristal (ou em pó para finalizar)
Modo de Preparo
- Prepare a esponja: Dissolva o fermento e o açúcar no leite morno. Adicione a farinha da esponja, misture bem, cubra e deixe levedar em local quente por cerca de 1 hora ou até dobrar de volume.
- Na batedeira (ou à mão), misture a restante farinha, o açúcar, o sal, as raspas de limão e laranja, os ovos e o Vinho do Porto. Adicione a esponja crescida e bata/sove por 5 a 10 minutos até a massa ficar lisa e elástica.
- Incorpore a manteiga amolecida aos poucos, sovando até que a massa descole das paredes da tigela e fique bem macia. (Pode levar 20 minutos à mão).
- Abra a massa sobre a bancada e adicione as frutas cristalizadas, passas e frutos secos. Amasse suavemente à mão apenas o suficiente para incorporar as frutas, sem rasgar a massa.
- Forme uma bola, cubra e deixe levedar novamente em local quente por cerca de 2 horas ou até dobrar de volume.
- Modele o Bolo Rei: divida a massa em porções, forme uma rosca e, com o polegar ou um rolo, abra um buraco no centro para criar o formato de coroa. Coloque sobre uma assadeira untada.
- Deixe levedar pela última vez, já moldado, por mais 1 a 2 horas.
- Preaqueça o forno a 180ºC. Pincele a massa com a gema batida e decore com as frutas e amêndoas, como desejar. Se for usar, coloque a fava e o brinde (opcional e não recomendado por segurança).
- Leve ao forno por 30 a 45 minutos, ou até que esteja dourado e cozido por dentro. Se dourar muito rápido, cubra com papel alumínio.
- Retire do forno, deixe arrefecer ligeiramente e, se desejar, polvilhe com açúcar cristal ou em pó.
Dicas do Chef
- As frutas secas e cristalizadas devem ser embebidas em licor ou Vinho do Porto por algumas horas antes de serem adicionadas à massa para maior maciez e sabor.
- O tempo total de levedação é crucial; procure um local aquecido, como um forno desligado com uma tigela de água quente dentro, para acelerar o processo.
- Para a decoração, a tradição manda colocar montinhos de açúcar cristal em três pontos da coroa, intercalados com as frutas.
A Coroa Festiva: História e Tradição do Bolo Rei
O Bolo Rei é mais do que uma simples sobremesa; é um símbolo da cultura e das celebrações de fim de ano em Portugal, sendo o protagonista nas mesas desde o Natal até o Dia de Reis, celebrado a 6 de janeiro. Sua forma redonda com um grande buraco central remete a uma coroa, homenageando os três Reis Magos — Gaspar, Baltazar e Belchior — que, segundo a tradição cristã, visitaram o Menino Jesus, trazendo ouro, incenso e mirra.
Origem Pagã e Adaptação Cristã
A história do Bolo Rei é fascinante e remonta a mais de dois milênios, com raízes profundas nos festejos romanos das Saturnálias. Durante essas celebrações em honra ao Deus Saturno, era comum eleger um “rei da festa” entre os convivas, escolhendo-o através de uma fava seca escondida em um doce redondo. A fava, símbolo de fertilidade, coroava o sortudo como o rei temporário do banquete.
Com a expansão do Cristianismo, a Igreja Católica soube adaptar festividades pagãs para o calendário religioso. A celebração da Epifania, ou Dia de Reis (6 de janeiro), que marca a visita dos Magos, foi a ocasião perfeita para ressignificar o costume romano. Assim, o bolo redondo com a fava foi associado à visita real e a tradição foi cristianizada, mantendo-se viva através dos séculos.
A Chegada a Portugal e as Variações
Embora suas raízes sejam antigas, o Bolo Rei em sua forma mais próxima da atual — um pão doce rico em especiarias e coberto de frutas — tem sua origem ligada à corte francesa, especificamente ao Gâteau des Rois, popularizado no século XIX. A receita teria chegado a Portugal por volta de 1869, introduzida pela Confeitaria Nacional em Lisboa, adaptando-se rapidamente ao paladar lusitano.
A simbologia dos ingredientes é rica: a massa fofa representa a realeza; as frutas cristalizadas e os frutos secos incrustados simbolizam as riquezas oferecidas pelos Magos — a mirra e o incenso (o aroma do bolo também é associado ao incenso), enquanto a casca do bolo representa o ouro.
Curiosidades e Tradições Atuais
Uma das tradições mais marcantes do Bolo Rei era a inclusão de dois itens secretos na massa:
- A Fava Seca: Quem a encontrasse tinha o “azar” de ter que comprar o Bolo Rei no ano seguinte, garantindo a continuidade da tradição.
- O Brinde (ou Moeda): Geralmente uma pequena figura de metal, representava sorte e prosperidade para quem o achasse.
Embora, por razões de segurança alimentar, a inclusão desses itens seja menos comum em estabelecimentos comerciais hoje, muitas famílias ainda mantêm o costume em casa. Uma variação notável é o Bolo Rainha, que utiliza a mesma massa aromática, mas exclui totalmente as frutas cristalizadas, focando apenas nos frutos secos, sendo a preferida de muitos que não apreciam o sabor mais doce das frutas em calda.
Apesar das tentativas de renomear o bolo para “Bolo Presidente” após a implantação da República em 1910, o apelo histórico e cultural manteve o nome Bolo Rei firme na mesa portuguesa, um verdadeiro ícone de partilha e celebração.









